TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA EM ECOSSISTEMAS EDUCACIONAIS: UMA ESTRUTURA DE PLANEJAMENTO MULTIFÁSICO DA OLIMPÍADA NACIONAL BRASILEIRA GLOBE
Transferência de conhecimento e tecnologia; Ecossistemas educacionais; Educação científica; Inovação educacional.
A transferência de conhecimento e tecnologia em ecossistemas educacionais têm assumido papel estratégico na articulação entre ensino, pesquisa e inovação, especialmente quando orientada à resolução de problemas complexos de natureza socioambiental. Entretanto, grande parte das olimpíadas educacionais ainda se organiza a partir de modelos centrados na avaliação pontual de conteúdos, com limitado alcance formativo e reduzido potencial de transferência efetiva de conhecimento. Esta dissertação analisa a Olimpíada Nacional Brasileira GLOBE como um modelo inovador de design institucional e pedagógico, concebido como uma estrutura de planejamento estratégico multifásico para transferência de conhecimento e tecnologia, integrada a um ecossistema educacional ampliado. O objetivo do estudo é investigar de que modo a organização sequencial e cumulativa das fases da olimpíada favorece processos de aprendizagem, produção de conhecimento aplicado e desenvolvimento de competências científicas, comunicacionais e argumentativas. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa e caráter aplicado, desenvolvida a partir da análise do design, da implementação e dos produtos educacionais gerados no âmbito da Olimpíada Nacional Brasileira GLOBE. A investigação fundamenta-se na abordagem de ecossistemas educacionais e na perspectiva da transferência de conhecimento e tecnologia em contextos não empresariais, compreendendo a olimpíada como um ambiente estruturado de aprendizagem, produção de dados e inovação educacional. Como contribuição, a pesquisa propõe um modelo estruturado de transferência de conhecimento e tecnologia como produto educacional, passível de replicação em contextos escolares, com foco no incentivo à pesquisa prática, à aprendizagem baseada em dados e à integração entre ensino, investigação científica e resolução de problemas socioambientais, promovendo a incorporação da cultura científica e investigativa no cotidiano educacional dos estudantes. A estrutura metodológica da olimpíada inclui a coleta sistemática de dados ambientais, o monitoramento contínuo e a adaptação progressiva dos protocolos científicos, culminando em uma fase de imersão coletiva in situ. Nessa etapa, as equipes realizam trabalhos de campo em ambientes estuarinos, aplicando metodologias padronizadas e gerando dados ambientais. O processo culmina na elaboração e apresentação de planos de intervenção baseados em evidências científicas, avaliados em nível universitário, evidenciando o potencial da olimpíada como um mecanismo estruturado, replicável ao contexto local para a transferência de conhecimento e tecnologia em ecossistemas educacionais.