PULSOS DE PRECIPITAÇÃO E BALANÇO DE CO₂ EM ÁREA DE CAATINGA: ESTUDO DE CASOS
Covariância de vórtices, Serviços ecossistêmicos, Semiárido.
Este estudo investigou a influência de pulsos de precipitação sobre o balanço de carbono em
uma área de Caatinga preservada localizada na Floresta Nacional de Açu (RN). As medições,
realizadas entre julho de 2023 e junho de 2024, utilizaram a técnica de covariância de
vórtices turbulentos (Eddy Covariance) para estimar a troca líquida de CO₂ (NEE), a
produtividade primária bruta (GPP) e a respiração do ecossistema (Reco). Foram
identificados dois eventos pluviométricos durante o período seco, sendo um em novembro
(P1) e outro em dezembro de 2023 (P2). Os resultados demonstraram que os maiores fluxos
de sequestro de carbono ocorreram imediatamente após os eventos de chuva, sobretudo após
o segundo pulso, quando o NEE passou de –1,26 para –1,40 g C m⁻² d⁻¹ e a GPP aumentou
de 2,04 para 2,29 g C m⁻² d⁻¹. Essas variações foram acompanhadas por elevação da
umidade relativa e redução do déficit de pressão de vapor (VPD), favorecendo o aumento da
eficiência fotossintética. Em contrapartida, a Reco apresentou incremento acentuado logo
após o P2, indicando reativação dos processos biológicos do solo e da vegetação. Esses
resultados evidenciam a forte dependência do metabolismo da Caatinga em relação à
disponibilidade hídrica intraestacional, reforçando que os pulsos de chuva, mesmo que de
forma isolada, são determinantes na reativação ecofisiológica e na regulação das trocas de
carbono em ecossistemas semiáridos. Conclui-se que a inclusão da variabilidade
pluviométrica em modelos de balanço de carbono é essencial para aprimorar projeções sobre
a resiliência da Caatinga frente às mudanças climáticas.