DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E SOBREVIDA DE PESSOAS VIVENDO COM HIV/AIDS EM NATAL-RN
Palavras-chave: HIV. Distribuição Espacial. Análise de Sobrevida. Tuberculose. Vulnerabilidade Social.
Introdução: A epidemia do HIV/AIDS permanece como um importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em regiões marcadas por desigualdades sociais e vulnerabilidades territoriais. Objetivo: Compreender a distribuição espacial e os fatores associados à sobrevida de pessoas vivendo com HIV/AIDS no município de Natal-RN. Metodologia: Foram desenvolvidos dois delineamentos metodológicos. (1) Estudo ecológico de série temporal, analisando as variações espaciais na prevalência de HIV/AIDS entre 2018 e 2022, utilizando dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e técnica de estatística espacial por meio do software SatScan. (2) Estudo de coorte retrospectiva de pessoas vivendo com HIV/AIDS acompanhadas entre 2019 e 2023, a partir de dados do SINAN vinculados ao Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). A sobrevida foi estimada pelo método de Kaplan-Meier e os fatores associados à sobrevida foram avaliados por regressão de Cox. Resultados: (1) Foram identificados 2.433 casos georreferenciados, revelando nove aglomerados significativos de risco, concentrados principalmente nas zonas norte e oeste da cidade, regiões caracterizadas por maior vulnerabilidade social e menor acesso a serviços de saúde. O risco relativo do principal cluster foi de 3,14 (p < 0,001) (2) 1.882 indivíduos foram diagnosticados com HIV no período avaliado, 7,9% dos participantes apresentaram coinfecção TB-HIV e 3,3% evoluíram para óbito. A sobrevida foi significativamente menor entre coinfectados (p < 0,001). Na análise ajustada, a coinfecção TB-HIV permaneceu como o principal determinante da mortalidade (aHR = 5,55; IC95%: 3,21–9,58). Idade avançada e baixa escolaridade também estavam associadas ao risco de morte, especialmente nas faixas de 40–59 anos (aHR = 5,35) e ≥ 60 anos (aHR = 9,85). Considerações finais: A distribuição e a evolução dos casos de HIV/AIDS demonstram que áreas periféricas apresentaram maior concentração de casos e constituíram espaços prioritários para vigilância e intervenções. A mortalidade permanece fortemente influenciada pela coinfecção TB-HIV, pela idade avançada e pela baixa escolaridade, evidenciando a necessidade de estratégias integradas de diagnóstico, manejo clínico e atuação territorial direcionada às populações mais vulneráveis.