Ambientes alimentares e sua interface com a promoção da alimentação adequada e saudável.
Acesso a Alimentos Saudáveis. Segurança Alimentar. Guias Alimentares. Promoção da Saúde. Política de Saúde.
Introdução: A temática dos ambientes alimentares está em crescente evidência nos estudos do Brasil e ao redor do mundo. Conhecer seus aspectos e suas possíveis influências na promoção da alimentação adequada e saudável da população baseada nas diretrizes nacionais de alimentação é de grande relevância, principalmente no cenário local. Objetivo: Compreender os ambientes alimentares do município de Natal/RN e sua relação com a promoção da alimentação adequada e saudável segundo as práticas alimentares da população e as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira (GAPB). Métodos: A tese foi elaborada por meio de diferentes métodos organizados em três seções: 1) Estudo metodológico sobre a aplicabilidade da escala de adesão ao GAPB enquanto marcador de práticas alimentares saudáveis, o qual comparou-se a escala de adesão ao Guia Alimentar com a escala ponderada pelo nível de adesão da população do estudo. Para tanto, as estatísticas utilizadas foram a curva ROC e o teste Kappa; 2) Estudo transversal sobre a relação entre os ambientes alimentares (desertos e pântanos alimentares) de Natal/RN e a adesão ao GAPB. Para analisar a associação, realizou-se regressão linear múltipla por “backward stepwise” para averiguar a relação entre as variáveis em questão; 3) Estudo metodológico para o desenvolvimento de um instrumento de avaliação do ambiente alimentar de restaurantes populares, considerando as recomendações do GAPB e as legislações do Programa Restaurantes Populares. O instrumento foi avaliado por painel de especialistas por meio de um checklist para validade de conteúdo, considerando o Índice de Validade de Conteúdo (IVC). Foram realizadas duas rodadas de avaliação e analisados os aspectos relevância prática e clareza de linguagem dos itens do instrumento. Resultados: 1) No estudo metodológico sobre a aplicabilidade da escala de adesão ao Guia Alimentar foi observado uma precisão de 98,7% (AUC = 0,987 e p<0,001; IC95% 0,979-0,995) para o novo indicador ponderado classificar corretamente o indivíduo quanto à sua adesão ao GAPB, com concordância quase perfeita entre as escalas (Kappa = 0,90; p<0,001). 2) O estudo transversal sobre os ambientes alimentares e a adesão ao GAPB mostrou que morar em um deserto alimentar reduz em 2,41 (p=0,014) o escore de adesão ao Guia, independente da renda, idade e sexo; e reduz em 1,39 (p=0,006) o escore de adesão considerando às práticas opostas às recomendações do GAPB. Os pântanos alimentares não apresentaram associação com o escore de adesão ao GAPB (p=0,886). 3) Sobre o estudo referente ao instrumento desenvolvido foi verificado que dos 46 itens do checklist avaliados quanto à relevância prática na primeira rodada do painel de especialistas, 6 foram excluídos por apresentar IVC < 0,8. Os 40 itens restantes foram avaliados quanto à clareza de linguagem e destes, 24 precisaram ser revisados por apresentar IVC < 0,8. Os especialistas sugeriram ainda acrescentar outros 20 itens adicionais ao instrumento. Tanto os itens revisados quanto os adicionais foram avaliados quanto à clareza de linguagem na segunda rodada do painel e obtiveram IVC ≥0,8. Conclusões: A escala de adesão ao GAPB aplicada à população do Estudo Brazuca Natal está em concordância com os aspectos propostos em sua escala original, mostrando que o instrumento tem adequado poder discriminatório na mensuração das práticas alimentares da população estudada. Os desertos alimentares foram associados à adesão ao Guia Alimentar da população do estudo, mostrando que morar em um deserto reduz a adesão a uma alimentação adequada e saudável. O instrumento desenvolvido para avaliação dos ambientes alimentares no âmbito dos Restaurantes Populares apontou uma validade de conteúdo satisfatória, necessitando de estudos de validação de sua aplicabilidade.