IMPLEMENTAÇÃO DE UM FLUXO DE VIGILÂNCIA DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL E NEUROLÓGICO EM UM HOSPITAL MATERNO-INFANTIL
Vigilância do desenvolvimento; Neurodesenvolvimento; Implementação.
Introdução: O aumento da sobrevivência de recém-nascidos em situação de risco não é acompanhado, necessariamente, por melhores desfechos neurológicos, tornando-se necessário a implementação de estratégias sistematizadas de vigilância do desenvolvimento infantil nos serviços de saúde. Objetivo: Este estudo tem como objetivo implementar e avaliar um fluxo estruturado de vigilância do desenvolvimento infantil e neurológico para recém-nascidos com fatores de risco no Hospital Universitário Ana Bezerra (HUAB/UFRN). Metodologia: Trata-se de um estudo de implementação com abordagem metodológica mista, orientado pelo referencial teórico-metodológico – Practical, Robust Implementation and Sustainability Model PRISM, aprovado pelo Comitê de Ética da FACISA/UFRN sob o parecer nº 6.821.399. O estudo foi conduzido no HUAB, nos setores de cuidado perinatal e pediátrico, e estruturado em quatro etapas. A primeira consistiu em análise retrospectiva de 253 prontuários para caracterização do perfil de encaminhamentos e identificação de fatores de risco para alterações do neurodesenvolvimento. A segunda etapa, de natureza diagnóstica, avaliou a prontidão organizacional e o conhecimento dos profissionais por meio de entrevistas e aplicação da escala POM. A terceira etapa envolveu capacitação técnica da equipe e contará com a co-construção participativa do Procedimento Operacional Padrão (POP), que será submetido à validação de conteúdo pelos próprios profissionais. A quarta etapa compreenderá a implementação do fluxo de vigilância do neurodesenvolvimento conforme o POP validado, com monitoramento semanal da adesão, seguida de avaliação final da viabilidade e aceitabilidade por meio de entrevistas com os profissionais e análise dos desfechos avaliados e registrados nos prontuários. Resultados parciais: Os resultados indicam que, apesar da presença de múltiplos fatores de risco, apenas 31,3% das crianças internadas foram encaminhadas para reabilitação ou especialidades. As entrevistas diagnósticas com 18 profissionais revelaram ausência de fluxos padronizados, uso não sistemático de instrumentos validados e prontidão organizacional ambivalente (2,12 ±1,01), indicando baixa a moderada predisposição organizacional para mudança. Quatro categorias analíticas foram identificadas: critérios de avaliação, fluxo do serviço, conhecimento sobre os instrumentos e opinião do profissional sobre seu papel. As etapas de capacitação e co-construção do protocolo estão em andamento, com implementação e avaliação planejadas. Considerações finais: Os achados preliminares sugerem que a implementação de um fluxo sistematizado pode favorecer a detecção precoce de alterações do neurodesenvolvimento e auxiliar no processo de tomada de decisão e navegação dessas crianças nos sistemas de reabilitação.