CARACTERIZAÇÃO DO PROCESSO DE REABILITAÇÃO PÓS-AVC EM SERVIÇOS PÚBLICOS NO BRASIL: UM RETRATO DE QUATRO MUNICÍPIOS DO INTERIOR DO RIO GRANDE DO NORTE
Acidente Vascular Cerebral; Serviços de Reabilitação; Atenção a Saúde; Equipe multidisciplinar.
Introdução: O acidente vascular cerebral (AVC) é uma disfunção neurológica
aguda decorrente de alterações circulatórias cerebrais, constituindo uma das
principais causas de morte e incapacidade adquirida em adultos. As sequelas
motoras, cognitivas e de linguagem comprometem a autonomia e a qualidade
de vida dos indivíduos afetados. No Brasil, o acesso à reabilitação ainda é
limitado, com grande parcela dos pacientes sem acompanhamento após a alta
hospitalar. Objetivo: Analisar a organização do processo de reabilitação de
indivíduos pós-AVC nos Centros Especializados em Reabilitação (CERs) do
Rio Grande do Norte. Metodologia: Foi realizado um estudo transversal,
quantitativo, realizado com fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e
fonoaudiólogos atuantes na assistência pós-AVC em CERs das cidades de
Florânia, Santa Cruz, Caicó e Currais Novos. A coleta ocorreu por meio de
entrevistas remotas, utilizando questionário com 46 questões sobre protocolos
assistenciais, formação profissional, organização das equipes e transição do
cuidado. Os dados foram analisados por estatística descritiva no Microsoft
Excel. Resultados Parciais: Participaram 16 profissionais, predominando
fisioterapeutas (68,75%) e mulheres (62,5%). Observou-se que 90% não
possuem especialização em reabilitação neurológica de adultos, recorrendo
principalmente a cursos de curta duração. O acesso aos serviços ocorre, em
geral, por listas de espera, sendo dificultado por barreiras logísticas e
financeiras. Na fisioterapia, houve predomínio de intervenções voltadas ao
treino de marcha e fortalecimento muscular, com baixa utilização de
treinamento aeróbico monitorado. Na fonoaudiologia e terapia ocupacional,
identificaram-se lacunas importantes em avaliações relacionadas à disfagia,
cognição e atividades de vida diária. Considerações Finais: A assistência nos
CERs do interior do Rio Grande do Norte, enfrenta desafios significativos,
incluindo a carência de formação especializada, a fragmentação do cuidado
com lacunas assistenciais em fonoaudiologia e terapia ocupacional, e a
ausência de protocolos estruturados e sistemas de prontuários eletrônicos
integrados.