CÁRIE DENTÁRIA E FATORES ASSOCIADOS EM UNIVERSITÁRIOS COM DEFICIÊNCIA
Pessoas com Deficiência; Acesso aos Serviços de Saúde; Assistência Odontológica.
No Brasil, a população com deficiência representa cerca de 8,9%, apresentando desigualdades significativas no acesso e na qualidade dos serviços de saúde, incluindo a saúde bucal. Este estudo teve como objetivo avaliar a situação da cárie dentária e seus fatores associados em acadêmicos universitários com deficiência da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), assistidos pela Secretaria de Inclusão e Acessibilidade. Trata-se de uma pesquisa observacional transversal, com coleta de dados por meio de entrevista estruturada e exame clínico odontológico, utilizando o índice CPOD para aferição da experiência de cárie, além do instrumento Oral Impacts on Daily Performance (OIDP) para avaliação da percepção subjetiva de saúde bucal. A amostra foi composta por 43 universitários com diferentes tipos de deficiência, predominando a deficiência física e o Transtorno do Espectro Autista. Os resultados indicaram associação significativa entre idade e experiência de cárie (p = 0,001), evidenciando o caráter cumulativo do dano bucal. Observou-se também que a busca recente por atendimento odontológico (p = 0,003) e a avaliação negativa do tratamento recebido (p = 0,006) estavam relacionadas a maiores índices de CPOD, sugerindo um padrão reativo e insatisfatório na atenção prestada. Além disso, aspectos psicossociais, como estresse relacionado à condição bucal (p = 0,012) e vergonha de sorrir ou falar (p = 0,004), mostraram forte correlação com a piora da saúde bucal. A análise detalhada dos dentes evidenciou maior acometimento dos dentes posteriores, especialmente molares, reforçando a necessidade de estratégias preventivas específicas para essas regiões. Os achados ressaltam a complexidade da saúde bucal em universitários com deficiência, ressaltando que a cárie dentária não é apenas um marcador clínico, mas um indicador das desigualdades e barreiras enfrentadas por essa população no contexto acadêmico e de saúde. Por fim, destaca-se a importância de intervenções integradas, que considerem as dimensões clínicas, sociais e psicossociais, para promover a equidade e a inclusão plena desses estudantes, fortalecendo políticas públicas e práticas de cuidado mais acolhedoras e resolutivas.