APOIO À EXPLORAÇÃO E À INTERVENÇÃO PRECOCE NO
DESENVOLVIMENTO DE BEBÊS PREMATUROS: UM ENSAIO
CLÍNICO DE VIABILIDADE NO CONTEXTO BRASILEIRO
SPEEDI BRASIL
Prematuridade, Estimulação Precoce, Neurodesenvolvimento, Estudos
de Viabilidade
Introdução: A prematuridade permanece como um importante problema
de saúde pública, especialmente em países de média renda, estando
associada a maior risco de alterações no neurodesenvolvimento.
Apesar das recomendações para seguimento e intervenção precoce
após a alta hospitalar, a transição hospital–domicílio ainda é marcada
por descontinuidades no cuidado e baixa oferta de programas
estruturados centrados na família. O
programa Supporting Play, Exploration and Early Development Intervent
ion (SPEEDI) tem demonstrado viabilidade e resultados promissores em
países de alta renda, porém sua aplicabilidade em contextos como o
brasileiro ainda é pouco explorada. Objetivo: Avaliar a viabilidade da
implementação do protocolo SPEEDI no contexto brasileiro,
considerando recrutamento, retenção, adesão, aceitabilidade e
fidelidade da intervenção. Métodos: Estudo de viabilidade de um ensaio
clínico não randomizado, realizado em duas maternidades públicas de
referência no Método Canguru, no Nordeste do Brasil. Participaram
recém-nascidos prematuros com idade gestacional inferior a 37
semanas. O grupo intervenção recebeu o protocolo SPEEDI-Brasil,
estruturado em duas fases (hospitalar e domiciliar), além do cuidado
habitual, enquanto o grupo controle recebeu apenas os cuidados
habituais. As avaliações ocorreram entre 34 e 37 semanas pós-
menstruais e aos 3 e 4 meses de idade corrigida, utilizando GMA, TIMP,
HINE e Bayley-III. A análise foi descritiva. Resultados: Foram recrutados
36 lactentes, com elevada aceitabilidade e baixa taxa de desistência.
Observou-se boa retenção nas avaliações e alta fidelidade na aplicação
dos princípios do SPEEDI durante as visitas realizadas. A adesão à fase
pós-alta foi moderada, refletindo barreiras contextuais. Conclusão: A
implementação do SPEEDI no contexto brasileiro mostrou-se viável e
aceitável. Os achados sustentam a condução de ensaios futuros de
maior porte, com adaptações voltadas à ampliação da adesão pós-alta e
à sustentabilidade da intervenção no contexto do sistema público de
saúde.