Banca de DEFESA: LUANE MARIA STAMATTO FERREIRA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LUANE MARIA STAMATTO FERREIRA
DATA : 28/02/2019
HORA: 14:00
LOCAL: Sala Darwin
TÍTULO:

 O chamado da selva (Neotropical): ecologia acústica de longa distância do lobo-guará


PALAVRAS-CHAVES:

Chrysocyon brachyurus, canídeo, vocalização, propagação sonora, monitoramento acústico passivo, padrões temporais, playback.


PÁGINAS: 189
RESUMO:

Os lobos-guará são difíceis de serem observados na natureza devido as suas baixas densidades e hábitos crípticos e noturno-crepusculares. Explorar seu chamado de longa distância – o aulido – pode ser uma alternativa eficiente para estudar a espécie. Usamos uma combinação de metodologias: reproduzimos aulidos no ambiente natural da espécie para testar como animais de vida livre responderiam e para entender as propriedades de propagação dessa vocalização; gravando sequências de aulidos espontâneas de lobos-guará selvagens através de uma rede de gravadores autônomos por oito meses para revelar padrões temporais de longo prazo; e registramos os sons produzidos em cativeiro para conferir a discriminação de gênero e individualidade no aulido e testar sua aplicação em gravações de ambiente natural. Nós descobrimos que os lobos-guará vocalizam mais no início da noite, e esse foi o único período em que obtivemos respostas durante o experimento de playback, apesar do amanhecer ser o período de melhor propagação deste tipo de som. Fatores sociais podem estar influenciando esse padrão temporal, como o anúncio honesto de qualidade para defesa territorial. Lobos-guará vocalizam mais em noites de maior iluminação lunar, especialmente quando a primeira metade da noite está iluminada, provavelmente como consequência de uma redução no tempo de forrageio e, portanto, mais tempo para investir na comunicação acústica. Foi possível identificar o período de acasalamento e aquele em torno do parto nas gravações de ambiente natural através do aumento na atividade vocal solo e de grupo, o que indica um papel dos aulidos na atração/guarda de parceiros e na comunicação intra grupo familiar. Em cativeiro, os aulidos dos machos foram distinguíveis principalmente por sua duração mais longa, também indicando uma função sexual e sugerindo um investimento energético mais alto para anunciar motivação. Aulidos também foram distintos individualmente. Porém, características locais afetaram dramaticamente tanto a propagação dos aulidos reproduzidos quanto quase todos parâmetros que conferem identidade e gênero aos sons emitidos. Elevar a caixa de som 45° para cima para simular a posição da cabeça/focinho durante a vocalização resultou em intensidades sonoras mais baixas, mas compensou parcialmente os efeitos negativos da vegetação na transmissão do sinal acústico. Os poucos parâmetros estáveis durante a propagação em ambiente natural foram capazes de discriminar indivíduos, embora com menor taxa de sucesso. Infelizmente, nas gravações obtidas na natureza a variação dos parâmetros devido à propagação foi maior que as diferenças individuais observadas. Apesar da presente inaplicabilidade da identificação vocal em gravações de aulidos na natureza, as ferramentas bioacústicas se provaram eficientes em revelar a elusiva ecologia comportamental dos lobos-guará.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - HOLGER KLINCK
Externo à Instituição - JEFFREY EDWARD PODOS - UMASS
Externa à Instituição - JULIE PATRIS
Presidente - 1863735 - RENATA SANTORO DE SOUSA LIMA MOBLEY
Externa à Instituição - SUSAN PARKS - SYR
Notícia cadastrada em: 14/02/2019 13:50
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