A SEDUÇÃO DOS CORPOS QUE FALAM: CRONOTOPO, PERFORMATIVIDADE E REPRESENTAÇÃO EM OLYMPIA DE LENI RIEFENSTAHL
Linguagem cinematográfica, documentário, cronotopo nazista, ideologia, propaganda.
Refletir sobre esse lugar da linguagem como uma peça fundamental para a constituição dos sujeitos e dos seus mundos sociais, abre-se também a possibilidade de pensar em como os posicionamentos discursivos inscrevem-se nos seus corpos, tornando-os não somente sujeitos racionais ou biológicos, mas também sócio-históricos e, perante isso, abre-se a possibilidade para se refletir de que modo as práticas discursivas podem impactar, podem se inscrever nos corpos, enquadrando-os em determinadas representações a partir do uso de palavras e de imagens.
A partir daí, abre-se precedentes para se pensar acerca da forma como o linguístico age sobre o corpóreo e observar o corpo como um território eivado e prenhe de significações. É tomando por base essas premissas que esse trabalho busca a sua problemática no filme Olympia[1], de Leni Riefenstahl. Olympia é um documentário alemão, dividido em duas partes Festa das Nações e Festa da Beleza, que registra os eventos esportivos dos Jogos Olímpicos de 1936. Tal edição das Olimpíadas entrou para história por ter sido realizada no auge do regime nazista de Adolf Hitler, servindo para que o ditador mostrasse ao mundo uma Alemanha forte e orgulhosa que conseguiria, nessa edição olímpica, o maior número de medalhas (89 contra as 56 obtidas pelo segundo lugar, os Estados Unidos) e, para registrar esses feitos, o líder nazista confiou o seu projeto de documentário à jovem cineasta e simpatizante de primeira hora Leni Riefenstahl.