CAPACIDADE INTRÍNSECA E MORTALIDADE EM PESSOAS IDOSAS
COM FRATURA DE QUADRIL – UM ESTUDO DE COORTE
PROSPECTIVA
Estudos longitudinais; Desempenho funcional físico; Prognóstico;
Reabilitação; Análises de sobrevida
Introdução: A capacidade intrínseca (CI) está associada à mortalidade
em pessoas idosas que vivem na comunidade, mas pouco se sabe sobre
a relevância prognóstica das trajetórias da CI após eventos agudos
adversos à saúde, como a fratura de quadril. Este estudo teve como
objetivo determinar se as trajetórias da CI entre 2 e 6 meses após a
fratura de quadril predizem a mortalidade em longo prazo (8–12 anos)
em pessoas idosas. Métodos: Esta análise da sétima coorte do
Baltimore Hip Studies incluiu 181 pessoas idosas com fratura de
quadril residentes na comunidade, recrutadas entre 2006 e 2011. Os
domínios da CI, cognição (Modified Mini-Mental State Examination),
psicológico (Center for Epidemiologic Studies Depression Scale),
locomoção (Short Physical Performance Battery) e vitalidade (força de
preensão manual), foram avaliados aos 2 e 6 meses após a fratura. Os
escores dos domínios foram reescalonados pelo método da
porcentagem do máximo possível e combinados para obtenção de um
escore global de CI. Modelos de regressão de Cox foram utilizados
para examinar as associações entre as trajetórias da CI (declínio,
estabilidade ou melhora) e a mortalidade por todas as causas ao longo
de 8 a 12 anos, ajustando-se para idade, sexo, escolaridade,
comorbidades, autopercepção de saúde e IMC. Resultados: O declínio
da CI (HR=2,57; IC 95%=1,62-4,08) ou estabilidade (HR=2,38; IC
95%=1,51-3,75) entre 2 e 6 meses pós-cirurgia de fratura de quadril associou-se a um risco maior de mortalidade, mesmo após
ajuste para covariáveis. A análise exploratória de cada domínio da CI
separadamente demonstrou uma associação significativa apenas entre o
declínio no domínio da locomoção e a mortalidade, embora as
associações tenham sido mais fortes para as trajetórias do escore
global da CI. Conclusões: A ausência de melhora na CI durante os 6
meses de recuperação após fratura de quadril
identifica pessoas idosas de alto risco. O monitoramento das trajetórias
da CI pode fornecer informações prognósticas clinicamente
relevantes, além de avaliações pontuais. Este estudo destaca uma janela
crítica para intervenções multidisciplinares direcionadas a múltiplos
domínios para melhorar a sobrevida após fratura.