VESTIR-SE DAS A(LAGOAS): A RELAÇÃO DE MERCADO DAS ÁGUAS COM A ANCESTRALIDADE AFRO-ALAGOANA
Mercado das Águas; Dança; Figurino; Alagoas; Ritual.
Tem água. Tem movimento. Tem um vestir. Tem orixás. Tem as margens, o sal e o sururu. É a narrativa de um artista que dança vestido das A(lagoas). Nessa perspectiva a dissertação busca refletir as interfaces do figurino com o corpo que dança, visando a estética ancestral afro-alagoana em Mercado das Águas como um prelúdio. Nesse trilhar analítico o corpo busca construir uma ligação com o sagrado através do figurino e seu adorno, mesmo que ainda não seja visível, precisa ser sentido. É preciso sentir a ancestralidade hoje, ainda que ela tenha sido alvo de batidas policiais no século passado. É através deste horror que o trabalho artístico é analisado como um arquivo, um documento e torna-se uma grafia. É nesta conjuntura, que a dissertação é construída, e busca deflagar as Alagoas de mãos pretas que reverberam dentro do artista. Para tal feito, é erguida uma ponte com as ideias de Anderson Diego Almeida (2021; 2025), Edson Bezerra (2019) e Fausto Viana (2014). Assim, o corpo que dança e veste as águas constrói pontes possíveis de interligar passado, presente e futuro, assim como corpo, dança e cenografia.