Alfabetizar letrando com o gênero carta pessoal: uma proposta à luz da metacognição
Metacognição. Alfabetização. Letramento. Carta Pessoal. Ensino Fundamental I.
A pesquisa aqui apresentada investigou os impactos da aplicação de uma sequência didática voltada ao gênero carta pessoal na alfabetização e no letramento de uma turma do 2º ano do Ensino Fundamental I. O estudo analisou de que modo essa intervenção, mediada por estratégias de gerenciamento metacognitivo, favoreceu a apropriação do sistema de escrita alfabética, estimulou a agência dos estudantes e fortaleceu a parceria entre escola e família. O problema de pesquisa originou-se da necessidade de superar a alfabetização pautada na decodificação mecânica, promovendo uma prática reflexiva e socialmente situada. Teoricamente, a investigação ancorou-se na concepção de alfabetizar letrando (Militão, 2014) como processo social e significativo (Soares, 2015), e na metacognição (Neves; Botelho, 2024) como eixo estruturante do monitoramento e regulação do próprio aprendizado. A escolha da carta pessoal fundamentou-se em sua funcionalidade autêntica, permitindo que as crianças expressassem e negociassem com suas famílias as necessidades de suporte aos estudos em casa. De natureza qualitativa e delineamento de pesquisa-ação (Severino, 2017; Brasileiro, 2021), a investigação contou com a atuação da professora regente como mediadora do processo. A sequência didática, organizada com base em Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), constituiu simultaneamente o dispositivo de intervenção e a fonte de constituição dos dados. A análise qualitativa e interpretativa comparou os registros do ditado ilustrativo e as produções inicial e final da carta pessoal, sob a luz das hipóteses de escrita (Ferreiro, Teberosky, 1999), do modelo metacognitivo (Nelson; Narens, 1994), da alocação do tempo de estudo (Van Overschelde, 2008) e da concepção de cognição situada e distribuída (Vargas, 2017). Os resultados sugeriram avanços consolidados na qualidade composicional do gênero, na construção das hipóteses de escrita e no desenvolvimento da consciência e autorregulação das crianças sobre suas próprias aprendizagens. Observou-se, portanto, a contribuição do ensino reflexivo, apontando que o gerenciamento metacognitivo pode auxiliar na reinterpretação do erro e no despertar da autonomia em sala de aula. Desta forma, o trabalho traz subsídios para o alfabetizar letrando visando aproximações da escrita com suas funções sociais e críticas, mesmo com uma turma dos anos iniciais.