Perfil de interacoes medicamentosas em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e seus desfechos clinicos associados
Terapia Intensiva Neonatal. Interações. Desfechos.
Introdução: Neonatos sob terapia intensiva são suscetíveis à ocorrência de eventos adversos devido a imaturidade fisiológica, gravidade dos casos e administração de múltiplos medicamentos, elevando o risco de interações medicamentosas (DDIs). Diferente da UTI adulta, DDIs em neonatologia não são bem caracterizadas, sobretudo em relação à relevância clínica e desfechos. Muitas dessas DDIs, inclusive, são inevitáveis e a ausência de dados dificulta a avaliação do seu riscobenefício. Objetivo: O estudo tem como objetivo investigar a influência de DDIs potenciais nos desfechos clínicos de neonatos sob terapia intensiva. Metodologia: Um estudo de coorte prospectivo realizado na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) da Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), onde os neonatos foram avaliados diariamente quanto à ocorrência de DDIs. Parâmetros clínico-laboratoriais e farmacoterapêuticos foram avaliados diariamente. A influência da ocorrência de DDIs nos neonatos foi correlacionada aos principais desfechos clínicos (óbito, tempo de tratamento e variação de peso) através de modelagem uni e multivariada (logística e linear de efeitos aleatórios). Resultados: Cerca de 69,9% (255 pacientes) apresentaram 1 ou mais interações durante a internação, com maior destaque para interações envolvendo antimicrobianos (58,6%), potenciais arritmogenicas (27,4%), nefrotóxicas (18,3%) e que podem causar depressão do Sistema Nervoso Central (16,8%), onde a incidência do grupo de interações relacionadas à arritmia e à depressão do SNC tendem a decair ao longo dos dias (respectivamente β= - 0,106;p<0,01 e β= -0,088; p<0,01). Por outro lado as DDIs associadas à nefrotoxicidade se elevam durante a internação (β= 0,097; p<0,01). As DDIs potencialmente relacionados à arritmia elevaram a frequência cardíaca em 5,9% (p<0,001), aquelas associadas à nefrotoxicidade diminuíram em 44% os valores de filtração glomerular (p<0,001) e aqueles associados à depressão do sistema nervoso, diminuíram em 6% a frequência cardíaca (p<0,001). Conclusão: As DDIs foram significativamente associadas a arritmias, nefrotoxicidade e depressão do sistema nervoso central, impactando negativamente parâmetros clínicos críticos. Embora o risco de arritmias e depressão do sistema nervoso central diminua com o tempo de internação, o risco de nefrotoxicidade aumenta. Esses achados enfatizam a importância do monitoramento cuidadoso e da gestão das DDIs para melhorar os desfechos clínicos em neonatos.