Avaliação do perfil de citocinas e quimiocinas em recém-nascidos expostos ao Treponema pallidum com ou sem sífilis congênita confirmada
Recém-nascido; Sífilis Congênita; Sífilis Exposta; Neurossífilis; Inflamação.
A sífilis, causada pela bactéria Treponema pallidum, é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais antigas descritas e apresenta distribuição global. A sífilis gestacional permanece como importante problema de saúde pública, associando-se a desfechos neonatais adversos e à ocorrência de sífilis congênita. Este estudo teve como objetivo avaliar características clínicas maternas e neonatais, bem como aspectos imunológicos associados à exposição e à infecção congênita por T. pallidum. A pesquisa foi realizada na Maternidade Escola Januário Cicco da UFRN. Após obtenção do TCLE, foram incluídas 27 gestantes e 28 recém-nascidos, distribuídos em quatro grupos: controle (n = 10), sífilis exposta sem infecção congênita (SE, n = 10), sífilis congênita (SC, n = 6) e neurossífilis (NS, n = 2). Análise dos prontuários e coleta de sangue total para avaliação hematológica e leucocitária, bem como de soro para imunodiagnóstico (VDRL), quantificação de marcadores bioquímicos, citocinas e quimiocinas por CBA foram realizados. A idade materna média variou de 25,5 ±7,87 anos (SC) a 31,5 ± 6,36 anos (NS), sem diferença estatística entre os grupos (p = 0,3647). A análise socioeconômica indicou maior vulnerabilidade social nos grupos associados à sífilis, especialmente sífilis congênita e neurossífilis, evidenciada por menor escolaridade e maior taxa de desemprego. A hipertensão arterial crônica foi a comorbidade materna mais frequente. Clinicamente, não houve diferenças entre os grupos quanto aos parâmetros antropométricos ao nascimento, com predomínio de recém-nascidos adequados para a idade gestacional e avaliação radiológica dos ossos longos majoritariamente normal, apesar de RNs dos grupos SE e SC apresentaram pesos médios menores, com maior frequência de recém-nascidos classificados como pequenos para idade gestacional. Na análise hematológica, observou-se redução na contagem de hemácias nos recém-nascidos do grupo SC, sem alterações significativas nos demais parâmetros. Na análise imunológica, os recém-nascidos com sífilis congênita apresentaram aumento das citocinas IL-2, IL-12p70, IL-4, IL-1β e IL-10 em relação ao grupo controle, enquanto IFN-γ, TNF-α, IL-5 e IL-17, assim como as quimiocinas CCL2, CXCL8, CXCL9 e CXCL10 não apresentaram diferença significativa entre os grupos. Esses achados sugerem que, mesmo na ausência de alterações clínicas evidentes ao nascimento, a sífilis congênita associa-se a um a um padrão distinto de ativação imunológica nos primeiros dias de vida, reforçando o potencial da avaliação imunológica neonatal como abordagem complementar para a compreensão da fisiopatologia da doença.