Intermitência e cobertura do solo promovem heterogeneidade biótica em metacomunidades de macroinvertebrados de riachos
LCBD; substituição de espécies; diferença de riqueza; diversidade beta; macroinvertebrados aquáticos; rios não-perenes.
Ecossistemas de água doce abrigam uma biodiversidade alta que está ameaçada pelas mudanças climáticas e pressões humanas. Em ecossistemas fluviais, estas ameaças estão aumentando a proporção de rios não-perenes. Estes rios alternam entre fases de fluxo, poças e seca, sustentando a biodiversidade regional através de comunidades adaptadas à variabilidade hidrológica. Embora as comunidades locais sejam adaptadas a essa variabilidade, secas mais frequentes e severas, somadas às alterações hidrológicas pelo uso do solo (como agricultura e urbanização), estão reduzindo a resiliência e a diversidade dessas comunidades. Assim, o objetivo principal deste estudo é explorar como a intermitência dos rios e o uso do solo influenciam a estrutura de metacomunidades de macroinvertebrados aquáticos, a partir da análise dos componentes da diversidade beta (substituição de espécies e diferença de riqueza) utilizando a métrica LCBD (Local Contribution to Beta Diversity). Investigou-se nove metacomunidades de rios perenes e não-perenes do sudeste da França. Nos resultados, fatores espaciais (latitude e longitude), o uso do solo e a probabilidade de intermitência foram preditores importantes relacionados tanto à substituição de espécies quanto à diferença de riqueza. De modo geral, observou-se que áreas mais preservadas e riachos com maior probabilidade de intermitência abrigam comunidades com composição mais exclusiva de espécies, sendo, assim, áreas que devem ser prioritárias para a conservação. Ademais, se recomenda que riachos com elevados níveis de impacto antrópico devem ser restaurados, sobretudo através da recomposição de floresta ripária.