AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA ASSISTÊNCIA PARA IMPLEMENTAÇÃO DA LISTA DE VERIFICAÇÃO PARA O PARTO SEGURO EM UMA MATERNIDADE DE ALTO RISCO DO NORDESTE BRASILEIRO
Lista de checagem; mortalidade materna; mortalidade neonatal; segurança do paciente.
A mortalidade materno-infantil ainda é um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Diante desse desafio, a Organização Mundial de Saúde propões a utilização da Lista de Verificação de Parto Seguro como ferramenta de segurança na assistência ao parto direcionada às principais causas de morbimortalidade materna.Objetivo: avaliar qualidade da assistência ao parto para implementação da Lista de Verificação para o Parto Seguro (LVPS) da Organização Mundial de Saúde (OMS) em uma maternidade de alto risco no Nordeste brasileiro . Metodologia: Estudo observacional analítico, transversal com abordagem quantitativa, realizado em uma maternidade de alto risco que seguiu as etapas: a) identificação da oportunidade de melhoria; b) análise das causas da oportunidade de melhoria; c) avaliação do contexto para projetos de melhoria utilizando o MUSIQ; d) adaptação da LVPS para o contexto local; e) medição dos critérios de qualidade os quais foram boas práticas (BP) e eventos adversos (EA) relacionados ao parto e f) planejamento participativo das intervenções centradas na LVPS. Os participantes da pesquisa foram os profissionais de saúde da assistência, de setores da gestão da qualidade e lideranças. Para a avaliação dos critérios de qualidade analisaram-se dados de 212 indivíduos (binômico mulher e bebê). Na análise dos critérios foram utilizadas as frequências absolutas e relativas. Resultados: As causas da má qualidade estão relacionadas à baixa adesão ao uso de protocolos, ausência de educação permanente, fragilidades estruturais e na gestão clínica. A análise do contexto apontou que o projeto pode ser bem-sucedido, mas existem possíveis barreiras contextuais e a adaptação da LVPS. A média de realização de BP na mãe foi de 52,2%, sendo o preenchimento do partograma a menor frequência (0,9%). Nos bebês a média de BP foi de 43,4%, sendo a menor frequência a identificação com a pulseira (15,1%). Em 38,7% dos partos houve morte neonatal e em 4,75% morte materna. As intervenções para implementação da LVPS incluíram uma etapa de adaptação e treinamento para sua utilização. Conclusões: Foram identificadas importantes fragilidades na qualidade da assistência ao parto e nascimento, especialmente no que diz respeito à alta frequência de eventos adversos graves nas mães e recém-nascidos. Evidenciou-se a relevância da implementação da LVPS da OMS, bem como da adesão às boas práticas e aos cuidados baseados em evidências. É fundamental investir em melhorias contextuais que proporcionem um ambiente organizacional propício à realização de ciclos de melhoria na assistência ao parto.