EDUCAÇÃO PERMANENTE COMO FERRAMENTA PARA PREVENÇÃO DA DESNUTRIÇÃO HOSPITALAR EM PACIENTES EM TERAPIA DE NUTRIÇÃO ENTERAL
Educação permanente; Terapia Nutricional Enteral; Desnutrição Hospitalar.
Introdução: A desnutrição hospitalar é uma condição altamente prevalente e frequentemente subdiagnosticada, associada ao aumento do tempo de internação, da morbimortalidade, das complicações clínicas e dos custos hospitalares. A Terapia de Nutrição Enteral (TNE) constitui uma estratégia fundamental para a prevenção e o tratamento da desnutrição, desde que conduzida de forma segura, padronizada e integrada por uma equipe multiprofissional. No entanto, evidências científicas e observações na prática hospitalar apontam lacunas no conhecimento técnico, no manejo e no monitoramento da TNE, reforçando a necessidade de ações educativas estruturadas com base nos princípios da Educação Permanente em Saúde (EPS). Objetivo: Desenvolver ações educativas voltadas aos profissionais de saúde, com foco na prevenção e no tratamento da desnutrição hospitalar em pacientes em Terapia de Nutrição Enteral, a partir dos pressupostos da Educação Permanente em Saúde. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa de intervenção, com abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, realizada em um hospital público com profissionais envolvidos no cuidado de pacientes em uso de TNE. O estudo foi desenvolvido em quatro etapas: (1) diagnóstico situacional para identificação dos conhecimentos prévios e das fragilidades na prática assistencial; (2) elaboração de um plano de intervenção educativo baseado nas demandas identificadas; (3) implementação de ações educativas utilizando metodologias ativas; e (4) elaboração de uma cartilha educativa como produto técnico final. A pesquisa seguiu os preceitos éticos das Resoluções nº 466/2012 e nº 580/2018 do Conselho Nacional de Saúde e foi aprovada por Comitê de Ética em Pesquisa. Resultados: O diagnóstico evidenciou lacunas no conhecimento sobre indicação, administração, monitoramento e prevenção de complicações relacionadas à TNE, além de fragilidades na comunicação multiprofissional e na adesão a protocolos institucionais. Após a implementação das ações educativas, observou-se ampliação do conhecimento técnico dos profissionais, maior alinhamento entre os membros da equipe, fortalecimento da prática baseada em protocolos e melhoria na segurança do cuidado nutricional. A cartilha educativa produzida consolidou-se como uma ferramenta prática de apoio à assistência e à educação permanente. Conclusão: As ações educativas fundamentadas na Educação Permanente em Saúde demonstraram potencial para qualificar a prática multiprofissional relacionada à Terapia de Nutrição Enteral, fortalecer a prevenção da desnutrição hospitalar e promover maior segurança e qualidade na assistência ao paciente hospitalizado.