LETRAMENTO COMUNITÁRIO: UM OLHAR PARA A COMUNIDADE DO GOLANDIM
letramento comunitário; projeto de letramento; narrativas locais.
Entendemos a produção textual a partir de uma proposta de ensino baseada nas práticas sociais de uso da língua. Por isso, neste trabalho, propusemos um projeto de letramento comunitário, cujo objetivo geral é discutir o projeto a partir das questões culturais vivenciadas no município de São Gonçalo do Amarante/RN. Teoricamente, Santos (2020) ofereceu a fundamentação ao que compete ao letramento comunitário, Kleiman (1995, 2005) e Street (1984) contribuíram com bases teóricas para entender os estudos do letramento e Tinoco (2008), Santos (2012) e Oliveira, Tinoco e Santos (2014) para a discussão sobre projetos de letramento. Metodologicamente, partimos de uma investigação qualitativa sob a perspectiva da pesquisa-ação, caracterizada por sua natureza participativa e dialógica. Durante o desenvolvimento do projeto, estudantes do 7º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Genésio Cabral de Macêdo, na cidade de São Gonçalo do Amarante/RN, realizaram entrevistas com moradores do bairro Golandim, ouvindo/coletando relatos sobre acontecimentos marcantes, histórias de vida e experiências relacionadas ao espaço em que vivem, que serviram como base para o trabalho de reconto escrito, permitindo que os alunos exercitassem a produção de textos narrativos do gênero conto e relato. Dessa forma, a atividade promoveu a articulação entre oralidade e escrita, possibilitando que os estudantes compreendessem a escrita como uma prática social significativa. Como resultado, o projeto contribuiu para aproximar a escola da comunidade, valorizando os conhecimentos e as memórias dos sujeitos que fazem parte daquele contexto social; incentivando a participação ativa dos alunos na produção de textos que dialogam com a realidade em que estão inseridos. Diante desta proposta, tornou-se viável a execução de um livro digital, intitulado “A voz do outro”, divulgado para toda a comunidade escolar. O projeto também promoveu o resgate de saberes locais e contribuiu para uma educação mais conectada a realidade da comunidade.