Banca de QUALIFICAÇÃO: SÂMARA BRIDGET MONTEIRO DE FIGUEIRÊDO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : SÂMARA BRIDGET MONTEIRO DE FIGUEIRÊDO
DATA : 04/08/2025
HORA: 15:00
LOCAL: Virtual
TÍTULO:

VIOLÊNCIAS NO TRABALHO VIVENCIADAS POR PROFISSIONAIS DOS SERVIÇOS PÚBLICOS DE SAÚDE: UMA REVISÃO ESCOPO


PALAVRAS-CHAVES:

Violência no Trabalho; Saúde do Trabalhador; Gestão do Trabalho; SUS; Revisão de Escopo.


PÁGINAS: 57
RESUMO:

Esta dissertação investiga as formas de violência no trabalho enfrentada por profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), seus impactos na saúde dos trabalhadores e as lacunas na produção científica sobre o tema. Por meio de uma revisão de escopo com 26 artigos (2006-2023), o estudo mapeou a concentração geográfica (Sul/Sudeste: 69,2%) e disciplinar (Enfermagem: 65,4%) das pesquisas, evidenciando desigualdades epistêmicas e a sub-representação de marcadores como raça, gênero e territorialidade. A análise revelou que 76% dos estudos tratam a violência de forma genérica, sem vinculação a determinantes estruturais, e 80,8% carecem de fundamentação teórica explícita, limitando análises críticas. A pandemia de COVID-19 catalisou publicações (15,4% em 2020), mas expôs o caráter reativo da pesquisa, que naturaliza a violência como “custo inevitável” do trabalho no SUS. Os resultados apontam três eixos temáticos: (1) violência contra enfermeiros, marcada por assédio moral e subnotificação; (2) vulnerabilidade na Estratégia Saúde da Família (ESF), associada à precariedade institucional e riscos territoriais; (3) impactos psicossociais, como burnout e transtornos mentais, frequentemente psicologizados. A discussão critica a fragmentação das redes de pesquisa e a invisibilização de vozes do Norte/Nordeste, reforçando um epistemicídio que silencia experiências periféricas. Propõe-se uma agenda transformadora baseada em quatro pilares: Interdisciplinaridade radical para integrar Saúde Coletiva, Geografia Crítica e Estudos Decoloniais; Epistemologias do Sul, com metodologias participativas (ex.: pesquisa-ação com movimentos de trabalhadores); Interseccionalidade analítica, incorporando raça, gênero e colonialidade às análises; Tradução do conhecimento em políticas via observatórios regionais de saúde do trabalhador. Conclui-se que enfrentar a violência no SUS exige romper com modelos que naturalizam o adoecimento, transformando o sistema em um espaço onde cuidar não signifique adoecer. O estudo reforça a urgência de alianças entre academia, gestores e movimentos sociais para traduzir evidências em práticas que valorizem a dignidade do trabalho em saúde.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 3718114 - HENRY WALBER DANTAS VIEIRA
Interno - 3474916 - JOSE JAILSON DE ALMEIDA JUNIOR
Externo à Instituição - RAFAEL RODOLFO TOMAZ DE LIMA
Notícia cadastrada em: 24/07/2025 11:03
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