CAPACIDADE DE DEAMBULAÇÃO DE INDIVÍDUOS COM ESCLEROSE
LATERAL AMIOTRÓFICA: ESTUDO PROSPECTIVO DE 12 MESES.
Marcha; Estado Funcional; Dor; Fadiga; Cognição.
Introdução: A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa
progressiva que acarreta perda gradual da funcionalidade. Dentre os déficits
encontrados, o comprometimento da deambulação impacta negativamente a
independência funcional e pode estar associado a outros sintomas presentes na ELA.
Objetivo: Analisar a progressão da capacidade de deambulação em indivíduos com
ELA ao longo de 12 meses. Método: Estudo longitudinal prospectivo com adultos com
ELA acompanhados em um ambulatório de doenças neuromusculares. Foram
realizadas cinco avaliações trimestrais utilizando os instrumentos: Amyotrophic Lateral
Sclerosis Functional Rating Scale–Revised (ALSFRS-R) para avaliação da
funcionalidade global; item “Andar” da ALSFRS-R e tempo até a perda da capacidade
de deambulação, para avaliação da locomoção; Escala Visual Analógica (EVA) e
diagrama corporal, para avaliação da intensidade e localização da dor; Escala de
Severidade da Fadiga (ESF) para avaliação da fadiga e Amyotrophic Lateral Sclerosis
Cognitive Behavioral Screen (ALS-CBS) para avaliação da cognição. A análise
estatística empregará os testes de Mann-Whitney, Qui-quadrado ou Fisher para
caracterização do perfil da amostra. A progressão da capacidade de deambulação
será analisada por Equações de Estimativas Generalizadas (GEE). A relação entre a
progressão da capacidade de deambulação e variáveis clínicas será avaliada por
modelos multivariáveis de GEE, assim como a influência longitudinal das variáveis
clínicas e suas interações com o tempo sobre a deambulação. O tempo mediano para
perda da capacidade de deambulação será estimado via Kaplan-Meier. Resultados
preliminares: A amostra (n=70) apresentou média de idade de 57,5 anos, com taxa
de atrição de 38,5% em 12 meses. Na avaliação inicial (T1), a amostra foi dividida
entre deambuladores e não deambuladores; em T1, os primeiros representavam 70%,
reduzindo para 51,2% na avaliação final (T5). A proporção de não deambuladores
com imobilidade completa saltou de 10% para 30,2%, considerando a primeira e a
última avaliação (T1 e T5). Em T1, os não deambuladores apresentaram perfil de
maior gravidade, com funcionalidade global inferior (14,81 vs. 35,51), além de maior
intensidade de dor (5,38 vs. 4,13), fadiga (5,14 vs. 4,02) e comprometimento cognitivo
(4,95 vs. 9,63), em comparação aos deambuladores. O uso de dispositivos auxiliares
de locomoção foi quase universal entre os não-deambuladores (98,6%), sendo a
cadeira de rodas o dispositivo com maior tempo médio de utilização (2,25 anos).