Dez anos depois da epidemia... perfis sociodemográfico e de neurodesenvolvimento, contexto educacional e habilidades adaptativas de crianças com Síndrome Congênita de Zika (SCZ) em Pernambuco- Brasil
Síndrome Congênita de Zika; Microcefalia; Habilidades adaptativas.
Em 2015, foi confirmada a relação entre a epidemia do vírus Zika e o aumento de casos de microcefalia no Brasil, especialmente na região Nordeste. Essa condição, denominada Síndrome Congênita do Zika (SCZ), afeta gravemente o desenvolvimento neurológico das crianças, resultando em microcefalia e outras complicações. Além disso, famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica enfrentam, conjuntamente, desafios sociais e econômicos, enquanto as crianças apresentam atrasos do neurodesenvolvimento. O presente estudo buscou compreender o impacto da SCZ no desenvolvimento infantil e suas consequências nos contextos escolar e familiar. Para tanto, teve como objetivo geral avaliar as habilidades adaptativas de crianças com a SCZ em escolas municipais da Região Metropolitana de Recife, cidade considerada epicentro da epidemia. Os objetivos específicos buscaram descrever os contextos familiar e socioeconômico de crianças com a Síndrome Congênita de Zika, abordando aspectos como condições de moradia, renda familiar, acesso a serviços de saúde e rede de suporte social; reunir os principais achados da literatura científica sobre o processo de neurodesenvolvimento de crianças com a Síndrome Congênita de Zika; apontar as necessidades educacionais das crianças com microcefalia e os desafios dos profissionais no suporte educacional de crianças com a Síndrome Congênita de Zika; mapear as habilidades adaptativas nos domínios de comunicação, socialização, vida diária e habilidades motoras de crianças com a Síndrome Congênita de Zika, em função de variáveis clínicas e sociodemográficas. A tese foi organizada em três estudos interdependentes: O primeiro estudo consiste em uma revisão sistemática sobre o processo de avaliação do neurodesenvolvimento de crianças com SCZ, seguindo as diretrizes PRISMA para garantir transparência e rigor metodológico, com o uso de bases de dados internacionais e descritores em inglês. O segundo estudo, de natureza empírica, avaliou o desempenho das habilidades adaptativas de 25 crianças com SCZ matriculadas em escolas da Região Metropolitana do Recife, utilizando a Escala Vineland-3. Entrevistas com pais e professores também foram realizadas para analisar o impacto socioeconômico e os desafios enfrentados no ambiente escolar. A partir dos dados foram construídas orientações intersetoriais. A análise dos dados foi feita por meio de clusters e do teste Qui- quadrado, permitindo identificar diferentes habilidades adaptativas entre as crianças. A pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética, e seus resultados têm o potencial de contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas e intervenções educacionais e de saúde voltadas às crianças afetadas pela SCZ.