Digitalização do território e economia de plataforma no Semiárido: um estudo dos aplicativos de motoristas em Caicó-RN
Caicó; mobilidade urbana; uberização; Semiárido; plataformas digitais
Este trabalho busca investigar as novas dinâmicas de mobilidade urbana no município de Caicó (RN)
decorrentes da inserção de plataformas digitais de transporte intramunicipal a partir de 2023. Partindo do
entendimento de que a cidade, um centro sub-regional do Semiárido, possuía oferta precária de transporte
público e o domínio dos serviços de táxi e mototáxi, o estudo analisa os rebatimentos da chegada de
aplicativos como Urbano Norte, Gira Patos, Driver Nordeste e Tôaí Passageiro, os quais compõem um grupo
de aplicativos regionais e nacionais que apresentam dinâmicas específicas em relação às plataformas
internacionais, como a Uber e a 99/Didi. O objetivo central é analisar a digitalização do território semiárido
a partir da expansão dessas economias de plataforma para cidades de menor hierarquia urbana no
Semiárido, como Caicó-RN. Busca-se verificar os usos algorítmicos e corporativos do território por parte dos
aplicativos; examinar as interações e conflitos entre os agentes sociais envolvidos (motoristas de app,
taxistas e usuários) no contexto da flexibilização das relações de trabalho; e investigar como a digitalização
repercute na experiência urbana dos usuários. A fundamentação teórica se baseia nos conceitos de meio
técnico-científico-informacional, uberização e precarização do trabalho, usos corporativos do território e a
cidade e o urbano no espaço-recorte de estudo. A metodologia é qualiquantitativa e empírica, baseada nos
seguintes procedimentos metodológicos: levantamento bibliográfico; realização de entrevistas
semiestruturadas com gestores das plataformas e com a administração pública municipal; aplicação de
questionários socioeconômicos a motoristas e usuários dos aplicativos; e tratamento e análise de conteúdo
dos dados com apoio de cartografia temática gerada em SIG. Os resultados esperados buscam contribuir
para a compreensão da socioespacialidade do Semiárido, elucidando como a economia de plataforma se
materializa em cidades de menor hierarquia urbana, reorganizando fluxos, relações de trabalho e a
experiência da mobilidade, frequentemente à margem do planejamento público.