DISPARIDADE ÉTNICO-RACIAL NA PREVALÊNCIA DE SÍFILIS EM MULHERES GRÁVIDAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Sífilis. Revisão Sistemática. Cuidado Pré-Natal. Saúde das Minorias Étnicas.
Introdução: a sífilis é um grave problema de saúde pública, com alta prevalência global, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materno-fetal. Quando diagnosticada na gravidez, deve ser tratada durante o pré-natal. As populações marginalizadas e em vulnerabilidade, como a população negra, são as mais afetadas. Dessa forma, o acesso à testagem, ao diagnóstico e tratamento é uma questão de saúde e política, de equidade e justiça social. Objetivo: Comparar a prevalência da sífilis gestacional em mulheres de acordo com a raça ou etnia a partir de uma revisão sistemática. Método: Trata-se de uma Revisão Sistemática, que utiliza as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis como guia de escrita. A busca dos artigos foi realizada nas bases de dados da PubMed, Web of Science, Lilacs, Scopus, Cinahl, além da busca no Google Scholar e Open Grey. O protocolo do estudo foi registrado com PROSPERO sob número CRD42024605429. Foram incluídos estudos transversais que apresentassem a prevalência de sífilis gestacional de acordo com raça e/ou etnia. Foram excluídos studos com pessoas do sexo masculino e crianças; estudos que não incluíram raça ou etnia; que não apresentem a prevalência do acesso a estes exames ou dados suficientes para cálculo; ou outros tipos de estudos. Foram coletados dos estudos informações sobre autores, ano de publicação, local da pesquisa, tamanho da amostra, faixa etária, média de idade ou faixa etária predominante, raça/etnia das participantes, prevalência da sífilis, medidas de associação e método de coleta de dados. Para avaliação do risco de viés foi utilizado o Checklist for Analytical Cross Sectional Studies Joanna Briggs. Todas as etapas foram realizadas por dois avaliadores independentes. Resultados: As mulheres brancas tiveram taxa de prevalência de sífilis variando de 0,078% a 60%, enquanto as mulheres não brancas tiveram taxas de prevalência diferentes a depender da cor da pele/etnia. Mulheres pretas tiveram suas taxas variando entre 0,046% a 61,1%. Para as mulheres pardas, esse número variou de 0,328% a 6,16%; para mulheres amarelas de 0,0027% a 1,52%; entre as indígenas variou de 0,0027% a 1,52%. Conclusões preliminares: foram observadas desigualdades na prevalência de sífilis na gestação de acordo com a raça ou etnia nos estudos analisados.