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Banca de QUALIFICAÇÃO: PAULO DOURIAN PEREIRA DE CARVALHO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : PAULO DOURIAN PEREIRA DE CARVALHO
DATA : 26/12/2017
HORA: 09:30
LOCAL: Sala 913 - DAN
TÍTULO:

Relações entre os idosos residentes no instituto Juvino Barreto e o Estado bucrocrático moderno


PALAVRAS-CHAVES:

Idosos; Indiferença; Estado; Reconhecimento; “Jetinho Brasileiro”.


PÁGINAS: 151
RESUMO:

Nesta pesquisa problematizo objetividade e subjetividade no “fazer antropológico” a partir do Código de Ética do Antropólogo e da Antropóloga, discussão que aparece como pano de fundo de uma etnografia com idosos da cidade de Natal-RN. A partir da década de 1970, as ciências sociais, principalmente, a antropologia faz proliferar etnografias com foco no envelhecimento, chamando atenção para o seu caráter social e não meramente biológico. São realizados trabalhos em instituições asilares. Gradativamente, vai se tornando lugar comum na literatura sobre a temática os graves problemas enfrentados por estas instituições por todo o país. Situação agravada, muitas vezes, pelo que se convencionou chamar de uma espécie de “omissão” do Estado e da Sociedade em relação à população de idosos. É sabido, que muitos dos nossos velhos são deixados em lugares como esse para morrerem em silêncio, negligenciados pelo Estado. Assim, neste trabalho, chamo a atenção para um fenômeno peculiar e dramático nas sociedades contemporâneas. Trata-se da “produção social da indiferença”, conceito que norteia as discussões deste texto. Esta pesquisa está sendo desenvolvida no Instituto Juvino Barreto em Natal-RN. Trata-se de um “abrigo” filantrópico para idosos. Busco, a partir de etnografia, conversas espontâneas, entrevistas informais e a “observação participante” chamar a atenção para os conteúdos das relações estabelecidas entre o Estado Burocrático Moderno e os “velhos”. Para tanto, faço uma discussão atrelando as contribuições teóricas sobre “reconhecimento” e as experiências e narrativas apreendidas durante a pesquisa, traçando uma relação entre “reconhecimento” e “produção social da indiferença”, alertando para a “politica do deixar morrer” e a existência de corpos matáveis, indignos de luto e importância frente à “insensibilidade” estatal e de suas instituições, falo de corpos sem reconhecimento, fora dos enquadramentos, marcados pela indiferença e insensibilidade estatal que os relega a serem classificados como “problema social”. Em seguida, pretendo descrever, a partir da narrativa de idosos do Instituto Juvino Barreto, situações de conflito com a burocracia, perceber em que medida estas situações se articulam com os conceitos de “produção social da indiferença” e “produção social do sofrimento”, cuja “naturalização do sofrimento” aparece entrelaçado. Estes últimos conceitos são abstrações que faço no sentido de possibilitar uma inteligibilidade possível ao campo. Colho casos de idosos residentes no Juvino Barreto, a fim de identificar os momentos em que sentiram o peso da “jaula burocrática” em suas vidas. Interessa-me as ocasiões em que eles e elas se viram despojados de toda a sua humanidade em detrimento do cumprimento de normas à custa de um tratamento insensível e indiferente por parte de uma burocrata ou um burocrata. Apresento o sistema burocrático como “tipo ideal” e o critico, designando-o como um produtor de indiferença. Por fim, pretendo argumentar em favor da positivação do que se convencionou chamar de “jeitinho brasileiro” como uma saída possível à insensibilidade burocrática. Irei expor, a partir das narrativas dos idosos, momentos em que “arrumadinhos deram certo” na efetivação de algumas demandas frente ao aparelho burocrático estatal. Neste capítulo pretendo colher dos idosos momentos em que, apesar de existirem normas burocráticas elas foram , simplesmente, ignoradas, flexionadas, flexibilizadas através de uma manobra, de alguém que deu um “jeitinho” para a demanda ser efetivada, apesar do desrespeito à norma estrita. Cometo a ousadia de interpretar o “jeitinho brasileiro” como uma forma de resistir à Burocracia Moderna, ao “desencantamento do mundo”, à impessoalidade violenta, ao desprezo aos sofrimentos do “outro”. Logo o “jeitinho brasileiro”, tão criticado pela maior parte das pessoas, como algo que nos afasta dos países “mais desenvolvidos”. Saliento que esta pesquisa está em andamento e é passível de modificações, aperfeiçoamentos e críticas. Como todo conhecimento que se pretende “científico” não sigo dogmatismos ou posicionamentos fixos e acredito que o “erro” também é ciência, além de dado etnográfico.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 2313763 - ANGELA MERCEDES FACUNDO NAVIA
Presidente - 1358748 - CARLOS GUILHERME OCTAVIANO DO VALLE
Interno - 1337383 - JOSE GLEBSON VIEIRA
Interno - 067.038.576-01 - LILIAN LEITE CHAVES - UnB
Notícia cadastrada em: 14/12/2017 10:29
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