ASSINATURAS MICROMORFOLOGICAS E GEOQUÍMICAS DO SOLO NA PENÍNSULA BYERS, ANTÁRTICA
Península Byers, micromorfologia, geoquímica, pedogênese e mudanças climáticas
Localizada na Ilha Livingston, Antártica Marítima, a Península Byers, representante da maior área livre de gelo do arquipélago das Shetlands do Sul, possui grande diversidade pedológica e condições únicas de desenvolvimento de solos. A presente pesquisa buscou estabelecer conexões entre a microestrutura e as propriedades físico e químicas do solo, em um ecossistema de alta sensitividade climática onde os solos atuam como proxies no entendimento das mudanças ambientais globais, partindo da hipótese de que feições em escala "micro" revelam um desenvolvimento moderado em solos tradicionalmente classificados como incipientes. A metodologia integrou análises físico-químicas de rotina, mineralogia da fração areia por fluorescência de raios-x (FRX), datação por luminescência opticamente estimulada (LOE) e, primordialmente, a descrição microscópica de lâminas de solo com estrutura preservada. Os resultados identificaram cinco grupos de solos (Cryosols, Gleysols, Fluvisols, Cambisols e Leptosols), distribuídos em cristas vulcânicas, superfícies crioplanadas e terraços marinhos, apresentando permafrost descontínuo e horizontes marcados por crioturbação e solifluxão. As discussões e conclusões evidenciam que a gênese dos solos e dos terraços marinhos soerguidos registra ajustes glacio-isostáticos e ciclos de congelamento/descongelamento ativos desde o Holoceno, sugerindo que processos de deglaciação e pedogênese na região ocorreram de forma mais complexa e, em certas áreas, mais antiga do que o previsto, consolidando a Península Byers como um indicador crítico da evolução da paisagem e da regulação climática antártica.