Dissertações/Teses

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2017
Dissertações
1
  • VITOR HUGO BESSA FERREIRA
  • Enfrentando O Estresse: Um Estudo Comportamental E Fisiológico Em Macacos-Prego (Sapajus Libidinosus) Cativos

  • Orientador : RENATA GONCALVES FERREIRA
  • Data: 24/03/2017
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  • Considerar o bem-estar de animais em cativeiro é primordial para cuidar da saúde física e psicológica dos indivíduos. No entanto, apesar de vários indicadores disponíveis (ex. comportamentais, bioquímicos e fisiológicos), a integração de resultados ainda gera dúvidas sobre o real estado de bem-estar de um indivíduo. Neste trabalho testamos a hipótese de que a incongruência entre os indicadores de bem-estar ocorre porque  os animais, dentro da mesma população, diferem na maneira como se comportam e reagem face aos estímulos. Usamos como modelo macacos-pregos cativos aos cuidados do CETAS de Natal/RN e Cabedelo/PB e do zoológico de João Pessoa/PB. No primeiro capitulo, revisamos diversos conceitos e metodologias do estudo da personalidade animal. No segundo capitulo, definimos os eixos do perfil comportamental (GNB - Comportamento Normativo de Gênero) e de enfrentamento ao estresse (BPIS - Comportamentos Potencialmente Indicativos de Estresse), e  verificamos se há compatibilidade com o perfil  fisiológico (Metabólitos Fecais de Glicocorticóides - MFG) dos animais em condição de estresse crônico de cativeiro. No terceiro capitulo, analisamos se os diferentes tipos comportamentais reagem a um estresse agudo de mudança de recinto. Nossos resultados principais foram: Individuos que locomovem mais exibem BPIS mais rápidos (ex. giro de cabeça), enquanto indivíduos mais inativos exibem BPIS mais estacionarias. Em ambos os extremos do eixo atividade-inatividade, os animais mostram sinais fisiológicos de baixo grau de bem-estar. Animais mais sociáveis são mais resilientes, tanto a nível fisiológico quanto a nível comportamental ao estresse crônico. Após um estresse agudo, os indivíduos que pontuam positivamente nos eixos Sociabilidade e Exploraçao exibem melhor adaptação ao ambiente novo. Nossos resultados corroboram modelos indicando a existência de diferentes perfis comportamentais que reagem de forma diferente ao estresse e que apresentam perfis fisiológicos. O padrão encontrado assemelha-se ao descrito em outros trabalhos para outras espécies e podem lançar luz sobre a evolução e plasticidade comportamental no reino animal.

2
  • DENILSON ALVES HONORATO SILVA
  • O estudo das diferenças individuais em cavalos (Equus caballus): comparando metodologias

  • Orientador : RENATA GONCALVES FERREIRA
  • Data: 27/03/2017
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  • O estudo das diferenças individuais em padrões comportamentais de animais tem ganhado destaque na literatura científica. Entretanto, as formas de mensurar essas diferenças entre indivíduos de diferentes espécies ainda estão sendo elaboradas e testadas. Neste trabalho utilizamos duas metodologias para aferir as diferenças individuais em cavalos de vaquejada: questionário com cuidadores e testes comportamentais. Testamos duas hipóteses: 1) questionário e teste comportamental estão identificando os mesmos traços de personalidade nos animais e 2) o perfil comportamental irá mostrar estabilidade temporal. O estudo foi realizado com 21 animais mantidos no haras Vila do Cavalo na cidade de São José de Mipibu sendo 10 machos adultos, e 11 fêmeas adultas. Foi possível definir dois eixos comportamentais: Exploração/Segurança e Atividade/ReatividadeAlerta, assim como 5 eixos através do questionário: Neurótico, Autoconfiante, Consciente, Social e Nervosismo. O eixo Atividade/ReatividadeAlerta do teste comportamental exibiu uma tendência à correlação positiva com o eixo Consciente, e o eixo Exploração/Segurança tendeu à se correlacionar negativamente com o eixo Autoconfiante do questionário. Dentre os 13 índices criados, o Alerta foi o único a apresentar uma consistência ao longo do tempo, enquanto que animais tido como exploradores, exibiram menor exploração depois de quatro meses. Esta baixa congruência entre os indicadores e a pouca consistência no perfil comportamental dos animais quando no momento do reteste põe em dúvida a validade dos instrumentos testados e demanda por novas análises do perfil comportamental de cavalos.

3
  • MARIA LOUYSE DOS SANTOS LOPES
  • Viés cognitivo em cavalos (Equus caballus)

  • Orientador : RENATA GONCALVES FERREIRA
  • Data: 04/04/2017
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  • Estudos sobre bem-estar vêm mostrando que diversas espécies de animais em piores condições emocionais apresentam deficiências de aprendizagem, memória e viéses cognitivo, no sentido de julgar estímulos ambíguos como estímulos negativos (ie. são pessimistas). Entretanto, a maioria destes estudos desconsidera a influência da personalidade do animal na hora da realização dos testes. Neste estudo aplicamos a metodologia de testes de viés cognitivo para aferir o estado emocional de cavalos (Equus caballus) que participam de campeonatos vaquejada, considerado o fator estressante para os animais. Testamos as hipóteses de que: 1) animais em pior estado emocional (indicado a partir dos testes de viés cognitivo) apresentam pior desempenho em tarefas de aprendizagem de discriminação de local e 2) o viés cognitivo é influenciado pela personalidade do animal. O estudo foi conduzido com 21 animais adultos, 11 machos e 10 fêmeas, alocados em um hotel para cavalos e todos submetidos a treinos para atividades esportivas, como campeonatos. Verificamos que os perfis pessimista e otimista foram previsores da aprendizagem e que animais mais sociáveis com humanos tiveram melhor desempenho na aprendizagem. Nosso trabalho mostrou que a metodologia de viés cognitivo é uma ferramenta fácil e de rápida aplicabilidade, demonstrando ser capaz de aferir aspectos emocionais relevantes para a aprendizagem e bem-estar dos animais. No entanto, a personalidade do animal precisa ser levada em conta para evitar falsos negativos.

4
  • JOAQUIM GONÇALVES DE AZEVEDO NETO
  • Efeito do agonista do receptor da nociceptina/orfanina FQ, Ro65-6570, no comportamento do tipo ansioso de camundongos desamparados

  • Orientador : ELAINE CRISTINA GAVIOLI
  • Data: 27/04/2017
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  • Nociceptina-orfanina FQ (N/OFQ) é um heptadecapeptídeo, que atua como ligante endógeno do receptor NOP. O receptor NOP tem ampla expressão no sistema nervoso e sua ativação induz efeitos inibitórios, causando redução da liberação de neurotransmissores e/ou inibição do disparo neuronal, dependendo do sítio (pré ou pós-sináptico) no qual é expresso. Estudos in vivo têm demonstrado o envolvimento do sistema N/OFQ-receptor NOP na modulação dos estados emocionais. Este estudo visou avaliar os efeitos do agonista NOP, Ro65-6570, sobre as alterações comportamentais de camundongos submetidos a uma situação de estresse incontrolável. Para tanto, foi utilizado o modelo do desamparo aprendido (DA), que emprega eletrochoques, incontroláveis e imprevisíveis, nas patas dos animais como evento estressor para induzir um fenótipo do tipo desamparado, que consiste num déficit do comportamento de escape do compartimento eletrificado. Nem todos os animais expostos ao DA desenvolvem o fenótipo do tipo desamparado, logo, dois grupos distintos foram observados: camundongos desamparados e não-desamparados. Após a exposição ao DA, foram realizados testes para observar as alterações comportamentais que o estresse causou, como labirinto em cruz elevado (LCE), natação forçada e campo aberto. Foi observado efeito ansiogênico do DA nos camundongos desamparados, com diminuição no número de entradas e tempo gasto nos braços abertos do LCE, quando comparados aos grupos não-desamparados e naive. Após essa etapa, foi avaliada a ação do diazepam (1 mg/kg, via i.p.) e do agonista NOP, Ro65-6570 (1 mg/kg, via i.p.), no comportamento do tipo ansioso dos animais desamparados, bem como em sua locomoção. O diazepam foi capaz de reverter o comportamento do tipo ansioso observado no teste do LCE pelos camundongos desamparados, sem prejuízo na locomoção dos animais. De forma similar, a administração de Ro65-6570 também apresentou efeito ansiolítico somente nos camundongos desamparados, sem afetar a atividade locomotora. Em conclusão, este estudo aponta o sistema da N/OFQ-receptor NOP como um alvo terapêutico inovador para o tratamento de transtornos psiquiátricos relacionados ao estresse.

5
  • PRISCILLA VALESSA DE CASTRO ANDRADE
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    O que há por trás das diferenças individuais? Testes comportamentais e fisiológicos em Betta splendens

  • Orientador : ANA CAROLINA LUCHIARI
  • Data: 28/04/2017
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  • De acordo com as mudanças ambientais, os indivíduos apresentam diferentes estratégias para lidar com os variados estímulos externos. Os diferentes respondedores compreendem os diferentes fenótipos que compõem uma população. Essas diferenças podem ser explicadas por alterações endógenas, como a secreção hormonal. Por exemplo, os hormônios modulam comportamentos reprodutivos e processos cognitivos. Com o objetivo de caracterizar as diferenças individuais em uma população, o presente estudo teve como objetivo testar a relação entre os perfis comportamental e hormonal em um grupo de machos Lutando peixes, Betta splendens. Um grupo de 86 machos foi observado para construção de ninho de bolha, exposições agonísticas em competições conspécificas e desempenho em um protocolo de aprendizagem espacial. Depois disso, mediram-se os níveis plasmáticos de cortisol e testosterona. Um procedimento estatístico inovador e elegante foi aplicado ao conjunto de dados para separar animais em grupos relacionados ao seu comportamento de construção de ninhos (teste de médias de k) e depois mostrar quais os parâmetros comportamentais e fisiológicos que melhor explicam os perfis dos grupos (Random Forest and Classification Tree). Nossos resultados apontam para três perfis distintos: construtores de ninhos (ninhos de 30,74 ± 9,84 cm2), intermediários (ninhos de 13,57 ± 4,23 cm2) e não-construtores (ninhos de 2,17 ± 2,25 cm2). Estes grupos apresentaram marcados diferentes no comportamento agonístico e de aprendizagem, bem como nos níveis hormonais. O cortisol foi o principal preditor aprontado pelo teste Random Forest para a separação de indivíduos nos diferentes grupos (IG = 4,9; DMP = 94,5): construtores de ninhos e intermediários apresentaram níveis mais baixos de cortisol, enquanto os não-construtores apresentaram os maiores valores de cortisol basal. O segundo mais importante preditor foi o desempenho de aprendizagem, que separou os animais dos intermediários dos construtores de ninhos (alunos mais rápidos), seguidos pelos níveis basais de testosterona e comportamentos agonísticos. Enquanto os níveis de testosterona não foram significativos para explicar as diferenças comportamentais, parece estar relacionado com o perfil de construção. Nosso achado mostra que diferentes perfis investem de forma diferente na reprodução e que o cortisol influencia negativamente o comportamento e a aprendizagem do nidificação. Em resumo, nossos dados sugerem que diferentes perfis em uma população são determinados por respostas hormonais e comportamentais, e essas diferenças conferem flexibilidade à população, permitindo a presença de animais que investem mais na reprodução enquanto outros mostram defesa e agressão como a dominante Característica expressa.

6
  • RICARDO RODRIGUES AMORIM
  • Efeitos do álcool na aprendizagem e no comportamento tipo ansioso em peixe paulistinha 


  • Orientador : ANA CAROLINA LUCHIARI
  • Data: 28/04/2017
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  • Bebidas alcoólicas são popularmente consumidas em diversas culturas humanas. Porém, o consumo alcoólico excessivo e a longo prazo pode promover danos sociais, físicos e psicológicos de difícil reversão. De fato, o álcool exerce diferentes efeitos no organismo. Baixas concentrações promovem euforia, relaxamento, e alívio do estresse/ansiedade (efeito ansiolítico), e a abstinência, após doses médias crônicas, aumentam o estresse/ansiedade (efeito ansiogênico), podendo interferir na aprendizagem. No entanto, há poucas informações sobre como essa droga altera aspectos cognitivos e psicológicos em situações de estresse/ansiedade que envolvam aprendizagem. O que demanda investigações aprofundadas com a proposição de modelos animais translacionais. Diante disso, características como: fácil manutenção e reprodução em laboratório, homologia genética superior a 70% à do genoma humano, e facilidade na administração de fármacos, tornam o paulistinha (Danio rerio) um modelo ideal em pesquisas translacionais que envolvam drogas de abuso. Nesse sentido, o presente trabalho buscou investigar o efeito de diferentes tratamentos alcoólicos (crônico e agudo) no desdobramento da resposta de ansiedade e na aprendizagem associativa aversiva do peixe paulistinha. Para isso, foram testados os efeitos do álcool na aprendizagem associativa aversiva do paulistinha (artigo 1) e os efeitos do álcool e do enriquecimento ambiental na impossibilidade do peixe evitar um estressor (artigo 2). Os resultados indicaram que comportamentos tipo-ansiosos em paulistinha são alterados por mudanças nas concentrações alcoólicas, no regime de exposição ou no ambiente. Álcool agudo aumenta ansiedade e potencializa a percepção em relação ao eletrochoque. Já o EE promove efeito ansiolítico e diminui a percepção do eletrochoque. Por fim, sugerimos que esse trabalho serve de base para pesquisas neurofisiológicas genéticas e comportamentais sobre os efeitos da interação entre drogas de abuso e ambiente.

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  • JOAO CARLOS NASCIMENTO DE ALENCAR
  • Toca que o cérebro também dança: Efeito da ritmicidade de tons auditivos sobre parâmetros comportamentais e eletrofisiológicos da execução de uma tarefa de soma aritmética

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 09/05/2017
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  • Sequências de estímulos rítmicos apresentados na faixa 125-2000ms (0.3-8Hz) podem ter efeitos importantes sobre a percepção, motricidade e a cognição. A "Dynamic Attending" é uma teoria que pressupõe a existência de oscilações atencionais flexíveis à sincronização com eventos ambientais rítmicos, fenômeno denominado arrastamento. A percepção de ritmo tem sido implicada a áreas classicamente de controle motor, notadamente os núcleos da base. Estes núcleos sub-corticais têm sido atrelados também ao funcionamento executivo, através de laços córtico-estriatais-talâmico-corticais. Sendo as funções executivas, sediadas no lobo frontal, o objetivo deste estudo é caracterizar o efeito de estímulos auditivos rítmicos sobre parâmetros de comportamento motor, desempenho cognitivo executivo e sinais eletrofisiológicos. A amostra (n=24) foi calculada a partir do software G*Power 3.1. Os participantes foram submetidos a tarefas de tempo motor espontâneo e tarefas de processamento executivo (soma sequencial de dígitos), com ou sem a presença de pulsos sonoros isocrônicos de três diferentes intervalos. Os resultados mostram que há sincronização motora aos pulsos com ISI (Intervalo entre estímulos, do inglês, “Inter Stimulus Interval”) igual a 500 ms, e que ISI com 350 ms ou 650 ms aumentam a variabilidade das batidas. Não foi encontrada diferença entre as manipulações experimentais no que concerne à ativação autonômica, exceto por diminuição da frequência cardíaca durante a realização da tarefa com som Não-Sincronizado 350 ms. Com relação aos dados eletroencefalográficos, diferentes padrões de potência espectral estão vinculados ao intervalo de estimulação. O índice de modulação delta-gama está negativamente correlacionado à taxa de acertos na condição 350 ms, e positivamente correlacionado na condição Sincronizada. O número de acertos está atrelado ao ISI, mas o Tempo de reação parece ter maior modulação do ISI e do som. Nossos resultados sugerem a existência de uma “região ótima de arrastamento”, com centro em 500 ms, no qual há maior suscetibilidade de sincronização motora involuntária. Além disso, o sistema nervoso parece acionar diferentes estratégias para diferentes demandas temporais do ambiente, consistente com a proposição de um modo rítmico.

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  • SABINNE DANIELLE GALINA
  • Relação entre exposição à luz em sala de aula, ciclo sono-vigília e atenção em adolescentes de diferentes regiões do RN

  • Orientador : CAROLINA VIRGINIA MACEDO DE AZEVEDO
  • Data: 12/05/2017
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  • Em adolescentes, o atraso de fase do sono está associado à redução na duração do sono, ocasionando aumento na sonolência diurna e baixo desempenho acadêmico. O baixo desempenho pode estar relacionado à redução na atenção, processo cognitivo, cujos componentes apresentam variação circadiana, e assim como o ciclo sono-vigília (CSV) pode ser modulado por ciclos de luz-escuro. Portanto, este estudo tem como objetivo verificar a existência de relações entre a intensidade luminosa na sala de aula e o CSV, qualidade de sono, sonolência diurna e atenção em adolescentes do turno matutino de escolas privadas da capital (C) (Natal: Latitude: 05º 47' 42" Sul, Longitude: 35º 12' 34" Oeste) e do interior (I) (Santa Cruz: Latitude: 6° 13' 46'' Sul, Longitude: 36° 1' 24'' Oeste) do estado do RN. Participaram do estudo 115 adolescentes (C: 56 e I: 59), de ambos os sexos (41 meninos), matriculados no 1º e 2º anos do ensino médio. Os alunos responderam aos questionários: “A Saúde e o Sono”, Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh, as Escalas de Matutinidade e Vespertinidade, e Pediátrica de Sonolência diurna, além de um Diário de Sono, que continha a escala de sonolência de Maldonado, este último por 10 dias. A atenção foi avaliada pela Tarefa de Execução Contínua (TEC), entre 7:30h e 9:30h em horário de aula com aplicação única. A intensidade luminosa foi registrada durante o horário de intervalo dos alunos. A sala de aula foi subdividida em 6 quadrantes para medição, que ocorreu com todas as luzes acesas e também com as luzes apagadas e um projetor ligado, simulando uma aula com projeção. De forma geral, a amostra apresentou hábitos e qualidade ruim de sono, privação parcial e irregularidade nos horários de sono entre dias escolares e fins de semana, independentemente do local em que residem, reforçando a hipótese de que o horário de início das aulas pela manhã é um forte desafio temporal para os adolescentes. Os indivíduos expostos a maior intensidade luminosa dentro de sala apresentaram horário de levantar mais cedo (r=-0,30, p<0,001), maior irregularidade para os horários de deitar (r=0,23, p<0,05) e levantar (r=0,20, p<0,05), e menor tempo na cama durante a semana (r=-0,16, p=0,05); bem como melhor desempenho atencional através de maior percentagem de acertos (A) e menor de omissões (O) para o alerta tônico (A: r=0,22, p<0,05 e O: r=-0,26, p<0,001) e fásico (A: r=0,22, p<0,05 e O: r=-0,23, p<0,05), e a atenção sustentada (A: r=0,17, p=0,06 e O: r=0,26, p<0,001). Neste sentido, a intensidade luminosa em sala de aula pode ser um fator que influencia o sono e componentes da atenção, tais como o alerta tônico e fásico e a atenção sustentada; visto que aqueles que assistem aulas em salas com maior intensidade luminosa apresentaram modificações no padrão de sono e melhor desempenho atencional. Todavia, estudos adicionais com maior número de escolas nas localidades estudadas são necessários para confirmar estas evidências.

9
  • CHRISTIAN CAMILO GARCÍA LÓPEZ
  • Livre-arbítrio? Fatores psiconeuroendócrinos envolvidos no processo de tomada de decisão sob risco em homens adultos jovens

  • Orientador : MARIA BERNARDETE CORDEIRO DE SOUSA
  • Data: 05/06/2017
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    O comportamento de risco está sob influência de fatores neuropsicológicos, neuroendócrinos, sociais e individuais, embora ainda não haja um consenso claro sobre o quanto esses fatores modulam o processo de tomada de decisão sob risco. O presente estudo avaliou o efeito de estados psicológicos, o envolvimento em um relacionamento romântico, e o efeito da testosterona (pré-natal e ativacional) e cortisol sobre a tomada de decisões arriscadas, bem como  sobre a reatividade desses hormônios no desempenho de uma tarefa de risco. Estudantes universitários entre os 21 e 30 anos (n = 49) participaram da investigação. O comportamento em relação ao risco foi mensurado com a escala de propensão ao risco (EPR) e tarefa de tomada de decisão sob risco, Columbia Card Task (CCT). A análise de regressão múltipla mostrou um efeito negativo entre uma baixa proporção 2D:4D, indicando uma alta exposição à testosterona pré-natal, e a atitude em relação ao risco na dimensão saúde/segurança no EPR, quando a testosterona e o cortisol basais no plasma  foram baixos ou altos. Adicionalmente, participantes com alta proporção 2D:4D, que indicam baixa testosterona pré-natal, mostraram comportamento mais arriscado no CCT, associado com altos níveis de testosterona basal e baixos níveis de cortisol. A maior reatividade da testosterona  se relacionou a um melhor desempenho  no CCT. Os participantes com maior pontuação para depressão e ansiedade apresentaram uma atitude mais arriscada no CCT e, quando envolvido em relação romântica apresentaram mais aversão ao risco. Estes resultados sugerem que a exposição a níveis elevados de testosterona pré-natal fortalece a atitude em relação ao risco, indicando que a testosterona activacional não é crítica para a expressão deste traço comportamental. Por outro lado, níveis mais baixos de testosterona pré-natal permitem os efeitos modulatórios da testosterona ativacional dependendo do contexto e, também, parece promover a aversão ao risco para alcançar um resultado mais favorável. Os resultados sugerem que não estar envolvido em relacionamento romântico pode aumentar o comportamento de risco para favorecer as estratégias reprodutivas. Foi também evidenciado que homens adultos jovens com características mais depressivas e ansiosas podem apresentar comportamentos mais arriscados.


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  • JÚLIA ALBUQUERQUE AGUIAR
  • Avaliando a cognição na perimenopausa e menopausa cirúrgica: a qualidade do sono, estados de humor e queixas próprias da menopausa predizem o desempenho cognitivo?

  • Orientador : MARIA BERNARDETE CORDEIRO DE SOUSA
  • Data: 09/06/2017
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  • O aumento da expectativa de vida tem proporcionado a mulheres em todo o mundo viver cerca de metade de suas vidas adultas após a menopausa, com deficiência de estrógenos. A privação hormonal evidenciada a partir desse período de vida traz consigo um grande número de consequências, incluindo déficit cognitivo, mudanças nos estados de humor, incluindo depressão e ansiedade, redução de qualidade do sono e sintomas característicos tais como ondas de calor, sudorese noturna, entre outros. O déficit cognitivo pode apresentar relação com os demais sintomas durante esse período da vida. O objetivo desse estudo foi avaliar o desempenho cognitivo de mulheres perimenopáusicas em função de transtornos de humor, comorbidades, sintomatologia climatérica e ovariectomia cirúrgica. Sessenta e nove mulheres foram recrutadas na Maternidade Escola Januário Cicco, Natal-RN. O desempenho cognitivo foi avaliado utilizando testes cognitivos para memória verbal episódica, e função executiva, incluindo memória operacional, além de questionário para queixas de memória. Foram também investigados os transtornos de humor (depressão e ansiedade) e a qualidade do sono. A presença de comorbidades e sintomatologia climatérica foram obtidos através dos prontuários das participantes. As queixas de climatério foram mensuradas por meio do Índice de Blatt-Kupperman. Todas estas variáveis, incluyindo a ovariectomia cirúrgica foram utilizadas como preditores do desempenho cognitivo por meio da análise estatística de modelo linear generalizado,. considerando p &lt; 0,05. Maiores sintomas de ansiedade e depressão e qualidade de sono, foram preditores do desempenho cognitivo para função executiva. Além disso, a sintomatologia climatérica e os sintomas de depressão foram preditores das queixas de memória, mas as comorbidades não predisseram o desempenho cognitivo. A ovariectomia cirúrgica, mas não a perimenopausa natural, predisse o desempenho cognitivo dominuído para memória episódica. O hipoestrogenismo agudo vivenciado por mulheres ovariectomizadas cirurgicamente sugere uma rápida alteração cognitiva, provavelmente decorrente do efeito degenerativo do déficit hormonal. Nestes casos, a terapia de reposição hormonal, desde que observados os critérios para a sua prescrição, possivelmente reduziria essa alteração, como sugere a hipótese da janela crítica de oportunidade. No período de transição perimenopáusica ocorrem alterações fisiológicas próprias desta condição, além das repercussões do hipoestrogenismo sobre a cognição, estados de humor e qualidade do sono, de forma que abordagem integrada destes fatores pode favorecer a qualidade de vida das pacientes.

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  • FLÁVIA SANTOS DA SILVA
  • Estudo do efeito agudo dos compostos ativos da Banisteriopsis caapi e Psychotria viridis em saguis (Callithrix jacchus) como modelo animal de depressão juvenil

  • Orientador : NICOLE LEITE GALVAO COELHO
  • Data: 05/07/2017
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  • A Depressão Maior (DM) é um distúrbio de humor de alcance mundial, atingindo aproximadamente 300 milhões de pessoas e capaz de induzir prejuízos psicológicos, sociais e fisiológicos, que podem em alguns casos, levar à morte por suicídio. 14 % dos jovens entre 15-18 anos apresentam DM, o que desperta atenção e preocupação, já que esta fase constitui um período ontogenético de grandes modificações cerebrais que perduram por toda a vida. Atualmente, o tratamento antidepressivo mais empregado em todas as faixas etárias é o farmacológico, e embora as novas classes de antidepressivos sejam mais específicas em sua ação, ainda apresentam efeitos colaterais consideráveis, demoram até duas semanas para iniciar os efeitos terapêuticos desejados e induzem baixa taxa de remissão. Sendo assim, há a necessidade de se buscar novos tratamentos farmacológicos para DM, nesse cenário algumas substâncias psicodélicas serotoninérgicas vêm sendo testadas. O chá de ayahuasca, tradicional da Amazônia, tem particularmente chamado a atenção por seus efeitos positivos na saúde, tanto na população geral de usuários quanto em pacientes com transtornos de humor e viciados em drogas de abuso. Para testar a ação antidepressiva aguda da ayahuasca utilizamos o Callithrix jacchus, um primata não-humano que já vem sendo considerado um importante modelo em estudos biomédicos, inclusive de desordens mentais, pois apresenta maior proximidade filogenética aos humanos, possui um etograma bem definido, técnicas não invasivas para medição de cortisol em fezes, boa adaptação em cativeiro e alta taxa de fecundidade. Entretanto, inicialmente foi necessário proceder com a validação da espécie como modelo translacional de depressão juvenil. Para isso foi utilizando o protocolo de isolamento social crônico que induziu um estado fisiológico e comportamental característico de depressão em machos e fêmeas juvenis de C. jacchus, o qual foi em grande parte revertido pelo tratamento com um antidepressivo clássico, a nortriptilina (7 dias). Esse estudo e seus respectivos resultados estão descritos no artigo I intitulado “Common marmosets: A translational animal model of juvenile depression”. Em seguida, testamos o potencial antidepressivo agudo do chá de ayahuasca, no modelo translacional previamente validado, e comparamos sua eficácia com a nortriptilina e um placebo (salina). Assim, originou-se o artigo II intitulado “Acute effect of Ayahuasca tea on hormonal and behavioral parameters in common marmosets, as juvenile non-human primate model of depression”. Observamos que ambos os tratamentos (ayahuasca e nortriptilina) induziram melhoras em parte dos sintomas depressivos, que não foram observados com o placebo. Contudo, o chá de ayahuasca apresentou resultados antidepressivos mais eficazes que a nortriptilina, uma vez que iniciou a reversão dos sintomas mais rapidamente, de maneira mais ajustada e duradoura. Ambos os estudos aqui apresentados são de grande relevância para área, uma vez que de maneira inédita um modelo translacional atendeu a todos os critérios de validação, tanto os tradicionais, como; o etiológico, de face, funcional e preditivo, quanto os critérios mais recentes: o inter-relacional, evolutivo e populacional, possibilitando assim a sua utilização em áreas complementares de investigações. Adicionalmente, foi apresentado não apenas ações antidepressivas aguda do chá da ayahuasca, mais também ações mais eficazes quando comparado com um antidepressivo clássico, nortriptilina, corroborando assim no processo de validação desta substância como antidepressivo, estimulando novas investigações farmacologicas, que possibilitem a consolidação do chá como antidepressivo, uma vez que ela não tem demonstrado tolerancia à doses, nem efeitos colaterias de longo prazo em usuários recreacionais.
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  • KAYO DIOGENES DE AZEVEDO SILVA
  • Diminuição da expressão dos receptores de melatonina MT1 e MT2 em áreas especificas do sistema nervoso central de roedores submetidos a um tratamento crônico com Reserpina

  • Orientador : ROVENA CLARA GALVAO JANUARIO ENGELBERTH
  • Data: 31/07/2017
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  • A doença de Parkinson (DP) é uma patologia neurodegenerativa que acomete principalmente indivíduos do sexo masculino com avançar da idade. A DP se caracteriza por diversos sintomas motores como tremores, bradicinesia, rigidez e alterações posturais. Além destes, sintomas cognitivos como déficits de atenção e memória, demência e alterações de humor também estão presentes. Também é possível perceber marcada mudança na arquitetura do sono de pacientes com DP. O hormônio melatonina sintetizado principalmente pela glândula pineal localizada no tálamo é considerado um dos hormônios que induzem a fase de sono dos organismos. Sua ação ocorre após se ligar a receptores específicos, MT1 e MT2. No presente estudo foram utilizados 15 ratos machos de meia idade (10 meses) da espécie Wistar, divididos em dois grupos denominados de Controle (CTR) e Reserpina (RES). Esses animais foram submetidos a um protocolo crônico de 20 injeções de reserpina, com o intuito de criar sintomatologias semelhantes a DP. Durante o protocolo experimental os animais foram avaliados através teste de catalepsia. Com o fim do tratamento os animais foram sacrificados e submetidos a procedimento imunistoquimico para identificação dos receptores MT1 e MT2 em 5 áreas do sistema nervoso central relacionadas diretamente com o ciclo do sono e com sintomas mais evidentes da DP, sendo elas, NE, NSQ, VLPO, SN e ZSPV. Nossos resultados mostraram que durante o período de tratamento os animais do grupo reserpina apresentaram considerável e progressivo déficit motor que se acentuaram nos dias sete, oito, nove e dez de injeções. Nossas analises imunoistoquímicas mostraram que ocorre significativa redução da expressão de receptores de melatonina nos animais reserpina em todos os núcleos avaliados, entretanto, novos estudos são necessários para uma melhor compreensão do real motivo dessa diminuição de expressão de receptores e se esta diminuição tem efeito significativo nas alterações do sono verificadas nos pacientes com DP.

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  • PÂMELLA CATHERINE SALLES SANTOS
  • Diferenças individuais e interação entre jogadores em League of Legends

  • Data: 14/08/2017
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  • Um dos gêneros de jogos que mais se destaca atualmente é o MOBA, um gênero que tem como proposição uma disputa de dois times formados por 5 jogadores cada um cujo objetivo é conquistar o campo de batalha inimigo. No entanto, jogar partidas com pessoas que você não conheça é comum observar comportamentos tóxicos, além de encontrarem frequentemente jogadores que focam muito mais na disputa intragrupo do que intergrupo, como propõe o jogo. Por isso o objetivo desta pesquisa e investigar traços de sociabilidade, grau de individualidade e propensão a risco dos jogadores para buscar identificar algumas prováveis questões que contribuam para estes comportamentos observados. Os participantes foram estudantes de uma instituição de ensino técnico e superior do sexo masculino. Foram constituídas três etapas de pesquisa. A primeira consistiu de um questionário online abrangendo informações sociodemográficas, preferências de jogo e as escalas psicológicas utilizadas no estudo. A segunda etapa consistiu da participação presencial em uma partida de League of Legends, em um laboratório de informática da instituição. Na terceira etapa os participantes responderam a um questionário online informando as percepções e comportamentos observados durante a partida. As partidas foram gravadas e assistidas. Cada interação de dois ou mais jogadores foi classificada. Foram analisados os dados obtidos nas partidas com as escalas aplicadas previamente. Os resultados mostraram que a média de propensão a risco dos participantes teve efeito na preferência de funções do jogo. Participantes que apresentavam menor taxa de morte na partida tenderam a apresentar maior pontuação em propensão a riscos. Além disso, participantes que percebiam menos a contribuição do time para o resultado da partida tiveram maior pontuação em Individualismo Vertical, que indica uma vontade maior de vencer ou ser o melhor. Os resultados podem contribuir para a compreensão de como expressão das diferenças individuais se expressam em ambientes de jogos cooperativos.

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  • RAFAEL HEITOR NUNES DE RUBIM COSTA
  •  

    Análise comparativa de marcadores biológicos entre homens saudáveis e com diagnóstico clínico de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)


  • Orientador : MARIA BERNARDETE CORDEIRO DE SOUSA
  • Data: 16/10/2017
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  • O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é um quadro psiquiátrico caracterizado pelo surgimento de sintomas típicos após a exposição a um evento traumático, que pode ocorrer de forma direta ou indireta. A apresentação clínica é de revivência do trauma, manobras evitativas dessas revivências, alterações negativas da cognição e do humor e sintomas de hiper-reatividades física e psíquica. A situação de estresse crônico presente no TEPT envolve alterações nos mecanismos fisiológicos relacionados ao eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA) e aos sistemas nervoso autônomo e imunológico. A literatura não apresenta concordância quanto ao perfil de secreção do hormônio cortisol que varia entre os diferentes estudos, sendo relatadas elevações, diminuições ou semelhança, em estudos envolvendo participantes com TEPT comparados a um grupo controle. Situação similar ocorre com o hormônio deidroepiandrosterona-sulfato (DHEA-S) bem como com a resposta imune associada ao TEPT, avaliada pela proteína C reativa (PCR). O presente estudo foi realizado com dois grupos de homens, pareados por idade, sendo 17 deles com diagnóstico clínico de TEPT e 17 do grupo controle (sem TEPT). Foram analisados os perfis séricos de cortisol, DHEA-S, relação cortisol/DHEA-S e PCR nos dois grupos, por meio dos testes não-paramétricos de Wilcoxon-Mann-Whitney, Kruskall–Wallis e correlação de Spearman. A análise estatística considerou o valor de p < 0,05. Os resultados mostraram que não houve diferença estatística significativa de nenhum desses indicadores entre os dois grupos. Dentro do grupo experimental, quando os graus de TEPT foram estratificados, os níveis de DHEA-S foram estatisticamente inferiores nos homens com grau grave de TEPT, quando comparados ao somatório dos níveis dos participantes com graus leve e moderado. As análises de correlação mostraram associação negativa entre níveis de cortisol e DHEA-S no grupo controle e, no grupo experimental, correlação positiva entre cortisol e PCR. Estes resultados sugerem que as variáveis estudadas, isoladamente, parecem não constituir bons marcadores para diagnóstico de TEPT. Todavia, quando correlacionadas, podem reforçar esse diagnóstico. Além disso, os níveis significativamente mais baixos de DHEA-S no quadro mais severo de TEPT sugerem que a diminuição do efeito neuroprotetor desse hormônio parece estar associado ao agravamento do TEPT. O aumento do tamanho amostral poderá melhor caracterizar essa alteração e confirmar se a diminuição de DHEA-S poderá representar um marcador para o diagnóstico de gravidade do TEPT.

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  • JOSHUA MICHAEL MARTIN
  • Diferenças Estrutrais nos Relatos de Sonho do Sono REM e Não-REM Avaliados por Análise de Grafos

     

  • Orientador : SIDARTA TOLLENDAL GOMES RIBEIRO
  • Data: 08/12/2017
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  • A diferença entre a mentação experimentada durante o sono de oculares rápidos (REM) e o sono não-REM persiste como questão importante para investigação no campo de pesquisa dos sonhos. Estudos anteriores têm mostrado que os relatos de sonho documentados depois do REM são, em média, mais longos, vívidos, bizarros, emocionais e com aspectos mais narrativos do que os relatos do não-REM. Apesar desses achados, falta uma comparação estrutural entre relatos de sonho do REM e não-REM no que diz respeito à organização de palavra-a-palavra, e diversas medidas tradicionais de sonhos podem ser confundidas pelo comprimento do relato. A análise de fala transformada em grafos direcionados de palavras pode ser aplicada para fazer uma avaliação estrutural de relatos verbais e também para controlar as diferenças individuais de verbosidade. No presente estudo, tivemos como objetivo investigar as possíveis diferenças na conectividade dos relatos e sua aproximação a uma estrutura aleatória através da análise de grafos em 125 relatos de sonho obtidos por 19 participantes em despertares controlados nas fases de sono REM e N2. Constatou-se que: (1) grafos do REM possuem uma conectividade maior do que os do N2; entretanto, essas diferenças não foram refletidas na aproximação a um grafo randômico; (2) diversas medidas de grafo podem predizer avaliações externas da complexidade do sonho, onde a conectividade aumenta e sua natureza randômica cai em relação à complexidade do relato; e (3) o Componente Maior Conectado (LCC) do grafo pode melhorar o ajuste de um modelo contendo o comprimento do relato como variável no discernimento da fase do sono e na predição da complexidade do sonho. Esses resultados sugerem que os relatos do REM possuem uma conectividade maior do que os relatos do N2 (i.e. as palavras recorrem com uma distância maior), o que, em nossa visão, está relacionado a diferenças subjacentes na complexidade dos sonhos. Esses achados também apontam para a análise de grafos como um método promissor no campo dos sonhos, devido à sua relação com a complexidade do sonho e ao seu potencial de atuar como uma medida complementar ao comprimento do relato.

Teses
1
  • YWLLIANE DA SILVA RODRIGUES MEURER
  • Influência da exposição neonatal à fluoxetina sobre o comportamento e expressão neuroquímica em ratos wistar machos e fêmeas juvenis e adultos

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 13/03/2017
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  • Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) são amplamente utilizados no tratamento de depressão e ansiedade em vários estágios da vida do indivíduo, inclusive durante a gravidez ou lactação. Nessa circunstância, com o feto in utero ou em amamentação, o mesmo será exposto a influência da hiperestimulação serotonérgica capaz de desorganizar o desenvolvimento morfofuncional do SNC. A modulação do circuito serotonérgico no cérebro em desenvolvimento pode alterar a organização e formação de diferentes redes neurais específicas e repercutir na expressão comportamental do indivíduo. Neste sentido, utilizamos o ISRS – fluoxetina (dose: 10mg/kg)– no período de desenvolvimento PND7-PND21, para investigar possíveis alterações persistentes na neuroquímica e no comportamento de ratos machos e fêmeas durante as idades pós-nascimento de 45 (PND45) e 90 dias (PND90). Outros três grupos experimentais foram utilizados como controle da administração farmacológica, são eles: Naive (animais não-manipulados), Sham (animais residentes nas gaiolas de tratamento mas sem manipulação) e Veh (animais residentes nas gaiolas de tratamento que recebiam injeção de água destilada). Nosso trabalho reúne um conjunto de dados comportamentais complementares e também inéditos relacionados a avaliação do comportamento mnemônico, da ansiedade e tipo-depressivo nos animais nessas diferentes idades e em ambos os sexos. Aqui observamos aumento na ansiedade (avaliada no teste de campo aberto), alterações de memória de curto prazo (através dos paradigmas de reconhecimento de objetos e alternação espontânea), bem como manifestação do comportamento tipo-depressivo (usando os testes de preferência de sacarose e natação forçada) na prole em idade de 45 dias. Enquanto que na idade adulta (PND90) foi observada (através dos paradigmas comportamentais usados na avaliação da prole juvenil) redução nos níveis de ansiedade, manutenção das alterações de memória de curto prazo, bem como atenuação do perfil tipo-depressivo. Em ambas idades foram observadas redução no número de neurônios parvalbumina-positivos, contudo somente animais em idade PND45 tratados com fluoxetina apresentaram redução significativa e ainda quando comparados com os grupos Naive e Sham, mas não ao grupo Veh. Por isso, mais estudos são necessários para investigar os efeitos persistentes da serotonina sobre a maturação, proliferação e migração de interneuronios para as regiões corticais. Os animais expostos ao ISRS apresentam maior traço de alterações nos comportamentos de ansiedade e tipo-depressivo. Nosso trabalho expõe alterações mnemônicas decorrentes da exposição previa a fluoxetina, sugerindo alterações persistentes no circuito cortico-limbico. Estes achados sugerem que a modulação do circuito serotonérgico durante períodos críticos do desenvolvimento do sistema nervoso central pode alterar a organização dos diferentes circuitos neuroquímicos e induzir alterações comportamentais, as quais podem repercutir para o surgimento de distúrbios neuropsiquiátricos.

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  • CLARISSA LOUREIRO DAS CHAGAS CAMPÊLO BEZERRA
  • Polimorfismos do gene alfa -Sinucleína: risco para a Doença de Parkinson e suas relações com sintomas motores e não-motores

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 14/03/2017
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  • Crescentes evidencias indicam que a susceptibilidade genética contribui para a etiologia da doença de Parkinson esporádica (DP). Variações genéticas no gene SNCA, responsável pela codificação da alfa-sinucleína, foram bem estabelecidas através de estudos de linkage e GWAS. Estudos em todo o mundo encontraram associação positiva com polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) no gene SNCA e o aumento do risco para DP. Além disto, variações no SNCA podem influenciar características ou fenótipos da DP esporádica. Este estudo teve como objetivo investigar associações entre os SNPs no gene SNCA e a sintomatologia motora e não-motora da DP em uma população brasileira. 206 sujeitos (grupo DP= 105 e grupo controle= 101) participaram do estudo. Os pacientes com DP foram recrutados no ambulatório de neurologia do Hospital Onofre Lopes, na cidade de Natal (RN). Foram utilizados questionários e escalas para avaliar o histórico de saúde, fatores ambientais, aspectos motores (Hoehn & Yarh e Unified Parkinson´s Disease Rating Scale), funcionais (Schwab & England), cognitivos (Bateria de Avaliação Frontal e Mini-Exame do Estado Mental) e emocionais (Inventário de Depressão de Beck e Inventario de Ansiedade de Beck) dos participantes. Também foi coletada uma amostra de sangue para a realização da extração do DNA e posterior genotipagem dos SNPs rs11931074, rs356219, rs2583988, rs2736990. Quanto a avaliação clínica, o grupo DP apresentou comprometimento motor de moderado a severo associado a uma moderada redução da capacidade funcional. Os déficits cognitivos foram mais presentes nos sujeitos com baixa escolarização. Os sintomas depressivos e ansiosos foram evidenciados com maior frequência e gravidade no grupo DP. Os dados da genotipagem mostraram todos os SNP mais frequentes no grupo DP, e a associação dos SNPs rs356219, rs2583988, rs2736990 aumentando o risco para DP foi confirmada. Também foi encontrada uma associação dos alelos de risco com a DP de início precoce. T-rs2583988, G-rs356219 e C-2736990 foram significativamente mais frequentes nos pacientes com alterações cognitivas quando comparados aos controles com a mesma condição. Além disto, a presença de alterações cognitivas foi mostrou-se um fator preditivo para a DP em um modelo de regressão logística. Este estudo é o primeiro a demonstrar a associação de polimorfismos no gene SNCA em uma população da América do Sul.

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  • JULIA JENSEN DIDONET
  • Investigação de parâmetros bioquímicos em dois modelos animais de depressão induzidos por desamparo aprendido e administração de LPS.

  • Orientador : ELAINE CRISTINA GAVIOLI
  • Data: 15/03/2017
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  • A depressão reduz a qualidade de vida do indivíduo, compromete a funcionalidade

    profissional e social e é considerada a principal causa para incapacidade em termos de

    anos perdidos no curso da doença. Apesar da severidade relatada, ainda não há uma

    compreensão clara dos substratos neurais alterados na depressão, por isso o estudo de

    modelos animais que investiguem a etiologia deste transtorno torna-se extremamente

    necessário. Este trabalho buscou comparar alterações bioquímicas no soro, córtex pré-

    frontal (CPF) e hipocampo de camundongos submetidos a dois modelos animais de

    depressão: desamparo aprendido e administração do lipopolissacarídeo de E.Coli (LPS).

    O teste de desamparo aprendido resultou em média de 70 % de animais desamparados,

    verificado pela falha em escapar aos choques 24 h e 48 h após a sessão de indução do

    desamparo. Os 30 % restantes foram considerados resilientes. Os animais desamparados

    apresentaram mais dano oxidativo no CPF e soro, quando comparados aos animais

    controles. Não houve diferença entre desamparados e resilientes, porém, foi observada

    correlação positiva entre o dano oxidativo no soro e CPF e o comportamento

    desamparado. A concentração das citocinas pró-inflamatórias IL-1β, TNFα, IL-6 e anti-
    inflamatória IL-10 no CPF e hipocampo dos animais submetidos ao desamparo e

    controle não foi diferente entre os grupos, porém houve correlação positiva entre a

    citocina IL-6 e o comportamento desamparado no hipocampo dos animais. A atividade

    da enzima indolamina 2,3-dioxigenase (IDO) não apresentou diferença significativa nos

    animais submetidos ao modelo do desamparo. A administração sistêmica de LPS (0,8

    mg/kg) induziu um comportamento doentio nos animais, caracterizado por diminuição

    da ingestão de água e comida, perda de peso e alteração da temperatura retal 6 h após a

    injeção. Em 24 h o estado doentio diminuiu, porém, os animais que receberam LPS

    apresentaram imobilidade aumentada no teste de suspensão pela cauda em comparação

    aos animais que receberam salina. Foi observado mais dano oxidativo no soro, CPF e

    hipocampo do grupo LPS em comparação aos grupos salina ou controle. As citocinas

    IL-β, TNFα no soro, CPF e hipocampo não apresentaram nenhuma alteração, indicando

    que a inflamação induzida pela administração de LPS foi transitória. A citocina IL-6

    mostrou-se elevada no CPF do grupo que recebeu LPS em comparação ao grupo salina,

    correlacionada positivamente com o comportamento do tipo depressivo dos animais. Os

    níveis de IL-10 no hipocampo correlacionaram-se negativamente com o comportamento

    do tipo depressivo e a atividade da IDO foi aumentada no CPF e diminuída no

    hipocampo do grupo LPS. Os resultados apresentados corroboram a hipótese da

    ativação do sistema imune no evento depressivo e consequente dano oxidativo,

    verificado em dois modelos animais de depressão. A ativação da IDO foi observada

    com a particularidade da região cerebral e periférica em cada modelo animal.

4
  • BRENO TERCIO SANTOS CARNEIRO
  • Avaliação do odor alimentar como uma pista temporal em ratos sincronizados à disponibilidade de alimento

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 30/06/2017
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  • A ritmicidade circadiana se apresenta como um aspecto comum nos seres vivos, sendo o ciclo claro-escuro de 24h seu mais evidente sincronizador ambiental. A disponibilidade de alimento se constitui também como um sincronizador ambiental, o que é evidenciado em muitas espécies. Em mamíferos, a sincronização por alimento é caracterizada principalmente pelo aumento da locomoção, da vigília e da temperatura central nas horas que antecedem a alimentação. Evidências convincentes mostram que esta antecipação é controlada por um verdadeiro sistema de oscilação circadiana, embora não se conheça sua estrutura física. A busca pelo substrato físico do oscilador sincronizado por alimento sempre foi o principal foco da pesquisa nesta área, sendo que evidências recentes mostram que várias regiões cerebrais parecem estar envolvidas na sincronização por alimento. Nos últimos anos, além da busca pelo substrato neural deste sistema, têm-se dado atenção aos seus possíveis mecanismos de sincronização. Em outras palavras, quais seriam os sinais responsáveis pela sincronização do sistema. Neste trabalho, o objetivo foi investigar se a estimulação diária com odor alimentar é um sinal suficiente para induzir antecipação em ratos Wistar. Os animais foram mantidos em ciclo claro-escuro de 14h de luz e 10h de escuro com registro contínuo da atividade motora dentro de cabines de madeira. Foram utilizados quatro grupos: Ração, Odor, Alerta e Alerta Isolado. Todos foram submetidos a 10 dias de alimentação à vontade (linha de base). Em seguida, foi iniciada a etapa de Restrição Alimentar (19 dias). Por fim, todos os grupos foram submetidos a Privação Alimentar (2 dias). O grupo Ração recebeu duas refeições por dia com duração de uma hora cada, sendo a ‘Refeição 1’ na 3ª hora da fase de claro e a ‘Refeição 2’ na 12ª hora da fase de claro. O grupo Odor recebeu estimulação com odor na 3ª hora da fase de claro (‘Refeição 1’) e alimentação na 12ª hora. O grupo Alerta foi apenas estimulado (abertura e fechamento da cabine) na ‘Refeição 1’ e alimentado na ‘Refeição 2’. O grupo Alerta Isolado foi submetido ao mesmo procedimento anterior, mas foi testado isoladamente na sala. Todos os grupos apresentaram atividade antecipatória intensa à ‘Refeição 2’ (alimentação). Para a ‘Refeição 1’, o grupo Ração apresentou intensa antecipação, os grupos Odor e Alerta apresentaram leve atividade antecipatória principalmente nos primeiros 10 dias de estimulação, e o grupo Alerta Isolado não apresentou antecipação. Os resultados indicam que a estimulação com odor é capaz de promover antecipação comportamental, porém de maneira fraca, com habituação ao longo dos dias. A respostas semelhantes entre os grupos Odor e Alerta são discutidas considerando o possível efeito do odor na sala de experimentação.

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  • JENIFFER DA CÂMARA MEDEIROS
  • Comunicação acústica em Neoponera villosa (Hymenoptera, Formicidae, Ponerinae)

  • Orientador : ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
  • Data: 31/08/2017
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  • Sinais acústicos e vibratórios são utilizados por várias espécies de formigas em interações intra e interespecíficas, apesar de serem pouco estudados. Entre as modalidades de produção de sinais vibroacústicos estão a estridulação e a percussão. Estes sinais podem transmitir mensagens de alarme, distresse, recrutamento, ataque, ativação da colônia, pistas para o provisionamento de larvas, avaliação de recursos alimentares e não receptividade das fêmeas. Tendo isso em vista, este estudo teve como objetivo investigar a utilização de sinais acústicos na espécie Neoponera villosa (Hymenoptera, Formicidae, Ponerinae), caracterizando a estridulação de operárias, gynes e machos, analisando a resposta de colônias de N. villosa diante da estridulação de coespecíficos e avaliando a resposta acústica das colônias à perturbação do ninho. Os resultados mostraram que os sinais estridulatórios de operárias de N. villosa são compostos majoritariamente por sequências monossibálicas de chilros, sendo um chilro composto por uma única sequência de pulsos. Entretanto, a maior parte dos chilros das castas reprodutivas apresentaram uma sequência de pulsos de baixa amplitude antecedendo a sequência de pulsos principal, sendo, dessa forma, constituídos por duas sub-unidades e caracterizando-se como chilros dissilábicos. Os sinais estridulatórios apresentaram ainda diferenças significativas entre as castas quanto ao intervalo entre chilros, número de pulsos por chilro, intervalo entre pulsos e taxa de emissão de pulsos. Expostas à estridulação de operárias, as colônias de N. villosa responderam à emissão de sinais estridulatórios com mudança do padrão comportamental apenas quando estes sinais acústicos eram produzidos por companheiras de ninho. No contexto de perturbação do ninho, as colônias de N. villosa não responderam com emissão de sinais estridulatórios, mas sim com emissão de sinais acústicos produzidos através de percussão.

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  • PATRÍCIA VIDAL DE NEGREIROS NÓBREGA
  • Participação dos componentes homeostático e circadiano do sono no desempenho funcional em idosos institucionalizados

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 11/12/2017
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  • Introdução: O envelhecimento é um dos fenômenos que afeta a integridade da regulação do ciclo sono-vigília (CSV) e de seus componentes, circadiano e homeostático. Transtornos na regulação do CSV estão relacionados com um importante indicador do estado de saúde na população idosa, o desempenho funcional, cujo declínio progressivo é reconhecido como uma característica comum da Síndrome da Fragilidade. Ambas entidades patológicas acometem mormente os idosos institucionalizados, considerados de risco à um processo de deterioração mais acelerada. Objetivo: Avaliar a influência dos componentes homeostático e circadiano do sono sobre o desempenho funcional em idosos institucionalizados. Materiais e métodos: Estudo longitudinal de 24 meses, com três medidas de avaliação, conduzido com 133 idosos residentes em quatorze instituições de longa permanência do Estado da Paraíba. Foram utilizados Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh (IQSP) e actimetria (abordagem não paramétrica), além de questionários e testes específicos para as variáveis gerais de saúde e de desempenho funcional (fenótipo de fragilidade). Para caracterização da amostra, estatística descritiva foi utilizada, com medidas de distribuição para todas as variáveis. Em seguida, análises bivariadas foram realizadas para observar a existência de relações entre as variáveis independentes e dependentes, com cálculo dos respectivos Effect-Size. Por fim, modelos lineares de efeitos mistos foram construídos, ajustados por covariáveis, para analisar se às mudanças na qualidade do sono (latência, duração, início e final do sono e escore IQSP) e ritmo repouso-atividade (L5, M10, AR, IS60, ISm, IV60 e IVm) seriam preditores de aumento na carga de fragilidade. Resultados: A amostra foi caracterizada por média de idade de 78,76 (±7,62) anos, má qualidade de sono, no IQSP (7,71±4,38 pontos), e 47,3% de idosos frágeis. Os idosos frágeis obtiveram pior qualidade de sono, IQSP=9,00 (±4,59), quando comparados aos não frágeis, IQSP=6,42 (±3,74) (p=0,001). Os idosos com queixas de qualidade de sono ruim, latência de sono prolongada, duração de sono inadequada, baixa eficiência habitual de sono, presença de distúrbios do sono noturno e diurno e/ou uso de medicação para dormir apresentaram critério positivo para exaustão, perda de peso não-intencional, redução na velocidade da marcha, força de preensão e na atividade física. Adicionalmente foram verificados maior irregularidade e fragmentação do ritmo repouso-atividade nos idosos frágeis [(ISm=0,32±0,14; p=0,041) (IVm=0,88±0,23; p=0,032), respectivamente]. Dentre as variáveis da qualidade do sono, o escore global do IQSP foi preditor de aumento na carga de fragilidade (β=0,04; p=0,003). E de todas as variáveis do ritmo repouso-atividade, apenas a variabilidade intra-diária (IVm) foi capaz de predizer alterações na fragilidade (β=0,906; p=0,034). Conclusão: A partir dos resultados deste estudo longitudinal, foi observado que má qualidade do sono e fragmentação do ritmo repouso-atividade foram preditores de aumento da carga de fragilidade em idosos institucionalizados, ou seja, o componente homeostático foi o principal influenciador do declínio progressivo do desempenho funcional, concernente ao status de fragilidade. Salienta-se que os marcadores do ritmo repouso-atividade e da qualidade do sono podem constituir uma nova ferramenta para o monitoramento do estado de saúde e doença em idosos institucionalizados.

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  • FELIPE DE OLIVEIRA MATOS
  • “C ≠ A+B” A Gesltat de faces independe de demanda cognitiva: Um estudo com bases eletrofisiológicas 

  • Orientador : ANTONIO PEREIRA JUNIOR
  • Data: 15/12/2017
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  • O acoplamento fase-amplitude (AFA) entre as oscilações neuronais nas bandas de frequência teta (3-6Hz) e gama (30-90Hz) compõe a base da integração sensorial, da memória e do mecanismo de seleção atencional. No presente trabalho, apresentamos evidências por meio de eletroencefalografia (EEG) de que o AFA entre teta e gama nos córtices pré-frontal (CPF) e parietal posterior (CPP), respectivamente, é um processo subjacente no fechamento perceptual em uma tarefa de reconhecimento holístico das Faces de Mooney através da formulação de uma Gestalt. O AFA teta-gama foi quantificado através do índice de modulação (MI). E o papel desempenhado pelas funções executivas nesse processo foi verificado por meio de análises de regressão logística com medidas de desempenho da inteligência geral (QI) e teste de memória operacional. Os resultados mostram um menor MI quando as faces são apresentadas na posição canônica (hemisférios esquerdo 1,4±0,3x10-3 e direito 1,4±0,4x10-3p<0,001 em ambos) em relação às faces invertidas verticalmente (hemisférios esquerdo 2,5±0,5x10-3 e direito 2,7±0,7x10-3). Porém, o MI não se diferencia (p>0,05) quanto ao êxito ou falha na identificação das imagens. Nenhum modelo de regressão testado permitiu a predição do sucesso na identificação das faces baseando-se em medidas de desempenho cognitivo e o MI. Assim, nosso estudo traz mais evidências de que o AFA está adjacente à comunicação de longo alcance entre as áreas corticais e corrobora o descarte do papel das funções executivas no apoio à formulação visual da Gestalt no córtex parietal.

2016
Dissertações
1
  • IGOR FERNANDO COSTA FERNANDES
  • A música como moduladora na escolha de parceiros: um estudo sobre musicalidade e seleção sexual humana.

  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 29/02/2016
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  • A musicalidade humana é alvo de discussão das mais diversas áreas de conhecimento. Sua presença
    universal, datada de pelo menos 36 mil anos, bem como sua utilização cotidiana como ferramenta de expressão são alguns dos diversos argumentos que corroboram para a importância deste comportamento em nossa espécie. A musicalidade humana possui paralelos com atributos semelhantes em outras espécies de aves, cetáceos e primatas, nas quais esta característica tem sido
    estudada de forma sistemática desde às primeiras observações feitas por Darwin na composição da
    Teoria Evolucionista. A Musicologia Evolucionista se propõe ao estudo da função última da musicalidade humana, tendo como uma das hipóteses propostas para explicar a função do
    comportamento musical em nossa espécie a de que este estaria intrinsicamente ligado ao
    comportamento de seleção e escolha de parceiros. Dessa forma, buscamos investigar o efeito dos
    estímulos musicais, segundo sua qualidade, na seleção de parceiros sexuais, através de avaliação de estímulos fotográficos. Encontramos diferenças do efeito da música em homens e mulheres, sendo as mulheres mais responsivas às melodias apresentadas. Os resultados apontam também para um maior efeito de estímulos musicais de baixa qualidade, os quais interferem negativamente na percepção dos parceiros. Encontramos ainda diferentes efeitos segundo o valor de mercado dos
    parceiros potenciais apresentados. Por último encontramos diferentes efeitos dos estímulos musicais na avaliação das diversas variáveis avaliadas, tais como atratividade, inteligência, familiaridade, confiabilidade e interesse sexual despertado. A partir dos resultados obtidos encontramos evidências que corroboram com a hipótese de que o comportamento musical humano está ligado ao processo de seleção e escolha de parceiros sexuais.

2
  • JÉSSICA JANINE DE OLIVEIRA
  • Romance em baixo d'água: tipos comportamentais e escolha de parceiros em Betta splendens

  • Orientador : ANA CAROLINA LUCHIARI
  • Data: 29/02/2016
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  • Cada indivíduo apresenta uma respostas comportamental diferente diante de um desafio ambiental, muitas vezes mesmo quando comparado a outro indivíduo da mesma espécie, sexo e idade, essas diferenças são chamadas tipos comportamentais e quando consistentes ao longo do tempo caracterizam uma síndrome comportamental ou personalidade animal. Evidências apontam que a personalidade animal pode interferir na aptidão reprodutiva do indivíduo. Tendo isso em vista, no presente estudo machos e fêmeas adultos de Betta splendens foram observados em três contextos (exploratório, social e avaliação de risco), para identificar a existência de tipos comportamentais e diferenças entre os sexos nos tipos comportamentais nessa espécie. Os indivíduos foram classificados em três níveis em cada contexto: contexto social (social; intermediário e não-social), contexto exploratório (explorador, intermediário e não-explorador) e avaliação de risco (bold, intermediário e shy). Após essa classificação, machos sociais e nãosociais, exploradores e não-exploradores de coloração vermelha e azul foram utilizados no experimento de escolha de parceiro pelas fêmeas. Nossos resultados apontam que a maioria dos indivíduos testados possui fenótipos intermediários para os três contextos avaliados, e uma minoria de machos e fêmeas apresentaram tipos comportamentais. E a análise de correlação mostra que machos e fêmeas se comportaram de modo diferente em relação aos contextos. No experimento de escolha de parceiro, os resultados mostram que os tipos comportamentais da fêmea e do macho influenciam no processo de escolha de parceiro e que, mesmo na presença de pistas visuais (coloração corporal dos machos), o tipo comportamental continua sendo importante no processo de escolha.

3
  • JAQUELINNE PINHEIRO DA SILVA
  • Efeitos da privação de sono em tarefas cognitivas, usando o peixe paulistinha (Danio rerio) como modelo animal

  • Orientador : ANA CAROLINA LUCHIARI
  • Data: 01/03/2016
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  • Aprendizagem e memória são processos importantes paras as espécies, pois permitem o reconhecimento coespecífico, rotas e sítios de alimentação. Um dos comportamentos conhecidos por facilitar à aprendizagem é o sono, fenômeno universal presente na maioria dos vertebrados e altamente estudado sob vários aspectos. É sabido que a privação de sono altera processos fisiológicos e comportamentais nos animais, no entanto, sua função no organismo não é completamente compreendida. As hipóteses do papel do sono variam de conservação de energia à consolidação de memória, com variadas funções durante a evolução dos animais. O peixe paulistinha (Danio rerio) surgiu nos últimos anos como vertebrado modelo em genética e biologia do desenvolvimento, e rapidamente se tornou popular em estudos do comportamento, assim como aprendizagem e memória. Além de ser um animal de ritmo circadiano diurno e possuir comportamento de sono bem caracterizado, o peixe paulistinha ainda apresenta vantagens por seu tamanho pequeno e de baixo custo de manutenção, o que estabelece essa espécie como modelo interessante para pesquisas sobre sono. No presente estudo buscou-se analisar os efeitos da privação total ou parcial de sono sobre a aprendizagem, e ainda os efeitos concomitantes com o uso de álcool e melatonina. Para isso, o projeto foi dividido em 3 etapas, cada um com um tipo de condicionamento diferente: (1) Reconhecimento de objetos, (2) Aprendizagem aversiva baseada em punição e (3) Aprendizagem apetitiva baseada em reforço. Os resultados analisados mostraram que os peixes que foram parcialmente privados de sono e os totalmente privados de sono + álcool conseguiram realizar as tarefas igualmente aos grupos controle, no entanto, os peixes totalmente privados de sono e ainda os totalmente privados + melatonina apresentaram memória e atenção prejudicadas durante os testes. Por fim, nossos resultados sugerem que apenas uma noite de privação de sono é suficiente para afetar o desempenho do peixe paulistinha em tarefas cognitivas. Ademais, a exposição ao álcool na noite anterior ao teste parece suprimir os efeitos negativos da privação de sono, enquanto a melatonina parece não ser eficiente para promover o estado de sono, ao menos na metodologia aplicada aqui.

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  • BÁRBARA DE ARAÚJO QUADROS
  • Se eu quiser fumar, eu fumo, se eu quiser beber, eu bebo: A influência do álcool e da nicotina na aprendizagem associativa em peixe paulistinha (Danio rerio)

  • Orientador : ANA CAROLINA LUCHIARI
  • Data: 02/03/2016
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  • O consumo excessivo de bebidas alcoólicas e tabaco é considerado uma das doenças mais devastadoras e dispendiosas atualmente, sendo responsável por inúmeros efeitos prejudiciais aos indivíduos e à sociedade. Dentre as áreas de investigação que abordam o consumo de álcool, muitas se preocupam em determinar os mecanismos de ação desta substância no encéfalo. Apesar de anos de pesquisa, ainda é pouco o conhecimento sobre os mecanismos pelos quais o álcool afeta as funções neurológicas e quais seriam as causas exatas das deficiências cognitivas e de memória relacionadas ao seu uso. Por outro lado, as ações da nicotina já foram bastante estudadas, e o mecanismo de ação melhor estabelecido. No entanto, o uso concomitante de álcool e nicotina ainda necessitam de pesquisas mais aprofundadas no sentido de se estabelecer como as drogas interagem no sistema nervoso e quais as consequências do uso combinado. Uma das principais funções do sistema nervoso é a capacidade de aprender e lembrar. Os reflexos condicionados são mudanças comportamentais, que podem ser aprendidas a partir de experiências repetidas. Essa aprendizagem pode sofrer alterações de acordo com mudanças fisiológicas e neurais, por exemplo, após o uso de substâncias psicoativas, como o álcool e nicotina. Devido à complexidade do sistema nervoso dos mamíferos e de suas respostas comportamentais variadas, outros modelos animais mais simples têm sido propostos, entre eles, o peixe paulistinha, Danio rerio. Neste trabalho, utilizamos esta espécie, com o objetivo de testar os efeitos de álcool, nicotina e álcool + nicotina no desempenho cognitivo do peixe na tarefa de aprendizagem associativa. Neste sentido, seis grupos foram testados: Controle (C00A00, n=13), Álcool 0,5% agudo (Ca00Aa0.5, n=9), Álcool 0,5% crônico (Ca0.5Aa0.5; n=13), Nicotina 50mg agudo (Ca00An50, n=13), Álcool 0,5% crônico + nicotina 50mg agudo (Ca0.5An50, n=15), Álcool 0,5% agudo e Nicotina 50mg agudo (Ca00Aa0.5An50 n= 7). Nossos resultados mostram que o peixe paulistinha é capaz de realizar tarefas associativas, mesmo sob ação de álcool 0,5% agudo, álcool 0,5% crônico, associação álcool crônico + nicotina 50mg agudo, Álcool 0,5% agudo e Nicotina 50mg agudo. No entanto, a nicotina (50mg) aguda interferiu negativamente na aprendizagem do animal. Nossos resultados sugerem que o peixe paulistinha consegue executar tarefas de aprendizagem associativa em labirinto em cruz. Ademais, os grupos expostos ao álcool e que receberam a associação do álcool e da nicotina, não tiveram o desempenho afetado com exceção do grupo que foi exposto somente a nicotina.

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  • CLARISSA DE ALMEIDA MOURA
  • Aprendizagem espaço-temporal e efeitos das condições luminosas no aprendizado do peixe paulistinha

  • Orientador : ANA CAROLINA LUCHIARI
  • Data: 03/03/2016
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  • Para processar a informação ambiental e perceber o tempo, os indivíduos utilizam-se de pistas ambientais, como luz e temperatura, que servem como guias para o relógio interno. O mecanismo temporizador endógeno é chamado relógio circadiano, o qual comanda uma grande variedade de ritmos diários bioquímicos, fisiológicos e comportamentais presentes nos organismos. Com isso, os animais podem antecipar eventos espaço-temporalmente distribuídos e usar essa informação para organizar as atividades diárias, o que é uma vantagem adaptativa para os indivíduos, já que muitos fatores ambientais apresentam variação circadiana. Aprendizagem espaço-temporal (do inglês: "time-place learning’’-TPL) é a habilidade de associar lugares com importantes eventos biológicos em diferentes horas do dia. Em nosso estudo utilizamos como modelo o peixe paulistinha (Danio rerio), conhecido por ser altamente social, para testar aprendizagem espaço-temporal baseada em reforço social. Além disso, objetivamos averiguar os efeitos das condições de claro constante e escuro constante na aprendizagem espaço-temporal, e se nessas condições, a atividade do peixe paulistinha é alterada. Para isso, testamos três diferentes condições (n=10): grupo claro-escuro (CE), grupo claro constante (CC) e grupo escuro constante (EE) durante 30 dias da seguinte maneira: diariamente, um grupo de 5 peixes paulistinha foi introduzido em um recipiente localizado no compartimento da manhã (um dos lados do aquário), às 8:00h e retirado às 9:00h, e em outro recipiente do compartimento da tarde (lado oposto do aquário), às 17:00h e removido às 18:00h, servindo como estímulo para que o peixe experimental ocupasse o compartimento onde o grupo fosse colocado. O comportamento foi filmado nos dois horários, 15 minutos antes e durante os 60 minutos de exposição ao estímulo, no 15º e no 30ª dia, porém neste último, os peixes foram filmados sem a presença do estímulo a fim de averiguarmos a aprendizagem espaço-temporal. Por fim, para saber a influência das três condições luminosas na atividade dos peixes, filmamos os últimos 6 dias de teste, para registrar o padrão de atividade. Nossos resultados mostraram que em ciclo claro-escuro (CE) o peixe paulistinha apresenta TPL, bem como é capaz de antecipar a hora e local do estímulo (grupo de coespecíficos), enfatizando a importância do estímulo social para a aprendizagem. Em condições de claro constante e escuro constante, o peixe paulistinha não apresentou aprendizagem espaço-temporal. Ademais, após 30 dias em condições luminosas constantes (claro constante e escuro constante), o peixe paulistinha mantém ritmo circadiano, porém em claro constante sua atividade é aumentada e seu ritmo atividade-repouso é alterado, através de um padrão de atividade distribuída homogeneamente ao longo das 24h, ao invés de concentrada na subjetiva fase clara, como nos grupos de ciclo claro-escuro e escuro constante, os quais conservam o padrão de atividade diurno da espécie.

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  • FRANCISCO EDVALDO DE OLIVEIRA TERCEIRO
  • Cuidado parental diferencial em Callithrix jacchus em ambiente natural

  • Orientador : ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
  • Data: 03/03/2016
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  • O cuidado parental é muito importante para aumentar a chance de sobrevivência da prole. Porém esse comportamento causa custos aos parentes implicando em um conflito entre pais e prole. Trivers (1974) enfatizou que pais devem otimizar o seu investimento para serem capazes de garantir a sobrevivência da prole atual e ainda serem capazes de ter mais proles no futuro. Por outro lado, infantes tentariam maximizar seus ganhos. Em espécies que são reprodutores cooperativos e possuem uma reprodução custosa esse conflito vai estar distribuido entre os membros do grupo. Como exemplo temos Callithrix jacchus, primatas que vivem em grupos de cinco a dezessete indivíduos, incluindo machos e fêmeas adultos assim como animais imaturos. Uma de suas características mais notáveis é que ajudantes contribuem para o cuidado da prole. O cuidado de comportamento parental parece ser influenciado por uma variedade de fatores tais como idade, sexo e experiência mas ainda não é claro como estes fatores interagem e determinam quando cada individuo irá contribuir. Portanto, é nosso objetivo estudar o investimento feito pelos cuidadores para os infantes em C.jacchus e analisar se existe cuidado parental diferencial em condições naturais. Nós estudamos uma grupo na Floresta Nacional de Assu durante doze meses e gravamos comportamentos de cuidado tais como carregamento, partilha de alimento, catação e amamentação de todos os indivíduos do grupo. Nós analisamos esse comportamento entre várias proles em um grupo familiar. Nós encontramos que o sexo dos cuidadores e dos filhotes só é relevante para o comportamento de catação e que a competição entre fêmeas em diferentes proles muda diretamente a alocação de cuidado para todos os comportamentos registrados e afeta a alocação de cuidado de todos os membros do grupo. Os resultados nos levam a concluir que não existe cuidado parental diferencial ao nível de indivíduo. Por outro lado, o cuidado parental e aloparental refletem a dinâmica social do grupo de C.jacchus e por essa razão podem ser usados com esse propósito como uma alternativa aos comportamentos agressivos e afiliativos.

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  • LAURA KYOKO HONDA
  • Ecologia do Movimento de Machos Cantores de Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) no Sítio Reprodutivo de Abrolhos - BA.

  • Orientador : RENATA SANTORO DE SOUSA LIMA MOBLEY
  • Data: 03/03/2016
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  • Estudos sobre movimentação podem fornecer diversos tipos de informações sobre a ecologia de diferentes grupos animais, desde padrões de uso de habitat até inferências sobre estados comportamentais. O presente trabalho tem como objetivo a caracterização dos padrões de movimentação em fina escala dos machos cantores de Jubarte em um sítio reprodutivo para detectar efeitos da abundância de machos cantores e da presença de embarcações. Adicionalmente, buscou-se verificar se é possível fazer inferências sobre os estados comportamentais dos cantores através das suas trajetórias. A coleta dos dados foi feita utilizando-se arranjos de gravadores acústicos autônomos desenvolvidos pelo Programa de Pesquisas em Bioacústica da Universidade de Cornell – EUA. O estudo foi realizado no sítio reprodutivo das baleias Jubarte do Pacífico Sul Ocidental localizado no Banco dos Abrolhos-BA durante a temporada reprodutiva de 2005. Os machos cantores de Jubarte foram identificados através da detecção dos seus sons por meio da inspeção visual dos espectrogramas das gravações. As posições dos cantores foram estimadas através da localização de cada som identificado com boa qualidade em pelo menos 3 dos 5 canais de áudio através de algoritmo customizado em ambiente MATLAB. Da mesma forma foi realizada a detecção dos eventos de embarcações. As trajetórias foram construídas a partir dos pontos de localização após uso do filtro Kalman. As trajetórias foram classificadas em categorias de abundância de cantores (baixa = até dois cantores e alta = a partir de três cantores) e de presença de barco (presença e ausência). Funções de distribuição de probabilidade foram construídas a fim de testarmos, por meio da análise de máxima verossimilhança, qual distribuição se ajustaria melhor aos nossos dados. Foi feita uma seleção de modelos concorrentes incluindo como modelos as categorias de análise (abundância e presença de barcos) e as funções de distribuição ajustadas aos dados. A variável preditora utilizada foi a velocidade. O melhor modelo foi escolhido com o Critério de Informação de Akaike corrigido para pequenas amostras (AICc). Os padrões de movimentação descritos diferiram de estudos prévios. Nossas categorias de análise não se mostraram boas para a explicar a variação dos dados, mas os modelos foram capazes de identificar dois padrões distintos de movimentação de machos cantores de jubarte: passos lentos e constantes caracterizando um estado comportamental exploratório intercalados por raros passos rápidos que caracterizam um movimento direcional. As motivações para a alternância entre os diferentes estados comportamentais provavelmente envolvem diferentes estratégias reprodutivas. Nossos resultados mostraram que trajetórias baseadas em dados acústicos podem ser utilizadas para a inferência de estados comportamentais distintos de baleias jubarte através da análise dos padrões de movimentação.

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  • DANIEL SILVA POLARI
  •  Conscious or Zombies – Self-Perception in Callithrix jacchus & Dinoponera quadriceps.


  • Orientador : RENATA SANTORO DE SOUSA LIMA MOBLEY
  • Data: 04/03/2016
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  • Consciência como fenômeno biológico pode consistir de diferentes estados sensoriais, sentimentos e emoções. Comportamentos especializado, ações sofisticadas de comunicação, meta-cognição, interação social, orientação especial, use de mapas mentais para navegação e memória espaciais, apontam para tipos diferentes de processamentos consciente em gêneros que não o Homo. O presente trabalho busca identificar a auto-percepção em diferentes espécies, com testes do espelho em Callithrix jacchus e com testes de auto-localização em Dinoponera quadriceps. O comportamento de C. jacchus no espelho foi catalogado utilizando dois protocolos diferentes: com marca e sem marca. A capacidade de navegação de D. quadriceps durante o forrageio, foi calculada considerando três diferentes categorias: (1) acesso livre ao ninho/recurso, (2) acesso direto bloqueado por objeto opaco; e 3) bloqueado por objeto transparente. Nossos resultados apontam para auto-percepção e mambas as espécies, com C. jacchus apresentando comportamentos de verificação de contingência, auto-observação, além de utilizar a imagem refletida para observar o ambiente e reagir a marca. D. quadriceps foram capazes de perceber sua própria localização no ambiente e calcular caminhos curtos até a colônia após obter o recurso alimentar, em todos os três tipos de testes. Aqui nós apresentamos evidência de estados conscientes em outras espécies que não vertebrados.

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  • LUANA CARLA DOS SANTOS
  • Irish Coffee: Efeitos de álcool e cafeína no comportamento e aprendizagem do peixe paulistinha.

  • Orientador : ANA CAROLINA LUCHIARI
  • Data: 04/03/2016
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  • Substâncias psicoestimulantes vêm sendo utilizadas de forma indiscriminada há muitos anos, e pouco se sabe os efeitos que elas causam a curto e longo prazo no comportamento geral, na aprendizagem e na memória. Essas substâncias são bastante usadas por jovens e adultos e elas possuem efeitos diferentes. Essas substâncias são dose dependente, caso consumidas em baixa quantidade agem como estimulante, aumentando a atividade locomotora, caso consumidas em alta quantidade, causam efeito depressor, diminuindo a atividade locomotora e/ou causando ansiedade. Poucos estudos vêm investigando os efeitos dessas substâncias na atividade locomotora, aprendizagem e memória e grande parte desses estudos são realizados em roedores. Peixe paulistinha é um modelo animal promissor para estudos comportamentais, cognitivos, ontogenéticos, dentre outros. Nossos objetivos foram determinar os efeitos do álcool, cafeína e de seu uso combinado com álcool, na atividade locomotora desses animais, usando para isso doses crônicas durante 27 dias e doses agudas durante um dia. Visto que pouco se sabe sobre os efeitos dessa exposição prolongada. Também investigamos os efeitos das substâncias em teste de reconhecimento de objetos, que se baseia na memória de único evento. Essas memórias são mais vulneráveis que memórias baseadas em várias repetições de eventos. Sendo assim, um teste adequado para utilizar com uso de substâncias psicoativas. Observamos que o uso crônico de cafeína provoca alteração na atividade locomotora dos animais, do mesmo modo, abstinência de álcool combinada com cafeína em dose aguda (dose média) provoca aumento de atividade locomotora. Quando submetidos a testes de memória, os animais exposto a doses altas agudas de álcool e em abstinência dessa droga têm prejuízo na formação e/ou resgate da memória. No entanto, tratamento com cafeína não prejudica a formação de memória. Animais expostos a tratamento com dose crônica moderada de álcool e dose aguda moderada de cafeína tem melhor desempenho na tarefa, indicando que dose aguda moderada de cafeína pode evitar os efeitos deletérios ocasionados pela abstinência do álcool. Em termos do comportamento geral, doses agudas de cafeína aumentam a locomoção, enquanto doses elevadas e a abstinência de cafeína induzem a comportamentos tipo-ansioso. A combinação álcool crônico e cafeína aguda induzem a alto comportamento tipo-ansiedade, enquanto a combinação cafeína crônica e álcool agudo diminuem tanto a locomoção quanto a ansiedade.

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  • JULIANA CAVALCANTE DE MOURA
  • A consolidação prévia de informação conflitante e não aversiva é necessária para a reconsolidação da memória de esquiva inibitória no hipocampo.

  • Orientador : MARTIN PABLO CAMMAROTA
  • Data: 22/03/2016
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  • A reativação pode levar as memórias consolidadas a um novo estado de labilidade, tornando-as suscetíveis à incorporação de nova informação através de um processo de reestabilização dependente da expressão gênica e da síntese de novas proteínas conhecido como reconsolidação. A interrupção da reconsolidação usualmente produz amnésia. Contudo, algumas memórias são particularmente resistentes a agentes bloqueadores da reconsolidação, indicando que este processo ocorre somente quando é dada uma série específica de condições. Utilizando ferramentas farmacológicas e comportamentais, neste trabalho demonstramos que a consolidação prévia de informação não aversiva é essencial para a reconsolidação da memória de esquiva inibitória em ratos.

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  • SILVANA SITA
  • Back to The Wild: Individual Differences in Capuchin Monkeys’ Rehabilitation and Relocation.

  • Orientador : RENATA GONCALVES FERREIRA
  • Data: 04/04/2016
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  • Primate populations in the wild have been rapidly declining mainly due to habitat destruction and to wildlife traffic to supply the illegal pet trade and biomedical research demand. As a result, wildlife rescue centers (in Brazil, CETAS) face a huge problem to allocate confiscated wildlife, which became accumulated in large numbers at their facilities. In Brazil, capuchin monkeys are the second most common primate species found at CETAS. Relocation of confiscated primates if well planned is a three-goal tool: help to achieve conservation; solve the problem of destination of confiscated primates and offer welfare condition to displaced wildlife. However, relocation projects have reported a great range of survival rates, being as low as 17% to 98%, so understanding the factors that are related to this disparity in survival rates would help us to achieve high success in primate relocation programs. In this work, we investigate the hypothesis that individual differences in capuchin monkeys are related to post-release survival and dispersal and responsiveness to rehabilitation process. Our research was based on two studies of relocated capuchin monkeys conducted as routine procedures of Brazilian environmental agency (IBAMA). The first (Pioneer Study) accompany the relocation  of 69 capuchin monkeys in lagoon islands Caatinga biome and the second (Detailed Study) accompany the relocation of 9 animals in the Atlantic Forest biome. At Chapter 1, we review the factors described in the literature which would be directly related to relocation success,  especially at individual level. In Chapter 2, two types of non-lexical approach to personality were assessed by behavioral codes: uncontextualized (UD) and contextualized (CD) personality  dimensions. Three UD (i.e. Exploration, Activity and Vigilance) and eight CD (i.e. Boldness, (food) Neophilia, Exploratory, Food orientation, Sociability, Aggressiveness, Activity, Vigilance) were used to classify individuals by score in two categories and then used to investigate trait- group difference in survivorship and dispersal/ habitat use. Chapter 3 was based in the second study (DS) and we analyze behavioral changes during different types of enrichment (i.e. physical, social, acclimatization and post-release) at three levels: group, individual and trait level (based on contextualized dimensions). Our major findings are: food Neophilia (positively) and Activity (negatively) CD related to individual survival after release, that is, more neophilic and less active individuals survived longer. Sociability related to higher dispersal after release and better learning at social enrichment. Enrichment is capable to promote survival skills  training and reduce stress, although different types of enrichment promotes behavioral changes differently; more neophilic individuals responded more to physical enrichment. We suggest that locomotion in captivity relates to anxiousness rather than a positive normal behavior. In conclusion, our findings indicate that individuals indeed respond differently to enrichment and post-release. Moreover, the personality traits such as food Neophilia, Activity, Sociability and Exploration seemed to be related to those different responses.

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  • ANNARA YVE MOURA SOARES
  • Membrane properties of dentate gyrus neurons in mice lacking the DNA-repair enzyme Neil3

  • Orientador : RICHARDSON NAVES LEAO
  • Data: 05/04/2016
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  • Esse estudo objetiva avaliar se a expressão da enzima de reparo de DNA Neil3 é importante para o desenvolvimento funcional dos neurônios. Estudos previos tem demonstrado que Neil3 interfere tanto na neurogênese adulta como na fazer embrionaria. Eu utilizei whole cell patch clamp para estudar propriedades sinapticas e de membrana das células granulares do giro denteado. O giro denteado é uma das regiões com maior expressão de Neil3 no cérebro e estudos previos tem demonstrado que a neurogênese reativa em camundongos adultos é afetada pela ausencia da enzima de reparo Neil3. Eu encontrei que a maioria das propriedades de membrana nas células granulares de camundongos knockout para Neil3 são normais com exceção à resposta de membrana às correntes de hiperpolarização e pós-hiperpolarização. Diferentemente de neurônios imaturos, as células granulares do giro denteado de camundongos com ausência de Neil3, na qual as correntes de hiperpolarização ativadas são geralmente as ultimas a aparecerem durante o desenvolvimento. Além disso, correntes sinapticas excitatorias foram similar em amplitude mas apresentaram um decaimento ligeiramente mais rapido em células de camundongos knockout de Neil3. Esses resultados podem indicar um balanço diferente entre os receptores AMPA e NMDA em camundongos knockout. Analises morfologicas de neurônios preenchidos com biotina e reconstrução post hoc não apresentaram grandes diferenças na morfologia dendritica entre animais controle e knockout. Esse estudo mostra que, em relação diferenças entre animais controle, neurônios do giro denteado de animais knockout de Neil3 não podem ser classificados como imaturos. Eu encontrei diferenças pontuais na corrente de hiperpolarização e pequenas diferenças em propriedades sinapticas. Ainda devem ser avaliadas se essas diferenças podem ser responsáveis por alterações comportamentais encontradas em camundongos Neil3-knockout. Além disso, estudos futuros utilizando marcadores de neurônios recém-nascidos são necessários para analisar o efeito da eliminação da enzima Neil3 no desenvolvimento de neurônios.

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  • MARIA LUIZA CRUZ DE OLIVEIRA
  • Relação Entre o Uso De Mídia e os Hábitos De Sono, Sonolência Diurna e Cognição em Adolescentes de Escolas Privadas De NATAL/RN

  • Orientador : CAROLINA VIRGINIA MACEDO DE AZEVEDO
  • Data: 05/04/2016
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  • O atraso de fase em relação aos horários de deitar e levantar na adolescência somado ao crescente uso de mídia pode ocasionar exposição à luz em horários  impróprios, irregularidade nos horários e privação de sono. Processos cognitivos básicos regulam o desempenho dos indivíduos. Nesse trabalho, avaliamos a atenção, a memória operacional e a flexibilidade cognitiva. Esses processos podem sofrer influência da irregularidade e da privação de sono, acarretando redução na performance cognitiva podendo prejudicar a aprendizagem. Nesse trabalho, verificamos se os hábitos de sono, a sonolência diurna e a cognição de adolescentes do turno matutino variam em função do uso de mídia. Assim, 83 estudantes (60 meninas, 23 meninos) da segunda série do ensino médio de escolas privadas de Natal/RN responderam questionários (A saúde e o sono, Avaliação do Cronotipo de Horne-Östberg e Escala de Sonolência de Epworth) e uma bateria de testes cognitivos (avaliação da atenção por uma Tarefa de Execução Contínua; memória operacional, pelo Subteste de dígitos; e Flexibilidade cognitiva pelo teste de trilhas e de Berg de classificação de cartas). Além disso, preencheram o diário do sono durante 10 dias (incluindo a pergunta “o que estava fazendo antes de dormir?”) e um protocolo diário de uso de mídia por dois dias na semana e dois no final de semana. No geral, o uso de mídia foi maior no fim de semana em relação à semana, e o dispositivo mais utilizado foi o celular, seguido de televisão e computador. Não foram encontradas correlações entre a estimativa de uso semanal de mídia e os parâmetros relacionados ao sono. Contudo, foram encontradas correlações fracas entre a estimativa semanal de uso e: a estabilidade geral na atenção (r=-0,23; p<0,05), os pontos (r=0,22; p<0,05) e escore total (r=0,22; p<0,05) na ordem direta do subteste de dígitos, e os erros únicos (r=-0,26; p<0,01) do teste de Berg. Em relação à frequência de uso de mídia antes de dormir, a televisão aparece como o dispositivo preferido pelo grupo que mais usa mídia neste horário (G3). De forma geral, os horários de deitar e levantar diferiram entre os dias de semana e fim de semana, mas não houve diferença na irregularidade nos horários de deitar e levantar em função do uso de mídia antes de dormir. Foram encontradas diferenças nos horários de levantar no fim de semana, de modo que o grupo com menor frequência de uso de mídia antes de dormir (G1) levantou mais cedo (Anova, p<0,01 –Bonferroni, p<0,05). A maioria dos estudantes apresentou sonolência diurna excessiva, com diferenças nas proporções entre os grupos. Porém, os maiores percentuais foram observados sucessivamente no G1 e G3 (X2, p<0,05). Quanto ao desempenho nos testes cognitivos, o G1 apresentou menor percentual de omissões no alerta fásico (Mann-Whitney, p<0,05), uma tendência a um menor percentual de omissões em relação à atenção sustentada (Kruskal-Wallis, p=0,06), maior número de pontos na versão indireta do subteste de dígitos (Mann-Whitney, p<0,05) e uma tendência a ser mais eficiente na versão A do teste de Trilhas (Mann-Whitney, p<0,05). De maneira geral, esses resultados corroboram nossas hipóteses de que o uso de mídia influencia o sono, a sonolência diurna e a performance cognitiva, principalmente quando a utilização dos dispositivos eletrônicos ocorre próximo ao horário de deitar. Porém, estudos adicionais com um maior número de indivíduos são necessários para confirmar estas evidências.

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  • GALILEU RODRIGUES BORGES
  • Caracterização Dos Hábitos De Sono, Sonolência Diurna e Qualidade Do Sono em Professores Universitários Das Áreas Biomédica e Tecnológica. 

  • Orientador : CAROLINA VIRGINIA MACEDO DE AZEVEDO
  • Data: 06/04/2016
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  • A expressão do Ciclo Sono/vigília é resultante de interações entre características individuais, conhecimentos e hábitos de sono, e o ambiente social. Em estudos com professores do ensino fundamental e médio, foi observada má qualidade de sono e sonolência diurna em metade da amostra, além de privação de sono. Dessa forma, é importante uma investigação em professores universitários, que além da docência, desenvolvem atividades de pesquisa e extensão acumuladas a funções administrativas. O objetivo desse trabalho foi caracterizar de forma comparativa os hábitos e conhecimentos sobre o sono, a qualidade de sono, sonolência diurna de professores de uma instituição de ensino superior das áreas Biomédica e Tecnológica. Estes aspectos foram avaliados por meio dos questionários: 1. Sono e Saúde, 2. Índice de qualidade do sono de Pittsburg, 3. Escala de Sonolência de Epworth, e 4. Avaliação do cronotipo de Horne e Ostberg (HO). Além disso, o padrão de sono e vigília e os horários de trabalho foram registrados por meio do 5. Diário de sono e do 6. Protocolo de atividades diárias preenchidos durante 10 dias. Participaram da pesquisa 86 professores, sendo 44 (23 mulheres) da área biomédica e 47 (14 mulheres) da área tecnológica. O horário de início de trabalho (BM: 9:53h ± 1:30h; TC: 10:05h ± 2:30h) e a duração do trabalho na instituição (BM: 7:30h ± 1:27h; TC: 7:30h ± 1:28h) não diferiram entre as áreas (ANOVA, p > 0,05). Porém, o horário de fim de trabalho foi mais tardio em professores da área tecnológica (BM: 18:10 ± 1:35 h; TC: 18:48 ± 1:24 h – ANOVA, p < 0,05). A carga horária total de trabalho tendeu a ser maior em professores da área biomédica (ANOVA, p = 0,06). Associado a isso, houve uma maior carga horária em ensino em programas de pósgraduação e número de orientandos nesta área (ANOVA, p < 0,05). Professores da área biomédica apresentaram um percentual maior de acertos nas questões sobre o conhecimento sobre sono, acompanhado de melhores hábitos de higiene do sono (X2 , p < 0,05). Os horários de dormir (BM: 23:53h ± 15min; TC: 23:31h ± 22min) e de acordar (BM: 6:46h ± 40min; TC: 7:40h ± 30min), e o tempo na cama (BM: 6:58h ± 60 min; TC: 7:12h ± 55min) não diferiram entre as áreas (ANOVA, p > 0,05). Embora os professores da área biomédica tenham apresentado uma tendência à matutinidade em relação aos professores da área tecnológica (X2 , p < 0,05). Quanto à qualidade de sono e sonolência diurna, há um percentual maior de boa qualidade acompanhado de um percentual menor de sonolência diurna excessiva na área biomédica (X2 , p < 0,05). Essas diferenças nos parâmetros de sono podem estar relacionadas a melhores hábitos de higiene do sono e conhecimento sobre o sono nos professores da área biomédica. Dessa forma, sugere-se que a área de atuação profissional influencie os conhecimentos sobre o sono impactando os hábitos de sono, produzindo efeitos na qualidade e na sonolência diurna de professores universitários. Esse quadro reforça a necessidade de realizar programas educacionais sobre o sono com professores universitários na tentativa de promover melhores hábitos de sono e consequentemente melhor qualidade de vida, saúde e produtividade acadêmica nesses profissionais.

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  • THAMIRES CASAGRANDE
  • Ritmo de Atividade Vocal de Machos de Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos – BA, Brasil.

  • Orientador : RENATA SANTORO DE SOUSA LIMA MOBLEY
  • Data: 07/04/2016
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  • A existência de um padrão repetitivo periódico de atividade vocal de baleias jubarte ao longo da temporada reprodutiva pode apoiar a hipótese da existência de um ritmo biológico endógeno, ou ainda, elucidar como os zeitgebers bióticos ou abióticos poderiam modular a expressão do comportamento vocal desses animais, que é tão importante para o sucesso reprodutivo dos indivíduos e manutenção do tamanho e da saúde da população. Muitos estudos sobre atividade vocal de baleias jubarte tem investigado as alterações no padrão temporal e geográfico das canções dos machos. Tal conhecimento pode contribuir para o manejo, elucidando como a expressão comportamental pode ser modulada sob a ação dos fatores externos sobre o meio em que indivíduo esteja inserido. Este conhecimento fornece, juntamente com outras informações sobre a história de vida, biologia e ecologia da espécie, subsídios para a elaboração de medidas de conservação que sejam mais bem-sucedidas. O objetivo desse trabalho foi verificar a existência de ritmo na ocorrência de displays vocais de machos de baleia jubarte no entorno do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos e se a presença de ruído de barco afeta a atividade vocal. Para isso, foram utilizados dados acústicos anteriormente coletados no entorno do parque durante os anos de 2003, 2004 e 2005. Em 2005 o esforço foi dividido entre uma área tratamento, similar aos anos anteriores e onde passam barcos de turismo frequentemente e uma área controle com pouco tráfego de barcos. As gravações foram visual e auralmente inspecionadas através da ferramenta para MATLAB, XBAT, a cada 2 minutos e categorizadas como: presença ou ausência de vocalizações de baleias jubarte e também de ruídos de embarcações. Foram realizadas análises espectrais, cosinor e teste de correlação através de uma rotina elaborada em MATLAB. Nossos resultados mostram a existência de um padrão de atividade vocal para todos os anos mas ausente na área controle em 2005. Uma maior atividade vocal foi observada entre os horários de 15:00 da tarde e 10:00 da manhã. Porém o mesmo padrão não pôde ser observado para todos os meses amostrados da área controle de 2005, na qual o tráfego de embarcações era bem reduzido. Quando analisado o padrão temporal das embarcações, o maior número de ruídos se encontravam entre as 10:00 e 15:00 revelando uma correlação negativa entre o ruído de embarcações e a atividade vocal. O que pode sinalizar que devido ao ruído dos motores das embarcações mascarar energeticamente os sinais vocais baleias jubarte em resposta evitam vocalizar em horários de maior intensidade sonora, organizando-se temporalmente.

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  • NARA PAVAN LOPES
  • Variabilidade acústica nos botos-cinza (Sotalia guianensis, Van Beneden, 1864)

  • Orientador : RENATA SANTORO DE SOUSA LIMA MOBLEY
  • Data: 08/04/2016
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  • Na comunicação o sinal é transmitido por um emissor e pode carregar informações a respeito de sua identidade, seu tamanho, seu status sexual, suas habilidades para luta e sobrevivência. Múltiplos fatores podem interferir nessa comunicação, alterando o sinal emitido em consequência de variação no ambiente, na morfologia corporal, na aprendizagem social e na transmissão cultural. Sinais acústicos podem variar entre populações. O dialeto é a variação nos sinais de duas populações que trocam genes e variação micro ou macrogeográfica, dependendo da distância, existe entre populações onde não há intercâmbio de indivíduos. Estes termos não estão bem estabelecidos na comunidade científica e muitas vezes são considerados sinônimos ou são usados incorretamente, por isso foi feita uma revisão para explicar os termos envolvidos na variação acústica. Uma padronização dos termos foi proposta esclarecendo os processos que podem ou não estarem relacionados com a evolução desta tipo de variação. A variação acústica está presente em sinais de odontocetos (golfinhos e outros cetáceos com dentes, Ordem Cetartiodactyla), que usam esta modalidade de  comunicação na mediação de interações sociais, para obtenção de alimento e para orientação espacial. Um dos principais sons emitidos pelos golfinhos em suas interações é o assobio (som tonal de frequência modulada). O objetivo desse estudo foi comparar os assobios dos botos-cinza (Sotalia guianensis) coletados em Baía Formosa, RN (6o 22' S; 35o 00' W) com dados publicados das demais localizades na América Latina. Os resultados mostram correlações significativas entre frequência máxima e final e entre inicial e mínima, tanto em Baía Formosa, quanto nos outros locais, indicando uma preponderância de assobios com modulação de frequência ascendente para a espécie em toda sua distribuição. A duração teve uma correlação negativa  significativa  com a frequência inicial em todos os locais comparados (p < 0,00001 e r2 = 0,71) e pode indicar que existe um limiar fisiológico para produção de assobios muito agudos. A análise de componentes principais dividiu os locais em dois grupos maiores, porém não foi devido a uma variação latitudinal. Provavelmente diferenças no método de amostragem (equipamentos com taxas de frequência limite distintas e parâmetros de análise espectral distintos), variações no ambiente, diferenças nas frequências de filhotes (produz sons mais agudos) ou animais de maior porte (emite frequências menores) e aprendizagem vocal social podem estar mascarando efeitos geográficos nos padrões vocais.

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  • GUSTAVO ALEXANDRE BRAGA DE CARVALHO
  • Avaliação da influência de fatores bióticos e abióticos sobre a seleção de sinais visuais de cor em lagartos gymnophitalmideos de cauda colorida

  • Orientador : DANIEL MARQUES DE ALMEIDA PESSOA
  • Data: 27/04/2016
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  • A coloração pode exercer as mais variadas funções dentre os diversos grupos de animais, e, especialmente em lagartos, essa variabilidade funcional é relativamente alta, podendo atuar, por exemplo, como sinalização reprodutiva, sinalização social e estratégia anti-predação. Mesmo assim, a coloração adotada pelas espécies pode variar dependendo das características físicas do meio (e.g. iluminante e background) e de fatores bióticos (e.g. sistema visual do observador), fazendo com que diferentes colorações sejam selecionadas de acordo com o ambiente sensorial em questão. O objetivo desse trabalho foi testar a hipótese do direcionamento sensorial na coloração da cauda de duas espécies de lagartos gymnophitalmideos (V. multiscutata e M. maximiliani). Para isso foram realizadas coletas pontuais em dois diferentes ecossistemas (caatinga e restinga) e em duas diferentes estações do ano (estação chuvosa e seca). A coloração dos animais, assim como do substrato circundante e do espectro de iluminação solar, foi mensurada através de um espectrofotômetro e essas informações foram inseridas em uma modelagem visual para lagartos e possíveis predadores. Os resultados mostraram picos de refletância de luz UV nas superfícies mensuradas das duas espécies, o que pode ser o responsável por aumentar o contraste para animais com visão UV. Lagartos foi o fenótipo que apresentou melhores resultados na detecção da cauda das duas espécies. Por outro lado, as demais partes do corpo, supostamente teriam função de camuflagem, devido ao seu baixo contraste com o substrato. Também encontramos uma variação do contraste de cor entre animal e substrato para diferentes fenótipos visuais, encontrados em diferentes observadores. Sendo assim, conclui-se que a comunicação intra-especifica pode ser o principal fator a influenciar a coloração conspícua da cauda das duas espécies. Além disso, a coloração azul e vermelha, podem cumprir em determinados momentos funções diferentes. Com a cauda vermelha, cumprindo função de camuflagem para lagartos, por exemplo.

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  • PHIÉTICA RAÍSSA RODRIGUES DA SILVA
  • Empatia e reciprocidade em ratos Wistar: um paradigma para avaliar comportamento pró-social

  • Orientador : MARIA EMILIA YAMAMOTO
  • Data: 04/05/2016
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  • O comportamento pró-social se refere a quaisquer ações que têm a intenção de beneficiar outros, independente do ator também se beneficiar no processo. O termo é bastante amplo e abrange vários subcomponentes, tais como cooperação, mutualismo, altruísmo e ajuda. A cooperação geralmente traz um custo para o indivíduo cooperador que resulta na diminuição da sua aptidão. Embora isto pareça contraditório com a teoria da seleção natural, mecanismos que favorecem a evolução da cooperação foram selecionados, tais como a seleção de parentesco, a reciprocidade direta e a reciprocidade generalizada. Por trás do comportamento pró-social pode estar um componente emocional motivador, tal como o sentimento de empatia. A empatia é a capacidade de experienciar reações afetivas ao observar a experiência do outro (empatia emocional), partilhando o seu estado emocional, e ser capaz de adotar o ponto de vista do outro (empatia cognitiva). Ainda não há um modelo animal estabelecido para o estudo da empatia como motivador do comportamento pró-social, em seus diversos aspectos. Dessa forma, utilizamos um protocolo que propõe avaliar empatia e comportamento pró-social em ratos (Bartal et al., 2011) visando verificar sua reprodutibilidade e buscando compreender aspectos como ajuda e cooperação (reciprocidade direta e generalizada) bem como motivação para esses comportamentos. O comportamento de ajuda foi avaliado a partir da libertação de um colega aprisionado, pela abertura da porta de uma caixa restritora. A posterior retribuição da ajuda foi o parâmetro utilizado para investigar reciprocidade para um rato conhecido (direta) ou não (generalizada). Os ratos não recebiam treinamento ou recompensa pela tarefa. Reproduzimos os resultados do protocolo original e verificamos a presença de reciprocidade, porém não pudemos distinguir a direta e da generalizada. Identificamos outros fatores associados com a abertura da porta. Vimos que os animais continuavam abrindo a porta quando submetidos a um teste com a caixa restritora vazia, após ter aprendido como abrir a porta. Vimos também que os ratos “libertadores” entravam na caixa após abertura e permanenciam nela a maior parte do tempo durante o teste. Quando os ratos foram submetidos previamente à caixa vazia e depois à caixa com um coespecífico não houve abertura em nenhuma das circunstâncias, indicando um possível efeito de hábito sobre o comportamento. Sendo assim, é necessário investigar os demais fatores que possam estar envolvidos com a abertura da porta antes de considerar o uso do paradigma aqui estudado para investigação de mecanismos relacionados à empatia e ao comportamento pró-social.

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  • CINTHYA MONTENEGRO DE VASCONCELOS SILVA
  • Avaliação do perfil de sono-vigília em um modelo crônico de roedor para a doença de Parkinson

  • Orientador : ROVENA CLARA GALVAO JANUARIO ENGELBERTH
  • Data: 13/05/2016
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  • A doença de Parkinson (DP) é uma desordem neurodegenerativa e progressiva com espectro clínico variado. Além dos sintomas motores clássicos também podem surgir complicações não-motoras, destacando-se aí problemas cognitivos, psiquiátricos e autonômicos. Evidências demonstram que tais sintomas não-motores frequentemente precedem o aparecimento dos sinais motores e são extremamente relevantes, dado o impacto negativo que causam na qualidade de vida dos indivíduos. Os sintomas não-motores podem apresentar múltiplas causas, dentre as quais uma possível disfunção do sistema circadiano. Dessa forma, diversos processos fisiológicos influenciados pelo sistema de temporização circadiano (STC), como o ciclo sono/vigília podem se mostrar alterados em pacientes acometidos pela DP. O STC é responsável pela geração e manutenção dos ritmos circadianos, que são oscilações endógenas manifestadas pelos seres vivos em diversos processos fisiológicos e comportamentais, com período em torno de 24 horas. Assim, é fundamental a compreensão dos efeitos da progressão do processo patogênico da DP sobre o perfil circadiano do ciclo sono/vigília e também de componentes do STC, em particular no núcleo supraquiasmático (NSQ), o principal marcapasso do sistema. No presente estudo, ratos wistar jovens (6 meses) e de meia-idade (10 meses) foram submetidos a um modelo animal crônico de DP com administração de reserpina durante 20 dias. Ao longo do tratamento foram realizadas análises comportamentais do sono, bem como a avaliação motora dos animais. Após o fim do tratamento, foram realizadas análises imunoistoquímicas no NSQ dos animais. Nossos resultados mostraram que o tratamento crônico com reserpina promoveu comprometimento motor progressivo tanto nos animais jovens quanto nos de meia-idade. Além disso, as análises comportamentais revelaram perturbações no ciclo sono/vigília dos animais tratados em comparação aos indivíduos controle, incluindo avanço na fase de sono e aumento na fragmentação do sono. As análises imunistoquímicas não permitiram observar efeitos significativos do tratamento com reserpina sobre a composição neuroquímica do NSQ, contudo novos estudos são necessários para a avaliação neuroquímica e morfométrica desse importante marcapasso circadiano na DP.

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  • VANESSA CARLA COELHO DE LIMA
  • O período de imaturidade em macacos-prego (Sapajus sp.): habilidades de forrageio e redes sociais

  • Orientador : RENATA GONCALVES FERREIRA
  • Data: 23/05/2016
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  • O estudo do desenvolvimento tem recebido destaque com a crescente aceitação de novos modelos que defendem que processos comportamentais podem ter um papel importante no surgimento e manutenção das variações fenotípicas. Essa perspectiva é particularmente relevante no estudo de espécies que vivem em ambientes socialmente e ecologicamente complexos, pois é durante o desenvolvimento que os indivíduos aprimoram o comportamento adequado para sobrevivência diante das condições imediatas. Nós avaliamos as mudanças nas redes sociais, padrões de forrageamento e obtenção de comida em macacos-prego imaturos, especificamente analisando as seguintes hipóteses: 1. Filhotes de macacos-prego exercem atração generalizada em outros membros do grupo; 2. As relações sociais de fêmeas lactantes são regidas por forças de mercado; 3. A eficiência do comportamento alimentar aumenta com o desenvolvimento; 4. A proximidade social atua como facilitador no comportamento alimentar. Para isso, foram utilizados dados coletados em um grupo de macacos-prego (Sapajus sp.) habitantes do Parque Ecológico do Tietê (PET) (cerca de 20 ha), localizado na Zona leste de São Paulo e composto por 26 indivíduos. As observações foram realizadas entre os anos de 1999 e 2001, totalizando 304 horas, 18.081 varreduras de comportamento e proximidade, e 1568 sequências comportamentais. Infantes foram os mais tolerados entre todos os imaturos, possuindo os mais altos níveis de alcance e força em suas networks de proximidade, enquanto juvenis a partir do segundo ano de vida receberam significativamente mais abordagens agressivas. Esses resultados suportam evidências da alta tolerância aos indivíduos infantes. Entretanto, os resultados não oferecem suporte ao modelo de que as interações de fêmeas lactantes seguem regras de mercado, pois essas fêmeas tanto receberam quanto ofereceram mais catação. Nas análises do comportamento alimentar, foi detectada mudança nas estratégias de obtenção de alimentos, com infantes fazendo uso da amamentação; juvenis I, adquirindo alimentos a partir do forrageio de coespecíficos; e juvenis II e III gradualmente aumentando a porcentagem de tempo dedicada a manipulação do próprio alimento. Infantes foram mais centrais do que juvenis mais velhos, e a eficiência nessa idade se correlacionou a centralidade. De forma coerente, a centralidade não se correlacionou à eficiência de forrageio em juvenis acima de 2 anos. Atualmente, a taxa de mudança ambiental é presumida por exceder a taxa de resposta evolutiva de muitas populações, sabendo que a plasticidade fenotípica (que inclui a flexibilidade comportamental) ocorre durante o desenvolvimento dos indivíduos, a tolerância social para manutenção da coesão do grupo e para o aprendizado de habilidades específicas de fundamental importância para a sobrevivência dos indivíduos.

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  • LAURA CAROLINA AHUMADA HERNÁNDEZ
  • Efeito da estimulação emocional sobre o processamento sensorial auditivo

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 24/05/2016
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  • As emoções influenciam no comportamento, contribuindo para a adaptação ao ambiente, e modulando os processos cognitivos como a percepção, a atenção e a memória. As imagens com conteúdo emocional afetam o potencial evocado visual, provocando aumento nas amplitudes dos componentes precoces. Porém, ainda não é claro como o conteúdo emocional associado a uma determinada via sensorial pode afetar o processamento de outras modalidades sensoriais. O objetivo deste estudo é avaliar como as imagens com conteúdo emocional influenciam o processamento sensorial auditivo, através do potencial evocado auditivo de um som inócuo. Para isso, foi registrado o potencial evocado auditivo em 36 estudantes universitários durante a apresentação de blocos de imagens negativas, blocos de imagens positivas, blocos de imagens neutras ou uma tela em branco. Analisamos a potência das bandas de frequência teta e alfa, os escores de valência e alerta das imagens e a variabilidade da frequência cardíaca. As imagens negativas, positivas e neutras tiveram os escores de valência e alerta esperado para esses tipos de imagens, mas esses resultados diferiram dos escores da padronização realizada para o Brasil. Já na variabilidade da frequência cardíaca, foi observada uma desaceleração do ritmo cardíaco durante a apresentação das imagens negativas e positivas. Quanto ao potencial evocado auditivo, não encontramos um efeito da emoção. Contudo, foi encontrada uma diminuição da amplitude do potencial evocado durante a apresentação das imagens, independentemente da sua valência. As análises das bandas de frequências mostraram um aumento da potência de teta e alfa no hemisfério esquerdo inicialmente durante as quatro condições. Em um segundo momento foi observada uma sincronização dessas bandas durante a apresentação das imagens emocionais no hemisfério direito. Por último, foi observada uma dessincronização da banda teta no hemisfério direito na condição de imagens negativas. Os resultados da avaliação das imagens e a variabilidade da frequência verificam que as imagens do IAPS são um bom método para induzir e avaliar emoções. Contudo, é importante  fazer uma melhor padronização para todo o Brasil. A resposta do potencial evocado indica uma divisão da orientação da atenção entre as duas fontes de estimulação. Por fim, o incremento da potência de teta e alfa principalmente no hemisfério direito, evidência a importância do hemisfério direito no processamento de informação sensorial.

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  • DEISYLANE GARCIA DA SILVA
  • Fluxo de informação na regulação do forrageio em Dinoponera quadriceps

  • Orientador : ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
  • Data: 29/07/2016
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  • As interações sociais entre operárias em uma colônia não acontecem de forma aleatória, uma vez que as operárias decidem quantas vezes vão interagir e com quem vão interagir. As taxa de interações na colônia são reguladas pela densidade de indivíduos que ela contém e através das quais pode haver rapidez na transferência de informação, provocando mudanças na dinâmica de rede. A fim de analisar o fluxo de informação em operárias de Dinoponera quadriceps investigamos duas colônias com base na quantidade de operárias e larvas no ninho, número de interações individuais, número de saídas, ‘força’ e ‘alcance’ de cada interação, além do fluxo de informação em diferentes horários. O estudo foi realizado no Laboratório de Biologia Comportamental da UFRN. Foram observadas duas colônias com diferentes densidades de operárias por 16h/colônia, totalizando 8h/dia através de gravação com câmera digital. As colônias de D. quadriceps não apresentaram correlação entre o número total de interações com o número total de operárias e nem com as saídas do ninho. As taxas per capita de interações apresentaram padrão semelhante para as duas colônias, sendo maiores no horário de disponibilidade de alimento. A colônia com menor densidade de operárias apresentou mais interações por individuo, principalmente no dia e horário com alimento, e estas interações obtiveram maior ‘força’ e ‘alcance’. A dinâmica de redes sociais também apresentou padrão semelhante entre as colônias, apresentando maiores fluxos de informação no horário de alimento. Com base no exposto concluímos que as operárias de D. quadriceps regulam a atividade de forrageamento através de autoestimulação, como também suas taxas de contato, aumentando o número de interações em dia e horário com alimento na colônia, modificando o fluxo de informação e aumentando a disseminação da informação.

Teses
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  • LAILA DA SILVA ASTH FERNANDES
  • Efeitos in vivo e in vitro de agonistas parciais do receptor NOP: implicações para o tratamento da ansiedade, depressão e mania

  • Orientador : ELAINE CRISTINA GAVIOLI
  • Data: 26/01/2016
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  • Introdução: Este trabalho investigou os efeitos de dois agonistas parciais peptídicos, UFP-113 e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2, e um agonista parcial não peptídico, AT-090, do receptor NOP no comportamento emocional de camundongos, bem como as vias de transdução do sinal decorrentes da ligação destas moléculas com o receptor NOP. Métodos: Foram utilizados camundongos machos, das linhagens Swiss e CD-1, além dos nocautes para o receptor NOP (NOP(-/-)) e seus controles selvagens NOP(+/+). O labirinto em cruz elevado (LCE) foi utilizado para avaliar o efeito dos compostos sobre a ansiedade. O diazepam e os agonistas do receptor NOP, N/OFQ e Ro 65-6570, foram utilizados como controles positivos no LCE. Os camundongos NOP(+/+) e NOP(-/-) foram utilizados na avaliação da seletividade de ação dos compostos com efeito do tipo ansiolítico. O teste da natação forçada (TNF) foi utilizado a fim de se avaliar os efeitos dos compostos sobre o comportamento do tipo depressivo. A nortriptilina e os antagonistas do receptor NOP, UFP-101 e SB-612111, foram utilizados como controles positivos no TNF. As ações da N/OFQ, UFP-101, SB-612111, UFP-113, [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 e AT-090 foram ainda avaliadas no teste de hiperlocomoção induzida pelo metilfenidato (HIM), onde o valproato foi utilizado como controle positivo. A influência do UFP-113 e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 na atividade locomotora foi testada no campo aberto. As vias de transdução do sinal (proteína G e β-arrestina 2) dos agonistas (N/OFQ e Ro 65-6570), do antagonista (UFP-101) e dos agonistas parciais (UFP-113, [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 e AT-090) do receptor NOP foram investigadas por meio da avaliação da transferência de energia por ressonância de bioluminescência (BRET). Para isso, foram usadas células co-expressando o receptor NOP acoplado à luciferase (doador de energia), e a proteína verde fluorescente (aceptor de energia) acoplada a uma das proteínas efetoras: proteína G ou a β-arrestina 2. Resultados: Diazepam (1 mg/kg), N/OFQ (1 nmol), Ro 65-6570 (0,1 mg/kg) e AT-090 (0,01 mg/kg) apresentaram efeito do tipo ansiolítico no LCE. Os efeitos do Ro 65-6570 e do AT-090 foram devidos a ativação seletiva do receptor NOP, uma vez que ambos foram inativos em camundongos NOP(-/-) expostos ao LCE. Em contraste, UFP-113 e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 foram inativos no LCE. No TNF, nortriptilina (30 mg/kg), UFP-101 (10 nmol), SB-612111 (10 mg/kg), UFP-113 (0,01 e 0,1 nmol) e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 (0,3 e 1 nmol) apresentaram efeito do tipo antidepressivo, diferentemente do AT-090, que foi inativo neste teste. Os efeitos do UFP-113 e do [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 foram devidos a ativação seletiva do receptor NOP, uma vez que o pré-tratamento com N/OFQ preveniu o efeito do tipo antidepressivo de ambos. O metilfenidato (MF, 10 mg/kg) induziu hiperlocomoção nos camundongos expostos ao campo aberto, que foi prevenida pelo valproato (400 mg/kg). A N/OFQ (1 nmol), assim como UFP-113 (0,01-0,1 nmol) e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 (1 nmol), foram capazes em reduzir a hiperlocomoção induzida pelo MF, sem alterar a locomoção per se. O efeito do UFP-113 decorreu da ativação seletiva do receptor NOP, uma vez que foi inativo em camundongos NOP(-/-) expostos ao teste da HIM. Em contraste, o UFP-101 (10 nmol), assim como SB-612111 (10 mg/kg) e AT-090 (0,001-0,03 mg/kg) não alteraram o aumento na locomoção induzido pelo MF. Tanto o UFP-113 quanto o [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 induziram hipolocomoção nas maiores doses testadas (1 e 3 nmol, respectivamente). In vitro, tanto a N/OFQ quanto o Ro 65-6570, promoveram a interação do receptor NOP com a proteína G e com a β-arrestina 2 de forma concentração-dependente, comportando-se como agonistas plenos do receptor NOP em ambas as vias de transdução. O AT-090, UFP-113 e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 promoveram a interação do receptor NOP com a proteína G com efeitos máximos significativamente reduzidos em relação a N/OFQ. O AT-090 foi capaz de induzir o recrutamento da β-arrestina 2 novamente com efeitos máximos reduzidos em relação a N/OFQ, enquanto o UFP-113 e o [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 falharam em induzir o recrutamento da β-arrestina 2. Portanto, AT-090 se comportou como agonista parcial em ambas as vias de transdução, enquanto UFP-113 e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 se comportaram como agonistas parciais e antagonistas, respectivamente, nas vias de transdução da proteína G e da β-arrestina 2. O UFP-101 não promoveu o recrutamento da proteína G, nem da β-arrestina 2, se comportando como antagonista do receptor NOP em ambas as vias de transdução. Conclusão: Ligantes do receptor NOP que produzem o mesmo efeito na interação do receptor NOP com a proteína G (agonismo parcial), são capazes de induzir efeitos opostos no recrutamento da β-arrestina 2 (agonismo parcial vs antagonismo). Essas diferenças no recrutamento da β-arrestina 2 podem promover efeitos distintos sobre a ansiedade e o humor, como foi verificado nos testes comportamentais. Este trabalho corrobora o potencial do receptor NOP como uma ferramenta farmacológica inovadora no tratamento de transtornos emocionais.

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  • VICTOR KENJI MEDEIROS SHIRAMIZU
  • Sistema de resposta ao estresse, apego e sociossexualidade: Uma análise psicofisiológica das estratégias de história de vida.

  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 02/03/2016
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  • O sistema de resposta ao estresse é essencial para coordenar respostas comportamentais, bem como otimizar a alocação energética aos diferentes sistemas fisiológicos frente a desafios físicos e psicossociais. Tal alocação também é um tema central dentro da Teoria de História de Vida (LHT), a qual busca explicar como e por que indivíduos “decidem” alocar recursos em esforço somático ou reprodutivo. Modelos teóricos recentes buscam compreender como influências iniciais durante o desenvolvimento modulam o sistema de resposta ao estresse e como isso se traduz em características comportamentais (por exemplo: as dimensões básicas dos estilos de apego e sociossexualidade) e fisiológicas na idade adulta, as quais estão associadas a estratégias de história de vida. Dessa forma, levantam-se hipóteses de que devem ocorrer interações funcionais entre os mesmos. Em uma série de estudos, estas interações foram estudadas a partir dos marcadores do eixo HPA e do sistema nervoso autônomo. No estudo I, buscou-se por evidências de validade de um instrumento para aferir as dimensões básicas dos estilos de apego, sendo o mesmo traduzido e adaptado para o Brasil. Através do estudo II, diferentes padrões de reatividade fisiológica durante um estressor psicossocial agudo e influências moduladoras dos estilos de apego e sociossexualidade foram encontradas. No contexto de excitação sexual (estudo III), vídeos eróticos foram apresentados aos participantes e diferenças individuais na reatividade das concentrações de cortisol e na resposta de habituação na condutância da pele foram observadas e puderam ser explicadas em virtude das dimensões dos estilos de apego e sociossexualidade. Por último, o estudo IV evidenciou que diferenças na satisfação marital poderiam ser explicadas pelas dimensões básicas dos estilos de apego e por diferenças na magnitude da resposta do cortisol, sendo tal efeito sexo-específico. Assim, esses estudos trazem contribuições na compreensão de como influências no ambiente de desenvolvimento do indivíduo refletem o desenvolvimento de diferentes estratégias comportamentais e perfis fisiológicos subjacentes à Teoria da História de Vida, os quais podem ter um funcionamento diferenciado em virtude do contexto.

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  • PATRÍCIA CRUZ BARBALHO
  • Dinâmica social e movimento coletivo em éguas (Equus caballus)

  • Orientador : RENATA GONCALVES FERREIRA
  • Data: 31/03/2016
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  • Este trabalho analisa a dinâmica social de um grupo de éguas em três dimensões: diádica, triádica e coletiva. Está dividido em três capítulos cujos objetivos são: 1) descrever interações diádicas afiliativas e agonísticas e caracterizar a dinâmica social de parcerias preferenciais, 2) analisar ocorrências e interações em conflitos (intervenções de terceiros) e pós-conflitos (reconciliação, consolo e apaziguamento) e 3) caracterizar a dinâmica de movimentos coletivos sob análises de fatores próprios do indivíduo (idade, peso, ranque e estado reprodutivo). O estudo foi realizado no Haras Volta (Frei Paulo, SE, Brasil) em 2012 e 2013. Foi observado um grupo de 64 éguas e 20 potros lactentes da raça manga-larga machador. Foram realizadas três tipos de observações diurnas: 1) focal (ocorrências de comportamentos agonísticos, afiliativos, sincronia e mudança de direção = 130 horas); 2) todas as ocorrências de conflitos em 304h e 3) varreduras (posicionamento e atividade = 117 varreduras) que geraram informações de proximidade (valor da relação), rede social e distâncias entre os animais. No Cap. 1 descrevemos que as éguas se envolveram mais em afiliação do que em agonísmos. É possível que a sincronia na direção possa ser um tipo de afiliação também nessa espécie. Éguas mais velhas e mais pesadas tiveram ranques mais elevados, mas não houve categoria mais agressiva que outra. Parceiras preferenciais apresentaram similaridade em idade, peso, força nos relacionamentos e centralidade social sendo que a dinâmica social dessas parcerias caracterizou-se por proximidade e baixo agonísmo entre parceiras. A afiliação e a sincronia foram mais direcionadas para animais neutros do que para parceiras preferenciais. No Cap. 2 reportamos que reconciliação, consolo/apaziguamento e intervenção em conflitos (IC) ocorreram em 57%, 37% e 31% dos conflitos, respectivamente. A ocorrência de reconciliação ou dispersão, realizadas pelas díades com e sem reconciliação, respectivamente, podem ser estratégias para redução da incerteza/instabilidade social pós-conflito. Os conflitos ocorreram entre éguas com pouca proximidade e reconciliação não foi dependente do valor da relação (amizade), mas o consolo e apaziguamento foram. A intervenção em conflitos foi realizada por éguas com idade e ranque mais elevados que os das oponentes do conflito, e não foi direcionada a parceiras preferenciais, sugerindo manutenção da estabilidade social. No Cap. 3 detectamos que não houve uma categoria de indivíduos que se posicionasse com maior frequência à frente ou ao centro do rebanho. Animais mais jovens (potros) foram socialmente mais centrais e animais com necessidades nutricionais diferenciadas (prenhes e lactantes) e de alto ranque foram menos centrais socialmente. Mais da metade do rebanho esteve direcionado, com antecedência, para o sentido que o grupo veio a seguir e o índice de concordância na direção (ICD) foi maior quando o grupo se deslocou mais. Isso pode sugerir que o sentido do deslocamento do grupo foi determinado pelo sentido do corpo da maioria dos animais (minimizando custos de consenso), que pode ter ocorrido por processo mimético de sincronização, sugerindo uma forma simplificada de coordenação (liderança) distribuída em pastejo. Éguas vazias e de baixo ranque ajustaram mais suas direções em pastejo à direção das outras éguas. Isso indica maior ocorrência de processos miméticos de sincronismo, o que pode levar a coordenação do movimento ser efetuada por animais que mantenham maior consistência na direção.

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  • ANNA CECILIA QUEIROZ DE MEDEIROS
  • Comportamento de craving alimentar em população brasileira

  • Orientador : MARIA EMILIA YAMAMOTO
  • Data: 29/04/2016
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  • O craving por alimentos pode ser definido como um desejo intenso de comer um tipo de alimento em particular. Trata-se de um comportamento bastante comum na população em geral. O presente trabalho se propôs a investigar o comportamento de craving por alimentos em população brasileira, validando questionários para este fim, além de pesquisar a relação do craving por alimentos com o estado de cromo no organismo. Como resultado, foi realizada a tradução, adaptação cultural e validação dos Food Cravings Questionnaire (State e Trait), da versão reduzida do dos Food Cravings Questionnaire-Trait e do Attitudes to Chocolate Questionnaire (ACQ), além do desenvolvimento e validação da versão brasileira do Food Craving Inventory. Foram identificadas influências do estágio de vida, sexo, adiposidade corporal e restrição dietética na ocorrência do craving por alimentos. Também foi encontrado que os indivíduos com níveis mais baixos de cromo plasmático apresentam maior craving por alimentos doces, o que foi concomitante a maior frequência de consumo deste tipo de comida e maior adiposidade corporal.

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  • INGRID ARAÚJO DE MEDEIROS
  • Divisão de tarefas em colônias de Dinoponera quadriceps (Hymenoptera, Formicidae, Ponerinae)

  • Orientador : ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
  • Data: 06/05/2016
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  • Em insetos sociais, a divisão de trabalho é uma característica marcante, sendo apontada como a chave para o sucesso ecológico desse grupo de insetos. Esse processo envolve uma grande questão: como operárias, cognitivamente simples, podem coordenar eficientemente o desempenho de tarefas que ocorrem em paralelo com outras operárias ou grupos de operárias? Buscando contribuir na elucidação dessa questão, examinamos a distribuição de tarefas em colônias da formiga Dinoponera quadriceps. O estudo foi realizado no Laboratório de Biologia Comportamental na UFRN. Em todas as observações e experimentos, as formigas foram marcadas, individualmente, com uma etiqueta alfanumérica colada no tórax. Para todos os experimentos o método de observação utilizado foi o focal instantâneo, com registros a cada quinze minutos para cada indivíduo. Para testar a influência da idade, na primeira parte do estudo, observamos três vezes por semana, quatro colônias ao longo de oito meses com duas horas por dia de observação para cada colônia. Encontramos que indivíduos jovens realizam mais tarefas dentro do ninho e têm como tarefa principal o cuidado com imaturos; assim D. quadriceps atende a um modelo de polietismo temporal flexível. Na segunda parte, investigamos se as operárias eram comportamentalmente flexíveis, sendo capazes de responder eficientemente diante de uma situação de estresse. Para isso, utilizamos três colônias em duas condições: (1) as forrageadoras eram removidas e (2) as cuidadoras eram removidas. Cada condição teve duração de nove dias, com duas horas de observação por dia para cada colônia. Como resultado, para suprir a demanda da colônia, as operárias foram capazes de realocar-se para as tarefas que a colônia estava necessitando, cuidado e forrageio. Na terceira e última parte do estudo, testamos a influência do fator peso corporal. Durante cinco meses seguidos quatro colônias foram observadas uma vez ao mês por um período de uma hora. No dia seguinte a cada observação, todas as operárias eram removidas do ninho e pesadas. Nossos dados mostraram que o peso dos indivíduos que permanecem engajados em atividades internas ao ninho é maior, ou seja, são mais pesados quando comparadas com aqueles indivíduos que realizam tarefas intermediárias e essas são mais pesadas que as forrageadoras

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  • NIRLEI HIRACHY COSTA BARROS
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    Estratégia de inversão sexual do mussum, Synbranchus marmoratus (Osteichthyes: Synbranchidae) um peixe hermafrodita, protogínico e diandricodo Rio Grande do Norte, Brasil


  • Orientador : SATHYABAMA CHELLAPPA
  • Data: 12/07/2016
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    Estratégia reprodutiva do peixe hermafrodita mussum, Synbranchus marmoratus (Bloch, 1795) (Osteichthyes: Synbranchidae) foi verificada, com exemplares capturados no período de julho de 2011 á outubro de 2013, em duas bacias hidrográficas do Rio Grande do Norte, Brasil. Foram verificados as medidas morfométricas, a taxonomia, proporção sexual, relação peso-comprimento, primeira maturação sexual (L50), estágios de desenvolvimento gonadal, índice gonadossomático (IGS), o fator de condição (K), índice hepatossomático (IHS), fecundidade e período reprodutivo da espécie, além das variáveis ambientais e analises de otólitos. Os resultados desta pesquisa geraram dados que estão apresentados sob a forma de seis artigos científicos, um capitulo de livro e quatro resumos internacionais. O primeiro artigo abordou aspectos sobre a biologia reprodutiva de S. marmoratus, que confirmou quatro tipos sexuais na sua população, sendo caracterizado como um hermafrodita protogínico diândrico. O segundo artigo verificou as mudanças sazonais do fator de condição, dos índices gonadossomático e hepatossomático de S. marmoratus durante um periodo anual, mostrando que o crescimento foi do tipo alométrico negativo e o período reprodutivo foi compreendido entre julho e agosto, quando o IGS teve seus maiores valores. O terceiro artigo explica sobre a estratégia reprodutiva de equilíbrio (K) adotada por S. marmoratus. O quarto artigo descreve a histologia do desenvolvimento gonadal e inversão sexual de S. marmoratus, mostrando que durante a inverção sexual acontece uma etapa de mudnaças histologicas nas gônadas das fêmeas. O quinto artigo descreve e compara a estrategia reprodutiva de seis especie de peixes do semiarido incluindo S. marmoratus, um estrategista de equilíbrio, que apresenta baixa fecundidade e desova total. O sexto artigo indica a idade média em que as fêmeas mudam de sexo e crescimento de S. marmoratusatravés da analise de otólitos, mostrando que as fêmeas mudam de sexo entre cinco e seis anos e o crescimento da espécie é lento. O capitulo de livro, aborda a dinâmica de mudança de sexo das fêmeas de S. marmoratus, mostrando que os indivíduos intersexos são os que apresentam tecido masculino e feminino nas suas gônadas. Os quatro resumos internacionais abordam a dinâmica temporal da reprodução do peixe neotropicalS. marmoratus, bem como a proporção sexual, fator de condição (K), relação peso-comprimento, IGS, IHS, L50 e fecundidade.  S. marmoratus e uma espécie hermafrodita sequencial protogínica diândrica, que apresenta uma estratégia reprodutiva de equilíbrio que mostra à adaptação da espécie a região semiárida.

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  • THIEZA GRAZIELLA ARAÚJO DA SILVA GÓES DE MELO
  • Influência do sexo e do ciclo hormonal nos efeitos agudos da fluoxetina na memória e comportamentos relacionados à ansiedade e depressão em ratos

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 27/07/2016
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  • Transtornos de humor e ansiedade, os quais possuem uma grande incidência na população mundial, apresentam-se em alta comorbidade. Além dos sintomas emocionais, indivíduos afetados por essas patologias apresentam alterações cognitivas importantes. A primeira linha de tratamento farmacológico para a maioria dos transtornos de humor e, em alguns casos, de ansiedade são os antidepressivos, especialmente os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e inibidores seletivos da receptação de serotonina e noradrenalina (ISRSN). Apesar de mulheres serem até duas vezes mais afetadas pelos transtornos citados, as pesquisas pré-clínicas sobre os efeitos dos antidepressivos nesse sexo não são tão representativas quanto aquelas realizadas no sexo masculino. Além disso, possíveis influências do ciclo hormonal natural das mulheres na ação desses fármacos têm sido pouco exploradas. Nosso trabalho buscou investigar os efeitos da administração aguda de fluoxetina na memória, ansiedade e comportamento tipo-depressivo em ratas nas diferentes fases do ciclo estral. Para tanto, utilizamos avaliações comportamentais na tarefa de esquiva discriminativa em labirinto em cruz elevado (EDL) e o teste do nado forçado (NF). A EDL é realizada em um labirinto em cruz elevado modificado que permite a avaliação concomitante de memória e ansiedade. Pelo tempo que o animal explora um braço fechado que é pareado com estimulação aversiva em relação ao tempo que gasta no braço fechado seguro avaliamos o aprendizado, a evocação e a extinção da tarefa em sessões de treino, teste e reteste, respectivamente. Ao mesmo tempo, a exploração dos braços abertos confere uma avaliação do comportamento relacionado à ansiedade. Já no NF, realizado em duas sessões (treino e teste), avaliamos a diminuição do tempo de imobilidade e o aumento do tempo de escalada de ratos submetidos a um cilindro com água como indicativos de um efeito antidepressivo. Fluoxetina (5, 10 ou 20 mg/kg) ou veículo foram administrados agudamente, i.p., em ratas em diferentes fases do ciclo estral e em ratos, antes da sessão treino (EDL, experimentos 1 e 2), depois da sessão de treino (EDL, experimento 3), ou antes do teste (experimentos 4- EDL e 5-NF). Em cada experimento, os animais foram testados (EDL e NF) e retestados (EDL) 24 h e 48 h depois de uma sessão inicial de treino, respectivamente. Os principais resultados na EDL mostraram que: (1) nem a administração de fluoxetina nem a fase do ciclo estral modificaram o aprendizado da tarefa em nenhuma condição experimental; (2) a administração de fluoxetina antes do treino da EDL prejudicou a evocação da tarefa (avaliada na sessão de teste) em machos, mas não em fêmeas (se desconsiderarmos a fase do ciclo); (3) o efeito da fluoxetina pré-treino em fêmeas variou conforme a dose e a fase do ciclo: não houve, por exemplo, nenhum efeito do tratamento em proestro, e em estro uma melhora ou piora da evocação foi observada conforme a dose administrada; (4) corroborando um efeito sobre a consolidação da tarefa, o tratamento com fluoxetina após a sessão de treino promoveu um déficit na evocação (sessão de teste) mais abrangente com relação às fases do ciclo; (5) as ratas tratadas antes da sessão de teste apresentaram menor grau de evocação independente da fase ou tratamento, sugerindo um efeito do próprio procedimento de injeção, mas pode-se ainda notar uma piora promovida pela fluoxetina quando a análise desconsiderou as fases do ciclo; (6) corroborando dados da literatura, a extinção da tarefa (avaliada no reteste) é mais expressiva em machos, e nas fêmeas parece variar com a fase do ciclo em que são treinadas e com o protocolo; e (7) o tratamento com fluoxetina promoveu, de forma geral, uma diminuição da exploração dos braços abertos em todas as fases do ciclo apenas quando administrada antes de uma sessão experimental, e nota-se um efeito mais proeminente em determinadas fases do ciclo estral. Entretanto, dada a variação de dose, fase do ciclo e sessão nos quais os efeitos foram observados, a ação da droga sobre processos de memória e ansiedade não parecem estar relacionados. Com relação aos resultados do NF, não há efeito da administração de fluoxetina se desconsiderarmos a fase do ciclo, como é esperado para seu efeito agudo. Entretanto, encontramos um aumento do comportamento tipo-depressivo em animais tratados com fluoxetina, comparados aos veículos, no grupo proestro. Enquanto esse efeito pode estar relacionado com o efeito ansiogênico observado na EDL, vale ressaltar que fêmeas em proestro, independente do tratamento, já apresentam uma alteração basal nessa tarefa. Em conclusão, os resultados sugerem que os efeitos da fluoxetina sobre os processos de memória variam de acordo com a fase do ciclo, bem como a fase da memória envolvida. Além disso, foram observados aumentos nos comportamentos tipo-ansioso e tipo-depressivo em decorrência do tratamento agudo com a fluoxetina em ratas. Apesar de estudos clínicos e em modelos animais mostrarem os efeitos antidepressivo e ansiolítico do tratamento prolongado com essa substância, os presentes resultados sugerem a possibilidade de importantes efeitos colaterais cognitivos e emocionais que possam surgir no início do tratamento clínico, os quais podem variar com o sexo e a fase do ciclo hormonal.
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  • ROSANE MARIA SIMON LAMPERT DIAS
  • Efeito do comprimento de ondas e variação da intensidade da luz sobre o ritmo circadiano de atividade motora em saguis (Callithrix jacchus)

  • Orientador : CAROLINA VIRGINIA MACEDO DE AZEVEDO
  • Data: 29/07/2016
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  • O fotoarrastamento circadiano depende de uma complexa interação entre informação luminosa e células fotorreceptoras. Os efeitos circadianos neurocomportamentais da luz são mediados primariamente pelas células ganglionares da retina. Cones e bastonetes operam na detecção de luz e também interferem no sistema de temporização circadiana, mas o modo de ação desses fotorreceptores no controle dos ciclos circadianos em primatas não humanos diurnos é desconhecido. Nosso estudo avaliou o efeito do comprimento de onda e intensidade de luz sobre os parâmetros do ritmo circadiano de atividade em saguis, verificando o efeito dos comprimentos de onda curtos e longos da luz, em três intensidades de iluminação. A atividade locomotora de 16 saguis machos adultos mantidos em temperatura e umidade controladas, submetidos a um ciclo claro/escuro 12:12, foi monitorada por sensor infravermelho. Foi avaliado o efeito de dois comprimentos de onda na fase de claro: curto, com λmax 463 nm – na região espectral da luz azul, e longo: com λmax 631 nm – na região espectral da luz vermelha, em três intensidades de iluminação: 200, 100 e 10 lux, em relação à condição controle, feita com luz fluorescente. Ao final de cada etapa, os saguis foram mantidos em claro constante (10 e 200 lux) para verificar os mecanismos de sincronização utilizados. Entre as etapas com diferentes comprimentos de onda, ocorreu um intervalo com duração de 15 dias (luz fluorescente – 200 lux/2 lux). Os resultados evidenciaram que o ângulo de fase do final da fase ativa foi antecipado, e a duração da fase ativa e o total de atividade diária foram menores durante a exposição dos animais às luzes azuis e vermelhas em relação ao controle, com modulações em 10 lux. Houve aumento na potência do RCA durante o uso das luzes azuis e vermelhas em CC na intensidade de 200 lux. Também observamos que a duração do experimento modifica a expressão do ritmo circadiano de atividade, possivelmente por afetar os mecanismos de fotorrecepção dos saguis adultos. A partir destes resultados sugere-se que: 1) os comprimentos de onda azul e vermelho modificam a expressão endógena e a sincronização fótica do RCA em saguis; 2) os animais respondem de modo distinto aos comprimentos de onda azul e vermelho no início e fim da fase ativa, com maior antecipação no final da fase ativa, reduzindo a duração da fase ativa e o total de atividade diária, provavelmente por um efeito de mascaramento do ritmo; 3) O efeito do comprimento de onda varia em função da intensidade de luz, sem diferenças entre as intensidades de 200 e 100 lux, com maior instabilidade em 10 lux; 4) a duração da exposição dos animais aos comprimentos de onda azul e vermelho é um fator a ser considerado na construção de protocolos experimentais com essa espécie.

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  • MELQUISEDEC ABIARE DANTAS DE SANTANA
  • Caracterização citoarquitetônica e projeções retinianas no núcleo geniculado lateral dorsal, complexo pré-tectal e colículo superior do morcego Artibeus planirostris

  • Orientador : EXPEDITO SILVA DO NASCIMENTO JUNIOR
  • Data: 09/09/2016
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  • Em muitos vertebrados, a maior parte do cérebro está envolvidano processamento da visão, mais do que a qualquer outra modalidade sensorial. Isto se deve provavelmente à extrema complexidade da tarefa que é exigida da visão: classificar e interpretar a ampla gama de estímulos visuais que os animais confrontam no ambiente físico. A retina modifica e processa sinais evocados pela luz nos fotorreceptores que depois são enviados a centros superiores pelas células ganglionares. Os axônios destas células formam os nervos ópticos que distribuem a informação visual a estruturas encefálicas com diversas funções, como o núcleo geniculado lateral dorsal (GLD), do qual a informação visual ascende ao córtex cerebral; o colículo superior (CS), responsável por integrar sinais visuo-motores; e o complexo pré-tectal (CPT), envolvido no controle do reflexo pupilar à luz e no nistagmo optocinético. Como objetivo de descrever a citoarquitetura e o padrão de projeção retiniana nestas estruturas no morcego Artibeus planirostris, foram realizadas injeções intra-oculares de CTb e analisadas secções coronais do encéfalo coradas pelo método de Nissl e secções submetidas à imunoistoquímica para CTb. Quanto ao padrão citoarquitetônico, o GLD apresentou-se como um núcleo homogêneo e sem laminação aparente. Entretanto, quanto a projeção retiniana o núcleo apresentou duas camadas com intensidade de marcação significativamente diferentes, sendo a projeção predominantemente contralateral. O CS foi identificado como uma estrutura laminar composta por sete camadas, onde a marcação de fibras e varicosidades imunorreativos a CTb foi observada exclusivamente no lado contralateral, tendo como alvo as camadas zonal e cinzenta superficial. Foram identificados compondo o CPT os núcleos pré-tectal medial, pré-tectal olivar, pré-tectal anterior, pré-tectal posterior e o núcleo do tracto óptico, onde apenas o núcleo pré-tectal anterior não apresentou inervação da retina, sendo esta predominantemente contralateral para todos os demais núcleos que compõem o CPT. Em conjunto, os dados apontam a presença de especializações morfológicas nos núcleos estudados não observadas previamente em outras espécies de quirópteros e, finalmente, o presente trabalho é o primeiro a abordar estereologicamente e morfometricamente essas áreas em Yangochiroptera.

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  • MIGUEL FERNANDES KOLODIUK
  • Estudos da Comunidade de Squamata e de Ecologia Comportamental de T. hispidus e T. semitaeniatus (Squamata, Tropiduridae) em área de Caatinga lato sensu

  • Orientador : ELIZA MARIA XAVIER FREIRE
  • Data: 31/10/2016
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  • A Caatinga ocupa cerca de 800.000 km2, é caracterizada por escassez de precipitação, altas temperaturas, variabilidade na sazonalidade climática com forte intercalação de anos de secas e de inundações. Quanto a aspectos fitofisionômicos e morfoclimáticos, apresenta pelo menos duas fisionomias conhecidas na literatura, Caatinga stricto sensu e Caatinga lato sensu. A primeira corresponde às áreas situadas na Depressão Sertaneja Setentrional, com vegetação arbustiva e temperaturas mais elevadas; já a Caatinga lato sensu compreende áreas de vegetação arbórea e arbóreo-arbustivas, sobre topos das chapadas e serras com mais de 500 m de altitude, e temperaturas mais amenas. Estudos clássicos destacam a existência de padrão de distribuição relictual para algumas espécies de lagartos, que parecem ser exclusivas de áreas de Caatinga lato sensu. Nesse contexto, este trabalho teve como objetivo geral analisar a composição e a estrutura da comunidade de répteis Squamata e estudar os comportamentos de termorregulação e de forrageamento das espécies de lagartos tropidurídeos da Caatinga lato sensu, da Serra de Santana, Lagoa Nova, RN. Foram realizadas quatros excursões de 20 dias cada à área de estudo, sendo duas no ano de 2014 (estações chuvosa e seca), e duas no ano de 2015 nos mesmos meses da coleta do ano anterior. Em 2014, foram registrados e/ou coletados espécimes de Squamata por procura ativa e armadilhas de queda, quando foi registrado para cada espécime ativo o hábitat, microhábitat e horário de atividade. Em 2015 foram realizadas observações comportamentais para os lagartos tropidurídeos através de sessões focais para registros dos comportamentos de termorregulação e de forrageamento. Foram coletadas 34 espécies de Squamata e a curva de rarefação não atingiu assíntota, indicando a possibilidade de existirem mais espécies na área. Destacam-se as presenças de espécies de distribuição relictual em áreas de Caatinga, quais sejam, Acratosaura mentalis, Enyalius bibronii e Anotosaura vanzolinia. Comparando a composição das espécies de lagartos com as de outras áreas de Caatinga, constatou-se a formação de três grupos: espécies de área florestada; de Caatinga lato sensu e de Caatinga stricto sensu. A análise do modelo nulo demonstrou que esta comunidade de lagartos está estruturada quanto ao uso do espaço, indicando influência significativa de fatores ecológicos contemporâneos sobre essa taxocenose. O uso não aleatório do componente espacial indica presença de interações competitivas que influenciam a seleção dos habitats e microhabitats. Os resultados do comportamento termorregulatório mostraram que nesta Caatinga lato sensu as duas espécies de tropidurídeos não diferem em comportamento termorregulatório, embora T. semitaeniatus se exponha mais ao sol do que T. hispidus durante a estação chuvosa. Quanto ao forrageamento, as duas espécies se comportaram de maneira similar na estação seca, mudando de estratégia durante a estação chuvosa e, comparando com a Caatinga stricto sensu, as duas espécies forrageiam de forma mais ativa durante a estação chuvosa na Caatinga lato sensu. Confirmam-se, portanto, as presenças de espécies relictuais e de estratégias comportamentais diferentes para os lagartos tropidurídeos de Caatinga lato sensu.

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  • STELLA GUEDES CALAZANS LIMA
  • Comportamento Acústico e Complexidade Social em Cavioidea

  • Orientador : RENATA SANTORO DE SOUSA LIMA MOBLEY
  • Data: 22/11/2016
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  • A relação entre comunicação acústica e socialidade tem sido o foco de vários estudos sobre a hipótese da complexidade social.  Essa hipótese prediz que animais que vivem em grupos sociais mais complexos necessitam de um repertório mais diversificado para produzirem maior quantidade de informações. No entanto, ainda faltam estudos que melhor expliquem qual a direcionalidade causal entre a complexidade social e vocal em mamíferos, além de quais fatores ambientais e/ou sociais podem ter co-evoluído e contribuído para a complexidade na comunicação de mamíferos. Nesse contexto, o estudo comparado entre espécies de caviomorfos que diferem em seus sistemas sociais e ecológicos, pode contribuir para este entendimento. O grupo dos caviomorfos é composto por uma ampla diversidade de espécies, que apresentam variedade no tamanho e composição dos grupos sociais, nos tipos de sistemas de acasalamento, nos tipos de sistemas sociais, nos tipos de hábitat e nos repertórios acústicos. Essas características do táxon estão disponíveis na literatura para 10 espécies de caviomorfos. Nesse estudo, objetiva-se ampliar o conhecimento sobre os repertórios acústicos de Cuniculus paca e Dasyprocta leporina, além de explorar a relação entre complexidade social e vocal nos caviomorfos. Dessa forma, o capítulo um desta tese, descreve o repertório vocal de pacas mantidas em cativeiro identificando-se sete tipos de vocalizações emitidas principalmente em contextos agonísticos, possivelmente relacionados com sua defesa territorial. Encontramos diferenças sexuais no chamado “roar" que parece servir como mecanismo de reconhecimento sexual e uma complexidade vocal que não era esperada em uma espécie solitária como a paca.  O capítulo dois descreve o repertório acústico da cotia vermelha, composto por 10 tipos de chamados associados principalmente a contextos agonísticos e de defesa durante o período de alimentação. Foram confirmadas diferenças sexuais nos chamados có, gemido, rangido 7, gru, latido e  rosnado, os quais geralmente apresentam freqüências mais graves para os machos. Ainda foram encontradas gradações, transições e combinações de sons que adicionam complexidade ao repertório acústico de cotias vermelhas, como esperado para espécies que vivem em pares ou formam pequenos grupos familiares. O terceiro capítulo apresenta dados sobre a correlação entre complexidade social e vocal entre dez espécies de caviomorfos. Os resultados confirmam que quanto mais complexo o tipo de sistema social da espécie (composição do grupo, tamanho da prole, sistema social e sistema de acasalamento) maior seu repertório vocal amigável. Por outro lado, não foi encontrada relação entre a complexidade vocal e as características ecológicas e morfológicas entre as espécies estudadas. Este estudo, verificou a existência da relação entre complexidade social e vocal nos caviomorfos e contribuiu para identificar quais fatores sociais e não sociais estão relacionados à complexidade vocal nessas espécies.

2015
Dissertações
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  • VICTOR ANASTÁCIO DUARTE HOLANDA
  • Efeito de antagonistas do receptor NOP em camundongos expostos ao modelo do desamparo aprendido

  • Orientador : ELAINE CRISTINA GAVIOLI
  • Data: 26/02/2015
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  • A nociceptina/orfanina FQ (N/OFQ) é um heptadecapeptídeo, sendo o ligante endógeno, de um receptor acoplado a proteína G do tipo inibitória, o receptor NOP.O sistema da nociceptina/orfanina FQ (N/OFQ) e seu receptor NOP tem se mostrado com grande potencial para o desenvolvimento de fármacos antidepressivos com evidências farmacológicas e genéticas apontando um potencial efeito antidepressivo induzido pelo bloqueio do receptor NOP. O modelo do desamparo aprendido (DA) emprega eletrochoques, incontroláveis e imprevisíveis, nas patas dos animais como evento estressor para induzir um fenótipo tipo depressivo. Este paradigma é baseado no fato de que após exposição à eletrochoques incontroláveis, os animais desenvolvem déficits no comportamento de escape do compartimento eletrificado, evento este revertido pelo uso de antidepressivos. O DA é um modelo de depressão mais bem validado em comparação com os testes de desespero comportamental, que são atualmente mais utilizados no screening de novos agentes antidepressivos. Sendo assim, o presente estudo tem como objetivo validar o modelo do desamparo aprendido nas nossas condições experimentais, bem como avaliar a ação de antagonistas do receptor NOP em animais que desenvolveram a condição de desamparo. Para realização deste estudo, camundongos machos foram submetidos a três fases do protocolo DA (i.e., (1) indução,  (2) screening e (3) teste). Os animais que desenvolveram o fenótipo tipo depressivo foram submetidos à sessão teste, cuja fase existe a possibilidade de escape do eletrochoque e o tempo de escape do compartimento onde recebeu o choque, bem como o número de vezes que o animal não escapou deste compartimento foi registrado. O efeito dos seguintes tratamentos, administrados antes da sessão de teste, foi avaliado: nortriptilina (30 mg/Kg, ip, 60 min),fluoxetina (30 mg/Kg, ip, 60 min), ambos antidepressivos clássicos, SB-612111 (1 e 10 mg/Kg, ip, 30 min) e UFP-101 (1 e 10 nmol, icv, 5 min), ambos antagonistas NOP. Ainda, para descartar possíveis falsos positivos no comportamento do tipo desamparado, foi avaliado o efeito destas drogas sobre os componentes motivacional e cognitivo. Assim, foi evidenciado que nos animais que desenvolverem o fenótipo tipo depressivo nortriptilina, SB-612111 e UFP-101 foram eficazes em reduzir a latência de escape e o número de vezes que o animal não escapou do compartimento eletrificado, sem promover nenhuma alteração nos componentes motivacional e cognitivo do DA; o mesmo não ocorre com a administração de fluoxetina, que não promove nenhuma alteração nos parâmetros analisados. Em conclusão, o tratamento agudo com antagonistas NOP é capaz de promover um efeito do tipo antidepressivo em camundongos submetidos ao modelo do desamparo aprendido.

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  • LISIANE DE SANTANA SOUZA
  • PADRONIZAÇÃO DE TESTES PARA AVALIAÇÃO DO ESTADO DE MANIA E POTENCIAL ANTI-MANÍACO DE UM AGONISTA DO RECEPTOR NOP

  • Orientador : ELAINE CRISTINA GAVIOLI
  • Data: 13/03/2015
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  • O transtorno bipolar é caracterizado pela disfunção do humor, alternando entre episódios de mania/hipomania e depressão, e sua fisiopatologia exata ainda continua indeterminada. A farmacoterapia do transtorno bipolar baseia-se na prevenção dos episódios de mania e depressão através do uso de estabilizadores do humor. A nociceptina/orfanina FQ (N/OFQ) é um heptadecapeptídeo endógeno e agonista do receptor NOP, um receptor acoplado à proteína G do tipo inibitória. A N/OFQ e seu receptor desempenham uma série de papéis funcionais no organismo, e, entre eles, está a modulação de processos emocionais. Sabe-se que há alteração na concentração plasmática de N/OFQ em pacientes na fase depressiva e maníaca do transtorno bipolar e, por isso, presume-se que esse sistema teria algum papel na etiologia deste transtorno. Com relação à mania, os modelos animais utilizados na pesquisa tendem a focar em apenas um aspecto do quadro maníaco, como a hiperatividade ou agressividade. Nos anos 60, foi proposto o teste do hole board, aparato provido de furos onde prioritariamente se mede nos animais um comportamento conhecido como “imersão de cabeça” (head-dipping). Altos níveis de head-dippings podem ser indicativos de neofilia, enquanto baixos níveis poderiam ser reflexo de um comportamento do tipo ansioso. Como o aumento do comportamento exploratório e direcionado a objetivos são sintomas característicos dos quadros maníacos, este teste poderia oferecer subsídios para a pesquisa deste transtorno. Deste modo, o presente trabalho foi dividido em 3 etapas e visa apresentar (1) a indução de um estado similar ao de mania promovido pela administração de ouabaína, um inibidor da enzima Na+ /K+ -ATPase, em camundongos no campo aberto; (2) a padronização do hole board como um teste para mensuração de comportamentos do tipo maníacos; e (3) a investigação do efeito da N/OFQ na prevenção destes comportamentos no hole board. Para o desenvolvimento deste estudo, foram usados camundongos Swiss machos que participaram de apenas uma das etapas descritas acima e receberam um ou mais dos seguintes tratamentos, de acordo com a etapa: (1) ouabaína, nas doses de 10-2 , 10-3 , 10-4 , 10-5 ou 10-6 M, intracerebroventricular (icv); (2) valproato de sódio 300 mg/kg, intraperitoneal (ip); (3) valproato de sódio 400 mg/kg, ip; (4) diazepam 1 mg/kg, ip; (5) metilfenidato 10 mg/kg, ip; e (6) N/OFQ nas doses de 0,1 ou 1 nmol, icv. Os resultados sugerem que o hole board é um teste que pode ser usado para a avaliação de quadros maníacos, através da análise de vários comportamentos do animal. Entretanto, não foi possível padronizar o modelo da disfunção da enzima Na+ /K+ -ATPase induzido pela administração de ouabaína usando camundongos como sujeitos experimentais. Ainda, os dados sugerem que a N/OFQ, nas doses testadas, não é eficaz na prevenção de um quadro de mania. Tomados em conjunto, os resultados apontam para uma nova abordagem na pesquisa da mania, através do uso do hole board, e dá novas evidências do envolvimento do sistema da nociceptina/orfanina FQ na ocorrência do transtorno bipolar.

3
  • FELIPE PORTO FIUZA
  • Efeitos da senescência no folheto intergeniculado do tálamo de ratos: considerações morfológicas e neuroquímicas.

  • Orientador : JEFERSON DE SOUZA CAVALCANTE
  • Data: 27/03/2015
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  • O Sistema de Temporização Circadiana (STC), em roedores, é composto por estruturas neurais interligadas como o núcleo supraquiasmático (NSQ) do hipotálamo, o folheto intergeniculado (FIG) do tálamo, vias sincronizadoras e efetores comportamentais. O NSQ tem sido descrito como o principal marca-passo circadiano em diversas espécies de mamíferos enquanto que o FIG parece estar envolvido na integração de informações fóticas e não-fóticas retransmitindo-as ao NSQ. O STC, como um todo, permite que o organismo tenha uma organização temporal interna ordenada, o que propicia a execução adequada dos mecanismos fisiológicos e comportamentais trazendo homeostasia para o organismo. No entanto, essa estabilidade é perturbada com o avanço da idade trazendo inúmeros transtornos patológicos que vão desde a perda de funções fisiológicas simples à diminuição no desempenho cognitivo, sendo assim fundamental a compreensão dos efeitos da senescência sobre os componentes deste sistema. Tendo isso em vista, é proposto nesse estudo verificar se há mudanças neuroquímicas, citoarquitetônicas e de aferências retinianas no FIG com o envelhecimento e suas possíveis implicações morfofuncionais. Para isso, ratos Wistar foram divididos em 3 grupos: Jovem (3 meses); Meia Idade (13 meses); Idoso (23 meses). Esses animais foram submetidos a perfusão transcardíaca de paraformaldeído (4%) para fixar seus tecidos. Posteriormente seu encéfalo foi removido e submetido à microtomia (30 μm) onde as secções foram coletadas em intervalos de 6. Essas secções foram processadas por coloração de Nissl e imunoistoquímicas para GFAP, GAD, ENK, NPY e CTb a fim de verificar as características do FIG. Observamos uma perda celular em animais de meia-idade e idosos na marcação de Nissl, NPY e nas projeções de CTb. Além disso, vimos um aumento de GFAP em animais de meia-idade quando comparados a jovens e idosos. Não houve diferenças na análise dos outros marcadores. Esses achados indicam que essa estrutura perde aferências retinianas e neurônios, em especial os produtores de NPY, existindo uma provável gliogênese compensatória. Isso aponta para uma correlação entre os déficits de funcionamento do STC e deterioração anatômica de seus componentes com o envelhecimento.

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  • MAYARA CRISTINA MOURA SILVA DOS PRAZERES SILVEIRA
  • Estabelecimento, reconhecimento e defesa territorial em Stegastes fuscus

  • Orientador : ANA CAROLINA LUCHIARI
  • Data: 30/03/2015
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  • Os estudos da territorialidade e de comportamentos associados a ela favorecem o entendimento da maneira como as interações ecológicas afetam a composição de espécies e a dinâmica de uma comunidade. No presente estudo tivemos como objetivo geral investigar o comportamento de Stegastes fuscus, um peixe-donzela territorialista, em ambiente natural e em cativeiro, com foco na capacidade de localização territorial, reconhecimento e defesa de uma área estabelecida. Para tanto subdividimos o trabalho em 3 capítulos. O primeiro teve como foco o estudo da espécie em ambiente natural objetivando estimar a área do território ocupado e os padrões comportamentais da por ela expressos. Sendo encontrado que a área média ocupada por S. fuscus foi de 274 cm2 e os comportamentos mais observados foram: vigilância, ingestão de alimento, tempo no abrigo/toca e displays agressivos. O segundo capítulo teve como alvo investigar a capacidade de localização espacial da espécie mediada por pistas visuais. Os resultados demonstraram que S. fuscus apresenta marcante aprendizagem condicionada e possibilidade de existência de orientação espacial na espécie. O terceiro capítulo teve como objetivo avaliar a influência da residência prévia estabelecida e do reconhecimento de coespecíficos nos resultados de confrontos agonísticos. Os resultados apontaram a residência como fator prioritário na dinâmica das disputas agonísticas e que aspectos relacionados à familiaridade como relevantes e destacam-se mais quando não existe um território previamente estabelecido. Diante disso nossos resultados podem favorecer o entendimento da dinâmica estrutural da comunidade na qual S. fuscus esta inserida, sendo isto significativo tendo em vista a importância ecológica da espécie para o ecossistema.

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  • JAQUEIUTO DA SILVA JORGE
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    Herpetofauna associada à bromélia rupícola, Encholirium spectabile, no semiárido brasileiro: revisão da literatura, ecologia das espécies e comportamento de Psychosaura agmosticha (Squamata: Mabuydae).

     

  • Orientador : ELIZA MARIA XAVIER FREIRE
  • Data: 20/04/2015
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  •  As bromélias constituem importante microhabitat para a herpetofauna, pois são bastante utilizadas como abrigo contra predadores, além de sua arquitetura foliar possibilitar manutenção de umidade e temperatura relativamente constantes no seu interior, compondo um ambiente favorável para os anfíbios e répteis, especialmente em áreas sob estresse hídrico. No entanto, os estudos que tratam dessa relação ainda são incipientes e mais concentrados sobre as bromélias fitotelmatas acumuladoras de água. No caso das bromélias rupícolas não fitotelmatas do gênero Encholirium, que se desenvolvem em afloramentos rochosos e abrigam espécies de regiões semiáridas como as Caatingas, as  relações animais-plantas são praticamente desconhecidas. Nesse contexto, este estudo teve como objetivos estudar a fauna herpetológica habitante das bromélias macambiras, Encholirium spectabile, analisando a ocupação e uso destas bromélias pelos diferentes táxons, e a ecologia comportamental do largarto Psychosaura agmosticha, buscando identificar os fatores associadas com esta relação estrita em área de Caatinga. Uma ampla revisão da literatura mundial acerca do tema lagartos em bromélias subsidiou este estudo sob a perspectiva ecológica dessa associação. O trabalho de campo foi realizado na Fazenda Tanques, município de Santa Maria/RN,  mesorregião do Agreste potiguar, com as observações e/ou coletas diurnas e noturnas efetuadas mensalmente, durante três dias consecutivos, de Janeiro de 2011 a Agosto de 2012, totalizando 450 horas.homem de esforço amostral. Registraram-se dezesseis espécies, seis de lagartos (Famílias Mabuyidae, Tropiduridae, Gekkonidae e Phyllodactylidae), seis de serpentes (Famílias Boidae e Dipsadidae) e quatro de anfíbios da Família Hylidae. O efeito da borda da mata sobre a distribuição das espécies ao longo do afloramento foi significativo, com a maioria das espécies encontradas nas bordas do afloramento. Constataram-se diferença significativa entre alguns pares de espécies com relação ao uso das bromélias, e sobreposição de nicho quase total no uso de microhabitat. 62.5% das espécies são de hábito noturno e utilizaram essas plantas para abrigo, reprodução e alimentação. Quanto às relações entre o lagarto Psychosaura agmosticha e as bromélias macambiras, foram registrados os comportamentos de termorregulação e de forrageio nas estações seca e chuvosa. Os períodos de atividade foram concentrados entre 07 e 10 h e entre 15 e 17 horas nas duas estações, demostrando um padrão claramente bimodal. A espécie usou basicamente as folhas verdes e não houve diferenças significativas entre machos e fêmeas na utilização das bromélias. Associações positivas foram encontradas entre a temperatura do corpo e temperaturas das bromélias e do ar. Esta espécie passou em média 19.5 ± 3.8% do tempo em movimento (PTM) e se movimentou em média 0.36 ± 2.1 segundos por minuto (MPM), com diferenças significativas entre as estações chuvosa e seca para PTM, e também entre o tempo médio da parada e duração média dos movimentos, sendo considerada forrageadora sedentária. Psychosaura agmosticha, na área estudada, é bromelícola, utilizando as macambiras principalmente para termorregulação e forrageio. Os resultados deste estudo destacam as bromélias rupícolas Encholirium spectabile como elementos chaves para a manutenção de anfíbios e répteis a ela associados, e uma clara associação vantajosa para a conservação dos grupos envolvidos.

     

     

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  • KAREN CRISANTO DE OLIVEIRA
  • Influência dos odores de gato e de cobra no comportamento defensivo e expressão de Fos do Sistema Hipotalâmico de Defesa de camundongo

  • Orientador : EXPEDITO SILVA DO NASCIMENTO JUNIOR
  • Data: 08/05/2015
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  • Pesquisas em ratos com a proteína Fos, um marcador de ativação neuronal, e com lesões mostram um distinto circuito na zona medial do hipotálamo, o Sistema Hipotalâmico de Defesa, que está ativo em resposta ao odor de gato e funciona como mediador do estímulo aversivo em direção a áreas efetoras e de memória. No entanto, pouco se sabe sobre a resposta deste sistema ao odor de diferentes predadores ou seu papel em camundongos. Neste trabalho, expusemos camundongos Swiss aos odores de dois predadores (gato e cobra), para verificar a expressão de Fos no Sistema Hipotalâmico de Defesa, assim como os comportamentos defensivos exibidos. A análise mostrou que a exposição do camundongo ao odor de gato provocou um aumento na expressão da proteína Fos nos núcleos da circuitaria defensiva comparado ao controle e ao odor de cobra, assim como menor comportamento exploratório, e maior grooming e avaliação de risco. Os resultados nos indicam que esse circuito distinto parece agir diferencialmente aos estímulos odoríferos de diferentes predadores, provocando reações comportamentais diferentes dos camundongos dependendo do odor percebido. O odor de gato é percebido como estímulo ameaçador, porém o mesmo não acontece com o odor de cobra.

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  • DIANA ALINE NOGA MORAIS FERREIRA
  • Efeito anticonvulsivante de frações isoladas da peçonha da formiga Dinoponera quadriceps

  • Orientador : ALESSANDRA MUSSI RIBEIRO
  • Data: 11/05/2015
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  • A epilepsia é uma patologia crônica do sistema nervoso central que atinge cerca de 65 milhões de indivíduos no mundo, dos quais cerca de 30% desenvolve uma epilepsia resistente a fármacos. Além disso, os fármacos antiepilépticos utilizados clinicamente provocam diversos efeitos colaterais. Nesse sentido, é evidente a necessidade do desenvolvimento de novos fármacos que possam tratar os casos resistentes e/ou minimizar os seus efeitos colaterais.
    Uma fonte de substâncias que podem servir como modelos para o desenvolvimento de novos fármacos são os venenos de origem animal, uma vez que eles possuem alta potência e especificidade por seus alvos moleculares. Dentre os diversos animais peçonhentos, os artrópodes se destacam pelo grande potencial biológico de suas peçonhas, especialmente no que se refere a toxinas com alta afinidade por estruturas moleculares do sistema nervoso. Porém, a maioria dos estudos envolvendo a peçonha dos animais desse filo é de espécies de escorpiões e aranhas, ao contrário do veneno de formigas, onde há apenas poucos estudos sobre seus efeitos biológicos.
    Nesse contexto, escolhemos estudar a peçonha da formiga Dinoponera quadriceps, que é uma espécie endêmica na região Nordeste do Brasil. Em um estudo anterior demonstramos que a administração prévia da peçonha desnaturada foi capaz de proteger os animais de crises convulsivas e morte no modelo de convulsões induzidas por bicuculina em camundongos. Assim, o objetivo desse estudo foi testar as diferentes frações obtidas, através de cromatografia líquida de alta desempenho (CLAD), da peçonha da formiga Dinoponera quadriceps para investigar qual (is) possui (am) atividade anticonvulsivante no modelo de crises induzidas por bicuculina em camundongos. A CLAD resultou na separação de seis frações principais que foram injetadas no ventrículo lateral (icv) de camundongos e o comportamento dos animais foi avaliado no campo aberto durante 30 min. Nenhuma das frações testadas alterou significativamente os comportamentos de exploração, auto-limpeza e imobilidade, bem como não houve registro de comportamento atípicos tais como saltos, quedas ou estereotipia.
    Quando as frações foram previamente administradas icv em camundongos antes da indução de crises convulsivas por bicuculina observamos que as frações DqTx1, DqTx3, DqTx4 e DqTx6 aumentaram significativamente a latência para o desenvolvimento de crises tônico-clônicas. Além disso, as frações, exceto DqTx5, aumentaram a latência para a morte dos animais. Ainda, todas as frações, exceto DqTx2, foram capazes de proteger os animais do desenvolvimento de crises tônico-clônicas, sendo que a DqTx6 apresentou uma proteção de 62,5% para os animais testados. Bem como, todas as frações protegeram os animais da morte, sendo a DqTx6 a fração que protegeu 100% dos animais.

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  • FERNANDA CARVALHO CAGNI
  • Relação do polimorfismo BDNF VAL66MET e níveis periféricos de BDNF com a Doença de Parkinson e sua sintomatologia

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 12/05/2015
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  • As doenças neurodegenerativas são objeto frequente de estudo devido ao número crescente de casos associados ao processo de envelhecimento populacional e pelo impacto que causam na qualidade de vida dos indivíduos. A doença de Parkinson (DP) é a segunda doença neurodegenerativa mais frequente. Apesar da sua etiologia ainda não ser completamente conhecida, sabe-se que a mesma é causada por fatores ambientais e genéticos. Assim, a investigação dos fatores etiológicos e os mecanismos responsáveis pelas alterações que levam a DP podem contribuir para o seu diagnóstico e prevenção. Uma possível associação entre DP e o polimorfismo comum do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF) G196A (Val66Met) tem sido sugerido por diferentes estudos com resultados contrastantes. Por esse motivo, o objetivo deste estudo é verificar se o polimorfismo BDNF Val66Met confere susceptibilidade a DP em uma amostra de pacientes brasileiros e se isso implica em quaisquer alterações no nível de BDNF em sangue total e na manifestação de sintomas. A amostra foi constituída de pacientes acompanhados pelo serviço de neurologia do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) e controles saudáveis (CTRL). Os aspectos motores da DP foram avaliados pela Escala de Hoehn e Yahr (HY), Unified Parkinson’s Disease Rating Scale (UPDRS) e Escala de Atividades Diárias de Schwab e England (SE). Para a avaliação dos aspectos não-motores foram utilizados os instrumentos: Bateria de Avaliação Frontal (BAF), Mini Exame do Estado Mental (MEEM), Inventário de Depressão de Beck (IDB) e o Inventário de Ansiedade de Beck (IAB). Amostras de sangue foram coletadas para a genotipagem do polimorfismo Val66Met e mensuração da concentração de BDNF em sangue total. Como esperado, os pacientes com DP apresentaram pior desempenho na avaliação motora, cognitiva e emocional. A distribuição dos alelos entre os grupos não foi significativamente diferente, porém o genótipo A/G foi associado significativamente como protetor para a DP. O genótipo G/G, por sua vez, foi associado significativamente com o desenvolvimento de depressão e ansiedade em pacientes com DP. No entanto, as concentrações de BDNF não foram diferentes entre os genótipos ou grupos. Este é o primeiro estudo de associação genética desse polimorfismo com a DP no Brasil e o primeiro que associou o heterozigoto A/G com proteção contra a DP.

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  • FERNANDA FERNANDES KOLODIUK
  • Pressão de sono e perfil acadêmico de estudantes de medicina do 1º período da UFRN

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 19/05/2015
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  • Demanda acadêmica, novo contexto social, novas rotinas e diminuição do controle dos pais são fatores que podem influenciar o padrão de sono de estudantes que ingressam na universidade. Os discentes de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) apresentam alta carga horária, conteúdo denso nas disciplinas, as aulas do 1o semestre começam às 7 horas da manhã e sua população é formada por adultos jovens, que ainda sofrem com o atraso de fase de sono comum na adolescência, o que indica que o horário de aula pode ser inadequado nesta faixa etária. A redução do sono noturno durante os dias de aula e a tentativa de recuperação do sono perdido nos dias livres – Jet lag social (JLS), sugere que já no primeiro semestre os estudantes sofrem com pressão do sono, o que pode refletir negativamente em tarefas cognitivas e no desempenho acadêmico, Portanto, o objetivo deste trabalho é avaliar a relação entre a pressão do sono e o perfil acadêmico de estudantes de Medicina do primeiro semestre da UFRN, caracterizando sociodemograficamente esta população e investigando possíveis reflexos no ritmo de atividade-repouso e no desempenho acadêmico. Participaram desta pesquisa 88 estudantes, saudáveis de ambos os sexos, que respoderam aos seguintes questionários: Qualidade de Sono de Pittsburgh (IQSP), Escala de Sonolência de Epworth (ESE), Cronotipo Horne & Ostberg (HO), Cronotipo Munique (MCTQ) e “A Saúde e o Sono”, adaptado. Actimetria foi utilizada em 14 dias para elaboração de actogramas e obtenção de variáveis não paramétricas do ritmo de atividade-repouso. A nota da disciplina Módulos Biológicos I foi utilizada como desempenho acadêmico. O JLS foi utilizado como medida de pressão do sono e o nível de significância estatística foi 95%. A população é homogênea em relação aos aspectos sociodemográficos e a maioria tem estilo de vida saudável, pratica atividade física, locomove-se até a universidade em carro e leva entre 15 e 30 minutos para realizar tal percurso. Em relação ao CSV, grande parte apresentou cronotipo intermediário e vespertino, necessidade de cochilar durante a semana, sofre sonolência diurna e apresenta má qualidade de sono. 83% da amostra tem ao menos 1h de JLS, o que nos levou à divisão em dois grupos: Grupo < 2h JLS (N=44) e Grupo ≥ 2h JLS (N=44). Os grupos diferiram apenas no cronotipo, demonstrando que indivíduos mais vespertinos apresentam mais JLS. Entretanto, não encontramos diferenças em relação aos aspectos sociodemográficos, ritmo de atividade-repouso ou desempenho acadêmico. A homogeneidade da amostra possivelmente dificultou a comparação entre os grupos, todavia, é alarmante que os estudantes já apresentem, no primeiro semestre: alta pressão de sono, qualidade de sono ruim e sonolência diurna, os quais podem acentuar-se no decorrer do curso, com o início de plantões noturnos e o aumento da carga horária. Abordar a importância de bons hábitos de sono e a mudança no horário de início da aula são estratégias que visam à melhoria na saúde dos estudantes.

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  • LUIZ EDUARDO MATEUS BRANDÂO
  • Avaliação dos efeitos do extrato de Passiflora cincinnata Masters em camundongos: efeitos na ansiedade e potencial neuroprotetor

  • Orientador : ALESSANDRA MUSSI RIBEIRO
  • Data: 22/05/2015
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  • Os transtornos de ansiedade e a doença de Parkinson são patologias que atingem uma grande parcela da população. Grande parte das alternativas terapêuticas para essas patologias não contribui para melhora de todos os aspectos clínicos e/ou acarreta efeitos colaterais indesejáveis, havendo assim uma grande demanda para o desenvolvimento de novos fármacos. A Passiflora cincinnata Mast., planta conhecida popularmente por “maracujá do mato”, “maracujá tubarão” ou “maracujá mochila”, é uma espécie nativa presente em diversos estados brasileiros. As espécies do gênero Passiflora são muito conhecidas por suas flores vistosas, seus frutos comestíveis de sabor marcante e por suas propriedades sedativas, tranquilizantes e ansiolíticas relatadas pela medicina popular. São plantas que apresentam compostos orgânicos importantes como fenóis, glicosídeos cianogênicos, alcalóides e flavanóides, sendo estes responsáveis pelas atividades ansiolítica, antioxidante, antiinflamatória, anti-hiperglicêmica, entre outras quando testadas em mamíferos. Apesar disto, poucos são os estudos realizados no sentido de investigar os possíveis efeitos biológicos in vivo do extrato da espécie Passiflora cincinnata Mast. Então, neste estudo avaliamos o efeito do extrato alcoólico desta planta na ansiedade e em um modelo animal da doença de Parkinson. O extrato etanólico de P. cincinnata demonstrou atividade ansiogênica no labirinto em cruz elevado, na dose de 25 mg/kg, quando administrada agudamente, diminuindo a frequência de mergulho de cabeça protegido (PHD). Essa atividade também foi observada na sessão de treino da esquiva discriminativa no labirinto em cruz, após 18 dias de administração do extrato, acarretando um aumento na frequência de postura de extensão corporal (SAP). Em relação ao potencial neuroprotetor, como demonstrado anteriormente por nosso grupo, a administração de injeções repetidas de reserpina induz prejuízos motores progressivos, como o aumento no tempo de catalepsia em barra, aumento da frequência de tremor de mandíbula e mastigação no vácuo, e redução na velocidade média dos animais no campo aberto, bem como inibiu a produção de tirosina hidroxilase em células do SNpc. Além disso, este tratamento promoveu prejuízo na evocação da memória aversiva nos camundongos submetidos a esquiva discriminativa no labirinto em cruz elevado. Em contrapartida, a injeção concomitantemente com extrato etanólico de P. cincinnata, foi capaz de retardar o surgimento de déficits motores avaliados pela catalepsia em barra, e mais, reverteu o déficit na produção de TH na SNpc.

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  • LUCIANA HELENA SILVA ROCHA
  • When wolves cry: long distance calling by wild maned wolves

  • Orientador : RENATA SANTORO DE SOUSA LIMA MOBLEY
  • Data: 25/05/2015
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  • O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus Illiger 1815) é o maior canídeo da América do Sul e encontra-se quase-ameaçado de extinção segundo a IUCN. Por ser uma espécie noturna, territorial e com hábitos solitários, ainda há muitos aspectos pouco estudados de seu comportamento em ambiente natural, entre eles a comunicação acústica. Em seu repertório vocal, o lobo apresenta a vocalização de longa-distância chamada de “aulido” a qual, segundo a literatura, tem função de manutenção do espaçamento entre indivíduos e/ou comunicação entre os membros do par reprodutivo dentro do território. Nesse contexto, esse estudo teve como objetivos: 1) comparar quatro métodos de detecção dos aulidos de lobo-guará em gravações feitas em ambiente natural, buscando eleger o mais eficiente para nosso projeto; 2) entender como se dá o padrão noturno de emissão dessas vocalizações, verificando se as condições climáticas e as fases da lua influenciam nas taxas de emissão de aulidos; e 3) testar o Monitoramento Acústico Passivo como ferramenta na identificação da presença de lobos-guará em ambiente natural. A área de estudo foi o Parque Nacional da Serra da Canastra (Minas Gerais, Brasil) e foram utilizados gravadores autônomos para aquisição dos sons, os quais gravaram durante toda a noite (18h-06h) durante cinco dias de dezembro/2013 e durante todos os dias dos meses de abril a julho/2014. Os métodos de detecção de aulidos foram testados e comparados com relação ao tempo necessário para analisar os arquivos, número de falsos positivos e número de aulidos corretamente identificados. O método misto (XBAT+manual) foi o mais eficiente, encontrando 100% das vocalizações em quase metade do tempo do método manual, e foi eleito para análise dos nossos dados. O estudo da variação temporal da emissão de aulidos verificou que os lobos vocalizam mais nas primeiras horas da noite, o que sugere uma função social importante para esses chamados no início de seu período de atividade mais intenso. A velocidade média do vento foi a única variável meteorológica que influenciou a frequência de vocalizações, o que pode indicar baixa recepção sonora dos gravadores ou alteração nos padrões comportamentais dos lobos em condições de ventos fortes. É necessário um melhor entendimento da variação sazonal da atividade vocal dos lobos-guará, mas nosso estudo já demonstra ser possível detectar padrões comportamentais de animais selvagens apenas através do som, validando o Monitoramento Acústico Passivo como ferramenta na conservação dessa espécie.
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  • JULIA RIBEIRO GUIMARÃES DOMBROSKI
  • Ecologia acústica de pares fêmea-filhote de baleia franca austral (Eubalaena australis) (Desmoulins, 1822) em águas costeiras do estado de Santa Catarina, Brasil.

  • Orientador : RENATA SANTORO DE SOUSA LIMA MOBLEY
  • Data: 27/05/2015
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  • O monitoramento acústico passivo (MAP) permite a convergência de soluções para questões conservacionistas e científicas e vêm sendo utilizado com sucesso para a examinar diversos aspectos da biologia de cetáceos. Todavia, sua aplicação para ambos os fins depende da correta interpretação dos dados coletados e portanto de conhecimentos prévios sobre o comportamento e o repertório acústico da(s) espécie(s) alvo(s). O sul do Brasil é uma importante área de reprodução para baleias francas austrais (Eubalaena australis). Esta espécie ameaçada agrega-se anualmente entre Julho e Novembro principalmente no estado de Santa Catarina. Medidas de proteção são necessárias para assegurar a recuperação e para mitigar os efeitos de atividades antrópicas sobre esta população. Visando construir conhecimento necessário para implementação de MAP como ferramenta de pesquisa e conservação da baleia franca no Brasil, o objetivo deste trabalho é reunir informações sobre a ecologia acústica de pares-mãe filhote da espécie. Sensores autônomos foram instalados em duas localidades na APA Baleia Franca e continuamente monitoraram o ambiente e vocalizações de baleias francas. 1427 chamados com SNR > 10dB foram classificados em 7 categorias: upcall (55.8%), downcall (12.9%), v-call (12.3%), tonal constante (10.1%), tonal variável (6.7%), híbrido (1.6%), pulsado (0.6%). A frequência de pico média de todas as vocalizações foi 107.5±35.2 Hz e a duração média foi de 0.8± 0.7s. A análise do padrão nictemeral do comportamento vocal mostrou que o raking médio das taxas ajustadas de vocalização em cada período (amanhecer, dia, noite e anoitecer) não variam significativamente (Kruskal-Wallis x2=5.86, df=3, p=0.12). Provavelmente, estes resultados estão relacionados a ontogenia comportamental dos pares e refletem a relação espacial entre mães e seus respectivos filhotes no período final de permanência na área de invernagem. Gravações realizadas com um arranjo linear de hidrofones sincronicamente a observações comportamentais, revelaram que a taxa de emissão de chamados está relacionada ao nível de atividade em cada estado comportamental. Em estados de maior atividade, como durante interações entre pares e entre mães e seus filhotes, a taxa de emissão de chamados foi respectivamente 3.35 e 0.21 chamados/minuto. Por outro lado, enquanto se deslocando ou em descanso, a taxa de vocalização foi de 0.12 e 0.02 chamados/minuto. Nenhuma vocalização foi atribuída aos pares focais em mergulho ou amamentando. Os testes exato de Fisher (F=14.82; p=0.21) e chi-quadrado (x2=19.06; df=15; p=0.37) revelaram que a associação entre os tipos de chamados e os estados comportamentais não é significativa. Porém classes de chamados distintas foram emitidas em proporções diferentes em cada estado comportamental. O significado funcional das classes de vocalização no contexto da comunicação de pares fêmea-filhote é semelhante a aquele descrito em estudos prévios, realizados com outros tipos de grupo da espécie. A composição de informações gerada por este trabalho constitui as bases do conhecimento acerca da bioacústica da baleia franca no Brasil e serão fundamentais para a implementação de ferramentas de monitoramento e preservação baseadas em princípios acústicos. Além disso, representam um importante passo para a expansão do conhecimento do comportamento vocal de pares mão-filhote, um subgrupo vulnerável porém vital para as populações.

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  • PAULA SOBENKO HATUM
  • The song of humpback whale and the potencial effects of whale-watching in the Abrolhos Bank, BA, Brazil

  • Orientador : RENATA SANTORO DE SOUSA LIMA MOBLEY
  • Data: 27/05/2015
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  • Os machos de baleia jubarte, Megaptera novaeangliae, produzem uma longa e complexa sequência de sons, denominada canto, que podem ser definidas em uma estrutura hierárquica, consistindo de subunidades e unidades, subfrases e frases, temas, canto e sessões de canto. O canto ocorre predominantemente em áreas de reprodução, no entanto, machos também cantam, porém com menor ocorrência, em áreas de alimentação e durante a migração. A função do canto ainda não é bem compreendida, porém, entre muitas hipóteses propostas, as teorias predominantes são de que os machos cantam para atrair as fêmeas, ou para estabelecer e/ou manter dominância entre machos.n. Inicialmente descritos como padrões fixos, estudos subsequentes mostraram que o canto está sob frequentes mudanças ao longo de uma ou mais estações reprodutivas dentro de uma população. Este processo tem sido referido como um exemplo de evolução cultural. Desde o início da moratória à caça, muitas populações de baleias vêm se recuperando em todo o mundo e, no Brasil, acompanhando o aumento da ocorrência das baleias jubarte, o turismo de observação (Whale-Watching) desta espécie vem se tornando cada vez mais frequente no estado da Bahia. Embora permita uma utilização mais sustentável das jubartes como um recurso natural, o rápido crescimento desse tipo de turismo vem gerando preocupação sobre os possíveis efeitos que a atividade pode causar na espécie, em especial nas áreas de reprodução, como é o caso do Banco dos Abrolhos, litoral sul da Bahia, principal área de reprodução da espécie no oeste do Oceano Atlântico Sul. Todas as embarcações, desde os menores barcos até os grandes petroleiros, produzem ruídos, os quais variam com as características das mesmas. Estudos investigando as possíveis respostas da baleia jubarte frente à aproximação de embarcações verificaram que a duração de alguns elementos do canto foi alterada, podendo até mesmo levar à interrupção do comportamento vocal em períodos de tráfego intenso ou têm seus cantos mascarados pelos ruídos das embarcações, o que pode ser um problema para detecção e localização de machos cantores e comunicação entre as baleias. As consequências dessa ruptura no sistema de comunicação podem resultar em graves efeitos sobre o sucesso de acasalamento individual, podendo até mesmo, em longo prazo, causar efeitos na viabilidade das populações. Este trabalho tem como objetivo (1) analisar a variação na estrutura do canto das baleias jubartes no Banco dos Abrolhos durante o período de 2003-2005, descrevendo as variações encontradas no nível hierárquico de frases, e, definir linhagens de temas ao longo deste período; (2) comparar o comportamento vocal de machos de baleia jubarte na presença e na ausência de barcos a motor associados à atividade turística na região do banco dos Abrolhos; e, (3) caracterizar os ruídos das embarcações e identificar as características dos barcos que influenciam nas respostas comportamentais das baleias jubarte. Vinte e um temas foram descritos entre o perído de 2003 e 2005. Linhagens de continuidade foram definidas para temas nos quais haviam frase padrão definida através de teste estatístico. Foram observadas mudanças na estrutura espectral das unidades, a introdução de novas unidades, unidades de remoção e também variação na estrutura geral sentença intra e inter-individual. No capítulo 2, o canto foi adquirido sem a presença de barco a motor e durante a aproximação de um único barco a motor, o qual se aproximava seguindo as diretrizes para as atividades de "whale watching" nesta área. Os resultados mostraram que embora o número de frases por tema diminuam na presença de barco, esta diferença não é significativa. Similarmente, a duração da frase também é mantida mesmo durante a exposição ao ruído de barcos a motor, o que sugere que esta métrica deve ser importante para a comunicação de machos reprodutivos e deve apresentar uma forte pressão seletiva para manter sua consistência. Finalmente, no terceiro capítulo, os resultados sugerem que os sons produzidos pelos diferentes tipos de embarcações neste estudo (veleiro e traineiras) e os diferentes tipos de motor (motor de popa e motor interior), parecem não ter qualquer influência no comportamento acústico ou espacial das jubartes. Além disso, os valores encontrados para as métricas utilizadas (3 dB bandwidth e source level) na caracterização dos ruídos produzidos pelas diferentes embarcações, parecem não apresentar nenhuma associação com os diferentes tipos de barcos de turismo considerados na análise. No entanto, 71 % (n = 7) das embarcações apresentaram valores de 3 dB bandwidth que se sobrepõe as frequencias utilizadas no canto dos machos de baleia jubarte, sugerindo o possível mascaramento das vocalizações das baleias. Devido à importância da comunicação acústica para as baleias jubarte, faz-se necessário compreender melhor os processos envolvidos na evolução do canto da espécie, bem como a melhor compreensão dos possíveis efeitos provocados pelos ruídos das embarcações sobre as baleias jubartes que podem fornecer informações relevantes na tomada de decisões para a conservação e o melhor gerenciamento do turismo de observação das jubartes no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, ambiente de extrema importância para a espécie.

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  • EDUARDO BITENCOURT DE OLIVEIRA
  • A influência da relevância social no viés de grupo

  • Orientador : MARIA EMILIA YAMAMOTO
  • Data: 05/06/2015
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  • Comportamentos encontrados em todas as culturas, tendências gerais do ser humano, são conhecidos dentro da Psicologia Evolucionista como mecanismos psicológicos evoluídos. Esses comportamentos remontam ao Ambiente de Adaptação Evolutiva, e um exemplo bem conhecido deste tipo de comportamento é o viés de grupo (ou viés intergrupo), que consiste em reconhecer membros do próprio grupo e favorecê-los, enquanto negligencia ou mesmo prejudica membros de outros grupos. Este comportamento foi e ainda é extensivamente estudado, entre as principais conclusões sobre o fenômeno encontra-se o Paradigma dos Grupos Mínimos, onde se descobriu que o viés intergrupo poderia se manifestar mesmo quando a divisão de grupos seguia critérios bastante arbitrários. No presente estudo, nosso objetivo foi testar se os participantes, ao realizar um jogo econômico, se comportavam da mesma maneira em uma situação de grupos mínimos e de grupos reais, com relevância social. Com esse propósito criamos duas condições experimentais, a condição de Baixa Relevância Social (BRS) onde os grupos eram representados por letras (H, B, O e Y) com participantes sendo aleatoriamente alocados para cada grupo; e a condição de Alta Relevância Social (ARS), em que a religião foi usada como marcador de grupo e continha os dois grupos religiosos mais dominantes no Brasil, católicos e evangélicos, um grupo contendo todas as outras filiações religiosas e o quarto e último grupo representando ateus e agnósticos. A razão de doações in-group/out-group foi aproximadamente igual entre ambas as condições. No entanto, a quantidade de wafers doada para o próprio grupo foi significativamente maior na condição ARS. Ao verificar quais aspectos de cada indivíduo melhor previam o viés de grupo observado, descobrimos que a percepção da Entitatividade in-group assim como a Identificação do Grupo foram as variáveis mais relevantes, porém, só na condição ARS. Simultaneamente, ao verificar a generosidade, enviesada ao grupo ou não, observamos que o fator de personalidade Socialização foi a única variável capaz de prevê-la, e apenas na condição BRS. Concluímos que a nossa generosidade, ou falta dela, é em grande parte definida pela nossa personalidade, em particular o fator Socialização. Mas essa mesma generosidade pode ser afetada pela relevância social dos grupos envolvidos e que, se esta última for alta o suficiente, mesmo pessoas que, graças a sua personalidade, normalmente não apresentam generosidade, são capazes de demonstrá-la quando o beneficiário é um membro de seu próprio grupo.

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  • ZOELIA CAMILA MOURA BESSA
  • Mecanismos de sincronia social no ritmo circadiano de atividade em casais de saguis (Callithrix jacchus)

  • Orientador : CAROLINA VIRGINIA MACEDO DE AZEVEDO
  • Data: 08/06/2015
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    Em saguis, foi observado que a sincronia entre os perfis circadianos de atividade dos animais que vivem em grupo é mais forte entre os indivíduos de uma mesma família do que entre famílias diferentes. Dentro do grupo é mais forte entre juvenis do que entre juvenis e seus pais. No entanto, são desconhecidos os mecanismos envolvidos na sincronia social. Com o objetivo de investigar os mecanismos de sincronização envolvidos na sincronia entre os perfis circadianos de atividade em casais de saguis, foi registrada continuamente a atividade motora por actímetros em 3 díades. Os casais foram submetidos a duas condições de iluminação: ciclo claro escuro CE 12:12 (CEJ I - 21 dias), e depois em claro constante (~350 lux). Em CC, os casais foram submetidos a 4 situações experimentais: 1. convívio completo (CCJ I - 24 dias), 2. remoção de um membro do casal para outra sala com condições semelhantes (CCS I - 20 dias), 3. reintrodução do membro do casal na gaiola da 1° situação (CCJ II - 30 dias), e 4. remoção do membro de cada casal para outra sala experimental (CCS II - 7 dias) para avaliar os mecanismos de sincronização.  Por fim, os membros do casal foram reintroduzidos na gaiola e submetidos ao ciclo CE 12:12 (CEJ II - 11 dias). Os casais entraram em livre curso na primeira condição em CC em convívio social, com períodos idênticos entre os membros do casal, semelhante ao observado na segunda condição. Nas etapas sem convívio social, apenas 2 fêmeas entraram em livre curso na primeira etapa e 3 animais na segunda. Nas referidas condições, os ritmos dos animais de cada casal apresentaram diferentes períodos endógenos. Além disso, nas condições com convívio social (CEJ e CCJ), os membros do casal apresentaram relação de fase estável entre si para o início e fim da fase ativa, enquanto que nas etapas com separação entre o casal foi observada uma quebra de estabilidade nas relações de fase entre os perfis circadianos de atividade, com um aumento na diferença de ângulo de fase entre o casal. Ao entrar em livre curso, na transição entre CEJI e CCJI, todos os animais anteciparam progressivamente o início e o fim da fase ativa em fase semelhante à condição anterior, expressando sinal de arrastamento ao CE anterior. Enquanto que nas etapas seguintes isto foi observado em apenas 3 animais entre CCJI e CCSI, e entre CCJII e CCSII, demonstrando sinais de arrastamento às pistas sociais entre os membros dos casais. Por outro lado, 1 animal atrasou progressivamente entre CCJI e CCSI, 3 animais atrasaram entre CCSI e CCJII e 3 animais entre CCJII e CCSII, possivelmente por arrastamento aos animais da parte externa da colônia. Processo semelhante foi observado em 4 animais entre CCSII e CEJII, indicando arrastamento ao CE. Na transição entre o CCSI e CCJII foram observados sinais de mascaramento no ritmo de uma fêmea em resposta ao macho e em outro casal no ritmo do macho em relação ao da fêmea. A correlação geral e máxima entre os perfis circadianos de atividade dos animais foi mais forte nas condições em convívio social em CE e CC do que na ausência do convívio social em CC, evidenciando o efeito social. Os casais tiveram maiores valores para a correlação máxima em CE e CC juntos do que quando os perfis foram correlacionados com animais de gaiolas diferentes de mesmo ou diferente sexo. Resultados semelhantes foram observados na correlação geral. Portanto, sugere-se que o convívio social favorece a uma forte sincronia entre os perfis circadianos de atividade dos casais de sagui, que envolve sincronização por arrastamento e mascaramento. Porém, estudos adicionais são necessários para avaliar o efeito das pistas sociais na sincronização do ritmo circadiano da atividade entre casais de saguis na ausência de pistas sociais externas a fim de confirmar esta hipótese.    


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  • DANIEL STEPHAN WAJSS
  • Qual é a sua tribo? O uso do TAI online no desvelamento de conhecimentos sociais ocultos

  • Orientador : ANTONIO PEREIRA JUNIOR
  • Data: 15/06/2015
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  • O teste de associação implícita (TAI) criou recursos para acesso aos fenômenos dificilmente expostos através de autorrelatos ou medidas explícitas, tradicionais nos estudos em Psicologia. Embora esta técnica de mensuração esteja entre as mais consistentes nas publicações internacionais, poucos artigos científicos no Brasil estudaram o TAI se aprofundando em questões teóricas ou práticas. Isto gerou um desnível entre a disseminação desta medida no país e a produção observada nos laboratórios internacionais, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo. Nesse contexto, a criação dos laboratórios virtuais (online) implementados em diversos países, incluindo o Brasil, criou oportunidades singulares para contornar estas disparidades. Nosso trabalho buscou esclarecimentos teóricos e conceituais, contextualizando-os no desenvolvimento histórico do TAI e de sua versão online, com o objeto de direcionar de forma acessível a apresentação inédita do TAI online adaptado ao público brasileiro. Em uma segunda etapa, investigamos empiricamente os dados obtidos pelo portal eletrônico brasileiro do TAI “Países”. Neste processo, analisamos o grau de nacionalismo implícito de 2271 brasileiros coletados desde o início de 2009 até o final de 2014. Nosso objetivo foi verificar se os resultados dos dados obtidos em um momento de grande confronto esportivo (Copa do Mundo da FIFA de 2010 e de 2014), se diferem de outros períodos em que o torneio não ocorreu. Nossas análises apontaram diferenças estatisticamente significativas para a amostra na véspera do confronto esportivo, quando o aumento do nacionalismo implícito foi claramente superior, mesmo com ausência de efeito pelos autorrelatos. Em um terceiro momento, efetuamos uma análise independente do contexto temporal da amostra, encontrando diferenças estatísticas significativas entre ambos os graus de nacionalismo (implícitos e explícitos) entre os sexos dos participantes. Neste caso, as mulheres se mostraram mais nacionalistas que os homens, mesmo que ambos tenham atitudes de preferências implícitas pelo Brasil. No fechamento do trabalho, sugerimos que o nacionalismo seja um subproduto dos mecanismos mentais universais evoluídos, corroborando com a teoria do favoritismo grupal que fundamenta a teoria de identidade social. Além disso, apontamos a necessidade de estudos entre as diferenças entre os sexos em questões relacionadas ao grupo de pertinência, uma vez que esperávamos dos homens maiores atitudes nacionalistas, como reflexo da manutenção de grupos coesos em sociedades ancestrais. Não obstante, tudo indica para a importância singular em se aprofundar nos estudos do TAI e do TAI online para investigações futuras do comportamento humano em diversas áreas do conhecimento.

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  • MARIANA DIAS LEITE
  • Organização nuclear do sistema serotonérgico no encéfalo de morcegos (Artibeus planirostris)

  • Orientador : EXPEDITO SILVA DO NASCIMENTO JUNIOR
  • Data: 09/07/2015
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  • A serotonina ou 5-hidroxitriptamina (5-HT) é uma substância encontrada em muitos tecidos do organismo, inclusive no sistema nervoso atuando como neurotransmissor. Dentro do neuro-eixo, a localização da maioria dos neurônios 5-HT se sobrepõe com os núcleos da rafe do tronco encefálico, na linha média ou em suas proximidades, de tal maneira que a 5-HT neuronal pode ser considerada um marcador dos núcleos da rafe. Os neurônios serotonérgicos projetam-se para praticamente todas as áreas do cérebro. Estudos mostram a participação da serotonina na regulação da temperatura, comportamento alimentar, comportamento sexual, ritmos biológicos, sono, função locomotora, aprendizagem, entre outras. A anatomia destes grupos foi revisada em muitas espécies, inclusive em rato, coelho, gato e primatas, mas nunca antes em uma espécie de morcego da América do Sul. Este trabalho teve como objetivo caracterizar os grupamentos serotonérgicos no encéfalo do morcego Artibeus planirostris, através de imunoistoquímica para serotonina. Sete morcegos machos adultos da espécie Artibeus planirostris (Microchiroptera, Mammalia) foram utilizados nesse estudo. Os animais foram anestesiados, perfundidos por via transcardíaca e tiveram seus encéfalos removidos. Secções coronais e sagitais do encéfalo congelado dos morcegos foram obtidos em micrótomo de deslizamento e submetidos a reação imunoistoquímica para 5-HT. Delimitamos os núcleos linear caudal (CLi), dorsal (DR), mediano (MnR), paramediano (PMnR), pontino (PnR), magno (MgR), pálido (RPa) e obscuro (Rob) da rafe, além dos grupamentos B9 e ventrolaterais rostral e caudal (RVL/CVL). Os grupamentos serotonérgicos nesta espécie de quiróptero apresentam morfologia e citoarquitetura relativamente semelhante ao descrito em roedores e primatas, confirmando a estabilidade filogenética desses grupamentos celulares.

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  • LUILIA SUELLY CRUZ MENEZES
  • EXPECTATIVAS REPRODUTIVAS DE PAIS E FILHOS: UMA AVALIAÇÃO DO CONFLITO PAIS-PROLE.

  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 28/07/2015
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  • Além da sobrevivência, é a reprodução que move o ser humano. Nos interessamos em garanti-la, e temos interesse direto na reprodução daqueles com quem temos forte relação genética.  Trivers (1974) caracterizou o conflito pais-prole, como uma divergência quanto ao investimento dos pais, que vem sendo estudado principalmente nas fases iniciais do desenvolvimento dos filhos. No entanto, tal divergência também pode se expressar no momento das decisões reprodutivas dos filhos. Assim, investigamos se pais e filhos têm interesses conflitantes quanto às expectativas reprodutivas dos filhos, entendendo expectativas reprodutivas como as idades pretendidas para casar, ter filhos, iniciar a vida sexual e quantidade de filhos pretendida. Encontramos que pais e filhos discordam em alguns desses pontos que compõem etapas inerentes à sua reprodução, com uma expectativa mais conservadora quando se trata das filhas, reiterando a hipótese da guarda da filha. Quando consideramos a quantidade de ajuda que seria disponibilizada para a criação de um neto, encontramos que ela tem uma variação bem clara de acordo com a faixa etária dos pais do bebê: quanto mais novos, maior quantidade de ajuda seria oferecida pelos avós. Sendo levadas em consideração a quantidade e qualidade da prole e quando ocorrerá a reprodução, o investimento parental é um elemento que apresenta-se intimamente ligado a história de vida do sujeito. Os pais são os primeiros a comunicar como é/está o ambiente em que as crianças estão/estarão inseridas. Como a história de vida está intimamente ligada com reprodução, e, portanto, com o investimento parental, investigamos a correlação entre aspectos da história de vida dos indivíduos (imprevisibilidade e cuidado parental) e suas expectativas reprodutivas, buscando ainda avaliar se havia relação entre a história de vida do pai e suas expectativas reprodutivas quanto a seus filhos. Encontramos indícios que confirmam parcialmente nossas expectativas, havendo a indicação de relacionamentos entre alguns elementos das expectativas reprodutivas com indicadores de imprevisibilidade e cuidado parental. As experiências dos pais também refletiram nas suas expectativas para seus filhos, tendo mais relações com as expectativas para as filhas. A partir de nossos achados encontramos evidências de que o conflito pais-prole se apresenta também nas expectativas reprodutivas dos filhos e relaciona-se com aspectos da história de vida dos indivíduos.

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  • ARIELA MOREIRA DOS SANTOS
  • ANSIEDADE SOCIAL E COOPERAÇÃO EM CONTEXTO DE HIERARQUIA SOCIAL

  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 30/07/2015
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  • O Jogo do Ultimato é uma metodologia da Teoria dos Jogos que pretende investigar o comportamento cooperativo de indivíduos em situações de divisão de recurso. A literatura tem mostrado que metade dos sujeitos não aceita divisão de recurso injusta, e ainda prefere arcar com um custo momentâneo para se vingar do trapaceiro. Entretanto, pessoas que têm prejuízo em assertividade, como indivíduos que possuem fobia social, podem ter dificuldade em rejeitar ofertas de divisão de recurso injusta, especialmente em situações que lhes causem ansiedade demasiada, como estar na presença de um indivíduo considerado de alto nível hierárquico. A percepção negativa sobre seu próprio valor também pode o fazer pensar que não merece uma divisão justa. Esses indivíduos também possuem um forte desejo de transmitir uma impressão positiva aos demais, o que poderia levá-los a serem mais generosos em uma divisão de recurso. O objetivo desta pesquisa foi verificar, através do Jogo do Ultimato, se indivíduos com ansiedade social aceitariam mais ofertas injustas de confederados de alto que de baixo nível hierárquico e se seriam mais generosos na divisão de bens, no mesmo jogo, quando comparados a indivíduos sem ansiedade social. Noventa e cinco (95) estudantes universitários participaram deste estudo respondendo ao Inventário de Fobia Social, a Escala Fatorial de Extroversão, questionário sociodemográfico, escala de ansiedade situacional e, por fim, o Jogo do Ultimato em quatro rodadas (1ª e 3ª - confederado representando alto ou baixo nível hierárquico com uma proposta injusta; 2ª - confederado sem pista de status social faz com proposta justa; 4ª - sujeito da pesquisa faz a oferta). Os resultados mostraram uma correlação negativa significativa entre ansiedade social e altivez, e ansiedade social e assertividade, e uma correlação positiva significativa entre ansiedade social e ansiedade situacional. Não houve diferença significativa na ansiedade situacional em função do status para indivíduos ansiosos. Também não encontramos diferença significativa na quantidade de bens doados, mostrando que o comportamento generoso não difere entre os grupos. Por fim, o status social não influenciou na decisão na resposta ao jogo, para indivíduos ansiosos. Esses resultados corroboram outras pesquisas que mostram a relação entre ansiedade social e assertividade, e ansiedade social e autopercepção negativa de capacidade e valor (baixa altivez). Como mostram os resultados de ansiedade situacional, o estímulo de alto status não foi percebido como ameaçador para o indivíduo, o que pode ter afetado sua resposta no jogo. Os resultados para o Jogo do Ultimato seguem a mesma direção quanto a taxa de aceitação pra propostas injustas (aproximadamente 50%) em estudos realizados com amostra não clínica.

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  • POLIANA GABRIELE ALVES DE SOUZA LINS
  • Preferência e competição alimentar em um grupo de Sapajus flavius em fragmento de Mata Atlântica de Caaporã Goiana – Paraíba – Brasil

  • Orientador : RENATA GONCALVES FERREIRA
  • Data: 14/08/2015
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  • A alimentação é pressão seletiva básica de todas as formas de animais. Modelos em ecologia nutricional de primatas prevêem as consequências do consumo de alimentos preferidos e não preferidos no comportamento, fisiologia e morfologia dos animais. Ao mesmo tempo, modelos sócio-ecológicos inferem o padrão de organização social a partir do tipo de competição alimentar enfrentada pelos animais. A definição de alimentos preferidos, e inferências sobre a intensidade de competição e suas consequências comportamentais são informações valiosas para manejo de animais em fragmentos. Neste trabalho observamos o comportamento alimentar e posicionamento espacial de um grupo de mais de 100 macacos-prego galego (Sapajus flavius) que habitam um fragmento de Mata Atlântica, cercado por plantações de cana-de-açúcar. Nós comparamos o consumo de diferentes itens alimentares com sua disponibilidade mensal na região para definirmos os alimentos preferidos e reserva, e contabilizamos as vocalizações de agressão e a distancia inter-individual (área de mínimo polígono convexo/n indivíduos) para inferir a intensidade de competição alimentar vivenciada pelos animais. No ano estudado o tempo consumindo frutas correlacionou com a produtividade das frutas, indicando preferência por frutos. Os nossos dados indicam que as espécies Elaeis sp., Cecropia palmataInga spp. e Simarouba amara são os alimentos preferidos na dieta. Disponível durante todo o ano e uniformemente distribuída, a cana-de-açúcar constituiu um item regular na dieta e foi caracterizado como alimento reserva estável para este grupo. Embora as frutas sejam itens alimentares preferenciais, a taxa de competição direta não se correlacionou com a sua produtividade, mantendo-se a índices elevados durante todo o ano (2,45 eventos / hora). O índice de distancia inter-individual correlacionou positivamente com a pluviometria indicando variação na competição indireta por alimentos. O número de vizinhos das fêmeas com filhotes foi menor quando a produtividade de frutos era baixa, indicando que elas estão sofrendo alta competição indireta. Nossos dados indicam que esse grupo faz uso de cana-de-açúcar como alimento reserva estável, o que evidencia a importância da matriz circundante ao fragmento para a sobrevivência desta espécie criticamente ameaçada de macaco-prego no Nordeste do Brasil. Uma lista preliminar de alimentos preferidos e importantes é ofertada, e pode auxiliar na escolha de árvores para reflorestamento e corredores, e escolha de fragmentos a serem conservados e áreas de soltura e translocação de animais. Não verificamos aumento de competição direta durante o uso de alimentos preferidos, mas sim durante o uso de alimento reserva estável. Isso pode dever-se ao ambiente alterado, que resulta em alta competição alimentar durante todo o ano. Tanto a preferencia alimentar quanto as consequências sócio-comportamentais da alta competição alimentar vivenciada pelos animais neste fragmento precisam ser acompanhadas ao longo dos anos para assegurar a sobrevivência desta população.

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  • CAROLINA PEREIRA CADÓRIO DA SILVA
  • Perfil comportamental de macacos-pregos (Sapajus spp) cativos: análises em nivel de grupo e indivíduo

  • Orientador : RENATA GONCALVES FERREIRA
  • Data: 20/08/2015
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  • O uso de indicadores comportamentais de sofrimento e bem-estar de animais em cativeiro tem produzido resultados ambíguos. Em comparações entre grupos, aqueles em piores condições tendem a apresentar um aumento generalizado em todas as taxas de Comportamentos Potencialmente Indicativos de Estresse (BPIS), mas em comparações dentro de grupos, os indivíduos diferem nas suas estratégias de enfrentamento ao estresse. Esta dissertação apresenta análises para revelar o perfil comportamental de uma amostral de 26 macacos prego em cativeiro, de três espécies diferentes (Sapajus libidinosus, S. flavius e S. xanthosternos), mantidos em diferentes tipos de recinto. No total foram coletadas 147,17 horas de registros comportamentais. Explorámos quatro tipos de análises: Orçamento de Atividades, índices de Diversidade, cadeia de Markov e análise de Sequência, e Análise de Rede Social, resultando em nove índices de ocorrência e de organização comportamental. No capítulo Um exploramos diferenças entre grupos. Os resultados apoiam as predições de que existem diferenças mínimas entre sexo e espécie e são observadas diferenças maiores no perfil comportamental devido ao tipo de recinto: i. indivíduos em recintos com menos enriquecimento ambiental apresentaram um repertório de BPIS mais diverso e uma menor probabilidade de sequências de seis passos de Comportamentos Normativos de Género (GNB); ii. o número de transições comportamentais que incluíam pelo menos um BPIS foi superior em recintos menos enriquecidos; iii. índices de proeminência de BPIS indicam que estes funcionam como pontos fim de sequências comportamentais, e que a proeminência de três BPIS (locomoção aberrante, auto-direccionadas e activas I) foram maiores em recintos menores. No geral, estes dados não corroboram a ideia de que os BPIS têm um padrão repetitivo, com um efeito relaxante, tipo “mantra”. Pelo contrário, a imagem que surge é de que os BPIS são atividades que interrompem a organização dos comportamentos, introduzindo “ruido” que compromete o orçamento de atividades ótimo. No capítulo Dois exploramos diferenças individuais em seis eixos de comportamento exploratório. Estes mostraram-se pouco correlacionados, o que indicam baixa correlação entre indicadores comportamentais de síndromes. No entanto, os resultados sugerem duas estratégias de enfrentamento ao estresse abrangentes, semelhantes ao padrão audaz/proactivo e tímido/reativo: macacos prego mais exploratórios apresentaram maior proeminência em locomoção aberrante, exibição sexual aberrante e ativas I, enquanto que animais menos ativos apresentaram uma maior probabilidade de sequencias com pelo menos um BPIS, e maior proeminência em estereotipia-própria. Macacos prego são conhecidos pelas suas capacidades cognitivas e flexibilidade comportamental, portanto, a procura de um conjunto de indicadores comportamentais de bem-estar consistente requer mais estudos e conjuntos de dados mais amplos. Com este trabalho, pretendemos contribuir para a criação de protocolos, com embasamento científico e estatisticamente corretos, para amostragem de dados comportamentais que permitam a comparabilidade de resultados e meta-análises, de qualquer que seja a interpretação teórica que possa receber.

     

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  • JULIO CESAR DE OLIVEIRA LEAL
  • EFEITO DO ESTROGÊNIO NA MEMÓRIA: ESTAMPA TEMPORAL 

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 28/08/2015
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  • No ciclo estral, há uma variação nos níveis de hormônios sexuais, tal como o estrogênio. Estudos demonstram a influência do estrogênio na cognição em tarefas dependentes do hipocampo. Por exemplo, roedores no proestro obtêm melhor desempenho do que roedores no estro, altos e baixos níveis de estrogênio respectivamente. A estampa temporal evidencia a influência da ritmicidade circadiana sobre o comportamento e a cognição. A evocação de memória é observada somente quando os horários do treino e do teste coincidem. Neste estudo, investigamos o efeito do estrogênio na evocação de memória na tarefa do reconhecimento e o efeito do estrogênio no ritmo circadiano de atividade locomotora.Utilizamos ratas Wistar jovens adultas. No Experimento 1, ratas na fase de proestro ou na fase de diestro foram treinadas na tarefa do reconhecimento de objetos. Seguindo um intervalo de 24 ou 28 horas, quando as ratas estavam na fase de estro ou na fase de proestro respectivamente, elas foram testadas. No Experimento 2, ratas sem ovários e ratas submetidas a cirurgia sham no diestro foram treinadas na tarefa do reconhecimento de objetos. Seguindo um intervalo de 24 ou 28 horas foram testadas, ratas sem ovários e ratas sham na fase de proestro foram testadas. Os resultados do experimento 1 demonstram que ratas em proestro gastaram mais tempo explorando o objeto novo que o objeto antigo independente da coincidência de fases circadianas, entretanto ratas no estro apenas gastaram mais tempo explorando o novo objeto que o objeto antigo quando o teste foi realizado no mesmo horário que o treino. Os resultados do experimento 2 demonstram que nenhuma diferença com relação a exploração dos objetos novo e antigo foi observada nas ratas sem ovários, e as ratas sham gastaram mais tempo explorando o objeto novo que o objeto antigo, independente da coincidência de fase circadianas. Quanto a ritmicidade, a acrofase do ritmo mudou conforme a fase do ciclo estral, ocorrendo mais tarde no proestro. Juntos, estes resultados sugerem que níveis elevados de estrogênio facilitam evocação de memória, independente do horário. Além disso, alterações nos parâmetros rítmicos conforme a fase do ciclo estral são exclusivamente na acrofase.

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  • ANA CECÍLIA DE MENEZES GALVÃO
  • MODULAÇÃO DO ESTRESSE SOBRE PARÂMETROS FISIOLÓGICOS, COMPORTAMENTAIS, COGNITIVOS, E NEUROGÊNESE EM SAGUIS (Callithrix jacchus) JUVENIS: UM MODELO ANIMAL PSIQUIÁTRICO E NEUROCOGNITIVO.

  • Orientador : ANTONIO PEREIRA JUNIOR
  • Data: 31/08/2015
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    Nos períodos críticos de plasticidade neural ocorre uma maior permissividade do sistema nervoso ao ambiente, por isto, a ação do estresse sobre o individuo e suas repercussões sobre áreas responsáveis pelo controle dos sistemas de resposta ao estresse e por funções cognitivas complexas vem recebendo bastante atenção. A utilização de modelos experimentais translacionais tem sido imprescindível na elucidação destes mecanismos e das patologias associadas. Diante disto, este trabalho investigou os efeitos do estresse social sobre parâmetros fisiológicos, comportamentais, cognitivos e sobre a neurogênese no córtex pré-frontal (CPF) durante um período crítico de plasticidade cerebral, a fase juvenil, em machos de Callithrix jacchus. Durante cinco meses, 5 animais foram acompanhados em suas famílias (GF) e 5 animais foram isolados socialmente por 4 meses (GI), após um mês em observação em ambiente familiar (fase basal- FB). Ao final do 5º mês foram aplicados 2 testes de memória de trabalho (MT) nos animais GF e GI. Em seguida, 3 animais de cada grupo foram sacrificados para análise do fator de neurogênese BDNF ( Brain Derived Neurotrophic Factor) por imunofluorescência no CPF (sub-regiões orbitofrontal e lateral). Os animais do GF não variaram significativamente o cortisol ao longo do estudo, enquanto o GI elevou o cortisol e comportamentos indicadores de ansiedade (CA) na primeira semana do isolamento. Em seguida, o GI apresentou uma redução no cortisol, nos CA, no peso corporal e um aumento de comportamentos estereotipados e da anedonia, alterações tipicamente depressivas em primatas não-humanos. Ao final, o GI apresentaram níveis de cortisol menores que em FB. Ambos os grupos apresentaram dificuldades em realizar e aprender as tarefas cognitivas e a presença de BDNF no córtex pré-frontal foi independente do grupo (GF ou GI), porém correlacionou-se com os níveis de cortisol presentes na ultima semana do estudo, e os animais com presença de BDNF no CPF lateral e orbitofrontal apresentaram maiores níveis de cortisol. Estes resultados contribuem no processo de validação do sagui como um bom modelo psiquiátrico translacional e aponta para possibilidade de estudos sobre transtornos depressivos na juventude e suas repercussões posteriores.  Além disto, os resultados observados para as tarefas cognitivas levou-nos a fazer uma releitura dos protocolos utilizados em estudos de memoria de trabalho com animais adultos desta espécie, com a finalidade de aprimora-los facilitando a aprendizagem em animais juvenis, naives e em situações de estresse.   Ademais, evidenciou-se pela primeira vez a relação do estresse, cortisol e níveis de BDNF, em animais juvenis desta espécie, com a fim de contribuir com sua utilização como modelo animal neurocognitivo.

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  • LUCIANA VARELLA DE FIGUEIREDO
  • Reserva Extrativista Acaú-Goiana:Tragédia Comum ou Decisão Coletiva?

  • Orientador : RENATA GONCALVES FERREIRA
  • Data: 29/09/2015
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  • Nos últimos anos observamos, no Brasil, a ampliação de espaços democráticos, proporcionando o emprego de estratégias de gestão participativa em áreas de recursos de uso comum. Entretanto, a existência de um modelo não garante a prática, de fato, que a co-gestão aconteça, ou que ela impeça a exaustão dos recursos comuns caracterizando a tragédia preconizada por Hardin. Neste trabalho realizamos uma análise da gestão da RESEX Acau-Goiana localizada nos municípios de Acaú (PB) e Goiana (PE), oito anos após a sua criação legal. Utilizamos como instrumento interpretativo os princípios facilitadores da gestão de recursos comuns (PGRC) identificados por Elinor Ostrom e o questionário de valores humanos proposto por Schwartz. A escala de valores foi aplicada com 240 indivíduos, sendo metade beneficiário e a outra metade não-beneficiário, somente os 120 pescadores das 4 comunidades da RESEX foram submetidos ao questionário dos PGRC. As entrevistas foram realizadas no período de Maio a Setembro de 2014. Testamos três hipóteses: 1) quanto maior a dependência de produtos da RESEX maior será o conhecimento sobre os PGRC; 2) a inserção dos indivíduos em uma área de uso comum (RESEX) aumenta os valores coletivistas; 3) valores mais coletivistas aumentam o conhecimento dos PGRC. Para tanto, definimos índices de dependência sócio-econômica de produtos da RESEX, de conhecimento dos PGRC e de valores individuais. Análises estatísticas de comparação de médias e correlação foram empregadas. Os nossos resultados mostraram que o conhecimento acerca de seis dos sete itens analisados nos princípios básicos (PGRC) ainda é baixo, apresentando valores em torno de 0,2 numa escala de zero a um (0 a 1). A extensão territorial (6.678 hectares) e o elevado número de usuários (1440 famílias) pode estar exercendo um efeito prejudicial no desenvolvimento da gestão compartilhada. Ao contrário do previsto, beneficiários que mais dependiam da RESEX não apresentaram maior conhecimento dos PGRC, mas os beneficiários que passavam mais tempo na RESEX que tiveram maiores índices. Isto indica que é o contato direto com o ambiente, não a dependência do mesmo que aumenta o conhecimento dos PGRC. De acordo com nossa hipótese, indivíduos com valores coletivistas apresentaram maior conhecimento dos PGRC e menor horas de trabalho dentro da RESEX, indicando maior tendência dos indivíduos refrearem seu uso do recurso comum. Valores individualistas correlacionaram com menor conhecimento de um PGRC. Entre os beneficiários, indivíduos com maiores valores individualistas tinham renda mensal mais elevada, enquanto que entre os não beneficiários não houve essa correlação, demonstrando as vantagens econômicas do individualismo (free-riding) em situações de uso não-privativo dos recursos. Nossos dados enfatizam a importância de orientar os principais atores no desenvolvimento de uma gestão co-participativa na direção dos princípios básicos, e que desenvolver valores coletivistas entre os usuários de um bem comum pode aumentar o conhecimento destes princípios.

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  • NELYANE NAYARA MARTINS DE SANTANA
  • CARACTERIZAÇÃO NEUROQUÍMICA E DAS PROJEÇÕES RETINIANAS DO NÚCLEO SUPRAQUIASMÁTICO E DO FOLHETO INTERGENICULADO DO MORCEGO Artibeus planirostris

  • Orientador : EXPEDITO SILVA DO NASCIMENTO JUNIOR
  • Data: 30/09/2015
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  • O sistema de temporização circadiana (STC) compreende um conjunto de estruturas neurais, que incluem vias aferentes, como projeções retinianas, que permitem a sincronização dos ritmos biológicos aos ciclos ambientais; um marcapasso central que gera o sinal circadiano e vias eferentes, que conectam o marcapasso aos efetores comportamentais. Entre os componentes centrais do STC, destaca-se o núcleo supraquiasmático (NSQ), classicamente reconhecido como a estrutural neural que rege a ritmicidade biológica, e o folheto intergeniculado (FIG) do complexo geniculado lateral do tálamo, modulador do marcapasso. Nesse estudo, ambos os centros circadianos foram avaliados quanto a sua citoarquitetura, padrão de inervação retiniana e conteúdo neuroquímco por meio da técnica de Nissl, de traçador neural e técnicas imuno-histoquímicas no morcego Artibeus planirostris, microquiróptero comum no território brasileiro. Com base nessas técnicas foi possível observar que o NSQ, no nível rostral, exibe um formato aproximadamante triangular e no nível médio e caudal, assume uma forma arredondada, além de apresentar inervação retiniana bilateral, com leve predominância contralateral. O NSQ do Artibeus planirostris é dotado de células imunorreativas a vasopressina (VP), polipeptídeo intestital vasoativo (VIP), calbindina (CB) e calretinina (CR); fibras/terminiais imunorreativos a neuropeptídeo Y (NPY) e serotonina (5-HT), além de marcação para proteína acídica fribilar glial (GFAP). O FIG recebe projeção retiniana bilateral e nos níveis rostral e médio exibe a forma de um fino folheto interposto entre o GLD e o GLV e a nível caudal expande-se medialmente contornando o GLV, além de conter células que expressam NPY, CB e CR; terminais imunorreativos a 5-HT e marcação para GFAP. Esse é o primeiro estudo a examinar o STC dessa espécie de quiróptero. Os dados indicam que o NSQ e FIG no Artibeus planirostris apresenta aferências retinianas e conteúdo neuroquímico similar a outras espécies de mamíferos.

26
  • JOSILENE SOARES CARVALHO SANTOS
  • REDES SOCIAIS DE Callithrix jacchus (Primates, Callithrichidae) EM AMBIENTE DE CAATINGA

  • Orientador : ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
  • Data: 21/12/2015
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  • A estrutura das redes sociais refere-se às interações e às relações entre os membros de um grupo, que são essenciais para descrever os padrões de associação e fornecer ferramentas para investigar a dinâmica da estrutura social. A variedade de estruturas sociais pode ser influenciada pelo ambiente, anatomia, fisiologia e história de vida de cada espécie. Para compreendermos a estrutura das redes sociais de um grupo necessitamos conhecer as interações ecológicas intraespecíficas, entre as quais estão os comportamentos de competição e cooperação. O estudo dos comportamentos afiliativos e agonísticos do sagui (Callithrix jacchus) poderá fornecer informações sobre a estrutura de suas redes sociais, e como ela varia ao longo do tempo. Com esse objetivo, acompanhamos um grupo social de sagui, em ambiente natural de Caatinga, na Floresta Nacional de Açu. Todos os indivíduos adultos foram observados uma vez por mês, através do método animal focal de dia completo. A estrutura das redes de associações por contato físico pouco oscilaram com as mudanças ambientais, talvez porque o sagui apresenta forte coesão de grupo como vários calitriquídeos. Na fase com filhote dependente os indivíduos estiveram mais associados, provavelmente para auxiliar no cuidado da prole. As redes das interações afiliativas de catação social apresentaram conexões mais fortes no meses de seca, o que pode ser uma forma de reduzir a tensão no grupo no período de maior escassez de alimento. As frequências de interações agonísticas foram baixas, porém foi possível identificar variações na estrutura das redes sociais, comportamentos de receber submissão e agressão foram mais intensos nos meses de seca, e as agressões também foram mais frequentes na fase com filhote dependente. Por meio da análise de redes sociais, foi possível compreender que vários fatores influenciam a estrutura social de um grupo de sagui. Além da competição por alimento, o sagui exibe diversos tipos de interações que contribuem para o sucesso reprodutivo da espécie.

Teses
1
  • CARLOS EDUARDO COSTA DE CAMPOS
  • Ecologia de Comunidades e Comportamento Reprodutivo de Anfíbios Anuros em Savana Amazônica

  • Orientador : ELIZA MARIA XAVIER FREIRE
  • Data: 23/02/2015
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  • As Savanas amazônicas ocorrem em manchas disjuntas por extensas áreas de floresta nos Estados do Amapá, Amazonas, Pará e Roraima. Para essas áreas é reconhecida variação considerável na composição de espécies da anurofauna entre as localidades e as fitofisionomias das Savanas amazônicas; no entanto, em função da carência de estudos ecológicos, especialmente sobre comportamento reprodutivo, uma amostragem sistemática, especificamente na Savana amapaense, é relevante na Amazônia Oriental. Nessa perspectiva, foi estudada uma área de Savana no Estado do Amapá quanto à composição, ecologia e comportamento reprodutivo de anfíbios anuros. Para as amostragens dos anuros, foram realizadas 24 excursões para observacões e/ou coletas, de janeiro de 2009 a dezembro de 2010 em cada fitofisionomia (Savana gramíneo-lenhosa, Savana gramíneo-lenhosa arbustiva, Savana parque e Savana arbórea), através de busca ativa e auditiva ao longo de 20 parcelas de 100x50 metros. Foram registradas 21 espécies de anuros, incluindo quatro novos registros de ocorrência para o Estado do Amapá: Dendropsophus walfordi, Scinax fuscomarginatus, Pseudopaludicola boliviana e Elachistocleis helianneae. A análise de variância de Kruskal-Wallis revelou diferenças significativas quanto a riqueza e a diversidade de espécies entre as fitofisionomias (p < 0.05). A análise de similaridade de Bray Curtis reconheceu as fitofisionomias em três grupos: Savana arbórea, Savana gramíneo lenhosa e gramíneo lenhosa arbustiva, e Savana parque. Através do Ordenamento por escalonamento não-métrico multidimensional, a comunidade de anuros resultou em agrupamentos distintos nas três fitofisionomias amostradas, com diferenças significativas (ANOSIM, R = 0.823; p < 0.001), indicando diferença na composição de espécies. No estudo de ecologia de comunidades, os valores obtidos para largura dos nichos espacial, temporal e trófico sugerem que as espécies de anuros da Savana amapaense é composta predominan-temente por espécies generalistas. As análises de modelos nulos indicaram a ocorrência de estruturação na comunidade quanto aos nichos temporal e trófico, indicando influência significativa de fatores ecológicos contemporâneos nesse processo. A ausência de estrutura quanto ao nicho espacial pode ser explicada pela segregação espacial na distribuição e ocupação dos anuros nas diferentes fitofisionomias da Savana amapaense, resultante de especializações. As estratégias reprodutivas, 11 espécies de anuros foram classificadas com padrão de reprodução prolongado, intrinsecamente ligado ao período chuvoso e ao modo reprodutivo da maioria das espécies, que apresentaram desova em corpos d’água lênticos. Foram registrados seis modos reprodutivos, com cuidado parental para as espécies Leptodactylus macrosternum e L. podicipinus, que apresentaram modos reprodutivos caracterizados pelas desovas em ninhos de espuma. Quanto às estratégias reprodutivas comportamentais, a estratégia do macho vocalizador foi constatada em todas as espécies de anuros; a estratégia do macho satélite foi registrada apenas para as espécies D. walfordi, Hypsiboas multifasciatus, S. nebulosus e S. fuscomarginatus; a procura ativa por fêmeas foi registrada para as espécies Phyllomedusa hypochondrialis e L. fuscus e, a estratégia de macho deslocador ocorreu apenas em Rhinella major e R. margaritifera. Dos comportamentos reprodutivos registrados, a exibição da garganta e do saco vocal está relacionado ao comportamento de corte e territorialidade exibido pelos machos. Além dos comportamentos de corte, sinais visuais associados foram registrados para os anuros da Savana amapaense.

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  • JOSÉ RODOLFO LOPES DE PAIVA CAVALCANTI
  • Caracterização citoarquitetônica e por imunoistoquímica para tirosina-hidroxilase da substância negra, área tegmentar ventral e zona retrorubral do sagui (Callithrix jacchus)

  • Orientador : JEFERSON DE SOUZA CAVALCANTE
  • Data: 30/04/2015
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  • Sabe-se que o grupo das catecolaminas é integrado pela dopamina, noradrenalina e adrenalina e que a síntese dessas substâncias se dá de modo sequencial, sendo a enzima tirosina-hidroxilase reguladora da fase inicial deste processo. Neste sentido, A 3-hidroxitiramina/dopamina é precursora da síntese de noradrenalina e adrenalina e ainda possui a capacidade de atuar como neurotransmissor na porção central do sistema nervoso. Os três principais núcleos dopaminérgicos, chamados zona retrorubral (grupo A8), substância negra pars compacta (grupo A9) e área tegmentar ventral (grupo A10), estão dispostos na porção die-mesencefálica e estão envolvidos em três vias, a mesostriatal, mesolímbica e mesocortical. Estas vias estão relacionadas diretamente com diversas manifestações comportamentais como controle da motricidade, sinalização de recompensa na aprendizagem comportamental, motivação e nas manifestações patológicas da Doença de Parkinson e esquizofrenia. Considerando-se a relevância desses, o objetivo do trabalho foi caracterizar morfologicamente os núcleos dopaminérgicos (A8, A9 e A10) do sagüi (Callithrix jacchus) mediante estudo citoarquitetônico e imunoistoquímico contra tirosina-hidroxilase. O sagüi é um primata neotropical, cujas características morfofuncionais repercutem na adequabilidade de uso deste animal em pesquisas de ordem biomédica. Secções coronais dos encéfalos de seis animais foram submetidas à coloração pelo método de Nissl e immunoistoquímica para tirosinsa-hidroxilase. Com base na morfologia dos neurônios, foi possível subdividir o grupo A10 em sete regiões: núcleo interfascicular, linear rostral e linear caudal, situados na linha média; O paranigral e o parainterfascicular, situados na zona intermediária; A porção rostral da área tegmentar ventral e o núcleo parabraquial pigmentado, situados na porção dorsolateral do tegmento mesencefálico. O grupo A9 foi subdividido em quatro regiões: Substância negra camadas dorsal e ventral; Substância negra conjuntos lateral e medial. Por último, não foram indentificadas subdivisões no grupo A8. Concluí-se que A8, A9 e A10 são filogeneticamente estáveis entre as espécies, porém percebe-se a necessidade de se ampliar os estudos acerca das organizações subnucleares, seja investigando a sua ocorrência em outras espécies de primatas, seja investigando a sua relevância funcional.

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  • RAFAEL NEIA BARBOSA SCOTT
  • Relação dos sonhos antecipatórios com desempenho cognitivo, afeto e comportamento da vigília

  • Orientador : SIDARTA TOLLENDAL GOMES RIBEIRO
  • Data: 22/06/2015
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  • O sono promove alterações quantitativas e qualitativas na memória, mas ainda não é clara qual a função dos sonhos nesse processamento. Nossa hipótese considera que a função onírica é relevante por simular possíveis cenários de sucesso e fracasso para maximizar o sucesso do indivíduo, através de aprendizado sem riscos e direcionamento adaptativo do comportamento na vigília. Realizamos dois experimentos distintos, utilizando como evento significativo: (1) o exame vestibular de acesso à universidade; (2) uma simulação em videogame do confronto Presa versus Predador. No experimento (1), abordamos os candidatos do vestibular UFRN 2010, solicitamos que preenchessem um questionário e comparamos suas respostas com o desempenho nas provas (n = 255). Verificamos que 44,3% dos participantes reportaram um sonho antecipatório relacionado ao vestibular. A ocorrência desse tipo de sonho correspondeu a maiores escores de medo e apreensão, e maiores alterações no cotidiano, no humor e no sono em função do vestibular. Não foram encontradas diferenças significativas de desempenho na comparação direta entre quem sonhou e não sonhou com o exame. Observamos uma baixa proporção de homens no grupo que sonhou, mas participantes do sexo masculino apresentaram melhor desempenho a priori que o feminino. Entre os que sonharam com o vestibular, encontramos uma correlação positiva entre alterações do cotidiano e desempenho; candidatos que julgaram a dificuldade do vestibular como “alta” apresentaram melhor rendimento do que os que julgaram a dificuldade “média”, sugerindo uma relação do sonho com a adaptação a contextos desafiadores. No experimento (2) utilizamos como tarefa um jogo de videogame de tiro em primeira pessoa. O desenho experimental incluiu: Treino – Cochilo (sono diurno) – Teste. A cada sessão dois participantes jogavam entre si, um no papel de Caçador (Objetivo: localizar e matar adversário) e outro como Presa (Objetivo: localizar e coletar itens), sendo monitorados eletrofisiologicamente durante todo o experimento (EEG, ECG, EOG e EMG). A maioria dos voluntários (53,8%, n=26) relatou sonhar com conteúdos relacionados ao jogo, o que esteve associado com o aumento da atividade cardíaca média durante os jogos. Nas Presas observamos efeito entre desempenho e sonho com o jogo: aquelas que não sonharam mataram mais o Predador e também morreram mais do que aquelas que sonharam. As Presas que sonharam com o jogo também coletaram mais itens do que as Presas que não sonharam. Assim, Presas que sonharam com o jogo apresentaram ganhos no escore do Objetivo, e aquelas que não sonharam apresentaram perdas. Análises da atividade cardíaca e do sono demonstraram maior estresse entre as Presas. O sonho com o jogo provocou redução do comportamento de agressão ao Predador, com maior eficiência no forrageio e otimização da resposta de luta-ou-fuga. Finalmente, encontramos uma associação entre sonhos e diminuição das interações violentas entre Treino e Teste, sugerindo uma função social para a atividade onírica em humanos. Em conjunto, os experimentos reforçam a noção de que o sonho com desafios da vigília tem papel adaptativo.
4
  • ANTHONIETA LOOMAN MAFRA
  • REALIDADE OU FICÇÃO? A INFLUÊNCIA DA AUTOPERCEPÇÃO COMO PARCEIRO ROMÂNTICO E DA AUTOESTIMA NA ESCOLHA E PREFERÊNCIA DE PARCEIROS ROMÂNTICOS

  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 31/07/2015
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  • Em geral, homens e mulheres procuram por características em seus parceiros que possam aumentar seu sucesso reprodutivo. Porém, a escolha de um parceiro romântico não se baseia apenas no que o indivíduo deseja em um parceiro, mas ele leva em consideração a forma como ele se percebe dentro de determinado ambiente, de modo que a autoavaliação pode mudar de acordo com o contexto no qual o sujeito está inserido. Além do ambiente, a autoestima pode ser um fator que modifica as preferências de parceiros românticos e a forma com a qual as pessoas escolhem estes parceiros por poder influenciar na maneira com que as pessoas se avaliam. A maioria dos estudos que deram origem a padrões hoje considerados universais no estudo de escolha de parceiro romântico foi realizado com universitários, o que pode limitar a abrangência das conclusões por contemplar pessoas de mesmo nível educacional e provavelmente mesmo nível socioeconômico (SES). A presente pesquisa, realizada no Brasil, onde a taxa de desigualdade social elevada, e parte no Canadá teve como objetivo verificar as preferências e escolhas de parceiros românticos e autoavaliação como parceiro romântico em diferentes níveis educacionais e SES. Homens, principalmente de baixo SES, tendem a dar prioridade a status social quando procurando por uma parceira romântica, enquanto o padrão universal é a preferência por atratividade física, e mulheres de baixo SES parecem ter conhecimento dessa preferência de homens de baixo SES ao expressarem que status social é importante para sua autoavaliação. Adicionalmente, os resultados corroboraram a influência do contexto, da autoestima e do SES na autopercepção como parceiro romântico, embora os dois últimos pareçam modular como se dá a influência do contexto sobre a autopercepção dos participantes. Além disso, a presente pesquisa também indicou que as preferências parecem representar as escolhas para as características mais 6 importantes para cada sexo, sendo as demais características moduladas provavelmente pela qualidade de parceiros disponíveis no ambiente.

5
  • JANAINA SIQUEIRA BORDA
  • Mapeamento das projeções retinianas para o sistema óptico acessório, colículo superior e complexo pré-tectal do sagui (Callithrix jacchus).

  • Orientador : JEFERSON DE SOUZA CAVALCANTE
  • Data: 26/08/2015
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  • O sistema óptico acessório, o Complexo pré-tectal, e o colículo superior são importantes centros de controle de uma variedade de movimentos oculares, sendo extremamente necessários para a formação de imagem, consequentemente para a percepção visual. O sistema óptico acessório é constituído pelos núcleos: núcleo terminal dorsal, núcleo terminal lateral, núcleo terminal medial e núcleo intersticial do fascículo superior posterior. Do ponto de vista funcional eles contribuem para a estabilização da imagem, participando da atividade visuomotora onde todas as células do sistema respondem a movimentos lentos dos olhos e a estímulos visuais, o que é importante para o próprio funcionamento dos outros sistemas visuais. O complexo pré-tectal compreende um conjunto de núcleos situados na transição mesodiencefálica, são eles: núcleo pré-tectal anterior, núcleo pré-tectal posterior, núcleo pré-tectal medial, núcleo pré-tectal olivar e o núcleo do trato óptico, sendo todos recipientes de projeção retiniana e funcionalmente estão relacionados com a via do reflexo pupilar a luz e o nistagmo optocinético. O colículo superior  é uma importante estação visual subcortical formado por camadas e, apresenta um papel funcional importante no controle dos movimentos dos olhos e da cabeça em resposta a estímulos multissensoriais. Nosso objetivo foi fazer um mapeamento das projeções retinianas que incidem sobre o sistema óptico acessório, os núcleos do complexo pré-tectal e os do colículo superior, buscando principalmente, no caso do complexo pré-tectal, uma melhor delimitação dessas estruturas, por meio do rastreamento anterógrado com a subunidade B da toxina colérica (CTb)  seguido de técnica imunoistoquímica e, caracterizar (medir área e diâmetro) os botões sinápticos presentes nas fibras/terminais dos núcleos do complexo pré-tectal. Em nossos resultados o sistema óptico acessório, incluindo uma região que parece ser o núcleo terminal medial, e o colículo superior apresentaram-se fortemente marcados por fibras/terminais imunorreativos a CTb, bem como o complexo pré-tectal nos núcleos: núcleo trato óptico, núcleo pré-tectal olivar, núcleo pré-tectal anterior e núcleo pré-tectal posterior. De acordo com a caracterização dos botões foi possível fazer uma melhor delimitação desses núcleos.

6
  • FABIANA BARBOSA GONCALVES
  • Caracterização do ritmo circadiano de atividade e repouso em saguis idosos (Callithrix jacchus)

  • Orientador : CAROLINA VIRGINIA MACEDO DE AZEVEDO
  • Data: 01/09/2015
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  • A idade avançada pode se tornar um fator limitante para a manutenção da ritmicidade dos organismos, podendo reduzir a capacidade de geração e de sincronização dos ritmos biológicos. Neste estudo, foi avaliada a influência do envelhecimento na expressão da periodicidade endógena e sincronização (fótica e social) do ritmo circadiano de atividade (RCA) em um primata diurno, o sagui (Callithrix jacchus). Esse estudo teve dois enfoques: um com abordagem longitudinal, realizado com um sagui macho nas fases adulta (3 anos) e idosa (9 anos) (estudo 1), e o segundo com uma abordagem transversal, com 6 idosos (♂: 9,7 ± 2,0 anos) e 11 adultos (♂: 4,2 ± 0,8 anos) (estudo 2). A avaliação da sincronização fótica envolveu etapas de CE (natural e artificial). No estudo 1, o animal foi submetido às seguintes etapas: CE (12:12 ~350:~2 lux), CC (~350 lux) e ressincronização ao CE. No estudo 2, os animais foram avaliados inicialmente em CE natural, e posteriormente na mesma sequência de condições do estudo 1. Durante a etapa de CC no estudo 2, as vocalizações diárias de coespecíficos mantidos em CE natural na parte externa da colônia foram consideradas como pista temporal para a sincronização social. O registro da atividade foi realizado automaticamente em intervalos de 5 minutos através de sensor infravermelho e actímetro, nos estudos 1 e 2, respectivamente. De forma geral, os idosos apresentaram um padrão de atividade mais fragmentado (> IV, < H e > PSD, ANOVA; p < 0,05), menores níveis de atividade (ANOVA; p < 0,05) e menor duração da fase ativa (ANOVA; p < 0,05) nas condições de CE, quando comparados aos adultos. Em CE natural, os idosos apresentaram atraso de fase pronunciado para início e fim da ativa (ANOVA; p < 0,05), enquanto que os adultos apresentaram fase ativa mais ajustada à fase de claro. Sob CE artificial, houve avanço de fase e maior ajuste dos horários de início e fim da atividade em relação ao CE nos idosos (ANOVA; p < 0,05). Em CC, houve correlação positiva entre a idade e o período endógeno (t) nos primeiros 20 dias (Correlação de Pearson; p < 0,05), com o prolongamento do período mantido em dois animais idosos. Nesta condição, a maioria dos adultos apresentou ritmo de atividade em livre-curso com t < 24 h nos primeiros 30 dias e posteriormente, coordenação relativa mediada por pistas auditivas. No estudo 2, a análise cross-correlation entre os perfis de atividade dos animais em CC com os animais controle mantidos sob o CE natural, revelou que houve uma menor sincronia social em idosos. Com a resubmissão ao CE, a velocidade de ressincronização foi mais lenta nos idosos (teste t; p < 0,05), e para um dos animais idosos houve a perda da capacidade de ressincronização. De acordo com o conjunto de dados, sugere-se que o envelhecimento em saguis pode estar associado à: 1) menor amplitude e maior fragmentação da atividade, acompanhadas de atraso de fase com prolongamento do t, em função de mudanças na captação de pistas fóticas, na geração e na expressão comportamental do RCA; 2) menor capacidade de sincronização fótica do ritmo de atividade, que pode se tornar mais robusta em condições de iluminação artificial, possivelmente pelas maiores intensidades luminosas no início da fase ativa devido às transições abruptas entre as fases de claro e escuro; e 3) menor capacidade de sincronização não-fótica por pistas auditivas de coespecíficos, possivelmente por redução na captação sensorial e na resposta dos osciladores circadianos às pistas auditivas, podendo tornar o sagui idoso mais vulnerável e menos adaptável ao ambiente, pois estas pistas sociais podem atuar como um importante fator coadjuvante para a sincronização fótica.

7
  • VIVIANE DA SILVA MEDEIROS
  • ESTUDO DO COMPORTAMENTO COMO INDICADOR DE SAÚDE EM CAMARÕES INFECTADOS POR Vibrio parahaemolyticus

  • Orientador : MARIA DE FATIMA ARRUDA DE MIRANDA
  • Data: 13/11/2015
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  • A carcinicultura mundial sofre grandes perdas econômicas por enfermidades virais e bacterianas, é importante que sejam incentivados estudos e ações que minimizem os danos provocados por estas doenças em todas as áreas, desde as econômicas, saúde animal e humana até ambientais. O presente trabalho avaliou: a) o efeito da presença do substrato sobre o comportamento de camarões juvenis Litopenaeus vannamei em laboratório (manuscrito I); b) as atividades comportamentais de camarões juvenis L. vannamei infectados por Vibrio parahaemolyticus (ATCC 17802) e submetidos a tratamentos veterinários em laboratório (manuscrito II); c) identificou os agentes causadores de enfermidades com altas mortalidades em fazendas de carcinicultura (manuscrito III). O estudo foi realizado em três etapas: na primeira etapa (manuscrito I), os animais foram submetidos a tratamentos com ausência ou presença de areia como substrato, foram divididos em dois grupos, colocados em 30 aquários de material plástico com capacidade para quatro litros, em metade deles colocou-se areia como substrato e na outra metade sem areia, os quais foram avaliados os comportamentos de enterramento somente para o grupo com areia e inatividade, natação, ingestão de alimento, limpeza e rastejamento; sobrevivência e ganho de peso para ambos os grupos. Na segunda etapa (manuscrito II), os animais foram divididos em cinco grupos: 1) Controle, 2) Animais infectados e sem tratamento veterinário; 3) Animais infectados tratados com medicamentoisopático; 4) Animais infectados tratados com medicamento antibiótico (florfenicol); 5) Animais infectados tratados com medicamentos isopático e antibiótico (florfenicol) simultaneamente. Na oportunidade, foram analisados em laboratório os comportamentos desses animais, a sobrevivência e o ganho de peso. Na terceira etapa, foi visitada uma fazenda de carcinicultura com altos índices de mortalidade na cidade de Obregón, em Sonora, no México. Foram coletados 30 animais dessa fazenda levados para análises presuntivas (análise a fresco e bacteriologia) e confirmatórias (bioquímica e RT-PCR) para identificação de agentes patogênicos virais e/ou bacterianos. Os resultados obtidos durante as etapas realizadas indicam que os camarões juvenis expostos à presença ou não de areia, em condições laboratoriais por até três semanas, não modificam seu comportamento, demonstrando que se mantém em uma situação de conforto e, portanto as respostas pós-experimentos serão fidedignas. Os camarões infectados e tratados com isopatia e antibiótico simultaneamente apresentaram desempenho comportamental semelhante ao grupo controle. Ainda concluímos que a alta mortalidade identificada em viveiros com camarões juvenis, além da cepa patógena causadora da AHPND, Vibrio parahaemolyticus, outras espécies de bactérias dos gêneros Vibrio e Aeromonas estavam associadas.


8
  • MONIQUE BEZERRA PAZ LEITÃO
  • Efeito das características infantis sobre a cooperação: análise ontogenética por uma perspectiva evolucionista

  • Orientador : MARIA EMILIA YAMAMOTO
  • Data: 18/12/2015
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  • Bebês e crianças pequenas costumam ser considerados graciosos e despertar muito afeto. A tendência de percebê-los de modo positivo e a disposição em cuidar são atribuídas a traços físicos e comportamentais típicos de um infante. Em humanos, características faciais como olhos grandes em relação ao rosto e cabeça arredondada são importantes estímulos. Alguns teóricos defendem que a tendência humana à cooperação tem raízes em mecanismos que evoluíram para o cuidado à prole, entretanto poucos estudos investigam as relações entre traços infantis, percepção de fofura e cooperação. Neste trabalho foram desenvolvidas quatro publicações. A primeira investigou a influência da faixa etária e sexo na expressão de comportamentos cooperativos e competitivos e na percepção de infantilidade por parte de indivíduos mais velhos ao interagir com crianças pequenas. Participaram 244 sujeitos (120 do sexo feminino) que interagiram em díades durante partidas do jogo da velha. Foram testadas as díades: Criança 4-5 x Criança 8-9 anos; Criança 4-5 x Adolescente 14-16 anos; Criança 4-5 x Adulto 25-35 anos. Crianças entre 8-9 anos expressaram mais comportamentos competitivos, especialmente díades de sexo opostos, e adultos expressaram mais ajuda. Adolescentes e adultos tenderam a avaliar a criança pequena como mais fofinha, bonita e ingênua. Quanto maior a avaliação de fofura, menos competição por parte de crianças de 8-9 anos e adultos. A segunda publicação tratou da construção e validação do Child Neutral Expression Picture Set – CNEPS, um banco de faces composto por imagens de 131 crianças entre 4-5 anos, com expressão facial neutra. Após a captura, edição e normalização, as imagens foram avaliadas por especialistas, sendo em geral consideradas com expressão neutra. A terceira publicação teve como objetivo medir e relacionar diversos traços faciais infantis das imagens de crianças entre 4-5 anos com a percepções de fofura, os comportamentos competitivos e cooperativos no jogo dirigidos a estas crianças por parte de sujeitos de diferentes idades. Os sujeitos e o método foram os mesmos descritos na primeira publicação, acrescidos da medição dos traços. O estudo é inovador por mostrar que  a percepção e frequência de competição e ajuda variam de acordo com a intensidade de certos traços em todas as faixas etárias. Nas crianças de 8-9 anos, os traços relacionaram-se à percepção de fofura, nos adolescentes tanto às percepções e como à inibição de competição. Nos adultos os traços correlacionaram com mais ajuda. A quarta publicação é uma nota técnica que descreve vários bancos de imagens faciais de crianças e adultos disponíveis para pesquisas científicas. Em síntese, a presente tese mostrou que ao longo do desenvolvimento, os indivíduos tendem a agir mais cooperativamente com crianças pequenas e de avaliá-las de modo mais positivo e que os traços infantis específicos influenciam a diminuição da competitividade e aumento da cooperação. Entende-se que diversas adaptações cognitivas e comportamentais foram favorecidas durante a evolução humana para promover cuidado e proteção de indivíduos imaturos, especialmente considerando o alto nível de dependência e o longo período de cuidado exigido pelos nossos infantes.

2014
Dissertações
1
  • ANDRE DE MACEDO MEDEIROS
  • Mudanças endógenas e exógenas nos níveis de estrógeno: efeitos sobre a amnésia induzida pela escopolamina em ratas intactas.

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 31/01/2014
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  • Estudos com animais experimentais têm sugerido que o estrógeno ajuda a reduzir déficits cognitivos aumentando o estado funcional do sistema colinérgico. Porém, a maioria dos modelos que pesquisam o envolvimento desse sistema sobre a memória não consideram as variações hormonais naturalmente presentes em animais intactos. Neste estudo, procuramos avaliar a ação endógena e suprafisiológica do estrógeno sobre os déficits produzidos pela escopolamina (ESC) sobre a memória aversiva de ratas em diferentes fases do ciclo estral em uma tarefa de esquiva discriminativa em labirinto em cruz elevado (ED-LCE). Foram utilizadas ratas Wistar, as quais passaram por sessões de treino e teste em 3 experimentos: (I) Ratas em diferentes fases do ciclo receberam ESC (1 mg/kg i.p) ou salina 20 minutos pré-treino; (II) Ratas em diestro (DIE) receberam o mesmo tratamento em (I) mais valerato de estradiol i.m (VE; 1 mg/kg) ou óleo de gergelim (VEH) 45 minutos pré-treino; (III) Ratas em DIE receberam o mesmo tratamento em (I), mais VE ou VEH pós-treino. A sessão de teste foi realizada 24 horas após a sessão de treino em todos os experimentos. Os principais resultados mostraram que: (1) ESC induziu amnésia, comportamento ansiolítico e aumento da atividade motora em todos os experimentos e (2) prejudicou a aquisição da tarefa apenas para os animais em DIE; (3) o VE preveniu o prejuízo na aquisição induzido pela ESC e (4) alterou o processo de consolidação da memória, comprometendo ainda mais a evocação da tarefa quando administrado pós-treino. Os resultados indicam que alterações nos níveis de estrógeno endógeno ou suprafisiológico influenciam processos mnemônicos, sugerindo-se um papel da modulação da transmissão colinérgica nesses efeitos.

2
  • PAULO LEONARDO ARAÚJO DE GÓIS MORAIS
  • Projeção retiniana, caracterização citoarquitetônica e neuroquímica da Zona Incerta do mocó (Kerodon rupestris)

  • Orientador : EXPEDITO SILVA DO NASCIMENTO JUNIOR
  • Data: 27/03/2014
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  • A Zona Incerta (ZI) é um grupamento neuronal embriologicamente derivado do tálamo ventral, em continuidade com o núcleo reticular do tálamo. Diversos estudos com traçadores retrógrados e anterógrados revelaram a conexão da ZI com diversas estruturas do sistema nervoso central. Dados moleculares e citoquímicos revelaram que a ZI é um dos grupamentos neuronais com maior diversidade neuroquímica e citoarquitetônica do diencéfalo, e estudos hodológicos e neuroquímicos permitiram considerar o envolvimento da ZI em diversas funções, as quais se destacam a nocicepção, atenção, estado de alerta, controle e manutenção da postura e controle da atividade visceral. Este trabalho tem por objetivo caracterizar a citoarquitetura e o conteúdo neuroquímico da ZI do mocó (Kerodon rupestris), bem como a aferência óptica presente neste núcleo nesta espécie. A técnica de Nissl, juntamente com imunohistoquímica para NeuN, são eficientes para a delimitação e caracterização citoarquitetônica da ZI do mocó; A ZIc recebe projeção da retina contralateral, apresentando fibras Classe II ou modulator, sugerindo um caráter modulatório da informação fótica; A ZI do mocó, assim como em outros roedores e primatas, é caracterizada por uma complexa rede neuroquímica, sobretudo na porção medial da ZIr, onde encontramos imunorreatividade de todas as substâncias neuroativas investigadas, além de que A IR-NOS, GFAP e CR auxiliaram a delimitação da ZI no nível médio em ZId e ZIv. Contudo, somente fibras IR 5-HT e células IR-GABA estão presentes em todas as subdivisões da ZI. Esses dados demonstram a grande riqueza neuroquímica da ZI do mocó, auxiliando para explicar o envolvimento em um amplo repertorio funcional.

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  • DEBORAH PINTO FERNANDES
  • SPATIAL DISTRIBUTION OF HUMPBACK WHALE SINGERS IN THE ABROLHOS BANK, BA, BRAZIL

  • Orientador : RENATA SANTORO DE SOUSA LIMA MOBLEY
  • Data: 31/03/2014
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  • Mamíferos marinhos formam um grupo bastante diversificado, incluindo cetáceos, sirênios, pinípedes e carnívoros, como lontras e ursos polares. Estudos sobre a distribuição e abundância de mamíferos marinhos são de grande importância para fins de conservação e manejo. Esses são animais que passam toda ou a maior parte da vida no ambiente aquático e dependem de diversos fatores, como distribuição de recursos alimentares, batimetria, distribuição de parceiros, entre outros para sobreviver. Dentre todos os mamíferos marinhos, a baleia jubarte é uma das espécies mais estudadas. A jubarte é conhecida por produzir longas sequências padronizadas de sons conhecidas como "canto", sendo a acústica uma das principais formas de comunicação no meio aquático. Este trabalho tem como objetivo (1) fornece uma revisão da literatura disponível sobre o estudo da distribuição de mamíferos marinhos utilizando métodos acústicos e/ou visuais nos últimos dez anos para identificar quais métodos e técnicas têm sido mais utilizados no campo; (2) prever a distribuição de grupos de baleia jubarte vocalmente ativos em relação a variáveis ambientais e sociais no entorno do Arquipélago dos Abrolhos; e, (3) verificar a existência de sobreposições entre a rota utilizada pelos barcos de turismo e machos cantores no entorno do Arquipélago dos Abrolhos, áreas onde possa haver potenciais interações espaciais e acústicas. Através da revisão de literatura no capítulo1, encontramos que, apesar do uso de monitoramento acústico passivo estar se tornando mais econômico e acessível nos últimos anos, os métodos mais usados para estudar distribuição de mamíferos marinhos são visuais. Ao responder um questionário sobre o método utilizado, a maioria dos pesquisadores tenderam a escolher o método visual por estarem inseridos em projetos maiores com outros focos. No segundo capítulo, foi feita uma regressão logística utilizando profundidade, distância a um buffer ao redor das ilhas de Abrolhos (0,5 mn), distância a corais, tamanho de grupo e presença de filhote para prever atividade vocal. O modelo que melhor previu que grupos de baleias jubartes estariam vocalmente ativos quando não houver filhote presente no grupo (B = 1,234, Wald = 16,016, p < ,01), estiverem distantes de corais (B = ,403, Wald = 4,263, p < ,05) e em áreas mais profundas (B = ,079, Wald = 3,460, p > ,05). Finalmente, no terceiro capítulo, realizamos análises espaciais que resultaram em mapas de densidade de grupos vocalmente ativos de baleias jubarte e de embarcações de turismo. Encontramos que as áreas de maior densidade de cantores coincide com áreas de maior densidade de embarcações. Tais áreas foram classificadas como alto risco para a comunicação da espécie na área amostrada. Investigar as preferências de habitat  das baleias jubarte para atividade vocal com base em características ambientais e composição de grupo é essencial para o estabelecimento de áreas de manejo espaço-temporal com o objetivo de garantir uma comunicação acústica adequada, tão importante em áreas de reprodução. Nós também fornecemos resultados que enfatizam a necessidade de pôr em prática planos de manejo adaptativo que considerem fatores que podem ser importantes para a conservação e manejo da baleia jubarte.

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  • ALINE LIMA DIERSCHNABEL
  • O tratamento com a fluoxetina (mas não com outros fármacos antidepressivo e ansiolíticos) reverte o déficit de memória aversiva causado por estresse agudo de contenção em camundongos.

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 11/04/2014
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  • O fisiologista H. Selye definiu estresse como a resposta não específica do organismo a quaisquer fatores que coloquem em risco a homeostase (equilíbrio do meio interno) do indivíduo. Esses fatores, os agentes estressores, são capazes de ativar o eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HPA), resultando assim na resposta fisiológica ao estresse. Quando esse eixo é agudamente estimulado, ocorre um repertório de mudanças comportamentais e fisiológicas adaptativas ao indivíduo. Por outro lado, quando o eixo HPA é cronicamente estimulado, podem ocorrer modificações psicofisiológicas prejudiciais ao indivíduo, entre elas, efeitos sobre as funções cognitivas, como na aprendizagem e na memória, além do desenvolvimento de patologias, como os transtornos de ansiedade. Alguns fármacos utilizados na clínica para o tratamento de transtornos de ansiedade podem exercer efeitos sobre funções cognitivas, sobre o eixo HPA e sobre a ansiedade. Neste contexto, o objetivo de nosso estudo foi verificar os efeitos da administração aguda de quatro fármacos, o diazepam (DZP, 2 mg/Kg), a buspirona (BUS, 3 mg/Kg), a mirtazapina (MIR, 10 mg/Kg) e a fluoxetina (FLU, 10 mg/Kg) em camundongos machos submetidos ao estresse agudo por contenção, utilizando a tarefa de esquiva discriminativa em labirinto em cruz elevado, que avalia simultaneamente parâmetros de aprendizagem, memória e ansiedade. Nossos resultados demonstraram que (1) a administração do DZP e da BUS promoveu efeitos ansiolíticos nos animais, mas não a FLU; (2) a MIR causou efeito sedativo aos animais; (3) durante a sessão de treino, os animais tratados com BUS, MIR e FLU aprenderam a tarefa, por outro lado o grupo DZP demonstrou prejuízo na aprendizagem; (4) na sessão teste, animais tratados com DZP, BUS, e MIR mostraram déficit na discriminação entre os braços fechados, aversivo versus não aversivo, demonstrando um prejuízo na memória, entretanto, animais que receberam FLU não mostraram interferência na evocação dessa memória; (5) o estresse agudo não interfere na aprendizagem da tarefa, mas induz prejuízo na evocação da memória, sendo este prejuízo revertido apenas para o grupo tratado como FLU. Esses resultados sugerem que a administração aguda de fármacos com atividade ansiolítica e antidepressiva não interferem no processo de aprendizagem desta tarefa aversiva, mas prejudicam sua evocação, bem como o estresse agudo de contenção. Contudo, o antidepressivo fluoxetina foi capaz de reverter o déficit de memória promovido pelo estresse agudo, o que pode sugerir que a modulação, mesmo que agudamente da neurotransmissão serotoninérgica, por inibidores seletivos da receptação desse neurotransmissor, interfere no processo de consolidação de uma memória aversiva.

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  • MANARA BEZERRA BARBOSA COSTA
  • PARTICIPAÇÃO DA NEUROTRANSMISSÃO DOPAMINÉRGICA NO EFEITO HIPERLOCOMOTOR DO NEUROPEPTÍDEO S

  • Orientador : ELAINE CRISTINA GAVIOLI
  • Data: 25/04/2014
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  • Neuropeptídeo S (NPS) é um peptídeo endógeno formado por 20 aminoácidos e é o ligante de um receptor acoplado à proteína G chamado NPSR, o qual está envolvido na modulação de várias funções biológicas centrais como locomoção, ansiedade, nocicepção, ingestão de alimento e comportamentos motivacionais. Já é conhecido que o efeito hiperlocomotor do NPS é mediado pelos receptores NPSR e parece depender da ativação do sistema adenosinérgico, dopaminérgico e do sistema peptidérgico do CRF. Considerando o pouco conhecimento acerca do envolvimento do sistema dopaminérgico na mediação do aumento da atividade locomotora induzido pelo NPS, o presente estudo objetiva investigar as ações motoras da administração intracerebroventricular (icv) de NPS em camundongos pré-tratados com α-metil-p-tirosina (AMPT, inibidor da enzima de síntese de dopamina), reserpina (inibidor do armazenamento da dopamina em vesículas) ou sulpiride (inibidor de receptores D2 de dopamina), em animais submetidos ao teste de atividade locomotora no campo aberto. Camundongos Swiss machos (30-35 g) foram submetidos à cirurgia estereotáxica para a implantação de uma cânula-guia no ventrículo lateral. No 3º dia após a cirurgia, os animais foram pré-tratados com AMPT (250 mg/kg, ip, 24 h antes do teste), reserpina (2 mg/kg, SC, 24h) ou sulpiride (25 mg/kg, ip, 45 min) e depois foram tratados com NPS (1 nmol, 2 μl; icv, 5 min) e submetidos ao teste do campo aberto. Para fins de comparação, um grupo distinto de animais recebeu os mesmos pré-tratamentos acima descritos (AMPT, reserpina ou sulpiride) e o efeito hiperlocomotor do metilfenidato (5 mg/kg, sc, 15 min; inibidor da recaptação de dopamina) foi investigado no campo aberto. O teste do campo aberto avalia a locomoção espontânea dos animais através da distância percorrida (m) e do tempo de imobilidade (m) durante 60 min. O NPS aumentou a atividade locomotora dos animais na dose de 1 nmol. O AMPT per se não causou alteração na locomoção dos animais. Por outro lado, o AMPT reduziu parcialmente o efeito hiperlocomotor do metilfenidato, mas não foi capaz de afetar a ação hiperlocomotora do NPS. Tanto o pré-tratamento com reserpina como o com sulpiride foram capazes de inibir o efeito estimulatório do NPS, assim como o do metilfenidato. Estes achados mostram que o efeito hiperlocomotor do metilfenidato, mas não do NPS, foi afetado pela administração de AMPT. Além disso, tanto o efeito do metilfenidato quanto o do NPS foram prejudicados pelos pré-tratamentos com reserpina e sulpiride. Em conjunto, sugere-se que o NPS pode promover estímulo excitatório mesmo quando a síntese de catecolaminas foi prejudicada. Ainda conclui-se que o efeito hiperlocomotor do NPS e do metilfenidato depende dos estoques vesiculares de monoaminas, em particular dopamina, e da ativação do receptor dopaminérgico D2. O efeito psicoestimulante do NPS por meio da ativação do sistema dopaminérgico pode apresentar importância clínica no tratamento de doenças que envolvem a via dopaminérgica, como o Mal de Parkinson e a dependência química.

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  • JAMILLY DE SOUZA COSTA
  • Efeitos da densidade de estocagem em camarões da espécie Macrobrachium rosenbergii (De Man, 1879) nos estágios iniciais do desenvolvimento.

  • Orientador : MARIA DE FATIMA ARRUDA DE MIRANDA
  • Data: 30/04/2014
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  • Entre as diversas atividades aquícolas, a carcinicultura sobressai-se devido ao alto valor comercial que os crustáceos atingiram no mercado. Dentre as espécies de água doce cultivadas, uma das que mais têm se destacado é Macrobrachium rosenbergii. O conhecimento sobre o comportamento da espécie e a influência das características do ambiente em seu desenvolvimento pode otimizar o manejo e minimizar prováveis impactos ao meio ambiente e ao próprio animal. Assim, nosso objetivo geral foi caracterizar as atividades comportamentais dessa espécie nos estágios iniciais do desenvolvimento em diferentes densidades de estocagem, nas fases do ciclo de luz. Pós-larvas com 30 dias de vida foram trazidas da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), Macaíba/RN e, em seguida, transferidas para o laboratório de Estudos do Comportamento do Camarão (LECC), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde foram medidas e pesadas. Para cada experimento, foram utilizados oito aquários de 60 L (40 cm x 30 cm x 50 cm), com temperatura e aeração constantes e filtração contínua através de mídias filtrantes biológicas em mini-tubos, areia, lã de vidro e carvão vegetal, contendo três centímetros de areia de filtro de piscina (granulometria média) como substrato e submetidos ao ciclo de 12h/12h, tendo 30% da água trocada uma vez por semana. Os abrigos utilizados foram pedaços de tijolos, sendo 2 em cada aquário. A qualidade da água foi monitorada semanalmente. Para observação do comportamento dos animais, utilizamos duas densidades: 25 animais m-² e 40 animais m-². Os comportamentos foram observados através dos seguintes métodos de registro: amostragem comportamental - entrada e saída do abrigo, coleta de alimento no substrato e na coluna d’água, afastamento, ataque, perseguição e canibalismo; scan - inatividade, alimentação, exploração, cavação, natação, limpeza e permanência no abrigo.  As observações ocorreram em janelas de 15 minutos/aquário, 4 vezes ao dia, por 4 dias na semana, ao longo de 4 semanas. O alimento foi ofertado 2 vezes ao dia, imediatamente antes de  2ª e da 4ª janela de observação de cada aquário. Nossos resultados demonstraram que na alta densidade, na fase de claro, os animais apresentaram maior frequência de atividades comportamentais que possivelmente promoveram menor exposição, e também evitação de atos agonísticos. Nessa densidade, na fase de escuro, a maior frequência foi de comportamentos que pareceram gerar maior exposição a riscos. Para a baixa densidade, encontramos um padrão que pode ser importante para o manejo ao gerar mais conforto aos animais no ambiente de cultivo. Concluiu-se que a densidade de estocagem exerceu influência na expressão das atividades comportamentais de M. rosenbergii nos estágios iniciais do desenvolvimento, com modificações no comportamento que indicam bem-estar pobre ao animal em condições de alta densidade de estocagem.

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  • ISABELLA MARIA DE OLIVEIRA PONTES FERNANDES
  • Efeitos do tratamento com lítio na memória aversiva, comportamentos relacionados à ansiedade e depressão e na expressão de BDNF em ratos

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 09/05/2014
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  • Lítio (Li) é o fármaco de escolha para o tratamento do transtorno bipolar, doença psiquiátrica caracterizada por oscilações de humor entre mania e depressão. Entretanto, estudos mostram que essa droga pode ter influência sobre os processos mnemônicos devido a seu caráter neuroprotetor, antiapoptótico e neurogênico. O emprego no lítio para o tratamento de déficits cognitivos provocados por lesões cerebrais ou doenças neurodegenerativas vem sendo amplamente estudado, visto que esse fármaco mostra-se capaz de prevenir ou até mesmo aliviar prejuízos na memória. Os efeitos do Li na ansiedade e depressão são controversos e a relação entre os efeitos do Li na memória, ansiedade e depressão são ainda desconhecidos. Neste contexto, os objetivos deste estudo foram: avaliar os efeitos da administração aguda e crônica de carbonato de lítio na memória aversiva e ansiedade, simultaneamente, utilizando a esquiva discriminativa no labirinto em cruz elevado (ED); testar o efeito antidepressivo do fármaco através do teste do nado forçado (NF); avaliar a expressão de fator neurotrófico derivado do encéfalo (BDNF) em estruturas relacionadas com memória e emoção. Para a avaliação do efeito agudo, ratos Wistar machos foram submetidos à administração intraperitoneal de carbonato de lítio 50, 100 ou 200 mg/kg uma hora antes do treino (ED) ou carbonato de lítio 50 ou 100 mg/kg uma hora antes do teste (NF). Para a avaliação crônica, foram administradas as doses de 50 ou 100 mg/kg ou veículo por 21 dias antes do início das tarefas comportamentais (ED e NF). Após o término dessas tarefas, os animais foram eutanasiados e seus encéfalos removidos para realização de imunohistoquímica para quantificar BDNF. Os animais que receberam tratamento agudo com Li nas doses de 100 e 200 mg/kg não demonstraram discriminação entre os braços fechados (aversivo e não-aversivo) na sessão treino da ED, mostrando que esses animais não aprenderam a tarefa. Essa ausência na discriminação foi observada também na sessão teste, mostrando que não houve evocação da memória aversiva. Foi ainda observado um aumento da exploração dos braços abertos para essas mesmas doses, apontando um efeito ansiolítico do fármaco. Os mesmos grupos apresentaram ainda uma redução na atividade locomotora, no entanto, esse efeito parece não estar relacionado com o efeito ansiolítico do fármaco. O tratamento crônico com lítio não promoveu alterações nos processos de aprendizado e memória. No entanto, foi observado uma redução da exploração dos braços abertos pelos animais tratados com a dose de 50 mg/kg em relação aos outros grupos, mostrando um efeito ansiogênico causado pelo tratamento crônico. Esse efeito não está relacionado a alterações locomotoras, visto que não foi detectado alterações nesses parâmetros. Ambos os tratamentos (agudo e crônico) foram ineficazes em demonstrar o efeito antidepressivo do lítio na tarefa do NF. O tratamento crônico com lítio também não foi capaz de alterar a expressão de BDNF no hipocampo, amígdala e córtex pré-frontal. Esses resultados sugerem que a administração aguda de lítio promove prejuízos no aprendizado em uma tarefa aversiva, impedindo a ocorrência de consolidação e evocação da memória. A redução da ansiedade no tratamento agudo pode ter impedido o aprendizado da tarefa aversiva, visto que já foi verificado que níveis ótimos de ansiedade são necessários para que ocorra aprendizado com contexto emocional. Com a continuidade do tratamento os animais recuperam a capacidade de aprender e evocar a tarefa, mas não apresentam alterações em relação ao grupo controle e a ausência de alteração na expressão de BDNF corrobora esse resultado. Possivelmente, o regime de tratamento utilizado não foi capaz de promover melhora cognitiva nos animais. O lítio demonstrou efeito ansiolítico agudo, todavia a administração crônica promoveu efeito oposto. Mais estudos são necessários para esclarecer o potencial efeito benéfico do lítio sobre a memória.

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  • IVON DE AZEVEDO FERREIRA LIMA
  • Efeitos do chá ayahuasca sobre o comportamento de ratos.

  • Orientador : ALESSANDRA MUSSI RIBEIRO
  • Data: 09/05/2014
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  • Poucos são os estudos acerca da bebida alucinógena ayahuasca (AYA). Originalmente ela era utilizada por tribos indígenas amazônicas, e atualmente foi também adotada por diversos movimentos sincréticos religiosos em seus rituais de comunhão. Como os outros alucinógenos, seus efeitos são mediados pelo agonismo de receptores serotoninérgicos do tipo 5-HT2A, presentes em alta densidade em regiões cerebrais do neocórtex, causando alterações na percepção e em diversos processos cognitivos, sem, no entanto, aparentemente causar dependência. Adicionalmente, os efeitos dos alucinógenos são altamente dependentes do ambiente e da expectativa do usuário, o que gera grandes dificuldades para os estudos em modelos animais. Dessa forma, o objetivo do presente trabalho foi caracterizar em ratos os efeitos comportamentais da administração do chá ayahuasca. Para a avaliação do efeito agudo, foram utilizados ratos machos e fêmeas Wistar submetidos à administração por gavagem da ayahuasca 10, 50 e 100 mg/kg trinta minutos antes da exposição ao campo aberto (CA) ou a esquiva discriminativa (ED). Para avaliação crônica, foram utilizados apenas animais machos, a dose utilizada foi de 100 mg/kg ou maltodextrina por 16 gavagens com intervalo de 5 dias entre cada administração antes da exposição dos animais a tarefa ED. Posteriormente, uma nova gavagem (17ª) antecedeu a exposição dos animais as tarefas comportamentais da caixa claro e escuro e ao condicionamento de medo ao contexto. Os animais que receberam tratamento agudo com AYA apenas na dose de 10 mg/kg permaneceram maior tempo de exploração no centro do CA demonstrando um possível efeito ansiolítico, entretanto para os demais parâmetros comportamentais analisados não foram encontradas diferenças significativas. Os tratamentos com AYA (100 mg/kg) antes da sessão treino (AYA-H2O), ou antes da sessão teste (H2O-AYA), ou ainda antes do treino e do teste (AYA-AYA) da ED não alteraram a discriminação entre o braço aversivo versus não-aversivo, ou seja, não houve alterações na aprendizagem da tarefa para nenhum dos grupos testados. Por outro lado, animais do grupo AYA-AYA apresentaram prejuízo em discriminar o braço aversivo em relação ao não-aversivo, mostrando que esses animais apresentaram um déficit de evocação da tarefa. Além disso, os animais que receberam a administração de AYA-AYA apresentaram um aumento na exploração dos braços abertos na sessão teste, mostrando novamente um efeito ansiolítico desta bebida. Nenhum dos grupos testados apresentou alteração na atividade locomotora. Ainda, fêmeas testadas na ED não apresentaram qualquer alteração nos parâmetros descritos. O tratamento crônico com AYA não promoveu alterações nos processos de aprendizado e memória avaliados na ED. Também não foram observadas alterações na ansiedade ou atividade locomotora. Porém, o tratamento com AYA50 cronicamente diminuiu o tempo de permanência dos animais no compartimento escuro da caixa claro e escuro mostrando uma atividade ansiolítica desse composto. A exposição dos animais a tarefa medo condicionado ao contexto mostrou que animais tratados com a maior dose (100 mg/kg) demonstraram um aumento do comportamento de freezing. Assim, a ayahuasca usada agudamente apresentou um efeito ansiolítico, mas também um prejuízo na evocação de uma memória aversiva, já no tratamento crônico este prejuízo desaparece e o efeito ansiolítico permanece. Mais estudos são necessários para esclarecer a relação entre os efeitos da ayahuasca e potenciais alterações de emocionalidade podendo ou não refletir nos processos cognitivos.

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  • THIAGO BAPTISTELLA CABRAL
  • SONO E MEMÓRIA NO CONTEXTO ESCOLAR

  • Orientador : SIDARTA TOLLENDAL GOMES RIBEIRO
  • Data: 02/06/2014
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  • O processo de escolarização envolve a aquisição de memórias declarativas de longo prazo. O sono tem um papel importante na aquisição deste tipo de memória. Apesar disso, são raros os estudos que envolvem o sono dentro do contexto escolar. O período inicial do sono é rico no sono de ondas lentas, e é comumente alcançado em um cochilo com duração aproximada de uma hora. Este período é muito importante para a consolidação da memória declarativa. Sendo assim, foi realizada uma pesquisa com uma turma do 5º ano do Ensino Fundamental I. O objetivo foi avaliar a associação entre o cochilo com até uma hora de duração e a consolidação de longo prazo de memórias declarativas advindas de conteúdos curriculares. Durante oito semanas os estudantes foram divididos em dois grupos, os quais cochilavam na segunda ou na terça-feira após o aprendizado de conteúdos curriculares. Na sexta-feira os estudantes eram avaliados em um teste de múltipla-escolha contendo questões nas quais eles puderam e não puderam cochilar após as respectivas aulas. Os resultados revelam uma associação entre o cochilo com um tempo igual ou superior a 30 minutos e a consolidação de longo prazo de memórias declarativas.

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  • VALCICLÊNIO VALÉRIO PEREIRA DA COSTA MACÊDO
  • É a estampa temporal um fenômeno generalizado para todos os tipos de memórias?

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 10/06/2014
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  • Ritmos circadianos influenciam a vida dos organismos e ocorrem a nível celular, fisiológico e comportamental. O processo mnemônico onde a coincidência da fase circadiana influencia o processo de evocação é conhecido como Estampa Temporal O objetivo do presente estudo foi investigar se o fenômeno de estampa temporal pode ser generalizado para os diversos tipos de memória. Para isto, investigamos a existência de estampa temporal na memória de habituação ao campo aberto (CA), de reconhecimento de objeto (RO), de reconhecimento de objeto no espaço (ROE) e na esquiva passiva (EP) em ratos Wistar. Foram utilizados 30 machos com 4 meses de idade, divididos em 5 grupos com 6 animais cada. Todos os grupos passam por duas exposições ao CA (sessão 1 e sessão 2), duas ao RO (treino e teste), duas ao ROE (treino e teste) e duas na esquiva passiva (treino e teste) em horários coincidentes (G1 ZT14-14, G2 ZT22-22, G5 ZT14-14 horas; ZT0 indica o início da fase de claro e ZT12, o início do escuro) e em horários não coincidentes (G4 ZT14-22, G5 ZT22-14). Para a análise da habituação ao Campo aberto, registramos o deslocamento (nº de quadrantes percorridos) nas duas sessões. Adicionalmente, utilizamos um índice de habituação (razão entre o deslocamento na sessão 2 e o deslocamento na sessão 1). Para o Reconhecimento de objeto, registramos o tempo de exploração dos objetos no treino (objetos idênticos) e no teste (objeto familiar e objeto novo), e utilizamos o índice de reconhecimento (porcentagem do tempo de exploração de um dado objeto em relação ao tempo total de exploração dos dois objetos), o mesmo procedimento foi utilizado para o Reconhecimento de objeto no espaço. Para a esquiva passiva foi medido a latência para descer da plataforma (tempo em segundos para descer da plataforma) como medida de memória. Usamos o teste T de student pareado para comparações dentro dos grupos e ANOVA para comparações entre os grupos com post hoc de Tukey, posteriormente não encontrando nenhuma diferença entre os grupos coincidência ou não coincidência, fizemos a união dos dados afim de criar dois grandes grupos (HC e HNC), para essa análise utizamos o teste T para amostras independentes. Para a esquiva passiva foi utilizado o teste de Kruskal-wallis para análise entre os grupos com post hoc de Mann-Whitney. Os resultados apontam que na tarefa de habituação os grupos HC apresentaram uma habituação significativa, enquanto não observamos diferenças para os grupos HNC. Foi possível observar no reconhecimento de objeto, que os animais do grupo horário coincidente exploraram mais o objeto novo, quando comparado com o antigo, com exceção do grupo 3. Já o grupo horário não coincidente exploraram os objetos da mesma forma. No ROE não foi possível observar nenhum resultado significativo nos grupos, com exceção do grupo 3. Já na esquiva passiva, os grupos HC (G1 ZT14-14, G2 ZT22-22) e um do HNC (G4 ZT14-22) apresentaram aumento significativo na latência para descer da plataforma durante o teste, independente da coincidência das fases circadianas ou não. Estudos prévios tem mostrado que a estampa temporal é observada em tarefas comportamentais com condicionamento de lugar e esquiva. Nossos resultados mostram que a estampa temporal é um fenômeno que ocorre também na habituação e reconhecimento de objeto. É possível que esse fenômeno seja generalizável para o aprendizado e a recuperação de informações.

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  • FREDERICO HORIE SILVA
  • Criar o próprio jogo didático ou apenas jogar? Efeitos de diferentes estratégias de ensino na motivação e aprendizado de ciências.

  • Orientador : SIDARTA TOLLENDAL GOMES RIBEIRO
  • Data: 04/07/2014
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  • A utilização de jogos como ferramenta pedagógica é bastante comum, entretanto a efetividade dos jogos com propósitos educacionais ainda é pouco conhecida. Neste estudo, três diferentes estratégias de ensino de baixo custo – criar o próprio jogo de tabuleiro, utilizar um jogo já existente e confeccionar um cartaz – foram avaliadas quanto a: (1) aprendizado de ciências; (2) uso de estratégias de aprendizado profundo (EAP); e (3) motivação intrínseca. Testamos a hipótese de que, nos três parâmetros avaliados, os escores seriam maiores no grupo que construiu o próprio jogo, seguido, respectivamente, pelo grupo que apenas jogou e pelo que construiu o cartaz. A pesquisa envolveu 214 estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental I, de seis escolas públicas de Natal/RN. Um grupo de estudantes criou e jogou o próprio jogo didático (N = 68), um segundo grupo utilizou um jogo já existente (N = 75), e um terceiro grupo confeccionou um cartaz para ser exposto na escola (N = 71). Nossa hipótese foi parcialmente confirmada, uma vez que não houve diferença significativa no desempenho e no uso de EAP entre o grupo que criou o próprio jogo e o grupo que apenas jogou; entretanto, ambos os grupos tiveram escores significativamente maiores  em desempenho em ciências e uso de EAP do que o grupo que confeccionou o cartaz. Não houve diferença significativa nos escores de motivação intrínseca entre os três grupos experimentais. Nossos resultados indicam que atividades relacionadas a jogos não digitais podem fornecer um contexto favorável  à aprendizagem no ambiente escolar. Concluímos que o uso de jogos para fins pedagógicos (tanto criar o próprio jogo como apenas jogar) é uma alternativa eficiente e viável para o ensino de ciências na escola pública brasileira.

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  • CLEANTO ROGERIO REGO FERNANDES
  • EFEITO DO ALERTA E VALÊNCIA EMOCIONAL NOS COMPONENTES DE LEMBRANÇA E FAMILIARIDADE DA MEMÓRIA EPISÓDICA

     

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 30/07/2014
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  • O sistema de memória episódica nos permite recuperar informações sobre eventos, incluindo os seus aspectos contextuais. Tem sido sugerido que a memória episódica é composto por dois componentes independentes: lembrança e familiaridade. A lembrança está relacionada com a recuperação vívida e detalhada dos itens e sua informação contextual, enquanto a familiaridade é a capacidade de reconhecer os itens previamente vistos como familiares. Apesar do fato de que a emoção é um dos processos mais influente na memória, poucos estudos têm investigado o seu efeito sobre a lembrança a familiaridade. Outra limitação dos estudos sobre o efeito da emoção na memória é que a maioria deles não consideraram adequadamente os efeitos diferenciais do alerta e valência positiva / negativa. O principal objetivo do presente trabalho é investigar o efeito independente do alerta e valência emocional na lembrança e familiaridade, bem como testar algumas hipóteses que têm sido sugeridas sobre o efeito da emoção na memória episódica. Os participantes da pesquisa realizaram uma tarefa de reconhecimento de três listas de fotos emocionais: negativa de alto alerta, positiva de alto alerta e positiva de baixo alerta. Na sessão de teste, os participantes também avaliaram o nível de confiança de suas respostas. As avaliações de confiança foram utilizados para traçar curvas ROC e estimar as contribuições da lembrança e familiaridade no desempenho do reconhecimento. Como principais resultados, verificou-se que a valência negativa aumentou o componente de lembrança, sem qualquer efeito sobre a familiaridade ou acurácia do reconhecimento. O alerta não afetou o desempenho de reconhecimento ou de seus componentes, mas o maior alerta foi associado com uma maior proporção de falsas memórias. Este trabalho destaca a importância de considerar as dimensões emocionais e componentes de memória episódica no estudo do efeito da emoção sobre a memória episódica, uma vez que eles interagem de forma complexa e independente.

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  • WALDEMAR ALVES DA SILVA NETO
  • Tomada de decisão individual e aprendizado em formigas Ponerinae Dinoponera quadriceps forrageando em ambientes dinâmicos.

  • Orientador : ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
  • Data: 26/08/2014
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  • No presente trabalho, avaliamos o efeito da distância do alimento, sucesso de captura e tamanho do alimento e taxa de recompensa nas decisões de forrageio tomadas por formigas da espécie Dinoponera quadriceps. Também investigamos, medindo o tempo de permanência em cada área, a influência do aprendizado no desempenho das operárias ao longo de sucessivas viagens. Foram simulados quatro cenários. Cada operária realizou 10 viagens em cada cenário. Cenário 1: operárias sempre encontravam alimento de alta qualidade; Cenário 2: operárias encontravam alimento de alta qualidade em somente 50% das viagens; Cenário 3: operárias encontravam alimento de alto e baixa qualidade com probabilidades de ocorrência de 0,5 para cada tamanho de alimento. Cenário 4: operárias tinham três possibilidades, encontrar alimento de alta qualidade (33%), encontrar alimento de baixa qualidade (33%) e não encontrar alimento. Em todos os cenários, havia duas rotas possíveis de exploração, uma com 300 cm e outra com 600 cm de comprimento. A pesquisa mostrou que operárias da espécie D. quadríceps tendem a retornar ao mesmo local onde o alimento foi encontrado na viagem anterior, não importando a distância, tamanho do alimento ou taxa de retorno. Nos casos de viagens sem captura, operárias eram mais propensas a trocar de área em busca de alimento. No entanto, no cenário 4 essa decisão de “troca” foi menos evidente, possivelmente pela maior dinâmica do cenário. Resultados também indicaram um processo de aprendizado das rotas de exploração assim como das condições das áreas de exploração. Com a repetição das viagens, forrageadoras reduziram o tempo de busca nas áreas nas viagens que não capturavam alimento e rapidamente trocavam de área.

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  • DIEGO ALEXANDRE DA CUNHA FERNANDES
  • EFEITO DE LIGANTES DO RECEPTOR NOP NO MODELO ANIMAL DE MANIA INDUZIDO POR METILFENIDATO

  • Orientador : ELAINE CRISTINA GAVIOLI
  • Data: 22/09/2014
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  • O transtorno bipolar é uma psicopatologia crônica que atinge de 1 à 4% da população mundial. Esse transtorno do humor é caracterizado por alterações cíclicas do humor, nas quais o indivíduo alterna entre os estados de depressão e mania. A mania é descrita na literatura, como um estado de exacerbação anormal do humor, em que o sujeito apresenta um comportamento expansivo, eufórico, porém com aumento da irritabilidade, intensa agitação psicomotora e um sentimento de invencibilidade inconsequente, que contribui para a exposição á comportamentos de risco. O tratamento dessa psicopatologia é complexo e não apresenta eficácia em todos os casos, além de possuir muitos efeitos colaterais. Nesse aspecto, o sistema da Nociceptina/Orfanina FQ (N/OFQ) pode ser estudado como um possível alvo terapêutico para o tratamento do transtorno bipolar, devido ao seu papel modulatório sobre os sistemas monoaminérgicos e sua participação na modulação do humor. Este trabalho visa investigar o efeito de ligantes do receptor NOP em um modelo animal de mania induzida por metilfenidato. Para isso foi avaliada a atividade motora espontânea, em um campo aberto, de camundongos tratados com metilfenidato (10 mg/kg, sc, 15 min). O valproato de sódio (300 mg/kg, ip, 30 min), fármaco utilizado no tratamento clínico da mania, foi capaz de prevenir a hiperlocomoção causada pelo metilfenidato. O tratamento agudo com o antagonista do receptor NOP, UFP-101 (1-10 nmol, icv, 5 min), não afetou per se a locomoção espontânea dos camundongos, mas foi capaz de atenuar a hiperlocomoção induzida por metilfenidato. Por sua vez, o tratamento agudo com N/OFQ (0,1 e 1 nmol, icv, 5 min) não alterou significativamente a distância percorrida, mas quando testada na dose de 1 ηmol, a N/OFQ foi capaz de reverter discretamente os efeitos hiperlocomotores promovidos pelo metilfenidato. Em conclusão, tanto a administração de N/OFQ quanto de UFP produzem ações do tipo antimaníacas. Além disso, estes dados sugerem que o sistema da N/OFQ efetua uma modulação complexa sobre o movimento voluntário e, consequentemente, sobre a neurotransmissão dopaminérgica.

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  • MAYARA WENICE ALVES DE MEDEIROS
  • O comportamento pró-social de crianças com sintomatologia do transtorno da conduta

  • Orientador : MARIA EMILIA YAMAMOTO
  • Data: 03/11/2014
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  • Os comportamentos pró-sociais são vistos diariamente na nossa vida, frequentemente presenciamos pessoas dando esmolas, ajudando um vizinho a fazer uma mudança, doando sangue, cuidando dos filhos de um amigo, entre outros. Em uma perspectiva evolucionista, provavelmente esses comportamentos se fazem presente pelo seu alto valor adaptativo para nossa espécie, justamente pela dependência que temos da vida em grupo para nossa sobrevivência. Provavelmente, por esse mesmo motivo, desde crianças já mostramos uma preferência por comportamentos pró-sociais a comportamentos antissociais, sendo essa preferência mais visível ao passo que crescemos. Entretanto, crianças com sintomas do transtorno da conduta mostram um padrão de comportamento agressivo, impulsivo e mais egoísta que crianças sem a sintomatologia. Além disso, essas crianças também vivenciam ambientes, onde os comportamentos antissociais são mais frequentes e intensos se comparado à população geral. Experimentos com priming são uma forma de medir a influência de pistas ambientais simples sobre o nosso comportamento, por exemplo, dirigimos mais rápido quando escutamos músicas aceleradas, pessoas religiosas ajudam mais diante de elementos religiosos, como a bíblia, e crianças são mais cooperadoras após jogarem jogos de cunho educativo. Com isso, o presente estudo teve como objetivos: avaliar se existe diferença na generosidade, por meio do comportamento de partilha, entre crianças que apresentam sintomatologia do transtorno da conduta e crianças que não apresentam a dita sintomatologia; analisar a influência de um priming pró-social sobre o comportamento de partilha em crianças com e sem sintomatologia do transtorno da conduta; e por fim, analisar sob a perspectiva evolucionista as razões dadas por crianças com e sem sintomatologia do transtorno da conduta para partilhar ou não com o melhor amigo de sala de aula. Para isso, os professores das crianças respondiam um inventário que sinalizava para a presença ou ausência de sintomatologia do transtorno da conduta. As crianças com ou sem sintomatologia podiam passar por uma condição experimental (com priming) ou por uma condição controle (sem priming). Na condição experimental as crianças assistiam a dois vídeos curtos mostrando ajuda e partilha entre os pares, realizavam uma atividade de distração, e por fim, escolhiam dois entre quatro materiais mostrados pelo experimentador e decidiam quanto desses dois materiais gostariam de partilhar com o melhor amigo de sala de aula. Em seguida, era questionado a criança as razões da partilha e da retenção. As crianças da condição controle faziam as mesmas atividades, porém não assistiam aos vídeos. Os resultados encontrados mostram uma diferença do efeito do priming de acordo com a fase do desenvolvimento na qual a criança se encontra; uma diferença na quantidade de material doado por crianças com e sem sintomas do transtorno da conduta, e uma mudança dessa diferença diante do priming pró-social; e por fim, uma convergência entre o pensamento utilizado por crianças nas razões de partilha e as Teorias Evolucionistas. Esses resultados sinalizam a importância de fatores individuais, do desenvolvimento, ambientais e evolutivos no comportamento pró-social de crianças com e sem sintomas do transtorno da conduta.

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  • NATALIA ANDREA CRACIUN BOCCARDI
  • A generosidade e a cooperação de crianças monitoradas são moduladas pela interação entre a condição socioeconômica e o contexto escolar

  • Orientador : MARIA EMILIA YAMAMOTO
  • Data: 05/11/2014
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  • Alguns estudos mostram que a condição socioeconômica (CSE) e o ambiente onde o indivíduo está inserido modulam sua pró-sociabilidade. Enquanto crianças que estudam em escolas contendo mais crianças ricas são mais generosas, adultos de alta CSE em situações reais e experimentais são mais egoístas, gananciosos e individualistas. Outro fator que influencia a pró-sociabilidade é o monitoramento. Quando fazemos algo sob a vigilância de alguém, somos mais generosos e cooperadores do que quando não há ninguém nos observando, mesmo que o “observador” sejam olhos desenhados. Esse efeito do monitoramento ocorre tanto em adultos quanto em crianças. Até o momento, nenhum estudo investigou se a CSE da criança e o ambiente onde ela está inserida influenciam sua pró-sociabilidade. Também não há estudos sobre o efeito monitoramento ser influenciado pela CSE e pelo ambiente escolar (nesse contexto, se a escola é pública ou particular). Dessa forma, nosso objetivo principal foi investigar se a generosidade e a cooperação de crianças monitoradas e não monitoradas são moduladas por esses fatores. Para isso, realizamos o jogo dos bens públicos, um jogo econômico de tomada de decisão, nas condições monitoramento e controle, repetido por oito vezes em 249 crianças de 7 a 10 anos inseridas em escolas públicas e particulares das zonas leste, norte e sul de Natal/RN. Verificamos a CSE da família de cada criança através do Critério de Classificação Econômica do Brasil (2013). Contrariando nossas previsões, a CSE, o ambiente escolar e a condição experimental não influenciaram significativamente  o comportamento de cooperação e generosidade quando analisados separadamente. Discutimos se as influencias do recurso e delineamento experimental adotados e as características históricas e econômicas do Brasil podem explicar essas observações. Interessantemente, quando a CSE e o ambiente escolar são analisados conjuntamente, encontramos um efeito do monitoramento na generosidade e cooperação. Mais especificamente, o monitoramento aumentou a generosidade em crianças da maior CSE em escolas particulares; e a cooperação das crianças da maior CSE de escolas públicas. Esses resultados sugerem que a influência do monitoramento na pró-sociabilidade de crianças pode ser alterado pela relação de suas CSE relativas a seus ambientes de convivência. Argumentamos que essas observações podem ser explicadas através de diferentes preocupações em relação à reputação, conforme o ambiente onde a criança está inserida.

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  • RAYSA OLIVEIRA DE MEDEIROS
  • Investigação da motivação de voluntários para o engajamento no trabalho sem fins lucrativos

  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 07/11/2014
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  • Dentre as várias vertentes da Psicologia Evolucionista, uma que vem sendo bastante abordada é o estudo da Cooperação humana. Alguns aspectos envolvidos em atos cooperativos vêm sendo esclarecidos, trazendo à tona conceitos de Seleção de parentesco, Altruísmo recíproco, Reciprocidade direta e Reciprocidade indireta, no qual este último é definido em casos nos quais o ato cooperativo vai ser retribuído por terceiros, observadores da relação cooperativa anterior, e é apoiada a partir da reputação do cooperador. A partir desta ideia, o voluntariado (atividade que não inclui benefícios financeiros a quem a realiza) pode ser identificado como uma medida moderna da cooperação em humanos e também caracterizado como um importante mecanismo mediador da reputação de um indivíduo. O objetivo deste trabalho foi caracterizar o perfil e a motivação de pessoas envolvidas em atividades voluntárias, investigando suas possíveis relações com a religiosidade e analisando tais parâmetros em função do sexo, e também comparar os parâmetros investigados de voluntários com pessoas não atuantes no voluntariado. Participaram 120 indivíduos (60 voluntários e 60 não-voluntários), sendo investigados por meio de questionários suas motivações, sua personalidade, sua religiosidade e seu perfil sociodemográfico. A maioria dos voluntários possui alta escolaridade, e relata alguma filiação religiosa, e não foi observada diferença entre a motivação de mulheres e de homens no engajamento voluntário, assim como, tanto a religiosidade quanto a motivação para o voluntariado não apresentaram efeito significativo na duração do trabalho sem fins lucrativos. Verificamos que a religiosidade não está relacionada com a motivação para o trabalho voluntário e que apenas dois dos fatores motivacionais investigados (Fator de valores e o Fator de proteção) estão relacionados com traços da personalidade do voluntário. Na comparação entre voluntários e não-voluntários, os resultados apontam para diferenças entre esses dois grupos, mostrando que os voluntários são mais motivados, religiosos e possuem traços de personalidade mais propensos para o voluntariado. Tais resultados indicam um forte efeito do contexto social perante o engajamento voluntário, e confirma a importância social, econômica e política do voluntariado para a sociedade e para o próprio voluntário.


Teses
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  • MAXWELL BARBOSA DE SANTANA
  • Avaliação da estimulação da medula espinhal como modelo de tratamento da doença de parkinson no primata Callithrix jacchus.

  • Orientador : ANTONIO PEREIRA JUNIOR
  • Data: 31/01/2014
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  • A doença de Parkinson (DP) é uma das chamadas desordens do movimento  e é causada pela degeneração dos neurônios dopaminérgicos  das vias nigro-striatais. A maior parte dos casos de parkinsonismo é idiopática e acomete com mais frequência pessoas de idade avançada. Seus sinais clínicos característicos são o tremor de repouso, rigidez muscular, bradicinesia e distúrbios do equilíbrio. Estas alterações são acompanhadas pela presença de inclusões citoplasmáticas (corpos de Lewy), com o avanço da idade.Atualmente, os principais tratamentos disponíveis para a DP são a farmacoterapia com levodopa e a estimulação cerebral profunda. Essas terapias, entretanto, ou causam múltiplos efeitos colaterais e sua eficácia diminui com o tempo (levodopa) ou apresentam restrições quanto à elegibilidade dos pacientes devido ao seu alto grau de invasividade (estimulação cerebral profunda). Esta tese de doutorado objetivou utilizar a estimulação elétrica das colunas dorsais na medula espinhal (ECD) como terapia para DP. A grande vantagem da ECD é o seu grau de invasividade mínimo, quando comparado com outras técnicas baseadas na estimulação elétrica do sistema nervoso. Esta metodologia foi proposta para o tratamento sintomático da DP baseado em estudos em roedores e em relatos de casos clínicos. A ideia deste estudo pré-clínico foi testar a eficácia da ECD utilizando avaliações comportamentais em um modelo de parkinsonismo em primatas (Callithrix jacchus, o sagui comum). Adicionalmente, o registro eletrofisiológico simultâneo de diversas estruturas cerebrais envolvidas com o controle motor permitiu estudar os mecanismos neuronais subjacentes ao efeito terapêutico da estimulação da medula espinhal.

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  • JÓRIA LEILANE DE ALBUQUERQUE PAULO
  • CARACTERIZAÇÃO COMPORTAMENTAL E AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE LEITE EM CAPRINOS DA RAÇA SAANEN NO SEMIÁRIDO NORDESTINO
  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 07/04/2014
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  • Os caprinos são animais sociais, cujos grupos são organizados a partir de hierarquias de dominância, em geral estabelecidas através de comportamentos agonísticos. A qualidade e produtividade do leite de cabras pode sofrer influência da hierarquia de dominância. Dentro desse contexto, os objetivos do nosso trabalho foram, caracterizar o comportamento social e alimentar dos caprinos da raça Saanen em um sistema de produção semi-extensivo, caracterizar a organização social a partir da avaliação das hierarquias de dominância em dois períodos sazonais e correlacionar a quantidade e qualidade físico-química ao posto hierárquico. O experimento foi realizado na estação experimental da EMPARN no município de Cruzeta/RN. Utilizamos 17 cabras de peso e idade variada. As observações foram realizadas na fase de chuva e seca. Pelo método scan registramos a permanência no cocho e as interações agonísticas pelo método “todas as ocorrências”. No pasto os comportamentos de comer, ruminar em pé, ruminar deitado, ócio em pé, ócio deitado e andar, pelo método animal focal. O leite das cabras foi submetido a análises de densidade, proteína, gordura, lactose, CCS e sólidos totais. Os animais passam a maior parte do tempo no comportamento de comer e as atividades que exigem maior gasto de energia foram realizadas no período da manhã. A estrutura hierárquica durante os períodos sazonais sofreu mudanças em função da retirada de alguns indivíduos do grupo, tendo mais comportamentos de agressão no período da chuva. O animal dominante obteve menor produção, maior CCS e menor gordura, enquanto animais intermediários na hierarquia obtiveram melhor produção e qualidade do leite. Concluímos que as cabras da raça Saanen se adaptam ao ambiente e às condições de grupo para garantir melhor sobrevivência e sua produção é influenciada pela dinâmica interna do grupo.
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  • WALLACE SILVA DO NASCIMENTO
  • Estratégia de vida do peixe anual Hypsolebias antenori do semiárido brasilero

  • Orientador : SATHYABAMA CHELLAPPA
  • Data: 04/06/2014
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  • Este trabalho trata sobre a estratégia da vida de um peixe anual em perigo Hypsolebias antenori, do semiárido brasileiro. Os peixes dessa espécie quando nascem em poças temporárias, crescem rapidamente, reproduzem e no período de estiagem quando a poça seca, toda a população morre. Os ovos resistentes depositados no substrato da poça são capazes de passar por um estágio de diapausa, quando seu estágio de desenvolvimento embrionário é estacionado. Com a chegada do período de chuvas, os ovos eclodem e uma nova geração é formada. Os exemplares de H. antenori foram capturados durante 2011 e 2013, nas poças temporárias localizadas nabacia do rio Jaguaribe no Ceará, Brasil. Foram investigadas a proporção sexual, a relação peso-comprimento, o tipo de crescimento, a primeira maturação sexual, anatomia e histologia do trato digestório, desenvolvimento das gônadas, estratégia reprodutiva, dados cariotípicos da espécie, e o estado de conservação de H. antenori. Os resultados desse trabalho estão apresentados sob a forma de oito artigos. O primeiro artigo é sobre a composição da ictiofauna das bacias hidrográficas do semiárido brasileiro, incluindo o registro de H. antenori. O segundo artigo trata sobre a proporção sexual, características secundários sexuais dos machos, a relação peso-comprimento e o tipo de crescimento. Os machos apresentam um padrão de coloração intensa com nadadeiras mais desenvolvidas. A proporção sexual apresentou uma predominância significativa de fêmeas (1M: 1,7 F). Os machos foram maiores em comprimento e em peso. A equação originada da relação peso total e comprimento total foi Wt = 0,0271Lt3,8937, apresentando um crescimento alométrico positivo, indicando maior incremento no peso do que em relação ao comprimento. O terceiro artigo trata sobre a anatomia e histologia do trato digestório de H. antenori. É considerado como um generalista com as características de onívoria, que aproveita fontes alimentares diferentes. O quarto artigo trata sobre os estádios e fases de desenvolvimento das gônadas e o tipo de desova de H. antenori. O quinto artigo trata sobre a estratégia reprodutiva r adotada pela H. antenori que auxilia na reprodução bem sucedida durante um curto período de vida. O sexto artigo trata sobre os dados cariotípicos da espécie, constituindo a primeira contribuição citogenética para o gênero. O sétimo artigo trata sobre o risco de extinção dessa espécie, que vêm sofrendo uma série de ameaças, tais como, a perda de habitats pela ocupação do solo, desmatamento, construção dos reservatórios, poluição devido aos efluentes domésticos, industriais, pesticidas e agrotóxicos. Além disso, a diminuição da pluviosidade e intensificação da aridez em decorrência das mudanças climáticas globais vem interferindo em seu ciclo reprodutivo. O oitavo trabalho trata sobre o comportamento agressivo adotado entre os machos e entre as fêmeas durante a reprodução. Todas as poças temporárias amostradas durante este trabalho estavam em um alto grau de degradação, principalmente devido à ação antrópica. Há uma grande necessidade de medidas de conservação para proteger as populações de peixes anuais, entre elas especialmente a criação de áreas de proteção nos ambientes aquáticos efêmeros do semiárido brasileiro.

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  • EUDES EULER DE SOUZA LUCENA
  • Plasticidade de células tronco mesenquimais de medula óssea de ratos na presença de meio condicionado do nervo facial e do fator de crescimento fibroblástico 2

  • Orientador : JEFERSON DE SOUZA CAVALCANTE
  • Data: 06/06/2014
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  • Uma série de evidências mostra a influência do meio no crescimento de fibras nervosas lesadas no Sistema Nervoso Periférico (SNP), assim como o potencial do implante de Células Tronco (CTs) em tornar esse meio mais propício à regeneração nervosa. Nessa perspectiva, esse estudo teve como objetivo avaliar a plasticidade de células tronco mesenquimais (CTMs) da medula óssea de ratos diante da presença de meio de cultura condicionado com explantes de nervo facial (D-10) e fator de crescimento fibroblástico-2 (FGF-2). O crescimento e a morfologia celular foram avaliados ao longo de 72 horas. Além disso, a avaliação fenotípica foi feita a partir da imunocitoquímica para GFAP, OX-42, MAP-2, β-tubulina III, NeuN e NF-200 no quarto dia de cultivo. As células cultivadas com meio condicionado sozinho ou combinado com FGF-2 demonstraram características morfológicas semelhantes a neurônios e células gliais e uma significativa atividade proliferativa nos grupos 2 e 4 ao longo dos dias. As células cultivadas com meio condicionado desprovido de tratamento com FGF-2 adquiriram fenótipo glial demostrando imunorreatividade para GFAP e OX-42. As células cultivadas com meio condicionado com adição de FGF-2 expressaram GFAP, OX-42, MAP-2, β-tubulina III, NeuN e NF-200. Em média, a área e perímetro das células do grupo 2 positivas para GFAP e a área das células imunomarcadas para OX-42 foram maiores do que as do grupo 4. O estudo possibilitou a plasticidade de células mesenquimais (CMs) numa linhagem neuronal e glial e abriu perspectivas para busca de novas técnicas com terapia e transdiferenciação celular.

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  • MONICA ROCHA DE OLIVEIRA
  • Estratégia reprodutiva do peixe-voador, Hirundichthys affinis e do peixe agulha preta, Hemiramphus brasiliensis no litoral de Caiçara do Norte, Rio Grande do Norte, Brasil

  • Orientador : SATHYABAMA CHELLAPPA
  • Data: 03/07/2014
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  • O peixe-voador, Hirundichthys affinis Günther, 1866 (Exocoetidae) e a agulha preta, Hemiramphus brasiliensis Linnaeus,1758 (Hemiramphidae) são peixes marinhos de valor comercial, que contribuem para a produção pesqueira artesanal do Rio Grande do Norte. Além da importância econômica, esses peixes são importantes do ponto de vista ecológico, sendo componentes na cadeia alimentar pelágica, nos quais são presas preferidas de grandes predadores de alto valor comercial. O trabalho teve como objetivo determinar as estratégias reprodutivas de H. affinis e de H. brasiliensis e a produção pesqueira de H. affinis no litoral Norte do Rio Grande do Norte, Brasil. Os resultados estão apresentados sob a forma de seis artigos científicos e um artigo de revisão. O primeiro artigo aborda as medidas morfométricas e merísticas que confirmaram a taxonomia da espécie, a estrutura da população em peso-comprimento onde foi verificado que as fêmeas são maiores e mais pesados e o desenvolvimento gonadal de H. affinis, através de observações macroscópicas dos ovários e testículos. O segundo artigo descreve às táticas reprodutivas, tais como, proporção sexual, comprimento da primeira maturação sexual, fecundidade e período de desova, que indicam a estratégia reprodutiva de H. affinis.O terceiro artigo mostra a variação anual da produção de H. affinis em Caiçara do Norte, durante o período de 1993 a 2010, dando ênfase a relevância desse peixe na produção pesqueira no RN, incluindo a queda na produção nos anos de 2008 a 2010.O quarto artigo apresenta a estrutura populacional, no que tange ao comprimento e peso, proporção sexual e a relação peso-comprimento de H. brasiliensis. O quinto artigo apresenta a biologia reprodutiva com detalhes sobre a proporção sexual, o comprimento da primeira maturação sexual, a fecundidade e o tipo e o período de desova. O sexto artigo descreve a estratégia reprodutiva de H. brasiliensis. O artigo de revisão aborda o tema de determinação da idade dos peixes tropicais através de otólitos. As duas espécies utilizam o litoral de Caiçara do Norte para fins reprodutivos. H. affinis migra das águas oceânicas para as águas costeiras, coincidindo com o período chuvoso, apresentando desova total e a estratégia reprodutiva do tipo sazonal. Enquanto H. brasiliensis vive e reproduz nas águas costeiras apresentando desova parcelada e uma estratégia reprodutiva do tipo de equilíbrio.

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  • EMILLY KATALINE RODRIGUES PESSOA
  • Estratégia trófica de duas espécies de peixes do açude Marechal Dutra, Rio Grande do Norte, Brasil

  • Orientador : SATHYABAMA CHELLAPPA
  • Data: 04/07/2014
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  • O peixe traíra, Hoplias malabaricus (Erythrinidae) e o peixe cascudo, Hypostomus pusarum (Loricariidae) são peixes de água doce, da região neotropical de considerável importância ecológica e econômica. O trabalho teve como objetivo investigar as estratégias tróficas e a morfo-histologia do trato digestório desses peixes no açude Marechal Dutra, Acari, do semiárido do Rio Grande do Norte, Brasil. Foram analisados 133 exemplares de traíra, H. malabaricus e 118 espécimes de cascudo, H. pusarum. As duas espécies estudadas apresentam diferentes níveis de cadeia alimentar e ocupação espacial na coluna de água do açude. Os resultados do trabalho estão apresentados sob a forma de quatro artigos científicos. O primeiro artigo descreve a anatomia e a histologia do trato digestivo e os hábitos alimentares da traíra, H. malabaricus. O intestino da traíra é curtocom um coeficiente intestinal de 0,72 ± 0,09. O Índice de importância alimentar demonstrou que H. malabaricus se alimenta preferencialmente de material animal, sendo 72,8% de peixes e 27,2% de camarões. A histologia do seu tubo digestório confirma seu hábito alimentar carnívoro. O segundo artigo aborda um estudo pioneiro sobre os hábitos alimentares e a caracterização anatômica e histológica do trato digestório de H. pusarum. O intestino do cascudo é longo com um coeficiente intestinal de 10.8±0.7. O Índice de importância alimentar demonstrou que H. pusarum se alimenta preferencialmente de material orgânico em decomposição (88.7%) e microalgas filamentosas e diatomáceas (11.3%). O terceiro artigo compara os aspectos morfológicos do trato digestório de H. malabaricus e H. pusarum, relacionando-os com seu hábito alimentar. A disposição dos órgãos digestórios em ambas as espécies está diretamente relacionada com a forma da cavidade peritoneal e o formato do corpo. O intestino curto em H. malabaricus e muito longo em H. pusarum está relacionado com seus hábitos alimentares. A morfologia dos tubos digestórios de H. malabaricus e H. pusarum confirmam seus hábitos alimentares, carnívoro e detritívoro/herbívoro, respectivamente. O quarto artigo aborda os aspectos alimentares e reprodutivos (estrutura de comprimento e peso, relação peso-comprimento, tipo de crescimento, proporção sexual) do cascudo, H. pusarum. A espécie apresenta crescimento alométrico negativo, com a predominância de fêmeas na população amostrada.Hoplias malabaricus, que habita o ambiente pelágico, é considerado carnívoro, enquanto que H. pusarum, que habita o ambiente bentônico, é caracterizado como detritívoro/herbívoro. Cada espécie estudada mostra um regime alimentar bem diferente, sem que haja competição trófica entre elas. As estruturas morfo-anatômicas do trato digestório refletem sua estratégia alimentar.

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  • ALINE SILVA BELISIO
  • Padrões de sono, sonolência diurna e os componentes da atenção em crianças que estudam pela manhã e à tarde na educação infantil

  • Orientador : CAROLINA VIRGINIA MACEDO DE AZEVEDO
  • Data: 28/07/2014
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  • As crianças tendem a dormir e acordar cedo e podem apresentar episódios de sono diurno (cochilo), que são frequentes no início da vida e de grande importância para o amadurecimento do sistema nervoso. Além dessas modificações biológicas, ocorrem mudanças marcantes no meio social, por exemplo, o início da vida escolar. Existem indícios que o horário escolar pode modificar os padrões de sono em crianças. Contudo, o efeito do horário escolar sobre o ciclo sono e vigília de crianças da educação infantil em idade escolar é pouco conhecido. Assim, esse trabalho tem como objetivo comparar os padrões de sono, sonolência diurna e os componentes da atenção entre crianças que estudam pela manhã e a tarde na educação infantil. Participaram do estudo 210 crianças (66 que estudam pela manhã e 144 que estudam à tarde), entre 4 e 6 anos. Os seguintes questionários foram usados: hábitos de sono, classificação econômica e o diário de sono. A escala de sonolência adaptada de Maldonado et al. (2004) e a Tarefa de execução contínua adaptada para crianças de Valdez et al. (2005) foram aplicadas. A pesquisa foi conduzida em duas etapas: 1ª Caracterização geral dos hábitos de sono e nível econômico, e na 2ª Caracterização dos padrões de sono durante 9 dias, registro da sonolência diurna por 5 dias e avaliação da atenção durante 3 dias, das 8h às 9h e das 14h às 15h. Observa-se que, independe do turno, a maior parte das crianças realiza frequentemente co-leito e rituais antes de dormir (X2, p>0,05). Comparando o turno escolar, observou-se que durante a semana, as crianças que estudam pela manhã levantam 1h e 30 min mais cedo que àquelas que estudam à tarde. Consequentemente, passam 1h a menos na cama à noite (Anova, p<0,05) e são mais sonolentas na segunda e sexta-feira em relação às crianças que estudam à tarde. Além disso, na semana, as crianças da manhã apresentam uma maior frequência de cochilos (X2, p<0,05) e maior duração nos episódios de cochilo em relação às da tarde (Mann-Whitney, p<0,05). Com relação à avaliação da atenção, as crianças que estudam pela manhã apresentaram uma diminuição no número de respostas corretas na tarefa de atenção para a atenção sustentada em relação àquelas que estudam à tarde (Mann-Whitney, p<0,05). Com isso, observa-se que as crianças, independente do turno, realizam frequentemente o co-leito e os rituais da hora de dormir, principalmente ir ao banheiro e requerer a presença dos pais no quarto. As crianças que estudam pela manhã apresentam privação diária de sono associada ao horário escolar durante a semana, caracterizada pela redução do tempo na cama noturno, maiores níveis de sonolência e um menor percentual de respostas corretas ao longo do teste de atenção sustentada.

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  • PRISCILA FERNANDES SILVA
  • INFLUÊNCIA DO TIPO DE ABRIGO E DA FREQUÊNCIA DE OFERTA ALIMENTAR NO COMPORTAMENTO DO CAMARÃO Macrobrachium rosenbergii (De Man 1879).

  • Orientador : MARIA DE FATIMA ARRUDA DE MIRANDA
  • Data: 30/07/2014
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  • Macrobrachium rosenbergii é uma espécie de camarão de água-doce que apresenta comportamento agonístico e crescimento heterogêneo. É sabido que as condições de viveiro podem intensificar o agonismo causando danos físicos aos animais e diminuição na sobrevivência, além de gerar uma condição de bem-estar pobre. Baseado nisso, temos como objetivo investigar o comportamento de M. rosenbergii na fase de juvenil em função de diferentes tipos de abrigo e de frequência de oferta do alimento, enfatizando o comportamento agonístico da espécie. Para isso, juvenis foram observados em laboratório em três etapas. Para as etapas I (1 experimento) e II (2 experimentos) referentes a caracterização do perfil comportamental e o impacto do tipo de abrigo, em cada experimento camarões foram mantidos em oito aquários (50 x 30 x 40 cm), marcados e observados em quatro horários ao longo do dia para registro do comportamento, nas duas fases do ciclo de luz. Na etapa II os tipos de abrigo utilizados foram tijolo e rolos preparados com telas de polietileno. Para classificação dos animais no ranque de dominância o método utilizado foi o David’s Score. Na etapa três (3 experimentos),camarões foram marcados, distribuídos em quatro aquários (100 x 50 x 60 cm) e observados em quatro horários na fase de claro. Cada experimento possuía uma frequência de oferta do alimento diferente (2, 3 ou 4 vezes ao dia). Os resultados mostraram que juvenis não apresentam um padrão atividade/inatividade entre as fases do ciclo de luz. Identificamos uma hierarquia de dominância dando vantagem no acesso ao alimento pelos dominantes, os quais apresentaram maior ganho de peso embora a frequência de ingestão não tenha diferido entre os indivíduos. O tipo de abrigo influenciou o comportamento. O abrigo de tijolo gerou uma maior frequência de permanência bem como uma redução na frequência de interações agonísticas. A distribuição do alimento de forma mais frequente ao longo do dia, diminuiu a motivação dos animais para a alimentação, bem como para o confronto. Camarões alimentados quatro vezes apresentaram menor frequência de ingestão do alimento e das interações agonísticas, sem uma diferença considerável no ganho de peso. Desta forma, concluímos que estratégias de manejo baseadas no comportamento podem diminuir os problemas associados ao cativeiro, melhorando o bem-estar e consequentemente a produção.

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  • JANE CARLA DE SOUZA
  • INFLUÊNCIA DO HORÁRIO DE TRABALHO, DO GÊNERO E DE UM PROGRAMA DE EDUCAÇÃO SOBRE O SONO NO CICLO SONO/VIGÍLIA DE PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO

  • Orientador : CAROLINA VIRGINIA MACEDO DE AZEVEDO
  • Data: 08/08/2014
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  • A profissão docente está muitas vezes associada à extensa jornada de trabalho, dentro e fora da sala de aula, a condições precárias de ensino, entre outros desafios que podem acarretar problemas de sono. Estes problemas podem ser ainda maiores nas mulheres, devido à dupla jornada de trabalho e a maior necessidade de sono. Considerando que problemas de sono podem ser decorrentes da prática de maus hábitos de sono, programas educacionais sobre o sono são realizados com o objetivo de diminuir a privação e a irregularidade nos horários de sono, a sonolência diurna e melhorar a qualidade de sono. Neste sentido, o objetivo deste estudo é avaliar a influência do horário de trabalho, do gênero e de um programa de educação sobre o sono nos hábitos e qualidade de sono, na sonolência diurna, e no nível de estresse em professores do ensino fundamental e médio. Para isso os professores responderam aos questionários que avaliavam: 1. Hábitos de sono (A Saúde & Sono), 2. Cronotipo (Horne & Ostberg), 3. Sonolência diurna (Escala de Sonolência de Epworth), 4. Qualidade de sono (Índice de qualidade do sono de Pittsburgh) 5. Nível de estresse (Inverntário de Estresse para adultos de LIPP) e 6. Padrão diário do ciclo sono/vigília (Diário do sono). O preenchimento dos questionários (1, 4, 5 e 6) foi repetido 3 semanas após a realização do programa de educação sobre o sono. Os professores que iniciam o trabalho pela manhã (7:11 ± 0:11 h) acordam mais cedo na semana e frequentemente apresentam má qualidade de sono quando comparados aqueles que iniciam à tarde (13:04 ± 0:12 h). Dentre os que iniciam o trabalho pela manhã, os intermediários e com tendência à vespertinidade são mais irregulares nos horários de acordar em relação aos matutinos e aumentam a duração do sono no fim de semana. Quanto ao gênero, às mulheres tiveram maior duração de sono em relação aos homens, embora a maioria apresente sonolência diurna excessiva e má qualidade de sono. Contudo, quando o horário de trabalho docente e a idade são semelhantes entre os gêneros, a diferença na duração do sono se apresenta como uma tendência e a diferença na porcentagem de sonolência diurna excessiva desaparece, porém persiste a má qualidade de sono nas mulheres. Com relação às professoras que passaram pelo programa de educação sobre o sono, houve um aumento no conhecimento sobre o assunto, que pode ter contribuído para a redução na frequência do consumo de café próximo ao horário de dormir e para a qualidade de sono melhorar em 18% das participantes. No grupo controle, houve diferenças no conhecimento na 3ª etapa de forma aleatória, e melhora na qualidade do sono em apenas 8% das professoras. A participação no programa de educação não foi suficiente para mudar os horários de sono e diminuir o estresse das professoras. Portanto, o horário de início da escola pela manhã foi preponderante na determinação dos horários de acordar dos professores, principalmente para os intermediários e àqueles com tendência à vespertinidade. Além disso, a má qualidade de sono foi mais frequente nas mulheres, e o programa de educação contribuiu para o aumento do conhecimento sobre o assunto e melhora na qualidade de sono.

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  • FELIPE SANTOS DE OLIVEIRA
  • A NEUROMODULACAO DO CORTEX PRE-FRONTAL DOSROLATERAL NA PERCEPCAO DE INTERVALOS DE TEMPO EM CONTEXTO NEUTRO OU EMOCIONALMENTE ATIVO

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 27/08/2014
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  • A percepção temporal é fundamental para a adaptação ambiental em humanos e outras espécies.O processamento temporal nos organismos, se desenvolveu através de diferentes sistemas neurais, cada qual responsável pelo processamento de diferentes escalas de tempo. Dentre as escalas mais estudadas, que abrange o arranjo de segundos a minutos.Evidências sugerem que o córtex pré-frontal dorsolateral (CPFDL)  possui relação com a percepção do tempo na escala de segundos, no entanto, não é sabido o seu papel em relação  percepção na escala de minutos.Além disso, não se sabe se o déficit de percepção temporal em pacientes com lesões cerebrais ou mesmo “lesões virtuais” causadas por estimulação magnética transcraniana (EMT) nessa região, seja por pertubações de outros processos cogntivos (como atenção e memória de trabalho) ou da percepção do tempo propriamente dita.Estudos também relacionam a região do CPFDL na regulação emocional e especificamente como julgamento e a antecipação emocional. Se há a relação com as capacidades de julgamento e atenção, logo estas capacidades são relacionadas a percepção de intervalos de tempo, nesse caso, de estímulos emocionais, mais especificamente.Diante disto Estudar o papel do córtex pré-frontal dorsolateral na percepção de intervalos de tempo de estímulos neutros e emocionalmente ativos, a partir dos efeitos da modulação cortical através da estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC), através da excitação (anódica), inibição (catódica) e o controle (sham), utilizando os intervalos de 4 e 8 segundos.Nossos resultados mostraram que há uma subestimativa quando a figura é apresentada por 8 segundos.Com a corrente anódica no CPFDL direito ocorre uma subestimativa  e com a corrente catódica no CPFDL esquerdo há uma superestimava na reprodução do tempo.O uso de figuras com valência positiva ou negativa, melhoraram as estimativas para 8 segundas e o uso de figuras com valência negativa e positiva inibem o efeito da ETCC no CPFDL na estimativa de tempo para 4 segundos.

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  • IVANI BRYS
  • Modelo animal da Doença de Parkinson baseado na expressão de alfa-sinucleína: caracterização comportamental, eletrofisiológica e avaliação dos efeitos da estimulação da medula espinhal

  • Orientador : ANTONIO PEREIRA JUNIOR
  • Data: 26/09/2014
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  • A Doença de Parkinson (DP) está associada a sintomas motores e à perda de neurônios dopaminérgicos na via nigroestriatal. A proteína alfa-sinucleína é o principal componente dos corpos de Lewy, marcadores biológicos da doença, e tem sido associada a casos de Parkinson hereditário. Recentemente, a estimulação da medula espinhal (EME) tem se mostrado um método de neuromodulação efetivo em aliviar os sintomas parkinsonianos em modelos animais e pacientes humanos da DP. Nesse projeto, caracterizamos os efeitos motores e eletrofisiológicos da expressão de alfa-sinucleína na substância nigra de ratos. Além disso, investigamos os efeitos da administração de AMPT, L-dopa e da aplicação de EME nesse modelo. Método: Ratos Sprague-Dawley receberam injeção unilateral de vetor viral vazio ou para expressar alfa-sinucleína na substância nigra e foram avaliados semanalmente na tarefa do campo aberto e do cilindro. Um grupo separado de animais implantados com matrizes bilaterais de eletrodos no córtex motor e no estriado foram registrados semanalmente no campo aberto, durante as sessões de EME e nos experimentos farmacológicos. Resultados: A expressão de alfa-sinucleína resultou em assimetria motora, observada na redução do uso da pata contralateral na tarefa do cilindro. Os animais apresentaram aumento da atividade de potencial de campo local estriatal em beta após três e quatro semanas de expressão de alfa-sinucleína, que desapareceu a partir da quinta semana. A administração de AMPT resultou em um quadro parkinsoniano severo, com redução da atividade locomotora e significativo aparecimento do pico de atividade oscilatória em beta no estriado e no cortex desse modelo. A EME mostrou-se efetiva em aliviar a assimetria motora em longo prazo, mas não reduziu as oscilações corticostriatais de baixa frequência observadas 24 hs após a administração de AMPT. Essas oscilações foram atenuadas pela administração de L-dopa que, de forma semelhante à EME, não foi efetiva em restaurar a atividade locomotora dos animais durante esse quadro de depleção severa de dopamina. Discussão: O modelo alfa-sinucleína da DP reproduz o prejuízo motor e a condição progressiva do processo neurodegenerativo. Nós demonstramos, pela primeira vez, que esse modelo apresenta também aumento da atividade corticostriatal oscilatória na banda beta compatível com as características da doença e que a EME tem efeito terapêutico sobre o sintoma motor desse modelo.

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  • KATHIANE DOS SANTOS SANTANA
  • A CAFEÍNA COMO AGENTE MODULADOR DO CICLO ATIVIDADE-REPOUSO E MEMÓRIA EM SAGUIS (Callithrix jacchus)

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 26/09/2014
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  • A cafeína é a substância psicoativa mais utilizada, com efeitos na melhoria da atenção, humor, memória e alerta. Mas quando ingerida próxima ao sono pode afetar o sono, o que também pode interferir na memória. Portanto, o objetivo do trabalho é avaliar o efeito da cafeína na memória, e se este efeito é dependente de alterações do ciclo de atividade-repouso, em saguis (Calithrix jacchus). Foram utilizados 16 saguis adultos (10 fêmeas e 6 machos), mantidos individualmente em laboratório e submetidos ao ciclo claro-escuro 12:12 h (CEUA UFRN n°: 047/2010). Para registro do ciclo atividade-repouso utilizou-se dois sensores. O sensor baseado em giroscópio registra atividade a cada 30 seg, e detecta o mínimo de movimentação exercida pelo animal, sendo inédito em averiguar atividade noturna. O segundo sensor é o de infravermelho, que registra a cada 5 min e não detecta movimento dentro da caixa ninho, sendo utilizado pra registro diurno. Ainda utilizamos câmera para registro da fase de repouso para um sagui. A tarefa cognitiva teve todas as sessões gravadas, e contou com cinco fases: 1) dois dias de habituação. 2) Treinos, onde os saguis discriminavam um contexto reforçado (CR) de um não-reforçado (CNR) por 8 dias. 3) Administração oral da cafeína ou placebo, 10mg/kg (± 1 hora antes do início do sono, por 8 dias), com animais ingerido placebo ou cafeína. 4) Retreino, seguido da administração do placebo (surgindo o grupo placebo - GP) ou cafeína (surgindo os grupos contínuo- GC e agudo- GA). 5) Teste, para avaliar aprendizagem ao CR. As sessões duravam 8 min, e iniciavam às 7:00 h para as habituações, treinos e teste; e às 15:15 h para o retreino. Os resultados demonstraram que para a primeira validação dos sensores baseados em giroscópio, que foi a comparação com o registro da câmera, houve coincidência dos métodos de 68,57% do registro de atividade noturna. A segunda validação foi a comparação da atividade locomotora registrada pelos sensores de infravermelho, onde as curvas de atividade para ambos os sensores se assemelharam quanto ao padrão de distribuição. Ao averiguar o efeito da cafeína no ritmo de atividade-repouso para GP, GA e GC, utilizando os sensores baseado em giroscópio e de infravermelho, a maioria diferenças existentes foram encontradas intra-grupo. Além disso, os sensores baseados em giroscópio foram capazes de detectar atividade noturna para os grupos experimentais. Para os dados da tarefa cognitiva, os saguis aprenderam a discriminar CR de CNR. Quanto o efeito da cafeína na evocação da memória, o GC apresentou déficits para recordação da tarefa durante o teste, e GA não foi afetado pela administração da cafeína. Como conclusões, temos que a cafeína próxima ao sono possui efeito modulatório na memória em saguis. Além disso, ela possui efeitos diferentes na atividade locomotora entre os grupos estudados. Ainda, o sensor baseado em giroscópio foi capaz de coletar atividade noturna. Portanto o uso deste dispositivo, não invasivo, permite os saguis exibirem seu comportamento, dentro das condições laboratoriais, o mais natural possível.

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  • DINA LILLIA OLIVEIRA DE AZEVEDO
  • Decisões comportamentais em contexto de forrageamento de Dinoponera quadriceps

  • Orientador : ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
  • Data: 30/09/2014
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  • As decisões comportamentais de um animal não ocorrem de forma aleatória, uma vez que os comportamentos são ajustados para garantir a sobrevivência e a reprodução do animal. Nesta pesquisa, examinei algumas decisões comportamentais no contexto de forrageamento, da formiga Dinoponera quadriceps. O estudo foi realizado no Laboratório de Biologia Comportamental na UFRN e, em uma área de Mata Atlântica secundária na FLONA-ICMBio de Nísia Floresta/RN. Em todas as observações e experimentos, as formigas foram marcadas, individualmente, com uma etiqueta alfanumérica colada no tórax. Na primeira parte do estudo analisei as pistas de orientação utilizadas pela D. quadriceps. Num labirinto de 17 compartimentos testei cada forrageador por 10min em três sessões para seis tratamentos diferentes. Os tratamentos consistiam da presença/ausência de odor e de marcas visuais superiores ou frontais. As operárias demonstraram que a presença de odor é indispensável e marcas visuais frontais são mais eficazes do que as visuais superiores. Na segunda parte, investiguei a discriminação do alimento, considerando os parâmetros, tamanho, peso e volume. Num experimento de ‘cafeteria’, disponibilizei em uma placa de Petri, dentro de uma arena experimental de 1m², pedaços de alimento (mortadela) de forma cilíndrica. Inicialmente, os pedaços eram de quatro tamanhos diferentes; numa segunda etapa, os pedaços eram do mesmo tamanho, mas com peso diferente; na última etapa, os pedaços tinham mesmo peso, mas volume diferente. O resultado mostrou o efeito dos parâmetros tamanho e peso para a escolha alimento. Na terceira parte do estudo, avaliei a resposta da colônia à ausência das forrageadoras mais ativas, bem como, a influência da atividade das forrageadoras ativas nas inativas. As colônias foram observadas em ambiente natural. As observações aconteciam em três dias consecutivos (total de 30 dias para cada colônia), 12 horas/dia. No primeiro dia observava a saída e entrada das operárias; no segundo dia, aquelas que foram mais ativas no primeiro dia foram retiradas (devolvidas no final do dia), fazia a mesma observação; no terceiro dia, as observações eram idênticas ao do primeiro dia. Como resultado, as operárias de D. quadriceps não realizam facilitação social e, há uma compensação da colônia na falta das operárias mais ativas. Com base no exposto, afirmo que as operárias de D. quadriceps nos seus deslocamentos usam pistas de orientação química e visual frontal e superior, respectivamente. Elas avaliam o alimento escolhido por tamanho e peso. A regulação da dinâmica de atividade das forrageadoras é por autoestimulação, uma operária ativa não influencia a atividade de uma inativa, a motivação do sucesso na busca é para a própria operária bem sucedida.

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  • DALILA TELES LEÃO MARTINS
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    A plasticidade acústica de uma população de boto-cinza, Sotalia guianensis (Van Banédén, 1864) (cetacea, delphinidae), no Nordeste do Brasil.

  • Data: 20/11/2014
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  • As características do ambiente podem modificar a acústica de uma espécie devido o habitat, período do dia e ano. Por isso, esse estudo investigou as relações entre estações do ano, maré, ciclo diário da maré, períodos do dia e diferentes habitat e as emissões sonoras de S. guianensis. As gravações sonoras ocorreram na Enseada do Curral e Complexo Lagunar de Guaraíras (CLG) no município de Tibau do Sul/RN. Assobios são emitidos com diminuição da frequência durante a estação chuvosa e a maré de sizígia; enquanto, estalidos sofrem aumento. É durante o ciclo diário de maré vazante que assobios, estalidos e gritos apresentam aumento dos parâmetros de frequência. Essas modificações podem estar relacionadas com a turbidez e disponibilidade de presas. Percebeu-se que a noite ocorre aumento considerável da ocorrência de assobios e estalidos provavelmente devido a pouca luminosidade. Além disso, a redução dos parâmetros de frequências dos assobios e estalidos durante a noite permite que o som viaje distâncias maiores já que a visão fica limitada; entretanto, o aumento da frequência mínima seria para precisar a captura das presas em si. A baixa ocorrência dos gritos pode estar relacionada ao tamanho pequeno do grupo no local. As mudanças acústicas a noite pode ser influenciada em parte pelos níveis de iluminação como pela disponibilidade de presas que é maior nesse período. No CLG, as frequências dos assobios são maiores que na Enseada, assim como a frequência inicial dos estalidos o que possibilita uma precisão. Entretanto, a frequência central dos estalidos diminuiu e esse fato pode estar ligado ao rastreamento da área. Vários fatores podem estar associados a essas modificações como ruídos de fundo, propriedades do fundo, entre outros. Esse estudo suporta a hipótese de que S. guianensis apresenta uma plasticidade acústica de acordo com as condições do local onde a espécie está inserida e se adapta as mudanças ambientais.

2013
Dissertações
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  • DIANA MARQUES MARTINS CHACON
  • Álcool e Comportamento: Efeitos na Aprendizagem e Memória.

  • Orientador : ANA CAROLINA LUCHIARI
  • Data: 28/02/2013
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  • O consumo excessivo de bebidas alcoólicas é considerado uma das doenças mais devastadoras e dispendiosas da atual sociedade, sendo responsável por inúmeros efeitos prejudiciais aos indivíduos e à sociedade. Dentre as áreas de investigação que abordam o consumo de álcool, muitas se preocupam em determinar os mecanismos de ação deste produto no cérebro. Apesar de anos de pesquisa, ainda é pouco o conhecimento sobre os mecanismos pelos quais o álcool afeta as funções neurológicas e quais seriam as causas exatas das deficiências cognitivas e de memória relacionadas ao seu uso em longo prazo. Neste sentido, este trabalho visa observar como diferentes doses de álcool podem interferir na capacidade de aprendizagem de duas espécies de peixes Betta splendens e Danio rerio, este último um modelo bastante utilizado devido às características organizacionais e funcionais que compartilha com mamíferos. Para isto, diferentes concentrações de álcool (0%, 0,1%, 0,25%, 1% e 1,5%) foram usadas em doses agudas e crônicas e os animais alcoolizados ou em fase de abstinência foram testados em três protocolos experimentais: 1) Aprendizagem apetitiva - foi utilizado um protocolo de condicionamento associativo apetitivo, com pareamento de um estímulo condicionado (luz) com a oferta alimentar (estímulo não condicionado). Os resultados obtidos mostram que o grupo controle se aproximou significativamente da área de alimentação a partir do 5º. dia de teste; os grupos em tratamento crônico com 0,1% de álcool e em abstinência dessa dose mostraram aproximação no 3º. dia e aumentaram esta resposta no 7º. dia; os grupos experimentais que estavam em abstinência das doses de 0,25 e 1% de álcool apresentaram aproximação significativa apenas no 7º. dia, porém os grupos alcoolizados cronicamente com estas doses não aumentaram sua aproximação ao sítio alimentar em nenhum dia. 2) Aprendizagem espacial - nesta tarefa o peixe foi testado quanto ao desempenho em um labirinto sem dicas ambientais, a fim de se testar a capacidade do animal de formação de mapas mentais. Os resultados obtidos demonstram que embora todos os grupos submetidos ao tratamento agudo e abstinência apresentem aprendizagem espacial, diminuindo o tempo de saída do labirinto ao longo dos 5 dias de teste, houveram diferenças significativas no desempenho dos animais tratados com diferentes doses de álcool, de forma aguda e crônica. Tal diferença não foi observada no tratamento abstinência. 3) Preferência ambiental – foi testada a preferência por dois ambientes (base quadriculada X base branca) em um aquário do tipo shuttle box e posteriormente à alcoolização no ambiente não preferido, foi observada novamente a preferência do animal. Neste teste, os animais alcoolizados a 0,1% não tiveram alteração comportamental, enquanto os animais que receberam 1% de álcool de forma aguda alteraram sua preferência e mantiveram a alteração por todo o período experimental. Tendo em vista os resultados encontrados, podemos concluir que os efeitos do álcool na aprendizagem são dependentes da dosagem. Alem disso, doses baixas de álcool parecem maximizar o desempenho do animal em tarefas de aprendizagem, mesmo não alterando sua preferência, enquanto as doses mais elevadas produzem efeito de adição e prejudicam a aprendizagem dos animais.

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  • ALANE DE MEDEIROS SILVA
  • Padrão de distribuição e caracterização morfológica de fibras serotonérgicas nos núcleos da linha média/ intralaminares do tálamo do mocó (Kerodon rupestris).

     

  • Orientador : EXPEDITO SILVA DO NASCIMENTO JUNIOR
  • Data: 27/03/2013
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  • O complexo nuclear da linha média/intralaminar forma um notável grupo de núcleos da parte medial e dorsal do tálamo. Os núcleos da linha média, em ratos, são compreendidos pelos núcleos paratenial (PT), paraventricular (PV), intermediodorsal (IMD), reuniens (Re) e rombóide (Rh). Já os intralaminares compreendem os núcleos central medial (CM), paracentral (PC), central lateral (CL) e parafascicular (PF). Tais núcleos apresentam densa inervação serotonérgica oriunda do tronco encefálico, a partir, principalmente, do denominado sistema de ativação ascendente. Esses núcleos, por sua vez, emitem projeções para diversas áreas corticais e subcorticais, mais especificamente para áreas límbicas, o que propõe o importante papel desse neurotransmissor na circuitaria límbica. O objetivo desse trabalho foi caracterizar o padrão de distribuição e morfologia das fibras de serotonina nos núcleos da linha média e intralaminares do tálamo do mocó (Kerodon rupestris), um roedor típico da região Nordeste. Para isso, foram utilizados 4 mocós adultos jovens. Após etapas de perfusão e microtomia, foi realizada imunoistoquímica para serotonina (5-HT), técnica de Nissl e posterior coleta e análise de imagens a fim de caracterizar a citoarquitetura desses núcleos, bem como as fibras serotonérgicas neles visualizadas. Foi realizada ainda uma análise de Densidade Óptica Relativa (DOR) para semiquantificar a concentração de fibras de serotonina nas áreas de interesse. Sendo assim, observamos uma distribuição citoarquitetônica desses núcleos semelhante ao observado em ratos. Em se tratando da distribuição de fibras, aquelas imunorreativas a 5-HT apresentaram-se em maior concentração, conforme a DOR, nos núcleos da linha média em relação aos intralaminares, sendo o Re o núcleo que apresenta maior valor de pixels, seguido do PV, Rh, IMD e PT. Nos intralaminares o CL apresentou maior valor de pixels, seguido dos núcleos CM, PC e PF. As fibras serotonérgicas foram classificadas conforme número de varicosidades, bem como diâmetro axonal. Assim, encontramos três tipos de fibras distribuídas através desse complexo nuclear: fibras rugosas, granulares e semi-granulares. No PV predominaram fibras rugosas; PT predominaram fibras granulares; IMD, CL e PF foram representados por fibras semi-granulares e Re, Rh, PC e CM apresentaram fibras granulares e semi-granulares.  A caracterização morfológica das fibras serotonérgicas encontradas e as diferenças de densidades entre os núcleos permite sugerir diferentes padrões de organização sináptica deste neurotransmissor além de confirmar seu grande repertório funcional.

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  • JOYSE ASHLEY VITORINO DE MEDEIROS
  • Acesso Lexical: uma dupla rota para o Português Brasileiro

  • Orientador : SIDARTA TOLLENDAL GOMES RIBEIRO
  • Data: 27/03/2013
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  • Identificar as unidades que constituem as expressões da linguagem continua a ser uma questão importante na pesquisa psicolinguística contemporânea. Seria o modo como acessamos as palavras influenciado pela estrutura do léxico? Modelos de processamento não lexicalistas sugerem que, no momento do acesso lexical, palavras são decompostas em unidades menores, isto é, morfemas. O pressuposto central destes modelos é que as palavras são armazenadas na memória, na forma de unidades significativas mínimas (ex.: amigável: amig/a/ável/). Dentro dessa linha de investigação, palavras compostas são especialmente importantes devido à sua dupla natureza: embora tenham um significado atômico, elas também podem apresentar estruturas segmentáveis. Nosso objetivo foi verificar se, em testes de decisão lexical, há diferença na forma como reconhecemos palavras simples e compostas do Português Brasileiro.  Esta informação pode lançar alguma luz sobre como a mente representa estas diferentes categorias de palavras e se diferenças superficiais sobre a estrutura das línguas tem influência no processamento linguístico, o que pode ajudar a delinear o que é inato versus aprendido na faculdade da linguagem. Os resultados obtidos com o teste de decisão lexical I fornecem evidências de que há um papel para a decomposição no reconhecimento de palavras no Português Brasileiro, pois na baixa e média frequência as palavras compostas tiveram tempos de reação significativamente menores que as simples. No entanto, nas altas frequências dos experimentos de decisão lexical I e II foram as palavras simples que apresentaram latências de resposta mais curtas.   Esse tipo de resultado, por sua vez, se coaduna com as predições de modelos de listagem plena. Desse modo, a melhor forma de explicar esses resultados é supor um mecanismo de acesso lexical com uma dupla rota, em que cada tipo de palavra será reconhecido/acessado mais rapidamente dependendo da sua frequência, e, também, que esse sistema seja influenciado por padrões morfológicos e de produtividade dos padrões de formação de palavras dentro das línguas.  

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  • RAUL FERNANDES DANTAS DE SALES
  • Ecologia alimentar e comportamento de forrageamento de Ameivula aff. ocellifera (Squamata: Teiidae) em área de Caatinga do Nordeste do Brasil.

  • Orientador : ELIZA MARIA XAVIER FREIRE
  • Data: 27/03/2013
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  • Este estudo investigou a influência de fatores intrínsecos e extrínsecos sobre a ecologia alimentar e o comportamento de forrageamento do lagarto “cauda-de-chicote” (whiptailAmeivula aff. ocellifera, uma espécie nova com ampla distribuição na Caatinga, e que está em fase de descrição. Em atendimento aos objetivos, a Dissertação foi estruturada na forma de dois capítulos, os quais correspondem a artigos científicos, um já publicado e o outro a ser submetido à publicação. No Capítulo 1 são analisadas a composição geral da dieta, a relação entre o tamanho corporal dos lagartos e o tamanho das presas consumidas, e a ocorrência de diferenças sexuais e ontogenéticas na dieta. O Capítulo 2 contempla a composição da dieta em termos sazonais, durante duas estações chuvosas intercaladas por uma estação seca, e análise quantitativa do comportamento de forrageamento durante dois períodos distintos. A composição da dieta foi identificada através da análise do conteúdo estomacal de lagartos (N = 111) coletados mensalmente por busca ativa entre setembro de 2008 e agosto de 2010, na Estação Ecológica do Seridó (ESEC Seridó), estado do Rio Grande do Norte. O comportamento de forrageamento foi investigado durante um mês chuvoso e um mês seco do ano de 2012 também na ESEC Seridó, avaliando-se a porcentagem do tempo gasta em movimento (PTM), o número de movimentos por minuto (MPM) e taxa de captura de presas pelos lagartos (N = 28) durante o forrageamento. A principal categoria de presa na dieta de Ameivula aff. ocellifera foi Larvas de insetos, seguido por Orthoptera, Coleoptera e Araneae. Térmitas (Isoptera) foram importantes somente em número, com contribuição volumétrica desprezível (<2%) e baixa frequência de ocorrência, um traço incomum entre os lagartos whiptails. Machos e fêmeas não diferiram nem na composição da dieta nem no comportamento de forrageamento. Adultos e juvenis se alimentaram de categorias de presa similares, mas diferiram no tamanho das presas. Os tamanhos máximo e mínimo das presas foram positivamente correlacionados com o tamanho dos lagartos, sugerindo que na população estudada os indivíduos sofrem uma mudança ontogenética na dieta, consumindo itens alimentares maiores à medida que crescem, e ao mesmo tempo excluindo presas menores. A dieta apresentou diferenças sazonais significativas; durante as duas estações chuvosas (2009 e 2010), as presas predominantes na dieta foram Larvas de inseto, Coleoptera e Orthoptera, enquanto na estação seca as presas predominantes foram Larvas de inseto, Hemiptera, Araneae e Orthoptera. O grau de mobilidade das presas consumidas durante as estações chuvosas foi menor, principalmente devido ao maior consumo de larvas (presas altamente sedentárias) durante esses períodos. A largura de nicho da população foi maior na estação seca, confirmando a predição teórica de que quando o alimento é escasso, as dietas tendem a ser mais generalizadas. Considerando a amostra total, Ameivula aff.ocellifera apresentou 61,0 ± 15,0% PTM, 2,03 ± 0,30 MPM, e capturou 0,13 ± 0,14 presas por minuto. O modo de forrageamento foi similar ao encontrado para outros lagartos whiptails quanto a PTM, mas MPM foi relativamente superior. Diferenças sazonais foram verificadas quanto a PTM, que foi significativamente maior na estação chuvosa (66,4 ± 12,1) que na estação seca (51,5 ± 15,6). É possível que essa diferença represente um ajuste comportamental em resposta à variação sazonal na abundância e tipos de presas disponíveis no ambiente nas diferentes estações.

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  • CLARISSA LOUREIRO DAS CHAGAS CAMPÊLO BEZERRA
  • Efeitos da estimulação ambiental sobre os aspectos motores, cognitivos e neuronais em um modelo farmacológico progressivo da doença de Parkinson.

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 11/04/2013
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  • A doença de Parkinson (DP) é uma doença crônica e progressiva que acomete principalmente os neurônios dopaminérgicos da substância negra parte compacta (SNpc) e é caracterizada pela presença de sintomas motores , alterações cognitivas e depressão. Estudos com modelos animais da DP permitem ampliar o conhecimento dos mecanismos neuropatológicos e bioquímicos e auxiliar no desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas. A estimulação ambiental é uma estratégia neuroprotetora em diferentes modelos animais de dano neurodegenerativo, inclusive na DP. Os estudos realizados até o momento priorizam as repercussões da estimulação ambiental sobre os aspectos motores, e em modelos farmacológicos agudos desta patologia. O presente estudo teve como objetivo avaliar as repercussões da exposição ao ambiente enriquecido nos aspectos motores, cognitivos e neuronais (níveis de tirosina hidroxilase (TH) e fator neurotrófico derivado do encéfalo (BDNF)) no modelo progressivo da DP pela administração repetida de reserpina (RES) em camundongos. Foram utilizados 76 camundongos machos tratados repetidamente com veículo ou 0,1 mg/kg de RES (s.c), divididos em duas condições de alojamento: padrão e ambiente enriquecido. Nos animais mantidos na condição padrão, o tratamento com RES foi capaz de provocar alterações motoras (teste de catalepsia, atividade motora no campo aberto e movimentos orais) e alterações cognitivas nos teste de reconhecimento do objeto novo (RON) e na tarefa da esquiva discriminativa no labirinto. Quando iniciada antecedendo o tratamento (mas não quando iniciada concomitantemente), a estimulação ambiental retardou o aparecimento dos déficits motores avaliados pela catalepsia e facilitou a recuperação destes déficits após o final do tratamento. Além disso, a estimulação ambiental preveniu o aparecimento do déficit cognitivo no teste de RON. Na avaliação histoquímica, o tratamento com RES reduziu o número de células positivas para TH na SNpc dos animais eutanasiados ao final das injeções. Contudo, 30 dias após o final do tratamento esse déficit foi revertido. Apesar da ANOVA ter apontado efeito do ambiente neste parâmetro, essa diferença não foi detectada pelo teste post hoc. O tratamento com RES reduziu os níveis de BDNF no estriado e na região CA3 do hipocampo e a exposição ao ambiente enriquecido impediu esse efeito no estriado. Desta forma, o protocolo de estimulação ambiental utilizado no presente estudo, quando iniciado previamente ao tratamento, foi eficiente em retardar o aparecimento dos déficits motores e acelerar a recuperação destes, além de prevenir o déficit de memória de curto prazo e evitar a redução dos níveis de BDNF. Esses resultados corroboram estudos prévios sugerindo que alterações plásticas cerebrais induzidas pelo enriquecimento ambiental promovem efeitos benéficos sobre a progressão de doenças neurodegenerativas. 

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  • CAROLINA CARRIJO ARRUDA
  • Influência de fotoperíodo artificial no comportamento de um primata neotropical diurno (Callithrix jacchus).

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 12/04/2013
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  • O ajuste da organização temporal às pistas ambientais recorrentes é de extrema importância para a estabilidade funcional do organismo. Uma das principais pistas é o ciclo claro-escuro (CE). O sinal fótico percebido pelos animais é processado tanto para funções visuais quanto não visuais. Uma função não visual da percepção fótica em mamíferos é realizada pelo hormônio melatonina, que sinaliza a duração do fotoperíodo. Assim, esses animais podem se comportar de forma diferenciada ao longo do ano, como, por exemplo, no ritmo de atividade-repouso, nos estados de humor e no desempenho cognitivo. Desajustes entre os ritmos biológicos e as pistas ambientais podem gerar consequências para esses e outros comportamentos. Este estudo teve como objetivo avaliar se saguis (Callithrix jacchus) exibem alterações comportamentais em fotofases de diferentes durações em ciclo CE de 24 h por meio da avaliação do repertório comportamental e vocal, da atividade exploratória (AE), da memória de reconhecimento e do ritmo circadiano de atividade locomotora (AL) em ambiente laboratorial. Oito saguis adultos, alojados individualmente em gaiolas, passaram 28 dias em cada etapa: dias simétricos (DS1 - CE 12h:12h), dias curtos (DC - CE 8h:16h), DS2, e dias longos (DL - CE 16h:8h). A AL foi registrada continuamente por sensores de movimento acima das gaiolas. Um sistema de câmeras registrou os comportamentos individuais por 2 horas após o início do claro, duas vezes por semana, os quais foram amostrados pelo método Animal Focal Contínuo (20 min de registro e 20 min de intervalo) como catação, alerta (vigilância, bipedal), do tipo ansioso (marcação, roer, coçar, sacudir), pendurado, comer e caixa-ninho. Ao mesmo tempo, um microfone registrou as vocalizações emitidas na sala de experimentação, categorizadas em afiliativa (whirr, chirp), de contato (phee), de longa distância (loud shrill), agonística (twitter) e de alarme (tsik, seep, see). A AE foi avaliada na terceira hora após início do claro em 2 sessões de 15 min na última semana de cada ciclo. Em uma primeira apresentação, foi utilizado um objeto não familiar e 24 h depois, em uma segunda apresentação, foi adicionado um novo objeto para avaliar a memória de reconhecimento. Os resultados indicam que os DL desestabilizaram a amplitude e a variância do período do ritmo circadiano de AL e, que apesar de estenderem sua atividade nos DL, o fazem pelo início da fase ativa, no geral. Ou seja, os saguis se adiantaram para iniciar a atividade, mas mantiveram um horário de término igual aos DS. Os DC alteraram a AL causando uma diminuição da duração da fase ativa e do total diário de atividade, mas não desestabilizaram a amplitude e a variância do período. A AE mostrou que os DL e DC não afetaram a memória de reconhecimento dos saguis, mas que os DL influenciaram o interesse por novidades, reduzindo a duração da AE. Nos DL, foi observada uma menor frequência das vocalizações, no geral, e dos comportamentos de catação, do tipo ansioso e caixa ninho, porém, estes resultados são inconclusivos. Considerando que alguns animais atrasaram o início da atividade nos DL e apenas as primeiras duas horas no claro foram registradas, é possível que alterações observadas nos comportamentos e vocalizações sejam devido à alocação temporal ao longo da fase ativa do sagui e não um efeito genuíno dos DL em si. Em conclusão, os saguis sincronizaram o ritmo circadiano de atividade locomotora aos fotoperíodos e, ainda, os DL afetaram o ciclo de atividade e repouso e as respostas exploratórias.

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  • LAÍS ALVES ANTONIO MOREIRA
  • "Sinalização Cromática da Condição Reprodutiva de Fêmeas de Sagui Comum (Callithrix Jacchus)"

     

     

  • Orientador : MARIA BERNARDETE CORDEIRO DE SOUSA
  • Data: 26/04/2013
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  • Como animais sociais, os primatas usam sinais de diferentes modalidades (acústico, químico, tátil e visual) para transmitir informações sobre status social e sexual a membros da mesma espécie. Dentre essas modalidades, os sinais visuais são amplamente utilizados, especialmente os sinais de cor, uma vez que dentre os mamíferos, os primatas formam o grupo com maior variedade de cores em suas peles e pelos. Trabalhos com espécies de primatas do Velho Mundo sugerem que variações hormonais estejam relacionadas com variações cromáticas visíveis em áreas genitais e faces de machos e fêmeas. Desta forma, pistas cromáticas podem ser usadas por coespecíficos para identificar a condição reprodutiva de um indivíduo. Até o momento, trabalhos com essa mesma abordagem em espécies do Novo Mundo são desconhecidos. Porém, estudos comportamentais e fisiológicos sugerem que diferentes espécies de primatas do Novo Mundo parecem perceber características reprodutivas como o momento da concepção e a fase da gestação em fêmeas. Desta forma, neste trabalho buscamos: i) identificar se existem pistas cromáticas na pele de fêmeas de sagui comum (Callithrix jacchus) que indicam a condição reprodutiva; ii) determinar se essas pistas são perceptível aos diferentes fenótipos visuais encontrados na espécie; iii) identificar qual seria o efeito de diferentes condições de iluminação na detecção dessa coloração. Para isso, trabalhamos com 13 fêmeas de sagui comum em quatro condições reprodutivas distintas: gestantes pré-parto, gestantes pós-parto, ovulatórias e não ovulatórias. A coloração de áreas da pele das fêmeas foi mensurada utilizando um espectrofotômetro e, utilizando modelos matemáticos de percepção visual, calculamos os valores de captação quântica para cada tipo de fotorreceptor presente na espécie, os canais de oponência visual e o contraste cromático entre duas áreas corpóreas. Esse trabalho mostra evidências de variação no contraste cromático das peles da genitália e da coxa nas semanas que antecedem e sucedem o parto, formando um padrão de variação em “U” perceptível a machos e fêmeas em condições naturais de baixa e alta luminosidade. Além disso, evidenciamos padrões de coloração distintos na região da pele genital para fêmeas gestantes que indicam uma sinalização dessa condição reprodutiva. Por fim, apresentamos evidências de que o contraste de cor em fêmeas ovulatórias e não ovulatórias é superior ao de fêmeas gestantes. Este estudo sugere que existe uma variação cromática na pele genital de fêmeas, que essa variação é perceptível a coespecíficos e que pode estar relacionada às alterações hormonais acentuadas que ocorrem durante a gestação e o ciclo ovariano.

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  • MARCIA PEREIRA JORGE
  • INFLUÊNCIA DA PRÁTICA DE YOGA SOBRE OS SINTOMAS DA MENOPAUSA

  • Orientador : ALESSANDRA MUSSI RIBEIRO
  • Data: 03/05/2013
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  •            O yoga tem sido estudado e praticado há mais de três mil anos e na atualidade tem sido adotado por milhões de pessoas em todo o mundo como instrumento para a manutenção da saúde do indivíduo. Ao seu conjunto de técnicas têm sido atribuídos inúmeros benefícios para a reabilitação da saúde e promoção de melhor qualidade de vida de indivíduos idosos.

                Na mulher, o processo de envelhecimento é marcado pela suspensão da atividade folicular ovariana (menopausa) caracterizado por uma série de alterações neuroendócrinas que podem ser acompanhadas por sintomas desconfortáveis e às vezes debilitantes. Embora haja numerosas informações clínicas sobre a menopausa, há poucos trabalhos sobre a possível aplicação terapêutica do yoga durante o período do climatério. Assim, o objetivo desta pesquisa foi investigar os efeitos psicofisiológicos de 12 semanas de prática de yoga em 88 mulheres pós-menopausa. As voluntárias foram divididas em grupo controle (sem qualquer intervenção), grupo exercício físico e grupo yoga. Foram aplicados instrumentos para a avaliação da síndrome climatérica, estresse, depressão, qualidade de vida, e ansiedade. Além, da determinação dos níveis hormonais de FSH, LH, estradiol, progesterona2 e cortisol, e dos níveis bioquímicos de glicemia, colesterol, triglicerídeos, HDL, LDL, ureia, creatinina, TGO e TGP. Nossos resultados demonstraram que o grupo yoga apresentou escores significativamente mais baixos após a prática regular de yoga para os sintomas climatéricos. Além de uma diminuição dos níveis de estresse e de depressão, ainda foi observado escores mais altos em relação a qualidade de vida quando comparado com o grupo controle e o grupo exercício. A prática regular também promoveu a manutenção dos níveis de cortisol nas voluntárias, ao contrário do observado no grupo controle que demonstrou um aumento dos níveis de cortisol após 12 semanas. Em relação aos parâmetros bioquímicos observamos que mulheres que praticaram yoga apresentaram uma diminuição dos níveis de LDL no sangue. Estes resultados corroboram estudos prévios que afirmam que a pratica regular de yoga promove uma melhora na qualidade de vida de indivíduos. Nós propomos a partir dos resultados obtidos que o yoga pode ser uma alternativa não farmacológica para a manutenção de sintomas da menopausa e estresse em mulheres na pós-menopausa.

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  • EZEQUIEL BATISTA DO NASCIMENTO
  • Efeitos de diferentes tipos estressores sobre a memória e apredizagem de ratas.

  • Orientador : ALESSANDRA MUSSI RIBEIRO
  • Data: 12/07/2013
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  • A exposição a fatores estressantes promove mudanças fisiológicas adaptativas do organismo ao meio ambiente. Dependendo do tipo, da intensidade e duração, o estresse pode afetar algumas funções cognitivas, particularmente o processo de aprendizagem e de memória. Alguns estudos também têm proposto que a ansiedade, em certa medida, seria necessária para que ocorresse a formação da memória. Neste contexto, memórias de experiências aversivas anteriores podem determinar a maneira e a intensidade com que são expressas as respostas de medo, o que justifica o grande interesse em analisar simultaneamente ansiedade e memória em animais. No mais, machos e fêmeas apresentam reações distintas em relação a estímulos estressores, mostrando diferentes níveis de ansiedade e diferenças no processamento da aquisição, retenção e evocação de informações mnemônicas.

    Frente a essas informações, o presente estudo teve como objetivo verificar o efeito do estresse em parâmetros comportamentais de aprendizagem, memória e ansiedade de ratas submetidas a diferentes tipos de estressores de longa duração, (sete dias consecutivos): contenção (4h/dia), alta densidade populacional (18h/dia) e isolamento social (18h/dia), nas diferentes fases do ciclo estral. Nossos resultados mostraram que o estresse promovido pela contenção e pelo isolamento social não promoveram alterações no processo de aquisição, mas promoveu prejuízos na evocação da memória de ratas. Além disso, sugere-se um efeito protetor dos hormônios sexuais sobre a evocação da memória aversiva, uma vez que ratas que estavam nas fases proestro ou estro, fase de altas concentrações plasmáticas de estrógenos, não apresentaram prejuízos na evocação dessa memória. No mais, apesar do aumento dos níveis plasmáticos de corticosterona observado nas ratas submetidas ao estresse de contenção e isolamento social, os níveis de ansiedade permaneceram inalterados frente a essas diferentes condições de estresse.

    Modelos animais baseados em estresse psicológico e social têm sido bastante abordados na literatura. Correlacionar respostas comportamentais, fisiológicas e psicológicas têm contribuído no aumento da compreensão dos transtornos psicofisiológicos envolvidos na resposta de estresse.

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  • RUTE MARIA RODRIGUES PINHEIRO
  • Correlato eletroencefalográfico do estado vibracional (EV)

  • Orientador : SIDARTA TOLLENDAL GOMES RIBEIRO
  • Data: 29/07/2013
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  • O estado vibracional (EV) é descrito por uma sensação de vibração intensa por todo o corpo, que pode ser gerada de forma espontânea ou autoinduzida, em que o sujeito se mantém num estado de relaxamento psicofisiológico. Pessoas que aplicam esta técnica relatam alterações do estado mental e emocional após a instalação do EV, tais como: relaxamento, disposição, limpidez de pensamento, equilíbrio emocional, melhoria do raciocínio, bem estar, entre outros. Porém, estas são observações subjetivas, sendo a mensuração de fenômenos ou elementos bioenergéticos como este ainda uma lacuna e um grande desafio para a ciência. O objetivo desta pesquisa é explorar sistematicamente o estado vibracional no âmbito da neurociência. Desta forma, medidas eletroencefalo­gráficas (EEG) foram utilizadas para observar se a sensação subjetiva de EV é acompa­nhada por mudanças na atividade elétrica cerebral. Além disso, para avaliar se o EV provoca algum efeito positivo em funções cognitivas como atenção e memória, foi utilizado um teste de reconhecimento de palavras antes e após a aplicação da técnica de EV. Foram também aplicados questionários de dados gerais socioeconômicos e de saúde, do perfil de estados de humor, de qualidade do sono, além de inventários psico­lógicos. Contudo, o foco inicial do trabalho foi a análise estatística dos dados de EEG. Dois grupos de voluntários foram analisados, o primeiro formado por 14 sujeitos que praticam a técnica de EV há pelo menos 10 anos (Grupo Experiente - GEXP), e o segundo formado por 11 sujeitos que nunca haviam realizado a técnica (Grupo Controle - GCONT). O GCONT obteve instruções sobre a técnica de EV antes dos experimentos. Foram realizadas análises estatísticas dos registros eletroencefalográficos, para com­parar os grupos, em quatro condições: Basal, Relaxamento, Não-EV (período em que o sujeito está engajado na tarefa, mas ainda não percebe o EV) e EV (período em que o sujeito percebe o EV). Ressalta-se que nenhum voluntário do GCONT relatou ter conse­guido atingir a condição de EV propriamente. Desta forma, a comparação entre grupos foi feita apenas nas três condições, Basal, Relaxamento e Não-EV. Para isso, foi usado o teste de Mann-Whitney U com um limiar estatístico de p<0,05. De forma geral, o GEXP apresentou maior potência na banda de frequência alfa 2 (9,5 – 11,0 Hz) em todas as condições. Durante o período Não-EV, o GEXP também apresentou uma maior potência na banda de frequência alfa 3 (11,5 – 13,0 Hz) na região temporal esquerda, e gama 1 (30,5-55,0 Hz) e gama 2 (65,0-80,0 Hz) em regiões central, parietal e temporal esquerda, mas menor potência na banda de frequência teta 1 (3,5 - 5,0 Hz), em regiões centro-parietais. 

    Para a análise estatística intragrupo, entre as condições, utilizou-se o teste estatístico Wilcoxon pareado. Observaram-se diferenças significativas (p<0,005), principalmente em regiões centrais, em teta 1 (3,5-5,0 Hz), sendo maior no relaxamento, quando comparado com as condições Basal e Não-EV, no GCONT, e com o Não-EV e EV, no GEXP. No GEXP, a potência de gama 1 (30,5-55,0 Hz) e gama 2 (65,0-80,0 Hz) foi difusamente maior durante o EV se comparado as outras 3 condições. Para o GCONT, apenas a condição Basal apresentou maior potência de gama 1 (30,5-55,0 Hz) e gama 2 (65,0-80,0 Hz), se comparado com o relaxamento. O aumento de teta 1 no relaxamento, principalmente no GCONT, pode estar associado a uma maior sonolência deste grupo durante esta condição. Já o aumento de alfa 2 durante o Não-EV e o EV, pode estar associado com processos de atenção e cognição (Ray, 1985; Klimesch, 1999; Dolppermayr, 2002; Fell, 2010). Por outro lado, o aumento da potência de gama em sujeitos experientes na técnica de EV aqui encontrados e em trabalhos anteriores em meditadores experientes (Lehmann, 2000; Lutz, 2004; Fell, 2010) poderia estar associado a alterações nos processos mentais e cognitivos destes praticantes, tais como atenção, memória operacional, aprendizagem e percepção consciente embora, análises adicionais devam ser realizadas para excluir a possibilidade de interferência de artefatos musculares nos dados de EEG. Estes resultados suscitam a hipótese de que no engajamento da tarefa do estado vibracional e durante o EV, os sujeitos do grupo experiente conseguem manter-se em um estado de alerta, porém com maior nível de relaxamento e concentração. Contudo, estudos mais detalhados dos dados, além de outros experimentos com diferentes protocolos, um maior número de sujeitos e pesquisas longitudinais seriam necessários para que esta hipótese possa vir a ser corroborada. 

    ABSTRACT

    Vibrational State (VS) is described as a sensation of intense vibration throughout the entire body, generated spontaneously or self-induced, in which the subjects keep themselves in a state of psychophysiological relaxation. People who perform this technique report mental and emotional changes after VS installation, such as: relaxation, willingness, clarity of thought, emotional balance, improvement of thinking, well being, among others. However, these are subjective observations, being the measurement of phenomenons or bioenergetical elements like this one still a great challenge to science. This research aims to systematically explore the vibrational state in the neuroscience field. Therefore, electroencephalography (EEG) was used to observe if the subjective sensation of VS is followed by changes in the brain's electrical activity. Besides that, in order to evaluate if the VS causes any positive effect in cognitive functions such as attention and memory, a word recognition test was applied before and after performing the VS technique. Questionnaires concerning socioeconomic and health data, profile of mood states, sleep quality and psychological inventories were also used. However, the primary focus was the statistic analysis of the electroencephalographic data. Two groups of volunteers were analyzed, the first one was composed by 14 people that have performed the technique for at least 10 years (Experienced Group - GEXP), and the second one composed by 11 people that never had performed the VS before (Control Group – GCONT). The GCONT group was instructed about the VS technique before the experiments. Statistic analyses were done to compare the EEG data of both groups in four conditions: Basal, Relaxation, Non-VS (period in which the subject is involved in the task, but still did not achieve the VS) and VS (period in which the subject achieved the VS). It is important to mention that no volunteer from the GCONT group claimed to have achieved the VS properly. In this way, the comparison between the two groups was only made in three conditions: Basal, Relaxation and Non-VS.   In order to do so, the Mann- Whitney U test was used with a threshold of p<0.05. Generally, the GEXP presented a higher  alpha 2 frequency band power (9.5 – 11.0 Hz) in all conditions. During the Non-VS period, the GEXP also presented a higher power in the alpha 3 frequency band (11.5 – 13 Hz) in the left temporal area, and gamma 1 (30.5-55.0 Hz) and gamma 2 (65.0-80.0 Hz) in central, parietal and left temporal areas, but a lower power in the theta 1 frequency band (3.5 - 5.0 Hz) in central-parietal regions. Regarding the within group statistical analysis, among the conditions, the paired Wilcoxon test was used. It was possible to observe statistically significant differences (p<0.005) mainly in central regions, in theta 1 (3.5-5.0 Hz), being greater in relaxation when compared to Basal and Non-VS, in GCONT group, and with Non-VS and VS, in GEXP group. In GEXP, gamma 1 power (30.5-55.0 Hz) and gamma 2 power (65.0-80.0 Hz) was diffusely higher in VS when compared to the other three conditions. Regarding the GCONT group, only the Basal condition presented higher gamma 1 power (30.5-55.0 Hz) and gamma 2 power (65.0-80.0 Hz), when compared to relaxation. The increase in theta 1 during the relaxation, especially in GCONT group, may be associated with a higher level of sleepiness in this group during this condition. The increase in alpha 2 during the Non-VS and VS may be associated with attention and cognition processes (Ray, 1985; Klimesch, 1999; Dolppermayr, 2002; Fell, 2010). On the other hand, the increase in gamma power in VS practitioners found in this work and in previous works with meditation practitioners (Lehmann, 2000; Lutz, 2004; Fell, 2010) may be associated with changes in mental and cognitive processes such as: attention, operational memory, learning and conscious perception although, additional analysis must be performed to exclude the possibility of muscle artifact interference in the EEG data. These results suggest that when engaging the VS task and during VS, the subjects from the experienced group can keep themselves in a state of alertness, but with a higher level of relaxation and concentration.   However, more detailed data studies, as well as other experiments with different protocols, and a greater number of subjects and longitudinal studies would be necessary to corroborate this hypothesis.

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  • TWYLA BARROS DE SOUSA
  • Citoarquitetura, caracterização neuroquímica e padrão de projeções retinianas do núcleo mediodorsal do tálamo: um estudo comparativo entre o mocó (Kerodon rupestris) e o sagui (Callintrix jacchus).

  • Orientador : EXPEDITO SILVA DO NASCIMENTO JUNIOR
  • Data: 31/07/2013
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  • O núcleo mediodorsal (MD) ocupa uma região proeminente no tálamo, posicionando-se lateralmente aos núcleos da linha média e medialmente ao complexo intralaminar. Embora não exista unanimidade quanto ao número de subdivisões na literatura, em geral este núcleo pode ser citoarquitetonicamente dividido em duas porções. Estudos mostram o MD como uma estrutura chave na aprendizagem e memória, bem como em mecanismos emocionais e de atenção devido à ligações recíprocas com o sistema límbico e córtex pré-frontal. Recentemente, foram descritas pela primeira vez, projeções retinianas no MD de um roedor, o mocó (Kerodon rupestris). Este trabalho teve por finalidade descrever e comparar os aspectos citoarquitetônicos e neroquímicos do MD no mocó e no sagui (Callithrix jacchus) utilizando técnicas imunoistoquímicas para revelar substâncias neuroativas, como também mapear a projeção retiniana a este núcleo através da utilização de um traçador anterógrado, a subunidade b da toxina colérica (CTb). Em  secções coronais do tálamo, a reação positiva à proteína nuclear neuronal revelou uma morfologia semelhante em ambas as espécies. Sendo encontrado ainda células, fibras e/ou terminais imunorreativos às proteínas ligantes de cálcio (calbidina, calretinina e parvalbumina), neuropeptídeo Y, serotonina e tirosina hidoxilase. Cada uma dessas substâncias apresentou um padrão característicos de marcação no MD de cada espécie, e algumas serviram para reforçar o padrão morfológico e especificar subregiões, sendo possível dividir o núcleo em duas porções: uma parvocelular (MDpc) e uma magnocelular (MDmc). Dois saguis apresentaram imunorreatividade contra CTb em fibras/terminais confinados no MDpc, mas nos demais e em todos os mocós foram visualisadas no MDmc, sendo encontradas em secções mediais e caudais nas duas espécies. Assim, uma possível via retina-MD não é exclusiva de mocós, estando presente também no sagui, todavia são necessários estudos funcionais para estabelecer o papel desse circuito retina-MD no contexto das funções encefálicas.

    The mediodorsal nucleus (MD) is a prominent nucleus in the thalamus, positioned lateral to the midline nuclei and medial to the intralaminar complex. Researchers disagree about the amount of subnuclei of the MD, but usually consider two regions. Several studies identify the MD as a key structure in learning and memory, as well as in emotional mechanisms and alertness due to reciprocal connections with the limbic system and prefrontal cortex. Retinal projections to the MD have recently been described in a rodent, the rock cavy (Kerodon rupestris). The aim of this study was to describe and to compare cytoarchitectural and neurochemical features of the MD of the rock cavy and the marmoset (Callithrix jacchus) by imunohistochemical techniques to reveal neroactive substances, as well as to map the retinal projection for this nucleus using an anterograde tracer, the B subunit of cholera toxin (CTb). In coronal sections of the thalamus, the positive reaction to neuronal specific nuclear protein showed a similar morphology in both species. In addition, it was found imunoreactive cells, fibers and/or terminals to calcium-binding proteins (calbidina, parvalbumin and calretinin), neuropeptide Y, serotonin and tyrosine hidroxilase. Each one of those substances presented a characteristic pattern of demarcation in MD of each species, and some served to reinforce de morphologic pattern and to specify subregions, so it was possible to divide the nucleus in two parts: parvocellular (MDpc) and magnocellular (MDmc). Two marmosets showed CTb imunoreactive in fibers/terminals within MDpc, but the other marmosets and all rock cavies they were found within MDmc.. These structures were seen in medial and caudal sections for both species. Thus, a possible pathway retina-MD is not unique to rock cavies, it is also present in the marmosets, but functional studies are needed to establish the role of this circuit retina-MD in the context of brain functions.

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  • PRISCILLA SOARES DE FRANÇA
  • Amor como medida de satisfação marital.

  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 30/08/2013
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  • O amor afeta a vida de milhares de seres humanos. Ele evoluiu para encorajar atividades que levem a ações reprodutivas bem sucedidas e é responsável pela criação e manutenção de laços afetivos entre indivíduos. Assim como há diferenças nos comportamentos reprodutivos entre os sexos também há diferenças em como eles amam e se apaixonam. Essas diferenças poderão ditar a dinâmica do casamento e a satisfação marital no mesmo. O casamento favorece o sucesso reprodutivo individual promovendo a escolha de parceiro e a criação de um ambiente propício para a criação de filho, e a satisfação marital é vista como o mecanismo psicológico que acompanha os custos e benefícios do casamento. O MARQ-Brasil é um questionário que permite mensurar o nível de satisfação marital. Uma de suas escalas, a Escala Amor foidesenvolvida para aferir o nível de vínculo emocional entre parceiros em um relacionamento amoroso. Este trabalho teve como objetivo validar a escala Amor como alternativa para medir vínculo emocional e analisar que características pessoais de parceiros(as) podem influenciar o amor de homens e mulheres e sua satisfação marital. No presente estudo participaram 176 indivíduos em relacionamento estável. A partir dos resultados, concluímos que a escala Amor se constitui um instrumento válido como medida de satisfação marital. Além disso, verificamos que várias características pessoais influenciam o amor dos cônjuges. Apesar de ambos os sexos continuarem a avaliar a qualidade do relacionamento, as mulheres demonstraram ser mais exigentes nessa avaliação. Observamos que características comuns no universo de escolha de parceiro permanecem importantes e exercem sua influência no amor e na satisfação marital após a escolha de parceiro ter sido realizada.

     

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  • BÁRBARA PINHEIRO MAIA CAVALCANTI TADEWALD
  • EFEITO DOS ANDRÓGENOS NA ESTABILIZAÇÃO DA PREFERÊNCIA MANUAL EM MACHOS ADULTOS DE SAGUI COMUM (Callithrix jacchus)


     

  • Orientador : MARIA BERNARDETE CORDEIRO DE SOUSA
  • Data: 20/12/2013
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  • Os esteroides sexuais influenciam o comportamento de vertebrados por meio de efeitos organizacionais e ativacionais. Estas ações podem ocorrer em períodos do desenvolvimento fetal, pós-natal inicial e, ainda, durante a puberdade (efeito organizacional) ou alterando a expressão de padrões comportamentais durante todas as fases da vida (efeito ativacional). Estudos sobre lateralização no uso das mãos em primatas humanos e não humanos mostram que os hormônios sexuais participam no processo de estabilização da preferência manual que parece ocorrer a partir da puberdade e se mantém na idade adulta. O objetivo deste estudo foi investigar emCallithrix jacchus machos adultos se a estabilização da força da preferência manual, independentemente da direção (efeito organizacional), é influenciada pela variação dos andrógenos (efeito ativacional). O uso preferencial de uma ds mãos foi estudado em 14animais em dois contextos: (1) uso espontâneo das mãos em pegar o alimento; (2) durante o uso forçado de uma das mãos para alcançar o alimento com restrição produzida pelo uso de anteparo com um orifício central que permitia o uso de apenas uma das mãos. Os registros foram realizados durante a fase basal em 5 sessões/20 registros cada para as duas atividades na fase basal (n=100) e após dois tratamentos: (a) uso de 100µg do antagonista do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), Cetrotide – acetate of cetrorrelix (Baxter Oncology GmbH, Germany) (n=10) em dose única, em 10 animais; (2) uso de 0,2 mg do GnRH (Sigma – Aldrich) (n= 8; 4 deles receberam o antagonista entre 6-8 meses antes), nos dias 1, 2, 7, 15 e 30 dias/20 registros em cada, totalizando 100 episodes para cada contexto após os tratamentos. A partir destes registros foi calculado o índice de lateralização absoluto em relação apenas a força e o índice do desvio de lateralidade para direita ou esquerda. A coleta de fezes para dosagem dos andrógenos fecais foi realizada durante os dias de coleta dos registros de uso da mão na fase basal e após os dois tratamentos. A análise estatística utilizou o modelo de efeitos mistos e o teste de Tukey para comparar as diferenças entre as médias dos dois tratamentos, e o teste de Levene de variância das médias, todos para o p-valor de < 0,05. Na fase basal 6 animais usaram preferencialmente a mão direita, 5 a esquerda e 3 se mostraram ambidestros. As médias dos índices de lateralização da fase basal diferiram daquelas após os tratamentos, a partir do dia 7. A variância das médias dos índices de lateralização antes e após a aplicação dos tratamentos para a atividade espontânea e a forçada não apresentaram diferenças significativas, mas o tratamento com o GnRH aumentou significativamente o índice em relação ao tratamento com o seu antagonista. Estes resultados sugerem que os andrógenos possuem um efeito ativacional sobre a preferência manual em machos adultos de C. jacchus.

Teses
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  • BRUNO DA SILVA BRANDÃO GONÇALVES
  • Estudo da Organização Funcional do Sistema Circadiano por meio de ferramentas computacionais e matemáticas

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 03/04/2013
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  • Os ritmos circadianos são variações em processos fisiológicos que auxiliam os seres vivos na adaptação aos ciclos ambientais. Esses ritmos são gerados e se sincronizam ao ciclo claro escuro por meio do núcleo supraquiasmático. A integridade da ritmicidade circadiana tem grande implicação na saúde dos seres humanos. Atualmente sabe-se que distúrbios nos ritmos circadianos estão relacionados com alguns problemas da atualidade como a obesidade, propensão a determinados tipos de câncer e transtornos mentais por exemplo. A ritmicidade circadiana pode ser estudada por meio de experimentos com modelos animais e diretamente nos seres humanos. Nesse trabalho utilizamos modelos computacionais para reunir resultados experimentais da literatura e explicar resultados de nosso laboratório. Outro foco desse trabalho foi na análise de dados de ritmos de atividade e repouso obtidos experimentalmente.  Os nossos modelos foram capazes de reproduzir os principais resultados experimentais da literatura e nos forneceram explicações para resultados de experimentos realizados em nosso laboratório. As novas variáveis utilizadas para analisar o ritmo de atividade e repouso em humanos se mostraram mais eficiente para descrever a fragmentação e sincronização desse ritmo. Assim esse trabalho contribuiu aperfeiçoando as ferramentas existentes para o estudo da ritmicidade circadiana nos mamíferos.

     

     

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  • FRANCISCO GILBERTO OLIVEIRA
  • Aspectos anatômicos do olho e neuroquímicos da retina do mocó (kerodon rupestris).

  • Orientador : MIRIAM STELA MARIS DE OLIVEIRA COSTA
  • Data: 24/05/2013
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  • O sistema visual de vertebrados, cujo componente periférico é representado pelo olho, constitui um importante elo entre o animal e o ambiente, refletindo profundas influências dos hábitos e estilos de vida nos mais diversos habitats. O sistema sensorial do olho é representado pela retina, em cujas camadas são encontradas, da superfície externa para o interior do globo ocular, as células fotorreceptoras (de cones e de bastonetes), as células bipolares e as células ganglionares, cujos axônios formam o nervo óptico. Outros tipos celulares, como as células horizontais e amácrinas, têm um papel importante na fisiologia da retina, uma vez que atuam modificando as conexões entre as células principais. O mocó (Kerodon rupestris) é um roedor característico do Nordeste Brasileiro, exibe hábito crepuscular e está sendo utilizado como um modelo animal para pesquisas neuranatômicas nos grupos de pesquisa “Laboratório de Cronobiologia” e “Neuroanatomia Funcional e Evolutiva” da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Neste modelo animal, nós estudamos as características anatômicas do olho, assim como os aspectos citoarquitetônicos e neuroquímicos da retina. Para isto, os animais foram anestesiados com injeções intramusculares de cloridrato de tramadol, como indutor, seguido de cloridrato de ketamina e xilazina, e então perfundidos transcardiacamente com solução salina fisiológica heparinizada, seguida de solução de paraformaldeído a 4% em tampão fosfato 0,1 M, pH 7,4. Para o exame macroscópico, os olhos foram enucleados antes do procedimento fixativo, congelados por imersão em metanol com gelo seco, seccionados em um micrótomo de deslizamento, e fotografados em diversos níveis. Foram tomadas as seguintes medidas: diâmetros axial (anteroposterior) e transversal do globo ocular, distância córnea-superfície anterior da lente, diâmetro anteroposterior da lente e espaço retrolenticular. Alguns olhos foram imersos em fixativo de Bouin, desidratados em etanol, incluídos em parafina e seccionados transversalmente e então corados com Hematoxilina/Eosina objetivando investigar a citoarquitetura da retina. As retinas de outros animais foram dissecadas na montagem plana e submetidas a procedimentos imunoistoquímicos para caracterizar a população total de células ganglionares, utilizando o anticorpo policlonal contra beta-tubulina III, a subpopulação de células amácrinas/interplexiformes dopaminérgicas, as células horizontais imunorreativas a calbindina e uma população de células bipolares expressando a proteína quinase C alfa. Algumas preparações planas foram processadas por imunoistoquímica para visualizar a população de bastonetes, usando um anticorpo anti-rodopsina, assim como cones sensíveis aos comprimentos de onda médio-longo (verde-vermelho) e curto (azul), usando anticorpos específicos. Outras retinas foram seccionadas em criostato, os cortes coletados em lâminas e submetidos a imunoistoquímica com marcadores para os diversos tipos celulares, para analisar os níveis de estratificação dessas células nas camadas celulares e plexiformes da retina. 

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  • FELIPE NALON CASTRO
  • Percepção do mercado romântico e influência do contexto nas preferências românticas entre universitários

  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 29/05/2013
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  • Homens e mulheres expressam preferências diferentes para parceiros românticos ideais. Em adição ao sexo dos indivíduos, essas preferências parecem variar com o nível de envolvimento e investimento esperado para o relacionamento, bem como com relação as percepções que as pessoas têm sobre elas mesmas. O atual trabalho foi desenvolvido para expandir os achados relacionados a este tema, investigando a percepção de mercado para relacionamentos românticos e o efeito do contexto na autopercepção e preferências por parceiros românticos. Para esse propósito, 753 estudantes universitários foram arrolados e participaram de pelo menos um dos quatro estudos que constituíram esta pesquisa, realizando a avaliação de descrições específicas de sujeitos-estímulo. Os estudos um e dois abordaram amostras brasileiras e americanas para respectivamente descrever as expectativas femininas e masculinas quanto ao mercado de relacionamentos românticos humano. Foi observado que indivíduos de ambos os sexos esperam que os casais possuam traços semelhantes, que cada traço não é avaliado de forma independente - um traço afeta o valor dos outros e, além das predisposições biológicas, fatores como as limitações do ambiente local e valores culturais também parecem afetar as expectativas românticas. Os contrastes entre as amostras mostrou que os americanos valorizaram a atratividade física e o status social ao descrever sujeitos do mesmo sexo e seus esperados parceiros, enquanto os brasileiros valorizaram habilidades sociais. Outra expectativa também foi identificada para ambos os sexos: espera-se que mulheres fisicamente atraentes e homens com alto status estejam pareados. O estudo três abordou as expectativas masculinas e femininas sobre quais características são as mais relevantes para garantir parceiros desejáveis para indivíduos do mesmo sexo. Os resultados mostraram que homens e mulheres podem ser agrupados juntos por possuir expectativas similares. Entretanto, o grupo majoritariamente composto por homens considerou as características de status como os atributos mais importantes, enquanto os grupos constituídos majoritariamente por mulheres indicaram que as habilidades sociais ou as características físicas como mais importantes para a atração de um parceiro desejável. Por fim, o estudo quatro investigou o efeito da comparação social na autopercepção e nas preferências românticas, revelando que os indivíduos estavam cientes dos atributos valorizados pelo sexo oposto e que a autopercepção foi afetada pelos atributos das outras pessoas. Nenhum efeito da comparação social nas preferências românticas foi observado. Em suma, este trabalho evidenciou que os relacionamentos românticos podem ser interpretados como um mercado biológico e que o valor o dos atributos no mercado dos relacionamentos românticos está associado com a relevância reprodutiva das características.

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  • ROVENA CLARA GALVAO JANUARIO ENGELBERTH
  • EFEITOS DA SENESCÊNCIA NO NÚCLEO SUPRAQUIASMÁTICO DO SAGUI (Callithrix jacchus): PLASTICIDADE MORFOLÓGICA E NEUROQUÍMICA.

  • Orientador : JEFERSON DE SOUZA CAVALCANTE
  • Data: 21/06/2013
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  • O sistema de temporização circadiana (STC) é responsável pela geração e sincronização dos ritmos circadianos e o núcleo supraquiasmático (NSQ) do hipotálamo tem sido descrito como o principal marca-passo circadiano em diversas espécies de mamíferos. A organização temporal interna comandada pelo NSQ é perturbada com o avanço da idade trazendo inúmeros transtornos patológicos que vão desde a perda do desempenho cognitivo complexo a funções fisiológicas simples. Portanto, nosso objetivo foi fazer um estudo comparativo dos aspectos morfológicos e da composição neuroquímica no NSQ de saguis (Callithrix jacchus) adultos e idosos através de técnicas imunoistoquímica. Encontramos modificações morfométricas e neuroquímicas no NSQ de animais idosos quando comparado aos adultos, dentre essas uma possível diminuição da projeção da retina ao NSQ de animais idosos, encontrada através da diminuição na imunomarcação a CTB, que pode ocorrer devido uma atrofia e/ou diminuição nas fibras provenientes do tracto retinohipotalâmico (TRH). A técnica histológica de Klüver-Barrera sugere realmente haver uma diminuição dessas fibras que do TRH. Também é visto, através de um estudo morfométrico, diminuição e atrofia no número de neurônios do NSQ de animais idosos, investigados por meio da técnica de Nissl, imunomarcação a NeUN e a calbindina. Análises por densidade óptica relativa (DOR) auxiliaram na avaliação da expressão de alguns componentes neuroquímicos do NSQ, como a expressão de GFAP, que foi aumentada em idosos, dado que indiretamente reforça estar ocorrendo alterações morfológicas decorrentes do envelhecimento; o polipetídeo intestinal vasoativo (VIP) que não mostrou alteração na sua expressão no NSQ de aniamis idosos, a serotonina (5-HT) que se mostrou diminuída na porção dorsomedial do NSQ, e o neuropeptídeo Y que aparentemente também diminuiu sua expressão em decorrência do aumento da idade. Várias dessas modificações foram vistas em outros animais roedores, primatas humanos e não humanos, o sagui vem adicionar novas informações sobre o efeito do envelhecimento nas estruturas responsáveis pela ritmicidade circadiana e que algumas alterações comportamentais comandadas pelo STC e vistas em animais idosos podem ser provocadas por essas mudanças morfológicas e neuroquímicas. Embora alguns resultados tenham sido quantitativamente negativos, qualitativamente todas as análises mostram substâncial mudança ao se comparar animais adultos e idosos, talvez em decorrência de um baixo número de amostragem. Em conclusão, o sagui mostra inúmeras alterações morfológicas e neuroquímicas no NSQ de animais idosos quando comparado aos adultos, o que podem resultar em alterações comportamentais que favorecem patologias  relacionadas ao envelhecimento.

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  • BRUNA DEL VECHIO KOIKE
  • "Avaliação comportamental e neuroquímica de ratos sob dessincronização forçada: possíveis implicações para um modelo de oscilações do humor".

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 05/07/2013
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  • Os indivíduos com Transtorno Bipolar apresentam alterações no sistema de temporização circadiano, mostrando deslocamento de fase em diversas variáveis fisiológicas. Muitos argumentos demonstram que alterações nos ritmos circadianos podem ser parte da fisiopatologia do transtorno bipolar. Dada a necessidade de maior elucidação sobre a fisiopatologia da doença, o objetivo deste trabalho foi a validação do protocolo de dessincronização forçada como modelo animal para o transtorno bipolar. Para isso, submetemos ratos Wistar ao protocolo de dessincronização forçada que consiste num ciclo de claro/escuro simétrico de 22h. Sob este protocolo, os ratos dissociam o ritmo da atividade locomotora em dois componentes rítmicos: um sincronizado ao ciclo claro/escuro imposto de 22h; e outro componente com período maior que 24h que segue o período endógeno do animal. Como esses ritmos possuem períodos diferentes acabam coincidindo em alguns momentos, o que nomeamos de CAP (do inglês coincidence active phase) e a fase oposta, de não coincidência, chamamos de NCAP (do inglês non-concidence active phase). A hipótese é que em CAP os animais apresentassem um comportamento semelhante aos indivíduos bipolares em estado de mania e os animais em NCAP, sintomas semelhantes aos indivíduos na fase depressiva. Encontramos algumas evidências que estão descritas detalhadamente ao longo desta tese. Em resumo dos dados comportamentais temos que os animais em dessincronização forçada mostram-se mais estressados, com a atividade exploratória reduzida e avaliação de risco prejudicada. Os animais no momento CAP são menos depressivos e apresentam maior atividade locomotora concentrada na fase escura. Enquanto os animais em NCAP apresentam maior ansiedade, mas não apresentam anedonia. Através dos testes farmacológicos vimos que a dessincronização foi abolida, mas não foi possível mensurar se a atividade dos animais volta aos níveis basais. Encontramos que os animais dissociados apresentam maior número de células marcadas para o receptor serotoninérgico 5HT1A na região da amígdala, supostamente indicando que há uma maior inibição da amígdala nestes animais. Tomando os dados em conjunto, conseguimos validar parcialmente o protocolo de dessincronização forçada como modelo animal para oscilações do humor.

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  • HINDIAEL AERAF BELCHIOR
  • OSCILAÇÕES TETA NO HIPOCAMPO DO RATO DURANTE TAREFA DE TOMADA DE DECISÃO ESPACIAL.

  • Orientador : SIDARTA TOLLENDAL GOMES RIBEIRO
  • Data: 28/08/2013
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  • O hipocampo é uma estrutura essencial para o processamento de memórias espaciais e episódicas. Evidências recentes têm sugerido que aumentos de amplitude nas oscilações Teta (5-12 Hz) refletem a participação do hipocampo na execução de tarefas de tomada de decisão. Com o objetivo de investigar a função da oscilação Teta hipocampal em processos de decisão espacial, registrei o potencial de campo da região CA1 dorsal do hipocampo do rato durante a execução de uma tarefa de escolha em labirinto radial de quatro braços. Observei que animais treinados apresentam aumento significativo das oscilações Teta durante a decisão, diferentemente de animais não treinados. Os resultados mostram que o aumento da potência de Teta durante a decisão está relacionado ao desempenho dos animais na tarefa, e sugerem que o ritmo Teta hipocampal reflete a evocação de memórias associada à decisão. Além disso, a potência de Teta foi significativamente maior durante decisões corretas que durante decisões incorretas. Esses resultados não estão associados a diferenças de atividade locomotora. Finalmente, verifiquei que é possível utilizar a potência das oscilações Teta para predizer decisões corretas e incorretas em cada tentativa. Em conjunto, os resultados apoiam uma função mnemônica das oscilações Teta em tarefas de tomada de decisão espacial.

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  • RUTHNALDO RODRIGUES MELO DE LIMA
  • CARACTERIZAÇÃO FUNCIONAL E HODOLÓGICA DO NÚCLEO PRÉ-GENICULADO DO TÁLAMO DO SAGUI (Callithrix jacchus)

  • Orientador : JEFERSON DE SOUZA CAVALCANTE
  • Data: 30/08/2013
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  • Em mamíferos, o sistema de temporização circadiana (STC) é responsável pela geração e sincronização dos ritmos circadianos que são oscilações endógenas manifestadas pelos seres vivos para a maioria das funções e comportamentos, com período em torno de 24 horas. Nesses animais, o núcleo supraquiasmático do hipotálamo (NSQ) e o folheto intergeniculado do tálamo (FIG) são os principais componentes desse sistema. O NSQ tem sido descrito como o principal marca-passo circadiano em diversas espécies, uma vez que a lesão dessa estrutura deixa o animal arrítmico para um conjunto de funções circadianas. O NSQ recebe projeção bilateral da retina, conhecida como tracto retino-hipotalâmico (TRH). O TRH constitui a principal via de sincronização ao ciclo claro-escuro ambiental. A lesão dessas fibras priva o NSQ de tal informação e leva o animal a entrar em livre-curso. O controle da atividade do NSQ está sob influência de uma ampla rede neural proveniente de várias regiões do sistema nervoso, sendo essa diversidade observada tanto do ponto de vista da localização quanto da função da região que fornece a aferência. Em roedores, o FIG constitui umas das mais importantes aferências do NSQ e tal projeção é denominada de tracto genículo-hipotalâmico (TGH). Embora não esteja envolvido diretamente com a sincronização o FIG tem uma grande importância para a modulação dos ritmos circadianos, como sugerido por estudos farmacológicos ou combinados com estudos de lesão. Ele recebe terminais retinianos e parece estar envolvido na integração de informações fóticas e não-fóticas retransmitindo-as ao NSQ, via TGH. O processamento de estímulos não-fóticos é essencialmente realizado por neurônios imunorreativos ao neuropeptídeo Y (NPY). Anticorpos contra NPY são bastante utilizados para se delimitar anatomicamente o FIG de roedores. Em primatas, diversos estudos neuroquímicos e de projeção retiniana apontam para o núcleo pré-geniculado do tálamo (NPG) como possível estrutura homóloga ao FIG. Já foram identificados terminais retinianos e a presença de neurônios NPY-positivos em sua camada mais interna. Uma característica fundamental a ser investigada é se esse grupo celular emite projeções ao NSQ e responde a estímulos não-fóticos. Assim, avaliando a expressão de FOS após estímulos específicos e realizando técnicas com traçadores neurais, pretendemos averiguar se o NPG ou parte dele corresponde ao FIG dos roedores. Como modelo experimental, utilizaremos uma espécie de primata do novo mundo, típica do nordeste brasileiro, conhecido popularmente como sagui (Callithrix jacchus).

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  • RODRIGO PEGADO DE ABREU FREITAS
  • INTERAÇÕES FÍSICAS E PSICOSSOCIAIS EM MULHERES COM FIBROMIALGIA

  • Orientador : MARIA BERNARDETE CORDEIRO DE SOUSA
  • Data: 20/09/2013
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  • A fibromialgia (FM) é uma síndrome reumática não inflamatória, de etiologia desconhecida, apresentando sintomas de dor musculoesquelética difusa e presença de sítios anatômicos específicos dolorosos à palpação, denominados tender points. Dentre os sintomas frequentemente associados estão fadiga, distúrbios do sono, rigidez matinal, alterações na percepção da dor, ansiedade e depressão. Existe na FM uma correlação entre os sintomas físicos e comportamentais que influenciam negativamente na qualidade de vida dos pacientes. As habilidades emocionais aparecem como fatores importantes por estarem relacionadas com o mecanismo de bem estar subjetivo pessoal, produtividade, interação social e de relacionamento interpessoal. Nesse estudo objetivou-se descrever as interações psicossociais, estados de humor e sensibilidade dolorosa em mulheres com FM apresentando possíveis associações entre a percepção de apoio social e afetividade com os sintomas de dor, funcionalidade, ansiedade e depressão. Objetivo-se também, descrever a representação corporal virtual da dor em mulheres com FM. Através de um estudo exploratório descritivo transversal, foi composta uma amostra de conveniência de 63 mulheres com FM e 42 mulheres saudáveis como grupo controle (CT), com faixa etária de 20 a 76 anos, recrutadas mediante demanda espontânea no setor de Fisioterapia do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) da UFRN e na Clínica Escola de Fisioterapia da Universidade Potiguar (UNP). Foi aplicado o Questionário de Impacto da Fibromialgia (FIQ), Inventário de Depressão de Beck (IDB), Escala de Apoio Social (MOS), Escala de Ansiedade de Hamilton e Escala de Afeto Positivo e Negativo (PANAS). A seguir foi realizada a avaliação da dor através da algometria de pressão. Para a análise dos dados, foram utilizados testes paramétricos e não paramétricos e de análise de variância. Foi encontrada diferença significativa quanto ao limiar e tolerância à dor, funcionalidade, depressão, ansiedade, apoio social e afetividade positiva e negativa. Os estados afetivos e o apoio social apresentaram associação com ansiedade, depressão e funcionalidade. A representação corporal da dor apresentou maior sensibilidade nos músculos trapézio e supraespinhal e na região da segunda costela. A razão de se estudar a FM integrando os aspectos sensoriais, psicoafetivos e sociais ampliam os horizontes para investigação científica e clínica dessa síndrome. Mulheres com FM apresentam estados de humor e sensibilidade à dor alterados, percepção de menor apoio social e expressam disfunções de afetividade.

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  • FERNANDO ROBERTO FERREIRA DA SILVA
  • Efeitos dos esteroides anabólicos androgênicos sobre a memória de ratos

     

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 04/11/2013
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  • A utilização e a busca por substâncias que aumentem a masculinidade, a força e a potência não é recente. Com o tempo, essa busca auxiliou no direcionamento de pesquisas na área, levando a descoberta do principal hormônio masculino – a testosterona. A partir desse momento, inúmeros compostos foram sintetizados com o intuito de mimetizar os efeitos deste hormônio, aos quais hoje chamamos genericamente de Esteroides Anabólicos Androgênicos (EAA). A princípio, esses EAA foram sendo produzidos com propósitos terapêuticos. No entanto, iniciou-se o uso crescente desses compostos com outras finalidades, principalmente para a melhoria de desempenho em atletas. Além disso, estudos recentes tem demonstrado que os EAA estão sendo cada vez mais utilizados por não atletas, por indivíduos que buscam um corpo esteticamente perfeito. Paralelamente, o crescente abuso dos EAA com finalidades não clínicas pode promover uma série de alterações fisiológicas, tais como problemas cardíacos, hepáticos, respiratórios e também psicológicos como alterações de humor, nos níveis de ansiedade e na agressividade. A exposição a doses suprafisiológicas de EAA está associada com alterações comportamentais, contudo, pouco se sabe sobre os efeitos dos EAAs sobre as funções cognitivas. Neste trabalho, mimetizamos o abuso de EAA em humanos com a administração intramuscular de uma dose suprafisiológica de propionato de testosterona (PT), em ratos, com o objetivo de investigar os efeitos desse tratamento sobre diferentes aspectos das funções cognitivas, especialmente aprendizado, memória e ansiedade. Ratos Wistar machos adultos foram submetidos aos testes de alternação espontânea, reconhecimento de objetos e esquiva discriminativa em labirinto em cruz elevado. O grupo controle recebeu injeções intramusculares de óleo vegetal (veículo); e o grupo testosterona, que recebeu injeções de PT (10 mg/kg, i.m.). As injeções foram administradas por 40 dias, com intervalos de 48 horas (tratamento crônico) ou em uma única injeção (tratamento agudo). Além das avaliações comportamentais, foram realizadas análises bioquímicas como indicadores dos efeitos neuroendócrinos do tratamento. Nossos resultados mostram que o tratamento crônico com uma dose suprafisiológica de PT acarretou prejuízos na memória de reconhecimento de objetos novos e na evocação da tarefa da esquiva discriminativa.  A memória espacial operacional (avaliada pelo teste de alternação espontânea) não foi afetada bem como não observamos alterações nos níveis de ansiedade. Em relação aos parâmetros bioquímicos avaliados, o tratamento crônico elevou os níveis séricos da transaminase glutâmica pirúvica (TGP), um indicador que houveram lesões hepáticas e pancreáticas assim como as observadas após o uso crônico dessas substâncias em humanos. Por outro lado, o tratamento agudo com PT não promoveu alteração significativa em nenhum dos parâmetros avaliados, quando comparados ao grupo controle. Em síntese, podemos concluir que o tratamento crônico com uma dose suprafisiológica de testosterona produz déficits de memória de reconhecimento de objetos bem como déficits na evocação da memória na tarefa da esquiva discriminativa em ratos machos adultos.

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  • DANIELE BEZERRA DOS SANTOS
  • COMPORTAMENTO DO CAMARÃO DE ÁGUA DOCE Macrobrachium rosenbergii (De Man, 1879) EM CULTIVOS MISTO E MONOSSEXO.


  • Orientador : MARIA DE FATIMA ARRUDA DE MIRANDA
  • Data: 23/12/2013
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  • O entendimento das atividades comportamentais de camarões de água doce em cativeiro é de suma importância para a indicação de caminhos adequados para o manejo da espécie. O camarão Macrobrachium rosenbergii é atualmente no Brasil a espécie mais utilizada na carcinicultura de água doce devido ao seu alto potencial para cultivo e boa aceitação no mercado. Assim, o presente estudo objetivou descrever e caracterizar as atividades comportamentais de M. rosenbergii em populações mistas e monosexo (macho e fêmeas) (manuscrito 1, 2 e 3), bem como avaliar o desempenho zootécnico desta espécie em condicões de restrição de alimento e em diferentes tipos de manejo alimentar (manuscrito 4 e 5, respectivamente). Camarões juvenis e adultos foram coletados de viveiros da Estação de Aquicultura da Unidade Especializada em Ciências Agrárias - Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Macaíba/RN e, em seguida, transferidos para o laboratório de Estudos do Comportamento do Camarão (LECC), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Para cada tratamento, foram utilizados oito aquários de 250 L (50 cm x 50 cm x 100 cm), em sistema fechado de recirculação de água com iluminação artificial, aeração constante, filtração contínua através de filtro bioquímico e filtro biológico (filtro Canister), e areia fina como substrato. A qualidade da água foi monitorada diariamente. O laboratório era composto por duas salas com sistema de iluminação artificial, controlado por um temporizador horário (timer), com ciclo claro/escuro de 12:12 h. No manuscrito 1 foram apresentadas as categorias comportamentais da espécie através de um etograma que descreveu 31 comportamentos, subdivididos em comportamentos gerais e agonísticos. O manuscrito 2 comparou em laboratório a variação das atividades comportamentais dos camarões em populações monossexo e mista ao longo de 24 horas. Nos três tipos de cultivo (misto, monosexo macho e monosexo fêmea), durante a fase de claro e de escuro, os camarões exibiram maior ocorrência do comportamento de limpeza. O manuscrito 3 analisou o efeito da coloração do abrigo sobre a frequência de ocupação e das atividades comportamentais de camarões em cultivos misto, monosexo macho e monosexo fêmea ao longo de 24 horas. Foi observado que os camarões M. rosenbergii se entocam mais na fase de claro do dia, em populações monosexo macho e mista; também, apresentam uma tendência a preferência por abrigo de cor preta. Em cultivo monosexo fêmea, houve uma tendência pela utilização de abrigos de cores vermelha e laranja. No manuscrito 4, avaliamos em laboratório as atividades comportamentais e o desempenho zootécnico de camarões juvenis submetidos a período de restrição alimentar. Observamos que a restrição alimentar leve pode ser utilizada desde que não haja prejuízo com relação ao crescimento dos animais e que, o manejo alimentar praticado em dias alternados, quando comparado ao manejo diário, pode levar a uma economia em termos de custos com mão de obra e uma redução na quantidade de ração utilizada. O manuscrito 5 avaliou o comportamento dos camarões em populações mista e monosexo, bem como a latência de chegada ao alimento em função da oferta alimentar (bandeja ou lanço). Nossos resultados indicam que os animais se adaptam bem à oferta do alimento tanto a lanço quanto em bandeja, mas gastam mais tempo para ter o acesso ao alimento (ração) quando este é ofertado em bandejas (comedouros). Comparando os tipos de cultivo (mistos, monosexo macho e monosexo fêmeas), a latência de chegada ao alimento foi menor para o tratamento monosexo fêmea.


2012
Dissertações
1
  • RITA DE CÁSSIA DE CARLI
  • Caracterização da frequência de atividades aéreas do golfinho-rotador, Stenella  longirostris (Gray, 1828), na Baía dos Golfinhos do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha

  • Data: 22/03/2012
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  • Caracterização da frequência de atividades aéreas do golfinho-rotador, Stenella  longirostris (Gray, 1828), na Baía dos Golfinhos do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha

2
  • JENIFFER DA CÂMARA MEDEIROS
  • Ritmo de atividade de forrageio de Dinoponera quadriceps em ambiente natural

  • Orientador : ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
  • Data: 27/03/2012
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  • Ritmo de atividade de forrageio de Dinoponera quadriceps em ambiente natural

3
  • RAFAELA COBUCI CERQUEIRA
  • O papel das relações sociais e da atenção social durante tarefas 
    cooperativas em Callithrix jacchus

  • Orientador : RENATA GONCALVES FERREIRA
  • Data: 30/03/2012
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  • O papel das relações sociais e da atenção social durante tarefas 
    cooperativas em Callithrix jacchus

4
  • ARTHUR SÉRGIO CAVALCANTI DE FRANÇA
  • ALTERAÇÕES DO CICLO SONO-VIGÍLIA MODULADAS POR

     

    DOPAMINA E SUAS CONSEQUENCIAS MNEMÔNICAS

  • Orientador : SIDARTA TOLLENDAL GOMES RIBEIRO
  • Data: 09/04/2012
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  • As descobertas da neurociência estão em franca ascensão. A sua grande
    interdisciplinaridade facilita uma abordagem mais complexa do cérebro, abrangendo
    com profundidade diversas áreas. No entanto, muitos fenômenos que fascinam a
    humanidade estão longe de ser completamente elucidados; nesse contexto se encontra
    a relação entre a consolidação das memórias e o sono. Nesse trabalho investigamos o
    papel de parte do sistema dopaminérgico no processo de consolidação de memórias e
    na modulação das fases do ciclo sono-vigília. Utilizamos dois grupos de animais:
    camundongos selvagens e camundongos hiperdopaminérgicos, heterozigotos para o
    gene que codifica a proteína transportadora de dopamina. Observamos em
    camundongos selvagens que o bloqueio parcial dos receptores dopaminérgicos da
    família D2 pela droga haloperidol provocou déficits na consolidação da memória de
    reconhecimento de objetos, bem como uma redução significativa do tempo de
    duração do sono de movimento rápido dos olhos (MRO). Observamos também um
    déficit, sem intervenção farmacológica, em animais hiperdopaminérgicos; tal déficit
    foi revertido com a droga haloperidol. Os resultados indicam que a dopamina
    desempenha um papel importante no processo de consolidação de memórias de
    reconhecimento de objetos. Os dados também corroboram uma relação funcional
    entre o sistema dopaminérgico e a modulação da fase do sono MRO.

5
  • DANIELA MARIA DE SOUSA MOURA
  • Proposta de Intervenção para auxiliar a reabilitaçao motora e cognitiva de pacientes após o acidente vascular cerebral

  • Orientador : ANTONIO PEREIRA JUNIOR
  • Data: 18/04/2012
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  • Proposta de Intervenção para auxiliar a reabilitaçao motora e cognitiva de pacientes após o acidente vascular cerebral

6
  • YWLLIANE DA SILVA RODRIGUES MEURER
  • Participação do circuito dopaminérgico nas alterações do comportamento de medo inato de camundongos infectados pelo Toxoplasma gondii.

  • Orientador : ANTONIO PEREIRA JUNIOR
  • Data: 26/04/2012
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  • O Toxoplasma gondii é um protozoário parasito intracelular obrigatório de alta prevalência no Brasil (até 80%, dependendo da região) e importante causador de doenças em humanos e animais domésticos. Diversos resultados sugerem que este parasito pode manipular o comportamento de seus hospedeiros intermediários, incluindo humanos. Por exemplo, ratos e camundongos infectados cronicamente com o T. gondii apresentam perda seletiva da aversão inata ao odor de felídeos, os hospedeiros definitivos do parasito. Especula-se que esta mudança comportamental seja uma adaptação do parasito para aumentar sua transmissibilidade. Os mecanismos proximais responsáveis por este comportamento ainda não foram elucidados, mas sabe-se que o T. gondii apresenta um tropismo preferencial por algumas regiões do sistema nervoso central, como: hipocampo, gânglios basais e amígdala. Quais são, exatamente, as modificações seletivas induzidas pelo T. gondii nos circuitos responsáveis pelo medo inato aos felídeos. Nossa proposta é avaliar o perfil neuroquímico das regiões cerebrais envolvidas no processamento de medo aversivo em camundongos albinos machos da linhagem Swiss Webster. Avaliamos inicialmente a imunoreatividade contra a enzima tirosina hidroxilase (TH) e a atividade da enzima NADPH-diaforase na substantia nigra do cérebro de camundongos infectados. Camundongos machos da linhagem Swiss Webster (Mus musculus) receberam por gavagem 10 cistos contendo bradizoítos da cepa Me-49 do Toxoplasma gondii. Os cérebros destes camundongos foram removidos após eutanásia por decapitação após os períodos de 30 e 60 dias de inoculação. A análise das secções mostrou uma marcação reduzida para as enzimas NADPH-diaforase e TH na substantia nigra dos animais infectados quando comparados com os animais controle.  Estes resultados indicam que a presença do T. gondii modifica o metabolismo na região da substância negra, modulando para baixo os níveis de óxido nítrico (NO) e dopamina. A redução localizada de NO pode fazer parte da estratégia de evasão das defesas do hospedeiro pelo parasito enquanto a redução de dopamina na substantia nigra pode estar associada com a manipulação comportamental do hospedeiro intermediário.

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  • ALESSANDRA MARESSA LESSA SANTIAGO
  • Relações sociais em Callithrix jacchus machos: competição ou cooperação?
  • Orientador : ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
  • Data: 27/04/2012
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  • Os Callithrichideos possuem como característica a flexibilidade quanto ao seu sistema
    de acasalamento, podendo ser monogâmicos, poliândricos ou poligínicos. Esta
    flexibilidade vem levantando questionamentos sobre os mecanismos pelos quais os
    machos de Callithrix. jacchus atingem a posição de reprodutor no grupo e como
    impedem a reprodução dos outros machos subordinados, já que aparentemente a
    competição (quando ela existe) ocorre com menos ferocidade por essa posição,
    diferentemente do que acontece com as fêmeas. Vários estudos têm demonstrado a
    importância do tipo de interação social de animais de um grupo e sua
    consangüinidade na distribuição de oportunidades reprodutivas e na organização
    social dos grupos, notando-se baixa incidência de agressão e maior cooperação entre
    os machos parentes que os sem relação de parentesco. O objetivo deste trabalho é
    avaliar se díades de machos de Callithrix Jacchus agem socialmente diferentes em
    função do parentesco. Serão formados 10 pares de machos, sendo 5 formados por
    animais não aparentados e 5 por irmãos gêmeos ou separados por apenas 1 geração. O
    experimento consistirá em 3 fases, cada uma com duração de 4 semanas e com coletas
    realizadas 3 vezes na semana. A primeira fase será a observação individual dos
    machos e fêmeas em suas gaiolas, a segunda fase será o pareamento dos machos e a
    terceira fase consistirá na introdução da fêmea por 45 minutos na gaiola em que se
    localizam os pares de machos. Em cada coleta serão feitas as observações
    comportamentais, com registro de comportamentos agonísticos, afiliativos e sexuais,
    e a coleta de fezes. As observações serão realizadas através da técnica amostragem de
    tempo focal ("focal time sampling") com duração de 15 min para cada indivíduo e
    registro instantâneo a cada minuto.

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  • RAQUEL DA SILVEIRA MAIA
  • Alteração cognitiva em ratos infectados cronicamente com parasito Toxoplasma gondii 

  • Orientador : ANTONIO PEREIRA JUNIOR
  • Data: 27/04/2012
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  • Alteração cognitiva em ratos infectados cronicamente com parasito Toxoplasma gondii 

9
  • VALERIA PALHETA DA SILVA
  • Efeito dos antipsicóticos clozapina e haloperidol na proliferação de Toxoplasma gondii em células embrionárias da retina

  • Orientador : ANTONIO PEREIRA JUNIOR
  • Data: 27/04/2012
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  • Efeito dos antipsicóticos clozapina e haloperidol na proliferação de Toxoplasma gondii em células embrionárias da retina

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  • LAILA DA SILVA ASTH FERNANDES
  • Avaliação dos efeitos do biperideno, diazepam e neuropeptídeos sobre a memória e ansiedade na tarefa do labirinto em T elevado em camundongos.

  • Orientador : ELAINE CRISTINA GAVIOLI
  • Data: 30/04/2012
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  • Avaliação dos efeitos do biperideno, diazepam e neuropeptídeos sobre a memória e ansiedade na tarefa do labirinto em T elevado em camundongos

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  • CATIANE KARINY DANTAS SOUZA
  • A percepção das informações das características da face infantil por adultos e crianças sob uma perspectiva evolucionista.

     

  • Orientador : MARIA EMILIA YAMAMOTO
  • Data: 18/05/2012
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  • As informações da face infantil eliciam atenção e sentimentos de cuidado parental, e modulam as interações entre adultos e crianças. Lorenz propôs que as respostas dos adultos às informações infantis são providas por um conjunto de características da face conhecidas pelo termo esquema infantil. Esse quando comparado ao padrão adulto na espécie humana apresenta a seguinte morfologia: olhos grandes em relação à cabeça; testa proeminente em relação ao tamanho da face; cabeça arredondada e grande em relação ao corpo; boca e nariz pequenos e bochechas arredondadas e salientes. Apesar de vários trabalhos enfatizarem as respostas positivas às faces infantis não achamos resultados consistentes sobre em qual período da infância os atributos físicos funcionam como marcadores de fofura da percepção dos indivíduos. Escrevemos dois artigos empíricos sobre a percepção de fofura das faces infantis por crianças e adultos, e a motivação de comportamentos afetivos e de cuidado direcionado às crianças-estímulo. Para isso, utilizamos 60 fotos das faces não manipuladas graficamente de diferentes crianças-estímulo de 4 a 9 anos de idade. Para os sujeitos experimentais adultos eram mostrados dez fotos-estímulo e para as crianças quatro fotos-estímulo por vez, num total de seis rodadas. Nossos resultados apontam que ambos os participantes julgaram de forma similar a fofura das faces infantis, e as características físicas marcadoras dessa percepção foi verificada apenas para as crianças-estímulo mais novas. O reconhecimento do esquema infantil por indivíduos de diferentes idades e gêneros confere a universalidade e potência dos atributos físicos infantis. Sob a perspectiva evolutiva a resposta à face infantil é significante por assegurar investimento parental e aloparental, e a sobrevivência das crianças.

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  • NATÁLIA BEZERRA DUTRA
  • A influência do feedback verbal na cooperação em crianças.

  • Orientador : MARIA EMILIA YAMAMOTO
  • Data: 28/05/2012
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  • Esta dissertação foi estruturada em formato de artigos e está dividida em dois artigos, um teórico e
    um empírico. O artigo teórico resume a abordagem evolucionista da cooperação humana, e explora
    as relações entre essa abordagem e o desenvolvimento da moralidade humana. As principais teorias
    para a evolução da cooperação são apresentadas: seleção de parentesco, reciprocidade direta,
    reciprocidade indireta, reciprocidade forte, seleção multinível e seleção cultural de grupo. São
    apresentadas evidências de mecanismos desenvolvidos em humanos e outros primatas que
    promovem a cooperação em indivíduos dessas espécies. A aversão à desigualdade e as preferências
    em relação aos outros parecem ser particularmente humanos, embora haja evidências em outras
    espécies. A partir de dados recentes sobre o desenvolvimento da moralidade humana, o artigo
    conclui que a moralidade é produto de tendências pró-sociais precoces, de habilidades cooperativas
    exibidas em diferentes idades e de aprendizagem social e transmissão cultural de normas. O artigo
    empírico descreve o estudo realizado durante o mestrado. O estudo investigou a influência do
    feedback verbal sobre o comportamento de crianças em um jogo de bens públicos. 407 crianças de
    escolas públicas de Natal/RN, divididas em 21 grupos, entre seis e onze anos, participaram de oito
    partidas desse jogo. Ao fim de cada partida, sete grupos receberam elogios pelas doações maiores,
    sete grupos foram criticados pelas doações menores, e os outros sete não receberam nenhum
    comentário. Crianças cooperaram mais em situações de crítica, sem diferenças significativas entre
    sexo, embora crianças mais jovens tenham cooperado mais em feedback negativo do que as
    crianças mais velhas. Os resultados provavelmente estão relacionados à expectativa e à esquiva de
    punição associada ao feedback (embora esta não ocorresse), e à maior sensibilidade à autoridade em
    crianças mais jovens. Apesar disso, a cooperação diminuiu em todos os grupos até o último dia de
    jogo. Os resultados apontam para uma sensibilidade precoce à punição moral, cuja papel na
    manutenção das relações sociais deve ter sido importante na evolução da cooperação na espécie
    humana.

13
  • PEDRO ZURVÂINO PALMEIRA MELO ROSA DE MORAES
  • Detecção de predadores por dicromatas e tricromatas humanos e a sua implicação na evolução da visão de cores em primatas.

  • Orientador : DANIEL MARQUES DE ALMEIDA PESSOA
  • Data: 29/05/2012
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  • Dentre os mamíferos placentários, os primatas são os únicos a apresentarem uma visão de cores tricromata. Contudo, a distribuição da tricromacia dentre os primatas não é homogênea: primatas do Velho Mundo apresentam uma tricromacia uniforme (com todos os indivíduos sendo tricromatas) e primatas do Novo Mundo apresentam um polimorfismo de visão de cores (com machos dicromatas e fêmeas dicromatas ou tricromatas). Estudos em ecologia visual têm investigado que pressões seletivas podem ter sido responsáveis pela evolução da tricromacia em primatas, divergindo do padrão dicromata encontrado nos demais mamíferos. Pistas associadas ao forrageio e ao contexto sócio-reprodutivo foram analisadas, indicando uma vantagem tricromata na detecção rápida de objetos visualmente conspícuos no ambiente. Entretanto, dicromatas são caracterizados pela captura eficiente de estímulos crípticos e camuflados. Estas vantagens relativas aos fenótipos podem ser responsáveis pela manutenção do polimorfismo visual em primatas do Novo Mundo e pelo alto índice de daltonismo em humanos (que pode chegar a 8% em homens caucasianos). Um importante fator que ainda não foi levado experimentalmente em conta é o risco de predação e o seu efeito na evolução da tricromacia em primatas. Para responder esta pergunta, nós preparamos e editamos fotografias de animais com pelagens distintas: gatos-do-mato (Leopardus spp.), puma (Puma concolor) e furão (Galictis cuja). Os exemplares estavam taxidermizados e as fotografias foram capturadas em três diferentes cenários de vegetação (mata fechada, cerrado e campo aberto). As imagens dos predadores foram manipuladas para que eles se encaixassem em duas categorias de tamanho de estímulo (pequenos ou grandes). Após a calibração das cores e edição das fotos, estas foram apresentadas a 40 humanos (20 dicromatas e 20 tricromatas) por um programa de computador, o qual apresentava um conjunto de quatro fotos por vez (uma foto contendo o animal taxidermizado em meio à vegetação de fundo e outras três contendo apenas a vegetação de fundo) e registrava a latência de resposta e a taxa de acerto dos sujeitos. Os resultados apontam uma vantagem tricromata na detecção de potenciais predadores. A detecção dos predadores foi influenciada pelo cenário de fundo, pelo tipo de predador, pela sua dimensão e pelo fenótipo visual do observador. Como os humanos apresentam uma elevada taxa de discromatopsias, quando comparados com populações selvagens de outros Catarrhini ou mesmo populações humanas tribais, é possível que o aumento no índice de dicromatas seja resultado de um relaxamento na pressão de detecção rápida de predadores. Uma vez que nossa espécie passou a viver em grupos mais coesos e resistentes aos ataques de predadores, com o advento da agropecuária e a formação de vilas, é possível que o menor risco de predação tenha relaxado a seleção a favor de tricromatas.

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  • MARÍLIA ABERO SÁ DE BARROS
  • Atividade de morcegos insetívoros (Mammalia, Chiroptera) no Pampa Brasileiro: uso de hábitat e sazonalidade.

  • Orientador : DANIEL MARQUES DE ALMEIDA PESSOA
  • Data: 30/05/2012
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  • Os morcegos correspondem a 20% dos mamíferos atuais e, com poucas exceções, apresentam ecolocalização, um sistema de orientação espacial a partir da emissão e análise de ecos de ondas sonoras, geralmente ultrassons. A ecolocalização foi descoberta na década de 1940 e a partir de 1970 detectores de ultrassons tornaram-se comercialmente disponíveis, permitindo a investigação de diversos aspectos sobre história natural e ecologia de morcegos. Monitoramentos acústicos tem sido frequentemente utilizados em estudos de uso de hábitat, principalmente na América do Norte e Europa, com a comparação entre diferentes locais quanto ao número de vezes em que morcegos são registrados. A presente dissertação apresenta a primeira avaliação de padrões espaciais e sazonais na atividade de quirópteros insetívoros do Brasil, realizada no bioma Pampa, Estado do Rio Grande do Sul. Uma vez que a atividade de morcegos pode variar de acordo com o hábitat, o período do ano e condições climáticas, foram testadas as seguintes hipóteses: 1. a atividade de morcegos é heterogênea entre diferentes tipos de hábitat; 2. a atividade apresenta variações sazonais; 3. a atividade é influenciada pela temperatura, umidade e velocidade do vento. As amostragens acústicas foram realizadas em transectos fixos de 1500 metros, monitorados mensalmente de abril de 2009 a março de 2010, que abrangeram cinco tipos de hábitat. Em cada amostragem, foram obtidos o número de registros de atividade com um detector de ultrassons Pettersson D230. No total, foram obtidos 1183 registros de atividade, sendo que os maiores níveis de atividade de quirópteros foram observados ao longo de árvores de eucaliptos de grande porte (1,93 registros/3 min) e de um canal (1,61 registros/3 min). Em segundo lugar, a borda de uma mata ciliar (0,94 registros/3 min) e a margem de um banhado (0,61 registros/3 min) apresentaram níveis equivalentes de atividade. As áreas de campo foram menos utilizadas. A atividade de quirópteros não apresentou correlação com os fatores abióticos. Porém, foi significativamente menor na estação mais fria, o inverno, e apresentou valores similares no outono, primavera e verão. A preferência por bordas de vegetação e cursos d´água coincide com o documentado para outros países e é atribuída principalmente à concentração de presas nestes tipos de ambiente. Do mesmo modo, a diminuição da atividade no inverno é provavelmente uma resposta à menor disponibilidade de insetos, além das baixas temperaturas. Nossos dados indicam que áreas de vegetação arbórea e cursos d´água são prioritárias para a conservação de morcegos e que alterações nestes tipos de hábitat tendem a influenciar negativamente a atividade de morcegos na região.

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  • TIAGO SOARES BORTOLINI
  • Filiação religiosa como um marcador de grupo em uma variação do jogo dos bens públicos e a influência da personalidade e espiritualidade na cooperação.

  • Orientador : MARIA EMILIA YAMAMOTO
  • Data: 01/06/2012
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  • Uma das hipóteses evolucionistas a respeito da manutenção da religião em populações humanas propõe que ela funcionaria como uma facilitadora da cooperação intra-grupo. Dessa forma, avaliamos se a filiação religiosa funcionaria como um marcador de grupo em uma variação do jogo dos bens públicos. Além disso, verificamos a influência da personalidade e espiritualidade no comportamento cooperativo do jogo. No total, a amostra foi composta por 527 estudantes universitários da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Além das questões socio-demográficas, escalas de personalidade e espiritualidade, os sujeitos participaram de um experimento em suas salas de aula. 237 indivíduos participaram do Jogo 1 e 290 do Jogo 2. O Jogo 1 consistia em quatro urnas (Católicos, Evangélicos, Outras religiões e Ateus) atrás de um biombo e cada participante ganhava cinco chocolates. Desses, dois deveriam ser doados obrigatoriamente para duas urnas diferentes e os três restantes poderiam ser doados para qualquer urna, de zero a três chocolates. Os chocolates não doados ficavam com os participantes. Esse procedimento era realizado por três rodadas e, ao final, o total de chocolates doado para cada urna retornava para os indivíduos pertencentes a cada grupo naquela turma (ex: os chocolates da urna "Católicos" era dividido entre aqueles que haviam se auto declarado Católicos). O Jogo 2 possuía o mesmo formato e condições, no entanto, os sujeitos eram informados que  ao final das três rodadas, os chocolates de cada urna seriam divididos entre indivíduos de cada grupo em uma outra turma. Participantes com e sem religião apresentaram uma doação total média similar nas três rodadas em ambos os jogos. No entanto, os indivíduos doaram mais para a urna do seu grupo, quando havia o retorno dos chocolates ao final, no Jogo 1, e no Jogo 2 apenas o grupo "Outras religiões" não doou mais para a urna representando o seu grupo. Uma análise de regressão não paramétrica indicou que a melhor variável preditora para a urna escolhida, em ambos os jogos foi a religião que o participante pertencia. Em relação ao total doado, uma análise de regressão linear hierárquica indicou que as melhores variáveis preditoras para o total doado nas três rodadas foram o tipo de jogo realizado e o fator de personalidade relacionado com comportamentos cooperativos. Esses resultados sugerem que a filiação religiosa pode funcionar como um marcador de grupo e mediar a cooperação, sem uma reciprocidade imediata. No entanto, em relação a quantidade de chocolates doados, o fato de haver ou não o retorno ao final do jogo e a personalidade dos indivíduos, parecem ser mais relevantes do que a prática ou filiação religiosa. Esses resultados corroboram a hipótese da religião como um facilitador da cooperação intra-grupo e acrescentam uma análise mais ampla ao controlar o total doado por outras variáveis além da filiação e prática religiosa.

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  • JULIA JENSEN DIDONET
  • Estudo dos efeitos comportamentais do Neuropeptídeo S em camundongos submetidos a modelos animais de Parkinson
  • Orientador : ELAINE CRISTINA GAVIOLI
  • Data: 29/06/2012
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  • O neuropeptídeo S (NPS) é um peptídeo composto por 20 aminoácidos. Este peptídeo foi recentemente reconhecido como o ligante endógeno de um receptor acoplado à proteína G, denominado de receptor NPS (NPSR). Estudos biológicos demonstraram que o NPS promove aumento do tempo de vigília, efeito hiperlocomotor e efeito do tipo ansiolítico em roedores. Apesar do robusto efeito hiperlocomotor resultante da administração de NPS, resultados contraditórios tem sido encontrados sobre os mecanismos que medeiam tal efeito, principalmente no que diz respeito ao neurotransmissor dopamina. Considerando a gravidade do Mal de Parkinson e as limitações dos fármacos empregados na clínica para o tratamento desta patologia, este estudo visa avaliar os efeitos da administração intracerebroventricular de neuropeptídeo S na locomoção e na coordenação motora de camundongos submetidos a modelos animais de Parkinson, tais como o modelo de Parkinson induzido por haloperidol e pela administração de 6-hidroxidopamina. MATERAIS E MÉTODOS: Serão utilizados camundongos machos e fêmeas Swiss. Para indução do Parkinson com haloperidol, os animais serão tratados com haloperidol (por via intraperitoneal) ou 6-hidroxidopamina (por via intracerebroventricular) e o comprometimento motor e locomotor será avaliado através dos testes de rota-rod, catalepsia e campo aberto. Depois de caracterizados, nas nossas condições experimentais, os danos induzidos pela administração de haloperidol ou 6-hidroxidopamina, os animais serão tratados por via i.c.v. com NPS e as alterações locomotoras e na coordenação motora serão avaliadas nos testes acima citados. RESULTADOS ESPERADOS: Estes achados poderão apontar para um papel modulatório do sistema peptidérgico do NPS-receptor NPSR sob o sistema dopaminérgico e, também, poderá contribuir para a descoberta de um novo alvo farmacológico para o tratamento de neuropatologias que envolvam o sistema dopaminérgico, como por exemplo o Mal de Parkinson.

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  • FELIPE PERNAMBUCO DA COSTA
  • Influência da densidade de estocagem sobre o crescimento, ciclo de muda e o comportamento em juvenis do camarão marinho Litopenaeus vannamei.

  • Orientador : MARIA DE FATIMA ARRUDA DE MIRANDA
  • Data: 27/07/2012
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  • Um dos fatores que podem interferir no cultivo de Litopenaeus vannamei é a densidade populacional. Essa pesquisa teve como objetivo verificar a influência da densidade sobre o crescimento, a taxa de mortalidade, a integridade física e o comportamento dos camarões. A pesquisa foi dividida em duas etapas. Na primeira, os camarões foram acondicionados em tanques nas densidades de 50, 75 e 100 camarões/m².  Os animais eram monitorados quanto ao grau de enchimento proventricular, à fase do ciclo de muda, à integridade física três vezes por semana, e quanto ao peso e ao comprimento uma vez por semana. A mortalidade, o crescimento e o grau de enchimento proventricular não foram influenciados pela densidade; interferências pontuais ocorreram na frequência de registros nas fases do ciclo de muda. A menor proporção de quebras de apêndices e a maior frequência de lesões necróticas ocorreram na menor densidade. A segunda etapa da pesquisa, realizada em aquários, foi dividida em duas partes. Na primeira, foram descritas categorias comportamentais sociais ou relativas à alimentação: afastamento lento por contato, afastamento lento por aproximação, afastamento abrupto por contato, afastamento abrupto por aproximação, reatividade, canibalismo, ocupar bandeja, pegar alimento na bandeja e pegar alimento fora da bandeja. Na segunda, esses e outros comportamentos descritos na literatura foram contabilizados nas densidades de 50, 75 e 100 camarões/m². A mortalidade foi maior na maior densidade. A freqüência da maioria dos comportamentos citados acima foi muito reduzida, não diferindo entre densidades ou sendo baixa demais para se determinar diferenças entre elas. O perfil comportamental dos animais nas diferentes densidades foi, em geral, bastante similar, não havendo diferença na exploração, cavação e limpeza entre as densidades. Mesmo assim, inatividade, alimentação, rastejamento, enterramento, natação e proximidade entre os animais foram influenciados pela densidade.Esses resultados sugerem que alguns comportamentos sofrem maior interferência da densidade populacional. No entanto, a maior densidade pode não ter uma influência mais abrangente sobre os animais se outros fatores, como parâmetros físico-químicos da água e quantidade de alimento ofertado, estiverem adequados.

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  • LUANE MARIA STAMATTO FERREIRA
  • ALTERAÇÕES NA EVOCAÇÃO DE UMA MEMÓRIA AVERSIVA AO LONGO DO CICLO ESTRAL DE RATAS: INFLUÊNCIAS DA TRANSMISSÃO GABAÉRGICA NA AMÍGDALA.

     

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 30/07/2012
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  • A transmissão GABAérgica está envolvida em diversos aspectos do aprendizado e da memória, assim com em transtornos de humor e ansiedade. Um dos grandes focos nessa área tem sido a amígdala, uma estrutura essencial para a modulação de memórias emocionais. Entretanto, os estudos na área são majoritariamente feitos em machos. Nesse trabalho investigamos em ratas as consequências de uma transmissão GABAérgica aumentada ou reduzida na amígdala basolateral (BLA) para uma memória aversiva.  Ratas Wistar foram treinadas na esquiva discriminativa no labirinto em cruz elevado, aprendendo a evitar um dos braços fechados, onde recebiam um estímulo aversivo consistindo de uma luz forte e um som alto (dia 1). Quinze minutos antes do teste (dia 2) os animais receberam 0,2µL de solução salina, do agonista GABAérgico muscimol (0,05 mg/ml), ou do antagonista GABAérgico bicuculina (0,025 mg/ml) bilateralmente intra-BLA. Fêmeas testadas em proestro e estro evocaram adequadamente e não extinguiram a tarefa, enquanto fêmeas testadas em metaestro e diestro tiveram um déficit na evocação. No primeiro grupo, a infusão de muscimol prejudicou a evocação e a infusão de bicuculina não teve efeito, indicando níveis naturalmente baixos de transmissão GABAérgica na BLA de fêmeas em proestro e estro. Já no segundo grupo, a infusão de muscimol não teve efeito e a infusão de bicuculina reverteu o déficit na evocação, indicando níveis naturalmente altos de transmissão GABAérgica na BLA de fêmeas em metaestro e diestro. Fêmeas em proestro e estro apresentaram maiores níveis de ansiedade quando comparadas às fêmeas em metaestro e diestro, podendo explicar o melhor desempenho desse grupo. Entretanto, o sistema GABAérgico da BLA provavelmente não interfere com o medo inato, uma vez que os fármacos não tiveram efeito na ansiedade. Dessa forma, as alterações na evocação causadas por eles parecem estar relacionadas especificamente a processos mnemônicos.

     

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  • NATHALIA MARIA LEMOS DA SILVA
  •  INVESTIGAÇÃO DA INFLUÊNCIA DO COCHILO NA APRENDIZAGEM ESCOLAR
  • Orientador : SIDARTA TOLLENDAL GOMES RIBEIRO
  • Data: 11/12/2012
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  • É bastante conhecido o efeito positivo do sono noturno no aumento da plasticidade cerebral, promovendo a consolidação das memórias declarativa e de procedimento, bem como a facilitação de insights na resolução de problemas. No entanto, ainda é bastante escassa a evidência de um possível efeito benéfico do cochilo diurno no favorecimento das memórias após o aprendizado. O objetivo do presente projeto foi avaliar a influência do cochilo diurno no ambiente escolar de alunos do ensino fundamental, mensurando o seu efeito após aula nos desempenhos de curto, médio e longo prazos. Cento e oitenta e dois estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental de quatro escolas do Rio Grande do Norte participaram da pesquisa. Eles foram expostos por 15 minutos a uma aula sobre Visão e Memória, temas avançados para essa faixa etária sobre os quais não esperamos que apresentassem domínio prévio. Em seguida, os alunos foram separados, aleatoriamente, em 3 grupos: Cochilo (GC), Aula Lúdica (GAL) e Aula Tradicional (GAT). O GC foi para a sala contendo colchonetes e dormiu por 50 minutos. O GAL seguiu para uma aula lúdica de inglês e o GAT voltou às aulas de inglês rotineiras da escola. Foram realizados 2 testes de múltipla escolha, referentes ao tema escolhido, para avaliar o desempenho dos alunos, sendo 1 teste logo após a aula (T0), e o segundo com 5 ou 30 dias após aula (T5 ou T30, respectivamente) sem aviso prévio. O desempenho dos alunos foi medido através do número de respostas corretas dividido pela soma de respostas corretas e erradas. A média do desempenho (% média) e o erro padrão da média em T0 do GC foi de 81,0 ± 2,3; do GAL de 75,8 ± 2,0; e do GAT de 74,4 ± 2,3. Em T5, o desempenho do GC foi de 71,7 ± 2,2; do GAL foi de 66,8 ± 2,3; e do GAT foi de 65,3 ± 2,0. Para os alunos que fizeram o teste com 30 dias após a aula, em T0 o desempenho do GC foi de 74,3 ± 2,2; do GAL de 69,1 ± 2,2; e do GAT de 72,7 ± 2,0. Em T30, o desempenho do GC foi de 59,1 ± 1,9; o do GAL foi de 54,3 ± 2,2; e o do GAT foi de 53,5 ± 2,4. Os resultados sugerem que o cochilo preservou as memórias recentemente adquiridas após aula experimental.
20
  • JORDANA DA COSTA BARBALHO
  • A Lógica por Trás dos Contratos Sociais.

  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 19/12/2012
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  • Dentre as várias hipóteses que explicam a evolução do intelecto primata, a Hipótese da Inteligência Maquiavélica é a que melhor explica o comportamento destes. De acordo com ela, nosso cérebro possui adaptações para lidar com um ambiente social complexo. Sendo assim, deveria haver marcas da história evolutiva nas características funcionais e estruturais da cognição humana. Uma dessas marcas seria a existência de especializações cognitivas para detecção de violadores de contratos sociais. Cosmides e Tooby (1992) testaram essa possibilidade através do Teste de Seleção de Cartas de Wason, no qual quatro cartas são expostas ao sujeito experimental e lhes é dada uma regra condicional no formato “Se P, então Q”. Verificou-se que o índice de acerto é de cerca de 25% nos testes de caráter abstrato contra 75% nos testes de caráter social.  Entretanto, a verificação desses resultados não foi feita baseando-se na inclusão de sujeitos que tiveram acesso ao ensino de lógica formal abstrata nem de acordo com o gênero. Nosso trabalho investigou o uso da lógica condicional na verificação de violação de regras em contextos abstratos e em contextos sociais com a mesma ferramenta, verificando o índice de acerto e tempo de resolução da tarefa. Tais investigações foram realizadas baseando-se em diferenças nos níveis de aprendizado de lógica formal e de gênero. No estudo baseado no gênero, observou-se que homens têm maiores índices de acerto nos testes de caráter abstrato dispendendo o mesmo tempo que as mulheres. Homens e mulheres têm igual índice de acerto em testes de caráter social, entretanto o tempo de resolução das mulheres é menor.  Para o estudo baseado no nível de experiência em lógica formal, dividimos os sujeitos em três grupos: Não-Lógica (NL, sem o aprendizado de lógica formal), Pré-Lógica (PL, inseridos em cursos voltados para a área de lógica, mas sem ainda terem estudado tais disciplinas) e Lógica (L, tiveram acesso ao ensino formal de lógica). Indivíduos NL têm melhor desempenho em tarefas de caráter social que indivíduos L ou PL. Não há diferença entre indivíduos L e PL para o desempenho em tarefas de caráter abstrato. O tempo gasto para a resolução das tarefas de caráter abstrato e de caráter social não se mostrou diferente entre os grupos. Nossos resultados evidenciaram importantes diferenças entre os sexos, que estão de acordo com habilidades cognitivas descritas para homens e mulheres em nossa espécie, bem como trazem à tona a importância de incluir na discussão quanto às nossas especializações cognitivas, aspectos relacionados ao ambiente e à aprendizagem.

Teses
1
  • ROCHELE VASCONCELOS CASTELO BRANCO MOURAO
  • FATORES QUE INFLUENCIAM A COOPERAÇÃO EM HUMANOS

  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 24/02/2012
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  • A cooperação humana, além ser fundamentada pelas trocas recíprocas, desenvolve-se

    notadamente dentro de grupos extensos e simbolicamente marcados, nos quais existe a

    presença de marcadores de grupos, elementos que promovem a cooperação por indicar

    pertinência compartilhada. Na presente tese de doutorado, foram produzidos três artigos

    empíricos que investigaram como a cooperação humana se organiza diante dos fatores

    reciprocidade, comportamento de favorecimento de grupos, influência de marcadores de

    grupo e sexo. O método de investigação consistiu no emprego de jogos online de doação de

    fichas, nos quais os sujeitos interagiam com jogadores virtuais controlados pelo experimento.

    Em linhas gerais, verificamos que o comportamento cooperativo sofre forte influência da

    reciprocidade. A cooperação também é afetada pelo favorecimento de grupos, comportamento

    que emergiu sob a influência das variáveis naturalidade, etnia e religião, as quais atuaram

    como marcadores de grupo. O comportamento de favorecimento de grupos dos sujeitos

    mostrou-se amplificado na condição em que os parceiros de grupo cooperaram de forma

    generosa e enfraquecido na condição em que os parceiros de grupo foram pouco generosos.

    Verificamos também que a cooperação, propriamente dita, não é afetada pelo sexo. Por outro

    lado, homens e mulheres cooperam de forma diferenciada sob a influência da reciprocidade e

    do comportamento de favorecimento de grupos: as mulheres apresentam um perfil mais

    recíproco na cooperação e os homens cooperam pouco com os indivíduos que não pertencem

    ao seu grupo, mesmo quando estes são generosos. Observamos também que a religião não é

    preditora da cooperação, e que sujeitos evangélicos e ateus cooperam igualmente e exibem

    forte comportamento de favorecimento de grupos com os parceiros de mesma denominação

    religiosa. Os resultados dos trabalhos, tomados em conjunto, contribuem para a compreensão

    do valor adaptativo da cooperação, da reciprocidade e do comportamento de favorecimento de

    grupos na solução de desafios na história evolutiva do homem.


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  • CIRO FRANCO DE MEDEIROS NETO
  • ANÁLISE DOS ASPECTOS PSICOFISIOLÓGICOS DO ESTRESSE CRÔNICO LABORAL PERCEBIDO EM TRABALHADORES DO SETOR ADMINISTRATIVO E DE PRODUÇÃO EM UMA INDÚSTRIA DE CALÇADOS DA PARAÍBA/BRASIL.

  • Orientador : MARIA BERNARDETE CORDEIRO DE SOUSA
  • Data: 01/03/2012
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  • ANÁLISE DOS ASPECTOS PSICOFISIOLÓGICOS DO ESTRESSE CRÔNICO LABORAL PERCEBIDO EM TRABALHADORES DO SETOR ADMINISTRATIVO E DE PRODUÇÃO EM UMA INDÚSTRIA DE CALÇADOS DA PARAÍBA/BRASIL.

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  • KATIA MARIA MARQUES GOUVEIA
  • Efeitos da deficiência crônica em ácidos graxos essenciais sobre a expressão do ritmo circadiano da atividade locomotora em ratos

  • Orientador : MIRIAM STELA MARIS DE OLIVEIRA COSTA
  • Data: 30/03/2012
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  • Efeitos da deficiência crônica em ácidos graxos essenciais sobre a expressão do ritmo circadiano da atividade locomotora em ratos

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  • MELISSA GOGLIATH SILVA
  • COMPOSIÇÃO, DIVERSIDADE, ECOLOGIA E COMPORTAMENTO TERMORREGULATÓRIO DE ESPÉCIES DE SQUAMATA EM ÁREA SERRANA DE CAATINGA, NORDESTE DO BRASIL

  • Orientador : ELIZA MARIA XAVIER FREIRE
  • Data: 07/05/2012
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  • Entre os biomas brasileiros, a Caatinga, que ocupa uma área estimada entre 800.000 e 935.000 km2 é representada por uma vegetação cuja distribuição é restrita ao Brasil. Constitui-se especialmente por espécies lenhosas e herbáceas, geralmente caducifólias, e muitas dotadas de espinhos, como as cactáceas e bromeliáceas. Até recentemente, a biota da Caatinga era reconhecida como pobre em espécies e com poucos endemismos e, portanto, de baixa prioridade para conservação. Estudos recentes mostram que esta avaliação está aquém da realidade, pois o que demonstra essa aparente baixa diversidade biológica na caatinga é a simples falta de conhecimento acumulado. Nesse sentido, visando aprimorar o conhecimento científico a respeito da herpetofauna das caatingas, este estudo tem como objetivos: (i) Comparar a riqueza, diversidade e a composição de espécies de répteis Squamata de duas áreas de caatinga fisionomicamente distintas; (ii) Analisar a estrutura das comunidades de lagartos estudadas e (iii) Estudar o comportamento termorregulatório das espécies de lagartos gimnoftalmídeos. O trabalho em campo foi efetuado em Serra de Santana, município de Tenente Laurente Cruz, Seridó do Rio Grande do Norte, no período de setembro de 2009 a maio de 2011. As coletas foram realizadas por meio de armadilhas de interceptação e queda, busca ativa e encontros casuais. Dos espécimes coletados e/ou observados foram analisados o uso de hábitat/microhábitat, da dieta, e o comportamento termorregulatório (no caso dos lagartos gimnoftalmídeos). Para as duas áreas estudadas de diferentes fisionomias, foi registrado um total de 28 espécies, 18 de lagartos, nove de serpentes e uma de anfisbena. Apesar dessa riqueza, as curvas de rarefação não atingiram uma assíntota, indicando que provavelmente mais espécies ainda podem ser encontradas. Quando comparadas as duas áreas estudadas, verificou-se diferença quanto à composição de espécies, porém não foi constatada estruturação em ambas comunidades, uma vez que os valores encontrados foram iguais aos observados ao acaso. Dentre os hábitats, o que apresentou maior riqueza de espécies, bem como a maior diversidade, foi a caatinga arbórea, embora os índices tenham revelado grande similaridade entre as áreas. Cabe ressaltar que a caatinga arbórea se destacou ainda pela presença de espécies de lagartos de ocorrência restrita a áreas com climas mais mésicos da caatinga, como Anotosaura vanzolinia, Coleodactylus meridionalis e Enyalius bibronii. A ocorrência dessas espécies de distribuição relictual reforça a hipótese de existência de diferentes padrões de distribuição para as caatingas e a necessidade de conservação desta área e de outras similares do semiárido nordestino.

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  • SERGIO ARTHURO MOTA ROLIM
  • Aspectos sócio-demográficos, cognitivo-comportamentais e neuro-psicológicos do sonho lúcido

  • Orientador : SIDARTA TOLLENDAL GOMES RIBEIRO
  • Data: 19/06/2012
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  • O sonho lúcido (SL) é um estado mental no qual o sujeito está consciente de estar sonhando durante o sonho. A prevalência do SL em Europeus, Norte-Americanos e Asiáticos é bastante variável (entre 26 e 92%) (Stepansky et al., 1998; Erlacher & Schredl, 2011; Yu, 2008) e em Latino-Americanos ainda não foi investigada. Além disso, as bases neurais do SL permanecem controversas. Diferentes estudos observaram que a potência das frequências alfa (Tyson et al., 1984), beta parietal (Holzinger et al., 2006) e gama frontal (Voss et al., 2009) estava aumentada no SL em relação ao não lúcido.

                Dessa forma, para investigar a questão epidemiológica (Estudo 1), elaboramos um questionário online sobre sonhos que foi respondido por 3427 voluntários. Em nossa amostra, 56% são mulheres, 24% são homens e 20% não responderam o gênero (mediana de idade = 25 anos). Um total de 76,5% dos indivíduos refere que lembra dos sonhos pelo menos uma vez por semana. Cerca de dois terços dos sujeitos observam o sonho em primeira pessoa, ou seja, vendo o sonho da própria perspectiva e não como mais um dos personagens do sonho. Os elementos mais comuns nos sonhos são movimentos/ações (93,3%), pessoas conhecidas (92,9%), sons/vozes (78,5%) e imagens coloridas (76,3%). O conteúdo onírico se relaciona principalmente com planos para o dia seguinte (37,8%) e memórias do dia anterior (13,8%). Os pesadelos apresentam principalmente ansiedade/medo (65,5%), ser perseguido (48,5%) e sensações desagradáveis que não envolvem dor (47,6%). Assim, sonhos e pesadelos podem ser evolutivamente entendidos como uma simulação das situações frequentes que acontecem na vida e que se relacionam com a nossa integridade social, psicológica e biológica.

             Observamos também que a maioria dos indivíduos (77,2%) relata ter tido pelo menos um SL, tendo experimentado na sua maior parte até 10 episódios (44,9%). A frequência do SL foi fracamente correlacionada com a frequência de lembrança dos sonhos (r=0,20, p<0,001) e foi também maior em homens (χ2=10,2, p= 0,001). O controle do SL é raro (29,7%) e inversamente correlacionado com o tempo de duração do SL (r=-0,38, p<0,001), que normalmente é curto - para 48,5% dos sujeitos o SL dura menos que 1 minuto. A ocorrência do SL é principalmente facilitada pela possibilidade de dormir sem hora para acordar (38,3%) que aumenta a chance de ter sono REM (SREM), e estresse (30,1%) que aumenta também as transições do SREM para a vigília. Como conclusão, nossos resultados indicam que o SL é uma experiência relativamente comum (mas não recorrente), geralmente fugaz e difícil de controlar, o que sugere que o SL é um estágio intermediário, incompleto e estacionário (ou fase de transição) entre o SREM e a vigília. Além disso, apesar das populações Europeias, Norte-Americanas e Asiáticas terem uma prevalência de SL bastante variável, nossos dados de uma amostra de Latino-Americanos fortalecem a noção de que o SL é um fenômeno universal da espécie humana.           

    Para investigar mais detalhadamente as bases neurais do SL (Estudo 2), realizamos registros de sono em 32 sujeitos que não apresentam SL de forma frequente, e investigamos 6 sujeitos que apresentam SL recorrentemente. A primeira amostra foi submetida a duas técnicas cognitivo-comportamentais para induzir o SL: sugestão pré-sono (n = 8) e incubação de estímulos do ambiente (pulsos de luz) no sonho durante o SREM (n = 8). Um grupo controle não foi submetido a nenhuma das duas técnicas (n = 16). Os resultados indicam que é muito difícil induzir SL em laboratório, uma vez que conseguimos obter apenas um SL em um sujeito, que era do grupo em que aplicamos a técnica de sugestão pré-sono. O sinal eletroencefalográfico deste voluntário apresentou pulsos de ritmo alfa (7-14Hz) anteriores ao SL, de forma breve (aproximadamente 3s), sem alteração significativa do tônus muscular e independente da presença de movimentos oculares rápidos. O SL desse sujeito apresentou também uma maior potência de alfa (7-14Hz) na região parieto-ocipital, diferentemente do resultado observado por Tyson et al. (1984), que encontraram um aumento na frequência alfa, porém de forma não-localizada, ou seja, em média para todos os canais. Além disso, observamos também um aumento de gama (20-50Hz) na região temporo-parietal direita, como encontrado por Holzinger et al. (2006). Entretanto, esses autores observaram um aumento na faixa de frequência beta (e não em gama). Nos 6 indivíduos que frequentemente têm SL, este estado apresentou em média um aumento de potência em gama alto (50-100Hz) na região frontal em comparação com o SREM não-lúcido, como observado por Voss et al. (2009); no entanto, isso não foi consistente entre todos os 6 voluntários e pode ser devido a uma contaminação decorrente dos movimentos oculares.

    Como conclusão, nossos resultados preliminares sugerem que o SL apresenta diferentes características neuro-psico-fisiológicas dos estados típicos de SREM e vigília: 1) um aumento da potência da oscilação alfa em regiões parieto-ocipitais pode estar correlacionado a uma maior vividez visual do SL em comparação com o sonho não-lúcido;

    2) os pulsos de alfa anteriores ao SL poderiam ser micro-despertares, que facilitariam o contato do cérebro durante o sono com o meio externo, favorecendo a ocorrência do SL e fortalecendo a noção de que o SL seria um estado intermediário entre o sono e a vigília; 3) dado que as regiões temporo-parietal direita e frontal estão relacionadas com processos de formação da auto-consciência e imagem corporal, sugerimos que a ativação destas regiões durante o sono pode ser o mecanismo neurobiológico subjacente ao SL.

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  • ANDRÉA SOARES DE ARAÚJO
  • Composição ictiofaunística e estratégias reprodutivas de quatro espécies de peixes nativos da bacia hidrográfica Piranhas-Assu do bioma Caatinga, Rio Grande do Norte.

  • Orientador : SATHYABAMA CHELLAPPA
  • Data: 03/07/2012
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  • O presente estudo trata sobre a composição ictiofaunística e das estratégias reprodutivas de quatro espécies nativas de peixes em relação às variáveis ambientais da bacia hidrográfica Piranhas-Assu do bioma Caatinga, Rio Grande do Norte, Brasil. As amostras dos peixes e os dados ambientais foram coletados mensalmente, durante o período de setembro de 2008 a fevereiro de 2010, no açude Marechal Dutra e no rio Acauã tributário da bacia Piranhas-Assu. Os peixes foram medidos pesados, dissecados e as gônadas foram removidas, pesadas e examinadas para identificação do sexo e determinação do estádio de maturação das gônadas. Os resultados desse trabalho geraram sete artigos. O primeiro artigo é sobre a composição ictiofaunistica da bacia Piranhas-Assu, Rio Grande do Norte.  Foram capturados 602 peixes, distribuídos em quatro ordens (Characiformes, Perciformes, Siluriformes and Synbranchiformes), 11 famílias e 22 espécies, das quais 17 são endêmicas da Caatinga. A ordem Characiformes foi mais representativa, seguida por Perciformes, Siluriformes e Synbranchiformes. O segundo artigo trata sobre a relação peso-comprimento e crescimento de sete espécies de peixes nativos Crenicichla menezesi, Cichlasoma orientale, Triportheus angulatus, Psectrogaster rhomboides, Pimelodella gracilis, Prochilodus brevis e Leporinus piau de um reservatório do semiárido brasileiro. O terceiro artigo é sobre os aspectos reprodutivos do jacundá, Crenicichla menezesi. Os machos foram maiores, mais pesados e com leve predominância com relação às fêmeas. Foram caracterizados quatro estádios de desenvolvimento gonadal, sendo, imaturo, em maturação, maduro e esvaziado. As fêmeas atingiram a primeira maturação sexual antes que os machos, com fecundidade média de 398 ovócitos por lote. Desova foi parcelada com um longo período reprodutivo. O quarto artigo trata da estratégia reprodutiva de Leporinus piau um peixe de água doce neotropical da região semiárida do Brasil. A população amostrada de L. piau (n = 211) mostrou uma ligeira predominância de machos (55%), com fêmeas maiores e mais pesadas. A primeira maturação sexual dos machos ocorreu antes que as fêmeas. Esta espécie apresentou desova total, com fecundidade média de 55.000 ovócitos maduros. Chuvas e concentração de oxigênio dissolvido atuaram como fatores influentes durante a época de desova. L. piau apresenta uma estratégia reprodutiva sazonal. O quinto artigo é sobre características morfométricas-merísticas e aspectos reprodutivos da sardinha de água doce, Triportheus angulatus do rio Acauã do bioma Caatinga. Houve uma predominância de fêmeas maiores, atingindo a primeira maturação gonadal antes que os machos. Houve desova total no período de chuvas da região. O sexto artigo relata sobre a estratégia reprodutiva da branquinha, Psectrogaster rhomboides. Constatou-se uma proporção sexual de 1M:1F, com tipo de crescimento alométrico negativo. Os machos atingiram a maturidade sexual antes que as fêmeas. As fêmeas e os machos apresentaram quatro estádios de desenvolvimento gonadal com o período de desova no período de chuva. A fecundidade foi baixa e a espécie apresentou desova total. O sétimo artigo relata sobre a dinâmica do comportamento territorial de Crenicichla menezesi. Foram observados dez comportamentos agonísticos exibidos pelos machos, sendo ameaça frontal e lateral, perseguição, perseguição circular, ataque perpendicular, lateral e bucal, fuga, posicionamento paralelo e permanência. Foi observada a formação de quatro grupos sociais entre os machos: sem interação, com interação de submissão e fuga, com interação agonística frontal e lateral. Nas interações sociais entre machos e fêmeas foi observado que os machos maiores interagiram mais entre si e com as fêmeas maiores. O macho maior estabeleceu seu território e os dois machos menores juntamente com a menor fêmea foram excluídos dos demais grupos. Estes trabalhos esclareceram sobre a composição ictiofaunística e estratégias reprodutivas de quatro espécies Crenicichla menezesi, Leporinus piau, Triportheus angulatus e Psectrogaster rhomboides nativos da bacia hidrográfica piranhas-assu do bioma Caatinga, RN, Brasil.

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  • CRHISTIANE ANDRESSA DA SILVA
  • Saguis (Callithrix jacchus) sob ciclo claro-escuro de 21 h: um modelo de dessincronização forçada em primata diurno.

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 05/07/2012
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  • O sistema circadiano é formado por múltiplos osciladores organizados hierarquicamente, sendo o núcleo supraquiasmático (NSQ) o oscilador principal nos mamíferos. Há várias evidências de que cada célula do NSQ seja um oscilador e que a sincronização resulte do grau de acoplamento entre elas. O conhecimento do mecanismo de acoplamento entre as células do NSQ é essencial para se entender a sincronização e a expressão dos ritmos circadianos, e dessa forma, propiciar o desenvolvimento de novos tratamentos para os distúrbios da ritmicidade circadiana, que podem gerar várias doenças. Vários autores sugerem o modelo de dissociação do ritmo circadiano da atividade motora de ratos sob T22, período próximo ao limite de sincronização, como um bom modelo animal para promover dessincronização interna, propiciando um maior conhecimento sobre o mecanismo de acoplamento. Então, com o objetivo de avaliar o padrão do ritmo circadiano de atividade motora de saguis, Callithrix jacchus, em ciclos claro-escuro no limite inferior de sincronização, foram realizados dois experimentos: 1) 6 fêmeas adultas foram submetidas aos ciclo CE simétricos T21,T21.5 e T22 durante 60, 35 e 48 dias, respectivamente. 2) 4 machos e 4 fêmeas adultos foram submetidos a T21 por 24 dias, seguido de CC por 18 dias; depois voltaram ao T21 por mais 24 dias seguido de CC durante 14 dias. As vocalizações de todos os animais e a atividade motora de cada um foram registradas continuamente ao longo dos experimentos, sendo que as vocalizações foram registradas apenas no Experimento 1. Sob os Ts menores que 24 h foram observados dois componentes circadianos simultâneos na atividade motora, sendo um com o mesmo período do ciclo CE, nomeado componente sincronizado à luz, e outro em livre-curso, nomeado componente não sincronizado à luz. Os dois componentes foram exibidos por todos os animais sob T21, cinco animais (83,3%) sob T21.5 e dois animais (33,3%) sob T22. Para as vocalizações foram observados os dois componentes sob os três Ts. Devido às diferentes características desses componentes sugerimos que a dissociação é resultado de sincronização parcial ao ciclo CE, onde pelo menos um grupo de osciladores está sincronizado ao ciclo CE por processos de coordenação relativa e mascaramento, enquanto pelo menos outro grupo de osciladores está em livre-curso, mas também sob influência de mascaramento do CE. Como o T21 h foi o único a promover o surgimento dos dois componentes circadianos nos ritmos circadianos de todos os Callithrix jacchus, este foi então considerado o limite inferior de duração de ciclo CE promotor de dissociação na ritmicidade circadiana dessa espécie, sendo então sugerido como modelo de dessincronização forçada em primatas diurnos.



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  • ANA AMÁLIA TORRES SOUZA GANDOUR DANTAS
  • CARACTERÍSTICAS SOCIODEMOGRÁFICAS, HÁBITOS DE SONO, ESTADO COGNITIVO E FUNCIONAL APÓS ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL.

  • Orientador : TANIA FERNANDES CAMPOS
  • Data: 20/07/2012
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  • Introdução: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma importante causa de comprometimento neurológico. Poucos dados à respeito dos fatores associados à morbidade do AVC são encontrados no Brasil. Objetivos: Avaliar as características sociodemográficas, hábitos de sono, estado cognitivo e funcional de pacientes com AVC. Métodos: Os pacientes foram avaliados através do questionário Step 1 para levantamento das características sociodemográficas e Escala Modificada de Rankin para avaliação funcional. O grau neurológico foi avaliado pela  National Institute of Health Stroke Scale (NIHSS), o sono pelo Questionário de Hábitos de sono e o estado cognitivo pelo Mini-Exame do Estado Mental (MEEM). Os dados foram analisados através do teste Qui-quadrado para verificar diferenças nas proporções das variáveis estudadas. Resultados: Foram avaliados 305 pacientes e o maior número de indivíduos estava entre 50 e 69 anos (40%), grande parte dos pacientes não possuía estudo formal (40,3%) e tinham AVC do tipo isquêmico (72,5%). Na análise da funcionalidade constatou-se que a maioria dos pacientes tinha incapacidade moderada (55,1%). Os resultados dos hábitos de sono apontaram que os pacientes se queixavam de muita iluminação e de incômodo no quarto, apresentavam dificuldade de pegar no sono e acordavam no meio da noite. Foram apresentadas queixas de pesadelos, sensação de sufoco e parassonias. Além disso, sentiam muito sono durante o dia, cochilavam e não realizavam atividades físicas habitualmente. O rastreamento cognitivo realizado determinou uma associação do estado cognitivo com a idade e escolaridade e o grau neurológico. Conclusão: O estudo conseguiu evidenciar uma frequência elevada de casos de AVC com dependência funcional de grau moderado, identificou que muitos pacientes não seguem medidas de higiene do sono e verificou que a avaliação de déficits cognitivos deve levar em consideração a idade, escolaridade e o grau neurológico dos pacientes. Sugerimos a necessidade de programas de atenção aos pacientes vítimas do AVC, com uma abordagem multidimensional incluindo a equipe de reabilitação, a atuação da Medicina do sono e da Neuropsicologia,  a fim de que os pacientes tenham acesso a uma reabilitaçao funcional mais adequada, desenvolvam um estilo de vida que garanta uma boa qualidade de sono e sejam bem avaliados e reabilitados quanto aos comprometimentos cognitivos.

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  • JOSE RONALDO DOS SANTOS
  • ESTUDO DAS ALTERAÇÕES COGNITIVAS, MOTORAS E NEUROQUÍMICAS EM DOIS NOVOS MODELOSPROGRESSIVO DA DOENÇA DE PARKINSON 

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 03/08/2012
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  • A Doença de Parkinson (DP) é um distúrbio neurodegenerativo crônico e progressivo caracterizado pela morte de neurônios dopaminérgicos na substância negra parte compacta (SNpc). A sintomatologia da DP envolve alterações motoras (tremor, rigidez muscular, bradicinesia) e cognitivas (déficit de atenção, prejuízos na aprendizagem, na memória de reconhecimento e tarefas executivas). Estudos tem mostrado que as alterações cognitivas podem preceder as alterações motoras na DP e que modelos animais são excelentes ferramentas para compreender melhor esses mecanismos. Entretanto, até o momento, nenhum modelo animal da DP é capaz de mimetizar a natureza crônica da doença, no qual seja possível avaliar os aspectos motores e cognitivos no mesmo animal ao longo da progressão da patologia. O objetivo do presente trabalho foi estabelecer dois novos modelos animais para o estudo da natureza progressiva da Doença de Parkinson através da administração repetida de de drogas que conhecidamente causam sinais parkinsonianos em  doses mais baixas que as geralmente usadas. Utilizamos drogas que causam depleção de neurotransmissores (reserpina) ou a morte de neurônios envolvidos na fisiopatologia dessa doença (6-OHDA). Para os dois modelos foram utilizados ratos Wistar com 6 meses de idade. Nós mostramos que o tratamento repetido em dias alternados com 0,1mg/kg de reserpina por via s.c.é capaz de causar alterações motoras progressivas e déficits cognitivos, evidenciadas por meio dos testes de catalepsia, movimentos orais, atividade motora em campo aberto e reconhecimento de objetos. Essas alterações foram acompanhadas por uma diminuição de 45% dos níveis de tirosina hidroxilase (TH) no estriado, em animais eutanasiados ao término do tratamento de 10 injeções. Além disso, 30 dias após a última injeção, animais tratados com reserpina apresentaram níveis normais de TH e atenuação dos déficits motores (catalepsia e movimentos orais), mas ainda demonstravam alteração cognitiva observada no teste de reconhecimento de objetos. Ao longo do tratamento com 6 injeções i.c.v. em dias alternados com 6-OHDA, foram observados efeitos semelhantes aos apresentados no modelo da reserpina no que diz respeito a alterações cognitivas, motoras e nos níveis de TH. Entretanto, os déficits motores e a diminuição dos níveis de TH parecem ser irreversíveis, uma vez que animais eutanasiados 20 dias após a última injeção ainda apresentavam tais alterações, asselhando-se a fisiopatologia da DP em humanos. É importante ressaltar que em ambos os modelos as alterações cognitivas foram observadas antes das alterações motoras ao longo dos tratamentos. Em conclusão, o tratamento repetido com baixas doses de reserpina ou 6-OHDA induzem alterações progressivas nas funções motora, cognitiva e neuronal, indicando possíveis aplicações desses dois modelos no estudo da natureza progressiva da DP.

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  • MARCOS ROBERTO ROSSI SANTOS
  • Comportamento e ecologia acústica da baleia jubarte (Megaptera novaeangliae) na região Nordeste do Brasil

  • Data: 07/08/2012
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  • O conceito de ecologia acústica envolve a relação entre os organismos vivos e o seu ambiente sonoro e é aplicado no presente trabalho para estudar o contexto no qual ocorreu o comportamento de canto da baleia jubarte (Megaptera novaeangliae), considerado o mais complexo comportamento reprodutivo (display) da natureza, na costa nordeste do Brasil, fora da concentração reprodutiva do Banco de Abrolhos, entre os anos de 2005 e 2010. Analiso a ocorrência de machos cantores em diferentes estruturas de grupo, sua distribuição espacial e prováveis relações com fatores oceanográficos, como profundidade, regime de marés e fases da lua. Também descrevo a estrutura acústica e a variação temporal do comportamento de canto, baseado em medições de frequência e tempo dos cantos, fora do Banco de Abrolhos, além de comparar a complexidade do canto, registrada no mesmo período de estudo, entre o Banco de Abrolhos (16°- 19° S, 37°- 39° W), e a Costa Norte adjacente, aqui considerada desde Itacaré (14° S, 38° W) a Aracajú (11° S, 37° W). Ainda busco descrever e analisar as fontes de ruídos antropogênicos no ambiente marinho da área de estudo, produzidos pela atividade de exploração de petroleo e gás e também pelo turismo de observação de baleias, relacionando-os com o nicho acústico utilizado pela jubarte. Os resultados indicaram uma grande plasticidade no comportamento de canto, evidenciado pela ocorrência dos cantores em diversas estruturas sociais, de indivíduos solitários a grupos contendo outros animais, inclusive fêmeas com filhotes, bem como pela diversidade que compõe o canto da espécie, quando comparado entre duas regiões dentro da mesma área de reprodução, como o Banco de Abrolhos e a Costa Norte, que apresenta características oceanográficas distintas. A distribuição dos machos cantores parece estar relacionada com a extensão da plataforma continental na área de estudo. Os ruídos antropogênicos produzidos demonstraram uma faixa de frequências, amplitude sonora e intensidade capazes de interferir acusticamente no comportamento de canto da espécie, podendo resultar em distúrbios durante o período de reprodução da espécie na costa brasileira. Implicações sobre os resultados obtidos na teoria do sistema de acasamento da espécie são discutidas. Dessa forma, pretendo contribuir com o tema da ecologia acustica e gerar informações que subsidiem a conservação da baleia jubarte.

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  • PAULA ROCHA DE MELO
  • Ritmo circadiano de atividade motora e distribuição diária dos comportamentos afiliativos em saguis juvenis (Callithrix jacchus).

  • Orientador : CAROLINA VIRGINIA MACEDO DE AZEVEDO
  • Data: 27/09/2012
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  • A alocação temporal da fase ativa em relação ao ciclo claro e escuro (CE) modifica-se durante a puberdade em humanos, degus, ratos e rhesus. Em sagui, modelo animal utilizado em diversas pesquisas biomédicas, há evidências de um avanço no início da fase ativa e um aumento no total diário da atividade após a entrada na puberdade. Entretanto, como este aspecto foi avaliado em animais mantidos em condições ambientais naturais, não foi possível distinguir entre os efeitos da puberdade e da sazonalidade. Além disso, como a atividade motora é resultado dos diversos comportamentos nessa espécie, torna-se importante também caracterizar a distribuição diurna de outros comportamentos na fase juvenil. Com o objetivo de caracterizar o ritmo circadiano de atividade motora e o perfil circadiano dos comportamentos afiliativos em saguis, a atividade motora de 5 díades de juvenis entre o 4º e 12º meses de vida e seus respectivos pais foi registrada continuamente por actímetro. As famílias estavam vivendo sob ciclo CE artificial 12:12 h e temperatura e umidade constantes. A duração dos comportamentos de catação, proximidade e brincadeira social entre os juvenis foi registrada 2 vezes por semana, em sessões de 15 minutos a cada hora da fase ativa. Após a entrada na puberdade dos juvenis, observou-se que não houve modificações nos parâmetros do ritmo circadiano da atividade motora que fossem comuns a maioria dos animais. Apesar da ausência de modulação puberal, foi observado que os perfis circadianos da atividade têm sincronia mais forte entre os indivíduos de uma mesma família do que entre famílias diferentes, o que pode indicar que o ritmo circadiano de atividade motora foi modulado pela dinâmica das interações sociais. Em relação às faixas etárias, o total diário da atividade e a razão AV/AM foram maiores nos juvenis do que nos adultos, o que pode está associado a diferenças no sistema de temporização entre as faixas etárias. Além disso, o início do M10 ocorreu mais cedo nos machos adultos do que nos demais membros do grupo, provavelmente como forma de evitar a competição por recursos em uma das primeiras atividades do dia que é o forrageio. Ao longo da fase juvenil, houve um aumento no total diário da atividade que pode estar associado ao aumento da habilidade motora nos juvenis. Além do ritmo circadiano de atividade motora, o perfil diurno dos comportamentos de proximidade e brincadeira social foi semelhante entre o 5º e o 12º mês de vida dos juvenis, nos quais o intervalo entre 7-10 h da manhã apresentou os maiores valores da proximidade e os menores valores da brincadeira social. Por outro lado, a duração da catação apresentou uma distribuição semelhante aos adultos a partir do 8º mês, em que os maiores valores ocorreram no intervalo entre 11-14 h. Tendo em vista os resultados, os parâmetros do ritmo circadiano de atividade motora tiveram uma influencia maior dos fatores sociais do que puberais. Em relação à faixa etária, não houve modificações relacionadas à alocação da fase ativa em relação ao ciclo CE, mas no total diário da atividade, na razão AV/AM e no início do M10 é possível observar diferenças entre juvenis e adultos.

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  • NELSON ALESSANDRETTI DE MELLO LEMOS
  • ATIVIDADE NEURAL E ATIVAÇÃO DE ASSEMBLÉIAS DURANTE O PROCESSAMENTO MNEMÔNICO DE UMA MEMÓRIA AVERSIVA.

  • Orientador : SIDARTA TOLLENDAL GOMES RIBEIRO
  • Data: 12/12/2012
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  • Hebb postulou que a memória poderia ser armazenada graças atividade síncrona de vários neurônios, formando um assembleia neural. Sabendo da importância da estrutura hipocampal para a formação de novas memórias explícitas, utilizamos o registro eletrofisiológico de múltiplos neurônios para investigar a relevância da codificação de taxa (rate coding) dos disparos neurais, comparada com a codificação temporal (temporal coding) da atividade de assembleias, na consolidação de uma memória aversiva de ratos treinados na esquiva discriminativa em labirinto em cruz elevado modificado durante períodos de sono de ondas lentas (SOL). Nossos resultados indicam um aumento da atividade das assembleias neurais identificadas durante o SOL após o treino na tarefa, sendo que o mesmo não acontece com a taxa de disparo. Em resumo, demonstramos que para essa tarefa em particular, a informação relevante à consolidação adequada da memória está codificada nos padrões temporais de sincronização da atividade neural e não em sua taxa de disparo.

2011
Dissertações
1
  • KELLY CRISTINA FERNANDES ROCHA
  • A INFLUÊNCIA DA PRÁTICA MEDITATIVA SOBRE PARAMETREOS PSICOFISIOLÓGICOS E TAREGAS COGNITIVAS EM INDIVÍDUOS SAUDÁVEIS.
  • Orientador : ALESSANDRA MUSSI RIBEIRO
  • Data: 11/03/2011
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  • A meditação é um método proposto para ampliação da atenção e promoção da estabilidade psicológica e emocional, com resultados favoráveis também em relação à melhora da memória e à adaptação ao estresse. Pesquisas têm demonstrado que há diferenças de medidas psicológicas e fisiológicas entre indivíduos que praticam meditação regularmente (meditadores experientes) e não meditadores. O objetivo principal deste estudo foi investigar a influência da prática regular de meditação sobre aspectos psicofisiológicos de indivíduos saudáveis e seus desempenhos em tarefas de memória. Para tanto, comparamos o desempenho de praticantes e não praticantes de meditação em testes de memória, inventários de qualidade de vida, ansiedade, humor, qualidade de sono, depressão e estresse. Analisamos medidas basais e medidas após indução de estresse psicológico através do teste de cores (Stroop Color) e teste de subtração seriada. Nosso estudo demonstrou que meditadores experientes apresentam melhora significativa em relação a aspectos como qualidade de vida, humor, depressão e estresse quando comparados com não meditadores. Além disso, houve uma tendência ao melhor desempenho dos praticantes de meditação em tarefas de memória e na adaptação a agentes estressores. Estes achados corroboram outros estudos que apóiam a idéia de que a prática meditativa pode proporcionar uma melhor qualidade de vida para o indivíduo.
2
  • MARINA CONSULI TISCHER
  • OCUPAÇÃO DE ÁREA E INTERAÇÕES DE GOLFINHOS-ROTADORS (STENALLA LONGIROSTRIS) COM O TURISMO NÁUTICO NO ARQUIPÉLAGO FERNANDO DE NORONHA/PE, BRASIL.

  • Data: 28/03/2011
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  • OCUPAÇÃO DE ÁREA E INTERAÇÕES DE GOLFINHOS-ROTADORS (STENALLA LONGIROSTRIS) COM O TURISMO NÁUTICO NO ARQUIPÉLAGO FERNANDO DE NORONHA/PE, BRASIL.

3
  • THIAGO EMANOEL BEZERRA DA COSTA
  • VARIAÇÕES HORÁRIAS NA ENTRADA E SAÍDA DOS GOLFINHOS-ROTADORES E SUA RELAÇÃO COM FATORES AMBIENTAIS, NA BAÍA DOS GOLFINHOS EM FERNANDO DE NORONHA - PE.

  • Data: 28/03/2011
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  • VARIAÇÕES HORÁRIAS NA ENTRADA E SAÍDA DOS GOLFINHOS-ROTADORES E SUA RELAÇÃO COM FATORES AMBIENTAIS, NA BAÍA DOS GOLFINHOS EM FERNANDO DE NORONHA - PE.

4
  • ANDRE LUIZ BEZERRA DE PONTES
  • ANÁLISE IMUNOISTOQUÍMICA DA DISTRIBUIÇÃO DE SEROTONINA, TRANSPORTADOR DE SEROTONINA E RECEPTORES DE SEROTONINA NO HIPOTÁLAMO DO SAGÜI (CALLINTHRIX JACCHUS).

  • Orientador : JEFERSON DE SOUZA CAVALCANTE
  • Data: 11/04/2011
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  • ANÁLISE IMUNOISTOQUÍMICA DA DISTRIBUIÇÃO DE SEROTONINA, TRANSPORTADOR DE SEROTONINA E RECEPTORES DE SEROTONINA NO HIPOTÁLAMO DO SAGÜI (CALLINTHRIX JACCHUS).

5
  • RAPHAEL BENDER CHAGAS LEITE
  • O EFEITO DA COESÃO SEMÂNTICA SOBRE O RECONHECIMENTO DE PALAVRAS TABUS.

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 11/04/2011
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  • Eventos emocionais são mais lembrados do que eventos neutros. Quando comparadas com palavras neutras não relacionadas, as palavras emocionais frequentemente apresentam maior grau de coesão, isto porque a emoção pode agir como um princípio de organização da memória, mesmo que não sejam semanticamente relacionadas. Os resultados recentes sugerem que a emoção e a coesão semântica podem contribuir de maneira aditiva nos processos da memória.

                Estudos sobre falsas memórias mostraram que a coesão semântica pode atuar também piorando a recordação de informações.  Porém as metodologias utilizadas nos estudos clássicos sobre a falsa memória  baseiam-se em testes de reconhecimento com apenas um distrator crítico (item relacionado), com isso os sujeitos podem ser levados a aceitar o item como pertencente à lista não somente pela falsa memória, mas também por utilizarem um esquema para resolver a tarefa (todas as palavras relacionadas são aceitas como da lista). O presente estudo busca diminuir este efeito, aumentando o número de distratores críticos e informando o sujeito que há itens relacionados também nos distratores e eles devem ser evitados.

                O teste continha uma lista mista contendo palavras tabus e neutras, sendo estas últimas com ou sem relação semântica. Os 20 participantes, com idade entre 18 e 25 anos, escutavam a lista contendo 21 palavras (7 tabus, 7 nomes de frutas e 7 neutras sem relação). Em seguida escutavam novamente essas palavras misturadas a outras 21 palavras distratoras, pertencentes às mesmas categorias da lista, e deveriam responder “Velha” para as palavras da lista e “Nova” para as distratoras. O teste foi realizado num computador usando o software SuperLab 4.0.

                Como medida de desempenho usamos o Pr, uma medida de confiança para a memória de reconhecimento e, como já se esperava, as palavras tabus foram mais lembradas do que as demais palavras [F(2,36)=13,281; p<0,001], post hoc Bonferroni p<0,001, não havendo efeito entre palavras com e sem relação semântica. Porém para testar a interferência, utilizamos a porcentagem de alarmes falsos. As palavras neutras com relação semântica apresentaram maior número de alarmes falsos do que as outras duas categorias [F(2,36)=8,912; p=0,001, post hoc Bonferroni Semântica>Tabu p=0,003. Não havendo diferença entre as outras duas categorias.

                Os resultados sugerem que há duas variáveis independentes atuando nos resultados: uma é o alerta emocional que fez com que as palavras tabus fossem melhor lembradas e a outra variável é a coesão semântica, podendo ser percebida apenas nos nomes de frutas. É possível que a segunda também esteja atuando nas palavras tabus, porém o alerta emocional capta a atenção do sujeito de tal maneira que o sujeito identifica com maior precisão se a palavra pertencia  à lista, inibindo a dificuldade causada pela coesão semântica.

6
  • THIEZA GRAZIELLA ARAÚJO DA SILVA GÓES DE MELO
  • ANTIDEPRESSIVOS MODIFICAM A EXTINÇÃO DE UMA MEMÓRIA AVERSIVA EM RATAS

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 16/05/2011
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  • ANTIDEPRESSIVOS MODIFICAM A EXTINÇÃO DE UMA MEMÓRIA AVERSIVA EM RATAS

7
  • DIEGO SILVEIRA SOUSA
  • INFLUÊNCIA DO CICLO ESTRAL NO EFEITO DODIAZEPAM NA ANSIEDADE E NA MEMÓRIA DE RATAS.

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 17/05/2011
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  • In line with the reasoning that emotion modulates declarative memory, a clear relationship between anxiety levels and performance has been extensively demonstrated in rodents submitted to the plus-maze discriminative avoidance task (PDAT - a model of aversive memory that allows concomitant evaluation of anxiety levels) (Silva & Frussa-Filho, J Neurosci Met, 102:117, 2000). However, most of studies were performed in male rodents, and there is growing evidence that the emotional aspects of tasks are in the core of the usually reported sexual dimorphism in memory performance. The goal of this study was to evaluate the effect of estrous cycle on the effects of the anxiolytic diazepam in memory and anxiety-related behaviors in the PDAT. Female Wistar rats (3 months-old) were used in this study. Estrous cycle was determined by vaginal cytology for at least 10 days before training and only rats with two regular cycles were used. Groups of females in estrus, proestrus or metestrus/diestrus were treated i.p. with saline or 2.0mg/kg diazepam. After 30 min, rats were submitted to the training session of PDAT, performed in a modified plus-maze with two opens arms, one aversive arm (AV - light and noise while upon entrance of the animal) and one non-aversive arm (NAV). Twenty-four hours later they were tested in the same apparatus without any injection or aversive stimuli. Memory was evaluated by the comparison of the time spent in aversive vs. non-aversive enclosed arms and anxiety was evaluated by time spent in open arms. Training session: all groups spent significant more time (seconds) in NAV compared to AV, indicating learning of the task (mean ± SE: control metestrus/diestrus = 438.3±69.17 NAV – 30.49±9.82 AV; control proestrus = 466.6±55.98 NAV - 27±11.87 AV; control estrus = 417.7±60.41 NAV – 24.08±3.92 AV; diazepam 2.0mg/kg metestrus/diestrus = 337.6±73.43 NAV – 57.26±12.79 AV; diazepam 2.0mg/kg proestrus = 438.9±104.7 NAV – 15.1±8.7 AV; diazepam 2.0mg/kg estrus = 334.8±64.44 NAV – 48.95±8.07 AV). Test session: time in NAV was significantly increased compared to AV only in control metestrus/diestrus and diazepam 2.0mg/kg proestrus groups (p<0.05). There was a tendency for a difference between NAV and AV (p=0.09) in the control proestrus group (control metestrus/diestrus = 403.14±58 NAV – 100.47±38.7 AV;  control proestrus = 409.4±78.7 NAV – 96.4±51.1 AV; control estrus = 330.38±79.06 NAV – 156.9±73.9 AV; diazepam 2.0mg/kg metestrus/diestrus = 264.86±30.41 NAV – 189.7±25.56 AV; diazepam 2.0mg/kg proestrus = 462.08±61.97 NAV – 63.76±30.57 AV; diazepam 2.0mg/kg estrus = 232.51±47.72 NAV – 206.88±43.32 AV). No differences were found in percentage of time in opens arms in training or test sessions. In summary, the results indicated that: (1) the amnestic (but not the anxiolytic) effect of diazepam in PDAT was demonstrated in female rats (at least in the dose used); (2) control female in estrus presented retrieval deficits compared to other phases and (3)  rats in proestrus did not showed amnesic effects of diazepam in the PDAT. Together with previous results, our findings suggest that memory-anxiety relationships can be influenced by hormonal states. Further studies will be necessary to clarify the mechanisms related to differences in effects of diazepam on memory and anxiety among several cycle phases and also from previous results reported for male rats.

8
  • PHELLIPE VASCONCELOS CAVALCANTI SIQUEIRA
  • A relação de amizade nas redes sociais de estudantes universitários de Natal/RN

  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 17/06/2011
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  • A relação de amizade nas redes sociais de estudantes universitários de Natal/RN

9
  • RAYANE BARTIRA SILVA DO NASCIMENTO
  • Análise citoarquitetônica dos componentes do sistema de temporização circadiana do sagüi (Callithrix jacchus), comparada com a inervação das suas principais aferências

  • Orientador : JEFERSON DE SOUZA CAVALCANTE
  • Data: 03/08/2011
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  • Análise citoarquitetônica dos componentes do sistema de temporização circadiana do sagüi (Callithrix jacchus), comparada com a inervação das suas principais aferências

10
  • PAULO JOSE FARIA CARRILHO
  • DISFUNÇÃO SEXUAL FEMININA E NÍVEIS DE HORMÔNIOS ESTEROIDAIS EM MULHERES OBESAS ATENDIDAS NO AMBULATÓRIO DE CIRURGIA BARIÁTRICA DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ONOFRE LOPES EM NATAL/RN

  • Orientador : MARIA BERNARDETE CORDEIRO DE SOUSA
  • Data: 08/08/2011
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  • DISFUNÇÃO SEXUAL FEMININA E NÍVEIS DE HORMÔNIOS ESTEROIDAIS EM MULHERES OBESAS ATENDIDAS NO AMBULATÓRIO DE CIRURGIA BARIÁTRICA DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ONOFRE LOPES EM NATAL/RN

11
  • TAULLI BRAGA LIMA
  • A influência da recompensa e da experiência na discriminação visual simultânea em sagui comum (Callithrix jacchus)

  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 27/09/2011
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  • A influência da recompensa e da experiência na discriminação visual simultânea em sagui comum (Callithrix jacchus)

12
  • PRISCILLA KELLY DA SILVA BARROS
  • AVALIAÇÃO DO PAPEL DE SINAIS CROMÁTICOS NO COMPORTAMENTO DE PRIMATAS.

  • Orientador : DANIEL MARQUES DE ALMEIDA PESSOA
  • Data: 28/09/2011
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  • AVALIAÇÃO DO PAPEL DE SINAIS CROMÁTICOS NO COMPORTAMENTO DE PRIMATAS.

13
  • JOSÉ RODOLFO LOPES DE PAIVA CAVALCANTI
  • Os núcleos dopaminérgicos do mesencéfalo do mocó (Kerodon rupestris): caracterização citoarquitetônica e imunoistoquímica para tirosina-hidrolizase.
  • Orientador : MIRIAM STELA MARIS DE OLIVEIRA COSTA
  • Data: 27/10/2011
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  • A 3-Hidroxitiramina/Dopamina (DA) é uma monoamina do grupo das catecolaminas e consiste na substância precursora da síntese de noradrenalina e adrenalina, tendo a enzima Tirosina-Hidroxilase (TH) como reguladora deste processo. Além disso, a DA tem a capacidade de atuar como neurotransmissor no Sistema Nervoso Central – SNC, sendo o neurotransmissor principal de neurônios de nove núcleos encefálicos, nomeados de A8 ao A16. Os núcleos do mesencéfalo que expressam DA são a Zona Retrorubral (RRF, grupo A8), a Substância Negra pars compacta (SNc, grupo A9) e a Área Tegmental Ventral (VTA, grupo A10). Tais núcleos estão envolvidos em três complexas circuitarias que são a mesostriatal, mesolímbica e mesocortical e estão relacionadas diretamente com diversas manifestações comportamentais como controle da motricidade, sinalização de recompensa na aprendizagem comportamental, motivação e nas manifestações patológicas da Doença de Parkinson e esquizofrenia. Todavia, muitos aspectos de caráter morfofuncional desses núcleos ainda continuam sem esclarecimentos. Considerando-se a relevância dos núcleos dopaminérgicos mesencefálicos, o objetivo do trabalho será caracterizar morfologicamente os núcleos dopaminérgicos (A8, A9 e A10) do mesencéfalo do mocó (Kerodon rupestris) mediante estudo citoarquitetônico e neuroquímico. O mocó é um roedor típico da região Nordeste, cujas características morfofuncionais e os hábitos comportamentais lhes garantem singularidades quando comparados com outros animais da ordem Rodentia. Por essas características, ele está sendo adotado como modelo para estudos neuroanatômicos no Laboratório de Neuroanatomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Serão utilizados seis animais que, depois de anestesiados, serão perfundidos e os encéfalos, depois de removidos da calota craniana, serão seccionados em cortes sagitais e coronais (espessura de 30 μm) e submetidos à coloração pelo método de Nissl e imunoistoquímica para TH, Proteína Nuclear Neuronal Específica (NeuN), Proteína Acídica Fibrilar Glial (GFAP), Serotonina (5-HT), Ácido γ-aminobutírico (GABA), Glutamato (Glu) entre outros. Até o momento, três encéfalos foram processados e já foi possível identificar a presença dos três núcleos mesencefálicos, assim como caracterizar suas respectivas citoarquiteturas.

14
  • JOÃO MIGUEL GONÇALVES RIBEIRO
  • Caracterização do perfil do ciclo sono-vigília em ratos sob dessincronização forçada.

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 08/12/2011
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  • Caracterização do perfil do ciclo sono-vigília em ratos sob dessincronização forçada.

Teses
1
  • FLAVIO FREITAS BARBOSA
  • DIFERENÇAS FUNCIONAIS DAS REGIÕES HIPOCAMPAIS NA FORMAÇÃO DA MEMÓRIA DO TIPO "O QUE" E "ONDE" EM RATOS.

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 20/01/2011
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  • A memória episódica refere-se à capacidade de recordar quando e

    onde um determinado ocorreu. O hipocampo é uma estrutura chave para esse

    sistema de memória, contudo há poucos estudos em modelos animais com

    tarefas que acessem esses três aspectos simultaneamente. Recentemente, foi

    desenvolvida uma tarefa de reconhecimento de objetos em roedores que avalia

    a memória similar a episódica. Diversos estudos teóricos têm sugerido que o

    giro denteado (GD) e CA3 estão envolvidos na aquisição rápida da memória

    episódica, enquanto a sub-região CA1 estaria envolvida na separação temporal

    de diferentes episódios. Logo, o objetivo deste estudo foi avaliar o papel

    temporário dessas estruturas na formação da memória similar a episódica

    em ratos. Inicialmente, avaliamos a capacidade de ratos Wistar evocarem

    essa tarefa após 24 h de retenção, uma vez que a tarefa foi desenvolvida

    inicialmente com um intervalo de 1h. De fato, os animais conseguiram

    discriminar a localização e a ordem de apresentação dos objeto, além disso,

    escopolamina (1 mg/kg, ip.) injetada pós-treino prejudicou o desempenho dos

    animais, o que favoreceu a validação desse protocolo com esse intervalo de

    retenção. Esse novo intervalo permitiu avaliar o efeito da inativação temporária

    do giro denteado/CA3c e de CA1 na aquisição desta tarefa. Muscimol, um

    agonista gabaérgico (0,250 ug/ul; volume = 0,5 ul), ou salina no mesmo volume

    (0.9 %) foram injetados nessas estruturas. A inativação pré-treino do GD/CA3c

    prejudicou a discriminação espacial dos objetos, enquanto que a inativação

    de CA1 levou a exploração igual dos objetos. Estes resultados corroboram os

    modelos teóricos, indicando um papel importante de GD/CA3c na aquisição

    rápida de memórias episódicas, assim como na separação de padrões

    espaciais. Já CA1 deve ser importante na aquisição dos diferentes episódios

    temporalmente.

2
  • PATRICIA PEREIRA DE LIMA
  • INFLUÊNCIA DA SALINIDADE E TEMPERATURA DA ÁGUA NO COMPORTAMENTO DE CAMARÕES MARINHOS Litopenaeus vannamei (BOONE, 1931) E SUA RELAÇÃO COM O ESTRESSE

  • Orientador : MARIA DE FATIMA ARRUDA DE MIRANDA
  • Data: 25/02/2011
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  • INFLUÊNCIA DA SALINIDADE E TEMPERATURA DA ÁGUA NO COMPORTAMENTO DE CAMARÕES MARINHOS Litopenaeus vannamei (BOONE, 1931) E SUA RELAÇÃO COM O ESTRESSE

3
  • MARINO EUGENIO DE ALMEIDA NETO
  • Relação entre o padrão comportamental do camarão marinho Litopenaeus vannamei (Crustacea: Penaeidae) com os estágios do ciclo da muda e as concentrações enzimáticas

  • Orientador : MARIA DE FATIMA ARRUDA DE MIRANDA
  • Data: 28/02/2011
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  • Relação entre o padrão comportamental do camarão marinho Litopenaeus vannamei (Crustacea: Penaeidae) com os estágios do ciclo da muda e as concentrações enzimáticas

4
  • DIANA GONCALVES LUNARDI
  • Comportamento social de botos-cinza, Sotalia guianensis, na praia de Pipa, RN, Brasil: dinâmica, sequência, sincronia e respostas ao turismo de observação

  • Orientador : RENATA GONCALVES FERREIRA
  • Data: 31/03/2011
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  • Animais sociais formam grupos que podem variar de temporários a permanentes. Dependendo da natureza das relações sociais que se desenvolvem entre os indivíduos, grupos apresentam uma organização social particular e o resultado destas interações moldarão o orçamento e o padrão da atividade desses animais. O presente estudo visa investigar: (i) a dinâmica de fissão-fusão de botos-cinza, por meio da análise de três dimensões do sistema social (variação na coesão espacial, variação no tamanho e na composição dos subgrupos); (ii) a sequência, rotina e estabilidade comportamental; (iii) intervalos entre mergulhos em agregações sincrônicas e (iv) as respostas comportamentais ao turismo de observação. Observações sistemáticas de botos-cinza foram feitas a partir de um mirante localizado na enseada do Madeiro, praia de Pipa, a aproximadamente 25m acima do nível do mar. As amostragens ocorreram entre dezembro de 2007 e fevereiro de 2009, entre 6h e 16h e as agregações de boto-cinza foram investigadas de acordo com seu tamanho (solitário e grupo) e composição (adultos, adultos e juvenis, e adultos e filhotes). De acordo com a análise de dinâmica de agregação, botos-cinza mudaram sua composição frequentemente, modificando o tamanho dos subgrupos, em média, a cada 20min. Mais de 50% dos indivíduos mantiveram distâncias de até 2m entre si e novos indivíduos foram atraídos à agregação, principalmente durante alimentação, deixando-a durante o forrageio. Grandes agregações mostraram-se mais instáveis do que pequenas agregações, enquanto agregações de adultos foram mais estáveis do que agregações de adultos e juvenis. De acordo com a análise de Z-score para investigação da sequência e rotina comportamental, indivíduos solitários estiveram mais envolvidos em comportamentos de forrageio e alimentação, enquanto o repouso foi mais comum em indivíduos em grupo. O forrageio e a alimentação foram mais comuns em agregações homogêneas (indivíduos de mesma classe etária), enquanto agregações heterogêneas (de diferente classe etária) estiveram frequentemente envolvidas em socialização, apresentando um repertório comportamental mais amplo. Os comportamentos de repouso e forrageio apresentaram maior estabilidade (duração contínua em minutos), do que os demais comportamentos. A análise de intervalos entre mergulhos em agregações sincrônicas apontou diferenças significativas quanto ao tipo de comportamento, composição e preferência de área. Durante o comportamento de repouso foram observados os maiores intervalos entre mergulhos, e agregações com filhotes permaneceram submersas por menos tempo do que agregações sem filhotes. Esta última também preferiu áreas denominadas de curral, frequentemente utilizadas para o encurralamento de peixes. A partir da análise de cadeia de Markov, foram detectadas diferentes alterações comportamentais na presença dos barcos, de acordo com o tipo de composição de agregação. A maior redução do repouso e o maior aumento da frequência de deslocamento foram registrados em agregações de adultos. Adultos e juvenis apresentaram maior redução da socialização, enquanto a probabilidade de transição comportamental deslocamento-deslocamento foi maior em adultos e filhotes. Na presença dos barcos a estabilidade do repouso foi reduzida em um terço de sua duração original e o deslocamento aumentou mais do que o dobro. Os padrões comportamentais analisados são discutidos à luz dos modelos socioecológicos sobre custos e benefícios da proximidade entre indivíduos e otimização comportamental. Ademais mudanças significativas no padrão comportamental indicam que os botos cinza, na praia de pipa, vêm sofrendo os efeitos do turismo, como consequência da violação das normas de conduta estabelecidas para a área de estudo.

     

5
  • JOANILSON GUIMARAES SILVA
  • Caracterização das subpopulações de interneurônios imunorreativos para proteínas ligantes de cálcio no córtex pré-frontal do sagüi (Callithrix jacchus): distribuição e morfologia

  • Orientador : SIDARTA TOLLENDAL GOMES RIBEIRO
  • Data: 02/05/2011
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  • No córtex cerebral, os interneurônios são caracterizados pelas suas
    diferentes propriedades morfológicas, fisiológicas e bioquímicas,
    estabelecendo contatos sinápticos e modulando diferentes aspectos da
    atividade dos neurônios piramidais . As proteínas ligantes de cálcio,
    calbindina, calretinina e parvalbumina, apresentam um grande interesse
    do ponto de vista neuroanatômico, pois elas são expressas em
    subpopulações de interneurônios de diferentes áreas corticais em um
    grande número de espécies. Contudo, o córtex pré-frontal de primatas
    ainda permanece pouco explorado, especialmente no que diz respeito às
    classes de interneurônios que formam os circuitos inibitórios. Nesse
    estudo caracterizamos e comparamos a morfologia de grupos neuronais
    imunorreativos para proteínas ligantes de cálcio nas regiões medial,
    dorsolateral e orbital do córtex pré-frontal do sagüi (Callithrix
    jacchus). Foram medidos parâmetros morfométricos da arborização
    dendrítica e projeções axonais, e a distribuição espacial foi
    determinada utilizando técnicas estereológicas. Nossos resultados
    demonstraram que células ricas em calretinina apresentaram arborização
    dendrítica com perfil morfométrico mais complexo que células ricas em
    calbindina e parvalbumina. A calretinina foi expressa em células duplo
    buquê e células bipolares, a calbindina foi expressa em neurônios com
    tufos duplos e células em cesto, enquanto que a parvalbumina revelou
    terminações das células de Chandelier. Enquanto as células
    immunorreativas para calbindina e calretina apresentaram uma maior
    densidade celular nas camadas II/III, as células imunorreativas para
    parvalbumina apresentaram uma grande densidade nas camadas V/VI. A
    marcação para calretina foi predominante nas três regiões do córtex
    pré-frontal, com prevalência na região dorsolateral. Os grupos
    calbindina e parvalbumina apresentaram uma distribuição homogênea nas
    três regiões. Os resultados demonstram que as proteínas calbindina,
    calretinina e parvalbumina são expressas em grupos de interneurônios
    com características morfológicas especificas, revelando diferenças
    intrínsecas na organização dos circuitos inibitórios do córtex
    pré-frontal de primatas.

6
  • SUSANA MARIA CARDOSO DA COSTA LIMA
  • A memória de curto prazo e a síndrome de Down: a relação entre os contextos de desenvolvimento

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 19/08/2011
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  • A memória de curto prazo e a síndrome de Down: a relação entre os contextos de desenvolvimento

7
  • VALERIA FERNANDES DE SOUZA
  • Administração repetida de baixas doses de reserpina: um modelo para o estudo de déficits cognitivos associados à Doença de Parkinson

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 15/09/2011
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  • Administração repetida de baixas doses de reserpina: um modelo para o estudo de déficits cognitivos associados à Doença de Parkinson

8
  • FAUSTO PIERDONA GUZEN
  • ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DA INOCULAÇÃO DE FRAGMENTOS DO NERVO ISQUIÁTICO NA PRESENÇA DO FATOR DE CRESCIMENTO FIBROLÁSTICO 2 NA REGENERAÇÃO MORFOLÓGICA E FUNCIONAL DOS GÂNGLIOS DA RAIZ DORSAL E DA MEDULA ESPINAL DO RATO.

  • Orientador : MIRIAM STELA MARIS DE OLIVEIRA COSTA
  • Data: 08/11/2011
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  • ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DA INOCULAÇÃO DE FRAGMENTOS DO NERVO ISQUIÁTICO NA PRESENÇA DO FATOR DE CRESCIMENTO FIBROLÁSTICO 2 NA REGENERAÇÃO MORFOLÓGICA E FUNCIONAL DOS GÂNGLIOS DA RAIZ DORSAL E DA MEDULA ESPINAL DO RATO.

9
  • DIJENAIDE CHAVES DE CASTRO
  • ESTUDO COMPORTAMENTAL E ENDÓCRINO DAS FASES DO DESENVOLVIMENTO DE SAUI COMUM, CALLINTHRIX JACCHUS.

  • Orientador : MARIA BERNARDETE CORDEIRO DE SOUSA
  • Data: 11/11/2011
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  • ESTUDO COMPORTAMENTAL E ENDÓCRINO DAS FASES DO DESENVOLVIMENTO DE SAUI COMUM, CALLINTHRIX JACCHUS.

10
  • KLIGER KISSINGER FERNANDES ROCHA
  • EFEITOS DA PRÁTICA DE YOGA NA MEMÓRIA E EM PARÂMETROS PSICOLÓGICOS E FISIOLÓGICOS DE HOMENS SAUDÁVEIS

  • Orientador : REGINA HELENA DA SILVA
  • Data: 02/12/2011
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  • EFEITOS DA PRÁTICA DE YOGA NA MEMÓRIA E EM PARÂMETROS PSICOLÓGICOS E FISIOLÓGICOS DE HOMENS SAUDÁVEIS

2010
Dissertações
1
  • JOSE RONALDO DOS SANTOS
  • Expressão de ZIF268 no cérebro do lagarto Tropidorus hispidus após exploração de um ambiente 10enriquecido
  • Orientador : SIDARTA TOLLENDAL GOMES RIBEIRO
  • Data: 24/02/2010
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  • Expressão de ZIF268 no cérebro do lagarto Tropidorus hispidus após exploração de um ambiente 10enriquecido
2
  • FABIO VIEGAS CAIXETA
  • Acoplamento de atividade neural entre o giro denteado e a região CA3 hipocampal durante a formação de memórias espaciais
  • Orientador : SIDARTA TOLLENDAL GOMES RIBEIRO
  • Data: 26/02/2010
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  • Acoplamento de atividade neural entre o giro denteado e a região CA3 hipocampal durante a formação de memórias espaciais
3
  • PABLO AUGUSTO GURGEL DE SOUSA
  • Estrutura da comunidade de lagartos de um remanescente de Mata Atlântica do Estado do Rio Grande do Norte, Brasil

  • Orientador : ELIZA MARIA XAVIER FREIRE
  • Data: 18/03/2010
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  • Como parte de um Projeto mais amplo, "Diversidade e Padrões de Distribuição da Composição Florística e Faunística de remanescentes da Mata Atlântica potiguar, como subsídios à Conservação", que subsidia um grupo de pesquisa institucional, este estudo objetivou avaliar a estrutura da assembléia de lagartos de um remanescente de Mata Atlântica setentrional, identificando fator (es) ecológicos que contribuem para a coexistência das espécies simpátricas. Adcionalmente, foram estudados a ecologia termal e o comportamento de termorregulação de espécies umbrófilas e heliófilas habitantes do Parque Estadual Mata da Pipa (PEMP), um remanescente de Mata Atlântica localizado no município de Tibau do Sul, Estado do Rio Grando do Norte, Brasil. É um dos maiores remanescente de Mata Atlântica do Estado e possui uma área de aproximadamente 290 ha. O trabalho foi efetuado por meio de quatro excursões à campo, com duração de 20 dias cada, quando buscas ativas e armadilhas de queda foram utilizadas para registrar e coletar os espécimes nos diversos hábitats da área. Registraram-se 19 espécies de lagartos, das quais sete são de áreas florestadas, três endêmicas de Mata Atlântica duas destas setentrionais e uma é um novo registro para o Rio Grande do Norte. Quanto à utilização dos recursos, as espécies filogeneticamente próximas nem sempre utilizaram de maneira semelhante os recursos disponíveis; o nicho alimentar foi o componente segregativo das espécies que se sobrepuseram amplamente no uso do espaço e vice-versa. Para analisar a ecologia térmica e o comportamento termoregulatório de

    Kentropyx calcarata e Coleodactylus natalensis registrou-se a temperatura cloacal (Tc), a do substrato (Ts) e a do ar (Ta) para averiguar qual (is) destas constitui a fonte de calor mais importante para a regulação de temperatura corpórea desses lagartos. Observações comportamentais foram efetuadas para analisar estratégias para otimizar a obtenção de calor. A temperatura do ar explicou mais fortemente a variação na temperatura corporal de K. calcarata, enquanto a temperatura do substrato a de C. natalensis. Quanto às observações comportamentais, foi confirmado para K. calcarata que este é um termorregulador heliófilo ativo; C. natalensis é umbrófilo ou termorregulador passivo.

4
  • ALEXANDRE DOUGLAS PARO TAVARES FERREIRA
  •  

    Estimativa populacional e uso do hábitat do boto-cinza (Sotalia guianensis) no litoral sul do Rio Grande do Norte

  • Orientador : RENATA GONCALVES FERREIRA
  • Data: 19/03/2010
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5
  • ROVENA CLARA GALVAO JANUARIO ENGELBERTH
  • Caracterização citoarquitetônica, neuroquímica e de aferência óptica do complexo parabraquial do sagüi (Callithrix jacchus)

  • Orientador : JEFERSON DE SOUZA CAVALCANTE
  • Data: 23/04/2010
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  • Caracterização citoarquitetônica, neuroquímica e de aferência óptica do complexo parabraquial do sagüi (Callithrix jacchus)

6
  • DALILA TELES LEÃO MARTINS
  • Caracterização do repertório acústico do boto-cinza, Sotalia guianensis, e impacto de embarcações no Nordeste do Brasil

  • Orientador : ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
  • Data: 26/04/2010
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  • Caracterização do repertório acústico do boto-cinza, Sotalia guianensis, e impacto de embarcações no Nordeste do Brasil

7
  • ALINE SILVA BELISIO
  • Influência de fatores sociais sobre o ciclo sono e vigília de crianças na educação infantil

  • Orientador : CAROLINA VIRGINIA MACEDO DE AZEVEDO
  • Data: 03/05/2010
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  • Influência de fatores sociais sobre o ciclo sono e vigília de crianças na educação infantil

8
  • JANE CARLA DE SOUZA
  • Caracterização do ciclo sono/vigília de professores do ensino médio em Natal/RN.

  • Orientador : CAROLINA VIRGINIA MACEDO DE AZEVEDO
  • Data: 04/05/2010
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  • Caracterização do ciclo sono/vigília de professores do ensino médio em Natal/RN.

9
  • LUCIANE DUTRA COLETTI
  • Influência social no forrageio de itens camuflados e avermelhados em saguis (Callithrix jacchus) cativos
     

  • Orientador : DANIEL MARQUES DE ALMEIDA PESSOA
  • Data: 20/05/2010
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  • Influência social no forrageio de itens camuflados e avermelhados em saguis (Callithrix jacchus) cativos
     

10
  • ISABELLI DE CARVALHO MORENO
  • O efeito "inimigo íntimo" é aplicável a Dinoponera quadríceps (Hymenoptera, Formicidae)?

  • Orientador : ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
  • Data: 28/05/2010
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  • O efeito "inimigo íntimo" é aplicável a Dinoponera quadríceps (Hymenoptera, Formicidae)?

11
  • RICARDO ALMEIDA EMIDIO
  • Otimização no uso de martelos e bigornas para quebrar sementes por macacos-prego (Cebus flavius e C. libidinosus) no Bioma Caatinga

  • Orientador : RENATA GONCALVES FERREIRA
  • Data: 28/05/2010
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  • Otimização no uso de martelos e bigornas para quebrar sementes por macacos-prego (Cebus flavius e C. libidinosus) no Bioma Caatinga

12
  • BRENO TERCIO SANTOS CARNEIRO
  • Sincronização dos ritmos de atividade motora e temperatura central à disponibilidade de glicose em ratos

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 10/08/2010
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  • O alimento é essencial para a sobrevivência de todos os animais. Sua disponibilidade temporal é uma pista ambiental importante para a organização comportamental e fisiológica ao longo das 24 horas do dia em diferentes espécies. Ratos e camundongos, por exemplo, mostram aumento da locomoção nas horas que antecedem a disponibilidade de alimento quando este é apresentado de forma recorrente, um comportamento denominado de atividade antecipatória ao alimento. Várias evidências indicam que esta antecipação é mediada por um oscilador circadiano, independente do núcleo supraquiasmático do hipotálamo (principal oscilador circadiano em mamíferos). Neste trabalho, com base na hipótese de que sinais humorais pré- ou pós-ingestivos estão envolvidos no processo de sincronização, testamos se a ingestão diária de glicose é suficiente para induzir atividade antecipatória em ratos. Os ritmos de atividade motora e temperatura foram registrados em animais submetidos a 10 dias de restrição de glicose (solução a 50 %) ou ração em claro-escuro (CE) 12h:12h e escuro constante (EE). A ingestão de glicose é uma písta temporal suficiente para induzir ritmos antecipatórios de atividade e temperatura ratos. É possível que o aumento na concentração plasmática de glicose após a ingestão de alimento constitua um dos sinais envolvidos no processo de sincronização comportamental à disponibilidade de alimento. 

13
  • TIAGO JOSÉ BENEDITO EUGÊNIO
  • A trapaça é rara, mas é bem lembrada: o efeito da cor da pele e do gênero na memória de faces

  • Orientador : MARIA EMILIA YAMAMOTO
  • Data: 19/08/2010
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  • Todas as sociedades apresentam uma ordem, esta caracterizada por um

    conjunto de normas sobre o que é permitido e o que deve ser coibido. A

    compreensão sobre a origem, fixação e evolução das normas de convivência é

    fundamental para entender a sociedade tal como ela é; bem como o real papel

    dos indivíduos que as compõem e escrevemos um artigo teórico abordando

    essa idéia. Apresentamos a Teoria do Contrato Social como um modelo

    interessante para o estudo da evolução dos mecanismos cognitivos que

    regulam as trocas sociais. Esta teoria postula a existência de um módulo

    específico de trapaça. Diversos trabalhos procuraram testar essa hipótese,

    inclusive relacionando esta adaptação com a melhor recordação de faces de

    trapaceiros. No entanto, observamos que estes apresentam resultados

    divergentes sobre a existência ou não de um suposto módulo para a detecção

    de trapaceiros. Além disso, foi possível constatar falhas metodológicas nos

    trabalhos anteriores e a negligência no estudo da relação entre a lembrança e

    variáveis inerentes a qualquer indivíduo como o sexo e diferenças quanto à

    tonalidade da cor da pele. Assim, se fez necessária uma nova investigação

    descrita no artigo empírico. Para tanto, expusemos 190 alunos do ensino médio

    e universitário a oito vídeos de 30’’ cada, aonde era exibidas cenas de um

    sujeito estímulo (SE; 4 homens e 4 mulheres) com diferentes tonalidades de

    cor de pele. Fazendo uso de fones de ouvido os participantes ouviam uma

    narração, a qual identificava o SE como não confiável ou confiável. Depois de

    uma tarefa de distração, os participantes assistiam a uma sessão de fotos de

    fotos com 34 SE, incluindo os 8 SE vistos nos vídeos. Os participantes eram

    solicitados para apontar quais SE foram exibidos nos vídeos. Nossos

    resultados apontam uma memória diferencial para os SE identificados como

    não confiáveis. A

    para a existência de um módulo específico para a detecção de trapaça, uma

    vez que se lembrar de indivíduos não confiáveis, de fato, é fundamental para

    amenizar ou evitar os custos das interações com os mesmos no futuro.

    Entretanto, as análises subseqüentes, incluindo variáveis inerentes a qualquer

    indivíduo como o sexo e a tonalidade da cor da pele dos SE mostram a

    influência da seleção sexual e dos fatores culturais na lembrança de faces. Por

    exemplo, os SE do sexo feminino são mais bem lembradas pelos sujeitos

    experimentais do mesmo sexo e os SE confiáveis e com cor de pele mais

    escura são mais bem lembrados tanto pelos homens como mulheres

    participantes. Além disso, observamos que existe uma tendência para

    lembrança de eventos ou características percebidas como raras ou menos

    salientes na população. Acreditamos que prestar atenção àquilo que é diferente

    confere uma vantagem adaptativa, pois se a maioria da população age de uma

    determinada forma é fácil ter uma estratégia de resposta às estratégias dos

    outros. Porém, quando o padrão é raro ou errático é preciso mudar o

    comportamento em resposta a esses eventos que saem do padrão. Assim

    sendo, prestar atenção àquilo que é diferente pode ter permitido os indivíduos a

    usarem estratégias condicionais de maneira mais eficiente.

    priori poderíamos constatar e aceitar isso como evidência

14
  • ALVARO DA COSTA BATISTA GUEDES
  • AUSÊNCIA DO PAI AO LONGO DO DESENVOLVIMENTO ONTOGENÉTICO E INDICADORES DE DESCONTO DE FUTURO: UMA CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA EVOLUCIONISTA

  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 20/08/2010
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  • Conceito oriundo das ciências econômicas, mais exatamente do ramo da economia comportamental, o tema do desconto de futuro vem despertando cada vez mais o interesse dos psicólogos de orientação experimental. Dentre eles, o novo paradigma da Psicologia Evolucionista (P.E.) vem tentando compreender como os seres humanos tomam suas decisões ao longo do tempo levando em conta as mais diversas variáveis, tendo sempre em mente que tal processo cognitivo é tributário de um complexo processo de seleção natural ocorrido nos milhões de anos que se passaram. Um dos principais temas discutidos por este novo paradigma é a questão do investimento parental, ou seja, o cuidado fornecido pelos pais a uma prole às custas do investimento em outra. O presente trabalho buscou integrar esses dois temas, tentando compreender como algumas variáveis modulam o processo de tomada de decisões de uma amostra do município de Natal, Estado do Rio Grande do Norte. Investigou-se a hipótese de que a presença de ambos os pais, ao longo de desenvolvimento individual, poderia sinalizar um ambiente mais favorável, fornecendo ao sujeito pistas de que ele pode assumir uma posição competitiva no mercado sócio-biológico. Suas decisões, portanto, poderiam ser pautadas pelo investimento de longo prazo com vistas à obtenção de recompensas mais robustas. Ao contrário, aquele que em algum momento sofreu a ausência de um dos pais poderia se desenvolver de modo não tão competitivo, passando a escolher benefícios imediatos, porém menores, uma vez que o futuro lhe seria menos previsível devido às suas piores condições de desenvolvimento. Neste estudo participaram 152 sujeitos oriundos de três Instituições de Ensino Superior, sendo uma pública e duas privadas. Pelos resultados encontrados não houve diferença entre filhos de pais unidos e filhos de pais separados ou falecidos no que concerne às taxas de desconto. Os níveis de desesperança também não influenciaram as taxas de desconto dos filhos de pais separados nem dos filhos de pais falecidos, quando comparados aos filhos de pais unidos. Não ter um dos pais por motivo de separação fez com que o filho tendesse a apresentar escores mais baixos no domínio das relações sociais do WHOQOL – Bref  e quando o pai estava ausente por motivo de falecimento os escores foram mais baixos no domínio de meio ambiente. Os resultados indicam que perder um dos pais ao longo do desenvolvimento influencia a percepção de qualidade de vida do sujeito, mas o método de mensuração de taxa de desconto de futuro por meio de escolhas financeiras não é sensível a essa variação.

15
  • FABIANO SANTOS FORTES
  • O efeito da dessincronização circadiana sobre o metabolismo

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 24/08/2010
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  • O efeito da dessincronização circadiana sobre o metabolismo

16
  • DANIELA KELLER MENEZES
  • Transferência de alimento aos infantes de Callithrix jacchus em uma situação de restrição versus não restrição de alimento

  • Orientador : MARIA DE FATIMA ARRUDA DE MIRANDA
  • Data: 27/08/2010
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  • Transferência de alimento aos infantes de Callithrix jacchus em uma situação de restrição versus não restrição de alimento

17
  • LUIZA CERVENKA BUENO DE ASSIS
  • Idade da menarca em adolescentes brasileiras: relação entre estresse familiar, estresse escolar (Bullying) e cortisol salivar

  • Orientador : MARIA EMILIA YAMAMOTO
  • Data: 17/09/2010
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  • A Psicologia Evolucionista é um ramo da Psicologia que se baseia principalmente em idéias propostas por Charles Darwin. Este, em suas obras, propõe conceitos tais como a seleção natural, mostrando que a evolução não tem um objetivo e que seu ápice não é a espécie humana. Com base nisso, propusemos dois artigos; um com enfoque no no desenvolvimento sexual feminino e seus fatores e o outro no estresse escolar (bullying). O primeiro artigo teve por objetivo geral investigar a idade da menarca em função de estresse em adolescentes de São Paulo/SP e de Natal/RN, e o segundo, investigar o estresse escolar (bullying) e sua influência na menarca em adolescentes das mesmas cidades do primeiro artigo. Ambas as amostras consistiram de 266 meninas, sendo 78 de São Paulo e 168 de Natal, destas 105 de escolas com alto IQV (Índice de Qualidade de Vida) e 63 escolas com baixo IQV, todas entre 13 e 18 anos, as quais responderam a um questionário anônimo, individualmente e em casa. Os resultados obtidos confirmaram a teoria energética e de supressão por estresse (artigo 1) e mostraram uma forte relação entre estresse familiar sofrido e o bullying vivido na infância (artigo2).

18
  • ANA KARINNE MOREIRA DE LIMA
  • Ontogênese comportamental de Callithrix jacchus em ambiente natural

  • Orientador : MARIA DE FATIMA ARRUDA DE MIRANDA
  • Data: 30/09/2010
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  • Ontogênese comportamental de Callithrix jacchus em ambiente natural

19
  • FRANCISCA PATRICIA DA SILVA
  • Avaliação do padrão do ciclo sono-vigília e a cognição em estudantes de medicina com diferentes esquemas de horários de aulas

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 07/10/2010
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  • Avaliação do padrão do ciclo sono-vigília e a cognição em estudantes de medicina com diferentes esquemas de horários de aulas

20
  • CRISTIANA ENGELMANN
  • Fatores que influenciam a neofobia alimentar em fêmeas e filhotes de saguis (Callithrix jacchus)

  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 08/10/2010
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  • Fatores que influenciam a neofobia alimentar em fêmeas e filhotes de saguis (Callithrix jacchus)

21
  • RAFAELLA KALINE COSTA XAVIER
  • Relação entre o ciclo sono e vigília e função cardiorrespiratória em estudantes de medicina

  • Orientador : JOHN FONTENELE ARAUJO
  • Data: 08/10/2010
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  • Os estudantes, normalmente, apresentam um padrão de sono irregular caracterizado por atrasos de início e final do sono dos dias de semana para os finais de semana, curta duração de sono nos dias de semana e longa duração de sono nos finais de semana. O sono prolongado nos finais de semana é devido à redução do sono durante os dias de aulas ou de trabalho. A redução do sono necessário e a irregularidade nos padrões de sono provocam detrimentos relevantes a curto e longo prazo no desempenho físico e no cognitivo. O desempenho cardiorrespiratório representa além do condicionamento físico, traços associados às condições de saúde e, em muitos estudos, no padrão e/ou qualidade do sono de um indivíduo. O objetivo desse estudo foi, avaliar do padrão do ciclo sono e vigília e a função cardiorrespiratória de estudantes de medicina em diferentes esquemas de horários de aulas. O estudo foi realizado com duas turmas de estudantes de medicina da UFRN, uma assistia aula às 7h (n=47) e a outra assistia aula às 8h (n=41) durante a semana. Na 1ª etapa do estudo todos os voluntários responderam o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (IQSP), a versão em português do questionário de Cronotipo de Horne e Östberg (HO), o questionário a Saúde e o sono e a escala de sonolência de Epworth (ESE). Na segunda etapa, 24 alunos (12 de cada turma) tiveram o ritmo de monitorado por actímetros com 2min de intervalo, por 14 dias, concomitante ao preenchimento do diário do sono, nesse mesmo período, cada voluntário fez o teste de esforço (esteira ergométrica) uma única vez, sempre no período da manhã (entre 9h e 11h).  Os estudantes apresentam um padrão irregular do CSV e essa irregularidade e fortemente influenciada pelos horários de aula, além da contribuição da demanda acadêmica, atividades sociais e fatores endógenos. Os alunos que acordam mais cedo apresentam maios irregularidade no padrão de CSV. Quanto mais cedo o horário de aulas pior a qualidade do sono e maior a freqüência de estudantes com sonolência diurna excessiva. Os horários de aula e o padrão de CVS irregular não mostraram efeito sob o desempenho cardiorrespiratório dos estudantes de medicina, o desempenho no teste parece ser afetado por outros fatores, que podem ser relacionados ao padrão do CSV ou não. Assim, sugere-se que o início tardio das aulas provoca menor irregularidade no padrão do CSV, porém observou-se que essa irregularidade e o horário de aula parece não afetar a desempenho cardiorrespiratório diretamente.

22
  • MAISA DE SOUZA LIMA
  • Uso de habitat e comportamento do boto-cinza Sotalia guianensis em uma zona estuarina do estado de Sergipe, BRASIL

  • Orientador : ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
  • Data: 13/12/2010
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  • Para esclarecer os mecanismos funcionais do uso do habitat é preciso analisá-lo conjuntamente ao comportamento realizado pelos animais. A ocorrência, distribuição e uso do espaço são características de uma espécie decorrentes da seleção do habitat que esta faz em busca das condições favoráveis à sua sobrevivência. Podem-se relacionar os fatores físicos e biológicos do ambiente com as características ecológicas da espécie, já que estes fatores atuam regulando o sucesso ecológico dos organismos, e a partir disso é possível obter importantes informações sobre o uso de habitat e do comportamento dos indivíduos. Assim, este estudo objetivou caracterizar o uso de habitat e o comportamento diurno expresso pelo boto-cinza, Sotalia guianensis, em uma zona estuarina do estado de Sergipe, Brasil, analisando a influência do estado da maré e hora do dia sobre a ocorrência dos animais e dos estados de comportamento, bem como verificar o tamanho e composição dos agrupamentos nesta espécie de cetáceo. Para isso, de Março de 2009 a Fevereiro de 2010, observações focais dos agrupamentos de botos foram feitas a partir de ponto - fixo e os registros instantâneos dos dados efetuados a cada 5 min., no intervalo das 6:00h as 18:00h, em turnos alternados. Os resultados mostraram que a constante presença dos animais na zona estuarina do Rio Sergipe indica que esta é uma importante área de ocorrência de S. guianensis, os quais usam a região principalmente no turno da manhã, em níveis baixos de maré e como área de alimentação. Como em outras regiões do nordeste do Brasil, pequenos agrupamentos foram mais comuns, formados por 2 a 12 indivíduos de ambas as classes de idade, adultos e imaturos. A alta freqüência de animais imaturos pode indicar que esta área do estuário seja utilizada como área de cria e cuidado parental dos filhotes e animais jovens, já que os imaturos estiveram bastante associados aos adultos e o acompanhamento nas atividades de forrageio/ alimentação pode estar relacionado a uma forma de aprendizagem ou treinamento desse comportamento.

23
  • JOACIL GERMANO SOARES
  • Delimitação dos grupamentos serotoninérgicos/núcleos da rafe do mocó (Kerodon rupestris): Citoarquitetura e imunoistoquímica para serotonina

  • Orientador : MIRIAM STELA MARIS DE OLIVEIRA COSTA
  • Data: 28/12/2010
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  • Delimitação dos grupamentos serotoninérgicos/núcleos da rafe do mocó (Kerodon rupestris): Citoarquitetura e imunoistoquímica para serotonina

Teses
1
  • LEONARDO BARROS RIBEIRO
  • Ecologia comportamental de Tropidurus hispidus e Tropidurus semitaeniatus (Squamata, Tropiduridae) em simpatria, em área de caatinga do Nordeste do Brasil

  • Orientador : ELIZA MARIA XAVIER FREIRE
  • Data: 19/03/2010
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  • Este estudo avaliou o uso dos recursos espacial, temporal e alimentar por

    Tropidurus hispidus

    e

    bem como seus comportamentos de forrageamento e termorregulatório, suas temperaturas

    corpóreas em atividade e seus ciclos reprodutivos e de gordura corpórea. Excursões mensais,

    de outubro de 2006 a maio de 2008, foram realizadas à Estação Ecológica do Seridó (ESEC

    Seridó), município de Serra Negra do Norte, com utilização de metodologia específica para a

    investigação dos objetivos acima mencionados. As duas espécies apresentaram similaridades

    no uso do nicho espacial, especialmente no hábitat rochoso; contudo, elas diferiram no uso

    vertical do micro-hábitat com

    Na estação seca o período de atividade de ambas as espécies foi bimodal. Na estação chuvosa,

    a atividade de

    uma atividade bimodal. Em termos de importância na dieta, para ambas as espécies, os

    Hymenoptera/Formicidae e Isoptera predominaram na estação seca. Na estação chuvosa ainda

    que os Hymenoptera/Formicidae continuaram a ter maior importância entre os itens

    alimentares, os lagartos predaram oportunisticamente larvas de Lepidoptera, larvas/adultos de

    Coleoptera e ninfas/adultos de Orthoptera. A medida de intensidade de forrageamento revelou

    diferenças entre as espécies, especialmente na estação chuvosa, quando

    mais ativo do que

    Tropidurus semitaeniatus em simpatria em uma caatinga do Rio Grande do Norte, Brasil,T. hispidus usando uma faixa vertical maior do micro-hábitat.T. semitaeniatus mostrou um período unimodal, enquanto T. hispidus manteveT. semitaeniatus foiT. hispidus. A temperatura corpórea média em atividade de T. semitaeniatus

    foi significativamente superior a de

    que, durante a estação seca,

    sombra ou sob sol filtrado. Na estação chuvosa,

    gasto entre os locais de exposição à luz, contudo

    tempo exposto ao sol ou sob sol filtrado. A reprodução de

    T. hispidus. O comportamento termorregulatório mostrouT. hispidus e T. semitaeniatus gastaram mais tempo expostos àT. hispidus não mostrou diferenças no tempoT. semitaeniatus esteve a maior parte de seuT. hispidus e T. semitaeniatus

    ocorreu entre a metade da estação seca e o início da estação chuvosa. Em ambas as espécies, a

    atividade reprodutiva das fêmeas foi influenciada pela precipitação, enquanto os machos

    apresentaram espermatozóides nos testículos ao longo de todo o ano, e sua atividade

    reprodutiva não foi relacionada com nenhuma das variáveis climáticas analisadas. O estoque

    de gordura corpórea variou inversamente com a atividade reprodutiva nas duas espécies, e não

    houve diferença entre fêmeas e machos quanto a massa dos corpos adiposos.

    Concluímos que

    xvi

    a segregação entre

    do espaço, na maior vagilidade de

    amplitude de tamanho de seus itens alimentares. Adicionalmente, diferenças sazonais

    significativas em relação ao período de atividade, temperatura corpórea, e comportamentos de

    forrageamento e termorregulatório entre essas duas espécies de

    coexistência.

    T. hispidus e T. semitaeniatus nesta área de caatinga ocorre no uso verticalT. hispidus na utilização de micro-hábitats e maiorTropidurus, possibilitam a

2
  • JOSE GARCIA JUNIOR
  • Ecologia comportamental de juvenis de tubarão limão, Negaprion brevirostris (Poey, 1868), no Arquipélago de Fernando de Noronha

  • Orientador : ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
  • Data: 03/05/2010
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  • Ecologia comportamental de juvenis de tubarão limão, Negaprion brevirostris (Poey, 1868), no Arquipélago de Fernando de Noronha

3
  • RICARDO RODRIGUES DOS SANTOS
  • Uso de ferramentas por macacos-prego em manguezais

  • Orientador : ARRILTON ARAUJO DE SOUZA
  • Data: 14/05/2010
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  • Uso de ferramentas por macacos-prego em manguezais

4
  • ALEX POETA CASALI
  • Atividades comportamentais e comportamento alimentar de rã-touro, Lithobates catesbeianus (Shaw, 1802), albina e de pigmentação normal em cativeiro

  • Orientador : MARIA DE FATIMA ARRUDA DE MIRANDA
  • Data: 07/06/2010
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  • Atividades comportamentais e comportamento alimentar de rã-touro, Lithobates catesbeianus (Shaw, 1802), albina e pigmentação normal em cativeiro.

2009
Dissertações
1
  • FELIPE NALON CASTRO
  • Preferências e escolhas românticas entre universitários
  • Orientador : FIVIA DE ARAUJO LOPES
  • Data: 27/03/2009
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  • Muitos estudos encontraram diferentes padrões de preferência para homens e para mulheres por parceiros românticos para relacionamento de curta e longa duração. Sabe-se que as preferências variam em função do sexo dos indivíduos, do nível de envolvimento esperado para o relacionamento e de acordo com a percepção que os sujeitos têm de si mesmos. No presente estudo, buscamos investigar se as preferências tipicamente encontradas para os sexos também ocorrem entre estudantes universitários brasileiros. Investigamos também se os indivíduos buscam parceiros de acordo com as preferências sexuais e se as preferências ideais realmente são expressas nas escolhas reais. Para estas investigações, 370 estudantes universitários descreveram o perfil de um parceiro ideal para relacionamento de curto e longo prazo através da avaliação conjunta de nove características. Cada perfil ideal foi descrito ao longo de três simulações, nas quais a quantidade de pontos disponíveis a serem investidos era limitada e era gradualmente reduzida. Após a descrição destes perfis, os participantes descreveram o parceiro atual ou o anterior (caso não estivessem se relacionando) e realizaram uma auto-avaliação com as mesmas características utilizadas na descrição das preferências. De forma geral, os resultados obtidos em diversos países foram observados no Brasil. Para relacionamentos de curto prazo encontramos que os homens priorizaram atributos físicos e as mulheres valorizam os atributos físicos e pessoais. Para longo prazo, os traços pessoais ganharam importância nas preferências masculinas e as mulheres enfatizaram traços pessoais e a disposição do parceiro em adquirir recursos. Identificamos também perfis de preferências similares para ambos os sexos e que as preferências românticas refletem similaridades com as características dos próprios indivíduos, além das preferências sexuais típicas previstas pela Teoria do Investimento Parental. Os homens, ao avaliar suas parceiras reais, as consideraram mais atraentes fisicamente do que eles, muito embora menos inteligentes, bem humoradas e ambiciosas/dispostas ao trabalho. As mulheres, por sua vez, descreveram seus parceiros como tão bons quanto elas. Por fim, observamos uma equivalência entre as características dos sujeitos e as de seus parceiros, sendo tal efeito mais acentuado entre os homens. Os últimos parceiros foram descritos apenas como menos sinceros. A interpretação de grande parte dos resultados foi plausível a partir de explicações evolucionistas e sócio-culturais e foi discutida sob as duas perspectivas. Concluímos o trabalho ressaltando que as preferências românticas tradicionais ocorrem no Brasil e que o sexo, os tipos de relacionamentos e a visão que as pessoas têm de suas próprias características afetam as preferências, manifestando-se nas escolhas de parceiros reais.
2
  • PRISCILA FERNANDES SILVA
  • COMPORTAMENTO ALIMENTAR DO CAMARÃO MARINHO Farfantepenaeus subtilis EM CONDIÇÕES LABORATORIAIS
  • Orientador : MARIA DE FATIMA ARRUDA DE MIRANDA
  • Data: 30/03/2009
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  • A carcinicultura é uma atividade de grande importância econômica no Brasil. Um fator que contribuiu para o crescimento da atividade foi a introdução da espécie Litopenaeus vannamei. A utilização de uma espécie exótica pode causar danos ao ecossistema nativo e atualmente L. vannamei é a única espécie cultivada no Brasil, não havendo uma alternativa para o setor. Daí a necessidade de estudos com espécies nativas que possam representar outra via para a produção, em particular Farfantepenaeus subtilis. O conhecimento sobre o comportamento e fisiologia da espécie e sobre a influência das características do ambiente, como o ciclo de luz e substrato, sobre a ingestão, pode otimizar o manejo e minimizar o impacto do despejo de efluentes no meio ambiente. Assim, esse estudo objetiva caracterizar o comportamento alimentar de F. subtilis ao longo do ciclo de luz em diferentes substratos sob condições laboratoriais. Para isso foi elaborado um etograma utilizando 20 animais trazidos da natureza, e observados pelos métodos ad libitum e Todas as Ocorrências. Para observação do comportamento alimentar dois experimentos foram realizados em diferentes substratos, com duração de 15 dias contínuos cada. No primeiro experimento 40 animais foram distribuídos em oito aquários, quatro na fase de claro e quatro na fase de escuro, com substrato de conchas de ostras trituradas (halimeda). No segundo experimento 20 animais foram distribuídos em quatro aquários, dois na fase de claro e dois na fase de escuro, com substrato de areia. Em ambos os experimentos os animais foram observados na fase de claro nos horários 7h, 10h, 13h e 16h (1, 4, 7, 10) e nos horários equivalentes na fase de escuro19h, 22h, 1h e 4h (1, 4, 7, 10), em janelas de 10 minutos antes e imediatamente após a oferta da ração. Os comportamentos registrados foram: ingestão do item ofertado, ingestão do item que não o ofertado, parado, exploração, exploração vertical, natação, rastejamento, cavar, enterramento, limpeza e o deslocamento dos animais. Após a oferta do alimento as latências de chegada a bandeja e de consumo do alimento foram registradas. Ao todo 19 comportamentos foram descritos para a espécie. F. subtilis apresentou uma maior diversidade de comportamentos na halimeda, mesmo na fase de claro, enquanto que na areia o enterramento predominou. Nos dois substratos o deslocamento, rastejamento e exploração foram mais freqüentes após a oferta do alimento, enquanto o parado e o enterramento foram mais frequentes antes. A ingestão da ração foi maior no substrato de halimeda, não diferindo entre as fases de claro e escuro, o ganho de peso dos animais também foi maior nesse substrato. Na areia a ingestão foi mais freqüente na fase de escuro, o que sugere que substratos de maior granulometria favorecem a ingestão do alimento em juvenis de F. subtilis. Nossos resultados demonstram a importância do conhecimento da espécie e de sua resposta aos estímulos do ambiente, como subsídio para o desenvolvimento de estratégias de manejo eficientes.
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  • HINDIAEL AERAF BELCHIOR
  • Neurofisiologia hipocampal durante sessões de sono intercaladas por exploração espacial: Reverberação do passado ou previsão do futuro
  • Data: 17/04/2009
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  • A capacidade de prever ameaças ou recompensas futuras é crucial para a sobrevivência. Estudos recentes têm investigado a predição de eventos futuros pelo hipocampo. Neurônios hipocampais exibem robusta seletividade para localização do animal no espaço. Assim, a atividade desses neurônios representa um mapa cognitivo do espaço durante a navegação e também durante o planejamento ou retrospectiva de navegação. Tal seletividade permite o envolvimento do hipocampo na formação de memórias espaciais e episódicas, incluindo o ordenamento de eventos sequenciais. Por outro lado, a descoberta de atividade reverberante em múltiplas áreas cerebrais durante os sonos de ondas lentas e REM revela o papel do sono na consolidação de traços de memória recém adquiridos na vigília. Até o momento, não há estudos investigando se a atividade de neurônios hipocampais durante o sono pode prever mudanças ambientais regulares. O objetivo deste estudo foi analisar a atividade de populações de neurônios hipocampais durante sessões de sono intercaladas por exploração espacial, em que a localização da recompensa muda de forma previsível a cada bloco da tarefa. Para isso, realizamos o implante crônico de uma matriz de 32 eletrodos na região de CA1 do hipocampo em três ratos machos da linhagem Wistar. Com a intenção de induzir a atividade de diferentes subgrupos de neurônios a cada ciclo de tarefa, submetemos os animais a quatro blocos de exploração espacial de um labirinto em cruz em que a recompensa era oferecida apenas em um braço a cada bloco. A localização da recompensa mudava a cada bloco, percorrendo todos os braços ao final da sessão diária. Os animais foram registrados por 2-12 dias consecutivos. Durante a exploração do labirinto em cruz, 67,5% dos neurônios registrados apresentaram diferenças de taxas de disparo entre os quatro braços do labirinto. Além disso, em média, 42% dos neurônios apresentaram grau elevado de sincronia entre pares neuronais (R>0,3) em cada braço. Isso nos permitiu selecionar subgrupos de neurônios representativos para cada braço do labirinto e analisar a atividade desses subgrupos durante as sessões de sono. Observamos que os subgrupos de neurônios selecionados por diferenças na taxa de disparo durante exploração dos braços mantêm as taxas de disparo diferenciadas nas sessões de sono. O mesmo não ocorre para subgrupos selecionados por sincronia. Além disso, os níveis de similaridade das sessões de sono com os padrões de cada braço foram maiores usando toda a população de neurônios, do que usando subpopulações selecionadas por taxa ou sincronia. A atividade da população, ou de subpopulações, de neurônios hipocampais durante as sessões de sono não apresentou similaridade diferente entre os quatro braços 3 do labirinto em cruz. Entretanto, verificamos que as sessões de sono pré-exploração apresentam maiores níveis de similaridade com a atividade do braço alvo do que as sessões de sono pós-exploração. Ou seja, a atividade neural do sono que antecede a tarefa reflete mais fortemente a localização da recompensa do que a atividade do sono subsequente a tarefa. Nossos resultados sugerem que a atividade neural durante o sono pode prever mudanças ambientais regulares.
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  • DANILO GUSTAVO RODRIGUES DE OLIVEIRA
  • Papel de sinais cromáticos na identificação de parceiros sexuais em sagüi comum (Callithrix jacchus)

  • Orientador : DANIEL MARQUES DE ALMEIDA PESSOA
  • Data: 22/04/2009