Banca de DEFESA: LUCAS DE OLIVEIRA PEREIRA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LUCAS DE OLIVEIRA PEREIRA
DATA : 27/02/2025
HORA: 15:00
LOCAL: On-line
TÍTULO:

Xirê Odara: a Festa do Corpo Negro em Movimento na Dança dos Orixás


PALAVRAS-CHAVES:

Dança. Dança de Orixás. Composição. Aquilombamento. Corpo~Manifesto.


PÁGINAS: 190
RESUMO:

O presente trabalho é resultado de uma pesquisa desenvolvida na área das Artes Cênicas com profunda interferência da religiosidade de motrizes (Ligiéro, 2011) afrodiaspórica, ocorrida no terreiro de Candomblé Ilê Olorum, casa de cultura e religiosidade de afro-indígena, entre 2022 e 2024. O trabalho se organiza a partir da dimensão de pertencimento que o pesquisador comporta como filho dessa casa de Axé. A busca que se empreendeu na investigação foi a de compreender, a partir da técnica da “observação participante” (Minayo, 2001; Demo, 2014; Severino, 2017) quais os sentidos e percepções que brotariam da dança de orixá, que ocorre na cerimônia ritual e celebrativa do xirê de Candomblé daquele terreiro, e, a partir de então, construir em uma experimentação corporal, uma composição coreográfica. A proposta poética leva título: “Xirê Odara” e se volta à aceitação dos corpos negros de Candomblé como manifestações de dança, aquilombamento, resistência, beleza, arte, cultura, pedagogia e política. O culto ao xirê de Candomblé, como potência ancestral do povo negro, tornara-se a primeira conquista na pesquisa que, na proposição de uma produção artística em dança, teve que acatar e celebrar os corpos negros (Sodré, 1999; 2019), reescrever narrativas e mitos (Medeiros, 2021), reconstituir sentidos espetaculares e imagéticos da africanidade (Moreira, 2022) e manifestar o corpo como potência (Silva, 2022). O construído nessa jornada foi poder. Um corpo negro quando se encontra e se descobre aquilombado não é outra coisa senão poder. Assim, descrever a dança no xirê, recriá-la na composição poética e fazê-la significar a afirmação de uma ancestralidade africana, muito mais que herança de povos que foram escravizados e se libertaram em lutas contínuas de resistência, mas como viés da luta contra a colonização, desde sempre até a atualidade. Com esta pesquisa (e sua derivação poética), nos propomos a discutirmos significados que podem nascer de uma composição coreográfica contemporânea, baseada em motrizes da dança dos orixás de Candomblé, ou se já, nos reencontramos com nossa afirmação social, pelo viés da construção de pertencimento e representatividade dos corpos negros dançantes. Para tanto, fomos obrigados a fazer uma reflexão profunda acerca do que somos, acerca de como a sociedade brasileira construiu para si a imagem de pessoas afrodescendentes, em um imaginário e em várias instituições de racismo (colonialista, religioso, estrutural, etc.). Construir uma composição em dança, a partir da observação das danças dos orixás, na forma como ocorre em um terreiro de Candomblé, foi nos tornar negro, acatar as heranças simbólicas do significado ancestral e celebrar o aquilombamento de corpos negros no Xirê Odara, que brota da dança de orixás.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1958705 - MARCILIO DE SOUZA VIEIRA
Interna - ***.043.118-** - LARA RODRIGUES MACHADO - UNICAMP
Externa à Instituição - STEPHANIE CAMPOS PAIVA MOREIRA
Notícia cadastrada em: 12/02/2025 14:37
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