Explorando a relação dos fatores de risco cardiovascular com o desempenho físico em pessoas idosas residentes na comunidade
Fatores de risco cardiovascular; Pessoas idosas; Função física; Envelhecimento.
Introdução: O processo de envelhecimento tem sido associado a uma maior prevalência de doenças crônicas não transmissíveis como diabetes e hipertensão arterial, as quais aumentam a chance de eventos cardiovasculares e afetam a reserva funcional do organismo. Embora estudos tenham observado uma associação entre alguns fatores de risco cardiovascular (FRCs) e piores resultados de função física, ainda não foi esclarecido quais fatores têm maior impacto no desempenho físico de pessoas idosas. Além disso, a literatura tem demonstrado diferenças de sexo no risco de doenças cardiovasculares, com piores resultados para as mulheres idosas em comparação aos homens. Tais desigualdades podem refletir trajetórias distintas de envelhecimento cardiovascular, capazes de repercutir de maneira distinta na função física de homens e mulheres ao longo do tempo. Objetivos: 1) Realizar uma revisão sistemática para identificar quais os FRCs estão associados a medidas de função física em pessoas idosas e se essa associação varia por sexo; 2) Investigar a associação entre os FRCs individuais e agrupados e a dificuldade nas atividades de vida diária (AVDs) em uma amostra representativa da população idosa brasileira e avaliar se essa associação varia conforme o sexo; 3) Verificar se FRCs seriam capazes de predizer alterações funcionais em mulheres de meia-idade e idosas após 10 anos de acompanhamento. Métodos: O primeiro estudo trata-se de uma revisão sistemática sobre as associações entre os FRCs e medidas de função física em pessoas idosas, e se há diferença nas associações entre homens e mulheres. Foram incluídos estudos observacionais que avaliaram a associação entre os FRCs e a força de preensão manual e/ou velocidade da marcha em pessoas idosas residentes na comunidade. A revisão segue em andamento obedecendo protocolo elaborado previamente e cadastrado na plataforma Prospective Register of Systematic Reviews. O segundo estudo trata-se de uma análise transversal utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), de base populacional, que avaliou 23.815 pessoas idosas brasileiras. Os participantes que tinham algum FRC foram comparados com os que não tinham em relação a ter dificuldade ou não na realização das AVDs. Foram utilizadas análises de regressão logística binária para verificar as associações, com ajustes de covariáveis. Foram também considerados os pesos amostrais derivados de amostras complexas. O terceiro estudo será uma análise longitudinal a partir de uma amostra de mulheres entre 40 e 65 anos de idade, residentes no município de Parnamirim-RN, que participaram da linhade base no ano de 2013 e foram reavaliadas em 2023. Foram coletados dados sociodemográficos, de hábitos de vida e de doenças crônicas, além da mensuração de medidas antropométricas e de desempenho físico (força de preensão manual, velocidade da marcha, teste de levantar-sentar e de equilíbrio bipodal). As análises estatísticas estão em andamento, será considerado p<0,05 e intervalos de confiança de 95%, em todas as etapas. Resultados: Estudo 1 - O protocolo da revisão sistemática foi submetido à revista Plos One e a revisão encontra-se na fase de seleção de títulos e resumos por dois revisores independentes. Estudo 2 – Os FRCs apresentaram associação significativa com a dificuldade para realizar as AVDs na amostra brasileira. Na análise por sexo, os resultados permaneceram significativos para a maioria dos FRCs, com exceção do tabagismo, o foram observados piores resultados para as mulheres idosas com obesidade, diabetes e hipertensão. Estudo 3 – As análises estão em andamento.