Flutuações hidrológicas extremas dirigem a eficiência no uso de recursos do plâncton em um reservatório tropical
INTERAÇÕES TRÓFICA; SÉRIE TEMPORAL; SEMIÁRIDO; LAGOS; FLUTUAÇÃO HIDROLÓGICA; GRUPOS FUNCIONAIS
A flutuação hidrológica sazonal influencia o volume de água de lagos e reservatórios e, consequentemente, a dinâmica das variáveis limnológicas, influenciando a estrutura e o funcionamento das comunidades planctônicas. Este estudo, analisou uma longa série de dados (15 anos) de um reservatório na região semiárida tropical, com o objetivo de avaliar os efeitos da flutuação hidrológica sobre a eficiência no uso de recursos (RUE) bem como na estrutura das comunidades planctônicas ao longo do tempo. Os resultados indicaram que os períodos hidrológicos exerceram forte papel estruturante sobre os grupos funcionais do zooplâncton e fitoplâncton com diferenças marcantes, principalmente entre os períodos de cheia e seca extrema. Na comunidade zooplanctônica, a seca extrema foi caracterizada por um aumento expressivo da biomassa de copépodes raptoriais, com estratégia ativas para obter alimento. Em contraste, no fitoplâncton, ela esteve associada à dominância de grupos potencialmente mixotróficos, enquanto a cheia foi marcada por maior contribuição de espécies autotróficas, sem flagelo e de formas variadas. A RUE do zooplâncton apresentou uma tendência positiva ao longo do tempo, além de aumentos pontuais, impulsionados pelo incremento da biomassa de grupos funcionais do zooplâncton. A RUE do fitoplâncton diferiu significativamente entre os períodos: a eficiência no uso de nutrientes (RUE Fito:TP, Fito:Nitrato) foi menor na seca extrema comparada à cheia, enquanto a eficiência no uso de luz (Fito:Secchi; Fito:Zeu) foi maior. A RUE do zooplâncton esteve significativamente associada apenas às métricas de eficiência luminosa do fitoplâncton, reforçando que a disponibilidade de luz, mais do que nutrientes, é um fator importante na estruturação da comunidade fitoplanctônica e na mediação das interações tróficas nas regiões semiáridas. Esses resultados ressaltam a flexibilidade ecológica do plâncton e fornecem informações importantes sobre a dinâmica trófica em ecossistemas fortemente influenciados pela flutuação hidrológica mediante eventos extremos relacionado à seca ou chuva.