DESAFIOS E TRAJETÓRIAS NO DIAGNÓSTICO DO HIV EM NATAL/RN: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE POPULAÇÕES LGBTQIAPN+ E HETEROSSEXUAIS
Vírus da Imunodeficiência Humana. Estigma Social. Acesso aos Serviços de Saúde. Diagnóstico de HIV. Sistema Único de Saúde.
O diagnóstico oportuno do HIV é o pilar central para o controle da epidemia, sendo a porta de entrada para o tratamento e a quebra da cadeia de transmissão. Contudo, o Brasil enfrenta o desafio de superar o diagnóstico tardio, que ainda apresenta taxas elevadas. Em Natal/RN, as trajetórias para a descoberta da sorologia são marcadas por barreiras que vão desde o medo do estigma até falhas operacionais na oferta de testes na Atenção Primária. A compreensão de como diferentes grupos sociais acessam o diagnóstico é crucial para identificar por que a testagem ainda não é uma prática rotineira e universal, conforme preconizado pelas políticas de saúde pública. Esta tese tem como objetivo investigar os desafios e barreiras relacionadas ao diagnóstico do HIV em Natal/RN, considerando a atuação das Unidades Básicas de Saúde, as experiências de pessoas já diagnosticadas e as percepções de quem nunca realizou o teste, com foco comparativo entre populações LGBTQIAPN+ e heterossexuais. Através de métodos mistos conduzido através de uma tese por coletânea. A pesquisa foca na análise do diagnóstico sob três vertentes: 1) Vigilância Epidemiológica, através do mapeamento espacial e temporal das taxas de detecção e detecção tardia no município (2013-2024); 2) Quantitativa, avaliando o conhecimento sobre tecnologias de prevenção e testagem; e 3) Qualitativa, por meio de entrevistas narrativas com indivíduos recentemente diagnosticados para reconstruir o itinerário percorrido desde a suspeita ou exposição até a confirmação do resultado positivo na rede de saúde e também com indivíduos que nunca realizaram o teste. Os achados parciais indicam que o diagnóstico em Natal ocorre de forma heterogênea. Enquanto a população LGBTQIAPN+ apresenta maior busca ativa por testes, muitas vezes motivada pela autopercepção de risco, enfrenta barreiras severas de estigma institucional. Já a população heterossexual tende a descobrir a sorologia em estágios mais avançados da infecção ou de forma incidental (como no pré-natal), devido à baixa oferta de teste de rotina pelos profissionais de saúde. A análise espacial revela "vazios de diagnóstico" em áreas periféricas, sugerindo que a distância geográfica e a organização das Unidades Básicas de Saúde impactam diretamente na oportunidade da descoberta do status sorológico. As conclusões preliminares apontam que o sistema de diagnóstico em Natal é reativo e não proativo. O diagnóstico tardio é reflexo de um modelo de atenção que ainda associa o HIV a "grupos de risco", falhando em normalizar a testagem como um cuidado de saúde comum. A trajetória para o diagnóstico é, portanto, interrompida por preconceitos estruturais e pela falta de acolhimento qualificado na porta de entrada do SUS. Espera-se que os resultados finais orientem a implementação de estratégias de testagem descentralizadas e desestigmatizantes. A pesquisa projeta a necessidade de capacitação contínua para que o diagnóstico seja ofertado de forma ética e integrada, garantindo que a primeira meta 95-95-95 seja alcançada com equidade social em Natal.
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