“Musicoterapia versus música gravada no tratamento da dor em unidade
de terapia intensiva pediátrica: revisão sistemática com metanálise”
manejo da dor; unidades de terapia intensiva pediátrica; música; musicoterapia; revisão sistemática; enfermagem baseada em evidências.
A dor em pacientes pediátricos internados em Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) permanece altamente prevalente, mesmo diante da adoção de protocolos farmacológicos estruturados. A complexidade clínica, a frequência de procedimentos invasivos e as limitações no autorrelato tornam o manejo da dor um desafio assistencial relevante, exigindo abordagens multimodais que integrem intervenções não farmacológicas ao cuidado intensivo. Entre essas estratégias, as intervenções musicais têm sido descritas como potencialmente eficazes; contudo, observa-se heterogeneidade conceitual na literatura, especialmente quanto à distinção entre música gravada e musicoterapia ao vivo.
Esta tese teve como objetivo analisar e sintetizar criticamente as evidências científicas acerca das intervenções musicais no manejo da dor em pacientes pediátricos internados em UTIP, comparando musicoterapia ao vivo e música gravada, com vistas a subsidiar a prática clínica da enfermagem baseada em evidências.
O percurso metodológico foi estruturado em três estudos interdependentes: (1) elaboração de protocolo de revisão de escopo, registrado prospectivamente; (2) realização de revisão de escopo segundo metodologia do Joanna Briggs Institute e diretrizes PRISMA-ScR, que mapeou intervenções não farmacológicas na UTIP e identificou heterogeneidade metodológica e lacunas específicas relacionadas às intervenções musicais; e (3) revisão sistemática comparativa, conduzida para analisar criticamente a eficácia da musicoterapia ao vivo em comparação à música gravada no controle da dor em UTIP. Os achados evidenciaram que intervenções musicais são factíveis e potencialmente benéficas como adjuvantes à analgesia farmacológica, com tendência à redução de escores de dor. Entretanto, observou-se fragmentação das evidências, variabilidade nos protocolos de intervenção, diversidade de instrumentos de avaliação da dor e escassez de estudos conduzidos especificamente em UTIP, especialmente aqueles que comparem diretamente as modalidades ao vivo e gravada.
Conclui-se que, embora a música representa estratégia promissora no manejo multimodal da dor em terapia intensiva pediátrica, a consolidação de recomendações clínicas requer estudos comparativos robustos, padronização metodológica e delineamentos multicêntricos. Esta tese contribui para o refinamento conceitual das intervenções musicais, para o fortalecimento da prática baseada em evidências na enfermagem intensiva pediátrica e para o avanço do conhecimento científico na área.