BONECA: O CORPO ENQUANTO MANIFESTO EM PERFORMANCE E SELFPERFORMANCE
Palavras-chave: Boneca; Feminismos negros; Performance; Selfperformance.
Tecendo um percurso de escrita performativa ancorado na escrevivência (Conceição Evaristo, 2020) e na escrita de f(r)icção (Luciana Lyra, 2020), este trabalho tem como objetivo estudar o processo da experiência cênica intitulada ‘Boneca’. A investigação se desenvolve por uma metodologia performativa, que implica a pesquisadora em primeira pessoa, fundamentando-se na trajetória pessoal e política da autora como mulher artista negra. O trabalho investiga o corpo feminino negro enquanto manifesto artístico-político partindo da memória histórica de violência, hipersexualização e silenciamento buscando ressignificar esse corpo como espaço de resistência e transformação. Por meio da linguagem da performance e do conceito autoral de selfperformance — que combina processos criativos, autorrepresentação e fotografia —, Boneca propõe a arte como caminho de denúncia e empoderamento, reposicionando o corpo negro feminino nas narrativas sociais, artísticas e se articula a partir de reflexões teóricas feministas e, em especial, negro-feministas apontadas pelas autoras Lélia Gonzalez (2020), Leda Maria Martins (2021), Silvia Federici (2019), Lígia Tourinho e Luciana Mitkieicz (2016), em um diálogo transversal com Audre Lorde (2019), bell hooks (2019), Grada Kilomba (2019) e Patricia Hill Collins (2019).