Óleo essencial do alecrim-do-mato (Lippia grata Schauer): potencial inseticida e repelente contra Chrysomya megacephala em condições laboratoriais
Bioinseticida. Inseticida natural. Repelente natural.
4. Resumo em português:
A espécie Chrysomya megacephala (Fabricius, 1794) se destaca por sua ampla distribuição e importância médico-veterinária, sendo um vetor mecânico de diferentes patógenos. O uso de inseticidas sintéticos é a principal forma de controle desses insetos e tem levado ao desenvolvimento de resistência e a problemas ambientais. Em resposta a isso, tem aumentado o interesse por pesquisas com estratégia alternativa de controle, inclusive sobre o uso de óleo essenciais. A literatura registra o potencial inseticida da espécie Lippia grata (alecrim-do-mato) contra alguns insetos de importância médica, mas no combate a dípteros muscoides, como C. megacephala, ainda é pouco explorada. O trabalho teve como objetivo a avaliação do potencial inseticida e repelente do óleo essencial de L. grata contra C. megacephala. Os bioensaios foram realizados em condições laboratoriais, sendo usado o óleo essencial de L. grata obtido a partir da hidrodestilação. O potencial inseticida testado usou as concentrações de 3,125%, 6,25%, 12,50%, 15%, 17,50%, 25%, 50%, 75% e 100% em adultos e 12,5%, 25%, 50%, 75% e 100% sobre as larvas, sendo aplicados topicamente (3 µL) em ambos os testes. Para os bioensaios repelentes, foram usadas as concentrações de 6,25%, 12,5%, 25%, 50% e 100%, administradas (1 mL) sobre papel filtro acondicionado em um sistema projetado para este estudo. Para o bioensaio inseticida com o estágio de adultos, foi observada a mortalidade dos insetos em diferentes tempos. As observações foram feitas nos períodos de 15, 30, 45, 60, 120 minutos, 24 e 48 horas, enquanto que para os ensaios inseticidas com larvas em terceiro ínstar, as observações foram realizadas 24 e 48 horas após a aplicação. Nos ensaios de repelência as análises aconteceram a cada 10 minutos totalizando três observações (30 minutos). As concentrações letais e repelentes de 50% (CL50 e CR50) e a de 90% (CL90 e CR90 ) foram calculadas pela análise de Probit. O carvacrol (51,4%) se destacou como o componente majoritário da composição total do óleo. Para os bioensaios adulticidas, observou-se um mortalidade dose-dependente, com diferenças significativas entre as faixas de concentrações (p<0,001), com as doses de 100%, 75%, 50% e 25% apresentando maior letalidade. A CL50 e a CL90 neste bioensaio com os adultos foram 6,45% e 22,61% respectivamente após 48h. Nos bioensaios larvicidas, observou-se diferenças significativas entre as faixas de concentrações (p<0,0051), onde a concentração de 100% do óleo apresentou um efeito significativamente diferente (p<0,005) na mortalidade dos imaturos. As demais comparações entre as concentrações não mostram diferenças significativas. A CL50 e a CL90 para os testes com as larvas em L3 foram 25% e 927% respectivamente após 48h. Nos bioensaios de repelência, a CR50 encontrada foi de 31,76%, enquanto que a CR90 foi 115,51%. Os resultados demonstraram que o óleo essencial apresentou eficácia como inseticida, com mortalidade dose-dependente, indicando que o óleo é altamente tóxico para os adultos de C. megacephala, mesmo em concentrações relativamente baixas. Além disso, o óleo também apresentou atividade larvicida, embora com menor potência em comparação aos adultos. A concentração de 100% foi significativamente mais eficaz que as demais, sugerindo que altas doses são necessárias para obter resultados satisfatórios contra as larvas. Além disso, os ensaios apresentam resultados promissores sobre o potencial do óleo como um repelente natural contra C. megacephala. Dessa forma, o estudo indica que o óleo pode ser uma alternativa promissora aos inseticidas sintéticos para o controle desse inseto de importância médico-veterinária.