Frequência e dinâmica de enteroparasitoses na Comunidade Indígena Potiguara Catu, no Rio Grande do Norte: uma abordagem que integra saúde e ambiente.
Saúde indígena. Infecções parasitárias intestinais. Saúde preventiva.
Infecções parasitárias intestinais representam sérios problemas de saúde pública,
principalmente em regiões de alta vulnerabilidade socioeconômica, por consequência das condições
sanitárias inadequadas em que se encontram os indivíduos e dificuldade de acesso à saúde de qualidade.
Desta forma, este estudo buscou realizar o levantamento e investigação da dinâmica de parasitos intestinais
na comunidade Indígena Potiguara Katu, localizada entre os municípios de Canguaretama e Goianinha no
estado do Rio Grande do Norte. Para isso, foram coletadas 28 amostras de fezes e realizada a aplicação de
questionário socioepidemiológico. As amostras foram analisadas utilizando os métodos Holffman, Pons e
Janer (HPJ) e o método Faust. Foi observado uma elevada prevalência de enteroparasitos (85,7%), com
destaque para os comensais Endolimax nana e Entamoeba coli, indicadores de que existe contaminação
fecal-oral no ambiente. Giardia lamblia, Entamoeba histolytica/dispar e ovos de ancilostomídeos também
foram identificados, mostrando uma associação direta entre maus hábitos de higiene, saneamento básico
precário e o hábito de andar descalço. Quanto às respostas obtidas do questionário, foi observado um baixo
nível de escolaridade dos respondentes e dependência de programas sociais como o Bolsa Família. No que
se refere às condições ambientais, o consumo predominante de água de poços, nem sempre tratada,
descarte inadequado de esgoto e convivência próxima com animais, configuraram como potenciais fontes
de infecção. Neste contexto, estratégias de intervenção em saúde e ambiente, ações educativas
culturalmente adequadas, melhoria no acesso à água potável, saneamento básico, controle de zoonoses,
fortalecimento da segurança alimentar, acompanhamento de saúde periódica e valorização sociocultural
foram sugeridas no presente trabalho. Conclui-se que a elevada prevalência de enteroparasitos na
comunidade Potiguara Katu é reflexo das condições higiênico-sanitárias precárias, bem como sociais e
históricas, evidenciando a urgência de políticas públicas intersetoriais que considerem a especificidade
cultural da comunidade indígena.