Banca de QUALIFICAÇÃO: NARA MENDONÇA DE ASSIS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : NARA MENDONÇA DE ASSIS
DATA : 14/09/2026
HORA: 14:30
LOCAL: Auditório E - CCHLA
TÍTULO:

Da lama e à escrita: deslocamento, fraturas e personagens-fronteiras em As Mulheres de Tijucopapo, de Marilene Felinto, e Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo.


PALAVRAS-CHAVES:

lama; desterritorialização; trânsito; Marilene Felinto; Conceição Evaristo.


PÁGINAS: 46
RESUMO:

Esta dissertação desenvolve uma análise comparativa dos romances As Mulheres de Tijucopapo (1982) e Ponciá Vicêncio (2017), investigando como as matérias do solo — a lama e o barro — configuram a própria fatura estética das narrativas e estruturam as dinâmicas de rememoração e resistência das personagens subalternizadas. A partir do pressuposto de Candido (2006) de que o elemento social atua como força determinante na economia formal do texto literário, examinam-se os desdobramentos da desterritorialização geográfica e existencial imposto às protagonistas em seu trânsito entre o espaço de origem e as periferias metropolitanas. Para tanto, a pesquisa ancora-se nas formulações sobre o tempo espiralar de Martins (2021) e a circularidade de Santos (2023), no conceito de entre-lugar de Bhabha (1998), bem como no pensamento do rastro e no direito à opacidade de Glissant (2005). A dimensão espacial e política articula-se às noções de habitar colonial e política do porão de Ferdinand (2022), à crítica da divisão sociorracial do espaço de Gonzalez (2020) e à análise dos não-lugares de Augé (1994). No plano técnico-formal, investigam-se os regimes de voz e ponto de vista com base em Genette (1979) e Reis e Lopes (1988), enquanto Felinto articula uma narrativa autodiegética fragmentada e colérica, fundada na ruptura da linearidade e na agressividade discursiva, Evaristo erige uma voz heterodiegética de focalização interna, marcada pela contenção poética da escrevivência e pela guarda da memória comunitária. Conclui-se que ambas as obras rompem com os paradigmas do realismo tradicional burguês e transmutam a substância terrosa em operador crítico de reterritorialização, afirmando a legitimidade expressiva e a autonomia histórica de sujeitos marcados pelas fraturas de raça, classe e gênero.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - ***.237.186-** - TITO MATIAS FERREIRA JÚNIOR - NÃO INFORMADO
Interna - ***.237.186-** - TITO MATIAS FERREIRA JÚNIOR - UFRN
Externa à Instituição - YANE DE ANDRADE RAMALHO - IFRN
Notícia cadastrada em: 01/09/2026 09:09
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