Neuromitos na Educação e a Promoção da Alfabetização Científica
Neuromitos; Educação; Alfabetização; Científica
Neuromitos são crenças pseudocientíficas sobre o funcionamento do cérebro e comportamento. Sua disseminação entre professores pode comprometer a aprendizagem ao orientar práticas pedagógicas sem respaldo científico. O objetivo do presente estudo foi avaliar a ocorrência e os padrões de resposta em neuromitos entre docentes da Educação Básica no estado do Rio Grande do Norte em três momentos distintos. Para isso, utilizamos dois questionários, nos quais os participantes indicaram concordância, discordância ou desconhecimento para cada afirmativa. O primeiro questionário, com 40 afirmativas, algumas das quais já reportadas na literatura, foi aplicado a professores da Rede Estadual de Ensino (N=109). A média de acertos nesse instrumento foi de 22,4±4,2 (média±desvio-padrão, ~56%), valor próximo ao esperado ao acaso em uma distribuição binomial. As menores taxas de acerto foram observadas em afirmações relacionadas à dicotomia entre emoção e razão (7% de taxa de acerto), percepção sensorial (16%) e transtornos neurológicos (18%). Não foram encontradas diferenças significativas na taxa de acerto em função do sexo, titulação máxima ou área de formação. Por sua vez, o segundo questionário, com 32 afirmativas, enfatizou ideias e conceitos difundidos em redes sociais. Esse instrumento, aplicado a docentes de uma escola de ensino fundamental da rede privada de Santa Cruz (N=23), teve 21,8±1,8 (média±desvio-padrão, ~70%) acertos. Nessa coleta, as menores taxas de acerto estavam relacionadas a processos didáticos e de aprendizagem (9%), relações entre modificações cerebrais e consciência (15%), habilidades inatas (26%), falácia mereológica (26%), treinamento cognitivo (33%). Os resultados identificam áreas críticas de desconhecimento e sugerem temas prioritários a serem abordados em ações de formação docente, com o objetivo de mitigar concepções equivocadas sobre neurociência entre profissionais da Educação Básica.