Banca de QUALIFICAÇÃO: KERLISON PAULINO DE OLIVEIRA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : KERLISON PAULINO DE OLIVEIRA
DATA : 17/11/2026
HORA: 14:00
LOCAL: NATAL
TÍTULO:

Avaliação mecânica in vitro comparando diferentes sistemas de fixação em dois tipos

de osteotomia sagital do ramo mandibular


PALAVRAS-CHAVES:

cirurgia ortognática; fixação interna de fraturas, osteotomias


PÁGINAS: 16
RESUMO:

As deformidades dentofaciais representam um grupo significativo de alterações
esqueléticas que impactam tanto a estética facial quanto a função mastigatória, fonatória
e respiratória dos pacientes. A cirurgia ortognática, especialmente por meio da
osteotomia sagital do ramo mandibular (OSRM), tem sido há décadas o principal
procedimento para correção dessas discrepâncias, permitindo um realinhamento
esquelético eficiente e previsível, associado à estabilidade funcional e estética a longo
prazo [1,2].
Tradicionalmente, a OSRM é realizada por meio da técnica convencional
descrita por Obwegeser e Dal Pont, com modificações posteriores de Hunsuck e Epker,
que priorizam o amplo acesso e a extensão dos cortes até a região do corpo mandibular,
buscando otimizar a sobreposição dos segmentos ósseos e garantir maior área de contato
ósseo para a fixação interna estável [3,4]. Embora essa abordagem apresente altos
índices de sucesso, ela está associada a uma série de complicações bem documentadas,
como fratura indesejada do côndilo ou da basilar, parestesia do nervo alveolar inferior,
hematomas, edema excessivo e períodos de recuperação prolongados [5].
Nas últimas décadas, o conceito de cirurgia minimamente invasiva (MI) tem
ganhado espaço nas diversas áreas da medicina e, mais recentemente, na cirurgia
ortognática. O conceito de MI, segundo Hunter (1999), visa a realização de
procedimentos cirúrgicos com menor agressão tecidual, menor morbidade, tempo
cirúrgico reduzido e, consequentemente, melhora da experiência pós-operatória do
paciente [6]. Estudos demonstram que técnicas menos invasivas proporcionam redução
significativa de edema, trismo, dor, além de favorecer menor risco de parestesias e
complicações ósseas, quando comparadas aos métodos tradicionais [7,8].
A cirurgia ortognática minimamente invasiva (MIOS) surge como uma evolução
da técnica convencional, priorizando cortes ósseos restritos ao ramo mandibular,
evitando a extensão até o corpo mandibular, reduzindo a exposição do nervo alveolar
inferior e o risco de fraturas na região basilar [7,9]. A técnica descrita por Posnick
(2016) e aperfeiçoada por Cordier et al. (2020) apresenta linhas de osteotomia mais
curtas e acesso limitado, com menor descolamento do músculo temporal e menor
manipulação dos tecidos moles [9,10]. Evidências recentes sugerem que a adoção da
MIOS permite não apenas reduzir complicações intra e pós-operatórias, mas também
proporciona uma recuperação mais rápida e menos desconfortável para o paciente
[8,10].
Além disso, a integração de recursos tecnológicos como piezoelétricos,
planejamento virtual 3D, navegação cirúrgica e uso de instrumentos específicos para
MIOS tem potencializado ainda mais os benefícios deste procedimento, permitindo
cortes ósseos mais precisos, menor trauma tecidual e maior previsibilidade dos
resultados [11-13]. Contudo, mesmo diante das vantagens clínicas aparentes, uma
questão permanece em aberto: a resistência biomecânica das fixações aplicadas na
osteotomia sagital minimamente invasiva, especialmente quando comparada à técnica
convencional.

Estudos biomecânicos prévios, incluindoos estudos desenvolvidas no âmbito
deste grupo de pesquisa [14,15], demonstraram que configurações específicas de placas
e parafusos na OSRM convencional são determinantes para a estabilidade primária do
segmento ósseo após o avanço mandibular. No entanto, esses estudos foram realizados
exclusivamente com a técnica convencional, não contemplando as peculiaridades da
MIOS, que apresenta menor extensão dos cortes e, consequentemente, menor área de
contato ósseo. Esse fator levanta questionamentos relevantes sobre a estabilidade
biomecânica, sobretudo em avanços mandibulares mais expressivos (≥10 mm).
Adicionalmente, trabalhos recentes apontam que a ausência do corte vertical no
corpo mandibular, característica da MIOS, reduz substancialmente a ocorrência de
fraturas indesejadas e defeitos ósseos no pós-operatório, fatores frequentemente
associados à técnica convencional, especialmente em pacientes braquifaciais e em casos
de grandes movimentos ósseos [9,10,16]. No entanto, há uma escassez de estudos
quantitativos que avaliam objetivamente a resistência das diferentes configurações de
placas — como as placas MIOS e placas retas convencionais — e o impacto do uso de
parafusos monocorticais e bicorticais do tipo locking nesse contexto específico.
Portanto, este projeto de pesquisa justifica-se pela necessidade de gerar
evidências biomecânicas que orientem a prática clínica na escolha dos dispositivos de
fixação mais adequados para a osteotomia sagital minimamente invasiva. A realização
de ensaios mecânicos in vitro permitirá comparar, de forma objetiva, a resistência
proporcionada por diferentes combinações de placas e parafusos, considerando as
particularidades anatômicas e funcionais da MIOS. Espera-se, com isso, não apenas
validar biomecanicamente a aplicação desta técnica, mas também contribuir para sua
consolidação como uma alternativa segura, eficiente e de menor morbidade frente à
cirurgia ortognática convencional.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2379951 - ADRIANO ROCHA GERMANO
Externo à Instituição - PAULO MARIA SANTOS RABELO JUNIOR - UFMA
Externo à Instituição - JOSE THIERS CARNEIRO JUNIOR - UFPA
Notícia cadastrada em: 04/09/2026 09:31
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