PGE/CB PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA CENTRO DE BIOCIÊNCIAS Telefone/Ramal: (33) 4222-34/401 https://posgraduacao.ufrn.br/pge

Banca de QUALIFICAÇÃO: VAGNER LACERDA VASQUEZ

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : VAGNER LACERDA VASQUEZ
DATA : 03/06/2024
HORA: 14:00
LOCAL: Departamento de Ecologia da UFRN e RNP meeting (online)
TÍTULO:

Recursos alimentares de primatas da Mata Atlântica e efeitos das mudanças climáticas na adequabilidade de Brachyteles e seus recursos


PALAVRAS-CHAVES:

Recursos alimentares de primatas da Mata Atlântica e efeitos das mudanças climáticas na adequabilidade de Brachyteles e seus recursos


PÁGINAS: 106
RESUMO:

Primatas são espécies arbóreas e semi-arbóreas, dependentes de plantas vasculares para suprirem suas necessidades ecológicas. São os mamíferos mais ameaçados de extinção em proporção, principalmente, pela perda e fragmentação do habitat, que podem ser potencializados pelas mudanças climáticas. O histórico de desmatamento e fragmentação da Mata Atlântica, somado à alta riqueza em espécies de primatas e as mudanças climáticas esperadas para essa região a torna fundamental para ações de conservação de primatas. Esta tese está dividida em três capítulos. No primeiro, investigamos a distribuição temporal e espacial dos estudos com informações sobre dieta dos primatas da Mata Atlântica, os principais táxons registrados como recursos alimentares, as partes das plantas mais consumidas por esses primatas e identificamos lacunas geográficas sobre o conhecimento da alimentação dessas espécies. Procuramos a literatura científica contendo registros de recursos alimentares para primatas da Mata Atlântica. Aproximadamente 96% dos registros foram de plantas, principalmente frutas (50%), folhas (31%) e flores (14%). A maioria das espécies, gêneros e famílias de plantas possui poucos registros. As famílias mais registradas foram Myrtaceae (n=440) e Fabaceae (n=392), e os gêneros foram Eugenia (n=123), Inga (n=113), Ficus (n=109) e Myrcia (n=102). Algumas espécies de primatas com antigos programas de conservação ou monitoramentos populacionais tiveram o maior número de registos. Os locais de estudo geralmente cobrem apenas uma pequena parte da distribuição geográfica das espécies de primatas, indicando um viés geográfico. Esses resultados destacam a escassez de pesquisas sobre a dieta dos primatas da Mata Atlântica, sendo especialmente preocupante para espécies ameaçadas como Callithrix aurita e Leontopithecus caissara, que possuem apenas notas ocasionais de história natural sobre recursos alimentares, e Sapajus robustus, que não possui nenhum registro de recurso alimentar. No segundo capítulo avaliamos os efeitos das mudanças climáticas nas distribuições dos muriquis (Brachyteles arachnoides e B. hypoxanthus) e seus principais recursos alimentares. Modelamos as distribuições atuais e futuras (2041–2061) dos muriquis e 46 plantas (26 para o B. arachnoides e 20 B. hypoxanthus) registradas na literatura como seus recursos alimentares. Nas distribuições geográficas dos muriquis, considerando diferentes cenários climáticos (um para o clima atual e quatro futuros), avaliamos: as áreas das distribuições modeladas de muriquis e plantas; a sobreposição entre as distribuições de muriquis e plantas; e o número de plantas por pixel. A distribuição de B. arachnoides variou entre 1% e 3% nos diferentes cenários, e prevê-se que a distribuição de B. hypoxanthus diminua em 45-62%. Em geral, as distribuições das plantas sofrerão reduções no futuro. A sobreposição entre as distribuições de muriquis e seus recursos será menor no clima futuro do que no atual, e quanto pior o cenário climático, menor esse valor. O número de plantas por pixel será menor no futuro do que no clima atual para B. arachnoides, e esta redução será menor para B. hypoxanthus. Outros estudos demonstraram potenciais reduções nas distribuições futuras de muriquis e plantas da Mata Atlântica. A redução esperada nas distribuições de B. hypoxanthus e seus recursos é maior do que para B. arachnoides e seus recursos. A potencial indisponibilidade futura de recursos alimentares, especialmente para B. hypoxanthus, é um fator de ameaça no cenário de mudanças climáticas, especialmente considerando a elevada perda e fragmentação de habitats na Mata Atlântica. A viabilidade populacional, associada à manutenção de grandes áreas de habitat, e a dispersão, associada à ligação entre habitats, são fundamentais para organismos que estarão sujeitos ao deslocamento ou reduções de áreas climaticamente adequados. No terceiro capítulo (em processamento), faremos um diagnóstico da conservação dos fragmentos florestais nas distribuições geográficas dos muriquis diante das mudanças climáticas. Nesses fragmentos calcularemos as médias de adequabilidade atuais e futuras desses primatas e de seus recursos alimentares; e o número máximo de espécies de recursos nos cenários atual e futuro. Também, calcularemos a área dos fragmentos e a conectividade da paisagem, e identificaremos os fragmentos protegidos por unidades de conservação e com ocorrência conhecida desses primatas. Assim, categorizaremos cada fragmento em quatro classes de estratégias de conservação: alta oportunidade, baixa oportunidade, alto desafio e baixo desafio.

 


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - BIANCA INGBERMAN
Presidente - 1914239 - MIRIAM PLAZA PINTO
Externo à Instituição - RAONE BELTRÃO MENDES
Interna - 3058386 - VANESSA GRAZIELE STAGGEMEIER
Notícia cadastrada em: 20/05/2024 17:01
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