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Dissertações/Teses

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2019
Dissertações
1
  • NATÁLIA FIRMINO AMARANTE
  • O CERTO PELO CERTO E O ERRADO SERÁ COBRADO: NARRATIVAS POLÍTICAS DO SINDICATO DO CRIME DO RN 

  • Orientador : JULIANA GONCALVES MELO
  • Data: 25/02/2019
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  • Este trabalho tem como objetivo analisar a história e a influência da facção Sindicato do crime do RN dentro do cenário de disputa política e criminal que existe no Brasil atualmente. Pretendo, a partir da experiência etnográfica, construir uma narrativa que, dentro de certos limites, procura compreender os processos que constroem a “ética do crime”, os ciclos de vingança e as disputas pelo poder e o controle das unidades prisionais e das ruas da Grande Natal. À luz de autores que compõem o que hoje vêm sendo definido por Antropologia do Crime busco trabalhar categorias que permeiam as relações entre as facções criminosas, bem como a construção de práticas discursivas que sustentam ciclos de violência e acabam gerando uma “guerra” que atinge toda a sociedade. Dessa forma, desejo contribuir para a discussão que está sendo produzida acerca da atuação dos grupos de crime organizado no contexto local, especialmente no Nordeste. A questão central que almejo responder com essa pesquisa é: estaria o Sindicato do Crime do RN participando de uma possível “guerra” contra outras facções ou o que haveria, na realidade, seria a criação de uma guerra de minorias contra minorias produzidas por um Estado genocida? Para responder tal questão, priorizo a perspectiva de quem vivencia diretamente esse contexto: os integrantes da facção Sindicato do Crime do RN, para pensar se a “crise da segurança pública” que o Estado afirma existir hoje no Brasil não seria na verdade um “projeto político” que funciona através do castigo da miséria.



2
  • RAPHAELLA PEREIRA DOS SANTOS CÂMARA
  • “A POLÍCIA PRENDE E A JUSTIÇA SOLTA”? UM OLHAR SOBRE AS AUDIÊNCIAS DE CUSTÓDIA EM NATAL/RN

     

     

  • Orientador : JULIANA GONCALVES MELO
  • Data: 26/02/2019
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  • O estudo ora apresentado aborda a recente proposta de implantação da audiência de custódia no Estado do Rio Grande do Norte. Ao realizar um estudo etnográfico em Natal/RN, busco entender os procedimentos da audiência de custódia e como se dão as formas de acesso à justiça por parte dos flagranteados. A partir da ideia de interação social (Goffman, 2012), busco ainda entender os processos de controle e manipulação dos papéis sociais de diferentes atores (juízes, promotores, defensores, policiais e flagranteados) à medida em que interagem entre si e desempenham seus papeis. Antes, porém, revelo os procedimentos da audiência de custódia em termos formais e sociais, buscando identificar os perfis dos presos em flagrante. À luz do conceito de sujeição criminal (Misse, 1999), trato ainda de episódios de violência policial e institucional que me foram relatados e mostro como tais práticas apenas fortalecem uma perspectiva punitivista, que reitera uma visão estereotipada na qual “direitos humanos” são vistos como parciais e atrelados, unicamente, à noção de defesa de criminosos e não de direitos elementares. Ao final, concluo que, se na norma, a prisão deveria funcionar como medida excepcional (e as audiências de custódia foram criadas para isso também), na prática, as medidas adotadas continuam sendo a do encarceramento em massa. Ou seja, apesar da formulação de novas diretrizes para diminuir as taxas de aprisionamento, seguimos no mesmo compasso. Refletir sobre esses dados, por fim, é importante para que as audiências de custódia, por exemplo, possam ser eficazes naquilo que se propõem, isto é: acelerar o andamento processual; proporcionar o aceso à justiça de forma mais equânime; contribuir para evitar as taxas de prisão provisória (que são altíssimas no país); coibir práticas de tortura e visar a proteção dos direitos humanos e sua real efetivação.

3
  • JOSYANNE GOMES ALENCAR
  • ACORDOS E COLISÕES: FAMÍLIA, SEXUALIDADE E LESBIANIDADE 

     

  • Orientador : ROZELI MARIA PORTO
  • Data: 15/03/2019
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  • A presente dissertação versa sobre as experiências e situações vivenciadas por mulheres que se autodenominam como lésbicas, no estado do Rio Grande do Norte. Tem por objetivo compreender como a (homo) sexualidade feminina, passa por um jogo entre ocultar e revelar suas identidades lésbicas de acordo com a dinâmica que estão envolvidas. Desse modo, suas biografias são construídas e organizadas em confluência com os espaços de (homo) sociabilidades, pelos quais essas mulheres transitam cotidianamente. Para esta pesquisa, foram analisadas as histórias de vida de cinco colaboradoras, através da técnica de pesquisa bola de neve, durante o ano de 2017 e 2018. Demonstro de que modo são tecidas e gerenciadas, as negociações empreendidas por estas mulheres no âmbito do trabalho, da família, dos estudos, dos movimentos sociais através da manutenção de suas agências e intencionalidades (ORTNER, 2007). No campo etnográfico, o que se observa é o modo como mulheres que se identificam com uma sexualidade dissidente conferem manutenção as suas relações familiares. O conceito de aceitação (OLIVEIRA, 2013) foi amplamente explorado para tentar analisar e entender um estilo de vida diferente daquele adotado por outros membros do núcleo familiar. Importante também foi compreender os processos de coming out, como situações cotidianas e não eventos programados para acontecer. A literatura Sociológica sobre segredo nos ajudou a compreender os silêncios e tensões que perpassam a lesbianidade das mulheres dessa pesquisa. Diferente do que se possa imaginar esse segredo nem sempre figurou como um pânico moral, mas antes susceptível de agenciamento e novas interpretações.

     

     

     

     

                

2018
Dissertações
1
  • JOSÉ RICARDO MARQUES BRAGA
  • TRAJETÓRIAS TECIDAS ENTRE AS LUZES DA CIDADE E AS VEREDAS DO SERTÃO: JOVENS MULHERES RURAIS, ENSINO SUPERIOR E PROJETOS DE VIDA.

  • Orientador : ELISETE SCHWADE
  • Data: 07/02/2018
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  • Ao tomar como interlocutoras jovens universitárias de uma comunidade rural no norte cearense que vivem nos fluxos e fronteiras entre campo e cidade, tenho por objetivo compreender os fatores motivadores e que tornaram possível uma trajetória de longevidade escolar – a chegada à universidade – bem como analisar como se dá a (re) construção de seus projetos de vida ao longo da experiência universitária. Para tanto, tomo como pressuposto a necessidade de percorrer os itinerários pelos quais constroem seus cotidianos. Assim, à luz da perspectiva da etnografia multissituada de Marcus (2001), sigo as trilhas cotidianas das jovens, a saber: a comunidade rural, o transporte universitário e a universidade. Com uma abordagem qualitativa, este empreendimento etnográfico elege a observação participante, entrevistas semiestruturadas e narrativas biográficas como técnicas de pesquisa necessárias para atingir suas finalidades. São nos fluxos e no cruzamento de fronteiras – produtores de subjetividades – que as jovens, num movimento processual, se (re) constroem entre o mundo rural e o universo urbano. O trânsito entre diferentes domínios e universos de significados leva à articulação entre diversificadas redes, promovendo a proliferação de múltiplas experiências. A multiplicidade de referências leva, assim, ao problema da fragmentação, que para Velho (2003) é um dos indícios da modernidade. Todavia, é no imbricado processo entre continuidade e descontinuidade, entre tradição e modernidade que podemos localizar a compreensão da (re) construção dos projetos de vida dessas jovens. Os dados obtidos apontam para uma realidade complexa e multifacetada, que sinalizam para a elaboração dos projetos de vida dentro de uma perspectiva urbana, utilizando-se da cidade e de suas benesses, mas sem um desenraizamento do campo, que permanece como forte referência para se pensar as trajetórias das jovens investigadas. 

2
  • THIAGO SILVA DE CASTRO
  • Política das relações quadrilheiras: um estudo a partir da experiência do grupo competitivo Estrela do Luar, em Sobral/CE.

  • Orientador : RITA DE CASSIA MARIA NEVES
  • Data: 27/02/2018
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  • Este trabalho é o resultado de uma pesquisa realizada no contexto das quadrilhas juninas competitivas do Ceará, partindo mais especificamente da realidade vivenciada na cidade de Sobral, no norte do estado. Sua proposta é refletir, a partir de vivências em um campo delimitado, sobre as características do chamado movimento junino ou quadrilheiro, composto principalmente pelas quadrilhas que participam dos chamados festivais, concursos onde disputam por premiações que são, ao mesmo tempo, materiais e simbólicas. Seguindo o movimento empreendido pela quadrilha Estrela do Luar dentro desse contexto, busca-se descortinar a política das relações estabelecidas nos processos vividos pelos chamados quadrilheiros, atores sociais que compõem diretamente o universo simbólico das competições juninas no estado  –  que possui práticas e interesses específicos. Percebe-se, a parir disso, a construção de um processo social contínuo que dá conta de uma transformação na manifestação cultural em questão, que incorpora aos seus símbolos festivos considerados típicos novos elementos, dentre os quais a questão da rivalidade e da competitividade parece ser latente. O presente estudo ajuda a pensar sobre os movimentos vivenciados por determinados grupos da chamada cultura popular na contemporaneidade, indicando que suas transformações não se operam apenas no nível estético da arte que expressam publicamente, mas, sobretudo, nos processos sociais assumidos na construção da manifestação cultural, onde sensíveis alterações de perspectivas também se dão.

3
  • DOMINIQUE DOS SANTOS TIAGO
  • A VIDA SOCIAL DO PET: Etnografando subjetividades através do consumo para animais de companhia em Natal/RN

     

  • Orientador : ELIANE TANIA MARTINS DE FREITAS
  • Data: 28/02/2018
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  • A convivência com os animais de companhia em nossas casas, famílias, entre nossos amigos, em lugares públicos, em eventos privados, no mundo online/offline, pode estar se moldando e sendo moldada pelas interações e rituais convencionais dos humanos. Além da preocupação com o bem-estar do animal, condenando a “desumanidade” em relação aos maus-tratos, a relação de afeto, de empatia, faz com que o animal como ator possa ser construído e movimentar-se em sociedade, possui agência animal, como sugere Osório (2016). Na medida em que se torna ator social, e passa a ter possibilidade de acesso a direitos sociais ou, pelo menos, possibilidade de acesso online, produz redes complexas de relacionamentos e estratégias de construção de subjetividades complexas entre humanos e não humanos. Esta pesquisa é, como um todo, uma etnografia da relação entre humanos e não humanos na contemporaneidade, em meio urbano, utilizando a ferramenta gráfica, fotografias e desenhos, não só como mera ilustração, porém, como parte do processo de observação e interpretação dos dados.

     

     

4
  • CAYO ROBSON BEZERRA GONÇALVES
  • Política, mediação e conflitos: a construção social de lideranças indígenas Pitaguary (CE). 

  • Orientador : CARLOS GUILHERME OCTAVIANO DO VALLE
  • Data: 25/06/2018
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  • Esta pesquisa tem o objetivo de analisar como se constroem, modelam e agem as lideranças indígenas  Pitaguary (CE) e, consequentemente, como elas mantêm sua legitimidade tanto em uma esfera local quanto em um cenário translocal de mobilizações étnicas. Dessa forma, abordo o processo de organização social e política Pitaguary, dando contorno aos conflitos faccionais internos. A partir de uma perspectiva processual e histórica, levando em consideração as dinâmicas e os processos de  territorialização do referido grupo étnico, podemos perceber como esses sujeitos transformam-se em agentes mediadores centrais na negociação de demandas e no diálogo com o Estado. A atuação e o reconhecimento desses atores tanto em suas comunidades quanto em termos domovimento indígena, no qual eles também participam, se faz a partir de seus envolvimentos políticos em diferentes campos de disputa, entre eles: na educação,nas retomadas, namobilização étnico-política e até mesmo nas dinâmicas faccionais. Dessa forma, as lideranças das quatro aldeias Pitaguary acionam apoios, influências, poderes e prestígios distintos, inclusive com agentes institucionais variados.

5
  • SHEILA RAMOS DA SILVA
  • A ÍNDIA, O SANTO E AS ALMAS: NARRATIVAS SOBRE A CIDADE DE SÃO VICENTE (RN)

  • Orientador : JULIE ANTOINETTE CAVIGNAC
  • Data: 29/06/2018
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  • A partir da análise das narrativas sobre a história da cidade de São Vicente, município do Seridó norte-rio-grandense, a pesquisa propõe entender as diferentes versões sobre os acontecimentos históricos da Serra de Santana. A presença de indígenas na região é atestada por evidências arqueológicas, é lembrada pela lenda da fundação da cidade que tem como protagonista a índia Luiza, bem como com a evocação de seres sobrenaturais na topografia local que leva as marcas dos eventos passados. Outro personagem aparece nas versões orais da história local, São Vicente, santo padroeiro da cidade. Nas narrativas, a índia é substituída por São Vicente num projeto idealizado pelos colonizadores, em uma disputa simbólica de memórias onde os índios são mais uma vez colocados à margem da história. Assim, a construção da história local com base na memória dos são-vicentenses é revelada graças à leitura das diferentes versões sobre a cidade onde são citados os índios, os achados arqueológicos, as "almas" e os fenômenos sobrenaturais que configuram uma reinterpretação nativa dos eventos históricos.

6
  • IZABELLE ALINE DONATO BRAZ
  • IDENTIDADE CIGANA, PROJETOS DE VIDA E LAZER NOS CIRCUITOS DE VAQUEJADA NA PARAÍBA

  • Orientador : JOSE GLEBSON VIEIRA
  • Data: 11/07/2018
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  • O trabalho tem como objetivo analisar a reelaboração da identidade étnica de membros de uma família cigana que residem na cidade de Campina Grande/PB. O trabalho gira em torno de uma equipe cigana ou intitulada como “grupo cigano” que compete nos circuitos de vaquejada e que é constituída por três ciganos da família Targino Cavalcanti. A pesquisa consistiu, num primeiro momento, na revisitação de material jornalístico sobre a referida família, no intuito de reconstruir a trajetória dos ciganos entre os anos de 1970 e 1990, mais precisamente no evento descrito e narrado como “guerra ou saga cigana”. As reportagens acessadas publicizaram diversas imagens estereotipadas acerca dessa família, as quais repercutem até os dias atuais nos silêncios e evitações por parte dos não ciganos e do encobrimento em algumas situações por parte dessa família cigana. Em um segundo momento, a pesquisa procurou compreender a inserção dos ciganos Targino Cavalcanti no circuito de vaquejada e descrever as elaborações e concretizações de projetos de vida a partir do lazer, do consumo e da relação com os animais. E, por fim, o objetivo foi entender algumas questões referentes as relações interétnicas entre ciganos e não ciganos, expondo as representações dos não ciganos em relação aos ciganos. Através disso, foi possível perceber uma forma distinta de ser cigano frente aos demais ciganos localizados no sertão da Paraíba. Com base nessas questões, recuperamos algumas abordagens antropológicas como identidade, etnicidade, a relação com os animais, lazer, consumo e projetos de vida.

7
  • JOSÉ WANDERLEY PEREIRA SEGUNDO
  • SONHOU COM ALGUMA COISA HOJE?: UM ESTUDO ETNOGRÁFICO SOBRE O JOGO DO BICHO EM MOSSORÓ/RN

  • Orientador : JULIANA GONCALVES MELO
  • Data: 29/08/2018
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  • O jogo do bicho é uma espécie de loteria que surgiu na cidade do Rio de Janeiro, em 1892. Apesar de na maior parte de sua história – e atualmente – ser declarada ilegal, é um dos jogos de azar mais populares do país, fazendo-se presente em meio à sociedade e inserida desde as mais movimentadas capitais até pequenas cidades, penetrando de tal modo a ponto de se tornar adaptável aos mais variados estilos de vida e contextos sociais. Em meio a isso, encontram-se as pessoas que trabalham, ou estão envolvidos, nesse mundo envolto de números, bichos e seres humanos: são os banqueiros, cambistas, coletores e, de modo mais generalizado, os jogadores aficionados, todos, presentes nesse universo movido pelo desejo de ganhar dinheiro. Desse modo, o presente trabalho apresenta um estudo etnográfico sobre o jogo do bicho desenvolvido no município de Mossoró-RN, com a finalidade de entender qual a importância desta atividade na vida das pessoas envolvidas, bem como para os próprios citadinos a partir da perspectiva da dimensão simbólica da vida social apontada por Clifford Geertz (1989; 1997) e Lévi-Strauss (1975). Além de observação participante, foram realizadas entrevistas com cada grupo de pessoas relacionadas ao jogo. O trabalho de campo possibilitou observar que na busca de conseguir o êxito do ganho, os jogadores contam com uma miríade de interpretações e decifrações embasadas nos sonhos, além de técnicas, superstições nos acasos da vida e com um imaginário simbólico rico, fazendo dessas pessoas verdadeiras eruditos do saber popular através do jogo do bicho. A base teórica sobre o tema abordado foi fundamentada a partir dos estudos de Soares (1993) e DaMatta & Soárez  (1999). A pesquisa etnográfica concentrou-se especialmente no bairro Santo Antônio e em mais três adjacentes, sendo Barrocas, Bom Jardim e Paredões respectivamente. De modo geral, o estudo visa contribuir em apresentar a especificidade complexa e circunstancial do jogo do bicho apoiada nos dados e depoimentos colhidos.

8
  • PAULO DOURIAN PEREIRA DE CARVALHO
  • “LINGUAGEM DO SOFRIMENTO”: UMA INTERPRETAÇÃO SÓCIO-ANTROPOLÓGICA DO INSTITUTO JUVINO BARRETO EM NATAL (RN)

  • Orientador : CARLOS GUILHERME OCTAVIANO DO VALLE
  • Data: 29/11/2018
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  • Esta é uma pesquisa que tem como objetivo compreender o modo como se constitui o que se interpreta como uma “linguagem do sofrimento” dentro de uma Instituição de Longa Permanência para Idosos no Município de Natal. Empreende-se uma abordagem sócio-antropológica que, a partir de uma experiência etnográfica envolvendo observação participante, conversas informais e narrativas dos velhos e velhas “residentes”, busca realizar uma descrição do Instituto Juvino Barreto atentando para elementos institucionais que levaram à proposição da categoria analítica “linguagem do sofrimento” como chave interpretativa útil para a compreensão da vida no lugar. O pesquisador tenta evidenciar a força de uma estrutura linguística que conforma a cultura institucional, revelando-se no cheiro, nas brigas, na alimentação, na estrutura física, nos corpos e em aspectos peculiares da instituição total. Fala-se de uma estrutura-estruturante que agia de modo tão insidioso sendo capaz de afetar profundamente o pesquisador, o que levou a uma necessária discussão sobre o método da pesquisa, sobretudo, questões de objetividade, subjetividade escrita e emoções que atravessaram a vivência. No trabalho também busca-se evidenciar formas de resistência à linguagem que predominava no cotidiano dos idosos e idosas. Por fim, aventa-se a possibilidade de que a “linguagem do sofrimento”, não é fenômeno isolado, pelo contrário, estaria ligada a dimensões mais amplas do social, envolvendo um Estado e Sociedade inseridos no que Marx Weber (1999) chamou de “desencantamento do mundo” que, hipotericamente, se cruzaria com fenômenos contemporâneos como: racionalização da vida, controle de corpos, indiferença social, insensibilidade aos “outros”, falta de reconhecimento e precarização de existências. Um cenário que se compatibiliza com as discussões da literatura antropológica sobre velhice e envelhecimento que apontam a tendência de se conceber as pessoas de maior idade como “problema social”.

     

9
  • BRUNA SANTOS SIQUEIRA
  • QUAL É O GÊNERO DA ROUPA? UMA ANÁLISE ANTROPOLÓGICA DA MODA COMO EXPRESSÃO SOCIAL E IDENTITÁRIA

  • Orientador : ROZELI MARIA PORTO
  • Data: 03/12/2018
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  • Busca-se, na presente pesquisa, o cumprimento de uma investigação teórica e empírica que considere as interações entre consumo, moda e gênero. Tive como objetivo investigar como a produção da marca de moda sem gênero, A João, que se propõe a expressar no vestuário formas desconstruídas do que está definido como masculino e feminino, se apresenta enquanto propiciadora de uma investigação de identidade fluida, tendo como lócus de pesquisa o aplicativo Instagram. Observei, ainda, a vivência de um consumidor que rompe com a demarcação de gênero comercialmente definida para as roupas e a discussão em torno de duas campanhas de uma grande marca de fast fashion. As etapas metodológicas utilizadas foram: pesquisa bibliográfica, pesquisa de campo etnográfica e análise de conteúdo do perfil da marca. Como também a realização de entrevistas semiestruturadas com o criador da marca A João e com o consumidor. A partir da análise sobre essas três esferas, pude observar o uso e a produção da roupa como uma expressão legítima de identidades e de expressão social.  

     
Teses
1
  • JULYANA VILAR DE FRANCA MANGUINHO
  • PRÁTICAS FEMINISTAS EM CONTEXTOS EDUCACIONAIS

  • Orientador : ELISETE SCHWADE
  • Data: 21/06/2018
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  • As ideias e questionamentos sobre as diferenças de gênero estão sendo experienciadas e reivindicadas em amplas esferas sociais, seja nas redes virtuais, nas manifestações de rua ou em espaços educacionais, como escolas e universidades. É nesse contexto que se insere minha pesquisa etnográfica, onde busco por meio da minha inserção em contextos educacionais acessar as práticas feministas que estão sendo desenvolvidas nesses cenários, enfatizando as trajetórias, experiências femininas e construção dos discursos e narrativas. O objetivo é perceber quais as concepções de gênero que estão sendo representadas, que são mobilizadas por reflexões feministas, buscando abordar as estratégias de negociações que estão sendo construídas dentro do campo relacional e complexo, encontrando as possíveis tensões e contradições dentro desse universo. Assim o enfoque é dado na construção das agencialidades em campo, nos processos, dinâmicas e nas diversas dimensões conectadas com as pautas feministas contemporâneas. Com isso, pretendo dar voz as interlocutoras para que sejam evidenciadas questões sobre seus projetos, inquietações e “bandeiras”, dentro de uma perspectiva que interseccione noções sobre corpo, classe, raça e sexualidades, articulando com outros domínios, como os movimentos sociais feministas e o ativismo digital. Minha trajetória na pesquisa foi sendo estruturada nas redes educacionais, transitando por escolas, institutos federais e universidades. As análises e reflexões desencadeadas em campo sinalizam que é possível construir práticas de resistência as desigualdades de gênero nos espaços educacionais, apontando também que convenções sociais e discursos hegemônicos são reproduzidos e normatizados.

     

2017
Dissertações
1
  • EDUARDO NEVES ROCHA DE BRITO
  • A caatinga dos biólogos e a política das plantas: controvérsias na transposição do Rio São Francisco

  • Orientador : JEAN SEGATA
  • Data: 15/02/2017
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  • Esta dissertação parte de uma etnografia de atividades científicas na transposição do Rio São Francisco. Para tanto, ela se baseia nos desdobramentos teórico-metodológicos da Teoria Ator-Rede de Bruno Latour; perspectiva engajada no entendimento e problematização da Ciência, Estado e agência não-humanas. Os dados apresentados num primeiro momento são produtos de análise de documentos de governo, processos jurídicos, relatórios técnicos e etc., para fins de compreensão dos locais que as controvérsias científicas ocupam junto dos conflitos jurídico-normativos que outorgam as obras da transposição. No segundo momento, são dados construídos por trabalho de campo junto dos cientificas que resgatam e monitoram as plantas da caatinga degradada pela transposição. Já que a imersão nos documentos possibilita acompanhar uma rede sóciotécnica onde ciência é historicamente vinculada à política por responderem objetivamente a uma demanda desenvolvimentista, o trabalho de campo mostra as práticas que possibilitam ver como a ciência é uma “política em ação”. Estas duas posturas metodológicas são necessárias para compreender que tipo de conhecimentos, agentes, discursos e ideais são mobilizados para que as plantas da caatinga dialoguem com as políticas estatais e legitimem, assim, uma intervenção que muda parte do curso das águas do maior rio brasileiro. A ideia é mostrar, portanto, como a produção científica inscreve a caatinga sob aspectos reconhecíveis pelo Estado e como acompanhar esta inscrição permite clarear uma forma específica de “gestão da natureza”.

2
  • MAYNARA COSTA DE OLIVEIRA SILVA
  • A VIA CRUCIS DA LEGALIDADE: Violência sexual, aborto e objeção de consciência em uma Maternidade Potiguar

  • Orientador : ROZELI MARIA PORTO
  • Data: 21/02/2017
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  • Nas últimas décadas a violência sexual contra a mulher vem adquirindo maior visibilidade, tanto social quanto política. Isso se deve ao fato do reconhecimento e da implantação de políticas e serviços públicos especializados no atendimento à mulher em situação de violência. O Código Penal Brasileiro permite a exceção do aborto para os casos de gravidez advinda do estupro. Todavia, mesmo que essa permissão esteja garantida por lei e ratificada em normas ministeriais, ainda encontra-se morosidade em seu procedimento, haja vista que o profissional de saúde pode, em virtude das suas crenças morais ou religiosas, utilizar-se da “objeção de consciência”. Busca-se problematizar os usos e desusos da objeção de consciência nos casos de aborto legal dentro de uma maternidade referência em aborto legal no Rio Grande do Norte, procurando tecer reflexões sobre as negociações que acontecem durante a busca pelo reconhecimento da cidadania e o acesso ao direito desses procedimentos. A pesquisa é de cunho qualitativo, com utilização de observação e entrevistas semiestruturadas.

3
  • JOSENILDO DA SILVA LEMOS
  • “Sô daqui e sô de lá, mas moro na estrada": um estudo de narrativas de vida que se constroem no curso da mobilidade no Agreste do Rio Grande do Norte

  • Orientador : JEAN SEGATA
  • Data: 23/02/2017
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  • Muito já foi dito sobre a constituição histórica do fenômeno que hoje nos referimos por mobilidade, seja no contesto interno ou em proporções maiores, conectando pessoas com lugares vários mundo afora, o que torna a própria definição de mobilidade um tema de debates e controvérsias. A última década foi particularmente favorável ao reconhecimento da existência do processo que leva um contingente cada vez maior de pessoas a viver em situação de mobilidade, fruto de fenômenos universais de ordem econômica, ecológica e sociopolítica. Neste contexto são elaborados diversos esforços para possibilitar compreensão e/ou esclarecimentos sobre a população em situação de mobilidade enquanto sujeitos de direitos organizados em torno de suas próprias demandas. Tradicionalmente entendidos como inaptos para a organização política, passam a elaborar suas próprias reivindicações, de modo a obter reconhecimento como um segmento que necessita ser atendido segundo as especificidades deste modo de vida. A partir da pesquisa etnográfica iniciada em 2015, na cidade de Santo Antônio e Serrinha, cidades localizadas na Região denominada pelo IBGE de Agreste do RN, a proposta tem enfoque particular em eventos recentes e na memória de agentes envolvidos com o processo de mobilidade da população do Agreste do Rio Grande do Norte. Por fim, trata-se de indicar apontamentos sobre como a prática de viver em mobilidade, entendida por muito tempo como “processo migratório”, se transforma em objeto de políticas públicas estatal a partir da mobilização coletiva para o reconhecimento de suas especificidades.

4
  • SARA NUÑO DE LA ROSA GARCÍA
  • ENSAIEI MEU SAMBA O ANO INTEIRO: Um estudo etnográfico sobre dança, performance e espetáculo no Grupo Parafolclórico da UFRN

  • Orientador : LISABETE CORADINI
  • Data: 06/03/2017
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  • O presente trabalho busca contribuir na consolidação de pesquisas antropológicas na área de dança e performance por meio de um estudo etnográfico de caso focalizado no processo de produção performática do último espetáculo do Grupo Parafolclórico da UFRN, “Ensaiei meu samba o ano inteiro”. Para entender a realidade da companhia examinamos a perspectiva dos bailarinos sobre as fases que constituem a produção da performance e a forma em que tal procedimento modifica o caráter das relações interpessoais, assim como a concepção dos sujeitos sobre o coletivo, o espetáculo e sobre eles mesmos. Por último, é analisado o potencial que o espetáculo tem, como contexto performático capaz de alterar a compreensão dos bailarinos e a plateia sobre alguns dos fatores que determinaram a transformação do samba no Brasil. O espetáculo traz para a cena teatral um percurso histórico da evolução desse gênero musical, a partir da encenação de mais de dez coreografias que buscam ressignificar elementos do batuque, do lundu, do samba de roda, do maxixe, do samba canção, do samba gafieira e do samba enredo respectivamente. Nesse sentido, é realizado um estudo comparativo entre os elementos sociais, musicais e coreográficos abordados pela companhia e as características do contexto histórico em que surgiram os distintos tipos de samba sobre os quais o grupo fundamentou o seu trabalho de pesquisa para a produção artística da obra.

5
  • ORIANA CONCHA DIAZ
  • ISLÃ, MIGRAÇÃO E TECNOLOGIAS DIGITAIS:

    reflexões sobre a Muridiyya transnacional a partir de Caxias do Sul (RS)

  • Orientador : ELIANE TANIA MARTINS DE FREITAS
  • Data: 13/06/2017
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  • O Brasil surgiu recentemente como uma meta migratória privilegiada para muitos senegaleses adeptos da confraria islâmica sufi Muridiyya. O objetivo desta pesquisa é o de indagar as dinâmicas de difusão transnacional da Muridiyya, com um olhar atento ao consumo das Tecnologias da Informação e Comunicação por parte de seus adeptos na diáspora. Nesse intuito, veremos como os fluxos transnacionais de dinheiro, objetos e informações contribuem para os processos de construção do pertencimento e para os projetos de mundialização que animam o desenvolvimento da confraria. Se, por um lado, o capitalismo tecnológico tende a favorecer os poderes estabelecidos, abrindo maiores espaços para as culturas dominantes, por outro lado, podemos individuar iniciativas intersticiais através das quais agentes e grupos subalternos apropriam-se do instrumental tecnológico, criando espaços próprios de interação e ação. Enfocando a pesquisa na dimensão do pertencimento religioso, procura-se também evidenciar a pluralidade das práticas da fé islâmica, no intuito de desconstruir a representação monolítica do Islã transmitida pela grande mídia.

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  • DANIEL VICTOR ALVES BORGES RODRIGUES
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    GRAMÁTICAS DO CONSENSO: LIMITES E POSSIBILIDADES DO USO DOS MEIOS AUTOCOMPOSITIVOS(MEDIAÇÃO E CONCILIAÇÃO) NO CENTRO JUDICIÁRIO DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS E CIDADANIA EM FORTALEZA-CE.

  • Orientador : JULIANA GONCALVES MELO
  • Data: 23/06/2017
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    Essa dissertação em discute, sob o enfoque da antropologia do direito, a ideia de consenso e as diferentes formas de administração de conflitos no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), na cidade de Fortaleza, Estado do Ceará. Para entender como se dão distintos significados sobre novas práticas judiciárias na administração de conflitos, foquei o meu olhar sobre o tratamento que é dispensado por mediadores e por conciliadores aos processos que são remetidos ao Cejusc/Fórum Clóvis Beviláqua, onde realizei pesquisa etnográfica. A pesquisa efetuada permitiu perceber as diferentes nuances de uma prática de tratamento dos conflitos em ascensão que se depara com as velhas práticas de administração vertical dos conflitos. Os resultados da pesquisa indicaram que há uma proposta em fase de estruturação de uma “nova” justiça, entendida pelos seus operadores a partir de suas vivências, que oscila entre uma nova maneira de administrar os conflitos, descentralizando a decisão da figura do juiz, focando na participação dos envolvidos na resolução dos conflitos ena noção de equidade e, por outro,na reiteração dasantigas práticas judiciárias, em que os encaminhamentos das fases dos processos em juízo continuam a depender fundamentalmente da ação de um único sujeito, o juiz. A construção do consenso, nessa perspectiva, está atrelada a uma tentativa de efetivação da oralidade enquanto princípio fundamental para o acesso à justiça em níveis mais amplos.O trabalho está dividido em quatro capítulos. Na introdução apresento ao leitor a minha trajetória na área e como realizei a pesquisa e as diferenças entre os meios autocompositivos (mediação e conciliação) em termos teóricos. No primeiro capítulo procuro delimitar o campo da Antropologia do Direito, a partir da contribuição de diversos antropólogos na construção dessa disciplina e ver como a cultura jurídica brasileira está estruturada. No segundo capítulo trago ao leitor informações sobre o campo empírico onde realizei a pesquisa, apresento o Centro Judiciário de Solução de Conflitos à nível nacional, apresento também as legislações pertinentes à área e descrevo o cotidiano institucional do CEJUSC do Fórum Clóvis Beviláqua. No terceiro capítulo, em linhas gerais,falei sobre a formação dos conciliadores e dos mediadores, delimitando a trajetória desses sujeitos como novas profissões no Judiciário. No quarto capítulo analisei as práticas de mediação e de conciliação buscando entender como essa nova forma de administrar os conflitos encontra espaço (ou não) num Judiciário voltado para a lide processual.

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  • TARSILA CHIARA ALBINO DA SILVA SANTANA
  • DA HOUSE MUSIC À BAGACEIRA: Uma etnografia sobre música eletrônica, espacialidade e (homo)sexualidade masculina em Recife, PE

  • Orientador : LISABETE CORADINI
  • Data: 26/06/2017
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    A dissertação consiste em uma teoria etnográfica da relação entre música eletrônica com os espaços de sociabilidade urbana em Recife e os efeitos da música eletrônica na interação de homens com práticas homoeróticas nesses espaços. Na confluência desses dois objetivos, intenciono elaborar uma perspectiva etnográfica mais ampla sobre a música eletrônica, de modo que aqui analiso não apenas os seus sons, mas também os sentidos que os interlocutores conferem a esse gênero musical e como a música eletrônica, em seus mais variados estilos, (re)configura os espaços de sociabilidade recortados. Para tanto, primeiro procuro analisar como os interlocutores, a partir das suas experiências geracionais, vivenciam suas experiências homoeróticas nos espaços de sociabilidade urbana que frequentam. Deste modo, aspiro apontar para a ampliação do campo de autonomia desses homens em uma sociabilidade dada e como eles negociam as suas experiências homoeróticas em um regime de visibilidade circunscrito socioculturalmente. Em seguida, o foco da análise recai sobre o lugar da música eletrônica nos bares e boates GLS e em festas alternativas. Faz-se necessário, para tanto, uma descrição etnográfica da dinâmica estrutural e simbólica que caracteriza esses espaços. Descrevo, nesse sentido, tanto a estrutura física quanto a programação lúdica. E, fundamentalmente, procuro ainda descrever as interações mediadas pela música eletrônica dançante entre os interlocutores. No terceiro, e último momento, detenho-me mais sistematicamente a analisar os diferentes estilos musicais que são reproduzidos nesses espaços de sociabilidade. Trata-se, assim, de assinalar como a música eletrônica e os espaços de sociabilidade etnografados se relacionam mutualmente. As experiências etnográficas descritas também procuram apontar como a música eletrônica produz efeitos na interação entre os interlocutores. Esse duplo movimento, a relação de mutualidade e a produção de efeitos, por sua vez, se constata a partir das luzes, das músicas e das danças particularizadas que ambientam esses espaços. Essa ambientação produz uma “sensação de intimidade”, a qual excita diferentes expressões eróticas e propicia as performances interacionais entre as pessoas que ali estão. Por fim, as cenas de expressões erotizadas, mediadas pela música eletrônica dançante, que observei em campo estão relacionadas com a forma como esses homens vivenciam suas experiências homoeróticas nesses espaços.

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  • PRISCILA CHIAPPETTA RIBEIRO BASTOS
  • COSPLAYERS: PENSANDO PROJETOS E TRAJETÓRIAS DE VIDA A PARTIR DE NATAL/RN. 

     

  • Orientador : JEAN SEGATA
  • Data: 25/08/2017
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  • Cosplay (abreviação das palavras inglesas costume e play, em uma tradução literal “fantasiar- se” ou “brincar/encenar com fantasia”) é o termo utilizado para denominar a atividade performativa de se vestir de um personagem proveniente, em geral, da cultura pop japonesa, podendo estender-se a outros elementos da mídia como seriados e filmes estadunidenses. Esta prática está relacionada com a identificação do cosplayer (aquele que pratica o cosplay) com elementos constituintes das personagens, sejam eles a personalidade, os traços físicos, a opção sexual, dentre outros. Esta pesquisa de cunho etnográfico, realizada através de entrevistas e acompanhamento de sete cosplayers a partir da cidade de Natal/RN, busca esclarecer em que medida o cosplay pode ser considerado como uma prática de criação de representação da subjetividade e também da realização de projetos de vida dos seus praticantes. Nesse sentido, ao analisar as trajetórias dos meus interlocutores de pesquisa, demonstro como o ato de se realizar um cosplay promove o desenvolvimento de competências e habilidades que podem ser utilizadas fora do contexto desta prática, ou mesmo, criando novas carreiras e projetos de vida. Assim, esta pesquisa também se propõe a analisar as representações simbólicas que se colocam em evidência nas performances, construção e caracterizações que, quando acionadas pelos seus praticantes, trazem à tona suas trajetórias de vida e formação como indivíduos. 

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  • FLORIZEL DE MEDEIROS JÚNIOR
  •  “Lagostas, marés e mudanças na comunidade de pescadores artesanais de Maracajaú, no litoral do Rio Grande do Norte”

  • Orientador : FRANCISCA DE SOUZA MILLER
  • Data: 31/08/2017
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  • Simbolicamente, as marés podem representar as mudanças ocorridas tanto na Natureza quanto nas sociedades humanas e suas culturas, nunca estáticas, mas em processos de contínuas alterações, imprevisíveis para os homens apesar de cíclicas. As comunidades de pescadores artesanais do litoral nordestino brasileiro, como quaisquer outras, também estão sujeitas ao dinamismo das mudanças socioeconômicas que se aceleram com as trocas culturais que a globalização vem proporcionando nos últimos anos. A presente pesquisa faz uma análise das mudanças ocorridas na comunidade de pescadores artesanais do distrito praiano de Maracajaú, localizado no município de Maxaranguape, estado do Rio Grande do Norte, Brasil. Um incidente internacional ocorrido no início da década de 1960 entre o Brasil e a França, que ficou conhecido na História como a “Guerra da Lagosta”, a partir de quando o crustáceo passou a atrair a atenção e investimento do empresariado brasileiro, pois sua pesca e comercialização eram quase inexistentes no Brasil. Com a transformação da lagosta, abundante no litoral do Rio Grande do Norte, em mercadoria com grande aceitação, procura e elevado valor no exterior, os pescadores artesanais do litoral nordestino tiveram que se adaptar a novas técnicas de pesca, muitos deles passando a vender sua força de trabalho às empresas dedicadas à pesca industrial. A captura indiscriminada e muitas vezes predatória da lagosta, além dos conflitos de interesse surgidos com os empresários do turismo, levou a uma nova crise no setor pesqueiro, com consequências de ruptura das novas gerações, pois novas oportunidades de atividades e postos no mercado surgem, afastando uma parcela desses jovens das atividades tradicionais da pesca artesanal, que buscam novas alternativas de atividades profissionais, na maioria das vezes sem abandonar a comunidade onde nasceram.

     

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  • ADEMILDE ALENCAR DANTAS DE MEDEIROS NETA
  • MEMÓRIA, RESISTÊNCIA E MUDANÇA: UM ESTUDO DAS PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES DE PARTEIRAS EM SÃO GONÇALO DO AMARANTE/RN.

  • Orientador : ROZELI MARIA PORTO
  • Data: 01/09/2017
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  • O objetivo deste trabalho é compreender a configuração da prática obstétrica não oficial no município de São Gonçalo do Amarante/RN. Levando em conta as transformações sociais ocorridas em relação ao parto e assistência obstétrica nas últimas décadas, procuro analisar os aspectos que permeiam a atuação das parteiras em suas comunidades, onde o papel desempenhado por elas vai além do partejar. Abordando suas trajetórias, os conflitos com o sistema formal de saúde, o diálogo com instituições governamentais e a incorporação de novas concepções sobre o exercício, elaboro minhas considerações sobre a prática, numa perspectiva antropológica. E nesse sentido, direciono minhas impressões sobre uma atuação que longe de mostrar-se cristalizada nos saberes populares, revela-se flexível ao incorporar elementos de outras práticas e conciliá-los à sua. Logo, é essa aproximação entre o que é considerado moderno e tradicional que marca a prática recente das parteiras, cuja configuração é perpassada por diversos aspectos e relações de poder que, direta ou indiretamente, definem sua configuração e seu espaço concreto de atuação.
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  • JARDELLY LHUANA DA COSTA SANTOS
  • Um rastro de memória: terra, parentesco e ofícios na Família Belém em Acari/RN (Séc. XVIII-XXI)

  • Orientador : JULIE ANTOINETTE CAVIGNAC
  • Data: 04/09/2017
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  • O  trabalho tem como objetivo entender o processo de apagamento da presença negra no Seridó a partir da análise comparada dos documentos históricos e das memórias da "família Belém" composta por grupos domésticos oriundos de uma fazenda de criar que tem em seus registros o maior número de escravos nos meados do século XVIII. Se desde do início da colonização, os africanos escravizados estão presentes no Seridó, seus descendentes sofreram um processo de invisibilização e estigmatização além do esbulho de suas terras que foram “tomadas” pelos grandes fazendeiros. A trajetória genealógica da família Belém, as memórias dos descendentes dos Moura, dos Guiné e dos Belém foram cruzadas com os documentos históricos disponíveis. Irei descrever como "A família Belém" se constituiu em torno de um apagamento voluntário da mancha deixada pela escravidão. Busca-se, assim, através da perspectiva histórica, questionar os dados etnográficos e a partir dos dados etnográficos, preencher as lacunas deixadas pelos documentos históricos (Wachtel, 1990). Entre outros resultados, a  pesquisa revela uma grande diversidade de estatutos entre os afrodescendentes ao longo do processo histórico, a existência de práticas cotidianas e de ofícios que remetem diretamente ao passado colonial, apesar dos poucos registros da memória. Os vaqueiros, tropeiros, cozinheiras e outros personagens que exerceram ofícios especializados, testemunham, pelos seus saberes e práticas cotidianas, a continuidade histórica das populações africanas escravizadas no Seridó e estratégias de resistência à dominação.


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  • LUNA DALLA ROSA CARVALHO
  • SABERES, MOVIMENTOS E TERRITORIALIDADES: EXPERIÊNCIAS NO ASSENTAMENTO QUILOMBO DOS PALMARES II (MACAÍBA/RN)

  • Orientador : ELISETE SCHWADE
  • Data: 11/09/2017
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  • O presente estudo é fruto de pesquisa de mestrado e tem como foco a forma como os saberes ligados ao trabalho com a terra são vivenciados no contexto de um assentamento de reforma agrária. O assentamento em questão é o Projeto de Assentamento Quilombo dos Palmares II, localizado em Macaíba/RN, que se encontra na região metropolitana de Natal. A luta pela terra, as migrações, as memórias da vida das famílias nos dão o chão por onde pisar a fim de entender as territorialidades construídas no espaço do assentamento. Também são analisadas as negociações feitas com as normatividades instituídas pelo INCRA (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) e órgãos de controle ambiental e também com as condições materiais deixadas pelos usos anteriores dados a terra do assentamento. Passa-se por isso para adentrar os quintais, os lotes e as residências das famílias, na busca por compreender os saberes passados de geração em geração em cada contexto familiar, as técnicas e práticas próprias de cada família, os conhecimentos gerados em cada trajetória, as identidades e os projetos que perfazem a vida ligada ao trabalho na terra e a forma como estes saberes e conhecimentos se atualizam nas novas condições de vida. Por fim, são apresentadas algumas experiências de mulheres do assentamento abordando problemáticas referentes às relações de gênero, multifuncionalidade e a invisibilidade do trabalho de mulheres agricultoras. Também trazemos uma reflexão dos saberes diferenciados de homens e mulheres no cuidado com plantas, animais e pessoas e relacionados às socializações e inserções diferenciadas na vida agrícola.

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  • IARA CINTIA OLIVEIRA SILVINO


  • Trajetórias militantes na relação com o MST

  • Orientador : ELISETE SCHWADE
  • Data: 14/09/2017
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  • Este trabalho aborda a trajetória de sujeitos militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que ao construírem sua militância sentiram a necessidade constante de lutar por uma sociedade menos desigual. O MST é um movimento social conhecido tanto no âmbito nacional como internacional e tem como objetivo principal a realização da reforma agrária no país, com uma característica bastante peculiar, que é ocupar terras improdutivas segundo a definição da Constituição Federal. Contudo, a ocupação não se restringe somente ao latifúndio, ocupa-se instituições públicas com forma de pressionar o Estado para a realização da reforma agrária, como também de políticas públicas para os assentamentos, a desapropriação de terras, etc. Seus integrantes são na maioria das vezes oriundos do meio rural, outros apoiadores das causas do MST, desses membros uns resolvem por serem militantes, que é uma condição de diversos significados, pois existe o sujeito que se considera militante e o sujeito que é visto como militante para o MST. O militante do Movimento é inicialmente inserido num processo de formação, adaptado às demandas e características do MST, a formação aparece como um processo contínuo, que habilita o militante a intervir na realidade para transformá-la. O engajamento se dá de muitas maneiras: pela ocupação e/ou aquisição de um lote, pelo acesso a Educação de Jovens e Adultos (EJA) ou superior pelo programa do governo federal etc. Busco compreender trajetórias de vida a partir da vivência militante que inicia antes de se inserir no MST e continua por toda a vida, ocorrendo em alguns casos a ruptura organizacional, mas não o desengajamento político. A metodologia utilizada foi observação participante com o intuito de construir uma relação de proximidade com o interlocutor e as interlocutoras e utilizei entrevistas para relatarem a respeito de suas trajetórias antes da inserção. Para referenciar está pesquisa fiz o uso de teóricos que discutem tanto a temática como se aproximam. As trajetórias aqui apresentadas são permeadas de ideais, de sonhos, de projetos de vida, de pertencimentos, são histórias que se inscreve numa esfera coletiva da luta pela terra carregada de subjetividade. 

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  • JULIARA BORGES SEGATA
  • “MAMÃES ATIVAS” ETNOGRAFIA DE UM GRUPO DE GESTANTES 

  • Orientador : ELISETE SCHWADE
  • Data: 22/11/2017
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  • Esta é uma etnografia de um “grupo de gestantes”. Ela tem como recorte analítico o estudo das camadas médias urbanas no contexto particular da cidade de Natal/RN. A partir de uma pesquisa de campo realizada entre abril de 2015 e abril de 2016, eu descrevo o cotidiano de um grupo de mulheres, desde a gestação até a maternidade. A minha inserção em campo durante a gravidez, o uso do aplicativo de mensagens WhatsApp, consumo, sofrimento,  subjetividade, mulher, maternidade, gênero e a crítica feminista são temas que constituem o que apresento ao longo do trabalho. A partir deles, o que procuro mostrar é que a pesquisa etnográfica permite perceber importantes nuances, contradições e transformações, como aquelas que configuram debates em torno da maternidade ideal e real, as políticas de parto, a carreira profissional e a maternidade, a dor e a alegria, são parte de ambivalências negociáveis e que ganham sentidos bem particulares no contexto pesquisado.

2016
Dissertações
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  • RAFAEL LEAL MATOS
  • RINHAS DE GALOS NO LITORAL NORTE PARAIBANO: PERFORMANCES EM UM ESPORTE INTERÉTNICO.

  • Orientador : RITA DE CASSIA MARIA NEVES
  • Data: 12/02/2016
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  • Essa dissertação é uma etnografia acerca da performance de atores sociais que participam de brigas de galos no litoral norte do estado da Paraíba – uma região caracterizada pelo contato interétnico histórico entre índios da etnia Potiguara e a população não indígena. Ao realizar o trabalho de campo pude perceber que essas rinhas de galo se constituem enquanto uma prática ritual masculina difundida na região: ocorrendo dentro e fora da área indígena, com a participação de índios e não índios. Essa pesquisa, portanto, se caracteriza como um exercício antropológico de compreensão de uma situação limite, que se encontra inserida na clandestinidade e em uma zona de fronteira étnica. Nesse sentido, lanço mão da seguinte indagação: como se configura a interação entre índios e não índios num evento ritual ilegal marcado pelo enfrentamento simbólico e que tem animais não humanos enquanto personagens centrais? Para responder a essa questão, tomo a abordagem da “antropologia da performance” como filtro epistêmico e metodológico e me debruço sobre essas rinhas com o intuito de compreender e descrever quais as rotinas, cenários, personagens e conflitos que estão implicados nessa prática. Tendo em vista que os nativos encaram a briga de galos como um esporte em que o galo é o atleta e os humanos são seus treinadores, apoio-me nesse trinômio (esporte, atleta e treinador) para interpretar essa atividade, ou melhor, as performances dos animais humanos e não humanos. Com isso, pretendo apresentar um quadro de categorias, símbolos, marcas e signos verbais e não-verbais que suscitam um padrão dinâmico de ações pertencentes ao universo da briga de galos – que tem seu valor antropológico expresso no fato de ser um evento ritualizado que envolve além do contato interétnico uma gama saberes, experiências, técnicas e emoções partilhadas coletivamente.

2
  • GABRIELLE DAL MOLIN
  • FLORESTA MANIFESTA: ARTE E IMAGENS DA AYAHUASCA EM CONTEXTOS URBANOS BRASILEIROS

  • Orientador : LISABETE CORADINI
  • Data: 18/05/2016
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    O chá psicoativo chamado de ayahuasca, cuja composição principal contém duas plantas amazônicas, está presente na cultura de dezenas de grupos ameríndios, na medicina popular dos curandeiros de países como Peru, Colômbia e Equador, bem como nos meios urbanos brasileiros, através de religiões institucionalizadas, como o Santo Daime e a UDV, e de forma mais contemporânea, pelas práticas chamadas de “neoxamânicas”. Sendo, portanto, um fenômeno de amplas fronteiras geográficas, o estudo antropológico, farmacológico, médico-científico e jurídico da questão há muito se estabeleceu na comunidade acadêmica, ainda que o assunto esteja longe de se esgotar, devido às atualizações das tradições, no que diz respeito aos grupos indígenas, e também pelos hibridismos pelos quais passam os usos urbanos. Um dos escopos ainda pouco utilizado é o que parte de uma perspectiva que vise compreender as diversas dimensões em que as artes visuais se relacionam ao uso da ayahuasca no Brasil, tanto no que concerne ao mundo artístico em que habitam, quanto ao seu estatuto de instrumento epistemológico e político. As relações entre ritual e religião, trajetórias pessoais e produções artísticas, as simbologias da floresta e a linguagem urbana, são investigadas, a partir de pesquisas de campo com cinco artistas de grandes cidades brasileiras, os quais tem por inspiração predominante suas experiências com a ayahuasca.


3
  • LUCAS ROCHA DE MACÊDO
  • A CONSTRUÇÃO JURÍDICA E LOCAL DA VERDADE REAL PELO JUIZ: ORALIDADE, DOCUMENTALIDADE E SINTETISMO EM UM JUIZADO ESPECIAL CÍVEL
  • Orientador : JULIANA GONCALVES MELO
  • Data: 19/05/2016
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  • O presente trabalho busca compreender como se estabelece o processo judicial e de que modo a busca pela verdade real (MENDES, 2011), uma verdade absoluta para a situação discutida nos autos, apreendida pelo magistrado. Estudos como os de Regina Mendes (2011), Bárbara Lupetti Baptista (2008; 2012), Cardoso de Oliveira (2010; 2011) e Kant de Lima (2010), firmados no âmbito da Antropologia Jurídica, deixam claro que o jurisdicionado tem papel mitigado no Judiciário; que a ação se pauta em uma lógica conflituosa, e não transacional; e que a sentença é uma decisão imposta unilateralmente pelo magistrado às partes, sendo que estas nem sempre creem que sua demanda foi reconhecida por ele, findando insatisfeitas. Os dados obtidos em um Juizado Especial Cível do Estado do Rio Grande do Norte, neste sentido, parecem demonstrar que o magistrado intenta compreender aquela verdade para, a partir disto, comprimir o número de atos instrutórios e otimizar a produtividade, de modo a dar vazão à grande demanda que lhe é imposta diariamente. Mais ainda, conduz à ideia de que tal verdade é fruto de uma construção in loco, graças às experiências diárias vivenciadas naquele contexto. A partir desta pesquisa empírica, acompanhou-se o trâmite que a lide passa, desde sua elaboração mediante atermação até a sentença de mérito, conduzindo à presunção de que todos os atos procedimentais convergem àquela procura. A principal consequência oriunda disto, finalmente, é a análise de uma metodologia instrutória que, embora pareça ser peculiar, única, termina por refletir as estruturas jurídicas na qual está inserida: as liberdades concedidas, que aparentemente igualam os atores do Judiciário, reiteram as relações de hierarquia entre juízes e servidores; e a aparente possibilidade de maior participação da parte na instrução visa, na verdade, selecionar discursos, conhecê-los e mitigá-los no futuro.

4
  • MANUELL VICTOR PESSOA BEZERRA
  • "A ESCRITURA DE QUEM NÃO SABE LER" – TRANSMISSÃO DE CONHECIMENTOS NO SANTO DAIME

  • Orientador : LUIZ CARVALHO DE ASSUNCAO
  • Data: 29/07/2016
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  • A doutrina do Santo Daime, surgida na região amazônica nas primeiras décadas do século XX, se caracteriza pela utilização cerimonial da ayahuasca em rituais religiosos. Seu desenvolvimento se dá nos meados da década de 1930, município de Brasiléia no Acre, região norte do Brasil e seu fundador é Raimundo Irineu Serra. Após o seu falecimento, Sebastião Mota inicia um movimento característicamente messiânico para dentro da floresta e mais adiante para todo o mundo. O sistema doutrinário é transmitido principalmente por via da oralidade, presente nos hinários, nas preleções dos adeptos mais antigos e no convívio entre a comunidade. A partir dos anos de 1980 inicia-se um movimento de expansão dessa religião para outras regiões do país e exterior. Em Natal, o Daime se faz presente desde os anos de 1990, através da criação do Céu da Arquinha (CEFLUTEG), atualmente situada no município de Nísia Floresta-RN. A proposta desta pesquisa é estudar os processos de transmissão de conhecimentos na doutrina do Santo Daime, a partir de minhas experiências em campo no Céu da Arquinha, participando dos rituais e de encontros informais com seus membros. A finalidade do estudo é mostrar a formação da irmandade daimista em solos potiguares, as suas particularidades e idiossincrasias.Algumas questões norteiam esta pesquisa: como são transmitidos os ensinamentos de ordem doutrinária dentro da tradição do Santo Daime? Quem os transmite? De que forma? Há um ethos particular dentro do grupo, transmitido pela consagração da bebida e de sua performaticidade ritualística? Como é configurado o ethos da igreja Céu da Arquinha? A hipótese central é que a forma de transmissão de conhecimentos é pautada pela hierarquia, pelo tempo vivido na doutrina e pela performance de suas práticas.

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  • SOPHIA DE LUCENA PRADO
  • DESIGUALDADE, REVOLTA, RECONHECIMENTO, OSTENTAÇÃO E ILUSÃO:
    O processo de construção da identidade de jovens em bandidos em uma Unidade Socioeducativa de Internação do Distrito Federal.

  • Orientador : JULIANA GONCALVES MELO
  • Data: 08/08/2016
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  • Este trabalho é fruto de uma pesquisa etnográfica realizada com jovens autores de atos infracionais em uma Unidade de Internação situada no Recanto das Emas - Distrito Federal. A partir de um assalto que dois jovens praticaram na minha casa passei a tentar compreender o que levava jovens como eles a recorrerem ao crime e o que isso representava para eles já que, naquela experiência, me deparei com percepções para as quais ainda não tinha despertado, as quais acabaram se convertendo no objetivo desta pesquisa. Nesse contexto, tentando acessar o aspecto vivencial (RIFIOTIS, 2006) do crime, procurei identificar, a partir do ponto de vista daqueles sujeitos, quais eram os seus benefícios e as buscas que estavam por trás dessa experiência. Observei, então, que a falta de perspectivas a que os jovens pobres estão submetidos aliada ao fato de serem tratados, tanto pela sociedade quanto pelo Estado, como bandidos, independentemente de estarem envolvidos com o crime, em decorrência do processo de sujeição criminal que, segundo Misse (1999), coloca o crime como algo inscrito na subjetividade do agente, acabam gerando uma revolta e uma demanda por reconhecimento (HONNETH, 2003) tão latentes a ponto de transformar o crime em uma opção que faz sentido para eles, ainda que seja de difícil justificação moral. Dessa forma, eles negam um pacto social do qual não participam e a ele reagem, por quererem incluir-se e não conseguirem. Mais do que uma forma de obter lucros patrimoniais, o crime se apresenta como um meio de acessar um universo simbólico que não estaria disponível a eles por outras vias, como a possibilidade de luxar, de ter fama na quebrada, além dos ganhos advindos dessa experiência como a adrenalina e o prazer, ainda que momentâneo, de viver uma situação em que se está no poder, sobretudo depois de uma vida de submissão. Entretanto, ao optarem por um estilo de vida que é rejeitado pela “moral legítima dominante”, eles se veem obrigados a desenvolver inúmeras estratégias individuais e coletivas para lidarem com ele, como é o caso das performances que passam a executar não apenas durante o crime, mas até para manter a sua imagem de bandido. Ocorre que, mesmo que o crime se apresente, inicialmente, como uma estratégia de luta por reconhecimento, este sempre acaba restrito aos seus pares, motivo pelo qual, com o tempo, o crime passa a ser visto como uma ilusão.

6
  • ANDRÉA CRISTIANE DOS SANTOS
  • FAMÍLIAS E CONFLITOS: O AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE FRENTE ÀS NOVAS ABORDAGENS SOBRE GÊNERO.

  • Orientador : ROZELI MARIA PORTO
  • Data: 12/08/2016
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  • O presente trabalho pretende analisar o dia-a-dia dos agentes comunitários de saúde na área de abrangência da Estratégia Saúde da Família, em um bairro popular de Natal. Procura compreender como esses atores sociais constroem seus imaginários sobre os mais diferentes e variados arranjos familiares a partir de um cotidiano social envolto por conflitos e contradições. Pretende-se, assim, refletir sobre o preparo destes agentes e principalmente sobre os tipos de relações que se estabelecem entre estes profissionais e as famílias por eles atendidas, a partir de uma perspectiva de gênero.

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  • RODRIGO BALZA MODA
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    Natal precisa de um skatepark”: Política e Cidadania entre skatistas da capital do Rio Grande do Norte

  • Orientador : LISABETE CORADINI
  • Data: 26/08/2016
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    O trabalho analisa algumas formas de fazer política entre adeptos do skateboard em Natal-RN. Diante da inexistência de locais apropriados para a prática dessa atividade na cidade, alguns sujeitos passaram a reivindicar pela construção de um skatepark público. Diferentes estratégias se fortaleceram. Dentre essas, destaca-se o exemplo do que ficou conhecido como, Movimento Skate Potiguar (MSP), uma série de manifestações, tais como, passeatas, reuniões com políticos e campeonatos, organizados em bairros da zona sul da cidade, bem como na Prefeitura e na Câmara Municipal de Vereadores, entre os anos de 2007 e 2011. A partir de uma descrição dessas mobilizações, orientada pela perspectiva dos Estudos Culturais, ingleses e latino-americanos, na égide de autores como, Stuart Hall (2005) e Nestor Garcia Canclini (2008), discute-se a questão do exercício da cidadania em tempos de globalização da cultura e da economia. De modo geral, este estudo procura mostrar que as mobilizações por uma pista de skate pública em Natal expressam uma nova maneira de reivindicar por direitos sociais, organizada não a partir de interesses de classe, gênero e nacionalidade, mas mediante o consumo de mercadorias e símbolos da cultura do skate, produzida e difundida por empresas de alcance transnacional e pelos meios de comunicação de massa.

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  • MARIA LUCIANA DAVI
  • "A SERRA É MEU REFÚGIO": UMA ETNOGRAFIA SOBRE O USO DE CASAS DE CAMPO EM LAGOA NOVA/RN/BRASIL.

     

  • Orientador : FRANCISCA DE SOUZA MILLER
  • Data: 29/08/2016
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  • O presente estudo reflete a dimensão cultural e simbólica das segundas residências (casas de campo, sítios e chácaras) em áreas rurais. Analisamos aqui como a construção social da paisagem contribui para a inserção de usuários de segunda residência no município de Lagoa Nova, RN-Brasil. Nossa proposta de pesquisa busca entender como esses sujeitos das camadas médias urbanas que residem em cidades de grande e médio porte vivenciam experiências de lazer durante os finais de semana e feriados na serra. Para compreender as relações sociais presentes neste universo, foram realizadas entrevistas abertas e semi-estruturadas que nos possibilitou uma maior liberdade e olhar mais detalhado sobre as questões expostas durante o trabalho de campo. Assim, em um primeiro momento elaboramos uma descrição etnográfica da "serra", apresentando suas características físicas e climáticas a fim de inserir o leitor no espaço de pesquisa. Em seguida revelamos quem são os usuários de casas de campo no município, seus projetos e trajetórias, analisamos suas vivências de lazer e os motivos apontados para a construção da casa de campo. Por fim, acreditamos que a inserção desses novos sujeitos e a construção da casa de edificações de alto padrão arquitetônico em áreas rurais de Lagoa Nova tem culminado em um processo de "enobrecimento" (gentrificação) dessas áreas promovendo uma reestruturação do espaço rural, que vêm passando por um conjunto de transformações materiais, culturais e simbólicas.

     

     

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  • FELIPE INÁCIO SANTIAGO
  • Entre acordes e sonoridades: formas de atuação na música independente de Natal/RN.

  • Orientador : ELIANE TANIA MARTINS DE FREITAS
  • Data: 06/09/2016
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  • O presente trabalho tem como objetivo analisar diferentes formas de atuação dos sujeitos da música independente em Natal/RN. A partir de uma pesquisa etnográfica, busco realizar a descrição de algumas das atividades musicais que estão sendo desenvolvidas na cidade, desenvolvendo, assim, reflexões em torno do ser “independente”, discutindo as diferentes implicações que podem ser atribuídas a esta categoria dotada de diferentes problemáticas. Também analisa processos que envolvem a digitalização musical promovida pelo advento das novas tecnologias no meio musical, percebendo, assim, quais os efeitos inferidos sobre os modos de criação, produção, gravação, divulgação, distribuição e compartilhamento de música através de ferramentas disponíveis pela Internet como redes sociais e serviços de streaming e download musical. Assim, por intermédio das formas como esses mecanismos são acionados pelos interlocutores, descrevo os variados usos feitos por agentes como integrantes de bandas, produtores musicais, técnicos de som, membros de coletivos culturais, entre outras posições que envolvem o fazer musical. Por fim, percorro diferentes espaços musicais da cidade com o intuito de fazer a descrição de alguns eventos que elucidem o “ser independente” em Natal.

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  • CASSIA HELENA DANTAS SOUSA
  • “Mulheres e itinerários abortivos: etnografia sobre os ‘caminhos’ do misoprostol na capital norteriograndense”

  • Orientador : ROZELI MARIA PORTO
  • Data: 05/12/2016
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  • O texto tem por objetivo sinalizar algumas evidências relacionadas à pesquisa em andamento sobre os itinerários abortivos (PORTO, 2009; TORNQUIST, 2012) percorridos por algumas mulheres que optam pela interrupção clandestina da gestação na capital norteriograndense. A ênfase é o uso da medicação abortiva misoprostol, conhecida pelo nome comercial de Cytotec®. Foram colhidos até o momento, dados de 17 (dezessete) casos de mulheres que se propuseram a ser interlocutoras desta pesquisa concedendo entrevistas e partilhando de escritos pessoais e correspondências sobre suas experiências abortivas. Entremeando a discussão, há também a contribuição de três agentes mediadores – vendedores e mediadores/facilitadores – para a obtenção da medicação, além da participação na pesquisa de quatro homens que participaram do processo de compra da medicação para parceiras (namoradas, “ficantes” e esposas), amigas e conhecidas. A questão central a ser analisada é o caminho que as mulheres que desejam interromper uma gestação perfazem na tentativa de obterem os meios necessários à realização do aborto clandestino nesta capital, o que abrange desde o momento da detecção da gravidez até a obtenção das medicações a serem administradas para provocar a interrupção e a busca ou não por atendimento médico posterior. São contemplados analiticamente, para fins de demonstração do andamento da pesquisa, alguns fragmentos de entrevistas desses personagens sobre os dramas relacionados à ilegalidade da prática e aos riscos envolvidos na compra de misoprostol na cidade pesquisada, assim como, segundo amplamente constatado, a frequente participação de homens na venda e no processo da busca e obtenção de medicação abortiva. No tocante ao viés metodológico, foi feito trabalho de campo no sentido de trilhar tais itinerários através de uma rede de sociabilidade da própria pesquisadora e sua experiência anterior de pesquisa de iniciação científica, o que permitiu que fossem feitos os contatos os interlocutores e interlocutoras. Tal rede resultou em uma espécie de trama na qual constata-se que há, algumas com exceções, certa confluência de itinerários – isto é, abortamento inseguro com misoprostol em ambiente doméstico (a própria casa ou residência de terceiros que a cedem para este fim em segredo) ou em aparelhos de hotelaria (pousadas, hotéis, motéis, etc.) seguidos na busca por atendimento hospitalar em unidades de saúde públicas ou privadas.

11
  • ANDRESA KARLA SILVA CARVALHO
  • O trabalho dos carroceiros na cidade de Natal: cotidiano, política e emoções em torno de uma atividade ameaçada. 

  • Orientador : CARLOS GUILHERME OCTAVIANO DO VALLE
  • Data: 13/12/2016
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  • O processo contínuo de urbanização aparece como um elemento motivador de conflitos em torno do que pode ser permitido ou não nos espaços que constituem as cidades. É o caso do uso tradicional de carroças movidas à tração animal, que vem sendo fortemente questionado e inclusive progressivamente proibido em muitas capitais brasileiras. Em Natal (RN), ocorre o mesmo processo, cuja proibição está sendo determinada através da implantação da Política Municipal de Retirada de Veículos de Tração Animal (PMRVTA), que, até o momento deste trabalho, ainda está em fase de discussão. A construção dessa proposta de política pública conta com a participação de uma relação extensa e bastante heterogênea de agentes e instituições que conflitam com uma diversidade de pessoas que fazem uso das carroças para diferentes fins, porém, destacando-se sobretudo o uso para o trabalho. Dessa forma, diante de um quadro onde esta forma de trabalho encontra-se ameaçada por questionamentos e denúncias de diversos segmentos, buscamos compreender: quais são as práticas, dilemas e impactos sociais que estão sendo vivenciados por carroceiros em Natal? Nesse sentido, pretendeu-se, através de pesquisa etnográfica (utilizando-se de observação participante, entrevistas e análise de documentos) apresentar o universo de experiências dessas pessoas, analisando os conflitos existentes em torno do uso de carroças e do trabalho a ele relacionado. Consideramos como se processam as dinâmicas de conflito a envolver os mais diversos agentes do poder público, além de especialistas e ativistas/ONGs de defesa dos animais, principalmente, e os carroceiros, que refletem disputas e relações de poder profundamente desiguais neste jogo que é a própria construção da PMRVTA. Percebemos como as moralidades e emoções, associadas às pretensões de modernidade e urbanidade, são elementos que se destacam neste campo, repercutindo de forma séria nas vidas de carroceiros, cuja máxima encontrada na elaboração desta política pública concorre para desestruturar profundamente um mundo social específico, no qual a relação entre os humanos e seus animais é elemento fundamental para especialmente sustento e deslocamento das famílias.

2015
Dissertações
1
  • JAIRO DE SOUZA MOURA
  • "Eu tenho os meus direitos: análise de audiências de conciliação em um JECRIM de Natal".

  • Orientador : JULIANA GONCALVES MELO
  • Data: 27/02/2015
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  • A pesquisa tem como propósito analisar, no âmbito da Antropologia do Direito, os processos de constituição no Brasil dos Juizados Especiais Criminais-JECRIMs e visa a discutir, a partir da realização de trabalho etnográfico, a relação entre as formas e dinâmicas de distribuição de Justiça no Brasil e no âmbito local. Para tanto, realizou-se etnografia em um JECRIM da cidade de Natal, analisando peculiaridades advindas dos esforços da juíza coordenadora e dos outros atores do Judiciário para trazer à realidade as propostas da Lei 9.099/95. A etnografia também possibilitou a análise das interações entre os atores do Judiciário e os jurisdicionados, acompanhados ou não de advogados particulares. O arcabouço teórico contou com temas diversos, abrangendo processos de judicialização de conflitos, análise de performance e de representações, e relações entre direito, moralidade, sentimento e ritual. Busca-se uma leitura crítica do atual estágio das conciliações e das mediações, levando em consideração o parâmetro legal e bibliográfico sobre o assunto. Ao fim, é traçada uma linha geral da atuação estatal na administração de conflitos, revelando algumas aporias e contradições de processos voluntários feitos obrigatórios pelo Estado-Punidor.

2
  • LEONARDO ALVES DOS SANTOS
  • EMOÇÃO E PENALIDADE
    Mulheres no Complexo Penal Dr. João Chaves em Natal/RN

  • Orientador : JULIANA GONCALVES MELO
  • Data: 02/03/2015
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  • O presente trabalho foi realizado a partir de uma pesquisa de campo na ala feminina do Complexo Penal Dr. João Chaves. Foram entrevistadas internas e agentes penitenciárias. Pretende, em termos gerais, compreender a influência das emoções em um determinado espaço de tempo das histórias de vida de nossas interlocutoras que compreende desde a entrada no mundo do crime ao cotidiano dentro da prisão. O texto está estruturado em três partes. A primeira recupera o debate (em termos históricos e sociais) sobre a relação entre mulheres e sistema prisional, a nível nacional e posteriormente local. As partes dois e três foram escritas com o intuito de responder às duas questões centrais que orientaram este trabalho: qual a influência das emoções entre as percepções de crime e justiça? E qual o seu papel nas relações de poder e afeto no cotidiano prisional? A segunda parte examina o processo de inserção dos internos em uma instituição total. Aqui analiso as formas e motivações que levaram as mulheres ao crime e à prisão. No contexto, trato dos sentimentos de amor, humilhação e indignação através de dois exemplos distintos, o primeiro a partir da ideia de insulto moral, e o segundo a partir do termo “amor bandido”. Na terceira parte disserto sobre as regras de convivência que tanto as agentes como as internas têm que aprender para viver cotidianamente umas com as outras. Em um primeiro momento, trato do processo de internalização das regras e como elas funcionam na prática, abordando o papel de quem exerce a coerção normativa e também de quem está sujeita a ela. Posteriormente, mostro como se dão as relações homossexuais dentro do presídio mesmo sua prática sendo desencorajada e sucetível a punição. No último capítulo examino algumas formas de controle praticadas no estabelecimento, pensando seus metódos e objetivos. Por último, apresento algumas considerações finais versando sobre os temas abordados no presente trabalho e as respostas encontradas através da investigação antropológica.

3
  • ANA MARIA DO NASCIMENTO MOURA
  • Narrativas Poéticas e Trajetórias dos Poetas em Mossoró.

  • Orientador : RITA DE CASSIA MARIA NEVES
  • Data: 09/03/2015
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  • A cidade de Mossoró/RN tem se destacado no Estado do Rio Grande do Norte como uma capital cultural a partir de uma política de eventos que trabalha a imagem de fatos históricos ocorridos na região, suscitando pesquisas sobre a construção de uma identidade mossoroense e atraindo muitos turistas que movimentam a economia local. Considerando isso, esse trabalho busca compreender a inserção de poetas nesse contexto cultural, analisando suas narrativas e suas trajetórias. Para tanto, utilizou-se entrevistas semi-estruturadas e a observação participante, nas ocasiões formais de entrevistas e em eventos culturais nos quais os poetas se apresentavam, privilegiando-se a observação de poetas populares, cujas apresentações são mais frequentes. Esse recorte levou à aproximação com duas associações de artistas, a partir das quais foram selecionados os poetas a serem entrevistados: a POEMA – Associação de Poetas e Prosadores de Mossoró e a Casa do Cantador. As relações observadas entre os artistas dessas instituições – escritores, repentistas, cordelistas, músicos e emboladores de coco – levantaram questões sobre a complexidade da cultura popular e das discussões sobre identidade, trabalhadas nesse estudo.

4
  • LILLYANE PRISCILA SILVA DE FARIAS
  • “A justiça penal não se realiza a qualquer preço”: etnografia de processos envolvendo estupro de vulnerável no RN

     

  • Orientador : JULIANA GONCALVES MELO
  • Data: 09/03/2015
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  • A pesquisa tem como objetivo realizar uma etnografia de processos judiciais de estupro de vulnerável.  O material etnográfico foi obtido na 2ª Vara da Infância e Juventude, localizada no Fórum Desembargador Miguel Seabra, em Natal-RN. Versa sobre casos de estupro de vulneráveis e lida especificamente com casos que envolvem mulheres. A proposta é refletir sobre os princípios de “presunção de inocência” (FERREIRA, 2013), de “livre convencimento motivado do juiz” (MENDES, 2011) e de insulto moral (OLIVEIRA, 2011) no processo de sentenciar as pessoas acusadas e administrar os conflitos daí advindos, bem como entender os contextos a partir dos quais esses eventos são evocados. A análise permite evidenciar como, em um ambiente jurídico supostamente neutro, questões morais sobre a construção da identidade feminina (como a ideia de virgindade, família e gênero) ganham relevância e materialidade na condução dos casos e no reconhecimento de direitos.

     

    Palavras-chave: Antropologia do Direito. Violência Sexual. Estupro de vulnerável. Insulto moral.

     

5
  • FERNANDA DA COSTA CORTES
  • Antro o quê??Problematizando o conhecimento antropológico no contexto de uma audiência publica no Senado Federal.

  • Orientador : FRANCISCA DE SOUZA MILLER
  • Data: 30/04/2015
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  • Este trabalho tem como objetivo problematizar  o papel do conhecimento antropológico no âmbito do debate realizado em uma audiência pública deflagrada em virtude de uma reportagem publicada pela revista Veja em maio de 2010, denominada "A Farra da Antropologia Oportunista". O objetivo é compreender de que forma a antropologia está sendo percebida no atual cenário brasileiro de investimento em políticas de reconhecimento étnico e inclusão social. Como ela vem atuando? Quais as dificuldades encontradas para a aplicação deste conhecimento frente às demandas reais que lhe diz respeito? O que se constatou como resultado da análise estabelecida neste trabalho foi uma tentativa de invalidação do saber antropológico na medida em que este opera como facilitador na garantia de direitos, especialmente os que dizem respeito ao acesso à terra por minorias étnicas.Por este motivo, também é argumentado a antropologia como ciência e os parâmetros utilizados por ela para estabelecer suas análises.

6
  • MARIA GORETE NUNES PEREIRA
  • OS POTIGUARA DE SAGI. Da invisibilidade ao reconhecimento étnico.

  • Orientador : EDMUNDO MARCELO MENDES PEREIRA
  • Data: 04/05/2015
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  • O processo de autoafirmação étnica indígena no Estado do Rio Grande do Norte é bem recente e tem se apresentado como contraponto à historiografia oficial que nega a presença desses atores sociais no Estado. O objetivo dessa pesquisa é investigar um grupo que se autoafirma como Potiguara, na praia de Sagi (RN), valorizando aspectos relacionados à sua identidade, organização social e processo de territorialização. Além de seus objetivos etnográficos, fazendo uso da observação participante e da produção de um conjunto de entrevistas, o trabalho analisa, em especial, a geração de uma história de origem, baseada no parentesco e na territorialização, da invisibilidade à reorganização identitária em meio de conflitos e demandas por reconhecimento étnico.

7
  • SARA TALITA COSTA CÂMARA
  • Consumo na Cibercultura: Uma Etnografia sobre o Valor da Compra no E-Commerce Local Peixe Urbano

  • Orientador : ELIANE TANIA MARTINS DE FREITAS
  • Data: 23/06/2015
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  • A midiatização das tecnologias vem trazendo novas formas de se viver no mundo atual, principalmente por meio da ressignificação de relações e práticas sociais. Como exemplo dessas novas práticas estão as recentes formas de consumo. Atualmente, as extensões das mídias permitem o consumo não só do mundo virtual, mas dos diversos produtos e serviços que eles oferecem. Com base nessas novas vivências aderidas pelos sujeitos sociais, este trabalho apresenta uma pesquisa que foi desenvolvida junto aos usuários de um E-commerce local, o site Peixe Urbano. O objetivo foi entender quais critérios de escolhas e valores sociais são atribuídos por determinado consumidor na hora de acessar o site e comprar um item oferecido. Para tanto, utilizamos o método etnográfico da pesquisa antropológica, por meio da técnica de observação e acompanhamento das vivências e dos comportamentos de usuários do site. Com base nisso, este trabalho problematiza o valor que a compra no site tem para os usuários, pensando principamenle nos aspectos sociais que envolvem a escolha. Partindo da análise de uma variedade de visões de mundo e estilos de vida, identificamos como o consumo através do site fala mais sobre o sujeito que compra e sobre suas relações em sociedade do que sobre o simples fato de adquirir um produto e/ou serviço justificando o ato do consumo pela categoria do preço baixo. Além disso, este trabalho revelou como o desejo pelo novo e o desejo de um consumo experimental também fazem parte das trocas no ciberespaço. Nesse caso, identificamos como o site Peixe Urbano tem sido interpretado pelos consumidores e quais os novos anseios de consumo no mundo virtual.

     

8
  • CLÁUDIO ROGÉRIO DOS SANTOS
  • INVESTIGANDO AS INTERAÇÕES SOCIAIS EM SÃO MIGUEL DO GOSTOSO:O caso da colônia de pesca Z34 e os pescadores artesanais.

  • Orientador : FRANCISCA DE SOUZA MILLER
  • Data: 31/08/2015
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  •  O presente estudo foi realizado em São Miguel do Gosto, praia localizada no litoral Norte do Rio Grande do Norte. Nosso objetivo principal é compreender as relações entre a Colônia de Pesca Z-34 fundada em 1995 e os pescadores artesanais. Para a coleta de dados, utilizamos entrevistas com perguntas abertas as quais foram gravadas, registradas no caderno de campo e fotografadas. A pesquisa se deu em duas etapas. Os primeiros dados coletados são resultantes de visitas regulares ao campo entre março e agosto de 2014, período em que entrevistamos 14 funcionários representantes de instituições relacionadas à pesca artesanal situadas em Natal. Em São Miguel do Gostoso, entrevistamos dois dirigentes da Colônia de pesca Z-34 e três pescadores associados que nos informaram sobre a organização da entidade representativa e as percepções dos pescadores em relação à citada entidade. Na segunda etapa, no período entre dezembro de 2014 e julho de 2015, foram entrevistados 21 informantes, entre eles, funcionários públicos, pescadores, pescadoras, presidente e vice presidente da Colônia de Pesca Z-34 residentes na já citada comunidade. Os pescadores essociados à referida entidade areconhecem como sendo a entidade de pesca organizada que atende as necessidades do pescador nas polítiicas de capacitação e benefícios perante os direitos enquano pescaodores/trabalhadores. O estudo é relevante porque as pesquisas sobre associativismo na área da pesca no Brasil ainda são insuficiente e não encontramos estudos sobre o tema realizado em São Miguel do Gostoso.

9
  • JÉSSICA KAROLINE RODRIGUES DA SILVA
  • O que eu vou vestir? Uma análise antropológica sobre as práticas de consumo de roupas e adornos corporais dos jovens do bairro São José em João Pessoa-PB

  • Orientador : ELIANE TANIA MARTINS DE FREITAS
  • Data: 04/09/2015
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  •  

     A presente pesquisa se propõe analisar as práticas de consumo de roupas e acessórios adotados pelos jovens do bairro São José na cidade de João Pessoa no estado da Paraíba. Busca-se compreender quais os critérios que esses jovens utilizam no momento das compras, considerando as várias motivações apresentadas e discutidas na área da antropologia do consumo, que fundamentam os seus argumentos sob uma ótica cultural. Além disso, como esses objetos relacionam- se com outros elementos que fazem parte do contexto em que são utilizados: como um estilo musical, atividade esportiva, dentre outros, ao mesmo tempo, busca-se compreender, a partir dos significados desses objetos, os valores que eles arrastam consigo através do uso. Desta forma, para a realização dos objetivos pretendidos foi necessário a observação desses jovens em seu transitar pelas diversas esferas sociais que vão, por exemplo, desde um passeio ao shopping, até outras atividades cotidianas, como o ir e vir dentro do bairro, para poder compreender quais os valores que esses objetos arrastam consigo, considerando que os sentidos que são dados localmente.

10
  • IVANILDO ANTONIO DE LIMA
  • "AQUI É O LUGAR QUE TODA MULHER TRABALHA":UMA ETNOGRAFIA SOBRE O TRABALHO FEMININO NA COMUNIDADE QUILOMBOLA DE CAPOEIRAS-MACAÍBA/RN.

  • Orientador : FRANCISCA DE SOUZA MILLER
  • Data: 08/09/2015
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  • O presente estudo tem como objetivo refletir e descrever o processo de inserção das mulheres de Capoeiras no mercado de trabalho. Obervamos que desde o final dos anos de 1950 as mulheres da citada comunidade localizada no município de Macaíba estão em constante movimento entre o rurual e o urbano e desenvolvendo atividades de trabalho dentro e fora da comunidade. Dessa forma, com o emprego  de técnicas e método  etnográficos- pesquisa de campo, entrevistas, e o uso de instrumentos audio visuais- procura-se dar visibilidade ao processo histórico, tragetórias, negociações e mudanças engendradas na vida da mulher, da família e da comunidade. Em suma, este estudo pretende compreender qual é o espaço da mulher que exerce atividade de trabalho e  discutir como as novas dinâmicas são negociadas e pensadas no contexto da família e pela comunidade estudada.

11
  • MARÍLIA MELO DE OLIVEIRA
  • ACHAM QUE BROTAMOS DAS FONTES DESSA CIDADE?” Uma etnografia sobre o cotidiano de sobrevivência de pessoas em situação de rua em Natal/RN.

  • Orientador : LISABETE CORADINI
  • Data: 14/09/2015
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    Através da observação participante, realizada na região administrativa leste de Natal/RN – referida aqui como “região central” – esta pesquisa teve como objetivo principal compreender o cotidiano dos sujeitos em situação de rua na cidade. Como se relacionam com o espaço onde vivem? Nessa relação, quais os usos e estratégias de sobrevivência acionadas por esse segmento social? Esses foram alguns dos questionamentos que nortearam esta pesquisa, com o propósito de evidenciar as especificidades deste modo de vida e os desdobramentos possíveis que tal situação possa reverberar aos seus sujeitos. Nesse sentido, houve um esforço de acompanhar as pessoas em situação de rua, seus itinerários e apreender as narrativas. Ao longo da trajetória de pesquisa – que aconteceu de forma intermitente entre os anos de 2011 a 2015 – frequentei espaços de ocupação e trânsito desse grupo populacional no meio da rua, como também me inseri e me envolvi em eventos, fóruns, seminários, reuniões e articulações de sujeitos em situação de rua enquanto movimento político (MNPR/RN). São consideradas nesta pesquisa como pessoas em situação de rua àquelas que ocupam a rua como espaço principal de sobrevivência e ordenação do cotidiano: nas ruas dormem, alimentam-se, satisfazem as necessidades fisiológicas e de higiene, bem como é o local onde tiram o sustento. A rua é tomada nesta investigação no seu sentido amplo, incluindo todos os possíveis locais relativamente protegidos do frio, da chuva e da exposição à violência, portanto inclui tanto espaços abertos e públicos: como praças e parques; como também locais fechados e privados: albergues, depósitos abandonados, presídios, etc. Observou-se que em nenhum desses espaços os sujeitos em situação de rua se estabelecem de maneira fixa, ao contrário, vivenciam a itinerância, que em parte deve-se aos ordenamentos urbanos – que tende a estigmatizá-los e excluí-los dos lugares – e à própria necessidade de sobrevivência, pois ao viver no meio da rua práticas diferenciadas são acionadas, e estas divergem do modo de vida sedentário dominante.
12
  • LÍVIA FREIRE DA SILVA
  • “VENDER AS CARNES”:

    PROSTITUIÇÃO NO TERRITORIO POTIGUARA DA PARAÍBA

     

  • Orientador : ELISETE SCHWADE
  • Data: 15/09/2015
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  • Esta dissertação tem o objetivo de contribuir para reflexões sobre a prostituição feminina no Litoral Norte paraibano nas regiões específicas da Baía da Traição e aldeias indígenas Potiguara, região de constante fluxo cultural entre indígenas e não indígenas. Nesse aspecto pretendo analisar os trânsitos, as fronteiras do corpo, da sexualidade, identitárias e étnicas como categoria central para entendimento das práticas da prostituição que inauguram a possibilidade de estudar as relações de gênero em lugares borrados, fronteiriços, misturados. De maneira específica, discuto a experiência do gênero articulada nas fronteiras entre o urbano e o rural, indígena e não indígena, o mostrar e esconder, visível e não visível. Analiso as relações sociais entre as mulheres que se prostituem e a comunidade que habitam, a mobilidade, as trocas econômicas e simbólicas, conflitos e situações de violência, uma vez que o ambiente social é permeado por estas dimensões e o trajeto dessas mulheres abarca conjunturas complexas e particulares. Analiso o fluxo interétnico e de pessoas e as relações que se constroem de modo distinto dentro e fora da comunidade indígena, analiso como as mulheres que se prostituem constroem suas identidades indígenas e de prostitutas. Analisarei a mobilidade presente nas relações de prostituição e o porquê da mobilidade, as mulheres indígenas que se prostituem evitam esta prática na área indígena a fim de resguardar suas identidades devido a comunidade ser pequena, ainda existe o receio diante da probabilidade de fofocas e mal estar na comunidade. Contudo, a região caracteriza-se como um todo heterogêneo, sendo necessária uma análise processual para abranger toda a especificidade destas práticas na área abordada. 

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  • LIGIA DE FRANÇA CARVALHO FONSECA
  • Etnografando repertórios políticos no Congresso Nacional

  • Orientador : EDMUNDO MARCELO MENDES PEREIRA
  • Data: 05/10/2015
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  • O presente trabalho visa apresentar e discutir esforços de pesquisa no espaço público – Congresso Nacional – com foco nas situações de elocução em que parlamentares têm demonstrado concepções que questionam política e publicamente grupos e temas que tradicionalmente têm ocupado as esferas de atuação e reflexão da antropologia. O enfoque recai nos debates ocorridos no espaço político mais institucional, ao abordar referentes como agronegócio, populações e terras indígenas e antropologia de modo a entender num cenário social mais amplo as condições de produção de projetos em debate e esquemas de classificação em disputa acerca  populações indígenas e uso de seus territórios. Diante desse contexto, o interesse deste trabalho se concentrou em etnografar duas audiências públicas que ocorreram na Comissão Permanente de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados como locus privilegiado, para refletir a estrutura de repertórios e performances discursivas nessa arena política envolvendo os referentes em questão em contextos de heteroglosia.

14
  • JULIANA RIBEIRO ALEXANDRE
  • Emoções, documentos e subjetivação na construção de transexualidades em João Pessoa/PB.

     

  • Orientador : CARLOS GUILHERME OCTAVIANO DO VALLE
  • Data: 06/10/2015
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  • Esta pesquisa tem como objetivo compreender de que forma os componentes afetivos envolvidos na relação de transexuais com os documentos constituem modos específicos através dos quais essas pessoas se reconhecem e constroem seus corpos e suas trajetórias, seus projetos de vida e sua relação com os outros. Entendemos que os documentos, sejam os de identificação pessoal sejam os produzidos pelos movimentos sociais, atores jurídicos e da saúde e pelo Estado, são experienciados pelas pessoas trans para além da função administrativa de que são inicialmente pensados, mas também comportam uma série de experiências emocionais que marcam seus processos de subjetivação, na forma como essas pessoas produzem a si mesmas e se projetam no mundo em suas redes de socialidade. Elegemos como campo de pesquisa duas instituições localizadas na cidade de João Pessoa (PB), observando o intenso movimento institucional, político, social em favor dos direitos à transexuais que vem ocorrendo nessa cidade nos últimos anos. Dessa forma, o Centro de Referência dos Direitos dos LGBT e Combate à Homofobia (Espaço LGBT) e o Ambulatório de Saúde de Travestis e Transexuais foram os espaços onde encontramos nossos interlocutores e analisamos suas experiências com os documentos observando dois aspectos centrais: a busca pela alteração de prenome no registro civil e a relação das pessoas trans com os documentos produzidos pelas políticas e serviços de saúde tais como os protocolos, os prontuários, as receitas e os laudos psiquiátricos. Percebemos que, embora haja divergências quanto a percepção que os nossos interlocutores têm sobre a documentação que regulamenta os serviços de saúde, todos relataram experimentar constrangimento nas situações de interação social quando tem quem fazer uso de uma documentação que não está coerente com a performance e “fachada social” que assumem. Além dos relatos de constrangimento, vimos que a argumentação do sofrimento social e do trauma tem embasado as plataformas dos movimentos sociais, das políticas públicas, os processos jurídicos e se convertem em “narrativas de dor”, que apresentam forte potencial micropolítico na demanda por direitos para as “pessoas trans”. 

15
  • MARIA DE FÁTIMA MEDEIROS DANTAS
  • Ritual, festa e turismo: relações entre nativos e romeiros na festa de Nossa Senhora das Vitórias em Carnaúba dos Dantas (Rio Grande do Norte).

  • Orientador : RITA DE CASSIA MARIA NEVES
  • Data: 06/10/2015
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  • Este trabalho teve como objetivo refletir acerca das relações sociais e as inter-relações entre os nativos - presentes e ausentes- e os visitantes- romeiros e peregrinos-, na cidade de Carnaúba dos Dantas, situada no interior do Estado do Rio Grande do Norte, a partir dos festejos realizados em homenagem à Nossa Senhora das Vitórias, santa, cuja imagem se encontra localizada no Monte do Galo, constituído como um espaço religioso. Como eixos principais, utilizei a festa, a peregrinação, o turismo e o comércio realizados no local, bem como as relações entre os atores nativos e visitantes que se estabelecem a partir do contato entre eles. A pesquisa em questão buscou perceber as nuances e as inter-relações que se instituem entre as categorias de atores, sejam nativos ou visitantes, a partir do compartilhamento espacial, no decorrer dos festejos de Nossa Senhora das Vitórias do ano de 2013. A análise revelou que nativos e peregrinos se ajustam à pouca infraestrutura do lugar. A festa também traz para a cidade seus nativos ausentes e junto deles outras comemorações. Por fim, a divisão espacial da festa provocada por esses grupos aponta para alguns lugares e ritos que foram transformados a partir das experiências particulares desses agentes no próprio momento da festa.

16
  • FRANCISCO CLEITON VIEIRA SILVA DO REGO
  • VIVER E ESPERAR VIVER: CORPO E IDENTIDADE NA TRANSIÇÃO DE GÊNERO DE HOMENS TRANS
  • Orientador : ROZELI MARIA PORTO
  • Data: 25/11/2015
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  • Esta pesquisa busca entender como homens trans constroem suas identidades e vivenciam a experiência transexual nas relações que estabelecem cotidianamente para entrada na categoria “homem”. Foi possível perceber que para isso engendram uma transição de gênero específica em meio a transexualidade masculina. Apesar de estarem sob um amálgama complexo de relações de exploração e dominação disciplinares, formas de ser homem são agenciadas para uma vivência e entrada nos espaços onde são expulsos por não conformarem os corpos que as normas de gênero demandam. Compreende-se que a transição de gênero é um processo ao mesmo tempo de manejo orgânico e protético do corpo e de assunção da própria identidade. Com isso, constroem uma política de identidade que fixa criativamente uma categoria de pessoa detentora de direitos. A “transição” trata, portanto, de transicionar de uma inexistência a um lugar de humanidade. A dissertação descreve como esse processo se realiza nas experiências dos interlocutores, observando as práticas de fazer emergir o masculino diante de posições de classe quanto ao mercado de trabalho, ao acesso a saúde, a hormornização e a própria identidade. Desse modo, teorias que os fixem como expressando masculinidades femininas ou marginais à hegemonia não encontram exatidão em suas vidas. A pesquisa partiu metodologicamente da realização de “etnografias multissituadas” em diferentes meios que deram espaço a entrevistas em profundidade com 14 interlocutores provenientes do Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Entre os anos de 2014 e 2015, partindo da aplicação de técnica de rede às primeiras interlocuções em pesquisa, pôde-se construir uma observação participante junto ao cotidiano de homens trans, de suas atividades privadas, públicas em meio a um coletivo de ativismo trans no Nordeste, e ao acompanhamento de ações nas quais estiveram envolvidos durante o XII Encontro Nacional em Universidades de Diversidade Sexual e de Gênero (ENUDSG) realizado em Mossoró/RN. Dessa forma, o trabalho tenta descrever e compreender as diferentes formas de construir as transições de gênero de homens trans no acesso à transexualidade e, portanto, a uma forma de explicar as próprias trajetórias em termos de pessoas que existem enquanto tais, em meio a narrativas marcadas por emoções ligadas ao “não viver”, ao sofrimento e desumanização.
2014
Dissertações
1
  • RONALDO SANTIAGO LOPES
  • "A cultura de índio, seu menino, vem de longe aqui": formação histórica e territorialização dos Tremembé/CE.

     

  • Orientador : CARLOS GUILHERME OCTAVIANO DO VALLE
  • Data: 24/03/2014
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  • No presente trabalho, constituído etnograficamente a partir de uma seleção estratégica de situações étnicas tremembé localizadas na região sertaneja dos municípios cearenses de Acaraú e Itarema, procuro cumprir três objetivos principais. Em primeiro lugar, recuperar a partir de um referencial antropológico a dimensão histórica da constituição e formação social de três localidades, cujo mito de origem remonta à antiga povoação litorânea de Almofala na época da seca dos três oito (1888), quando um grupo de famílias tremembé parte em direção ao interior, estabelecendo-se primeiramente no lugar que denominaram Lagoa dos Negros e posteriormente dividindo-se em grupos menores que se fixaram em localidades relativamente próximas. Em segundo, analiso os processos de territorialização estabelecidos a partir da década de 1980, mas que tiveram desdobramentos importantes nas duas décadas seguintes, nos quais essa dimensão histórica é recuperada e ressignificada em termos étnicos. Por último, discorro sobre a construção da territorialidade e da dimensão simbólico-cultural dos Tremembé destas localidades através das tradições e rituais, tomando como caso exemplar o torém em toda a sua multiplicidade semântica que tanto transversaliza a própria história dos Tremembé em sua diversidade de situações, como também evidencia um processo de atualização cultural em curso que vem transpondo as esferas lúdicas, políticas e, nas últimas décadas, religiosas, normalmente associadas ao ritual.

2
  • PAULO GOMES DE ALMEIDA FILHO
  • "Aqui se faz Gostoso”: Uma etnografia do turismo em São Miguel do Gostoso (RN).

     

  • Orientador : FRANCISCA DE SOUZA MILLER
  • Data: 28/03/2014
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    Este trabalho se constitui em uma descrição etnográfica sobre um fenômeno social ai nda em vigor, o processo de turistificação do município de  São Miguel do Gostoso."Gostoso" - como é localmente conhecido -  teve origem a partir de uma antiga vila de pescadores no litoral nordeste do Rio Grande do Norte. A partir dos anos de 1990, em São Miguel do Gostoso, deu-se início às primeiras iniciativas que vieram a transformar o município em um dos principais destinos turísticos do Rio Grande do Norte. As adoções de práticas turísticas engendraram mudanças na configuração do espaço e nas práticas cotidianas, descaracterizando a localidade dos ares  de vila pesqueira. O município se promove, enquanto "atrativo turístico" através de seus recursos naturais - turismo de sol e praia, e também através do regime de ventos que propiciam à pratica de alguns esportes náuticos.

    Nesta pesquisa qualitativa, empenhamos-nos no emprego metodológico de técnicas etnográficas - pesquisa bibliográfica e de campo, observação participante, entrevistas abertas e estruturadas registradas através de gravação ou no caderno de campo, registros fotográficos e através de desenhos. Fizemos ainda o uso de instrumentos mediadores  ligados ao turismo local.

    Desta forma, esta etnografia versa sobre as mudanças e seus impactos sobre a comunidade aqui tratada, levando em consideração as vozes dos atores envolvidos nesta trama social: o processo de turistificação de um antigo núcleo pesqueiro.

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  • WAGNER PINHEIRO TEIXEIRA
  • ESPÍRITO DE CATIMBÓ: A MORAL MÁGICO-RELIGIOSA DA JUREMA

  • Orientador : LUIZ CARVALHO DE ASSUNCAO
  • Data: 28/03/2014
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  • Por meio de uma pesquisa participante interessada na práxis social, trata-se de buscar 
    compreender os princípios morais que regem os atos mágicos e o ambiente de culto de três
    núcleos juremeiros do município potiguar de Canguaretama. Dentre outros aspectos internos
    e particulares a cada núcleo de catimbó-jurema enfocado, discute-se os padrões coletivos envolvidos nos valores de confiança e cumplicidade pressupostos nas associações mágicas privadas das líderes juremeiras com seus pares, em contraposição à busca por prestígio e o individualismo que permeiam as competições simbólicas e os ataques feiticeiros
    a enlaçar estas agentes com o universo catimbozeiro mais amplo do município. Ao final,
    investiga-se as práticas morais contempladas no dualismo esquerda-direita juremeiro, para, a partir da compreensão de que a referida dicotomia panteônica-ritual nativa não manifesta
    duas moralidades substancialmente adversas e contrastivas em benevolências e malefícios
    (mas um conjunto de ações morais sujeitas à lógica especular do “olho por olho, dente por dente”),
    buscar comprovar que tal estrutura moral de reciprocidade simbólica, assim como a centralidade da feitiçaria no mundo catimbozeiro, encontra alguma razão causal numa visão de mundo cujo princípio norteador é o mal ontológico da cosmologia católica.
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  • ANDREA LUCIA VASCONCELLOS DE AGUIAR
  • Usuários de crack, instituições e modos de subjetivação: estudo das práticas e da eficácia terapêutica em uma Comunidade Terapêutica religiosa (RN). 

  • Orientador : CARLOS GUILHERME OCTAVIANO DO VALLE
  • Data: 09/04/2014
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  • Esta pesquisa antropológica tem como meta principal apreender os significados e as percepções - modo de subjetivação - do usuário de crack em relação às propostas das Comunidades Terapêuticas de caráter religioso. O trabalho prioriza a análise das Comunidades Terapêuticas (CT) do estado do Rio Grande do Norte, estudando uma organização em particular, chamada de Anzóis da Dor. Faço análise dos dados de cunho qualitativo, privilegiando a análise dos conteúdos de discursos e da observação das interações sociais, o que resulta em um texto etnográfico, caracterizado por uma descrição densa.  Dentre os objetivos específicos da dissertação, busca-se apresentar um panorama geral do surgimento e desenvolvimento das Comunidades Terapêuticas - abarcando considerações gerais e locais - e apontar a dinâmica dos sistemas religiosos de cura dessas instituições, além dos princípios que os norteiam. Em termos metodológicos, foi realizado mapeamento parcial das comunidades terapêuticas situadas no Rio Grande do Norte; entrevista com coordenadores das Comunidades Terapêuticas visitadas; observação participante em uma dessas instituições; entrevistas com usuários de crack e pessoas próximas desses agentes sociais a respeito das Comunidades Terapêuticas e do tratamento por elas ofertado. 

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  • JEAN SARTIEF SOARES AMORIM DE FREITAS
  • O ser-imagem.

    A AUTORREPRESENTAÇÃO FOTOGRÁFICA NO FACEBOOK.

  • Orientador : LISABETE CORADINI
  • Data: 11/04/2014
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     Em uma sociedade cada vez mais imagética e conectada em diversas redes sociais online, cada usuário ao tirar fotos de si mesmo e postá-las na rede social online, faz um autorregistro que emerge na autorrepresentação por práticas cotidianas agregadas de temáticas variadas. A presente pesquisa busca estudar as dinâmicas das relações desta autorrepresentatividade fotográfica com agência, tecnologia, afetividade, e consumo, compondo um ser integrado com a visualidade e suas reverberações, o que aqui denomino como Ser-Imagem. O objetivo desta dissertação é lançar um olhar antropológico sobre essas práticas. Neste sentido, trago a pesquisa desenvolvida no campo da imagem e da ciberantropologia com interlocutores diversos estabelecidos em diálogos, análise de dados e encontros virtuais. Procurei além das conversas e entrevistas analisar os perfis na rede social, como suas postagens cotidianas, álbuns de fotografias disponíveis na rede online, compartilhamentos e, principalmente, fotos autorrepresentativas. 

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  • ZILDALTE RAMOS DE MACEDO
  • Show de Mamulengos Heraldo Lins: construções e transformações de um espetáculo na cultura popular

  • Orientador : LUIZ CARVALHO DE ASSUNCAO
  • Data: 24/04/2014
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  • O teatro de mamulengos é uma das expressões da cultura popular que têm sua trajetória marcada por  construções e transformações tanto em suas representações simbólicas como em seus personagens e performances. Na cidade do Natal, RN, existe um mamulengueiro chamado Heraldo Lins que mantêm o seu teatro de mamulengos em atividade há vinte e um anos, ele possui o seu próprio olhar sobre o que produz e como produz, procura ajustar o seu teatro de mamulengos ao contexto social e ao mercado, tematiza as apresentações a pedido do contratante, sistematiza a construção das passagens e falas dos bonecos. Esta pesquisa procurou estudar o processo de contrução do "Show de Mamulengos" de Heraldo Lins, sobretudo como ocorrem as transformações. Constatamos que ele opta pela dissolvição de valores simbólicos presentes no teatro de mamulengos tradicional em prol de uma adaptação à modernidade, se colocando entre o treatro tradicional de mamulengos e a indústrial cultural. O trabalho de campo foi realizado através de um recorte metodológicos que privilegiou a observação participante, a entrevista e o registro sonoro-visual.

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  • ÂNGELA MARIA BEZERRA
  • A Céu Aberto

    Garimpando a memória e a identidade dos mineradores de Brejuí 

  • Orientador : JULIE ANTOINETTE CAVIGNAC
  • Data: 02/06/2014
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    A  Mina  Brejuí,   situada  no  município  de  Currais  Novos  (RN),  foi  responsável  pelo 

    crescimento  da  economia  local  entre  os  anos  de  1943  de  1990,  atraindo  uma  mão  de  obra 

    de  mineradores  para  o  núcleo  urbano. Após  o  fim  da  extração  da  scheelita,  a  mina  foi 

    transformada  em  um  “Parque  Temático”, em  2004.  A  empresa  imprimiu  sua  marca  na 

    cidade com a construção de monumentos que  fazem  referencia à atividade mineira e ao seu 

    fundador  Tomaz  Salustino. No  entanto,  não  existem  registros  escritos  sobre  os  primeiros 

    garimpeiros  nem  sobre  o  sistema  de  exploração  do  minério  em  seu  início.  Convém  então 

    coletar  as  memórias  dos  mineradores  e  perguntar  se,  ao  longo  das  mais  de  cinco  décadas 

    em que durou o auge da mineração,  se construiu uma identidade ligada à profissão; em que 

    medida  os  trabalhadores  fazem  referencia  a  esta  história  como  integrantes  e  quais  são  os 

    símbolos  que  estão  sendo  acionados  na  elaboração  de  uma  identidade  operária.  Investigo 

    ainda que memória se constituiu em torno dos pioneiros, em sua maioria agricultores atraídos 

    pelo chamado da bateia. Para isso, recorro aos recursos audiovisuais de arquivo e aos registros 

    orais dos interlocutores que foram filmados para a elaboração do documentário “Lembranças 

    de velhos garimpeiros”. Notamos que, no script da história oficial da Mina Brejuí, a figura do 

    “patrão” se sobrepõe à dos trabalhadores e que as formas de patronagem, oriundas do mundo 

    rural, seguiram pontuando as relações sociais na mina. Hoje, com a retomada da atividade, é 

    possível que renasça o desejo de fortalecimento da classe operária e da identidade mineira no 

    sertão do Seridó.

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  • DANYCELLE PEREIRA DA SILVA
  • OS FIOS DA MEMÓRIA:

    PRESENÇA AFRO-BRASILEIRA EM ACARI NO TEMPO DO ALGODÃO

  • Orientador : JULIE ANTOINETTE CAVIGNAC
  • Data: 24/09/2014
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  • A história da expansão colonial nos sertões do Seridó no século XVIII e a fixação dos primeiros povoadores em torno das fazendas de gado e, mais tarde, da cultura do algodão, ocultou a presença afrodescendente. Por outro lado, a escravidão é vista como 'branda' e como um fenômeno secundário pelo fato de ter um reduzido número de escravos em relação ao litoral açucareiro. Porém, não se podem minimizar as marcas que deixaram mais de três séculos de dominação colonial, pois a violência simbólica ainda persiste. Este trabalhotem como objetivo refletir sobre as causas e as consequências do silenciamento da presença afro-brasileira e da invisibilização dos núcleos familiares no município de Acari. Através das memórias das famílias Nunes, Inácio e Pereira, antigas moradoras do Saco dos Pereira, e das famílias Pedros, Paulas, Higinos e Félix, antigos moradores das fazendas da região, pretende-se refletir sobre as atividades de sobrevivência, as relações de trabalho, a propriedade da terra e os esbulhos ocorridos nos séculos XIX-XX, bem como mostrar a importância das tradições familiares na elaboração dos discursos sobre o passado e das identidades diferenciadas. A metodologia utilizada durante a pesquisa teve como foco as entrevistas que contemplam as histórias de vida e as memórias dos nossos interlocutores, em particular os afrodescendentes. Os relatos colocam uma luz sobre as vivências no período algodoeiro, os ofícios realizados na fazenda (vaqueiro, louça, bordado, culinária) e mostram a importância das famílias negras para entender o cenário Acariense. Também, fotos e documentos cartoriais foram coletados para melhor compor as histórias de vidas. O estudo revela a presença de muitas famílias negras agregadas às fazendas e mostra que existe outra versão da história local, tendo como protagonistas àqueles cuja memória foi silenciada e que ficaram marcados pelo estigma da escravidão.

9
  • ANDRÉ GARCIA BRAGA
  • A CENA BLACK RIO: circulação de discos e identidade negra

  • Orientador : EDMUNDO MARCELO MENDES PEREIRA
  • Data: 02/10/2014
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  • O presente trabalho pretende, a partir da análise da circulação de discos de vinil em uma determinada situação histórica, produzir uma interpretação da formação e desenvolvimento do fenômeno sócio-cultural conhecido como cena Black Rio, ocorrido no Rio de Janeiro na década de 70 do século XX. Trata-se também de mapear o campo artístico e de consumo em ação na cena, inserindo-o em um contexto mais amplo de circulação de cultura caracterizado no conceito que Paul Gilroy (2012) nomeia de Atlântico negro. Ao engendrar a Black Rio ao Atlantico negro, a pesquisa permitiu, desta maneira, a possibilidade de investigação da formação de identidades locais a partir de referenciais estrangeiros ou globais, e dos estilos de vida decorrentes deste processo de ressignificação e trocas culturais. Em um segundo momento, faz-se um esforço para se entender a identidade racial e a sua conexão com a dimensão política do contexto dos bailes e da cena Black Rio. Utilizando-se para tanto dos escritos de Hall, Giacomini e Sansone, que orbitam em torno dos conceitos de raça, etnicidade e identidade, planeja-se, no limite, refletir sobre a seguinte questão: o quão negra (ou black) foi (ou é) a cena Black Rio?

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  • CARLOS ROBERTO DE MORAIS E SILVA
  • O FUNK NO PAÇO: o funk como fator de circulação e integração com jovens da cidade.

  • Orientador : LISABETE CORADINI
  • Data: 10/10/2014
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    O funk tem sido objeto de estudo em diversos campos de produção de conhecimento, entre eles temos a antropologia urbana que vem proporcionando uma vasta produção com a temática do funk. No presente trabalho objetivamos conhecer como se dá a organização, produção de músicas, circulação pela cidade e relação com outros grupos de funk, de um grupo de jovens que produzem funk na localidade Paço de Pátria, zona Lesta da Cidade de Natal-RN. Trata-se de uma pesquisa etnográfica, em que os princípios dados por Roberto Cardoso de Oliveira: olhar, ouvir e escrever. Aliado a utilização de recurso tecnológicos como da fotografia e filmagem digital. O grupo de jovens foi acompanhado por um ano aproximadamente, tendo sido feita a etnografia de quatro bailes, uma gravação de clip e dois ensaios. Como conclusão observamos que não existe uma organização de grupo funk, o que há são aproximações contingenciais dos funkeiros. Que o funk é estigmatizado e considerado desviante por muitas pessoas do Paço da Pátria. Não há uma política pública para a juventude, em Natal,  que possa potencializar e reconhecer o funk como uma possibilidade de intervenção cultural, uma vez que o potencial mobilizador de um baile funk, observando as devidas proporções com outros centros urbanos como o Rio de Janeiro, é muito grande. 

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  • GISELMA MARIA SACRAMENTO DA ROCHA
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    “Num só crio pra vender, não”: Etnicidade, gênero e saberes domésticos em Moita Verde (Parnamirim, RN)


  • Orientador : EDMUNDO MARCELO MENDES PEREIRA
  • Data: 13/10/2014
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  • O presente trabalho consiste em etnografia realizada na comunidade quilombola de Moita Verde, Parnamirim (RN). Pensada a partir do processo de emergência étnica, tendo como campo de analise o espaço doméstico para pensar a relação entre as mulheres e as distintas arenas políticas, das relações entre famílias, com o entorno e agentes de Estado. Em especial, o envolvimento das mulheres com a criação de porcos vinculada a um sistema que se relaciona com outros saberes do sítio que vão para além da dimensão técnica, levando em consideração os saberes e práticas do grupo. Além disso, este saber, associado com outros saberes políticos, em contexto de relações étnico-raciais, pode ser usado dos debates sobre identidade e especificidade de direitos.

12
  • MARIA ANGELA BONIFACIO
  • "A gente casa porque nasce: um estudo sobre a concepção dos projetos de vida em três gerações de mulheres da Boa Vista dos Negros – Parelhas/RN"

  • Orientador : JULIE ANTOINETTE CAVIGNAC
  • Data: 14/10/2014
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  • A pesquisa analisa as trajetórias individuais de mulheres quilombolas da Boa Vista dos Negros, bairro rural do município de Parelhas - região do Seridó do RN. A opção pelo recorte de gênero, juventude e geração possibilitou o acesso ao universo feminino, à intimidade da casa, às questões relativas ao trabalho e ao entendimento das configurações familiares. O intuito é perceber a existência de projetos individuais a partir das vivências de três gerações de mulheres negras oriundas de dois grupos familiares. Também irei observar como os projetos de vida podem ser elaborados a partir de circunstâncias vivenciadas por estas mulheres. Utilizo como método para desenvolver a pesquisa, a observação do cotidiano, a análise das histórias de vida, entrevistas semiestruturadas, conversas informais e participação em programa de extensão PROEXT/SESU-MEC. As experiências femininas de “trabalho duro no roçado” ou os enfrentamentos na ocasião das relações subalternas travadas no cotidiano como domésticas, geram interrogações sobre as experiências vividas e as estigmatizações sociais produzidas. A relevância do trabalho está em desvelar o universo feminino na ocasião das relações familiares e profissionais, analisar as trajetorias individuais, avaliar os estatutos sociais das mulheres ao longo de suas vidas. O registro das experiências femininas possibilita a descrição do cotidiano quilombola, dos projetos de vida das três gerações de mulheres, bem como a análise das transformações ocorridas nesta comunidade ao longo dos séculos XX-XXI.

13
  • ROSINETE PAULINO DA SILVA
  • Com a palavra as crianças: o processo de constituição identitária da criança da comunidade quilombola de Acauã - Poço Branco-RN

  • Orientador : LUIZ CARVALHO DE ASSUNCAO
  • Data: 10/12/2014
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  • As crianças brasileiras estão em todos os lugares do mundo. No Brasil, embora a população esteja envelhecendo, ainda é um país considerado essencialmente jovem, são cerca de 29 milhões de crianças com até nove anos de idade e aproximadamente 45 milhões de jovens de 10 a 19 anos. As crianças estão nas praças, nos orfanatos, em instituições de confinamento, nas ruas, nas escolas, na lavoura, igrejas, nos prostíbulos, sozinhas ou acompanhadas as crianças estão por toda parte do território brasileiro. As suas origens, históprias e destinos são distintos. Notadamente esses sujeitos sociais foram historicamente silenciados, relegados ao anonimato e a violência simbólica e física; sua história, na maioria das vezes, não nos é contada diretamente por eles. No passado e mesmo nos dias atuais é por meio da "palavra" e da “voz” do adulto, que temos conhecimento das crianças e do mundo da infância. Temos uma dívida histórica com esses sujeitos, o que torna cada vez mais necessário ouvi-las em suas palavras,  seus silêncios e outras formas de expressão. Neste sentido, o presente estudo pretende investigar o processo de constituição identitária partindo das vozes das próprias crianças que moram na comunidade quilombola de Acauã – Poço Branco/RN. O trabalho foi desenvolvido na Escola Mun. Maria Francisca Catarino da Silva, localizada na própria comunidade quilombola, envolvendo os sujeitos que nessa escola estudam no turno matutino e vespertino do ano letivo de 2013. Pretendeu-se conhecer e analisar a dimensão social, cultural e política de uma criança com especificidades conferidas pelo contexto social na qual estva imersa. Mais ainda, nestes tempos e espaços procurou-se compreender as práticas culturais, a linguagem, relações sociais vivenciadas no seu contexto. Para tanto, pensamos uma criança que constrói cotidianamente sua identidade e desde a mais terna idade aprende os significados e sentidos de ser negra em uma sociedade fortemente preconceituosa e discriminatória.

2013
Dissertações
1
  • CARLOS CHAGAS VIEIRA DE LIMA
  • A VERDADE (DES)CONSTRUÍDA: a inserção da homossexualidade na Comunidade Cristã Nova Esperança, em Natal

  • Orientador : BERENICE ALVES DE MELO BENTO
  • Data: 15/04/2013
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  • A pluralidade religiosa tem sido cada vez mais intensa no território brasileiro, ao passo que tem servido como objeto de estudo em diversas áreas do conhecimento. Neste contexto, esta dissertação tem como objetivo geral apontar a heterogeneidade vivenciada no meio protestante e o crescimento das denominações evangélicas, notadamente aquelas que se declaram inclusivas por atender à diversidade humana, buscando entender a relação entre religião e homossexualidade. Como objetivo específico, visa a compreender o funcionamento e os discursos produzidos pela Comunidade Cristã Nova Esperança em Natal.  O referencial teórico esteve assentado nas obras de Bento (2008), Lima (2009), Goffman (2001), Natividade (2008), Musskopf (2008), Helminiak (1998), Foucault (1997), entre outros. Buscou-se discutir a trajetória e como se dá o processo de organização da Comunidade Cristã Nova Esperança em Natal, os avanços sociais a que têm alcançado os homossexuais em nosso país, de que forma esta instituição tem contribuído para a quebra de paradigmas no cristianismo no que tange às questões pertinentes à religião e homossexualidade, bem como o significado de ser um cristão homossexual segundo a ótica percebida pelos sujeitos sociais que vivem esta experiência.

2
  • MICHELY ALINE JORGE ESPÍNDOLA
  • Jovens terena na cidade de Campo Grande (MS). Política e Geração.

  • Orientador : EDMUNDO MARCELO MENDES PEREIRA
  • Data: 21/05/2013
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  • As pesquisas com indígenas em contexto urbano estão ganhando fôlego nesses últimos anos, principalmente com a intensificação da migração para as cidades decorrente dos problemas como a falta de terras para a subsistência. Contudo, em relação aos Terena, sujeitos desse estudo, as pesquisas antropológicas contemporâneas e que visam os residentes nas cidades ainda não são privilegiadas, principalmente quando o assunto é a juventude. Sendo assim, a dissertação de mestrado tem como objetivo principal a discussão em torno de alguns eixos, dentre eles, juventude indígena, etnicidade Terena, política, movimento indígena e racismo. Esses temas surgiram durante a pesquisa de campo em que acompanhei seis trajetórias de jovens terena que migraram para Campo Grande (MS) e que contam diferentes maneiras de significar o urbano e vivenciar seu cotidiano.

3
  • NATÁLIA DE CAMPOS
  • Militância, Organização e Mobilização anti-proibicionista da Maconha: Coletivos, Eventos e Marchas em Natal (RN). 
  • Orientador : CARLOS GUILHERME OCTAVIANO DO VALLE
  • Data: 02/09/2013
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  • Baseada na proposta conhecida como antiproibicionista, contrária a proibição e a ilegalidade da cannabis e do seu uso, os Coletivos Antiproibicionistas propõem a discussão do tema das drogas, especialmente da maconha, objetivando a descriminalização e a legalização deste psicoativo. Com esta ideia, foi articulado o movimento antiproibicionista na capital potiguar, através da organização de Coletivos que discutem os temas relacionados com o uso de drogas e que realizam atividades direcionadas para esta questão, como as Marchas da Maconha e os Ciclos de Debates Antiproibicionistas. Neste trabalho buscou-se entender o posicionamento, em termos sociais e culturais, dos usuários de maconha participantes dos Coletivos, sobre a situação de ilegalidade dos seus atos, diante dos aspectos sociais, jurídicos e morais envolvidos na questão dos psicoativos ilícitos, através das iniciativas coletivas, eventos e manifestações realizadas com este intuito.

4
  • JOSE DUARTE BARBOSA JUNIOR
  • “FAVELA NÃO É O LUGAR, SÃO AS PESSOAS”: DESCONSTRUINDO A RELAÇÃO ENTRE LUGAR E VIOLÊNCIA NO SARNEY E NO JAPÃO, NATAL/RN.

  • Orientador : LISABETE CORADINI
  • Data: 03/09/2013
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  • A cidade é o lócus privilegiado de construção da vida social e política, e do ajuntamento dos grupos sociais. Lugar do encontro, da diversidade e das possibilidades. Mas o universo urbano do qual as cidades fazem parte não é um todo homogêneo. Nela os espaços são demarcados e valorados ideologicamente criando imagens antitéticas a respeito de lugares que passam a ser reconhecidos como violentos ou perigosos. Situações periféricas de desprivilegio urbano somam-se ao preconceito com relaçãoà origem de lugar no âmbito vicinal dos loteamentos José Sarney e Novo Horizonte (Favela do Japão)/Natal-RN, que são reproduzidos em narrativas da vida cotidiana. Divisões espaciais são aproveitadas, imiscuídas e reiteradas para manterdistâncias sociais através de ritos de separações e dicotomias como: bairro/conjunto, loteamento/favela e os de cima/os de baixo.Categorias sociais como buraco e os cabras são evocadas para interpretar o mundo da violência e dos lugares tidos como perigosos. A proeminência da hipermasculinidade e a percepção de crianças e adolescentes sobre a vida vicinal são elementos trazidos à tona para interpretação de imagens evocadas nas entrevistas com moradores e seus vizinhos.

5
  • ADRIANNA PAULA DE MEDEIROS ARAÚJO
  •  "Bordados do Seridó”: uma experiência etnográfica com as bordadeiras do município de Caicó-RN

  • Orientador : ELIANE TANIA MARTINS DE FREITAS
  • Data: 26/09/2013
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  • As narrativas que circulam por Caicó contam-nos que a atividade de bordar teria chegado `a cidade por volta do século XVIII, através dos colonizadores portugueses. Inicialmente, o bordado funcionou como elemento constitutivo na formação feminina, sobretudo, na construção do papel da “moça prendada”, posteriormente, foi caracterizando-se como atividade geradora de renda, passando a movimentar fortemente o setor informal da economia local. Além de fonte de renda, a prática das bordadeiras vem ressignificando a tradição artesanal, transformando o bordado em um dos símbolos identitários do município ao projetá-lo para outros mercados, carregando o nome de “bordados de Caicó”. A pesquisa tem como objetivo investigar a dinâmica da produção artesanal do bordado, dentro do círculo familiar e em seus desdobramentos após a sua entrada na esfera comercial. Também busca investigar como a atividade opera dentro de um contexto em que os sujeitos (bordadeiras e intermediários) e seus distintos agenciamentos acionam certos discursos, sobretudo aqueles relacionados a identidade e autenticidade, em nome de fins econômicos, políticos e culturais.

6
  • CLÉCIA PATROCINIO DA SILVA
  • QUEM É O DOENTE? Um estudo sobre as vivências dos acompanhantes de pacientes adultos em hospital público no Rio Grande do Norte.

  • Orientador : ROZELI MARIA PORTO
  • Data: 30/09/2013
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    O objetivo desta investigação é desvelar como tem se processado as vivências dos acompanhantes de pacientes adultos internados em uma instituição hospitalar no Estado do Rio Grande do Norte. Trata-se de um estudo onde o uso da técnica de observação participante, associado ao uso de entrevistas e conversas informais geriu categorias como o descompasso entre as prerrogativas da Política de Humanização-HumanizaSUS e as práticas realizadas nas instituições hospitalares, as relações que se estabelecem entre os acompanhantes e os demais sujeitos do campo de pesquisa, relações família, permanência da mulher como cuidadora, itinerários terapêuticos, dramas, religiosidade e segredos. De tudo isso constata-se que acompanhar é muito mais do que apoio emocional ou ajuda, é um ato complexo em diversos sentidos.
     
7
  • DIEGO BRENO LEAL VILELA
  • Ativismo Vegano em Natal: uma etnografia de mobilização política, alimentação ética e identidades

  • Orientador : CARLOS GUILHERME OCTAVIANO DO VALLE
  • Data: 01/10/2013
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  • Esta pesquisa tem por interlocutores grupos de veganos na cidades de Natal, embora também me reporte a outros contextos de pesquisa como em Recife-PE e Campina Grande-PB. Movidos por princípios éticos baseados nos direitos animais os veganos se recusam a consumir todo e qualquer produto de origem animal. Na medida em que os hábitos de consumo podem ser tomados como poderosos elementos de identificação, a relação entre consumo, alimentação, identidade e política se constitui numa chave analítica importante no desenvolvimento deste trabalho. A questão que se persegue, é saber como o discurso vegano (de caráter abolicionista) ganha forma e se materializa em ações, manifestações e mobilização política por parte de um grupo de pessoas que podem ser encaradas como ativistas veganos. Para tanto, me proponho a construir uma etnografia das atividades que esses sujeitos realizaram coletivamente, tanto as de caráter mais lúdico como a realização de piqueniques, quanto aquelas de caráter reivindicatório como são as manifestações políticas em locais públicos.

8
  • DANIELMA DOS SANTOS CORREIA
  • ENQUANTO ESPERA: O acolhimento institucional de crianças e adolescentes na Casa de “Passagem” III. Cuidado, controle ou proteção?

  • Orientador : ELISETE SCHWADE
  • Data: 07/10/2013
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  • O acolhimento institucional faz parte das formas atuais de proteção legalmente existentes no Brasil aplicadas em caso de violação dos direitos à crianças e adolescentes. Esta forma de intervenção do Estado é feita através de entidades de atendimento a criança e ao adolescente espalhadas por todo o Brasil, que são de acordo com o artigo 90 do ECA e a Lei 12.010 de 03 de agosto de 2009, responsáveis pelo planejamento e execução de programas de proteção e sócio-educativos destinados as crianças e aos adolescentes. Dentre estas entidades de atendimento existentes na legislação brasileira, as que funcionam em regime de acolhimento institucional podem ser divididas em três modalidades: Abrigo Institucional para Pequenos Grupos, Casa-lar e Casa de Passagem. O objetivo desta dissertação é pensar este espaço como um lugar produtor e reprodutor de significados sobre o que venha a ser família, acolhimento institucional, cuidado/proteção/controle para as crianças e adolescentes abrigados na Casa de Passagem III, em Natal - RN.  Na pesquisa de campo realizada com crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional na Casa mencionada, no período de março de 2012 a abril de 2013, foi possível conhecer algumas significações construídas sobre família e acolhimento institucional por parte daqueles que vivenciam e/ou vivenciaram o esse processo.

2012
Dissertações
1
  • EMERSON HENRIQUE DA SILVA
  • Conhecimento, Sociabilidade e Lazer em Jogos Online: Uma etnografia na “Lan House do Paulo” em São Gonçalo do Amarante – RN

     

  • Orientador : ELIANE TANIA MARTINS DE FREITAS
  • Data: 19/03/2012
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  • Em uma sociedade extremamente dinâmica como a que vivemos, ter acesso ao mundo virtual é uma prática cada vez mais comum, seja com a finalidade estudar, trabalhar ou ainda de procurar lazer através de chats, sites de relacionamento e jogos, sendo incorporada pelos mais variados grupos que acabam por se apropriarem dessas novas possibilidades de interação, moldando-as de forma a adequarem-nas às suas necessidades/vontades. As finalidades específicas buscadas através do uso das ferramentas disponibilizadas pela internet podem variar consideravelmente quando se leva em conta grupos específicos de usuários, o que torna o tema bastante relevante à problematização, principalmente quando levamos em conta o acesso através de lan houses. A presente pesquisa busca estudar as redes de conhecimento, sociabilidade e lazer formadas pelos jovens frequentadores da “Lan House do Paulo” no município de São Gonçalo do Amarante – RN tendo por base a utilização do jogo de interpretação de personagens online World of Warcraft, o qual torna possível a interação de diversos usuários através de um avatar residente em um mundo virtual, problematizando teoricamente a importância desse tipo de plataforma para o desenvolvimento e manutenção das interações sociais entre seus usuários.

2
  • JULYANA VILAR DE FRANCA MANGUINHO
  • Arte, prazer e bisturi: construção corporal através da body modification

     

  • Orientador : ELISETE SCHWADE
  • Data: 30/03/2012
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  • Diante da pesquisa de campo realizada com um grupo ligado ao universo da body modification, é possível perceber alguns usos e significados associados a essas formas de intervenções corporais. A body modification ou modificação corporal faz parte do circuito dos piercings e tatuagens, no entanto, são formas menos diluídas socialmente e consideradas mais extremas, como: escarificações, alargadores, implantes subcutâneos, língua bifurcada, surfaces e suspensões corporais. O objetivo desta Dissertação é lançar um olhar antropológico sobre essas práticas, contextualizando os sujeitos envolvidos com essas técnicas, situando-os dentro de um enfoque relacional, percebendo seus percursos e trajetórias. As discussões estão centradas em torno da noção de construção corporal e estilo de vida na cidade. Ideais como distinção pessoal e imitação prestigiosa também estão presentes nesse universo, bem como questões ligadas a gênero, prazer, arte, e ao chamado circuito “alternativo”. Dessa forma, a etnografia aqui apresentada demonstra o caráter complexo e contemporâneo dessas práticas de marcações corporais, em que o corpo aparece como elemento central nas experiências dos sujeitos desta pesquisa.

3
  • RAQUEL SOUZA DA SILVA
  • Twitter e ciberativismo: o movimento social da hashtag “#ForaMicarla” em Natal-RN

  • Orientador : ELIANE TANIA MARTINS DE FREITAS
  • Data: 27/04/2012
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  • A fluidez espacial e temporal condicionada pelas tecnologias online de interação social vem possibilitando que ações coletivas de protesto e ativismo surjam a cada dia no ciberespaço – o ciberativismo. Se antes estas ações estavam localizadas em fronteiras geográficas, hoje as reivindicações e mobilizações extrapolam o local, se conectam ao global, e ao mesmo tempo, retornam ao regional por meio da virtualidade digital. Dentro deste contexto da relação entre tecnologia digital e fluxo de sociabilidade global, emerge em outubro de 2010 o movimento social da hashtag “#ForaMicarla”, que significa a insatisfação dos cibernautas natalenses do Twitter com a atual gestão da prefeitura da cidade de Natal-RN, Micarla de Sousa (Partido Verde). Podemos encontrar no centro deste movimento e de outros que surgiram no mundo na mesma época uma condição tecnológica do Twitter, sendo a hashtag “#”. Partindo deste cenário, esta pesquisa busca analisar como a relação dos agentes do movimento da hashtag “ForaMicarla”, tendo como princípio que ele foi formado em rede  no Twitter e é mantido na plataforma de forma cotidiana, pode criar um novo tipo de cultura política. Assim, esta pesquisa problematiza teoricamente a importância do Twitter e dos movimentos que emergem na plataforma e através dela para compreensão das reivindicações sociais e políticas do mundo contemporâneo e dessa esfera pública, que agora parece incluir o ciberespaço.

     

4
  • BRUNO GOULART MACHADO SILVA
  • “Nego Veio é um Sofrer”: uma etnografia da subalternidade e do subalterno numa irmandade do
    Rosário.
  • Orientador : JULIE ANTOINETTE CAVIGNAC
  • Data: 15/06/2012
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  • O objeto deste trabalho é a irmandade de São Sebastião e Nossa Senhora do Rosário da cidade de Jardim do Seridó (RN), irmandade negra no sertão potiguar. A devoção a Nossa Senhora do Rosário, no Brasil colônia, organizou-se institucionalmente através de irmandades católicas de homens pretos. Estas floresceram no Brasil até a abolição e receberam o apoio da Igreja, dos senhores e da população em geral, ao contrário de grande parte das expressões religiosas afro-brasileiras. Hoje, contrariando o pessimismo sentimental dos folcloristas, elas ainda continuam ativas e ocupam um lugar de destaque no calendário festivo de várias cidades no Brasil, e em particular no Seridó.

    O ponto de partida da pesquisa é a aparente valorização da irmandade por parte da elite local, postura que esconde relações assimétricas entre os negros do Rosário e as autoridades locais, tendo como consequência o fato de os integrantes da irmandade ocuparem uma posição subalterna dentro dela própria. A referida subalternidade se dá, principalmente, na esfera pública, pois os negros do Rosário não se representam politicamente e nem discursivamente. Para discutir essa ideia, faz-se um breve histórico dessas instituições católicas, bem como uma descrição das relações entre os negros do Rosário e as elites da cidade. Em seguida, o fenômeno é analisado enquanto folclore e/ou religião e sob a perspectiva dos vários agentes que intervêm no processo. Em outro momento, será apresentada a maneira como o grupo formula suas próprias representações da história, das formas devocionais e de suas vivências políticoreligiosas.

    Nesse sentido, é traçada uma etnografia da subalternidade pensada como a análise do processo que leva os negros do Rosário a se tornarem um grupo subalterno. É delineada, também, a percepção que este grupo tem da sua posição, a partir de um ensaio de etnografia do sujeito subalterno. A pesquisa de campo, centrada no grupo do Rosário, foi realizada entre agosto de 2010 e janeiro de 2012 e incluiu outros agentes (como tesoureiros, padres e intelectuais). Além disso, como complementação metodológica, foram utilizadas pesquisa documental, fotografias, bem como filmagens das festas e apresentações públicas.


5
  • MAIRA SAMARA DE LIMA FREIRE
  • "É a luta da gente!": Juventude e Etnicidade na Comunidade Quilombola de Capoeiras (RN)

     

  • Orientador : EDMUNDO MARCELO MENDES PEREIRA
  • Data: 28/08/2012
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  • Proponho neste trabalho refletir sobre a formação de uma juventude quilombola enquanto “sujeito político”, tomando por base as experiências e expectativas pessoais e os projetos sociais destes na construção de uma identidade política quilombola na comunidade quilombola de Capoeiras, localizada no município de Macaíba (RN). Lanço olhar especialmente sobre duas situações sociais, os projetos do Pau-Furado Juvenil e a da Swingueira Quilombola, danças que têm como protagonistas ou como público-alvo parcelas dos “jovens” da “comunidade” que nestes legitimam e inovam suas tradições e que desempenham papeis e posicionamentos cruciais na construção das identidades étnica e de geração dentro de um projeto político de comunidade. Procura-se perceber o lugar da “juventude” nesse novo contexto de afirmação política e identitária. Trata-se, portanto, de compreender a juventude localmente em sua  diversidade a partir de diferentes contextos sociais, culturais, políticos e econômicos.

6
  • DANILO DUARTE COSTA E SILVA
  • “A ROÇA É NOSSA...”:

    Uma perspectiva antropológica da relação  do homem com o meio-ambiente sertanejo

  • Orientador : FRANCISCA DE SOUZA MILLER
  • Data: 28/09/2012
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  • Nos dias atuais a relação homem e meio ambiente tem sido ampliada tanto na mídia como na comunidade científica atingindo níveis  antes não  alcançados. Pensar em termos de relação harmoniosa entre uma comunidade tradicional e o meio ambiente tem sido visto, por uma parcela da comunidade científica, como algo improvável, uma vez que partem do pressuposto que a natureza deve ser preservada com base em uma espécie de “mito intocável”. Em meio a tal situação na zona rural do município de Lagoa Nova (RN) uma comunidade recentemente surpreendeu um órgão de pesquisa estatal,  dando indícios de um provável amplo conhecimento do meio ambiente local, uma vez que as técnicas tradicionais de manejo da mandioca superaram a produção desenvolvida com base nas técnicas apresentadas pelo órgão estatal de pesquisa (fato este que culminou com a saída do órgão de pesquisa da comunidade). O conhecimento da técnica de manejo de mandioca desenvolvida ao longo do tempo em uma relação de adaptação com o  meio ambiente  nos faz pensar até que ponto esta relação pode ou não ser observada em outros setores da comunidade.

    Em meio a tal situação a presente pesquisa tem como intuito analisar, com base na abordagem teórico interpretativa da ecologia cultural a relação da comunidade quilombola Macambira (zona rural de Lagoa Nova – RN – Brasil) com o meio ambiente, tendo então o intuito de contribuir (seja confirmando ou indo de encontro) com a discussão atual da relação homem e meio ambiente.

7
  • LANNA PATRÍCIA MARQUES DO NASCIMENTO
  • VEM OUVIR O VERSO DE TEU CANTADOR: amos, cantadores e toadas no Boi-Bumbá Caprichoso - Belém, PA.

  • Orientador : LUIZ CARVALHO DE ASSUNCAO
  • Data: 08/10/2012
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  • Esta dissertação tem como objetivo investigar os cantadores e as toadas na brincadeira do boi-bumbá, trazendo para o debate questões que se agregam em torno da construção e da performatização dos papéis de amo e de cantador no Boi-Bumbá Caprichoso de Belém-PA e explorando o âmbito das toadas no que diz respeito as suas características, funções, os usos que delas são feitos e as relações que se estabelecem entre elas e os cantadores. No capítulo I, descreve a entrada no campo, apresentando o boi Caprichoso, os principais interlocutores e dois dos momentos em que se constitui a brincadeira neste boi: os ensaios e as apresentações. No capítulo II faz uma reflexão sobre os cantadores e as toadas, tratando mais especificamente da performatização dos papeis de amo e de cantador, como também das características, usos e funções das toadas cantadas e compostas. Por ultimo, o capítulo III apresenta o relato da encerração (momento de encerramento da brincadeira), os conflitos entre os amos e as novas perspectivas de produção da brincadeira.

8
  • FABIOLA TAÍSE DA SILVA ARAÚJO
  • “Deficiência, mobilidade e sociabilidade: um estudo antropológico sobre trajetórias e projetos de vida em Natal/RN”

  • Orientador : CARLOS GUILHERME OCTAVIANO DO VALLE
  • Data: 19/11/2012
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  • O presente trabalho pretende apresentar uma reflexão acerca da constituição social da experiência da sexualidade e do corpo entre pessoas com deficiência física que freqüentam a ADEFERN (Associação dos Deficientes Físicos do RN). O objetivo do texto é entender como se dá à construção social da experiência da sexualidade e do corpo entre pessoas com deficiência física. Nossa problemática pretende analisar o que os sujeitos da pesquisa entendem por sexualidade e como vivenciam essas experiências. Nossa metodologia consiste em pesquisa etnográfica, entrevistas semi-estruturas e observação participante; e história de vida, no intuito de entender a trajetória de vida dessas pessoas e a experiência da sexualidade. Pretendemos expandir o campo para outras instituições que realizam trabalhos com pessoas deficientes, tais como: SADEFERN e Companhia de Dança Contemporânea Gira Dança, entre outros espaços e redes sociais. Nosso objetivo de investigação desses diversos espaços é entender quais os caminhos traçados por essas pessoas, se existe interligação entre esses espaços, e se isso constitui um recorte de interações e sociabilidades entre pessoas com deficiência física em Natal/RN.

9
  • JOSEYLSON FAGNER DOS SANTOS
  • Femininos de montar: uma etnografia sobre experiências de gênero entre drag queens.

  • Orientador : BERENICE ALVES DE MELO BENTO
  • Data: 26/11/2012
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  • O texto apresenta uma discussão sobre corpo e gênero na experiência de drag queens na
    cidade de Natal (RN). A partir das diferentes concepções que marcam os processos
    identitários sobre sujeitos que realizam transformação de gênero (travestis, transexuais,
    transformistas), a justificativa por estudar o personagem drag se observa como um meio de
    entender que questões são importantes no momento de assumir tal posição. Nesse sentido, é
    necessária uma articulação entre os variados conceitos responsáveis por esta definição, além
    de considerar o processo histórico e cultural responsável pela criação de categorias,
    estereótipos e identidades entre estes indivíduos. Desse modo será possível realizar uma
    análise crítica sobre as diferentes cargas sociais presentes em cada representação e
    compreender o que está em jogo na atribuição de nomenclaturas e terminologias que são
    aplicadas às diferentes expressões de metamorfose de gênero. Esta etnografia contempla o
    debate a partir de um trabalho de campo realizado em estabelecimentos de sociabilidade
    LGBT e outros espaços de atuação destas pessoas, verificando suas dinâmicas nestes lugares e
    investigando relações entre intérpretes, máscaras e personagens também nos bastidores da
    cena da qual participam.

10
  • ANDRESSA LIDICY MORAIS LIMA
  • OKUPAR, RESISTIR, INSISTIR: Uma etnografia das práticas de ocupação urbana – Fortaleza/ Ceará.

  • Orientador : ELISETE SCHWADE
  • Data: 14/12/2012
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  • O objetivo dessa dissertação é compreender as relações construídas entre sujeitos que
    ocupam prédios em estado  de abandono para revitalizá-los  -  chamados  okupas,
    observando quais significados tais indivíduos constroem sobre a prática de  ocupação e
    de que modo se organizam para a construção e manutenção  de um projeto de vida
    coletivo. Tendo a  Okupa Squat Torém, localizada no bairro de Fátima na zona sul da
    cidade de Fortaleza-CE, como  lócus  observado e através do método etnográfico,
    acompanhei  as práticas sociais desse segmento urbano.  Investi numa coleta de dados
    que revelasse o costume dos okupas e seus hábitos domésticos, dentro e também fora da
    okupa, dando relevo a situações de interação, a exemplo de  ocasiões mais adequadas
    para observar a negociação constante e o requinte de sua astúcia  para intervir na cidade.
    Dentre os objetivos dessa pesquisa, o principal é observar quais sentidos são atribuídos
    a prática da ocupação pelos  okupas.  Para isso, refletindo  a partir das especificidades
    desse fenômeno urbano  e  dialogando principalmente com a tradição de pesquisas nesse
    campo da Antropologia,  procurei abordar algumas questões relativas a prática da
    okupação  e a organização do grupo, quais os princípios e os movimentos que esses
    interlocutores fazem com a cidade e de onde parte a sua prática em relação com as
    questões que fundamentam suas intervenções. A apropriação feita pelos sujeitos sobre o
    espaço urbano  significa aqui compreendê-los como expressão cultural de uma série de
    valores coletivos, fruto  da vivência e percepção dos próprios  okupas.  A  intenção é
    mostrar como essa prática de intervenção e ação coletiva tem se apresentado na
    contemporaneidade e de que maneira minha etnografia pode contribuir para um diálogo
    sobre as práticas de mobilização e atualização da cidade considerando ainda a Teoria do
    Reconhecimento de Axel Honeth (2003) como uma categoria analítica útil para
    descrever as formas de reciprocidade vivenciadas pelos okupas.
11
  • ISABEL MARTINS MOREIRA
  • O Algodão Sem Veneno do Assentamento Queimadas, na Paraíba: Agentes sociais, alinhamento em “rede”, produção e comercialização.

  • Orientador : ELISETE SCHWADE
  • Data: 19/12/2012
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  • Este trabalho busca analisar as relações sociais em torno do “Algodão Sem Veneno do Assentamento Queimadas” e os significados, para um grupo de agricultores no agreste paraibano, da necessidade de se produzir uma agricultura sem veneno. No município de Remígio, PB, a experiência de um agricultor em plantar algodão sem o uso de agrotóxicos é o ponto de partida para um alinhamento de agentes sociais em “rede” para a produção e comercialização do algodão sem veneno. Composta por empresários que transformam a matéria prima em bem de consumo, mediadores associados a ONG Arribaçã e os próprios agricultores, o que vem sido reconhecido com Rede Paraíba de Algodão Agroecológico é o contexto que liga a mercadoria aos mercados consumidores de produtos “verdes” influenciado pelo que é aqui definido como “ethos ecológico”.

2011
Dissertações
1
  • CARLOS EDUARDO DE BRITO PEREIRA
  • De volta pros braços da rainha dos céus: Migração, Memória e festa em Caicó.

  • Orientador : LUCIANA DE OLIVEIRA CHIANCA
  • Data: 18/03/2011
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  • A proposta do presente trabalho tem o objetivo de compreender os significados particulares que a Festa de Sant’Ana padroeira de Caicó/RN,  representa  ao ocupar um lugar central no calendário festivo-religioso da cidade, como universo simbólico do “sagrado-profano", como espaços indissociáveis que  abre inúmeras possibilidades de saber: por meio da migração de “retorno”, do tecer laços com o outro e criando vínculo de suas redes de sociabilidade, e de pertencimento, gerando conhecimento e códigos que refletem no caicoense um mundo próprio de ser, ou seja, uma significação que é construída a partir da festa, projetando ao seu redor um mundo cultural.  E, por  fim a constatação de que ela preserva o seu valor ao conservar sua tradição e ao abrir espaço para a modernidade, não se enfraquecendo mas sofrendo metamorfoses do tempo e do espaço, podendo ser percebida nas relações sociais e laços culturais envoltos pelo momento de fé religiosa.

2
  • JOCIARA ALVES NOBREGA
  •  

    TECENDO VIVÊNCIAS E SENTIDOS DO CÂNCER INFANTIL: Família, Doença e Redes de Apoio Social em Natal-RN

     

     

  • Orientador : CARLOS GUILHERME OCTAVIANO DO VALLE
  • Data: 27/06/2011
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  • Este trabalho aborda experiências ligadas ao tratamento do câncer infantil vividas por crianças, mães e famílias das classes populares urbanas e do interior do Rio Grande do Norte, tendo como locação etnográfica o Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GACC) do RN. No GACC, tanto a mãe, definida como acompanhante, como a criança, classificada como paciente, ficam abrigadas mais comumente em razão das práticas terapêuticas e de tratamento pelas quais passam as crianças. O objetivo desse estudo é focar o itinerário terapêutico, para além da criança que sofre a enfermidade, na família como um todo, pois o universo moral do tipo de família em questão implica o envolvimento de todo o núcleo parental no tratamento da moléstia da criança, que é, por isso, vivenciada como uma questão familiar. Pretendemos também entender a construção de sentidos para a doença, tratando das relações de continuidade ideológica entre as famílias e o GACC, pois eles constroem-se no entrecruzamento de ambas as esferas, que recorrem, cada uma de modo particular, às explicações médicas, religiosas e emocionais. Foi aplicado o método etnográfico na pesquisa feita na entidade e em outros contextos, tais como as residências familiares. Através de entrevistas densas e conversas com informantes, também tentamos resgatar o processo do tratamento fora do GACC, alcançando o contexto familiar. Constatou-se que a entidade gera uma negociação de identidades, que perpassa, então, a família como um todo através da criança e, sobretudo, da mãe, afetando, de algum modo, a sua organização interna. Além disso, os sentidos para a experiência da enfermidade apareceram moldados tanto pela esfera familiar como pela lógica das estruturas públicas de saúde.

3
  • JOÃO PAULO PINTO CÓ
  • FILHOS DA INDEPENDÊNCIA: ETNOGRAFANDO OS ESTUDANTES BISSAU-GUINEENSES DO PEC-G EM FORTALEZA/CE E NATAL/RN

  • Orientador : LISABETE CORADINI
  • Data: 30/09/2011
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  • A Diáspora africana contemporânea no Brasil busca compreender o universo dos estudantes guineenses do Programa Estudantes - Convênio de Graduação nas cidades de Fortaleza/CE e Natal/RN com relação as estratégias de convivência e adaptação. O aluno estrangeiro selecionado neste programa cursa gratuitamente a graduação nas IFES. Em contrapartida, deve atender a alguns critérios: entre eles, provar que é capaz de custear suas despesas no Brasil, ter certificado de conclusão do ensino médio ou curso equivalente e proficiência em língua portuguesa, no caso dos alunos de nações fora da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).  São selecionados preferencialmente estudantes inseridos em programas de desenvolvimento socioeconômico, acordados entre o Brasil e seus países de origem. Os acordos determinam a obrigação do aluno de regressar ao seu país de origem e atuar na área na qual se graduou.

    Esses estudantes ao chegarem aqui no Brasil, evidentemente, trazem consigo suas culturas guineenses que ao entrarem em contato com a sociedade brasileira adquirem uma “identidade hibrida”. Assim, este trabalho analisa a Diáspora Africana Contemporânea no Brasil com um especial recorte sobre os estudantes da Guiné-Bissau em Fortaleza e em Natal apoiando-se em Antropologia do Próximo que com certeza é de grande valor para entender a vivência desses estudantes que na terra dos outros vivem. Assim, o local (Brasil) assume todo o seu sentido em relação ao distante antes ligados pela história colonial e hoje ligados pelas relações internacionais ou diplomáticas. Finalmente, a construção de uma “nova” identidade, uma cultura guineense na Diáspora –Brasil configura-se numa celebração móvel: formada e transformada sucessivamente em relação às formas com as quais o indivíduo é representado ou interpelado nos sistemas culturais envolventes.

4
  • EMA MARIA DOS SANTOS SILVEIRA
  • Cultura e Desenvolvimento entre os Kozarini, subgrupo paresi.

  • Orientador : EDMUNDO MARCELO MENDES PEREIRA
  • Data: 04/10/2011
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  • A proposta deste estudo é analisar a construção da noção de “cultura” entre o subgrupo Paresi Kozarini em contextos de etnodesenvolvimento. Nosso enfoque principal é o presente etnográfico, em especial da Aldeia Rio Verde (Terra Indígena Paresi), entendendo-a como sínteses dos processos históricos, que traduzem o atual momento do grupo Indígena Paresi, focalizando  nos processos e relações sociais engendradas ao longo da trajetória de contato com a sociedade nacional,  e no modo como isso repercute na modernidade. Na medida em que a quase totalidade do grupo indígena que conhecemos usualmente como Paresi se auto-reconhecem como Kozarini, atenta-se também, para o modo como estes se pensam e como se diferenciam perante aos demais Paresi, os não índios e outros grupos indígenas, e quais os etnos (os elementos da cultura) que elegeram para se representar e administrar as questões externas a sua cultura e sociedade.

5
  • SUSANA ROLIM SOARES SILVA
  • “Aqui o nativo é o caboclo...”: O processo de construção da identidade cabocla em Mirandas/RN.

  • Orientador : LUCIANA DE OLIVEIRA CHIANCA
  • Data: 24/10/2011
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  • Esta dissertação é resultado de três anos de pesquisa junto à Mirandas, localidade distante 22 quilômetros do município de Caraúbas, região Oeste do estado do Rio Grande do Norte. Durante esse período, percebemos que os mirandenses se identificam e são identificados por outros grupos como “caboclos”, categoria essa que no discurso corrente tanto em Mirandas quanto no referido município, está relacionada à versão de que os antepassados mirandenses teriam chegado à região advindos da cidade do Cabo em Pernambuco. No entanto, o uso que é feito dessa versão termina encobrindo ou mesmo relegando elementos definidores da identidade dos mirandenses, tal como a possível descendência indígena dos mesmos, que é acionada, sobretudo, através de narrativas que apontam para a existência de uniões entre portugueses e índias “pegas a casco de cavalo” (MACÊDO, 2010; CAVIGNAC, 2003). Assim, essa etnografia traz à tona os elementos a partir dos quais os mirandenses definem sua identidade, que pode ser mais bem visualizada tanto a partir o uso que os “caboclos” fazem de sinais diacríticos (BARTH, 1998; OLIVEIRA, 1976) quanto das relações estabelecidas entre mirandenses e caraubenses. Relações essas que tornam manifestas as afinidades e tensões existentes entre os habitantes dos dois grupos e nos ajudam a entender como a identidade cabocla se atualiza a partir do paradoxo união/oposição aos caraubenses, tanto nos campos territorial e econômico quanto (e mais expressivamente) no campo religioso.

2010
Dissertações
1
  • ANA GRETEL ECHAZU
  • NATUREZA DE MULHER, NOME DE MÃE, MARCA DE NEGRA: Identidades em trânsito e políticas do corpo na comunidade quilombola de Boa Vista dos Negros

  • Orientador : JULIE ANTOINETTE CAVIGNAC
  • Data: 27/07/2010
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  • As políticas de saúde destinadas às mulheres da comunidade quilombola de Boa Vista são, de forma geral, as mesmas destinadas ao resto das mulheres da região rural do seridó norte-rio-grandense e também as que correspondem as regiões marginais do Brasil inteiro. Aqui, o corpo feminino é concebido sob parâmetros universalizantes que o tornam uma entidade homogênea e comparável com os outros corpos femininos a partir da sua tradução em índices , taxas e estatísticas. Nesse sentido, postulamos que são corpos nus, cuja intervenção não leva em conta os traços exteriores, aqueles chamados de culturais, como marcadores de identidade. Por outro lado, a noção de Saúde da Mulher Negra proposta por recentes políticas de Estado em âmbito nacional, mostra-se inexistente na comunidade. O corpo que exalta-se hoje a partir dos parâmetros da reivindicação étnica na comunidade é um corpo que se afirma como negro, mas também belo, jovem e, sobretudo, forte; aonde a noção estatal de saúde não penetra. Desta forma, as duas políticas concebem sujeitos sociais diferentes. Porém, existe outro espaço, que é o espaço das práticas vernáculas, no qual as mulheres expeimentam sim a articulação entre a feminilidade e a negritude, mas sob outros parâmetros que são local e historicamente delineados. Aqui, tanto as trajetórias das mulheres quanto as redes de parentesco e cuidado locais conformam-se como especialmente significativas, ajudando a compreender as concepções sobre o corpo das mulheres desta comunidade, e relevando a importância da maternidade como princípio ordenador de identidades sociais. Para isso, foi feito um trabalho de observação participante, com realização de uma série de 30 entrevistas com mulheres de Boa Vista e foi implementado um estudo das redes de parentesco organizadas ao redor do termo "mãe". Assim, demonstramos que existe um espaço prenhe de significados sobre o corpo feminino e a feminilidade que é construído a partir de uma interpretação local da tríplice condição de mulher, de mãe e de negra.
2
  • KARINA RACHEL GUERRA BRAGA
  • Modelando xamãs: o caso da tenda do suor

  • Orientador : EDMUNDO MARCELO MENDES PEREIRA
  • Data: 03/09/2010
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  • Esse trabalho pretende descrever e analisar as atividades de alguns dos atores que fazem parte do circuito neo-xamânico na Améria Latina, as redes globais que os ligam a “verdadeiros indígenas” e o intercâmbio de saberes práticos e simbólicos. Fazer o mapeamento das redes de “apadrinhamento”, do transito e fluxo de relações, que forma um jogo de constituição das autoridades neo-xamânicas. Esta linhagem de modeladores é alimentada pela troca de saberes em cursos de formação xamânica, cerimônias de celebração, encontros e vivências em centros holísticos e lugares sagrados. Os encontros são realizados com o objetivo de proporcionar ao participante  “vivenciar a cosmologia indígena” através de saunas, buscas da visão, ou cerimônias com bebidas sagradas tornando global o local.

3
  • JORGE HENRIQUE TEOTONIO DE LIMA MELO
  • "Kàjré: a vida social de uma machadinha krahô".

  • Orientador : EDMUNDO MARCELO MENDES PEREIRA
  • Data: 10/09/2010
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  • O presente trabalho propõe a análise de uma situação de “drama social” envolvendo a etnia Krahô (classificada na etnologia como pertencente ao grupo Jê-Timbira) e o Museu Paulista da Universidade de São Paulo, os quais classificamos como dois campos sociais distintos. O entendimento do “drama” se objetiva por meio do exame de cada um desses campos e da aproximação de ambos com base nas posições assumidas, dentro da rede de relações estabelecidas durante o processo social, por atores representativos tanto do campo Krahô quanto do que convencionamos chamar aqui de campo acadêmico-administrativo. É realizada uma abordagem etnográfica multi-situada, que busca complexificar a construção do “drama” e as posições na referida rede, levando-se em consideração projetos políticos institucionais, projetos pessoais e trajetórias de vida inscritos em uma perspectiva histórica. Pretende-se levantar discussões sobre a relação da formação dos museus histórico-científicos e etnográficos com práticas da disciplina antropológica, bem como o papel social dessas instituições e os processos de significação de objetos de cultura material indígena.

4
  • ELISA PAIVA DE ALMEIDA
  • EMBOLADA E OUTRAS COISAS DO FOLCLORE TULUSANO”.

    A EXPERIÊNCIA DA ASSOCIAÇÃO ESCAMBIAR EM TOULOUSE - FRANÇA

  • Orientador : LUIZ CARVALHO DE ASSUNCAO
  • Data: 13/12/2010
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  • A partir de meados da década de 80 do séc. XX, gêneros atribuídos à música do Nordeste brasileiro – notadamente o forró, o coco de embolada e o repente de viola – vêm sendo gradativamente incorporados à produção musical de artistas do sul da França ligados ao movimento occitanista, conectando atualmente vários músicos e grupos das regiões referidas dos dois países. Este trabalho se dedica a refletir sobre a experiência particular dos grupos formados pela Associação Escambiar, localizada na cidade de Toulouse, e especialmente a da dupla Fabulous Trobadors, cujas composições são feitas em grande parte sob forma de cocos de embolada. Observando as motivações e os processos que levaram à criação dos grupos desta associação e à sua atuação no presente, este estudo investiga o fenômeno transcultural que permite cruzar dois universos simbólicos através de discursos racionalizadores a respeito da música, e leva em conta a produção da localidade em meio a um debate político que envolve questões sobre identidade cultural e tradição.

5
  • STEPHANIE CAMPOS PAIVA MOREIRA
  • ANTROPOLOGIA DAS MEDIAÇÕES: Dos “pretos de Coqueiros” à comunidade quilombola do vale do Ceará Mirim

  • Orientador : CARLOS GUILHERME OCTAVIANO DO VALLE
  • Data: 15/12/2010
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  • O presente trabalho propõe-se a realizar uma etnografia dos processos de mediação de ações sociais diversas, que partem de distintos sujeitos da comunidade negra rural Coqueiros e de outros sujeitos em interação. Estes atores encontram-se ligados às esferas do campo religioso, da militância de movimentos sociais, de grupos sindicais ou de instituições governamentais através das várias políticas públicas por elas desenvolvidas e administradas. Entre estas se incluem as políticas etnicamente diferenciadas que chegam a diversos grupos tradicionais através de autoridades municipais, estaduais e federais, tais como a SEPPIR, a COEPPIR, bem como através de políticas públicas universalistas de habitação, trabalho e assistência social, entre outras. Meu ponto de partida é, portanto, a comunidade rural de Coqueiros, integrante de um amplo grupo de possíveis beneficiários das políticas que acabo de mencionar, o que me fornece a possibilidade de perceber o fluxo de agentes políticos que transitam entre espaços discursivos, políticos e institucionais variados em diferentes momentos de suas trajetórias. Desenvolvo questões relacionadas aos campos de mediação que conformam a história local ou, melhor dizendo, a história do processo de transformação do campo de mediações em Coqueiros, percebendo, portanto, como a história local se comunica com o presente, informando-o e dando sentido à conformação atual de administração de ações sociais e políticas bem como do fluxo de informações, posições e influências dentro do grupo, no que consiste o problema central deste trabalho.

2009
Dissertações
1
  • LUIZ AUGUSTO SOUZA DO NASCIMENTO
  • “Prwncwyj: drama social e resolução de conflito entre os Apãniekra Jê-Timbira”

  • Orientador : EDMUNDO MARCELO MENDES PEREIRA
  • Data: 01/07/2009
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  • “Prwncwyj: drama social e resolução de conflito entre os Apãniekra Jê-Timbira”

2
  • CYRO HOLANDO DE ALMEIDA LINS
  • "O zambê é nossa cultura“. O coco de zambê e a emergência étnica em Simbaúma, Tibau do Sul - RN

  • Orientador : JULIE ANTOINETTE CAVIGNAC
  • Data: 10/07/2009
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  • "O zambê é nossa cultura“. O coco de zambê e a emergência étnica em Simbaúma, Tibau do Sul - RN

3
  • CYRO HOLANDO DE ALMEIDA LINS
  • "O zambê é nossa cultura“. O coco de zambê e a emergência étnica em Simbaúma, Tibau do Sul - RN

  • Orientador : JULIE ANTOINETTE CAVIGNAC
  • Data: 10/07/2009
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  • "O zambê é nossa cultura“. O coco de zambê e a emergência étnica em Simbaúma, Tibau do Sul - RN

4
  • FLAVIO RODRIGO FREIRE FERREIRA
  • Os forrós da Serra da Gameleira; etnicidade, festa e sociabilidade.

  • Orientador : JULIE ANTOINETTE CAVIGNAC
  • Data: 20/07/2009
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  • Os forrós da Serra da Gameleira; etnicidade, festa e sociabilidade.

5
  • RODOLPHO RODRIGUES DE SA
  • NUNCA DEIXAMOS DE SER ÍNDIO – Educação escolar e experiencia na(da) cidade entre os Ramkokamekrá-Kanela
  • Orientador : LUCIANA DE OLIVEIRA CHIANCA
  • Data: 28/08/2009
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  • NUNCA DEIXAMOS DE SER ÍNDIO – Educação escolar e experiencia na(da) cidade entre os Ramkokamekrá-Kanela
6
  • HENRIQUE JOSE COCENTINO FERNANDES
  • Etnografia visual das mangabeiras nas matas do tabuleiro costeiro”

  • Orientador : LISABETE CORADINI
  • Data: 04/09/2009
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  • Etnografia visual das mangabeiras nas matas do tabuleiro costeiro”

7
  • JEAN CLAUDE RODRIGUES DA FONSECA
  • “Gênero e Relações de Poder no Pentecostalismo: Estudo Comparativo entre a Igreja de Cristo no Brasil e a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra. "

  • Orientador : ELIANE TANIA MARTINS DE FREITAS
  • Data: 08/09/2009
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  • “Gênero e Relações de Poder no Pentecostalismo: Estudo Comparativo entre a Igreja de Cristo no Brasil e a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra. ”

8
  • JAINA LINHARES ALCANTARA
  • “SOCIABILIDADES E HEDONISMOS: Um estudo comparativo entre redes sociais de jovens de camadas médias usuários de psicoativas sintéticas – Fortaleza - Ceará”
  • Orientador : CARLOS GUILHERME OCTAVIANO DO VALLE
  • Data: 21/09/2009
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  • “SOCIABILIDADES E HEDONISMOS: Um estudo comparativo entre redes sociais de jovens de camadas médias usuários de psicoativas sintéticas – Fortaleza - Ceará”
2008
Dissertações
1
  • FRANCISCO JANIO FILGUEIRA AIRES
  • O “espetáculo do cabra-macho”: um estudo sobre os vaqueiros nas vaquejadas no Rio Grande do Norte
  • Data: 18/07/2008
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  • O presente trabalho, ao enfocar as vaquejadas contemporâneas no Rio Grande do Norte como atividade esportiva e como expressão lúdica, tem a proposta de pensar os significados associados aos vaqueiros, especialmente aqueles construídos na interface com as relações de gênero. Por isso, esta pesquisa centrou a sua abordagem nas práticas dos vaqueiros nas vaquejadas, com o objetivo de compreender os diversos aspectos que apontam para a masculinidade, uma vez que os seus sentidos são constituídos pelos envolvimentos, relações e concorrências entre os seus competidores. As significações são articuladas pela busca de uma performance para ser campeão e pelas práticas fora da pista de competição executadas entre os seus personagens no contexto das situações sociais específicas, a saber: a festa e os momentos de lazer. Tais práticas foram objeto da pesquisa etnográfica, com a observação direta e entrevistas semi-estruturadas com os vaqueiros nos parques de vaquejadas, o que nos conduziu a realizar a análise qualitativa dos dados coletados. A pesquisa tem revelado que as trajetórias históricas e sociais diversas dos vaqueiros não provocam imediatamente uma crise nas relações de gênero, mas a formação de novos sentidos ressignificados pelos seus atores sociais em cada contexto histórico. A presença, portanto, dos vaqueiros conduz a outros modelos de masculinidade configurados por expressões e pela inserção de novos figurantes, não exatamente advindos das atividades do campo, mas imbuídos dos elementos simbólicos da figura do vaqueiro, construída ao longo da história.
2
  • WANDERLEY GURGEL DE ALMEIDA
  • Relações interétnicas em conflito entre Wapixana e Macuxi na área indígena Raposa Serra do Sol
  • Data: 26/08/2008
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  • Esta dissertação apresenta uma análise do conflito interétnico entre Makuxi e Wapixana no momento atual na Maloca do Barro, Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, no Estado de Roraima. O campo teórico foi abordado na Etnologia, perseguindo situações na história local, com margens na etno-história. A pesquisa decorreu da necessidade de aprofundamento sobre as relações sociais e políticas indígenas, para o exercício profissional intercultural de professor, recorrendo a levantamento bibliográfico e observação participante como métodos; entrevistas não diretivas, fotografias, filmagens e registro em diário de campo, como técnicas realizadas no período de 2006 a 2007. Apesar de habitarem a mesma área e estabelecerem casamentos entre si, indivíduos e grupos expressam tensões, agravadas com a demarcação e reconhecimento legal da área, a qual gerou disputa inter e intra-etnias, principalmente com a intrusão de fazendeiros e rizicultores e a forma de influência governamental. Foi constatada uma relação de rivalidade, individual e coletiva, sugerindo o fortalecimento e não o fracionamento, das lutas políticas, internas e externas em meio à diversidade cultural e adversidade social. PALAVRAS CHAVE: Conflito interétnico. Demarcação. Etnologia de Roraima.
3
  • MARILU ALBANO DA SILVA
  • Da Cozinha ao Terreiro em Mutamba da Caieira (RN)
  • Data: 15/09/2008
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  • Neste trabalho refletimos sobre o uso social do espaço doméstico e, em particular, aquele reservado à preparação de alimentos. A cozinha é um espaço criador de relações sociais. Nela as famílias travam relações cotidianas com os vizinhos, num uso coletivo do espaço reservado à alimentação. Realizamos a nossa pesquisa empírica na Comunidade Mutamba da Caieira, localizada no município de Assu (RN). Para a coleta de dados fizemos uso do método etnográfico auxiliado pelo recuso fotográfico. Na discussão, demarcamos na casa três tipos de cozinhas: aquela reservada à família, a cozinha do terraço e a cozinha do terreiro. São cozinhas que se relacionam entre si com atividades e temporalidades diferenciadas. A comunicação de saberes em torno da culinária, operando um conjunto de atos simbólicos e rituais combinados com técnicas adequadas para a transformação dos alimentos. O estudo revela que o fazer doméstico realizado entre parentes e amigos forma teias de relações intracomunitárias no uso das três cozinhas. As redes de sociabilidades se atualizam num momento singular que costumeiramente acontece na comunidade, o Jogo do Pacará.
4
  • MARCOS ALEXANDRE DE SOUZA QUEIROZ
  • OS EXUS EM CASA DE CATIÇO: ETNOGRAFIA, REPRESENTAÇÕES , MAGIA
  • Orientador : LUIZ CARVALHO DE ASSUNCAO
  • Data: 19/09/2008
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  • OS EXUS EM CASA DE CATIÇO: ETNOGRAFIA, REPRESENTAÇÕES , MAGIA.
2007
Dissertações
1
  • ANDREIA REGINA MOURA MENDES
  • A Malhação do Judas: Rito e Identitade
  • Data: 07/07/2007
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  • Esta dissertação trata das representações elaboradas em torno do ritual da malhação do Judas num bairro da zona leste da cidade do Natal e das relações construídas pelos moradores locais com o objeto ritual. O principal objetivo da dissertação é explicitar o processo ritual e as interpretações locais dadas ao rito
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