PROCESSOS DE SIGNIFICAÇÃO NAS TRAJETÓRIAS LABORAIS DE JOVENS DIPLOMADOS NO ENSINO SUPERIOR ATUANDO FORA DA ÁREA DE FORMAÇÃO
Jovem; juventude; ensino superior; trabalho; processo de significação.
No passado, esperava-se que os jovens diplomados fizessem uma transição direta da universidade ao trabalho. Contudo, a expansão do ensino superior e as mudanças no mundo do trabalho criaram um cenário em que o diploma já não garante empregabilidade. Esta dissertação surgiu do interesse em estudar as implicações subjetivas dessa realidade adversa na maneira como esses jovens percebem e vivenciam o trabalho. Essa dimensão subjetiva, apreendida pelos sentidos e significados, buscou capturar as novas configurações do encontro da juventude com o trabalho. Diante disso, o objetivo deste estudo foi investigar os processos de significação envolvidos nas trajetórias laborais de jovens diplomados atuando fora de suas áreas de formação ou desempregados. Para isso, utilizou-se o Modelo de Equifinalidade de Trajetórias, uma ferramenta pertencente à psicologia cultural de base semiótica. Os sentidos e significados dos jovens, investigados com a utilização dessa ferramenta enquanto atividade, foram articulados com base em memórias, afetos/desafetos e dilemas/tensões relacionados ao não trabalho na área original de formação. Foram realizados dois estudos. O primeiro, quantitativo e complementar, aplicou um questionário para descrever as situações de trabalho de egressos de uma universidade pública. O segundo, qualitativo, consistiu em dez entrevistas em profundidade. Realizaram-se análises intra e intercasos com o material produzido. O questionário foi respondido por 590 egressos e permitiu identificar que quase metade (48%) trabalha fora da área, em trabalhos que não requerem o nível de escolaridade superior ou ambos. Os principais achados do segundo estudo indicaram que os jovens usaram os significados de emprego, carreira e vocação para delinear suas experiências subjetivas com o trabalho. O trabalho foi visto como carreira ou vocação quando relacionado às respectivas áreas. A pesquisa evidenciou que os significados "herdados" da cultura não foram suficientes para estruturar os processos de significação, levando os jovens a recorrer a hibridismos e estilizações.