INTERDISCURSIVIDADE, ETHOS E ESTEREÓTIPO NA SÉRIE DE TELEVISÃO THE OFFICE: O HUMOR COMO CRÍTICA AO NEOLIBERALISMO
Análise do discurso; The Office; Racionalidade neoliberal; Humor; Universo corporativo; Interdiscursividade; Ethos.
Esta dissertação investiga o funcionamento do humor como prática discursiva crítica na série The Office (versão estadunidense), com foco na representação das relações de trabalho e na crítica à racionalidade neoliberal presente no ambiente corporativo contemporâneo. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e interpretativista, fundamentada nos estudos da Análise do Discurso, especialmente nas contribuições de Dominique Maingueneau, Sírio Possenti, Dardot e Laval, Vladimir Propp e Terry Eagleton. O corpus é composto pelos episódios “Pilot”, “Diversity Day” e “Health Care”, analisados a partir das categorias de interdiscursividade, ethos discursivo e estereótipo. As análises demonstram que o humor na série ultrapassa a função meramente entretenedora e atua como mecanismo de crítica social ao expor contradições, violências simbólicas e práticas de desumanização naturalizadas na cultura empresarial neoliberal. Em “Pilot”, observa-se a construção fracassada do ethos de liderança de Michael Scott; em “Diversity Day”, o humor evidencia tensões relacionadas à diversidade e aos estereótipos culturais; e, em “Health Care”, destacam-se discursos corporativos ligados à produtividade, competitividade e precarização das relações de trabalho. Conclui-se que a comicidade em The Office opera como forma de resistência simbólica ao revelar, por meio do constrangimento, da ironia e da paródia, os mecanismos discursivos que sustentam relações de poder no universo corporativo. Assim, a pesquisa contribui para os estudos discursivos do humor e amplia as discussões acerca das relações entre mídia, linguagem e neoliberalismo.