“A MEU VER OUTRA FORMA DE RESOLVER ESSA QUESTÃO SERIA”: DISPOSITIVOS ENUNCIATIVOS E ORIENTAÇÃO ARGUMENTATIVA EM ARTIGOS DE OPINIÃO FINALISTAS DA OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA
Plano de texto. Ponto de vista. Responsabilidade enunciativa. Artigo de opinião. Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro.
A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro vem sendo implementada na melhoria da educação básica brasileira, com foco no ensino dos gêneros discursivos textuais. Na edição de 2016, mais de 90% dos municípios aderiram à competição e promoveram o processo de ensino-aprendizagem. Considerando esse certame como relevante no cenário educacional, neste trabalho, situado no campo dos estudos linguísticos do texto, estabelecemos, como objetivo geral, investigar os dispositivos enunciativos concernentes ao plano de texto, à responsabilidade enunciativa e aos conectores argumentativos, explicitando a orientação argumentativa, em artigos de opinião finalistas da Olimpíada de Língua Portuguesa, produzidos por estudantes das segundas e das terceiras séries do Ensino Médio, na edição de 2016. Como objetivos específicos, apresentamos os seguintes: (1) descrever o plano de texto dos artigos de opinião finalistas da Olimpíada de Língua Portuguesa; (2) descrever as marcas linguísticas que indicam o ponto de vista dos candidatos; (3) analisar a responsabilidade enunciativa nas produções textuais finalistas; (4) verificar como ocorre o gerenciamento de vozes alheias nos textos finalistas, categorizando-as, conforme formações sociodiscursivas a que pertencem; (5) averiguar a orientação empreendida pelos usos dos conectores argumentativos nos artigos de opinião, classificando-os consoante Adam (2011). A teoria que embasou a investigação foi a Análise Textual dos Discursos, quadro teórico fomentado por Adam (2011, 2017, 2019, 2021, 2022), no qual a Linguística Textual é vista com um subdomínio das práticas discursivas. Além desse pressuposto, o trabalho também é embasado por autores que tratam sobre aspectos enunciativos, como Rabatel (2016, 2017, 2018, 2021), Rodrigues et al (2010), Rodrigues (2016, 2021), Passeggi et al. (2010), entre outros. Adotamos uma metodologia com viés qualitativo e quantitativo. Seguimos o método, sobretudo, indutivo, a fim de proceder às generalizações. A pesquisa ancorada nos dados cumpriu, assim, a identificação dos fenômenos, suas descrições, análises e interpretações. Os resultados demonstram que o plano de texto utilizado pelos participantes foi o fixo, possuindo a estrutura típica do gênero, com título, autoria, introdução, desenvolvimento e conclusão; ademais, os locutores enunciadores primeiros (L1/E1) tenderam a assumir a responsabilidade enunciativa, se comportando como articulistas em relação às temáticas de âmbito local, mas utilizaram também vozes alheias, principalmente as dos moradores, dependendo do objetivo empreendido na enunciação, porquanto o tema do concurso foi “O lugar onde vivo”; além disso, concernente à orientação evidenciada pelos conectores argumentativos, os mais utilizados foram o “mas”, o “pois”, o “assim” e o “apesar de”, introduzindo argumentos e contra-argumentos que auxiliaram na construção dos pontos de vista assertados e na postura enunciativa de sobre-enunciação. Por fim, os resultados desse estudo contribuem ao desvelamento desse gênero textual discursivo, em seus aspectos estruturais, enunciativos e argumentativos, e aponta os mecanismos empregados pelos participantes na construção de textos modelos inseridos na composição desse certame tão relevante na conjuntura da educação básica brasileira.