Avaliação tomográfica dos espaços interradiculares e da espessura do palato para a instalação dos miniimplantes do disjuntor C-expander
Técnica de Expansão Palatina; Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico; Mini-Implante Dentário.
Introdução: O C-expander é um disjuntor muco-ósseo-suportado ancorado na maxila por meio de miniimplantes instalados obliquamente nos espaços interradiculares dos dentes posteriores. No entanto, não há um consenso das regiões ideais para a instalação dos miniimplantes desse aparelho. Objetivo: Avaliar em tomografias computadorizadas de feixe cônico (TCFC) a distância interradicular, a espessura óssea alveolar, a espessura da cortical óssea palatina e a espessura da mucosa na região alveolar posterior da maxila, com o intuito de sugerir as regiões mais adequadas para a instalação dos miniimplantes do aparelho C-expander. Material e métodos: A amostragem foi composta por 57 exames de TCFC da maxila selecionadas do banco de dados de um centro de Radiologia Odontológica. Foram incluídas as TCFC de indivíduos de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 15 anos. A amostra foi dividida igualmente em 3 grupos etários: Grupo A, composto pelo indivíduos com idade de 15 a 30 anos; o Grupo B, de 31 a 45 anos; e o Grupo C, com indivíduos de 46 a 59 anos. O programa RadiAnt DICOM Viewer® foi utilizado para medir a menor distância interradicular à distal dos caninos (C-PM1), dos primeiros pré-molares (PM-PM2), dos segundos-pré-molares (PM2-M1) e entre os molares (M1-M2), em cortes axiais localizados 4, 6, 8, 10 e 12 mm distantes da margem gengival (MG). A espessura óssea alveolar, a espessura da cortical óssea palatina e a espessura da mucosa do palato foram medidas nos cortes coronais, nas angulações de 30°, 45°, 60° e 75° em relação ao plano oclusal, nos mesmos sítios interradiculares e nos mesmos níveis verticais de distância da MG. Essas medidas foram realizadas em um dos lados da maxila, selecionados aleatoriamente. As mensurações foram repetidas em 30% da amostra, um mês após as primeira mensurações, para calcular o erro do método por meio do Coeficiente de Correlação Intraclasse (CCI). As comparações intergrupos de acordo com o sexo e os grupos etários foram realizadas por meio do teste de ANOVA a 3 fatores, seguidos do pós-teste de Tukey, adotando-se um nível de significância de 5%. Resultados: A reprodutibilidade foi considerada excelente para todas as variáveis (CCI ≥ 0,777). A distância interradicular aumentou com a altura de medição em todos os sítios, sendo o maior valor médio encontrado no sítio PM2-M1. A espessura óssea foi maior nos sítios anteriores e nos indivíduos do Grupo A, com diferenças significativas entre os sexos em todos os sítios, mostrando uma redução progressiva conforme a altura vertical e o ângulo aumentavam. A espessura da cortical foi maior também no Grupo A, nos sítios anteriores e nas alturas mais baixas. Para a mucosa palatina, observou-se um aumento progressivo da espessura com o aumento da altura e da angulação. Não foram observadas interações significativas entre altura/angulação e grupo etário ou sexo para nenhuma das variáveis analisadas. Conclusões: A análise dos parâmetros anatômicos permitiu identificar as combinações mais adequadas de altura e angulação de inserção por sítio. Observou-se que a inclinação mais apropriada para a inserção dos miniimplantes tende a diminuir progressivamente da região anterior para a posterior. O sítio C–PM1 apresentou maior espessura óssea e de cortical; o PM2–M1, maior distância interradicular; e no M1–M2, recomenda-se inserções mais apicais e menos inclinadas.