Trafegando por mares, rios, dunas e folhas secas: o entre-lugar das transmasculinidades a partir do Nordeste brasileiro
transmasculinidades; nordeste; cisgeneridade; transfeminismo,etnocartografia
Guiado pelo objetivo geral de dialogar com as possibilidades de masculinidades que atravessam as experiências de homens trans/pessoas transmasculinas no nordeste brasileiro, a pesquisa aqui apresentada trata-se de uma etnocartografia produzida a partir das narrativas de história de vida do pesquisador: um homem trans, psicólogo e nordestino, com outros homens trans/pessoas transmasculinas do nordeste brasileiro. Para isso, foram realizados encontros nos estados de Maranhão, Pernambuco, Piauí onde foram utilizadas como ferramentas metodológicas registros de diário de campo e entrevistas semi-estruturadas, as quais foram gravadas e transcritas posteriormente. O campo também agrega experiências etnocartográficas realizadas em Alagoas e no Rio Grande do Norte, através da militância do autor no movimento trans. A partir de referenciais teóricos decoloniais, transfeministas e pós-estruturalistas apresento: 1) a localização teórica dos estudos em transmasculinidades, resultado de uma revisão integrativa de literatura; 2) as relações de gênero e colonialidade situadas no sistema de saúde e seus impactos no acesso à políticas públicas por parte de homens trans/pessoas transmasculinas; e 3) um debate sobre como as construções de masculinidades de homens trans/pessoas transmasculinas estão atravessadas por signos de um imaginário nordestino que se correlaciona com os sentidos produzidos pela masculinidade hegemônica ao mesmo tempo que os descontrói, formando uma complexidade de expressões de masculinidades. Essa complexidade, entendida como uma contraditoriedade necessária, apresenta-se como parte da mobilidade das relações de poder que se inscrevem nos diversos modos de ser/se fazer homem, e, por esse motivo, encontram-se situadas num entre-lugar.