IDENTIFICAÇÃO DAS BARREIRAS À ADESÃO DE PRÁTICAS DE SEGURANÇA DO PACIENTE À LUZ DA CIÊNCIA DA IMPLEMENTAÇÃO
Segurança do Paciente; Gestão de Segurança; Regulação Governamental; Melhoria de Qualidade. Hospitais.
Introdução: A baixa adesão às práticas de segurança do paciente na assistência hospitalar persiste mesmo diante de um robusto arcabouço normativo, como a Resolução da Diretoria Colegiada 63/2011 e 36/2013 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e Portaria do Ministério da Saúde 529/2013, que institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente no Brasil. Diversos estudos evidenciam falhas na aplicação de medidas essenciais de segurança do paciente, associadas à ausência de uma cultura institucional de segurança, baixa priorização estratégica do tema por parte da gestão, escassez de educação permanente, sobrecarga de trabalho e reduzido engajamento das lideranças. Nesse cenário, torna-se necessária a realização de pesquisas que aprofundem a compreensão dessas barreiras e dos fatores que favorecem a adesão às práticas seguras no contexto real dos serviços, especialmente em ambientes críticos como as unidades de terapia intensiva. Objetivo: Identificar as barreiras para adesão às práticas de segurança do paciente em hospitais com leitos de terapia intensiva do estado do Mato Grosso, à luz da ciência da implementação. Método: Estudo descritivo, de abordagem qualitativa, realizado em hospitais com unidades de terapia intensiva do estado de Mato Grosso, Brasil. Participaram profissionais dos Núcleos de Segurança do Paciente dessas instituições. A coleta de dados ocorreu no ano de 2024, por meio de formulário eletrônico com quatro perguntas orientadoras sobre desafios em diferentes dimensões do cuidado. As respostas foram examinadas, organizadas e categorizadas conforme a Ciência da Implementação, utilizando o instrumento Consolidated Framework for Implementation Research (CFIR). O projeto possui aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (CEP/UFRN), conforme parecer consubstanciado Nº. 7.190.121, CAAE: 83375624.9.0000.5292. Resultados: Os achados revelam que a implementação da segurança do paciente nos hospitais com leitos de terapia intensiva de Mato Grosso é limitada por fragilidades estruturais, escassez de recursos, alta rotatividade profissional, baixa capacitação, falhas de comunicação, cultura punitiva e pouco engajamento das lideranças, comprometendo a adesão aos protocolos de segurança do paciente dentro desses serviços. Conclusão: Diante do observado, conclui-se que a segurança do paciente exige investimento, liderança ativa, capacitação contínua e fortalecimento da cultura organizacional, muito além da simples existência de protocolos formais.