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Publicação da EDUFRN vence Prêmio Jabuti com livro póstumo de Fayga Ostrower
07/02/2024 08:04


Karen Oliveira, Larissa Araújo, Giovana Góis de Agecom/UFRN

06.12.2024



Na data de seu lançamento, 9 de março de 2023, A Notável História do Homem-Listrado já tinha mais de 70 anos de idade. Mas, isso não impediu que o livro, escrito e ilustrado por Fayga Ostrower em 1947, e publicado pela Editora da UFRN (EDUFRN), vencesse o Prêmio Jabuti, na categoria Ilustração, em 5 de dezembro. A obra foi organizada por Ana Lewinsohn, sobrinha-neta da artista e professora do Departamento de Artes (Deart).


Exemplares de A Notável História do Homem-Listrado. Foto: Instituto Fayga Ostrower

 

 

Fayga escreveu e ilustrou o livro em comemoração ao nascimento de seu sobrinho Peter, a primeira criança de sua família nascida no Brasil. A obra ficou guardada por anos, até que Ana, sobrinha de Peter, decidiu pela publicação após ter acesso às artes pela primeira vez, em 2018. Dois anos depois, Noni Ostrower, filha da artista e presidente do Instituto Fayga Ostrower, doou 77 obras de sua mãe ao Núcleo de Arte e Cultura da UFRN (NAC/UFRN). A partir disso, Ana entrou em contato com a EDUFRN para buscar a publicação em forma de livro. “Os originais eram lâminas de papel, escritas e ilustradas por Fayga”, relata Helton Rubiano, vice-diretor da editora.


O texto original, escrito por Fayga em alemão, foi traduzido por Thomas Lewinsohn, pai da professora, e o design editorial foi feito por Rafael Campos, da editora. Assim, ficou pronto o livro. “Foi um processo lindo, abraçado por muitas mãos”, diz Ana Lewinsohn.


Para a professora, a história pode ser interpretada de muitas formas, mas os temas principais são a identidade de um povo e a luta pela sobrevivência. “Pensando que foi escrito e ilustrado no período pós-guerra, fim do holocausto, o livro nasce para celebrar a possibilidade de um recomeço de vida em um novo país”, relata.


“O homem listrado troca suas listras, que podem ser lidas como símbolo do povo judeu, por comida, pois sua família passava fome. Mas, ao voltar para casa, com as sacolas cheias de pães e sem suas listras, seus filhos e esposa ficam muito tristes e se recusam a comer”, conta Ana Lewinsohn sobre o livro. Após uma reviravolta que permite que o homem ganhe suas listras novamente, a família celebra comendo. Para a professora, a mensagem da obra para os dias de hoje “está no coletivo, na união, na percepção de um povo que deve dar as mãos para lutar pela liberdade e contra a desigualdade”.


Conquista

Para Helton, a conquista do Prêmio Jabuti significa o reconhecimento de uma equipe especializada na feitura de livros. “Leva a EDUFRN a um patamar nacional de qualidade editorial, visto que o livro concorreu com produções de todo o país”, afirma o vice-diretor. 

Ana Lewinsohn diz que receber o Jabuti é obter um reconhecimento de muito prestígio na literatura brasileira e que, acima de tudo, isso pode ajudar a potencializar o alcance das obras vencedoras. “É uma honra ter organizado um livro de uma pessoa tão fundamental para as artes e a arte-educação, como Fayga. Espero que a obra alcance muitas crianças, artistas, admiradores e pessoas que possam conhecê-la por esse livro”, declara Ana.


O livro pode ser comprado na sede da EDUFRN ou na cooperativa da Universidade, ambas localizadas no Centro de Convivência, ou lido on-line.


Apoio financeiro

A edição do livro contou com apoio financeiro do Núcleo de Arte e Cultura (NAC/UFRN). A organização da obra foi realizada pela professora Ana Caldas Lewinsohn, do Departamento de Artes (Deart/UFRN).


A equipe por trás dessa conquista inclui Teodora Alves, diretora do NAC; Helton Rubiano e Rafael Campos, diretor adjunto e designer da EDUFRN; e Noni Ostrower e Thomas Lewinsohn, do Instituto Fayga Ostrower. A parceria resultou em diversas ações promovidas pelo Núcleo, desde a incorporação do acervo até a organização de eventos como a exposição Fayga Ostrower: Artista Educadora e o lançamento da obra premiada. 

De acordo com o produtor cultural do NAC, Irley Silva, receber o Prêmio Jabuti não apenas representa um reconhecimento artístico notável, mas também contribui para a valorização e acesso democrático às artes, ressaltando o papel da UFRN no cenário cultural. “Agradecimentos especiais são estendidos à professora Penha Casado, ex-diretora da EDUFRN, e à atual diretora, professora Maria das Graças, pela visão e apoio contínuo. Além dela, ao museólogo do NAC, Gildo Santos, que colaborou no processo de envio do livro para impressão”, relata. 


A artista

Fayga Perla Ostrower nasceu em 1920 em Lodz, na Polônia, e chegou ao Brasil em 1934, aos 13 anos de idade. Sua família, judia, fugia da ameaça nazista na Europa. Após cursar Artes Gráficas na Fundação Getúlio Vargas (FGV), estudou em Nova York por seis meses. Entre 1954 e 1970, foi professora em diversas universidades brasileiras, assim como em instituições dos Estados Unidos e da Inglaterra.


Foi presidente da Associação Brasileira de Artes Plásticas, entre 1963 e 1966, e da comissão brasileira da International Society of Education Through Art (Insea) da Unesco, entre 1978 e 1982. Recebeu, em 1988, o Prêmio do Mérito Cultural, concedido pelo ex-presidente da república José Sarney. Em 1999, foi condecorada com o Grande Prêmio de Artes Plásticas pelo Ministério da Cultura.

Fayga Ostrower em 1956. Foto: Arquivo nacional

 

Prêmio de reconhecimento nacional

O Jabuti é considerado o prêmio literário mais tradicional do Brasil. Foi concebido por Edgar Cavalheiro e Mário da Silva Brito, estudiosos da literatura. A primeira cerimônia ocorreu em 1959 na antiga sede da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

O Jabuti vai além de apenas premiar escritores, valorizando, também, o trabalho de todos os profissionais envolvidos na concepção de um livro. Atualmente, conta com 21 categorias distribuídas em quatro eixos: Literatura, Não-ficção, Produção editorial e Inovação.

É a primeira vez que a EDUFRN vence o prêmio, mas a editora foi semifinalista em 2021, com o livro Culinária Selvagem: Saberes e Receitas de Plantas Alimentícias não Convencionais, de Michelle Jacob, Nilson Cintra e Angela Almeida, na categoria Economia Criativa. Fayga já havia recebido o Jabuti em 1999 pelo livro A Sensibilidade do Intelecto.

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