Tempo de espera entre o diagnóstico e o tratamento em mulheres com câncer de mama no Brasil
Neoplasia de Mama. Registros Hospitalares. Tempo para o tratamento. Atraso no tratamento.
Introdução: O câncer configura-se como um dos maiores desafios contemporâneos nas esferas social, econômica e de saúde pública. Entre as mulheres, a neoplasia maligna com maior incidência é o câncer de mama, que também representa a principal causa de mortalidade por câncer. Atrasos para o início do tratamento oncológico são recorrentes, multifatoriais e associados à redução da sobrevida das mulheres. Objetivo: Analisar o tempo de espera entre o diagnóstico e o tratamento em mulheres com câncer de mama no Brasil. Metodologia: Foram desenvolvidos dois delineamentos metodológicos. (1) Estudo ecológico de série temporal, abrangendo o período de 2006 a 2019, com análise por unidade da federação, para casos com e sem diagnóstico prévio. Os dados formam obtidos no Integrado de Registro Hospitalar de Câncer (IRHC), e a tendência temporal foi estimada utilizando modelo de regressão Joinpoint. (2) Estudo ecológico de análise espacial, realizado nas 133 Regiões Intermediárias de Articulação Urbana (RIAU), com foco no período posterior a lei (2013-2019). A variável dependente (início do tratamento em até 60 dias) foi extraída do IRHC, enquanto as variáveis independentes contextuais foram obtidas do Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil e do sistema do Departamento de Informática do SUS (DATASUS). A detecção de aglomerados territoriais foi verificada pelo índice de Moran Global e Indicador Local de Associação Espacial (LISA). Na análise multivariada optou-se por usar modelo com efeito espacial global. Resultados: (1) Os casos sem diagnóstico prévio de câncer de mama apresentaram maior tendência de início do tratamento oncológico dentro do prazo legal de 60 dias, em comparação àqueles com diagnóstico prévio. Esse padrão foi observado tanto no período anterior quanto no posterior à promulgação da lei. (2) O percentual de início de tratamento em até 60 dias apresentou correlação espacial positiva com a densidade de Médicos de Família e Comunidade (p= 0,007) e com a Proporção de Procedimentos Cirúrgicos (p=0,001). Considerações Finais: Os resultados desta dissertação evidenciam a persistência de atrasos no início oportuno do tratamento do câncer de mama, mesmo após a promulgação da Lei dos 60 dias, indicando a influência de fatores contextuais, sobretudo relacionados à oferta de serviços. Os achados oferecem subsídios para o aprimoramento da gestão oncológica do país.