ORGANIZAÇÕES DIDÁTICAS NO CICLO DE ALFABETIZAÇÃO: TEMAS DE PESQUISA E PROJETOS DE LETRAMENTO
PALAVRAS-CHAVE: Alfabetização; Letramentos; Projetos de Letramento; Temas de Pesquisa; Abordagem Temática de Currícul
Compreende-se que o ensino deve contemplar a relação entre os saberes escolares
e as vivências sociais dos educandos, assim como as necessidades comunicativas
dos aprendizes e suas histórias linguísticas, em vista de ressignificar práticas que,
muitas vezes, tende subestimar, neutralizar as habilidades das crianças, sufocando
suas experiências de vida. Cabe à escola, enquanto instituição de formação humana
e agência reguladora de letramentos, promover a contínua relação do aluno com
situações que coadunem com suas experiências autênticas de vida. Uma proposta
de educação linguística, de caráter emancipatório, não pode desvincular-se de uma
fundamentação pedagógica crítica. Os Projetos de Letramento, assim como os
Temas de Pesquisa – abordagem metodológica escolhida e adaptada pelo NEI para
reposicionar o saber, ressignificando os processos de aprender a aprender, mediado
com as crianças - por fundamentarem-se por ideias freireanas, baseando-se nos
saberes espontâneos e experiências de vida dos educandos, em suas
necessidades, bem como na escuta sensível destes e em suas valorizações como
sujeitos pensantes, apresentam algumas similitudes, assim como distinções. Assim,
objetivamos, com essa pesquisa identificar as aproximações e distanciamentos entre
as organizações didáticas do Projeto de Letramento e do Tema de Pesquisa, no
ensino da leitura e da escrita, em uma turma de 1º ano do NEI. Trata-se de uma
investigação ancorada no âmbito da Linguística Aplicada, de natureza qualitativo-
interpretativista, fruto de uma pesquisa-ação de vertente etnográfica, com enfoque
na responsabilidade social e na postura ética das pesquisadoras, visando a
transformação do outro pela consciência. Esse trabalho se ancora na Pedagogia
Crítica (Freire, 2011 [1970], 2012 [1993]; Giroux, 1997); nos estudos de letramento
(Kleiman, 2000, 2005, 2007, 2010) e Soares (2020; 2021); na concepção
bakhtiniana de linguagem (Bakhtin, 2011[1979]; Bakhtin/Voloshínov, 2012 [1929]).
Os dados analisados foram gerados a partir de observações participantes de
práticas com a leitura e escrita, desenvolvidas via Tema de Pesquisa, no ciclo de
alfabetização. A outra etapa de construção dos dados envolveu a intervenção direta
– por meio do planejamento e vivência de um projeto de letramento. As observações
e intervenções ocorreram no Núcleo de Educação da Infância – Colégio de
Aplicação das UFRN, no semestre letivo de 2026.1. A análise foi realizada a partir
da triangulação de dados, utilizando-se três categorias de análise: gêneros
discursivos; interdisciplinaridade; práticas sociais (leitura e escrita). Os resultados
parciais indicam que, em ambas as organizações didáticas, por comungarem de
alguns princípios semelhantes da Pedagogia Crítica, o ensino de escrita é
organizado em torno de demandas reais, significativas para os participantes,
evitando atividades descontextualizadas. Assim, ele ocorre em situações concretas
de interlocução, mediado pelos gêneros discursivos, integrando a existência do outro
na mobilização das práticas sociais. Escrever, implicou, tanto na Abordagem
Metodológica do Tema de Pesquisa, quando nos Projetos de Letramento, comunhão
de ideias, ou seja, a consideração de que a língua(gem) é construída na interação
viva das relações humanas. Depreende-se ainda, dos dados analisados, que as
organizações didáticas investigadas possibilitam interligações entre os componentes
curriculares, formando uma tessitura entre os sentidos e suas relações, associando-
se às inquietações infantis e situações-problema, bem como com as necessidades
de compreensão requeridas nas práticas de leitura e com o entendimento sobre o
que dizer, como dizer e a quem dizer nas práticas de escrita.