CONTROLE POSTURAL E FUNCIONALIDADE DE PESSOAS ADULTAS E
IDOSAS COM E SEM DISFUNÇÃO VESTIBULAR CRÔNICA
Doenças Vestibulares. Equilíbrio Postural. Tontura. Vertigem. Valores de
Referência. Avaliação. Atividades Cotidianas.
Introdução: Indivíduos com disfunção vestibular (DV) podem apresentar
sintomas que comprometem o desempenho das atividades de vida diária
(AVDs). Instrumentos que mensuram o equilíbrio postural (EP) podem avaliar
a confiança do equilíbrio corporal, bem como seu desempenho funcional. No
entanto, há uma carência de estudos que analisam a validade discriminativa
e acurácia diagnóstica da Activities-Specific Balance Confidence Scale (ABC
Scale) e do Mini Balance Evaluation Systems Test (MiniBESTest) na
diferenciação de indivíduos com e sem DV. Objetivos: 1 - Avaliar o impacto
das atividades diárias, por meio da Vestibular Disorders Activities of Daily
Living Scale (VADL), em indivíduos com DV crônica, ao considerar variáveis
sociodemográficas, clínicas e funcionais. 2 - Avaliar a validade discriminativa
e a acurácia diagnóstica da ABC Scale e do MiniBESTest, assim como, seus
domínios, para discriminar indivíduos com e sem DV. Metodologia: Trata-se
de uma pesquisa clínica, quantitativa e analítica. Foram incluídos indivíduos de ambos os sexos, com idade entre 40 a 79 anos, distribuídos em dois
grupos: sem diagnóstico de DV e queixa de desequilíbrio postural e/ou
tontura, e com diagnóstico de DV e queixa de desequilíbrio e/ou
tontura/vertigem. Os participantes foram avaliados por meio de instrumentos,
que incluiu: caracterização clínica, cognição (PCL); atividades diárias (VADL);
nível de atividade física (IPAQ); confiança no EP (ABC Scale); e avaliação do
EP (MiniBESTest) com pontuações em porcentagem. O estudo foi dividido
em dois manuscritos: 1 - apresenta análises comparativas da amostra do
grupo com DV e 2- refere-se a um estudo metodológico de validade
discriminativa e acurácia diagnóstica, baseada nos consensos COSMIN e
STARD contendo os dois grupos. 1 - Foram realizadas análises descritivas,
teste Mann-Whitney ou de Kruskal-Wallis. 2 - Foram utilizados os testes de
Mann-Whitney e calculado o tamanho de efeito pelo coeficiente de correlação
rank-biserial (r). A acurácia diagnóstica da ABC Scale, do MiniBESTest e de
seus domínios para detectar presença ou ausência de DV foi mensurada pela
Receiver Operating Characteristic Curve (ROC curve), determinando o ponto
de corte (PC), a sensibilidade, especificidade, acurácia e os valores
preditivos positivo e negativo, os verdadeiros positivos (VP), falsos positivos
(FP), falsos negativos (FN) e verdadeiros negativos (VN). Significância
estatística foi considerada para p < 0,05. Resultados: 1 - Foram avaliados 72
indivíduos com DV crônica. Associações significativas foram encontradas
(p<0,05) para a VADL total e as variáveis sexo feminino, escolaridade até
nove anos, periodicidade do sintoma (diária/semanal), autorrelato de
problemas de memória/concentração, insônia e medo de cair. Do mesmo
modo, a subescala funcional, locomoção e instrumental se associaram com
variáveis clínicas pertinentes. 2- Um total de 129 participantes foi avaliado,
dos quais 76 (58,91%) apresentaram diagnóstico clínico de DV. Houve
diferenças estatísticas significativas entre os grupos na pontuação total da
ABC scale (U = 600; p<0,001), MiniBESTest (U=543; p<0,001), e dos todos
os seus domínios (p<0,001). A acurácia diagnóstica demonstrou que ABC
Scale apresentou uma área sob a curva (AUC).
Conclusões: 1- O conhecimento das variáveis que influenciam a tontura e o
desequilíbrio postural é essencial para a prevenção e o manejo adequado da
reabilitação vestibular destes indivíduos, a fim de otimizar a realização das
AVDs. 2- A ABC Scale e o MiniBESTest, o componente “marcha” se mostra o mais indicado como medida rápida de triagem.